quinta-feira, 11 de outubro de 2012

"O homem máquina", por Pio XII



 A SALVAÇÃO NÃO PODE VIR UNICAMENTE DA
PRODUÇÃO E DA ORGANIZAÇÃO

Dir-se-ia que a Humanidade de hoje, tendo sabido construir a maravilhosa e complexa máquina do mundo moderno, subjugando em seu serviço forcas ingentes da natureza, se mostra incapaz de lhe dominar o avanço, como aquele que, tendo deixado escapar o leme das mãos, corre o perigo de ser submergido e despedaçado. Essa incapacidade de domínio deveria naturalmente levar os homens, que são vítimas dela, a não esperar a salvação unicamente dos técnicos da produção e da organização. O trabalho destes, só quando unido e orientado para melhorar e fortalecer os verdadeiros valores humanos, poderá contribuir, e notavelmente, para resolver os graves e vastos problemas que angustiam o mundo. Em caso nenhum, porém, conseguirá estabelecer um mundo sem misérias. Quanto desejaríamos que todos se convencessem disso, aquém e além do oceano!

A VIDA SOCIAL NÃO PODE CONSTRUIR-SE À MANEIRA DUMA GIGANTESCA MÁQUINA INDUSTRIAL

Sabe-se aonde se há de ir buscar o tecnicismo para o inserir no pensamento social: nas gigantescas empresas da indústria moderna. Não temos aqui intenção de pronunciar juízo sobre a necessidade, utilidade e inconvenientes de semelhantes formas de produção. Constituem sem dúvida aplicações maravilhosas da potência inventiva e construtiva do espírito humano; são justamente apresentadas à admiração do mundo essas empresas, que, segundo normas maduramente estudadas, conseguem coordenar e englobar, na produção e na administração, a atividade dos homens e das coisas; nenhuma dúvida também que a sua sólida ordem e por vezes a beleza completamente nova e própria das formas externas são motivo de legítimo orgulho para a idade presente. O que, pelo contrário, devemos negar é que elas possam e devam valer, como modelo geral, para conformar e ordenar a moderna vida social.

Maternidade da Santíssima Virgem Maria

Fonte: Escravas de Maria
11/10 Quinta-feira
Festa de Segunda Classe
Paramentos Brancos


O Primeiro Concílio de Éfeso foi realizado em 431 na Igreja de Maria em Éfeso, na Ásia Menor o primeiro dos quatro dogmas marianos é o da Maternidade Divina da Santíssima Virgem  Maria. Foi convocado pelo imperador Teodósio II e debateu sobre os ensinamentos cristológicos e mariológicos de Nestório, patriarca de Constantinopla. Cerca de 250 bispos nele estiveram presentes. O concílio foi conduzido em uma atmosfera de confronto aquecido e recriminações, e condenou o nestorianismo como heresia, assim como o arianismo e o sabelianismo ório, patriarca de Constantinopla, defendia que Cristo não seria uma pessoa única, mas que Nele haveria uma natureza humana e outra divina, distintas uma da outra e, por consequência, negava o ensinamento tradicional que a Santíssima Virgem Maria pudesse ser a "Mãe de Deus" (em grego Theotokos), portanto ela seria somente a "Mãe de Cristo" (em grego Cristokos), para restringir o seu papel como mãe apenas da natureza humana de Cristo e não da sua natureza divina. Os adversários de Nestório, liderados por São Cirilo, Patriarca de Alexandria, consideravam isto inaceitável, pois Nestório estava destruindo a união perfeita e inseparável da natureza divina e humana em Jesus Cristo e acusavam Nestório de heresia, para condená-lo, São Cirilo apelou ao Papa Celestino I, o papa concordou e concedeu à Cirilo sua autoridade para depor Nestório e excomungá-lo. Porém, antes da intimação chegar, Nestório convenceu o imperador Teodósio II para convocar um Concílio ecumênico, para que os bispos defendessem os seus pontos de vista opostos. Assim que foi aberto, o Concílio denunciou os ensinamentos Nestório como errôneos e decretou que Jesus era uma apenas pessoa, e não duas pessoas distintas, Deus completo e homem completo, e declarou como dogma, que a Santíssima Virgem Maria devia ser chamada de Theotokos, porque ela concebeu e deu à luz Deus como um homem. Os eventos do concílio criaram um cisma importante, provocando a separação da região da Síria, formando a Igreja Assíria do Oriente.  

Aos 22 de junho de 431, este dogma foi solenemente definido pelo Concílio de Éfeso explicitamente a Maternidade Divina de Nossa Senhora. Assim, o Concílio de Éfeso, do ano 431, sendo Papa São Clementino I (422-432) definiu se expressou: “Que seja excomungado quem não professar que Emanuel (Cristo)é verdadeiramente Deus e, portanto, que a Santíssima Virgem Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, pois deu à luz segundo a carne aquele que é o Verbo de Deus”.     

São Bernardo, num de seus sermões sobre a Anunciação, demora-se em observar Maria no exato momento de seu sim à Maternidade Divina, um sim que mudaria os rumos da história, que recriaria o mundo, que possibilitaria uma nova e eterna comunhão entre Deus e as criaturas. "Ó Virgem piedosa, o pobre Adão, expulso do paraíso com sua mísera descendência, implora a tua resposta. Implora-a Abraão, implora-a Davi; e os outros patriarcas, teus antepassados... suplicam esta resposta. Toda a humanidade, prostrada a teus pés, a aguarda. E não é sem razão, pois do teu consentimento depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a libertação dos condenados, a salvação de todos os filhos e filhas de Adão, de toda a tua raça. Responde depressa, ó Virgem! Pronuncia, ó Senhora, a palavra esperada pela terra, pelos infernos e pelos céus. O próprio Rei e Senhor de todos, tanto quanto cobiçou a tua beleza, deseja agora a tua resposta afirmativa, porque por ela decidiu salvar o mundo. Agradaste a ele pelo silêncio, muito mais lhe agradarás pela palavra ... Se tu lhe fizeres ouvir a tua voz, ele te fará ver a nossa salvação".

São Boaventura (+1274): "Os coros dos anjos, com vozes incessantes, te proclamam: santa, santa, santa, ó Maria, Mãe de Deus, mãe e virgem ao mesmo tempo! Os céus e a terra estão cheios da majestade vitoriosa do Fruto do teu ventre! O glorioso coro dos apóstolos te aclama Mãe do Criador! Celebram-te todos os profetas, porque deste à luz o próprio Deus! A imensa assembléia dos santos mártires te glorifica como Mãe do Cristo. A multidão triunfante dos confessores prostra-se diante de ti, porque és o Templo da Trindade!".

Epístola  
Eclesiástico 24, 23-31 

23.Cresci como a vinha de frutos de agradável odor, e minhas flores são frutos de glória e abundância.24.Sou a mãe do puro amor, do temor (de Deus), da ciência e da santa esperança,25.em mim se acha toda a graça do caminho e da verdade, em mim toda a esperança da vida e da virtude.26.Vinde a mim todos os que me desejais com ardor, e enchei-vos de meus frutos;27.pois meu espírito é mais doce do que o mel, e minha posse mais suave que o favo de mel.28.A memória de meu nome durará por toda a série dos séculos.29.Aqueles que me comem terão ainda fome, e aqueles que me bebem terão ainda sede.30.Aquele que me ouve não será humilhado, e os que agem por mim não pecarão.31. Aqueles que me tornam conhecida terão a vida eterna. 

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Evangelho
São Lucas 2,43-51     

43.Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem.44.Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos.45.Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele.46.Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.47.Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas.48.Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição. 49.Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?50.Eles, porém, não compreenderam o que ele lhes dissera.51.Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sobre el Pecado Venial (V Parte)

Fonte: En Gloria y Majestad
§ V. — El pecado venial revelado por el purgatorio



¡Tinieblas en medio de las cuales todo es impalpable, lúgubre, objeto de espanto! Angustias semejantes a las del asfixiado que en vano busca el aire, del enfermo que se revuelve y se agita sin encontrar un momento de reposo. Largos años de desesperación de un prisionero completamente aislado en su calabozo. Desgarramiento del corazón por el remordimiento, peor aún que el desgarramiento de nuestra carne. Todos estos efectos puede sentirlos el alma separada del cuerpo, del mismo modo que siente aquí abajo los que recibe por los agentes naturales.

No ha creado Dios el Purgatorio para que sirva de amenaza sin efecto. Tampoco ha instituido las indulgencias para asegurarnos la impunidad.Ignoramos la naturaleza de las penas que se nos impondrán, la duración de los sufrimientos y la aplicación que Dios ha de hacer de  esas indulgencias. La incertidumbre en que voluntariamente nos deja con respecto a todo esto es una terrible advertencia.

El Purgatorio es una revelación del pecado venial. Siendo Dios la justicia misma, no habría de castigar una falta más de lo que se merece. Las penas del Purgatorio hacen estremecer a nuestra sensibilidad y deberían más bien iluminar nuestras conciencias. Abandonados a nuestras solas deducciones, jamás hubiésemos comprendido la importancia de la oposición con Dios y el desorden que supone un pecado venial. El testimonio del Purgatorio convence mucho más que todas las razones.

Y, sin embargo ¡Dios ama a esas almas a las que hace sufrir tanto! ¡A algunas de ellas las ama ciertamente aún mucho más que a otras a quienes ha llevado ya a gozar del Cielo!... Mas... ¡deja cumplirse la ley de expiación!
Es tan justa esta ley, tan noble el soportarla, que las almas del Purgatorio no querrían, a ningún precio evitarla. Comprendiendo a fondo la malicia del pecado venial, lo aborrecen y lo persiguen hasta en su mismo ser a costa de los más terribles dolores.

¡Ah si les fuese dado volver a la tierra para empezar una nueva vida! ¡Si le fuese permitido expiar como aquí abajo! ¡Qué mortificaciones, qué interminables oraciones bastarían a su deseos de penitencia! ¡Con qué cuidado no evitarían hasta la sombra de pecado!

La gran pena de las almas del Purgatorio es indudablemente sentirse alejadas de Dios y el no serle agradables. Repentinamente iluminadas han presentido su infinita bondad ¡Con los brazos abiertos, la mirada desolada, el corazón enamorado, se sienten apasionadamente impulsadas hacia Él; expiando con este amor doloroso las leves injurias hechas al amor desconocido! Verdad que indiferencia es ya causa suficiente para merecer este castigo. Nos enseña S. Alfonso de Ligorio que hay en el Purgatorio como unacárcel de honor para las almas que sin haber cometido ninguna otra falta, no hayan amado bastante.

Sirviéndonos del lenguaje humano, tan imperfecto para expresar esta clase de cosas, podemos decir que Dios sufre al castigar así a esas almas queridas y detenerlas alejadas de sus paternales abrazos; ¡puesto que en ese mismo momento las ama más de lo que pueden querer todos los corazones dé todos los padres y todas las madres reunidos!... Evitar a Dios esa pena, esa obligación esa espera ¡qué noble motivo para huir del pecado venial! Las almas delicadas lo comprenden: el amor del sufrimiento expiatorio es su natural conclusión.

Desagradar a Dios y verse rechazadas por El, por culpa propia, en el momento en que debiera verificarse la reunión, ¡es un motivo que sienten vivamente las almas que aman de veras! 

Julia Hamari - 70 Sehet, Jesus hat die Hand


Da virtude mais necessária aos sectários

 Padre Júlio Maria, C.SS.R.
As virtudes, 1936.

- Vós vistes - eu vo-la mostrei, tratando dos homens de Estado e da virtude que lhes é mais necessária, a maior e a mais bela de todas as instituições que a humanidade tem conhecido: a Igreja. Não só a sua necessidade e a sua origem, a sua constituição e autoridade, não só isto, é certo, mereceu a vossa admiração. Mais do que tudo isso vos impressionaram o espírito, quando descrevi a beleza da Igreja, os exemplos e os fatos dados como testemunho da sua maravilhosa fecundidade.
Exposto como já foi o duplo e magnífico serviço da Igreja, isto é, o serviço particular das almas e o serviço público da sociedade: demonstrado, como já ficou, ser a Igreja um organismo prático, perfeitamente adaptável a todos os interesses sociais e que ela é, no governo das sociedades políticas, o melhor e mais profícuo de todos os instrumentos de que possa lançar mão o poder público; agora é preciso que contempleis, bem saliente, na beleza da Igreja, um apostolado típico, especial, característico, único - o apostolado da Doutrina.
Este apostolado é o maior dom de Deus, ao homem, e o maior sacrifício do homem a Deus. É o maior dom de Deus ao homem, porque é a revelação mesma de Deus, dando ao homem no Dogma - a verdade, que ele deve crer, venerar - a verdade, que ele deve praticar, no culto - a verdade que ele deve amar.
Inteligências há, estreitas, que não vão até à compreensão da necessidade da doutrina, que, entretanto, é a tríplice satisfação do que a natureza humana tem de mais nobre no espírito, de mais digno na vontade e de mais delicado no coração.
Pelo Dogma Deus emancipa o homem do erro.
Pela moral liberta-o do pecado. Pelo culto, exime-o às ilusões do mundo.
Se assim é, mui pequeno espírito ao qual, por sua transcendência, repugna o dogma. Mui fraca a vontade, a que prefere a escravidão das paixões à mais fecundada das liberdades a - da virtude. Mui estreito o coração, o que se contenta com os gozos grosseiros do prazer terrestre, não cobiçando, jamais as delícias inefáveis da piedade.
Mas a Doutrina não é só o maior dom de Deus ao homem; é, também, o maior sacrifício do homem a Deus. Sacrifício múltiplo e sublime!
Múltiplo, porque é a imolação do espírito, da vontade e do coração. Sublime, porque é o espírito repudiando esse lado estreito da inteligência, a que há pouco me referi, e subindo, pela imolação da razão, até a aceitação voluntária das verdades mais transcendentes, como, por exemplo, estas: Deus trino e uno, um homem que é Deus, um Deus que nasce de uma virgem, um Deus que morre, um Deus que, crucificado, substitui no seu Calvário em Jerusalém, um Calvário mais belo, num sacrifício perpétuo - a Eucaristia. Sublime, porque é o homem repudiando o lado estreito e mesquinho de sua vontade, e, subindo pela imolação de suas paixões, até querer coisas que são, para ele, grandes violências, como, por exemplo: a humildade, o perdão das injúrias, o amor aos inimigos, a penitência. Sublime, porque é o homem repudiando o lado mesquinho do amor ilusório que lhe dão as criaturas, até às expansões sobrenaturais do amor divino.
Grande sacrifício, pois, do homem, o que lhe impõe a Doutrina. Mas esse sacrifício, não é só o maior sacrifício do homem a Deus, é também, quando ele reveste o apostolado da palavra, o maior dom de um homem aos outros homens.
Se um homem diz: eu dei aos outros homens os meus bens, a minha casa, a minha herança, nós, sem dúvida o admiramos. Se um homem diz: eu dei aos outros homens todos os afetos, sentimentos e ternuras do meu coração, não podemos negar-lhe, sem dúvida, o nosso amor.
Mas se um homem diz: eu dei aos outros homens, mais do que os bens, coisas materiais; mais do que o coração, coisa bela, mas frágil: eu dei-lhe verdade; então, o que sentimos por esse homem e mais que admiração, é mais do que amor, porque é a gratidão ao maior dos apostolados - o da palavra.
Sim, o maior apostolado é o da palavra porque é o dom do homem inteiro aos outros homens. A palavra e, ao mesmo tempo, o espírito, o corpo e a vida. A palavra é o próprio sangue, porque a palavra é o sangue transfigurado, na mais sublime das caridades: a caridade do ensino.
Desta caridade só a Igreja é capaz, nos homens que só a Igreja envia aos povos, num ministério que só a Igreja possui: a pregação. Só a Igreja. Que pregação já deram a humanidade os maometanos, os turcos, os protestantes? Não deram, nem podem dar; porque o apostolado da palavra é como já ficou dito, um apostolado especial, característico, único da Igreja. Só à Igreja Cristo disse, na pessoa de Seus Apóstolos. Ide e ensinai a todas as nações!
Pois bem - não obstante esta caridade e justamente por motivo dela, vê-se, hoje, senão muito saliente, já bem inequívoco, na desnaturada fisionomia do país, este traço - o ódio à Igreja! Pois é possível? Pode-se odiar o amor? Que é a Igreja senão um grande amor? Amor devotado, persistente, tenaz, que acompanha o homem desde o berço até ao túmulo enxugando as suas lágrimas, consolando as suas dores abrindo os vastos horizontes das suas esperanças?
O amor da Igreja! Quereis ver do que ele é capaz?  Vede-o em S. Paulo, ele quer ser anátema por seus irmãos. Vede-o em Tereza de Jesus. Ela quer sofrer ou morrer. Vede-o em Madalena de Pazzi. Ela não quer morrer, para sofrer. Vede-o nesse humilde cura d' Ars, cujo presbitério ainda recentemente contemplei, embevecido, numa aldeia de França, porque, esfomeado de dores e lágrimas, imolando-se dia e noite, por amor dos homens, o cura d' Ars o transformara num imenso hospital, onde iam buscar alívio todas as dores da humanidade.
O amor da Igreja! Que solicitude maior que a desse amor?
Odiar a Igreja, como fazem os sectários, é odiar a mais solícita de todas as maternidades, essa que gera o cristão no batismo, nutre-o na Eucaristia, fortifica-o na Confirmação, regenera-o na Penitência. Odiar a Igreja é odiar o grande e inexprimível amor que, por assim dizer, persegue o homem, corre atrás do homem, e que, quando mesmo o homem o repudia, abre-lhe os braços e oferece-lhe a salvação.
Razão, pois, tendes, de estranhar o ódio que eu atribuo aos sectários, classificação em que estão incluídos protestantes, espiritistas, maçons, e, em geral, todos os membros das falsas religiões. Razão tendes - mas podeis verificar perfeitamente este ódio contemplando-o neste fenômeno da sociedade brasileira: a hostilidade dos sectários. Essa hostilidade é bem manifesta, hoje, na intolerância falada e escrita. A irreverência com que eles se referem aos homens e às coisas da Igreja: os falsos melindres que em certos incidentes humanos desagradáveis a que não é superior a parte da Igreja, eles mostram, com um zelo farisaico o escândalo fingido: a astúcia com que conseguem da administração e do Governo os maiores favores e privilégios, o modo por que conseguem aliciar para a sua causa jornalistas e políticos; a audácia descomunal com que procura esbulhar a Igreja, no Brasil, do apostolado do ensino - todas essas causas são provas cabais de que o ódio dos sectários se traduz já em manifesta hostilidade. Qual - a causa desta hostilidade nos homens de Estado, como vistes, o desprezo do catolicismo procede da falsa noção da Igreja. Nos sectários, a hostilidade deles ao apostolado da Igreja procede necessariamente - da ignorância ou da falsificação do seu ensino.
Como não ver bem falsificado o ensino da Igreja, nos absurdos que lhe atribuem os sectários a respeito da razão do homem, da sua liberdade e dos progressos da humanidade?
O que, na Igreja, é para a razão humana uma disciplina salutar, de que não prescindem as próprias ciências, eles chamam restringir a razão do homem. O que é na Igreja a verdadeira garantia da liberdade, sempre estéril e funesta, quando desacompanhada da virtude, eles chamam escravidão do homem. O que, na Igreja, é verdadeiramente júbilo pela civilização verdadeira, que ela sempre abençoa, eles chamam horror ao progresso.
Mas não só falsificação, há também, entre os sectários, perfeita ignorância do ensino da Igreja.
Tão necessária a Igreja, tão necessário o ensina Igreja, que, sendo a Igreja, como anteriormente ficou provado, o órgão da verdade, não pode o homem prescindir do seu ensino.
O desejo de conhecer a verdade não foi dado por Deus somente ao filósofo, ao literato, ao sábio: ele é vocação comum de todos os homens.
Ora, a grande maioria do gênero humano não tem nem o tempo, nem a aptidão convenientes para a aquisição da verdade. Era, pois, imprescindível que Deus lhe desse um órgão transmissor da verdade. Quereríeis que esta fosse somente um privilégio dos aristocratas da inteligência, dos fidalgos da ciência, dos privilegiados do talento e do gênio?
Oh! - Deus ama muito o gênero humano, para que tal permitisse. Ele instituiu, pois, na terra, um depósito da verdade, um órgão que a transmite à humanidade e que é revestido de todos os caracteres da verdade. Esse órgão é a Igreja. É a Igreja que liberta o homem da escravidão de um ensino puramente humano; é a Igreja que não permite, a um punhado de homens, filósofos, literatos, sábios, imporem aos outros homens o despotismo dos sistemas das suas seitas e das suas escolas; é a Igreja que nos dá a nós todos a maior, a melhor e a mais vasta de todas as liberdades: essa que nos subtrai ao erro, à dúvida, à ilusão, às lacunas e fraquezas da nossa própria razão.
Eu não posso explorar numa conferência a doutrina da Igreja, de que, entretanto, posso dar uma síntese, posto que, já de si, enormemente vasta.
A doutrina da Igreja pode-se resumir nestes três pontos fundamentais e culminantes: a paternidade de Deus, a mediação de Jesus Cristo o espírito divino da revelação.
Discorrerei longamente sobre estes três pontos, mostrando como nenhuma filosofia, nenhuma ciência, nenhuma política pode rivalizar com a Igreja, nos postulados da dignidade humana, de que o simples Padre Nosso é a fórmula mais esplendida.
No Padre Nosso nós vemos, pela afirmação da paternidade divina dada a todos os homens, despedaçados os sistemas orgulhosos e as hipóteses soberbas com que a meia ciência tem pretendido negar a humildade do gênero humano e firmar a desigualdade das raras. Aliás, a paternidade de Deus, como a Igreja já ensina, não é a que imaginam os sectários.
O pai que a Igreja manda o homem conhecer, servir e amar, não é o patrão que o servo deve temer não é o senhor, cuja cólera aterra o escravo, não e o soberano, cuja altivez humilha o súbdito.
Esse pai que a Igreja nos mostra é a suma bondade, a mediação de Jesus Cristo, no ensino da Igreja, é o requinte do amor, de um amor ardente e impetuoso que se diria a loucura do infinito, porque é o infinito que desce dos esplendores da eternidade e se amesquinha, por assim dizer, em uma forma humana.
Nenhuma política, nenhuma filosofia, nenhuma ciência pode rivalizar com a Igreja, no ensino em que ela dá ao homem, por irmão, o próprio Deus, que Se fez homem e para salvar o homem fez de Seu patíbulo um sacrifício de amor e fez de Sua morte um perdão universal.
Se a mediação de Jesus Cristo é o sumo amor, a solicitude da Igreja, a solicitude enfim com que ela vivifica o mundo, é a mina da alma, o veio de ouro do homem, a suprema riqueza da humanidade.
Basta, para confundir todas as ponderações políticas, a só igualdade de todos os homens, como a Igreja o ensina, mas, se é bom ouvir o ensino da Igreja, melhor é vê-lo praticar. Essa igualdade tão mentirosamente prometida pelos códigos políticos, a Igreja realiza-a, de um modo esplêndido, dizendo a todos os homens, grandes e pequenos, ricos e pobres, fidalgos e plebeus, brancos e pretos: "Vinde, todos, vinde beber das mesmas fontes divinas as águas da salvação! Vinde! Aqui, a mesma pia batiza, o óleo confirma, o mesmo pão nutre, o mesmo tribunal perdoa, tanto os humildes que não se pejam de sua raça, de sua família, de sua condição social, como os orgulhosos que se imaginam descendentes de outra genealogia e de outro sangue humano.
Tal é, em largos traços, o ensino da Igreja. Agora, digo aos sectários: Ou vós o ignorais, ou vós o falsificais. No primeiro caso deveis aprendê-lo; no segundo deveis repudiar a vossa falsificação. A isso vos obriga virtude de que não podeis prescindir e que vos é, na vossa qualidade de sectários, a mais necessária: a Justiça.
Jesus Cristo disse: "Felizes os que têm fome e sede de Justiça".
A justiça a que se refere o Divino Mestre é, sem dúvida, essa que implica, para o homem, o complexo de todas as virtudes. Por isso, quando se diz de um homem - é um justo - tem-se-lhe dado a coroa de perfeição, essa que se traduz, na vida futura, pela bem-aventurança especial por Jesus Cristo prometida.
A Justiça tem uma especificação mais restrita: a que lhe-deu a jurisprudência romana, definindo-a: vontade constante e perpétua de dar a cada um o que é seu.
É a justiça nesse sentido, restrito, que hoje aconselho aos sectários; é a justiça, como virtude cardeal.
Sem essa virtude, não podem eles ficar, nem mesmo ao nível dos pagãos.
Mas, perguntareis, foram os pagãos justos para com o cristianismo? Não o foram, bem sei; acho, porém, na injustiça deles uma explicação que a vossa não tem. Para eles o cristianismo se apresentava como uma completa inversão de todas as coisas do universo. Era verdadeiramente para eles um absurdo, um escândalo, uma loucura.
Para vós sectários, o cristianismo já produziu dezenove séculos de civilização. O absurdo desapareceu, o escândalo não têm mais razão de ser, a loucura é reconhecida como o maior prodígio do amor divino.
A justiça dos sectários é menos explicável do que a dos pagãos.
Bem contraditória a vossa civilização, quando, ao mesmo tempo, que reclama justiça, no Parlamento, na imprensa, e até na praça pública, reclama também, para o homem, completa emancipação da moral cristã.
Examinai todas as perturbações da vida contemporânea; analisando, mesmo no Brasil, as inquietações dos espíritos, as queixas dos corações, todas as acusações do homem contra o homem, que verificais:
Que tudo isso procede de injustiças, ou injustiças contra a propriedade, ou injustiças contra pessoas, na sua honra, na sua reputação.
Que são, porém, todas essas violações da justiça senão consequências lógicas da moral independente? Como é possível a justiça numa época em que todos falam de direitos, mas poucos falam de seus deveres? Entre os deveres do homem nenhum sobrepuja, em magnitude e gravidade, o que lhe impõe respeitar a igreja.
A razão é bem simples e aprendam-na os sectários. Deus é o primeiro direito do homem. Criado por Deus e para Deus, todo homem pode dizer: "Deus é meu; Deus me pertence; quero vê-lO: quero ouvi-lO; quero conviver com Ele; quero satisfazer n’Ele as aspirações do meu espírito, os desejos do meu coração. Mostrai-mO, pois, vós, quem quer que sejais, que tiverdes recebido de Deus a missão de conduzir-me ao itinerário terrestre".
A Igreja aparece e prova ao homem a sua missão divina. A Igreja aparece para dar Deus ao homem.
A Igreja tem, pois, direito ao respeito que lhe negam os sectários.
Os sectários! - exclama o orador. Há bem o pouco contemplei em França de quanto eles são capazes.
De um lado, eu via, em Paris, numa mentira de bronze, erguida a figura de Gambetta, com que a França pretende glorificar a liberdade; do outro lado eu via as escolas cristãs vazias, os seminários católicos fechados, os religiosos expulsos. Triste irrisão essa que me fazia verificar experimentalmente o que valem as democracias sem Deus e as repúblicas sem Jesus Cristo, a política sem a religião.
- Justiça! - justiça para a Igreja: Reclamariam-na muitos, porque dizem que o catolicismo é a religião da maioria do povo brasileiro.
Eu não quero indagar o valor desse argumento, nem saber agora, se ele traduz uma verdade certa. Meu ponto de vista é outro. Constantemente, em longos anos de pregação, dos quais sete dedicados ao curso católico que tenho feito nesta Capital, estudei o catolicismo nos seus variados pontos de vista. Não só em conferências preliminares tratei de todas as questões modernas: longas séries consagrei ao Dogma ao Culto e à Moral. Recentemente nos três anos de pregação nesta Catedral, tenho me ocupado da vida cristã, estudando-a de modo especial para as classes dirigentes, nestes três pontos: os mandamentos, os pecados e as virtudes. A orientação que tem preponderância é a da moderna apologética, não mais, propriamente científica, porém psicológica e social, com a demonstração de que o catolicismo é, sob todos os pontos de vista, a religião que se harmoniza com a natureza do homem e com o progresso das sociedades políticas; sendo demonstrações peremptórias desta verdade, não mais argumentos filosóficos ou científicos, porém fatos experimentais, provados por fenômenos psicológicos e sociais, tais como a felicidade ou a desgraça do homem, a prosperidade ou a decadência das nações.
Por isso eu proclamo no Brasil a educação e a política cristã. Diminuísse, embora, o número de católicos no Brasil; conseguissem, embora os sectários oprimir a Igreja e despojá-los das próprias prerrogativas do direito comum, ainda assim a política cristã continuaria a ser para mim uma questão de vida ou de morte, no nosso regime social. Eu faria, se pudesse, o que longos anos fez o mais poderoso e brilhante dos tribunos católicos modernos clamando: Justiça para o catolicismo na Irlanda!
Eu o faria, porque o catolicismo é a expressão última, definitiva e universal deste primeiro e fundamental direito de todo homem: Deus.
E como a Igreja é a liberdade com que o homem conquista esse direito; quando - permiti-me uma hipótese singularíssima, inverosímel - quando um só católico - eu - ficasse no Brasil eu diria:
Não, sectários, não podeis oprimir a Igreja católica, porque eu sou católico. Deus é meu direito; a Igreja é a minha liberdade; e quem quer que seja, mesmo um povo inteiro, que negue o meu direito ou restrinja a minha liberdade, não é digno da liberdade nem do direito.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

San Francisco de Sales, por E. Hello

Nota: Agradeço a dedicatória do blogue amigo En Gloria y Majestad. Que São Francisco rogue por todos nós!

Nota del Blog: el siguiente extracto forma parte del capítulo IV de la hermosa obrita "Fisonomía de Santos" del gran autor francés.


Dedicado al blog amigo A Grande Guerra


San Francisco de Sales
SAN FRANCISCO DE SALES

Los literatos franceses tienen un programa: no un programa indefinido, no; al contrario: un programa que viene a ser una delimitación, pues contiene cierto número de admiraciones obligatorias e implica el olvido de todas las demás cosas. El hombre de mundo francés y literato se encierra en un reducido círculo de libros para su uso particular e ignora todos los restantes con una buena fe extraordinaria. Los ignora y ni sospecha su existencia; y si los sospechara, la consideraría como prueba evidente de este hecho histórico, a saber: que todo el mundo ha vivido en la barbarie excepto algunos autores franceses del siglo XVII, algunos otros autores franceses del siglo XVIII, y algunos autores griegos y romanos que han servido de modelo a los que él ha leído. En cuanto a la remota antigüedad, al Asia, a la India, a todo el resto del género humano, el francés considera los trabajos que de allí vienen como especialidad de algunos eruditos que por curiosidad se dedican a estudios técnicos, y que con el trato de aquellas civilizaciones bárbaras han perdido el delicado sentido de la elegancia. Pero el literato francés no se limita a ignorar la antigüedad (excepción hecha de algo de los griegos y romanos), no se limita a ignorar especialmente lo que en los tiempos modernos se ha escrito en lengua extranjeras (excepto Dante), sino que ignora también notablemente aquellos autores franceses que no han sido inscritos por la costumbre en el programa de sus lecturas. Ha leído concienzudamente a Buffon pero no ha leído a San Francisco de Sales.
Si no se trata de más que de reparar una injusticia literaria, la cosa no valdría la pena, porque la palabra literatura se usa en sentido depresivo, así como cosa de arreglo de palabras. Pero no se trata de esto, sino de saber si dentro de la lengua francesa, bajo un terreno ignorado, en el fondo de un país desconocido, se oculta una mina de riquezas naturales y sobrenaturales. Pues bien, sí; esta mina existe en San Francisco de Sales y en otros; y no es necesario demostrarlo, basta con mostrarlo. Los sabios estudios de M. Gautier no son sueños; y si la literatura es cosa pueril en cuanto se hace consistir en estudiado alineamiento de frases (languet circa quoestiones et pugnas verborum), la palabra es cosa grave en cuanto es expresión del pensamiento y espejo de la idea.

TV reduz conversas entre adultos e crianças, diz pesquisa


Conversas entre crianças e seus responsáveis diminuem de forma mensurável quando a televisão está por perto, mesmo se ninguém parece estar assistindo a ela, afirma um novo estudo. Pesquisadores chegaram a essa conclusão após equiparem crianças com pequenos gravadores que monitoravam tudo que era falado e ouvido durante o dia-a-dia.
O estudo, liderado pelo doutor Dimitri A. Christakis, da escola médica da Universidade de Washington e do Instituto de Pesquisa de Crianças de Seattle, pode ajudar a explicar por que a exposição precoce à televisão está associada aretardos lingüísticos e cognitivos, os pesquisadores disseram. O estudo aparece no periódico The Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine.
Para o estudo, mais de 300 crianças, de idades entre 2 e 48 meses, usaram os gravadores durante um dia inteiro uma vez por mês durante até dois anos. Um software então revisou as gravações.
Os pesquisadores descobriram que, para cada hora de televisão ligada, as crianças ouviram, em média, 770 palavras a menos de um adulto, um declínio de 7%. As crianças também falaram menos.
"Algumas dessa reduções provavelmente se devem às crianças terem sido deixadas na frente da televisão", o estudo afirma, "mas outras provavelmente refletem situações nas quais os adultos, embora presentes, estavam distraídos pela tela e não interagindo com seu bebê de maneira perceptível."

Conselhos de Marcelino Champagnat para a boa formação das crianças


Marcelino Champagnat ensina que, para a formação da vontade das crianças, é preciso impôr disciplina, mas sem exigências desnecessárias; advertir, mas com doçura; castigar, mas sem aterrorizar.

A seguir, alguns de seus conselhos nesse sentido:

"Realizar trabalho de educação é formar a vontade da criança, ensinando-a a obedecer. A grande chaga deste nosso século é a independência. Cada um quer fazer a sua vontade e se crê mais capaz de mandar do que obedecer.

"A criança recusa submissão aos pais; os subordinados revoltam-se contra seus chefes; a maior parte dos cristãos desprezam as leis de Deus e da Igreja. Numa palavra, por toda parte reina a insubordinação. Portanto, presta-se bom serviço à Religião, à Igreja, à sociedade, à família e, sobretudo, à própria criança, orientando-lhe a vontade, ensinando-a a obedecer. Ora, para formar a criança à obediência, é preciso:

. Jamais mandar o que não seja justo e razoável. Nada exigir dela que repugne à razão ou revele injustiça, tirania ou capricho: ordens deste tipo só perturbam o espírito da criança, inspiram-lhe profundo desprezo;

. Evitar mandar ou proibir muitas coisas de uma só vez. A multiplicidade de ordens ou proibições gera a confusão, leva ao desânimo e faz a criança esquecer ou desprezar boa parte das ordens ou proibições. Aliás, qualquer pressão desnecessária tem como resultado fazer desanimar ou semear o mau espírito;

. Jamais ordenar coisas muito difíceis ou impossíveis, porque exigências exorbitantes irritam as crianças, tornando-as teimosas ou rebeldes em vez de torná-las dóceis;

. Exigir a execução total do que se ordenou dentro do justo e razoável; pois dar ordens ou impor deveres, castigos e não exigir o cumprimento é favorecer a desobediência às ordens e proibições que se deu;

. Estabelecer boa disciplina e exigir que se cumpra o regulamento. Essa disciplina é de molde a fortalecer a vontade da criança e dar-lhe energia, habituá-la à obediência e a uma certa violência que é preciso impor-se para lutar contra as paixões e praticar a virtude. Essa disciplina exercita a vontade por meio das renúncias freqüentes que ela enseja; obriga a criança a refrear sua dissipação, ficar em silêncio, conservar-se no recolhimento, prestar atenção às lições do professor, manter a compostura, reprimir suas impaciências, chegar em tempo, estudar as lições, cumprir as tarefas, mostrar-se respeitosa com os professores, leal e obsequiosa com os colegas e ajustar seu caráter a uma porção de coisas que a contrariam. Pois esta série de atos de obediência e uma seqüência de pequenas vitórias sobre si mesma e seus defeitos constituem o meio privilegiado de lhe formar a vontade, torná-la forte e dócil a um tempo e dar-lhe a constância no bem.

domingo, 7 de outubro de 2012

Nossa Senhora do Rosário

Fonte: Escravas de Maria

07/10 Decimo Nono Domingo depois de Pentecoste
Festa de Segunda Classe
Paramentos Brancos

 
Nossa  Senhora do Santo Rosário ou Nossa Senhora do Santíssimo Rosário) é o título recebido pela aparição mariana a São Domingos de Gusmão em 1208 na igreja de Prouille, em que Maria dá o rosário a ele.

Em agradecimento pela vitória da Batalha de Muret, Simon de Montfort construiu o primeiro santuário dedicado a Nossa Senhora da Vitória. Em 1572 Papa Pio V instituiu "Nossa Senhora da Vitória" como uma festa litúrgica para comemorar a vitória da Batalha de Lepanto. A vitória foi atribuída a Nossa Senhora por ter sido feita uma procissão do rosário naquele dia na Praça de São Pedro, em Roma, para o sucesso da missão da Liga Santa contra os turcos otomanos no oeste da Europa. Em 1573, Papa Gregório XIII mudou o título da comemoração para "Festa do Santo Rosário" e esta festa foi estendida pelo Papa Clemente XII à Igreja Universal. A festa tem a classificação litúrgica de memória universal e é comemorada dia 7 de outubro, aniversário da batalha de Lepanto.

O PAI - A sua importância e os seus deveres - Parte 3

Padre Emmanuel de Gibergues


Após o dever de dar a vida, vem o dever de engrandecê-la, o dever da educação. Não é exagero dizer que é uma obra divina. Educar, educere, significa elevar o homem, tirá-lo do pecado original, em que está mergulhado por sua natureza; arrancá-lo das trevas, das servidões, das incapacidades, das humilhações, das paixões de sua natureza decaída, da escravidão do demônio, para revesti-lo de Jesus Cristo, para elevá-lo a pouco e pouco, esclarecê-lo, formar o seu espírito e coração, torná-lo vencedor de suas paixões e senhor de si mesmo, fazer dele um homem honesto, um cristão, quiçá um santo; completar nele, enfim, a semelhança divina à qual foi criado, conduzindo-o ao estado e grau de perfeição que Deus lhe destinou e, finalmente, ao lugar da sua morada eterna.
Eis a educação! é bem a obra de Deus, a obra criadora, porque Deus havia criado o homem perfeitamente educado, “a justiça e santidade da verdade” é a obra redentora, sobretudo, porque o pecado, tendo destruído a educação original do homem, foi preciso que Jesus Cristo a restabelecesse na dor e no sangue; e a continuasse todos os dias, em cada um de nós, pela graça e pelos sacramentos.
A educação é a própria obra de Jesus Cristo sobre a terra; os pais são os Seus continuadores e auxiliares; é a obra por excelência!
Mas, ai! como são raros os que pensam neste dever ou que desejam cumpri-lo! Não se preparam para isto. A educação é uma obra eminentemente difícil. Não só requer dedicação, mas muito tato, saber, experiência e observação. Quais são os rapazes e raparigas que pensam seriamente nisto, antes do seu casamento e se preparam eficazmente? ...
Preparai vossos filhos e vossas filhas; meus senhores, para serem educadores. Preparam-se para serem oficiais, magistrados, professores, industriais, sábios; preparam-se para todas as funções sérias, durante anos de trabalho, e porque os futuros pais e as futuras mães se não hão de preparar para a mais difícil de todas as tarefas; - a educação?
Não se preparam porque não se querem incomodar com isto. Logo que as crianças nascem confiam-nas a cuidados mercenários; assim que podem, para se verem livres deles, colocam-nos em colégios, ou os abandonam sem fiscalização a professores ou a professoras; e continuam a vida de prazeres, de festas, a vida mundana e egoísta.
Os enjeitados têm a caridade para recebê-los; têm religiosos ou religiosas que lhes servem de admiráveis pais e de extremosas mães. Há crianças de famílias ricas, de famílias que se dizem cristãs, que não são tão bem tratadas e que, seus pais, para livremente se divertirem as confiam a criados que, na maior parte dos casos, as corrompem e depravam.
Naturalmente, nem um pai nem uma mãe se devem isolar da sociedade, mas é necessário que o tempo que deve ser empregado nos cuidados e educação dos filhos, não seja absorvido pelos entretenimentos e outras preocupações mundanas.  
O contrário significa um abatimento moral, o desprezo do maior dever dos pais, cuja desordem e infelicidade não se poderiam lastimar bastante, e recear as consequências perniciosas.
Mas supondo um pai que compreenda a gravidade do seu dever e esteja preparado para cumpri-lo, decidido a fazer os sacrifícios necessários, a trabalhar quanto for necessário, seriamente, pessoalmente, na educação de seus filhos; que deverá fazer?
Tudo se pode resumir nos pontos seguintes: a correção, a religião, o exemplo, a preservação, a última educação, o futuro.
O dever de correção é consequência imediata da queda original.
O homem não nasce naturalmente bom, como afirma Rousseau: nasce mau, depravado, com uma vontade propensa para o mal, com terríveis paixões em gérmen; em uma palavra, com o que a Igreja chama a concupiscência, que o batismo, tornando-o filho de Deus, enfraquece, contrabalança, mas não suprime. São estes instintos perversos que a correção combate, ou antes, ensina à criança a combater por si mesma. Visto não os poder suprimir e não dever ceder-lhes, será preciso que os domine, para vencê-los mais tarde. A correção exige do pai e da mãe quatro qualidades: a perspicácia, a firmeza, a bondade e a concórdia mutua.
A correção exige a perspicácia porque é uma obra de luz e de sapiência, em que, primeiro que tudo, é preciso ver lucidamente.
É preciso conhecer-se bem o fim proposto; necessitam-se idéias nítidas; princípios sólidos, e pensar em educar as crianças para Deus e não para si mesmo. Se os pais não estão certos do que creem ou querem, como poderão corrigir seus filhos?
É preciso conhecer nas próprias crianças o que elas são; pois que nem todas são semelhantes; as suas naturezas físicas e morais são essencialmente diferentes. Tratá-las todas do mesmo modo, é um engano e um erro.
É preciso estudar, em especial, a natureza de cada criança; o seu caráter, as suas qualidades, os seus defeitos, para se saber como se há de tratar, o que se poderá exigir de dela, a medida de esforços de que poderá dispôr, o que ela tem de mais importante a combater ou a desenvolver.
Para isto, é necessário força de vontade para ver sem paixão; porém, bem poucos pais são capazes de assim proceder em virtude da cegueira a que os leva a afeição natural. Diz-se que a cegueira das mães, no que diz respeito às filhas, não se pode comparar senão à cegueira dos maridos, no que diz respeito a suas mulheres. Pode dizer-se o mesmo, dum modo geral, da cegueira dos pais para com seus filhos; é profunda e como incurável. Os educadores sabem-no e lamentam-no; os mais ilustres têm-no afirmado mais de cem vezes. Os pais defendem os filhos quando os mestres os repreendem, e dão razão aos filhos. Muito poucos pais querem reconhecer os defeitos dos filhos, saber a verdade a seu respeito.
Com a perspicácia desaparece esta cegueira da alma e morrem todas as suas ilusões. É o fruto do verdadeiro amor: illuminatos oculos cordis1. A correção é obra de luz, requer a perspicácia.

1- Epístola aos Efésios: I 18. "Os olhos esclarecidos do coração." 

sábado, 6 de outubro de 2012

Muerte de S. Bruno

Título del original: “SAINT BRUNO. Le premier des ermites de Chartreuse”.
Traducción al español: PP. Cartujos de Miraflores.


La muerte va a asestar duros golpes entre los amigos y conocidos de Bruno. En menos de dos años verá desaparecer tres personajes estrechamente relacionados con él: Urbano II moría el 19 de julio de 1099; Jerusalén había sido liberada por los cruzados catorce días antes, pero los mensajeros de Godofredo de Bouillon llegarían demasiado tarde a Roma para que el Papa conociera la noticia antes de morir. Rainier, antiguo monje de Cluny, cardenal presbítero del título de San Clemente, le sucedía con el nombre de Pascual II (14 de agosto de 1099). Era amigo de Bruno y tenía en gran aprecio su fundación. En julio de 1101, Pascual II confirmaría las donaciones del conde Rogerio a los ermitaños de Calabria.

En septiembre de 1100 le iban llegando a Bruno una tras otra las noticias de la cautividad, liberación y muerte de Landuino. La fidelidad de éste al Papa legítimo debió de colmarle de alegría y santo orgullo. Su muerte le resultó muy dolorosa: Landuino era el compañero de primera hora, el amigo fiel, el confidente de sus penas y alegrías, el discípulo en cuyas manos había podido dejar con plena confianza su fundación de Chartreuse en el dramático momento de su partida a Roma. Además, si Landuino moría así, lejos de su Padre y de sus hijos, ¿no era porque, en un arranque de fidelidad filial, había emprendido aquel largo y peligroso viaje para volverle a ver?

Sobre el Pecado venial (IV Parte)

Fonte: En Gloria y Majestad

§ IV. — Consecuencias del pecado venial con relación al prójimo

El sentimiento de la responsabilidad está muy poco desarrollado en nosotros; nuestra ligereza tiene la culpa, no nos gusta profundizar. Pero si del mal que no se percibe no se es culpable, no por eso deja de producir sus malos efectos.

1º — En sentido general, puede decirse que todos nuestros, pecados veniales son nocivos a los demás; todos, aun aquellos que sólo nosotros conocemos. La razón es fácil de comprender. Lo que nos disminuye, lo que nos debilita, lo que nos priva de la gracia, nos convierte en menos aptos para cumplir con nuestros deberes, cualesquiera que sean. Nuestra insuficiencia nos deja inferiores a la tarea impuesta; no se falta impunemente, por ejemplo, a la prudencia, a la bondad o al valor.

2º — Una parte de nuestras faltas se deja ver o se adivina. Aquí se presenta una responsabilidad de nuevo género, la del ejemploSe inclina uno a imitar lo que ve hacer. Si lo hace uno ya, se tranquiliza viendo que no es uno sólo el que comete tal acción. Cada una de esas acciones defectuosas es como una mala lección lanzada en medio de la familia o de la sociedad... ¿Cómo calcular el mal que se enseña o se autoriza de ese modo?
Toda persona aún virtuosa se asustaría, si Dios le revelase los efectos producidos por una falta de compostura en la Iglesia, por una conversación ligera, o por mil otras faltas juzgadas poco graves, pues está escrito: “¡Ay de aquél que es motivo de escándalo!''

3º — Nuestros pecados veniales no determinan únicamente esa responsabilidad de nuestra insuficiencia y de nuestro ejemplo; la mayor parte causan un daño directo: tal palabra demasiado violenta, hiere y desconcierta —un reproche injusto incita a la rebelión—; el menor desprecio aleja a veces para siempre; una falta de vigilancia puede hacer que se produzcan ruinas morales... Sería muy larga la lista de los males que causa una infracción, por leve que sea, a los deberes de estado.
Ya lo decimos en otro lugar: las leyes, morales conservan el orden entre los hombres del mismo modo que las físicas lo conservan en el universo; toda infracción lo altera irremisiblemente.
Tener conciencia no es únicamente evitar el mal que se ve, es también buscar el medio de verlo de antemano. Jamás se está seguro de ahorrarse esas serias responsabilidades a no ser que se prohíba todo pecado.