sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A perfeita casada (X) - Frei Luís de León

Suas palmas abriu para o aflito,
e suas mãos estendeu para o necessitado.



E em bom momento colocou isto Salomão, porque tendo dito e repetido tanto no que se refere a lucros e aproveitamento e havendo aconselhado a mulher tantas vezes e com tão encarecidas palavras para que seja prendada e caseira, deixava-a, parece, próxima à avareza e escassez, que são males vizinhos do lucro e que são próximos não poucas vezes. Porque, assim como há alguns vícios que têm aparência e semelhança de algumas virtudes, também há virtudes que estão como ocasionadas por alguns vícios; porque a verdade é que a virtude consiste no meio, mas como este meio não se mede com palmos, mas é o meio que se deve medir com a razão, muitas vezes se afasta mais de um extremo que do outro, como parece na liberalidade, que é virtude medida pela razão entre os dois extremos do avarento e do pródigo, e se afasta muito menos do pródigo que do avarento. E ainda acontece com a virtude e o vício, que em verdade são princípios muito diferentes na visão pública, e no que de fora parecem, nasçam frutos muito semelhantes. Tanto é disfarçado o mal, ou tanto procura se disfarçar para nosso mal, ou por melhor dizer, tanta é a força e a excelência do bem, e tão grande seu proveito, que mesmo o mal, para poder viver e valer, se aproxima dele e se veste dele, e deseja assumir sua cor.
Assim vemos que o prudente e recatado foge de alguns perigos, e que o temeroso e covarde foge também. Onde, mesmo as causas sendo diferentes é o mesmo e semelhante fugir. E vemos também que o homem cordato obtém lucros e benefícios de suas terras, e o avarento também, e que são iguais em lucrar, mesmo que os motivos sejam diferentes. E pode tanto este parentesco e dissimulação, que não somente os que olham de longe e vêem o que parece, se enganando, chamam de virtude o que é vício, mas também esses mesmos que põem as mãos nisso, muitas vezes não se entendem a si mesmos, e se convencem que é virtude o que lhes vêm de inclinação danosa e viciosa.
Por esse motivo tudo que é semelhante pede grande cuidado para que o mal disfarçado em bem não possa nos enganar. E isso porque Deus só gosta da virtude, e porque se a mulher lucra muito, isso pode ser sinal de avareza e vício; para que não se canse sem fruto e para que não ofenda a Deus no que pensa agradá-lO, cuidado aqui para que não seja esmoleira; que seja prendada e aproveitadora e zeladora, e que promova a união, porém não seja miserável nem escassa, de nenhuma maneira seja avarenta. E por isso diz elegantemente que abra a palma que a avareza fecha, e que alongue e estenda a mão que costuma encolher a escassez.
E já que ser piedoso e esmoleiro é virtude que convém a todos os que se sentem homens, com particular razão as mulheres devem esta piedade à sua brandura natural, entendendo que ser uma mulher de entranhas duras ou secas com os necessitados, é nela vituperável mais que em nenhum homem. E não é boa desculpa dizer que o marido segura suas mãos; porque mesmo sendo verdade que pertence a ele cuidar dos bens, não se entende porém que proíba a mulher e ponha lei para que não faça outras despesas perdidas, querendo também fechar-lhe a porta ao que é piedade e esmola, a quem Deus com tão expresso mandamento e de modo tão encarecido a abre.
E quando quiser ser ainda nisto escasso o marido, a mulher, se for como aqui a descrevemos, não deve por isso fechar-se às esmolas, que são devidas ao seu estado, nem que o confessor o proíba. Porque se o marido não quer, está obrigado a querer; e sua mulher, se não obedece em seu mau desejo, conforma-se com suas razões; e fazendo isto trata com utilidade e proveito da alma dele e de seus bens; porque primeiro cumpre com as obrigações que ambos têm de socorrer aos pobres; e depois garante e acrescenta seus bens com a benção de Deus, cuja palavra não pode faltar com a piedade prometida. E porque muitos nunca se fiam bem desta palavra, muitos homens são crus; se considerassem que recebem de Deus o que têm, não temeriam de tomar parte disso, nem duvidariam de que quem é liberal não pode jamais ser desagradecido; e quero dizer com isto, que Deus, o qual sem haver recebido nada deles, liberalmente os fez ricos, se repartissem depois com Ele suas riquezas, se tornariam grande realização.
Nisto que disse, entendo que são as esmolas mais comuns, que se oferecem a cada dia aos olhos; que, no que for de maior volume e mais particular, a mulher não deve ultrapassar a lei do marido, e em tudo deve lhe obedecer e servir. Eu confio que nenhum será tão miserável nem mau, que se ela for das que digo, tão caseiras, tão prendadas, tão zeladoras e tão cordatas em tudo e aproveitadoras, proíba que faça bem aos pobres. Nem será nenhum tão cego, que tema pobreza da esmola que faz quem enriquece a casa.
Então pois, que abra os braços e mãos à piedade a boa mulher, e mostre que seus lucros nascem da virtude, em não ser escassa no que, conforme a razão, é devido. E como quem lavra o campo, do que colhe nele dá suas primícias e dízimos a Deus, assim ela, de seu trabalho e de suas criadas, aplique sua parte para vestir a Deus nos carentes e fartá-lO de comida nos famintos, e com parte de seus lucros abra, como diz aqui, suas mãos ao aflito e ao necessitado, suas palmas.
Mas se diz que abra suas mãos e sua casa aos pobres, deve-se advertir que não diz que a abra geralmente a todos os que dizem ser pobres. Porque, em verdade, uma das virtudes da boa mulher é ter um grande recato acerca das pessoas com as quais conversa e a quem deixa entrar em sua casa; sob o nome da pobreza e cobrindo-se com piedade, às vezes entram na casa algumas pessoas enrugadas e de cabelos brancos, que roubam a vida, sujam a honra e danificam a alma dos que vivem nela, parecendo que os lambem e adulam. São Paulo quase indicou com o dedo esta linhagem de pessoas ou algumas pessoas dessa linhagem, quando diz (Epístola a Timóteo, 5): "Têm por ofício andar de casa em casa ociosas, e não somente ociosas, mas também tagarelas e curiosas, e faladoras do que não convém”. É assim que as tais entram para registrar tudo de bom que vêem, e, quando menos mal fazem, fazem sempre o dano que é trazer novidades e fofocas de fora, e levar para fora o que vêem ou acham que vêem na casa onde entram, inquietando a quem as ouve perturbando seus corações, de onde nascem muitas vezes os dissabores entre os vizinhos e amigos, matéria de zanga e diferenças, e por vezes até discórdias mortais.
Nas repúblicas bem ordenadas, os que antigamente as ordenaram com leis, nenhuma coisa vedaram mais que a comunicação com estranhos de diferentes costumes. Assim Moisés, ou melhor dizendo, Deus por Moisés, a seu povo escolhido, em mil lugares avisa isto com grande cuidado, porque o que não se vê, não se deseja e como diz o verso grego: "Do olhar nasce o amar". E pelo contrário, o que se vê e se trata, quanto pior for, tanto mais rapidamente, por nossa miséria, gruda em nós. E o que é em toda uma república, também é em uma única casa; que se os que entram nela são de costumes diferentes dos que nela vivem, uns com o exemplo outros com a palavra, alteram os ânimos bem ordenados, e pouco a pouco os desencaminham do bem.
E chega a velhinha e diz coisas no ouvido da filha e ensina-lhe os maus enfeites, e conta-lhe da desenvoltura do outro, e do que viu ou inventou, e altera-lhe o juízo, e começa a tingir com isto o peito singelo, fazendo a imaginar o que só com ser pensado corrompe; e danificado o pensamento, logo tenta o desejo, o qual acendendo-se para o mal, logo se esfria para o bem, e assim logo começam a desgostar do bom e cordato deixando-o de lado. Pelo que, acerca de Eurípides, diz bem quem diz: "Nunca, nunca jamais me contento com dizê-la uma só vez; o casado cordato consentirá que entrem quaisquer mulheres a conversar com a sua, porque sempre fazem mil danos. Umas por seu interesse, tratam de corromper sua fé no matrimônio; outras, porque falharam e gostam de ter companheiras para suas falhas; outras porque sabem pouco e são néscias. Pois contra estas mulheres e as semelhantes a estas, convém ao marido guarnecer com travas e ferrolhos as portas de sua casa; pois jamais estas entradas peregrinas põem nela alguma coisa saudável mas, pelo contrário, sempre fazem diversos danos". Mas vejamos o que temos a seguir:
Não temerá a neve para sua família,
porque toda sua gente está vestida com vestes duplas. 

EXALTACIÓN DE LA SANTA CRUZ

Fonte: ¡Ven, Señor Jesús!


Y cuando haya sido levantado
de la tierra,
todo lo atraeré a Mí.
(Juan, 12, 32)

   Cosroes, rey de Persia, se llevó de Jerusalén la Cruz de Jesucristo, y Heraclio, emperador de Oriente, le declaró la guerra. Después de tres victorias debidas a la Santísima Virgen, Heraclio volvió a Jerusalén con la verdadera Cruz. Quiso llevarla en triunfo sobre sus hombros, pero una fuerza invisible lo detuvo a las puertas de la ciudad. El patriarca Zacarías le observó que sus suntuosas vestiduras contrastaban con la pobreza y humildad de Jesucristo. El emperador entonces se quitó su púrpura, su corona y su calzado, para vestir hábito de penitente. Así pudo entrar en la ciudad y llevar la Cruz hasta la cumbre del Calvario, el año 629.

MEDITACIÓN SOBRE
LA EXALTACIÓN DE LA SANTA CRUZ

   I. El amor a la Cruz nos levanta sobre las creaturas. Un hombre que ame los sufrimientos está al abrigo de los azares de la fortuna: la enfermedad, la pobreza o la deshonra no podrían turbar su paz. ¿Por qué? Porque él desea las aflicciones y las sufre con alegría por amor a Jesucristo. Todo lo que para ti es motivo de temor y de tristeza para él es una dicha. El cristiano puede parecer desdichado, nunca la es. (Minucio Félix)

   II. El que ama la Cruz está por sobre si mismo. No es ya un hombre sometido a sus pasiones, tiranizado por la concupiscencia, afeminado por las delicias. No tiene más que un solo deseo, el de sufrir; y como en esta vida las ocasiones de sufrir se encuentran a cada paso, siempre está contento y gozoso.

   III. El que ama la Cruz se asemeja a Jesús crucificado; lo contempla, y se alegra viendo que los sufrimientos lo hacen fiel imagen del Salvador. Está crucificado para el mundo, y muerto para sí mismo. Sujétame a la cruz, oh Jesús mío, sin tener en cuenta las repugnancias de mi carne; porque os debo mi alma y mi cuerpo, como a mi Redentor. ¡Que mi cuerpo sea, pues, crucificado, coronado de espinas y semejante a ese Cuerpo adorable que Vos ofrecéis al eterno Padre por mí! Si debes tu cuerpo a Jesús dáselo, si puedes, tal como Él te ha dado el suyo. (Tertuliano)

El amor a la cruz 
Orad por las almas del Purgatorio

ORACIÓN

    Oh Dios, que todos los años nos proporcionáis un nuevo motivo de gozo con la solemnidad de la Exaltación de la Santa Cruz, haced, os lo suplicamos, que después de haber conocido su misterio en la tierra, merezcamos ir al cielo a gustar los frutos de su Redención. Por J. C. N. S. Amén.

Um presente aos devotos de Santa Teresinha

Fonte: Escravas de Maria

"Sim, desejo estas feridas do coração, estes golpes de espinhos que fazem sofrer tanto...
A todos os êxtases prefiro o sacrifício."
(3ª. carta à Madre Inês de Jesus)
















quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Formação para os homens - parte 5

Nota do blogue: Creio que este seja um dos melhores livros que Deus tenha me dado para uso do meu apostolado, não apenas pela raridade do tema abordado (a formação feminina é mais comum) mas também pelo valor do ensinamento moral contido nele. Se a mulher caiu nas "garras" da sociedade feminista esquecendo o seu papel dentro do lar e assumindo postos masculinos, o homem, por sua vez, acomodou-se a essa situação e contribui para a desvalorização feminina com seu comodismo. A formação masculina se faz necessária sim, pois os lares cristãos necessitam de pais e maridos realmente conscientes de seus deveres e qualidades masculinas.

Em Cristo,
Letícia de Paula 

Padre Emmanuel de Gibergues



Receber no sacrifício e renunciação, como é o fim do matrimônio; dar na dedicação por uma autoridade justa, digna, pacífica e terna, como é o seu objeto; não está acima das forças humanas? Não; porque há um motivo todo poderoso, um móvel soberano o amor, o amor movido pela graça, o amor cristão.
As dificuldades da tarefa, meus senhores, fazem com que compreendais a sua necessidade, e a loucura dos matrimônios sem amor. Onde se achará, pois, a força para cumprir tais deveres? Só o amor é capaz disso. Só o coração tem toda a força que exige este ato decisivo, soberano, irrevogável, e do qual está suspenso um destino inteiro.
E que amor será preciso? Apelo para vós, meus senhores, que tendes amado santamente, que tivestes o vosso ideal. Amaveis, sem medida, para a terra e para o céu, para o tempo e para a eternidade. Amar, unicamente e para sempre, aquela que havia sabido merecer toda a vossa estima, toda a vossa confiança, todo o vosso amor, e serdes amados por ela unicamente e para sempre, era o vosso sonho!
O amor é eterno, ou não existe.
Mas qual é o amor que pode ser eterno? O amor carnal não, porque dura tanto quanto o encanto que o provocou, - uma primavera. As paixões não alimentam o amor, não; antes o profanam e matam.
Se o amor quiser viver, que se modere e se equilibre! Saído de Deus, se quiser crescer, que sacuda a matéria e se eleve para Deus!
O amor racional, baseado nas qualidades do espírito, do coração, da alma, sem aliás excluir, de modo algum, os encantos físicos, pode ser durável. Mas ainda não é suficiente; é preciso subir mais alto; é preciso chegar ao amor cristão!
O amor cristão não exclui o precedente; pelo contrário, supõe o amor racional; completa-o, eleva-o e excede-o, libertando-o do tempo. Não é somente a alma que ele vê através do corpo, porém Deus na alma. É uma afeição superior, de ordem divina, tal qual a afeição de Cristo por Sua Igreja: Viri diligite uxores vestras, sicut Christus dilexit Ecclesiam1. Já não é uma chama terrestre: é o fogo do céu; já não é o amor do homem: é o próprio amor de Deus no coração do homem.
Se o marido não é cristão, não sente a diferença, porque não pensa nisto; ou não está ao alcance de compreendê-la, a mulher cristã sente-a e sofre cruelmente.
Não o sabeis? Não o quereis saber; fechais os olhos para não vos incomodardes; mas não impedireis que sofra aquela que vos ama, e que sofra tanto mais profundamente, quanto mais vos amar.
Não é razoável, nem justo. Seria melhor pensar nisto, e vós também procurardes no sofrimento, força para subirdes mais alto.
Só o amor cristão é verdadeiramente eterno; o outro não reflete, ou, se reflete, é muito pouco, no além.
Só o amor cristão é verdadeiramente forte. Se o amor humano for feliz; se não tiver tentações demasiadamente fortes, poderá ser feito, mas duma fidelidade de ocasião. Mas, se a tempestade bramir, se a tentação se levantar, será arrebatado; ou, o que é pior, não acreditará mais na fidelidade.
Mas o amor cristão tirou do sacramento uma força que o aperfeiçoa e santifica, e lhe dá a mais perfeita fidelidade; a fidelidade sem mancha, a fidelidade do coração, à imagem de Jesus Cristo para com a Sua Igreja. Está ao abrigo de todas as vicissitudes; o que Deus uniu, nada o poderá separar: quod Deus conjunxit, homo non separet.2
Não se contenta em ser eterno, precisa crescer, porque o amor, como tudo quanto vive, tem necessidade de desenvolver-se.
É pela paciência, humildade, franqueza do coração, confiança absoluta, pelo hábito de se dizer tudo e de fazer tudo em comum por uma intimidade sempre progressiva, que o amor crescerá. Em vez de tornarem os pontos de contato tão raros quanto possível, como aqueles que não se amando, ou suportando-se dificilmente, querem, todavia, conservar a paz, os esposos que se amam multiplicam-nos para estreitarem mais a aliança. A diversidade dos caracteres, a variedade dos pontos de vista, a diferença das opiniões subsistem, e isto é mais um encanto. Só desaparece a diversidade dos sentimentos.
Ambos desprezam tudo o que é vil, ambos se elevam; amam tudo o que é nobre e grande. Lêem o mesmo livro, admiram o mesmo quadro, ou a mesma paisagem; gozam do mesmo prazer ou do mesmo repouso. Rezam juntos; preenchem os seus deveres religiosos; praticam a caridade. Praticam junta a virtude, o bem, as boas obras. A sua vida intelectual, moral, religiosa é realmente uma só vida; sempre os mesmos interesses de espírito, de alma e de coração.
O seu lar não é só a sua casa, levam-no consigo como um altar doméstico. Está em toda a parte onde estão juntos; está em seu coração, em toda a parte onde confundem, numa intimidade sempre crescente, os seus pensamentos, as suas impressões, os seus entusiasmos, as suas crenças, os seus esforços, as suas virtudes, a sua caridade!
Este hábito de intimidade em trocas mútuas e constantes de sacrifícios e dedicação, por motivos sobrenaturais e santos, é tão poderoso para aumentar o amor, que até pode criá-lo entre dois seres que sentem estima e confiança um pelo outro, sem, todavia, ainda se amarem na verdadeira acepção da palavra. Não é esta a história de Paulina? No começo, ama a Polyeucte, por dever de esposa, como o desposara por dever de filha. A sua vontade aí está, o seu coração ainda não; e a perturbação que lhe causa a volta de Severo, a sua repugnância em servir «um vencedor tão poderoso,» a coragem com que exige dele a promessa de que nunca mais a tornará a ver, provam, suficientemente, para que lado se deixaria arrastar o seu coração, se a razão e a virtude não o desviassem dessa tendência. No fim, toda a sua alma, toda a sua ternura pertencem aquele a quem chama, daí por diante, o seu Polyeucte: o coração e a razão harmonizaram-se num amor que ela criou pela força da virtude.
Quando o coração e a razão são assim unidos; quando o amor é sobrenatural e cristão, os anos podem vir, pode-se envelhecer que o coração não envelhece. O amor eleva-se, apura-se e a gente aproxima-se por uma ascensão lenta, dessa maneira de amar, que é a do céu.
Se o vácuo se faz à roda dos esposos; se a morte os fere, se lhes aparecem provações, mais se unem pelo amor que se fortifica na repetição mútua das tocantes palavras de Andromaca a Heitor: «Tu és, agora, o meu venerado pai e a minha venerada mãe; tu és os meus irmãos; tu és o meu esposo muito amado.»
A morte pode chegar; será uma dor viva e amarga, mas não os desunirá; após alguns momentos, a reunião far-se-á em Deus, e, em lugar do tempo terão, para se amarem, a eternidade.
Tal é o amor cristão no matrimônio. É verdadeiramente o amor de Cristo e da Sua Igreja, amor todo-poderoso, amor santo, sem mácula, indissolúvel, amor para a terra e o céu, para o tempo e para a eternidade.

Notas: 

1) Epístola aos Efésios V, 25: "Maridos amai vossas mulheres como Cristo amou a Sua Igreja". 
2) S. Matheus XIX, 6.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

São Autônomo, Bispo, Confessor e Mártir

Fonte: Escravas de Maria
12/09 Quarta-feira
Festa de Terceira Classe Santíssimo Nome de Maria
Paramentos Brancos 



Santíssimo Nome de Maria, Festa do Santo Nome de Maria, ou simplesmente Santo Nome de Maria. A festa celebra o nome de Maria, mãe de Jesus. A festa era celebrada apenas em Cuenca, Espanha, quando foi instituída em 1513. Era inicialmente comemorada em 15 de setembro. Em 1587, o Papa Sisto V mudou o dia da celebração para 17 de setembro. O Papa Gregório XV estendeu a festa para a Arquidiocese de Toledo em 1622. Em 1666 os Carmelitas Descalços receberam a permissão para recitar o Ofício do Nome de Maria quatro vezes por ano (dúplice). Em 1671, a festa foi estendida para toda a Espanha.


Após a vitória dos cristãos, conduzida pelo rei Jan III Sobieski da Polônia, sobre os turcos na Batalha de Viena, em 1683, a festa foi estendida a toda a Igreja Universal pelo Papa Inocêncio XI, e atribuída ao domingo após o Nascimento de Maria. Antes da batalha, o rei Jan Sobieski colocou suas tropas sob a proteção da Virgem Maria.     

Em 1683, os turcos atacaram Viena, procurando atingir a Europa cristã. Novamente o exército dos países cristãos vence os agressores com a bravura do rei da Polônia, João Sobieski. Logo em seguida a Hungria se liberta de 150 anos de dominação muçulmana.

Em ação de graças pelo auxílio de Nossa Senhora. Após a batalha o papa Inocêncio XI instituiu a festa do Santíssimo nome de Maria, no dia 12 de setembro homenageia Maria, estendeu a festa para toda a Santa Igreja.                                                  


Na manhã do dia da batalha, Sobieski colocou-se, bem como a todo seu exército, sob a proteção de Maria Santíssima. E assistiu à Santa Missa, durante a qual permaneceu rezando com os braços em forma de cruz. Ao sair da igreja, ordenou o ataque. Os turcos fugiram cheios de terror e abandonaram tudo, até o grande estandarte de Maomé, que o vitorioso rei católico enviou ao Soberano Pontífice como homenagem a Maria. Pronunciar o nome de Maria é encanto especial. Em Maria tudo lembra Deus: seu amor, sua bondade, sua misericórdia, sua lealdade, sua disponibilidade. Nela tudo se refere a Cristo: sua simplicidade, sua humildade, o acolhimento da sua Palavra. Celebrar o nome de Maria é beber da água pura da fonte, é abrir o coração para a ternura de Deus e para os nobres sentimentos da fé. Lembrar Maria e seu nome bendito, é penetrar na história do novo Povo de Deus.A festa exemplifica o foco na Mariologia e na veneração da Bem-aventurada Virgem Maria. Em Roma uma das duas igrejas gêmeas no Fórum de Trajano é dedicada ao nome de Maria.   

El dosorden y la lucha

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios


Por un desorden, consecuencia del pecado original, cada facultad, dice Santo Tomás, busca su bien propio sin ocuparse del bien común, aunque el conjunto haya de perecer. Sucede entonces como cuando hay que domar a una manada de fieras. Que no se consigue sino con el látigo y sin perderlas de vista. Y si uno carece de dominio sobre sí mismo, sobre todo al principio, aquello es una jaula de fieras. No bajéis a ella so pretexto de dominarlas a latigazos. No lo lograríais.
Cerrad la trampa y subid hacia Dios. ¿Cómo lograrlo? Es un secreto, pero El Espíritu Santo os lo enseñará.
Además, que el Enemigo merodea siempre alrededor de las almas. Y aquellas que se le escaparon y se esfuerzan en servir a Dios le son particularmente odiosas.
Para turbarías lo intenta todo. Quiere impedir que den frutos. Y para eso arremete contra las flores en cuanto éstas brotan. Pues cada flor que cae antes de tiempo es un fruto perdido para la cosecha. Y cada buen pensamiento apagado por el miedo, cada buen deseo sofocado por el temor, son otras tantas flores estériles. El Demonio lo sabe. Y por eso excita en el alma esos mil pequeños brotes importunos y turbadores de necia vanidad, de envidiosa susceptibilidad, de iracunda impaciencia, de caprichosa avidez que molestan, inquietan, paralizan, intimidan, y acaban por dividir simultáneamente la atención del espíritu y la aplicación de la voluntad.
Dios, en cambio, jamás está en la turbación o en la inquietud; por esos signos reconoceréis, pues, siempre, que aquello no es de Él. ¡Es tan sutil el Demonio para dañar a las almas de vida interior!

A perfeita casada (IX) - Frei Luís de León


Cingiu-se de fortaleza e fortificou seu braço.
Tomou gosto pelo trabalho: sua vela não se apagou de noite.
Colocou as mãos na fôrma, e seus dedos tomaram o fuso.


Tenha valor a mulher e plantará a vinha; ame o trabalho e acrescentará em sua casa, ponha as mãos no que é próprio de seu ofício e não se despreze dele, e crescerão suas riquezas; não amoleça, nem se faça de delicada, nem tenha por honra o ócio, nem por estado o descuido e o sono, mas ponha força em seus braços e acostume seus olhos ao desvelo, e saboreie o trabalho e não se prive de pôr as mãos no que se refere ao ofício das mulheres, por baixo e miúdo que seja, e então verá quanto valem e onde chegam suas obras.
Três coisas pede aqui Salomão, e cada uma: em seu verso: que seja trabalhadeira, o primeiro; e o segundo que zele; e o terceiro que fie. Não quer que fique no ócio, e sim que trabalhe.
Muitas coisas foram escritas por muitos em louvor do trabalho, e tudo é pouco para o bem que há nele; porque é o sal que preserva da corrupção a nossa vida e a nossa alma; mas não quero dizer aqui nada do geral. O que propriamente corresponde à mulher casada, direi: porque quanto mais a mulher é inclinada ao regalo e mais fácil de amolecer e dedicar-se ao ócio, tanto mais lhe convém o trabalho.
Se os homens, que são varões, com o ócio conseguem ânimo e condição de mulheres e se afeminam, as mulheres o que serão, se não o que hoje em dia são muitas delas? Que a seda lhes é áspera, a rosa dura, que as incomoda ficar em pé, com o ar que passa desmaiam, falar a palavra inteira as cansa, não há de olhá-las o sol, e todas elas são um melindre e um lixo, um nojo; perdoem por colocar este nome, que é do que mais fogem ou, para dizer melhor, agradeçam que tão suavemente as nomeio. Quem considera o que devem ser e o que elas mesmas fazem, e quem olha a grandeza de sua natureza e a baixeza em que se colocam pelos maus costumes, e compara um com o outro, pouco diz ao chamá-las assim; se as chamasse de lodo que corrompe o ar e o infecta e abominação aborrecível, ainda seria pouco.
Tendo uso de razão, e sendo capazes de coisas de virtude e louvor, e que estão chamadas ao gozo dos bens de Deus, desfazem tanto delas mesmas, se aninham assim com delicadeza, se envilecem em tal grau, que uma lagartixa e uma mariposa que voa têm mais volume que elas; a pluma que vai pelos ares, e o próprio ar têm mais corpo e substância. Assim pois, deve prestar muita atenção nisto a boa mulher, estando certa de que, descuidando-se nisso, se tomará nada. E como os que estão por sua natureza propensos a algumas doenças e males se guardam com recato daquilo que lhes faz mal, assim devem entender que vivem expostas a esta doença de ninharia e melindre, ou não sei como chamá-la, e que nela o ócio é arsênico; cuidem-se dele como fogem da morte, e contentem-se com sua natural insignificância, e não lhe acrescentem baixeza nem a façam menor; notem e entendam que seu natural é feminino, e que o ócio, por si efemina; não juntem um ao outro, nem queiram ser duas vezes mulheres.
Disse quase nada dos extremos aos quais vêm as mulheres moles e ociosas, e não falo da porção de vícios que disto mesmo nelas nasce, nem ouso colocar a mão nesse lodo; porque não há tanta água encharcada e corrompida que crie tantos e tão maus animais daninhos, como nascem vícios asquerosos e feios nos peitos destas damas delicadas das que estamos falando. E em uma delas que descreve nos Provérbios (cap. V) o Espírito Santo diz assim:
"Faladora e vagabunda, e que não consegue estar quieta, nem sabe manter os pés dentro de sua casa, está na porta ou na janela, na praça ou nas encruzilhadas, e estende por toda parte seus laços. Viu um mancebo, chegou até ele e disse-lhe com a cara mais lavada: ‘Hoje faço a festa e saio a tua procura porque não posso viver sem tua visita, e você é minha presa. No meu quarto pendurei belíssimas redes e tapeçaria do Egito; de rosas e de flores, de mirra e aloé está coberto o chão e a cama. Vem, e bebamos a embriaguez do amor, e gozemos em doces abraços até que chegue a aurora’”.
E se todas as ociosas não vão para as ruas como esta fazia, seus escondidos recantos são testemunhas secretas de suas praças, e não tão
secretas que não se deixem ver e entender. E a razão e a natureza das coisas diz que, certamente se produzem ervas daninhas no campo não cultivado, que com o desuso o ferro enferruja e se consome, que o cavalo folgado fica manco.
E além disso, se a casada não trabalha, nem se ocupa do que pertence a sua casa, em quais outras coisas vai se ocupar? Forçoso é que, se não trata de seus afazeres, empregue sua vida nos afazeres alheios, e que seja janeleira, visitadora, viva na rua, amiga de festas, inimiga do seu canto, esquecida de sua casa e curiosa das casas alheias, pesquisadora de tudo que acontece, e ainda do que não acontece; inventora, faladora, fofoqueira, arranjadora de encrencas, jogadora também, e dada à risada e à conversa e ao palácio com tudo o que em conseqüência se segue, e se cala aqui agora por ser coisa notória.
De modo que, em suma e como em uma palavra, o trabalho dá à mulher o ser, ou o ser boa; porque sem ele ou não é mulher, e sim um asco, ou é mulher tal, que seria menos mal que não o fosse. E se com isto que disse se convencem a trabalhar, não será necessário que lhes diga e ensine como devem tomar o fuso e a roca, nem será necessário rogar que zelem, que são as outras duas coisas que lhes pede o Espírito Santo, porque sua própria boa índole as ensinará. E assim deixando isto, passaremos ao seguinte:
Suas palmas abriu para o aflito,
e suas mãos estendeu para o necessitado. 

Santíssimo nome de Maria


Que nome é esse?
Que inebria minh'alma com os manjares celestiais,
Que a envolve duma luz tão forte e doce como a Lua;
Que cura minhas chagas com mãos de plumas?

Ó doce e santo nome de Maria,
Envolve-me nos seus cantos, em sua doçura!
Minh'alma enlouquecera com os gritos do mundo
Não encontro paz fora de ti.

Ó forte e santo nome de Maria,
Proteja-me de mim mesma e do mundo.
Diante desse nome o inferno treme
E o Céu rejubila!

Santíssima Maria
Que esse nome viva em mim...

Poesia franciscana

Pedro Vergara
Conferências Franciscanas, 1927



A terra queimava de sede e com as bocas abertas das sangas profundas pedia, pedia, pedia um bocado de seiva, uma gota qualquer de clorofila.
E as nuvens, pesadas e tristes, abaixando até quase as montanhas, num beijo, começaram longamente a chorar sobre a terra o seu pranto calado e copioso e tanto choraram as nuvens na terra queimada do sol, que afinal se extinguiram na última gota de chuva, que ainda pode pedir:
- Senhor! Refazei-nos de novo, elevai-nos de novo às alturas, bem grandes e fortes, afim de que nós, outra vez, desmanchemos as formas, estranhas, morramos, de novo, num pranto bem longo e bem fresco,
- que a nossa irmã terra tem sede!
O homem com as suas pás, com os seus arados, com as suas enxadas, rasgou sem piedade as entranhas da terra, e a terra submissa, calada, igual a um gigante curvado, deixou-o com os braços abertos, semeando, subir pelas suas montanhas, como se o homem fosse a sua cruz, e depois de rasgada, ferida e semeada, exclamou:
- Senhor! enviai-me um sol claro e uma brisa tranqüila, afim de que brotem, floresçam, deem fruto as sementes semeadas, sem conta, em meu seio,
- que o meu irmão homem tem fome!
As sementes brotaram, cresceram, floriram e deram seus frutos de todas as cores e de todas as formas e era uma doce alegria no estio, ao nascer da alvorada, a enorme fraternidade das plantas em fila, tão verdes e tão cheias ainda de pequenos fragmentos de sol, que parecia que tinham naquele momento descido do céu. Então o homem com as foices recurvas de fios cortantes, alçou com violência no espaço o seu braço seguro e cortou um por um, os caules delgados e as hastes flexíveis. E as plantas, já mortas, chorando nos troncos molhados de seiva, bradaram:
- Senhor! nós queremos nascer outra vez, novamente brotar, florir e dar fruto outra vez, para sermos cortadas de novo,
- que o nosso irmão homem tem fome de ouro.
Os tenros carneiros encheram-se todos de lã e os grandes rebanhos, bem brancos, unidos, nos campos, iguais a esses grupos de nuvens que indicam bonança, caíram sem luta nas bárbaras mãos que, movendo pesadas e largas tesouras de ferro, cortantes e frias, cortaram-lhes rentes as lãs, e as ovelhas, já nuas, com o couro sangrando dos talhos, baliram:
- Senhor! Curai-nos as chagas e enchei-nos de novo de lã.
- que o nosso irmão homem tem frio.
Então o homem, que matara a sua sêde de água e de ouro, que matara a sua fome e extinguira o seu frio, ao poente ao nascente do sol, numa grande alegria, em nome das suas humildes irmãs, a terra e as nuvens, as árvores e as plantas e as doces ovelhas, ergueu muito alto o seu canto de glória em louvor do Senhor.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

DEUS E CRISTO

Papa Pio XII 

O povo e a sociedade têm necessidade de conhecer a Deus. Os tremendos acontecimentos a que hoje assistimos, são principalmente conseqüência e quase a "nêmesis" da negação de Deus e da irreligiosidade, que como um contágio perturba e corrompe a alma dos povos e como um incêndio ameaça invadir a Europa e continentes inteiros; em igual tempo são uma prova, por meio da qual o Senhor com voz potente quer chamar o gênero humano à fé e ao serviço divino. Mas quem jamais se preocupa de conhecer a Deus? Quem o procura pelos caminhos da verdade? Quem se entrega à ciência da fé? Dai um olhar às assembléias dos sábios do mundo, aos palácios das ciências, aos volumes dos filósofos modernos, ao íntimo de tantas famílias. Interrogai os doutos imersos na procura dos mistérios da natureza, dos acontecimentos dos povos, do espírito humano, e perguntai-lhes: Quem é Deus? que pensam ou que acreditam de Deus? Para muitos Deus é novamente o Deus ignoto dos atenienses; e pareceria um redivivo Paulo de Tarso quem nos areópagos do saber moderno, sempre ávidos de novidades, aos novos alunos da Stoa e de Epicuro falasse ou desvendasse um Deus, criador do universo e de todo o gênero humano, de um só sobre a face da terra um Deus não distante de nós, no qual vivemos, nos movemos e permanecemos não semelhante aos artifícios do pensamento humano; um Deus que, não se preocupando com os tempos da ignorância, intima fazer penitência a todos os homens, que com justiça julgará no dia fixado por meio de um Homem, estabelecido juiz por Ele com ressuscitá-lo da morte. Em outros tempos, menos soberbos do que os nossos, também os estudiosos das diversas ciências se gloriavam de escutar nos ateneus públicos os mestres de teologia, desta superior sabedoria; enquanto por ora, se nos adultos não é mais glória a ignorância de Deus, é muitas vezes um lamento que se versa sobre escola e classes, as quais subtraíam ou negavam ou envenenavam não só o leite, mas também o sólido alimento da divina doutrina, a alma natural e sacramentalmente cristãs (1).

***

O divino Salvador está conosco, não já como uma sombra fugaz da fama e do nome que fica sobre o túmulo e sobre os monumentos dos grandes homens que passam, mas como Deus presente em sua divindade e humanidade. Deus escondido na sombra dos pães multiplicados, sombra que Nos parece divisar nas trevas do Lago de Tiberíades, naquela noite em que Cristo caminhava sobre as ondas, e aos discípulos que estavam remando com fadiga, pareceu um fantasma. Não, não é um fantasma o Deus dos tabernáculos, que adoramos. É o mesmo que então disse aos pávidos discípulos: Tende confiança; sou eu, não temais. É aquele mesmo que disse: Eis-me convosco todos os dias até a consumação dos tempos. É o mesmo que caminha sobre as ondas dos séculos, senhor dos ventos e das procelas humanas. Ele caminha sobre ondas tempestuosas ao lado e diante da Igreja; responde aos seus ministros que o chamam com voz sagrada, a eles por Ele concedida, e aos seus altares convida e reúne desde vinte séculos as nações e as gentes, os povos e os que reinam, os mártires e as virgens, os pontífices e os sacerdotes, prostrados a adorá-lo presente, e a amá-lo escondido, a invocá-lo companheiro na alegria e na dor, na vida e na morte.
O Deus dos altares está no meio de nós, invisível mas testemunho fiel primogênito entre os mortos, príncipe dos reis da terra, que nos amou e nos lavou de nossos pecados, com o próprio sangue e nos fez reino e sacerdotes a Deus seu Pai; o primeiro e o último, o vivente que esteve morto e está vivo nos séculos dos séculos.
Mas é ao mesmo tempo em nosso meio, o Deus do arcano. É o mistério da fé, centro do incruento divino sacrifício, cioso segredo da Esposa de Cristo, a qual nos primeiros séculos de sua imutável juventude amou esconder sob o véu do arcano também seus tenros filhos; arcano feito mistério de um mistério, escondido desde séculos eternos em Deus. Diante deste mistério se inclinaram no pó os apóstolos e os mártires; nas basílicas, os pontífices; nos desertos e nos cenóbios, os monges e os anacoretas; nos claustros, as virgens, nos campos de luta, os esquadrões; nas catedrais, os doutores, nas estradas, os povos; Cristo estava em meio a eles; mas quem o viu? quem o divisou? Bem-aventurados aqueles que não o viram e acreditaram: "Beati qui non viderunt et crediderunt".
A fé passa além de todo véu, penetra todo arcano; e quanto mais vivo prossegue, tanto mais luz adquire, reinflama-se e exalta-se em si mesma, faz do próprio mistério o farol e o fogo de sua vida e de sua obra.
Cristo, porém, não está presente apenas em meio ao mundo, mas

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Uma poesia franciscana

Augusto Meyer

Sor Aqua

Entre os galhos negros e capororóca,
Que estranho fruto luminoso amadurece?

(É a lua...)

Há um véu de neblina sobre o campo.
A chuva de ontem foi tão boa para os sapos.

Cheira a brejo.
Malícias de água, bisbilhos.

Ser um talo de erva.
Ser humilde e bom como a chuva no capim.

Não pensar que há lábios mortos que têm sede,
Que há pobrezinhos na penumbra de hospitais...

Não pensar em mim.

Irmã Chuva.
Eu quero dormir sob a carícia fluída e fria dos teus dedos,
Dos teus mil dedos sobre mim que vão e vêm,
(a chuva ri, a chuva canta quando cai...),
Quero aprender a ser uma água dócil,
Para abençoar a minha dor.

Amém.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Pensamento do dia 07/09/2012


"Se pudéssemos ver os fios sutis com que a Providência urde a tela de nossa vida, apoderar-se-iam de nós sentimentos de gratidão e amor para com nosso bom Pai celestial e, deixando nas Suas mãos todo o cuidado sobre o nosso futuro, contentar-nos-íamos de ser a pequena lançadeira que doce e calmamente desliza entre os fios da urdidura divina." 
(Santo Antão)