domingo, 7 de outubro de 2012

Nossa Senhora do Rosário

Fonte: Escravas de Maria

07/10 Decimo Nono Domingo depois de Pentecoste
Festa de Segunda Classe
Paramentos Brancos

 
Nossa  Senhora do Santo Rosário ou Nossa Senhora do Santíssimo Rosário) é o título recebido pela aparição mariana a São Domingos de Gusmão em 1208 na igreja de Prouille, em que Maria dá o rosário a ele.

Em agradecimento pela vitória da Batalha de Muret, Simon de Montfort construiu o primeiro santuário dedicado a Nossa Senhora da Vitória. Em 1572 Papa Pio V instituiu "Nossa Senhora da Vitória" como uma festa litúrgica para comemorar a vitória da Batalha de Lepanto. A vitória foi atribuída a Nossa Senhora por ter sido feita uma procissão do rosário naquele dia na Praça de São Pedro, em Roma, para o sucesso da missão da Liga Santa contra os turcos otomanos no oeste da Europa. Em 1573, Papa Gregório XIII mudou o título da comemoração para "Festa do Santo Rosário" e esta festa foi estendida pelo Papa Clemente XII à Igreja Universal. A festa tem a classificação litúrgica de memória universal e é comemorada dia 7 de outubro, aniversário da batalha de Lepanto.

sábado, 6 de outubro de 2012

Muerte de S. Bruno

Título del original: “SAINT BRUNO. Le premier des ermites de Chartreuse”.
Traducción al español: PP. Cartujos de Miraflores.


La muerte va a asestar duros golpes entre los amigos y conocidos de Bruno. En menos de dos años verá desaparecer tres personajes estrechamente relacionados con él: Urbano II moría el 19 de julio de 1099; Jerusalén había sido liberada por los cruzados catorce días antes, pero los mensajeros de Godofredo de Bouillon llegarían demasiado tarde a Roma para que el Papa conociera la noticia antes de morir. Rainier, antiguo monje de Cluny, cardenal presbítero del título de San Clemente, le sucedía con el nombre de Pascual II (14 de agosto de 1099). Era amigo de Bruno y tenía en gran aprecio su fundación. En julio de 1101, Pascual II confirmaría las donaciones del conde Rogerio a los ermitaños de Calabria.

En septiembre de 1100 le iban llegando a Bruno una tras otra las noticias de la cautividad, liberación y muerte de Landuino. La fidelidad de éste al Papa legítimo debió de colmarle de alegría y santo orgullo. Su muerte le resultó muy dolorosa: Landuino era el compañero de primera hora, el amigo fiel, el confidente de sus penas y alegrías, el discípulo en cuyas manos había podido dejar con plena confianza su fundación de Chartreuse en el dramático momento de su partida a Roma. Además, si Landuino moría así, lejos de su Padre y de sus hijos, ¿no era porque, en un arranque de fidelidad filial, había emprendido aquel largo y peligroso viaje para volverle a ver?

Sobre el Pecado venial (IV Parte)

Fonte: En Gloria y Majestad

§ IV. — Consecuencias del pecado venial con relación al prójimo

El sentimiento de la responsabilidad está muy poco desarrollado en nosotros; nuestra ligereza tiene la culpa, no nos gusta profundizar. Pero si del mal que no se percibe no se es culpable, no por eso deja de producir sus malos efectos.

1º — En sentido general, puede decirse que todos nuestros, pecados veniales son nocivos a los demás; todos, aun aquellos que sólo nosotros conocemos. La razón es fácil de comprender. Lo que nos disminuye, lo que nos debilita, lo que nos priva de la gracia, nos convierte en menos aptos para cumplir con nuestros deberes, cualesquiera que sean. Nuestra insuficiencia nos deja inferiores a la tarea impuesta; no se falta impunemente, por ejemplo, a la prudencia, a la bondad o al valor.

2º — Una parte de nuestras faltas se deja ver o se adivina. Aquí se presenta una responsabilidad de nuevo género, la del ejemploSe inclina uno a imitar lo que ve hacer. Si lo hace uno ya, se tranquiliza viendo que no es uno sólo el que comete tal acción. Cada una de esas acciones defectuosas es como una mala lección lanzada en medio de la familia o de la sociedad... ¿Cómo calcular el mal que se enseña o se autoriza de ese modo?
Toda persona aún virtuosa se asustaría, si Dios le revelase los efectos producidos por una falta de compostura en la Iglesia, por una conversación ligera, o por mil otras faltas juzgadas poco graves, pues está escrito: “¡Ay de aquél que es motivo de escándalo!''

3º — Nuestros pecados veniales no determinan únicamente esa responsabilidad de nuestra insuficiencia y de nuestro ejemplo; la mayor parte causan un daño directo: tal palabra demasiado violenta, hiere y desconcierta —un reproche injusto incita a la rebelión—; el menor desprecio aleja a veces para siempre; una falta de vigilancia puede hacer que se produzcan ruinas morales... Sería muy larga la lista de los males que causa una infracción, por leve que sea, a los deberes de estado.
Ya lo decimos en otro lugar: las leyes, morales conservan el orden entre los hombres del mismo modo que las físicas lo conservan en el universo; toda infracción lo altera irremisiblemente.
Tener conciencia no es únicamente evitar el mal que se ve, es también buscar el medio de verlo de antemano. Jamás se está seguro de ahorrarse esas serias responsabilidades a no ser que se prohíba todo pecado.

São Bruno, Confessor

Fonte: Escravas de Maria

06/10 Sábado
Festa de Terceira Classe
Paramentos Brancos



São Bruno, filho de nobre família de Colônia (Renânia) na Alemanha, nasceu no ano de 1035. Desde a infância trazia Bruno o cunho de uma alma eleita, o que se lhe manifestava na aversão a tudo que era leviano, na prudência, modéstia e predileção para tudo que era de Deus e de Seu santo serviço. Tendo a idade própria, freqüentou a escola de São Cuniberto, na qual fez tão brilhantes progressos, que o Arcebispo de Colônia, Santo Hano, não hesitou em recebê-lo entre os clérigos e mais tarde lhe oferecer um canonicato. Ordenado sacerdote, passou 25 anos lecionando em Reims, na França. Morto o Arcebispo, Bruno aceitou um canonicato em Rheims, e é provável que tenha lá ocupado o lugar de instrutor do clero. Vendo-se perseguido pelo arcebispo simoníaco Manassés, e profundamente aborrecido das vaidades e prazeres do mundo, resolveu abandonar tudo que ao mundo o ligava e procurar a solidão. Fundou a primeira casa dos Cartuxos. Estes religiosos consagram-se à penitência e à oração. Ao cabo desse tempo, sendo já cinqüentenário, decidiu, com mais seis companheiros, adotar uma nova forma de vida eremítica em um local deserto e inóspito do sul da França. Nasceu assim a Grande Cartuxa. Mais tarde foi chamado a Roma pelo Papa Urbano II, que tinha sido seu discípulo em Reims. Recusou terminantemente aceitar um bispado, e fundou uma nova Cartuxa, na Calábria.     



Foi nesta sua segunda fundação que entregou a alma ao Senhor, aos 66 anos de idade.        
_________________________________________ 
Epístola 
Eclesiástico 31,8-11
    

8. Bem-aventurado o rico que foi achado sem mácula, que não correu atrás do ouro, que não colocou sua esperança no dinheiro e nos tesouros! 9. Quem é esse homem para que o felicitemos? Ele fez prodígios durante sua vida. 10. Àquele que foi tentado pelo ouro e foi encontrado perfeito, está reservada uma glória eterna: ele podia transgredir a lei e não a violou; ele podia fazer o mal e não o fez. 11. Por isso seus bens serão fortalecidos no Senhor, e toda a assembleia dos santos louvará suas esmolas.

_________________________________________ 
Evangelho
São Lucas 12,35-40 
                                                                                                                        

35.Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas. 36. Sedes semelhantes a homens que esperam o seu senhor, ao voltar de uma festa, para que, quando vier e bater à porta, logo lhe abram. 37.Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier! Em verdade vos digo: cingir-se-á, fá-los-á sentar à mesa e servi-los-á. 38. Se vier na segunda ou se vier na terceira vigília e os achar vigilantes, felizes daqueles servos! 39. Sabei, porém, isto: se o senhor soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria sem dúvida e não deixaria forçar a sua casa. 40. Estai, pois, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem.

Da virtude mais necessária aos homens da ciência


Padre Júlio Maria, C.SS.R.
As virtudes, 1936.

Eu vos apontei, como primeiro traço da fisionomia cristã do Brasil, atualmente, a decadência dos costumes bem demonstrada nesse fenômeno que expus e analisei com o escalpelo da crítica mais sincera e mais justa: a falsa noção da honestidade.
Não me parece que seja menos saliente e visível no rosto da nação, este segundo desagradabilíssimo traço: a desordem intelectual.
Esta desordem é, senão maior, pelo menos tão grande como, na política e na administração, o desacordo e a desarmonia das inteligências.
Na ordem intelectual é completa e absoluta a falta de disciplina mental.
Eu poderia penetrar na esfera política para demonstrar o desacordo e a desarmonia de que falei, em relação aos grandes interesses nacionais, aos maiores e mais importantes problemas sociais; poderia fazê-lo porque o Evangelho não é somente um código individual, mas também um código eminentemente social. Errônea é a opinião que pretende reduzir o Catolicismo à ação das sacristias e às festividades do templo; como se a Igreja não fora igualmente a diretora das almas e dos povos. Poderia, mas não o faço porque bem grande é a seara que tenho hoje de percorrer, bastando-me limitar a conferência à esfera dos homens de ciência, categoria em que eu incluo, além dos cientistas propriamente ditos, os magistrados, os advogados, médicos, engenheiros, militares, etc...
Em todos eles, salvas as devidas exceções, que vemos?
As idéias mais opostas, as teorias científicas mais absurdas, os sistemas filosóficos mais extravagantes; e, de par com tudo isso, a maior ignorância do Catolicismo, na soberba construção de sua economia, na beleza transcendental, do seu dogma, nas maravilhas incomparáveis de sua moral e nos encantos inefáveis do seu culto.
Para que bem compreendêsseis o primeiro traço da fisionomia brasileira (decadência dos costumes), eu vos dei um fenômeno, a falsa noção da honestidade.
Não é certo, que o Deus dos nossos intelectuais, salvas sempre as exceções, é um Deus à sua feição, segundo os seus gostos, muito diferente do Deus tradicional?
Não é certo que cada um deles fazem Deus a sua feição, segundo os seus gostos científicos ou as suas predileções literárias? 
Não é certo que teoricamente para eles Deus se reduz a uma hipótese ou a uma abstração; e que, praticamente, para eles é como se não existisse, ou, pelo menos, uma verdade ainda não demonstrada?
Demonstrar a existência de Deus! quando demonstrada não estivesse eu julgá-la-ia, essa demonstração, uma inutilidade.
Eu vo-lo provo com uma consideração bem simples.
Vós todos mais ou menos amais a popularidade. Não indagarei agora se o desejo dessa glória humana é ou não perfeitamente cristão. Acredito que pode sê-lo, uma vez que não toque as raias da vaidade e do orgulho.
O que quero averiguar é isto: vós todos, mais ou menos, admirais, invejando-os, os homens célebres que conquistaram essa apoteose dos povos. Pois bem: percorrei o mundo inteiro; penetrai nas cidades e nas aldeias; entrai nos palácios e nas choupanas; de todos os homens, em toda a parte, em todas as condições da vida, vós ouvireis estas expressões, ou outras equivalentes: Graças a Deus. - Louvado seja Deus! - Que Deus me perdoe! - Eu apelo para a justiça de Deus! - Como Deus é bom! Deus não é como os homens!
Que é que isto prova? Prova que o ser mais popular, no mundo inteiro, não é o General vitorioso que subjugou cidades ou derrotou batalhões; não é o estadista cheio de glórias que, por serviços relevantes, imortalizou-se na história de sua pátria; não é também o homem que arrebatou multidões nas asas da eloquência; nem o artista que realizou na tela, no mármore, no bronze; os ideais da beleza, ou o poeta que fez experimentar ao mundo, na sua lira, os mais puros gozos da harmonia.
Isso prova a verdade desta frase que li num livro: Deus é o mais popular de todos os seres!
Mas se Deus é o mais popular de todos os seres, Deus não é, não pode ser, como pretendem tantos homens de ciência, uma hipótese, uma abstração.
Uma hipótese! Mas que é uma hipótese? É uma coisa, às vezes concepção de um só homem e que absolutamente não se pode impôr ao espírito de todos. A universalidade de uma crença exclui necessariamente o que fez a essência de toda a hipótese e que é não ser universalmente aceita. Ora, uma crença que em todos os tempos, em todas as épocas e em todos os países, se impôs à universalidade dos homens, não é, não pode ser uma hipótese.
Abstração! Que é abstrair? É tirar de uma coisa, para considerá-la separadamente, o que nela se contém.
Sendo assim, como tirar o infinito do finito, o absoluto do relativo, o necessário do contingente? Com supor num Deus uma simples abstração do espírito do homem? Não! Deus é, portanto, a maior de todas as realidades; tão grande que, como já disse, Ele é o mais popular de todos os seres. Mas, se Ele é o mais popular de todos os seres, uma inutilidade, sem dúvida, é a demonstração de Sua existência.
Concordo, entretanto, que atualmente é oportuna e conveniente uma afirmação de Deus.
É oportuna porque nos grandes atos da nação, nos documentos públicos, nas cerimônias mais solenes, e até mesmo nas simples conversações já um grande número de homens têm vergonha de proferir o nome de Deus.
S. Paulo aos judeus e aos gentios, dizia: "Eu não me envergonho do Evangelho". Parece chegado o tempo em que cada um de nós necessita dizer: Eu não me envergonho de Deus.
Isto denota que, a certos respeitos, estamos abaixo do paganismo.
Para os pagãos compreende-se que o Evangelho fosse um escândalo e uma loucura, porque o Evangelho era de fato um reviramento de todas as idéias e costumes e a proclamação das verdades mais opostas às convicções sociais da antiguidade. Para os modernos, porém, a idéia de Deus é o que sempre foi uma verdade tradicional e universal que remonta à origem do mundo.
Vedes, pois, que maior anomalia é hoje a vergonha de Deus do que foi na antiguidade a reação contra o Evangelho.
Não só oportuna - também conveniente, atualmente, é a afirmação de Deus.
Conveniente, porque é mister expelir da cabeça dos nossos intelectuais um sem número de fórmulas vãs e de logomaquias ridículas em relação a Deus.
Caro, da Academia Francesa, reuniu num precioso livro - Os novos críticos de Deus - todas essas fórmulas, das quais Renan, Vachereau e Taine foram os principais introdutores no mundo das letras. O ilustre e saudoso acadêmico francês analisou, uma por uma, com muito espírito e grande penetração, todas essas fórmulas: Deus é a categoria do ideal; Deus é o resumo das nossas necessidades suprassensíveis; Deus é o absoluto; Deus é o ideal, etc...
Caro faz esta ponderação muito interessante: - que esses homens, abandonando completamente a idéia de Deus, não abandonaram, pelo contrário, continuam a usar freqüentemente da palavra Deus, fazendo essa palavra exprimir causas completamente diferentes do que ela significa. Isto é um absurdo, porque as palavras só podem ter a beleza do que elas significam. Sem isto, a palavra reduz-se ao mais insignificante dos fenômenos físicos: é um sopro de ar.
Mas pergunto: Onde esses intelectuais acharam fundamento para as suas logomaquias? Nos mesmos livros onde os nossos intelectuais o têm achado, isto é, nos livros de filosofia e ciência avariada com que muitos sábios procuram explicar a criação sem o Criador, o mundo sem Deus.
Os sábios!
José Estevão, o maior e mais ousado e célebre dos tribunos políticos de Portugal, disse um dia no Parlamento: "Eu detesto os heróis. Detesto-os porque são exceções monstruosas da nossa natureza; detesto-os porque, colocados muito acima de nós, não nos ouvem e nos desprezam".
Parodiando, digo: Eu detesto os sábios! Detesto-os porque vivem inchados da sua ciência. Detesto-os porque, exclusivamente preocupados com as altas cogitações do espírito desprezam esta vulgar e inaudita faculdade humana que se chama o senso comum. Detesto-os porque, reconhecendo eles que há para a ciência mistérios insondáveis, isto é, ignorâncias completas, como a matéria, a força, o movimento, a sensação; falam, entretanto, destas coisas como se as conhecessem perfeitamente, não duvidando transportar para elas os atributos que negam a Deus. Detesto-os porque são muitos os absurdos dos seus sistemas proclamando, enormidades como estas: Deus é a matéria; Deus e o complexo das causas; Deus é a química; o mundo é um simples fenômeno cerebral; a civilização é obra do gelo; os animais são religiosos; os macacos inventaram as artes; os insetos construíram as flores; o homem (que vaidosamente se supõe o rei da criação) não é mais do que uma simples combinação de azoto, fósforo, carbono o oxigênio.
Detesto os sábios porque eles se arrogam um título que nem o próprio Arquimedes tinha, porque era chamado apenas um geômetra. O que é certo é que antigamente a palavra sábio não existia; e que hoje chama-se sábio o homem que conhece, uma coisa, mas ignora todas as outras. E porque as ignora diz da química, da civilização, dos macacos, das flores, dos homens e de Deus as enormidades que acabais de ouvir.
E porque as ignora faz de verdades parciais sínteses totais, falsas, e com que mistifica grande número de espíritos.
Detesto os sábios - e quem quiser que me chame de obscurantista, de homem abaixo de sua época e de sua civilização. Não; não me defenderei, nem mesmo para repetir o verso de Moliére:
La science est sugette à faire de grands sots.
Pelo contrário, bem longe de explorar o estro de Moliére, eu defenderei a ciência contra os sábios; eu farei com que a ciência obrigue os sábios a esta tríplice afirmação de Deus: a afirmação sensível, isto é, o universo; a afirmação lógica, isto é, a conservação do universo; e a afirmação pessoal, isto é, a revelação de Deus pelo Verbo, Jesus Cristo.
O universo é uma afirmação visível de Deus, porque, na síntese do universo, como a compõe a própria ciência, cada elemento é uma afirmação de Deus.
A matéria elementar, o mineral, o vegetal, o animal, o homem – eis a síntese do universo. A matéria elementar, pela impossibilidade de toda operação; o mineral, pela impossibilidade da junção das moléculas sem uma força exterior que as ponha em contato; o vegetal, pela impossibilidade das combinações químicas em produzi-lo; o animal e o homem, organismos ainda mais perfeitos do que o organismo vegetal, por essa mesma impossibilidade ainda em maior grau – afirmam a existência de Deus Criador.
A conservação do universo é uma afirmação da existência de Deus, porque, se é certo que a criação implica a conservação dos seres, esta, implica necessariamente o poder criador, sendo que o que a própria ciência chama lei da continuidade é uma afirmação da Providência Divina que a todo o instante mantém o universo.
Quanto à revelação pessoal, essa, podemos vê-la na história. Por que nós aceitamos, sem nenhuma relutância as verdades matemáticas como evidentes?
Porque elas encarnam-se em dados experimentais e sensíveis, o número, o movimento e a extensão; porque elas são uma revelação do absoluto sob a forma do relativo.
Pois bem; o que se dá com o absoluto matemático deu-se com o absoluto metafísico.
A história prova que Deus Se manifestou sob uma forma sensível; que Ele Se afirmou com a evidência de um fato; que Se manifestou diretamente, pessoalmente, por Jesus Cristo.
Jesus Cristo de tal sorte gravou na história não só a certeza de Sua natureza humana, mas também de Sua personalidade divina; de tal sorte gravou a Sua divindade na história, que a história deixa de ser história se Jesus Cristo não é Deus.
Bastantemente tenho analisado a moléstia dos nossos homens de ciência; é justo que agora aponte o remédio de que eles devem usar se realmente querem curar-se de uma enfermidade tão grave, como a desordem intelectual.
Que remédio é este? - É uma das chamadas virtudes cardeais - a Temperança.
A Temperança, nos ensina a Ascética, pode ser considerada em sentido restrito ou sentido lato. No primeiro caso refere-se somente às desordens do gosto e as deleitações sensíveis dessa parte do corpo. No segundo caso refere-se às desordens do espírito e é considerada como uma disposição da alma, como um hábito de caráter que deve preservar o homem de toda exageração.
Por esta razão Santo Agostinho, dizia: Pertence à Temperança nos manter puros e sem máculas, diante de Deus.
Sem dúvida as desordens da intemperança corpórea, porque são mais visíveis, impressionam e escandalizam mais do que as desordens da intemperança espiritual.
Estas, porém, não são menos lamentáveis. As desordens da intemperança corpórea, tão comuns, não só nas classes ínfimas como nas mais altas da sociedade, bem profligadas têm sido, já por médicos, já por moralistas, uns e outros reconhecendo a sabedoria das leis da Igreja que prescrevem a abstinência e o jejum; zombam muitos destes preceitos da Igreja. Mas, responda a eles, o médico notável Vitteau, no seu livro - Da Medicina nas suas relações com a religião - no qual prova que as leis da Igreja, na matéria de que se trata, são leis de conservação, expressões da grande sabedoria. Responda também aos homens das classes altas, que hoje pretendem tornar a vida num prazer sensível, Tolstoi que diz: “Sem abstinência não há vida moral, porque, o homem é doente, tem paixões complicadas que não pode vencer, nem combater primeiramente: a gula e a luxuria. Infelizmente - acrescenta Tolstoi - os homens modernos desprezam esta verdade. Eles se ocupam, é certo, de causas grandes e elevadas: ciência, arte, poesia, distribuição de riqueza, ensino e educação; mas ocupam-se de passagem, no intervalo dos banquetes, quando o estômago está cheio e não pode mais comer".
Mas deixemos de parte a intemperança corpórea e tratemos da que nos interessa hoje: a intemperança do saber, que mata o espírito e nisto estão de acordo com S. Paulo matemáticos como Couchy e químicos como Chevreul, ambos afirmando que a razão do homem precisa de uma disciplina, sem a qual a ciência se perde em extravagâncias e quimeras sem a qual o homem de ciência pretende sempre, o que não é licito, saber tudo, explicar tudo.
Temperança, portanto, eis o que eu aconselho aos nossos intelectuais.
Quando a razão não lhes chegue para compreender os mistérios do mundo, recorram, sem respeito humano, à religião. Façam-no, calcando aos pés toda e qualquer vaidade intelectual, porque não é vergonhoso ao espírito do homem ter limites, como não é vergonhoso ao seu corpo ser contingente e capaz de operar, na esfera da ciência, sem certos instrumentos.
É interessante o diálogo entre Moigno e Arato, este julgando humilhante para o espírito, quando não compreende certas verdades, recorrer à fé; aquele respondendo tão admirável e peremptoriamente que Arago emudeceu.
Moigno disse a Arago: "Grande é o vosso erro, grande é a vossa inconsequência. Grande o vosso erro porque o espírito tem limites como o corpo. Grande é a vossa inconsequência, porque vós próprio que tão admiravelmente tendes descrito as propriedades espantosas do olho, seu poder de recepção, sua capacidade maravilhosa para condensar num ponto quase imperceptível o maior horizonte; vós próprio, quando quereis fazer as vossas experiências, na terra ou no céu, não achais humilhante nem vergonhoso armar os vossos olhos de instrumentos que aumentam o seu poder visual".
Temperança, eis o remédio indispensável. Aceitai-o, homens de ciência, prezados intelectuais, a que me refiro nesta conferência. Aceitai-o e vós vereis que, quebrado o encanto de tantos e tão falsos sistemas que baralham e confundem a vossa inteligência, esta facilmente se submeterá a bela e necessária disciplina, sem a qual vossa razão desvaria.
O deus falso do positivismo deixará vazio o templo de vossa alma, mas neste brilhará fulgurante o Deus verdadeiro, o Deus católico, o Deus pessoal que a humanidade adora no mistério da Trindade; mistério imperscrutável sem dúvida, mas necessário e soberanamente racional porque não podemos negar a Trindade sem negar a Deus, aquelas mesmas coisas que não negamos ao homem e sem as quais o homem não pode viver; que não podemos negar, sem negar a Deus, aquelas mesmas coisas, que damos a todos os seres da criação; que não podemos negar sem negar a Deus aquilo que não negamos a um verme; a vida, o movimento, a produção, a fecundidade, a semelhança e a relação. 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

São Francisco de Assis entre os infiéis


"São Francisco, "varão católico e genuinamente apostólico", assim como cuidou com admirável empenho da reforma dos fiéis, dedicou-se também com imenso esforço à conversão dos gentios à fé e à lei de Cristo, e aos seus ordenou que igualmente o fizessem. Não é necessário relembrar prolixamente o que é assaz conhecido, a saber, que o nosso santo, ávido da pregação do evangelho e da obtenção do martírio, viajou com alguns dos seus discípulos para o Egito e, cheio de coragem e audácia, se apresentou ao Sutão. E não é que os anais da Igreja com muita honra registram quantos Irmãos Menores, nos primórdios e como que na idade primaveril da Ordem, foram imolados como missionários na Síria e na Mauritânia? A numerosa posteridade de Francisco, no decorrer dos séculos, prosseguiu neste apostolado a custa de sangue generosamente derramado e, por concessão dos Romanos Pontífices, numerosas regiões pagãs estão confiadas aos seus cuidados." (Conferências franciscanas, Instituto Católico de Ciências e Letras, 1927)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O Sol d’Aquino

Nota do blogue: Agradeço uma alma generosa pelo envio da poesia. Deus lhe pague!


Não quero ao astro que esplendente envia
Aos espaços a bela luz do dia,
Sonoro hino cantar;
Meu canto há-de elevar-se melodioso,
Em loa dum sol ainda mais formoso,
Da Igreja inextinguível luminar.
São meus cantares para o sol d’Aquino,
Cujos reflexos de fulgor divino
São puro rosicler;
Para o sol que se ostenta rabicundo
E está glorioso a iluminar o mundo
Com a plácida luz do seu saber.
Astro deslumbrador! Eu bem quisera
Voar contigo pela azul esfera
E teus passos seguir,
Eu bem quisera ver o teu oriente
E banhado em caudais de luz fulgente
A extensão da tua órbita medir.
Lindo sol! ao surgir na Média Idade
Toda a Europa a boiar em claridade
Divino te chamou;
E ao contemplar teu disco fulgurante
A luzir qual riquíssimo diamante
O mundo sem ocaso te aclamou.
Há gelo, que resista a teus ardores,
E sombra que amorteça teus alvores
Seu véu ao projectar?
Ai do gênio malvado que presuma
Teu brilho diamantino, com a bruma
Do seu bafo mortífero, embaciar!
Do cristianismo em terras florentíssimas,
Espalhou umas trevas espessíssimas
A heresia d’Albi;
Mas foram bem depressa dissipadas
Pelas agudas setas inflamadas
Vistas desprenderem-se de ti.
Qual erupção de fogo e a lava ardente
Que brota das entranhas do rugiente
Vulcão assolador,
As hostes encerradas no antro fero,
Surgiram ao conjuro de Lutero
Para abrasar o templo do Senhor.
Então divino sol, com luz radiante,
Contra o teu monstro, vibraste rutilante
Teu dardo celestial;
A verdade que brilha em teus escritos,
Confundiu os prosélitos malditos
Do cisma, que abortou gênio do mal
Proteu mil várias formas imitando,
Um novo monstro horrível e nefando
A heresia gerou;
O averno, removendo o fundo abismo,
E batalhão audaz do modernismo
Contra a Igreja de Cristo arremessou.
Mas, tu fúlgido sol forte investindo
E com teu vivo dardejar ferindo
Este monstro sem dó,
Circundante de luz da Igreja a fronte,
O modernismo ímpio, falaz, bifronte,
Tornando vil e desprezível pó.
Glória, pois, a ti, belo sol d’Aquino
Astro admirável de esplendor divino
Amplíssimo clarão!
Tu brilharás sempre na sacra história
Envolvendo na tua trajectória
Todos os mundos do saber cristão.
Foco imortal das santas assembléias
E fonte inexaurível das idéias
Por séculos serás;
A par dos Evangelhos como em Trento,
E da Igreja sobre o alto monumento,
Como rosa de luz fulgurarás.
Salve, radiante sol! Eu reverente
No pó soterro minha débil mente
A teu claro luzir;
Do mortal as fraquíssimas pupilas
Não podem desse nimbo em que tu oscilas
À forte claridade resistir.
Oh Esposa do Senhor! Igreja Santa
Um hino a teu Doutor sublime canta.
Coroa ao vencedor!
É teu astro mais belo, é teu luzeiro
Que será sempre para o mundo inteiro
Fonte de luz e manancial de amor.

CIÊNCIA E RELIGIÃO

Nota do blogue: A pedido de uma família leitora, muito estimada por mim, transcrevo uma série de discursos de Pio XII sobre a questão: ciência e religião. Espero que seja útil aos demais leitores, aliás, é útil sim, um assunto muito interessante e propício para os tempos atuais. Assim que for possível transcreverei mais sobre o assunto.

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula


Papa Pio XII

O enigma do criado fatigou desde séculos a admiração e a inteligência de todas as gentes; de suas soluções multiformes fez ressoar os pórticos e as escolas da Academia, do Peripatético e da Stoa; de seus volumes encheu as bibliotecas antigas e modernas; com suas disputas sobre o caminho para decifrá-lo suscitou lutas entre os sábios pesquisadores da natureza, da matéria e do espírito. Estas fadigas, estas lições, estes volumes, estas lutas, nada são senão pesquisas da verdade escondida nas faces do enigma. Que mais deseja a alma humana senão a verdade?
Sim, as almas anseiam e procuram a verdade, que palpita no invólucro daquilo que vemos, escutamos, cheiramos, degustamos, tocamos e sentimos de mil formas, e seguimos com o nosso pensamento na vertigem dos pesos, dos números, das medidas, dos movimentos visíveis e invisíveis, onde se agita, se transforma, se mostra e se esconde para aparecer mais vizinho ou mais distante; onde desafia o nosso acume, as nossas máquinas, as nossas experiências, e muitas vezes nos ameaça com o terror de uma força mais potente do que os nossos instrumentos e do que os nossos inventos, maravilhosos portentos da mão e da industriosa arte nossa. Tal é o vigor, o atrativo, a beleza e a impalpável vida da verdade, que se desvencilha do aspecto e da pesquisa da imensa realidade que nos circunda.
Vozes e palavras, que a realidade das coisas manda à nossa mente através dos admiráveis sentidos de nossa natureza plasmada de carne e de espírito, é a verdade por nós procurada pelas desmedidas vias do universo. Como nós não criamos a natureza, assim não criamos a verdade: as nossas dúvidas, as opiniões nossas, as nossas negações ou o nosso descaso, não a mudam. Nós não somos a medida da verdade do mundo, nem de nós mesmos, nem do alevantado fim a que fomos destinados. A nossa arte, sagaz medida da verdade de nossos arneses e instrumentos, de nossos aparelhos e inventos, transforma e encadeia e doma a matéria, que a natureza nos oferece, mas não a cria; e deve permanecer satisfeita por seguir a natureza, como o discípulo faz a respeito do mestre, do qual imita a obra. Quando o nosso intelecto não se conforma com a realidade das coisas ou é surdo à voz da natureza, dissipa-se na ilusão dos sonhos, e corre atrás de vaidades que parecem uma pessoa.
Mas não somente a arte nossa depende de Deus, mas também a verdade do nosso intelecto, porque na escala da verdade conhecida ela se encontra, por assim dizer, no terceiro degrau da descida: sob a natureza e sob Deus. Entre Deus e nós está a natureza. Inseparável é a verdade da natureza diante da infalível arte da mente criadora que a sustenta no ser e no operar e assim mede a verdade na realidade das coisas.
E acidental à natureza e às coisas é a relação de verdade, de que as reveste, como efeito de suas contemplações e investigações, o nosso intelecto débil, que não possui, como alguns pensaram, idéias inatas desde o nascimento; mas por meio dos sentidos inicia o conhecimento das coisas perceptíveis em sua acidentalidade exterior e qualidade que são por si mesmas sensíveis; de modo que pode apenas por meio destes fenômenos externos chegar ao interno conhecimento das coisas, também daquelas cuja acidentalidade é perfeitamente percebida pelos sentidos. E por isto o engenho humano, não ofuscado pelos preconceitos e por erros, compreende que, como a natureza é filha de Deus, medida sobre a verdade da mente divina, assim, medindo ela mesma o conhecimento da nossa mente que apreende por meio dos sentidos, faz de modo que a verdade de nossa ciência seja filha dela e portanto, de algum modo, "neta" de Deus
O homem pela escada do universo sobe até Deus: o astrônomo chegando ao céu, escabelo do trono de Deus, não pode permanecer incrédulo à voz do firmamento; além dos sóis e das nebulosas astrais atravessa o pensamento seguido pelo amor e pela adoração, e veleja para um Sol que ilumina e aquece não o barro do homem, mas sim o espírito que o anima.
Eis a alegria de conhecer e de saber, mesmo pouco, do desmesurado pélago de verdade que nos circunda; estamos vagando no barquinho de nossa vida, com a bússola de nossa inteligência.
As descobertas dos predecessores se sobrepõem, ampliando e corrigindo, os novos frutos das invenções dos continuadores, prodígios de ciência física, matemática e industrial, que tornam atônita e altaneira a idade presente, vaticinadora e ávida de mais portentosas maravilhas.
Esta maravilhosa elevação, que faz o homem no céu sobre as cidades e as planuras e os montes do globo, parece-nos que Deus tenha concedido ao engenho humano em nosso século para recordar-lhe uma vez mais como da "Paiuola che ci fa tanto feroci", da eirazinha que tão ferozes nos faz, o homem pode subir até Deus, pela mesma via pela qual descem as coisas; assim que, enquanto todas as perfeições das coisas descem ordenadamente de Deus, sumo vértice dos seres, o homem, pelo contrário, começando das inferiores e subindo de grau em grau, pode adiantar-se no conhecimento de Deus, primeira causa, sempre mais nobre do que todo seu efeito. A verdade, que a vós dizem as coisas inferiores em sua variedade e diversidade, não é senão aquela que "odium parit", que gera o ódio, mas se aquela verdade que se eleva acima das divisões e dos dissídios das almas, que irmana as capacidades e os espíritos no amor da verdade, porque uma verdade ama outra, e como irmãs, filhas de uma mesma mãe, a sabedoria divina, osculam-se diante da presença de Deus. E vós, perspicazes investigadores da natureza, o Nosso antecessor, de veneranda memória, previu os grandes amigos da verdade, em cujo amor vossa ciência os irmana e faz de vós, em meio às lutas que ensanguentam o mundo, um exemplo insigne daquela união de pacíficos intentos, que não perturba as fronteiras do mundo, dos rios, dos mares e dos oceanos.
Amiga da verdade, a Igreja admira e ama o progresso do saber ao lado daquele das artes e de todas as coisas que vedes.
Não é porventura a Igreja mesma o progresso divino no mundo e Mãe do mais alevantado progresso intelectual e moral da humanidade e do viver civil dos povos? Ela avança nos séculos, mestra de verdade e de virtude, lutando contra os erros, não contra os que erram, não destruindo mas edificando, plantando rosas e lírios sem desarraigar oliveiras e louros. Guarda e, muitas vezes, santifica os monumentos e os templos da grandeza pagã de Roma e da Grécia. Se nos seus museus não tem mais cultores de Marte e Minerva, nos seus monastérios e em suas bibliotecas falam ainda Homero e Virgílio, Demóstenes e Túlio; nem desdenha que ao lado da Águia de Hipona e de Aquino estejam Platão e Aristóteles. Toda ciência é por ela convidada, nas universidades que fundou; chama ao lado de si a Astronomia e a Matemática para corrigir a antiga medida do tempo; chama toda arte, assinalada pelo esplendor do verdadeiro e para emularem em honra de Cristo, chama as basílicas dos Césares e vai superá-las, com cúpulas vertiginosas, com ornamentos, com imagens, com simulacros que eternizam o nome de quem os realizou. Como toda arte, assim toda ciência serve a Deus porque Deus é "scientiarum dominus", Senhor das ciências, e "docet homicnem scientiam" e ao homem doutrina a ciência. Em sua escola o homem tem dois livros no caderno do Universo a razão humana estuda, em procura da verdade, as coisas boas feitas por Deus, no caderno da Bíblia e do Evangelho o intelecto estuda ao lado da vontade, em procura em procura de uma verdade superior à razão, sublime como o íntimo mistério de Deus, só por Ele conhecido. Na escola de Deus encontram-se Filosofia e Teologia, palavra divina e Paleontologia, a visão da luz, das trevas e a Astronomia, a Terra em eterno fixa e o seu giro ao redor do Sol, o olhar de Deus e o olhar do homem. A bondade de Deus, qual mãe, como que balbucia a linguagem humana para fazer reter ao homem a excelsa verdade que lhe manifesta em uma escola de verdade amiga que o exalta e o faz discípulo de Deus, no estudo da natureza e da fé. Tal doutrina é também subministrada pela Igreja em suas escolas e em seu magistério. Não esta porventura a razão a serviço da fé, ainda mais que lhe dá aquele "rationabile obsequium", obséquio racional, como fundamento e defesa que dimanam da semelhança divina que as embeleza? E a fé, por sua vez, não exalta a razão e a natureza, convidando a bendizer ao Senhor todas as múltiplas multidões de criaturas do universo dos céus e da terra, como o cântico dos três moços entre as chamas de Babilônia? E vós vedes a Igreja com o seu ritual benzer as obras da razão e dos gênios humanos, as máquinas livrescas e as bibliotecas, as escolas e os laboratórios, os telégrafos e as estradas de ferro, as fontes elétricas e os aeroplanos, os carros e os navios, as fornalhas e as pontes e tudo quanto a mente e a arte do homem dá ao verdadeiro e são progresso da existência e da vida civil.
Não, o obséquio da razão à fé, não humilha a razão mas honra-a e sublima-a, porque é sua glória do progresso da civilização humana facilitar à fé sua evangélica via no mundo. A fé não é soberba, nem é senhora que tiraniza a razão, nem a contradiz; o selo da verdade não é de modo diverso impresso por Deus na fé e na razão. Mas, longe de dissentir, reciprocamente, como já acenamos, ajudam-se, já que a reta razão demonstra os fundamentos da fé e ao seu lume esclarece os termos, e a fé preserva de erros a razão, livra da queda e ensina com conhecimentos múltiplos.
Aos nobres campeões das disciplinas e das artes humanas a Igreja reconhece a justa liberdade de método e de pesquisa (1).

(1)- Discurso, Inauguração IV ano Acad. Pontif. Ciências, 3 de dezembro, 1939.

***

VIVA SANTA TERESINHA


03/10 Quarta-feira
Festa de Primeira Classe Padroeira da Capela e da nossa Sociedade Religiosa
Paramentos Brancos 

 
Nossa segunda padroeira de nossa Sociedade Religiosa Teresa de Lisieux (Alençon, 2 de janeiro de 1873 — Lisieux, 30 de setembro de 1897) foi uma religiosa carmelita francesa. É conhecida como Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face ou, popularmente, Santa Teresinha. Seu nome de Nascida Marie Françoise Thérèse Martin (Maria Francisca Teresa Martin), era filha de Louis Martin e Zélie Guérin. Quando nasceu, era muito franzina e doente e, desde o nascimento, exigia muitos cuidados.

Aos dois anos de idade, Teresa já tem na sua idéia seguir a vida religiosa para grande alegria da sua mãe e de seu pai.

Em agosto de 1876, sua mãe toma conhecimento de que padece de câncer. Quando esta falece, seu pai muda-se com as quatro filhas para Lisieux em 1877.

Ingressou em 9 de abril de 1888 no Carmelo e tomou o nome de Thérèse de l'Enfant Jesus.

Fez sua profissão religiosa, em 8 de setembro de 1890, e tomou o nome de Thérèse de l'Enfant Jesus et de la Sainte Face, mas ficou conhecida após sua morte como Thérèse de Lisieux.

Após seis anos na ordem, em 1894, almejando o caminho da santidade, Teresa percebe que não conseguiria pelas tradicionais mortificação, disciplina e sacrifício observadas pelos santos a quem se dedica a estudar. Inspirada nas palavras de um padre, Teresa adota a "Pequena Via", um caminho pequeno e reto para a santidade, que consiste simplesmente em se entregar ao amor de Jesus Cristo, para que Ele conduza pelo caminho.

Morreu em 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos. Disse, na manhã de sua morte: “eu não me arrependo de me ter abandonado ao amor”, e na iminência de sua morte disse às religiosas que estavam à sua volta: "Farei cair uma chuva de rosas sobre o mundo!"(Por isto muitos que fazem sua novena ganham rosas em sinal de suas graças alcançadas).

No dia 4 de outubro de 1897, foi sepultada no cemitério de Lisieux.

Teresa escreveu três manuscritos: chamado manuscrito A no ano de 1895, autobiografia escrita a mando de sua irmã Paulina, madre Agnese; chamado manuscrito B no ano 1897; chamado manuscrito C. Ficam admirados também pelo grande número de cartas enviadas à família e das 54 poesias que compôs.

A sua irmã, Paulina, também carmelita, publicou em 1898 os escritos de Santa Teresinha, intitulados "História de uma alma". O papa São Pio X considera a maior santa dos séculos moderno. No dia 17 de maio de 1925, Teresinha foi canonizada pelo Papa Pio XI. O mesmo Papa a declara Patrona Universal das Missões Católicas em 1927.
_________________________________________ 
Epistola
Isaias 66,12-14
                                                                                                                              
12.Pois eis o que diz o Senhor: vou fazer a paz correr para ela como um rio, e como uma torrente transbordante a opulência das nações. Seus filhinhos serão carregados ao colo, e acariciados no regaço. 13.Como uma criança que a mãe consola, sereis consolados em Jerusalém. 14.Com essa visão vossos corações pulsarão de alegria, e vossos membros se fortalecerão como plantas. O Senhor manifestará a seus servos seu poder, e aos seus inimigos sua cólera.                                                                                                           
_________________________________________ 
Evangelho
São Mateus 18, 1-4  
                                                                                                                          
1.Neste momento os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Quem é o maior no Reino dos céus? 2. Jesus chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse: 3.Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus. 4. Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Santinhos de Santa Teresinha








Santos Anjos da Guarda

Fonte: Escravas de Maria

02/10 Terça-feira
Festa de Terceira Classe
Paramentos Brancos

 
Os Anjos da Guarda são enviados por Deus em no nosso nascimento para nos proteger durante toda a nossa vida. Na Bíblia sustenta em algumas ocasiões a Fé no Anjo da Guarda: "Vou enviar um anjo adiante de ti para te proteger no caminho e para te conduzir ao lugar que te preparei". (Êxodo 23, 20). Porque por nossas próprias forças somente, jamais conseguiremos fazer frente ao demônio, que possui grande poder para perder, enganar e destruir as almas eternamente. Nas horas de perigo, o Santo Anjo nos incita à virtude, convida-nos à resistência e apresentam a Deus as nossas orações e nossas boas obras, apoiando-nos com sua intercessão. É preciso, portanto, que façamos a nossa parte, invocando-o incessantemente, consultando-o diariamente em todas as nossas ações.

Oratio S. Bonaventurae



Transfíge, dulcíssime Dómine Jesu, medúllas et víscera ánimae meae suavíssimo ac salubérrimo amóris tui vúlnere, vera, serenáque et apostólica sanctíssima caritáte, ut langueat et liquéfiat ánima mea solo semper amóre et desidério tui, te concupíscat, et defíciat in átria tua, cúpiat dissólvi et esse tecum. Da, ut ánima mea te esúriat panem Angelórum, refectiónem animárum sanctárum, panem nostrum quotidiánum, supersubstantiálem habéntem omnem dulcédinem et sapórem, et omne delectaméntum suavitátis: te in quem desíderant Angeli prospícere, semper esúriat, et cómedat cor meum, et dulcédine sapóris tui repleántur víscera ánimae meae: te semper sítiat fontem vitae, fontem sapiéntiae et sciéntiae, fontem aetérni lúminis, torrentem voluptátis, ubertátem domus Dei; te semper ámbiat, te quaerat, te invéniat, ad te tendat, ad te pervéniat, te meditétur, te loquátur, et ómnia operétur in laudem et glóriam nóminis tui, cum humilitáte et discretióne, cum dilectióne et delectatióne, cum facilitáte et afféctu, cum perseverántia usque in finem: et tu sis solus semper spes mea, tota fidúcia mea, divítiae mea, delectátio mea, jucúnditas mea, gáudium meum, quies et tranquíllitas mea, pax mea, suávitas mea, odor meus, dulcédo mea, cibus meus, reféctio mea, refúgium meum, auxílium meum, sapiéntia mea, pórtio mea, posséssio mea, thesáurus meus, in quo fixa et firma, et immobíliter semper sit radicáta mens mea, et cor meum. Amen. 

(Jesus Cristo falando ao coração do Sacerdote, Padre Bartholomeu do Monte, 1910)