quinta-feira, 15 de março de 2012

A vida de São José. (Rev. Alban Butler (1711-73) Vol. III – Março – A Vida dos Santos, 1866.)

Nota do blogue: Texto extraído do blogue SPES.

São José, rogai por nós!

O GLORIOSO São José era descendente direto dos grandes reis da tribo de Judá, e dos mais ilustres patriarcas; mas sua verdadeira glória consistiu em sua humildade e virtude. A história de sua vida não foi escrita por homens, mas suas ações principais foram registradas pelo próprio Espírito Santo. Deus delegou-lhe a educação de seu divino Filho, manifestado na carne. Para este fim, ele esposou a Virgem Maria. É um erro evidente de alguns autores considerar que, de uma ex-mulher, ele fosse pai de São Tiago Menor, e de outros que nos evangelhos são referidos como irmãos do Senhor: pois havia apenas primos-primeiros de Cristo, os filhos de Maria, irmã da Virgem Santíssima, esposa de Alfeu, que ainda vivia no tempo da crucificação do Redentor. São Jerônimo assegura-nos[1] que São José sempre preservou sua castidade virginal; e é de fé que nada contrário a isto jamais ocorreu em relação à sua casta esposa, a Virgem Maria Santíssima. Ele lhe foi dado pelo céu para ser o protetor de sua castidade, para defendê-la de calúnias na ocasião do nascimento do Filho de Deus, e para assisti-la na educação d’Ele, em sua caminhada, fatigas e perseguições. Quão imensa foi a pureza e santidade daquele que foi escolhido como guardião da mais imaculada Virgem! Este homem santo parece ter desconhecido, por tempo considerável, o grande mistério da Encarnação, que fora nela forjado pelo Espírito Santo. Consciente, contudo, de seu próprio comportamento casto em relação a ela, era natural que uma grande preocupação surgisse em seu interior, ao descobrir que, não obstante a santidade do comportamento dela, com toda a certeza ela estava grávida. Mas sendo um homem justo, como as Escrituras o chamam, e conseqüentemente possuidor de todas as virtudes, especialmente a caridade e a mansidão em relação ao próximo, ele estava determinado a deixá-la em segredo, sem condená-la ou acusá-la, entregando tudo a Deus. Estas suas perfeitas disposições foram tão aceitáveis a Deus, o amante da justiça, caridade e paz, que antes que ele executasse o planejado, Ele enviou um anjo do céu, não para repreender qualquer coisa de sua santa conduta, mas para dissipar todas as suas dúvidas e temores, revelando-lhe o adorável mistério. Quão felizes seríamos se fossemos tão delicados em tudo que se relacionasse à reputação do próximo; tão livres de maus pensamentos ou suspeições, qualquer que fosse a certeza que fundamentasse nossas conjecturas ou nossos sentidos; tão controlados em usar nossa língua! Cometemos estas faltas somente porque, em nossos corações, somos desprovidos daquela verdadeira caridade e simplicidade da qual São José nos deu tão eminente exemplo naquela ocasião.

Podemos admirar em secreta contemplação, com que devoção, respeito e delicadeza ele contemplava e adorava o primeiro de todos os homens, o recém-nascido Salvador do mundo, e com que fidelidade ele se desincumbia de suas duas responsabilidades, a educação de Jesus e a guarda de sua santa mãe. “Ele foi verdadeiramente o servo fiel e prudente,” diz São Bernardo,[2] “a quem nosso Senhor nomeou para o chefe do lar, o conforto e apoio de Sua mãe, Seu padrasto, e o mais fiel colaborador na execução de seus mais profundos conselhos na terra.” “Que felicidade,” diz o mesmo padre, “não somente ver Jesus Cristo, mas também ouvi-Lo, carregá-Lo em seus braços, levá-Lo a lugares, abraçá-Lo e acariciá-Lo, alimentá-Lo, compartilhar todos os grandes segredos que eram ocultados dos príncipes deste mundo.”

“Oh, assombrosa elevação! Oh, incomparável dignidade!” clama o piedoso Gerson,[3] numa devota alocução a São José, “que a mãe de Deus, rainha dos céus, o chame de senhor; que o próprio Deus feito homem o chame de pai e obedeça suas ordens. Oh, gloriosa Tríade na terra, Jesus, Maria e José, que família mais querida à gloriosa Trindade nos céus, Pai, Filho e Espírito Santo! Nada é tão grande na terra, tão bom, tão excelente.” Em meio a estas graças extraordinárias, que coisa há mais maravilhosa que sua humildade! Ele oculta seus privilégios, vive como um homem obscuro, não escreve nada acerca dos grandes mistérios de Deus, não indaga mais nada sobre os mistérios de Deus, deixando a Deus a decisão de manifestá-los em Seu próprio tempo, procura cumprir a ordem da providência a seu respeito, sem interferir com qualquer coisa, exceto a que lhe diz respeito. Embora descendente da família real que tivera uma longa possessão do trono da Judéia, ele se contenta com sua condição de mecânico e artesão,[4] de cujo trabalho tira o sustento para manter a si próprio, a sua esposa e a seu divino filho.

Seríamos ingratos a este grande santo se não lembrássemos que é a ele, como instrumento de Deus, que devemos a preservação do menino Jesus do ciúme e da malícia de Herodes, manifestada na matança dos Inocentes. Um anjo, que lhe apareceu em sonho, ordenou-lhe que levantasse, tomasse o menino Jesus, fugisse com ele para o Egito e ficasse lá até que lhe fosse ordenado que voltasse. Esta repentina e inesperada fuga deve ter causado muitos inconvenientes e sofrimentos a José, numa viagem tão longa, com uma criança pequena e uma virgem delicada, grande parte do caminho sendo através de desertos e em meio a estranhos; mesmo assim, ele não alegou nenhuma desculpa, nada perguntando acerca do momento do retorno. S. Crisóstomo observa que Deus trata assim todos os seus servos, enviando-lhes freqüentes provas, para livrar seus corações da ferrugem do amor-próprio, mas entremeando períodos de consolação.[5] “José”, diz ele, “está ansioso ao ver a Virgem com o filho; um anjo remove o temor; ele regozija-se com o nascimento da criança, mas um grande temor sucede; o rei furioso procura destruir a criança e toda a cidade está em alvoroço para tirar sua vida. Isto é seguido por uma nova alegria, a adoração dos Magos: uma nova tristeza então surge; ele recebe a ordem de fugir para um país estrangeiro e desconhecido, sem auxílio ou alguém conhecido.” É a opinião dos Padres da Igreja, que com a presença do menino Jesus, todos os oráculos daquele país supersticioso ficaram mudos, e as estátuas de seus deuses estremeceram e, em muitos lugares, caíram por terra, de acordo com Isaías 19: E as estátuas egípcias estremecerão diante d’Ele.[6] Os Padres também atribuem a esta divina visita as graças derramadas naquele país, que fez dele, por muitos anos, um campo fértil de santos.[7]

Depois da morte do rei Herodes, que foi informada a São José por meio de uma visão, Deus ordenou-lhe o retorno, com a criança e a mãe, para a terra de Israel, ordem que nosso santo prontamente obedeceu. Mas quando ele chegou à Judéia, sabendo que Arquelau sucedera Herodes naquela parte do país, temendo que ele tivesse sido infectado pelos vícios de seu pai – crueldade e ambição – ele temeu, por isso, lá se estabelecer, como ele teria, de resto, feito, pelas facilidades de educação da criança. E assim, sendo orientado por Deus em nova visão, ele se fixou nos domínios do irmão de Arquelau, Herodes Antipas, na Galiléia, em sua residência anterior, em Nazaré, onde as maravilhosas ocorrências do nascimento de Nosso Senhor eram menos conhecidas. São José, sendo um austero observante da Lei Mosaica, em conformidade com ela, anualmente visitava Jerusalém para celebrar a páscoa. Arquelau, tendo sido banido por Augusto, e a Judéia tendo se tornado uma província romana, José não tinha, agora, nada a temer em Jerusalém. Nosso Salvador, tendo completado doze anos de idade, acompanhou seus pais até lá; os quais, tendo realizado as cerimônias usuais da celebração, estavam agora retornando, com muitos de seus vizinhos e conhecidos, para a Galiléia. Sem nunca duvidarem que Jesus se unira ao grupo com algum amigo, viajaram durante todo dia sem procurar por Ele, antes que descobrissem que Ele não viajara com eles. Mas quando caiu a noite e eles não conseguiram obter nenhuma notícia d’Ele entre parentes e conhecidos, eles, na mais profunda aflição, retornaram com a máxima urgência a Jerusalém; onde, depois de uma busca ansiosa de três dias, eles O encontraram no templo, entre doutores da lei, ouvindo seus discursos e argüindo-os de forma a causar grande admiração a todos que O ouviam, deixando-os impressionados com a maturidade de Sua compreensão: tampouco seus pais ficaram menos surpresos na ocasião. E quando sua mãe contou-lhe a aflição e o afinco com que Lhe procuraram, e para expressar sua tristeza por aquela privação, embora de curta duração, de sua presença, disse a Ele: “Filho, por que procedestes assim conosco? Eis que seu pai e eu andávamos angustiados à tua procura;” ela recebeu como resposta que, sendo o Messias e Filho de Deus, enviado por seu Pai ao mundo para redimi-lo, Ele deve cuidar das coisas do Pai, as mesmas pelas quais Ele fora enviado ao mundo; e portanto, era muito provável que eles O encontrassem na casa de Seu Pai: dando a entender que sua aparição em público naquela ocasião era para manifestar a honra de Seu Pai, e para preparar os príncipes dos judeus para recebê-lo como seu Messias; advertindo-os, a partir dos profetas, acerca do tempo de Sua vinda. Mas, embora permanecendo assim no templo sem o conhecimento de seus pais, Ele tenha feito algo sem a permissão deles, em obediência ao Seu Pai celeste, em todas as outras coisas, Ele lhes foi obediente, retornando com eles para Nazaré, e lá vivendo numa obediente sujeição a eles.

Aelred, nosso compatriota, abade de Rieval, em seu sermão sobre a perda do menino Jesus no templo, observa que essa Sua conduta em relação a Seus pais é uma verdadeira representação do que ele nos mostra, quando ele, não raro, se afasta de nós por um curto período para nos fazer procurá-Lo com mais afinco. Ele assim descreve os sentimentos de Seus santos pais naquela ocasião:[8] “Consideremos o que era a felicidade daquele abençoado grupo, no caminho de Jerusalém, a quem foi dado contemplar Sua face, ouvir Suas doces palavras, ver n’Ele os sinais da sabedoria e virtude divinas; e em suas conversações receber a influência de Suas verdades que salvam e de Seus exemplos. Os velhos e os jovens O admiravam. Creio que os meninos de Sua idade ficavam atônitos com a gravidade de suas maneiras e palavras. Creio que tais raios de graça lançados de Seu abençoado semblante atraiam os olhos, ouvidos e corações de todos. E quantas lágrimas eles não derramavam quando estavam longe d’Ele?” Ele continua, considerando qual deve ter sido o desconsolo dos pais quando eles O perderam; quais foram seus sentimentos e quão veemente fora sua procura: mas que alegria quando eles O encontraram novamente! “Revela-me”, diz ele, “Oh, minha Senhora. Oh, Mãe de meu Deus, quais foram seus sentimentos, seu assombro e sua alegria quando a senhora O viu novamente, sentado, não entre meninos, mas no meio de doutores da lei: quando a senhora viu os olhos de todos fixados n’Ele, os ouvidos de todos O escutando, grandes e pequenos, instruídos ou não, atentos somente em suas palavras e movimentos. A senhora diz então: encontrei Quem eu amo. Eu O abraçarei e não O deixarei mais se afastar de mim. Abrace-O, doce Senhora, segure-O firme; lance-se ao Seu pescoço, demore em seu peito, e compense os três dias de ausência multiplicando os gozos de vosso atual desfrute d’Ele. Diga-Lhe que a senhora e Seu pai o procuraram em aflição. Por que se afligiram?, não por temor que Ele ficasse com fome ou necessitasse de algo, pois vocês sabiam que Ele era Deus: mas creio que vocês se afligiram por se verem privados dos gozos de Sua presença, mesmo por um curto período; pois o Senhor Jesus é tão doce para aqueles que O experimentam, que a mais mínima ausência é um motivo da maior aflição para eles.” Esse mistério é um emblema da alma devota, que Jesus por vezes se afastando e deixando-a na secura, a faça procurá-Lo com mais fervor. Mas, acima de tudo, quão fervorosamente não deve a alma que perdeu a Deus pelo pecado procurá-Lo novamente, e quão amargamente ela não deve deplorar sua extrema infelicidade!

Como nenhuma outra menção é feita a São José, ele deve ter morrido antes das bodas de Caná e do começo do ministério de nosso divino Salvador. Não podemos duvidar que ele tenha tido a felicidade da presença de Jesus e Maria em sua morte, rezando ao seu lado, assistindo-o e confortando-o nos seus últimos momentos. Por isso, ele é particularmente invocado pela grande graça de uma morte feliz e pela presença de Jesus nesta hora tremenda. A Igreja lê a história do patriarca José no seu dia, este que era chamado o salvador do Egito, que ele livrou de uma fome fatal; e foi nomeado o mestre fiel da casa de Putephar, do faraó e seu reino. Mas nosso grande santo foi escolhido por Deus como o salvador da vida do verdadeiro Salvador das almas dos homens, resgatando-O da tirania de Herodes. Ele está agora glorificado nos céus, como o guardião e mantenedor de seu Senhor na terra. Como o faraó dizia aos egípcios em suas tribulações: “Ide a José;” que nós confiantemente nos dirijamos à mediação dele, a quem Deus, feito homem, esteve sujeito e obediente na terra.

O devoto Gerson expressou a mais calorosa devoção a São José, que ele empenhou-se em promover por cartas e sermões. Ele compôs um ofício em sua honra, e escreveu sua vida em doze poemas, chamados Josefina. Ele engrandeceu todas as circunstâncias de sua vida através de piedosas afeições e meditações. Santa Teresa o escolheu o principal patrono de sua ordem. No sexto capítulo de sua vida, ela escreveu assim: “Escolhi o glorioso São José para meu patrono, e me recomendo singularmente a sua intercessão em todas as coisas. Não me lembro de ter suplicado a Deus alguma coisa por seu intermédio que eu não tivesse conseguido. Nunca conheci alguém que, por sua invocação, não tenha muito avançado na virtude: pois ele assiste de uma forma maravilhosa todos que se dirigem a ele.” São Francisco de Sales, ao longo de seus “dezenove entretenimentos”, recomendava grandemente a devoção a São José, e exaltava seus méritos, principalmente sua virgindade, humildade, constância e coragem. Os sírios e outras igrejas orientais celebram sua festa em 20 de julho; a Igreja ocidental, em 19 de março. O papa Gregório XV, em 1621, e Urbano VIII, em 1642, ordenou manter esta data como feriado de guarda.

A Sagrada Família de Jesus, Maria e José, nos apresenta o mais perfeito modelo de convivência na terra. Como aqueles dois serafins, Maria e José, viviam em sua pobre casa! Eles sempre desfrutavam da presença de Jesus, sempre se abrasando no mais ardente amor por Ele, inviolavelmente ligados à Sua sagrada Pessoa, sempre ocupados e vivendo apenas por Ele. Quantos foram seus êxtases em contemplá-Lo, qual foi sua devoção em ouvi-Lo, e seu gozo em possuí-Lo! Oh, vida celestial! Oh, antecipação da beatitude celestial! Oh, convívio divino! Podemos imitá-los, e compartilhar algum grau dessas vantagens, ao conversar freqüentemente com Jesus, e ao contemplar sua mais amigável bondade, acendendo o fogo de Seu divino amor em nosso peito. Os efeitos desse amor, se ele for sincero, aparecerá necessariamente na adoção de Seu espírito, na imitação de Seu exemplo e virtudes; e em nosso esforço em caminhar continuamente na presença divina, encontrando Deus em todos os lugares, e na consideração de todo o tempo perdido que não dedicamos a Deus, ou à Sua honra.

[1] L. adv. Helvid. c. 9.
[2] Hom. 2. super missus est, n. 16. p. 742.
[3] Serm de Nativ.
[4] Isto aparece em: Mat 23:55; S. Justino (Dial. n. 89. ed. Ben. p. 186.); S. Ambrósio (in Luc. p. 3.). Theodoreto (b. 3. Hist. c. 18.) diz que ele trabalhou em madeira, como carpinteiro. S. Hilário (in Matt. c. 14. p. 17.) e S. Pedro Chrisólogo (Serm. 48.) dizem que ele trabalhava em ferro como ferreiro; provavelmente ele trabalhou tanto em ferro quanto em madeira; opinião esposada por S. Justino, que diz: “Ele e Jesus fabricavam arados e parelhas de bois”.
[5] Hom. 8. in Matt. t. 7. p. 123. ed. Ben.
[6] Isto é afirmado por: S. Atanásio (1. de Incarn.); Eusébio (Demonstrat. Evang. l. 6. c. 20.); S. Cirilo (Cat. 10.); S. Ambrósio (in Ps. 118. Octon. 5.); S. Jerônimo (in Isai. 19.); S. Crisóstomo e St. Cyril of Alexandria, (in Isai.); Sozomeno, (l. 5. c. 20.); etc.
[7] Note 7. Ver, Vidas dos Santos dos Pais do Deserto.
[8] Bibl. Patr. t. 13.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Pensamento da noite de 14/03/2012

"Somos solidários uns dos outros, dependemos daqueles que lutam e sofrem conosco, religiosos ou leigos, colaboramos, construímos em conjunto a cidade de Deus. Em certo sentido é uma carga, porque sabemos que as almas esperam o nosso auxílio, mas é uma fonte de resistência porque, em troca de tudo o que nós damos, recebemos cem por um. O único meio, com efeito, de receber a abundância da graça é dar tudo o que se tem."
(Por um cartuxo anônimo)

ESPECIAL: Securas e desconsolações na vida de oração

Nota do blogue: Inicio hoje um pequeno especial com textos extraídos do livro Exercícios de Perfeição e Virtudes Cristãs pelo V. Padre Afonso Rodrigues que abordam o tema: Securas e desconsolações na vida de oração. Um tema muito interessante e que pode trazer "luz e calor" para muitos.

Que Nossa Senhora das Dores nos guie!

Saudações,
Letícia de Paula

Títulos das postagens:

1.ª- Da conformidade que devemos ter com a vontade de Deus nas securas e desconsolações da oração, e que se entende aqui por desconsolação e secura. (Texto logo abaixo)







1.ª- Da conformidade que devemos ter com a vontade de Deus
nas securas e desconsolações da oração, 
e que se entende aqui por desconsolação e secura.

Devemos conformar-nos com a vontade de Deus não somente nas coisas exteriores, naturais e humanas, mas também naquilo que a muitos parece que é bom desejar sem medida nos bens espirituais e sobrenaturais, como são as consolações divinas, as mesmas virtudes, o dom de oração, a paz, o sossego e quietação interior de nossa alma, e as mais vantagens espirituais. Porém perguntará alguém: Então pode haver nestas coisas vontade própria e amor desordenado de si mesmo, para que seja necessário moderá-lo ainda nestas coisas? Digo que sim; e aí se verá quão grande é a malícia, do amor próprio, pois em coisas tão boas não teme introduzir o seu veneno. Boas são as consolações e gostos espirituais, porque com eles facilmente a alma aborrece e despreza todos os prazeres e gostos da terra que são o alimento dos vícios, e se alenta e anima para caminhar com fervor no serviço de Deus, conforme aquilo do profeta: Corria eu com ligeireza pelo caminho de vossos mandamentos, quando vós, Senhor, dilatáveis meu coração (1). Com a alegria e consolação espiritual dilata-se e reforça-se o coração, e ao revés, comprime-se e aparta-se com a tristeza. Diz pois o profeta David que quando Deus lhe mandava consolações, lhe eram como asas que o faziam correr e voar pelo caminho da virtude e dos mandamentos do Senhor.

Ajudam também muito as consolações espirituais para cada um quebrantar à própria vontade, vencer os apetites, mortificar a carne e levar com maior ânimo a cruz e os trabalhos que se oferecerem. E assim costuma Deus conceder consolações espirituais àquele a quem há de mandar trabalhos e tribulações, para que por meio delas se prepare e disponha para os levar com paciência e com proveito, como vemos que Jesus Cristo Nosso Redentor quis primeiro consolar a Seus discípulos no monte Tabor com a Sua gloriosa transfiguração, para que depois se não perturbassem vendo-O padecer e morrer em uma cruz. E vemos também que aos principiantes costuma Deus de ordinário dar estas consolações espirituais, para os fazer deixar eficazmente os gostos da terra pelos do céu; e depois que os têm presos com Seu amor, e os vê bem fundados na virtude, os costuma exercitar com securas, para que adquiram mais humildade e paciência, e mereçam maior aumento de graça e glória, servindo a Deus mais pura e desinteressadamente sem consolações.

Esta é a causa por que alguns no princípio, quando entram na Religião, e ainda talvez lá fora nas vésperas de entrar, sentiam mais gostos e consolações espirituais que depois; e a razão é porque os tratava Deus então conforme à sua idade, dando-lhes leite como a meninos para os arrancar e desapegar do mundo, e fazer que o aborrecessem, e fugissem das suas vaidades. Porém depois, que já podem comer pão duro e sólido, dá-lhes Deus manjar próprio de pessoas grandes. Para estes e outros fins semelhantes costuma o Senhor dar as consolações e gostos espirituais; e assim nos aconselham comumente os Santos que no tempo da consolação nos preparemos para o da tentação, como no tempo da paz se preparam os homens para a guerra, pois costumam as consolações ser véspera de tentações e tribulações espirituais.

De maneira que os gostos espirituais são muito bons e úteis, se sabemos usar bem deles; e assim quando o Senhor os der, devemos recebê-los com ações de graças. Porém se algum parasse nestas consolações, e as desejasse só por seu contentamento, pelo gosto e prazer que nelas sente a alma, seria vício e amor próprio desordenado. Assim como nas coisas necessárias para a vida, como é o comer, beber, dormir e outras coisas, se o homem tivesse por fim destas ações só o deleite, seria culpa; assim também na oração, se tivéssemos por fim único estes gostos e consolações espirituais, seria vício de gula espiritual. Não se hão de desejar nem tomar estas coisas só por gosto e contentamento nosso, senão como meio que nos ajuda para os fins da virtude e perfeição que temos dito. Assim como o enfermo que aborrece o mantimento de que tem necessidade, se alegra quando acha algum gosto nele, não pelo sabor, mas porque lhe abre o apetite para poder comer e conservar a vida; assim o servo de Deus não há de querer a consolação espiritual para nela parar e descansar, mas sim para que com este refresco do céu se anime e alente a alma a trabalhar no caminho da virtude, e a perseverar nele constantemente. Deste modo não se desejam os gostos só por serem gostos, senão pela maior glória de Deus, enquanto redundam em maior honra e glória Sua.

Mas digo mais. Ainda que o homem deseje as consolações espirituais deste modo e para os sobreditos fins, tão bons e santos, pode com tudo isso haver excesso nos tais desejos, e mistura de amor próprio desordenado, como por exemplo, se as deseja desordenadamente e com ânsia demasiada, de tal modo que, se lhe faltam não fica tão satisfeito e conforme com a vontade de Deus, mas inquieto, queixoso e com pena. Essa é afeição e cobiça espiritual desordenada; porque o servo Deus não há de estar tão apegado aos gostos e consolações espirituais, que esse amor lhe perturbe a paz e o sossego de sua alma, e a conformidade que deve ter com a vontade de Deus, se ele não for servido conceder-lhos. E a razão é porque a vontade de Deus é melhor que tudo, e mais que tudo importa que nos conformemos e contentemos com o que Deus quer. O que digo dos gostos e consolações espirituais, entendo também do dom de oração e da entrada que nela desejamos ter, e da paz, sossego e quietação interior de nossa alma, e de todas as mais coisas espirituais, porque no desejo de todas elas pode também haver afeição e cobiça desordenada, quando se desejam com tanta ânsia e com tal apetite que, se um não alcança o que deseja, anda queixoso, descontente e menos conforme com a vontade de Deus.

Portanto agora entenderemos por gostos e consolações espirituais não só a devoção, o gosto e a satisfação sensível, mas também a mesma substância e dom da oração, o entrar e estar nela com aquela quietação e sossego que queremos. E disto precisamente trataremos principalmente agora, mostrando como nos devemos conformar também neste ponto com a vontade de Deus, sem andar com demasiada cobiça, ânsia e sofreguidão em busca destas coisas espirituais; porque tudo o que se refere a gostos, consolações e devoções sensíveis, facilmente o renunciaríamos, se nos dessem o substancial da oração, e se sentíssemos em nós o fruto dela; e todos entendem que não consiste a oração nesse gosto, devoção e ternura; e assim para prescindirmos disso pouca virtude é necessária.

Porém isto de ir um à oração, e estar ali como se fosse uma pedra, com tão grande secura que parece não há para ele entrada, mas antes, que Deus Se fechou e escondeu para ele, e que lhe sobreveio já aquela maldição com que Deus ameaça o seu povo: E de cima vos darei um céu de ferro e uma terra de bronze (2),  não há dúvida que é coisa dura, e que para isso se requer mais virtude, e maior fortaleza. A esses parece-lhes que o céu revestiu para eles a dureza do ferro, e que a terra se lhes converteu em bronze, porque não chove uma gota de água celeste que lhes abrande o coração para que produza algum fruto com que se alimentem, mas só encontram uma esterilidade e secura continuada.

E não é só a secura; mas algumas vezes sofrem uma tão grande distração e variedade de importunos pensamentos, e por vezes tão maus e tão feios, que parece não vão à oração senão para serem tentados e atormentados com todo o gênero de tentações. Dizei então a um destes que medite nessas ocasiões na morte, ou em Cristo crucificado, que, de ordinário, é muito bom remédio; e vereis como vos responde: “Isso já sei muito bem; se eu pudesse fazer isso, não me queixava, pois nada me faltava”. Mas às vezes na oração está um de tal sorte, que nem sequer nisso pode ocupar o pensamento; e ainda que traga coisas à memória, não o movem ao recolhimento, nem sente devoção alguma nem lhe fazem a mínima impressão. Isto é o que chamamos desconsolação, secura e desamparo espiritual, e nisto é necessário que nos conformemos também com a vontade de Deus.

Este ponto é de muita importância, por ser uma das queixas mais comuns, e uma das maiores tribulações que sentem os que tratam da oração, porque todos gemem e choram quando se acham deste modo. Como ouvem por uma parte dizer tantos bens e louvores da oração, e que quanto mais um se dá a ela, tanto mais aproveita naquele dia e em toda a vida; que este é um dos principais meios que há, tanto para o próprio adiantamento como para o dos próximos; e por outra parte se vêem, ao seu parecer, tão longe de terem oração: dá-lhes isto muita pena, e lhes parece que Deus os tem desamparado, e se tem esquecido deles, e lhes vem um grande temor, cuidando que terão perdido a amizade e a graça de Deus, por lhes parecer que não acham nEle acolhimento.

A estes vem nova tentação; pois vendo que outras pessoas em poucos dias crescem e avançam tanto na oração, quase sem trabalho, e que eles trabalhando tanto, não alcançam nada: disto mesmo lhes nascem coisas piores, como são queixarem-se às vezes de Nosso Senhor porque os trata deste modo, quererem deixar o exercício da oração parecendo-lhes que não é para eles, pois tão mal lhes vai nela; e tudo isto se lhes agrava e lhes dá maior pena, quando o demônio lhes traz à lembrança que eles são a causa de tudo isto, e que por sua culpa os trata Deus assim. Com isto vivem alguns muito descontentes, e saem da oração como de um tormento, desolados, tristes, melancólicos e insofríveis para si e para os outros que tratam com eles. Por esta causa iremos respondendo e satisfazendo a esta tentação e a esta queixa com a graça do Senhor.

Notas:

1-     Viam mandatorum tuorum cucurri, cum dilatasti cor meum. Ps. CXVIII,32.
2-     Daboque vobis coelum desuper sicut ferrum, et terram aeneam. Levit. XXVI,19; Deut. XXVIII,23.


(Exercícios de Perfeição e Virtudes Cristãs pelo V. Padre Afonso Rodrigues da Companhia de Jesus, versão do Castelhano por Fr. Pedro de Santa Clara, 4.ª Edição, primeira Parte, Tomo II.)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Pensamento da noite de 12/03/2012


"Oh! se o Senhor nos abrisse os olhos, como veríamos mais claro que a luz do sol, que todas as coisas da terra e do céu são muito baixas para serem desejadas ou possuídas, se delas se aparta a vontade de Deus, e que não há coisa por pequena e amarga que seja, que, se vem junta com a vontade de Deus, não seja de muito valor! Vale muito mais sem comparação estar no meio de trabalhos, desolações, securas e tentações, se o Senhor assim o quer, do que todos os gostos e consolações e que todas as contemplações, se delas se aparta a vontade divina."
(P. Mestre Ávila)

domingo, 11 de março de 2012

Pensamento da noite de 11/03/2012


"O Sinal da Cruz é a armadura invencível dos Cristãos. Esta armadura que te não falte ó Soldado de Cristo, nem de dia nem de noite, nem um instante, seja qual for o lugar em que te aches. Quer durmas, quer vigies, quer trabalhes, quer comas, quer bebas, quer navegues, quer atravesses rios, sempre andarás revestido desta couraça. Orna e protege teus membros com este Sinal vencedor e nada te poderá fazer mal. Contra as setas do inimigo, não há escudo mais poderoso. A vista deste Sinal, trêmulas e aterradas fugirão as potências infernais."
(São João Crisóstomo)

sábado, 10 de março de 2012

ATENÇÃO: Hoje inicia-se a Novena de São José

Obtenha a novena AQUI


Monsenhor Tihamér Tóth (Matrimônio/Divórcio/Família)


EL MATRIMONIO

No hay tema más candente y actual que la cuestión del matrimonio. Cuestión de importancia suma.

¿A quién se le escapa su importancia decisiva? Es indudable que la Humanidad se halla hoy día ante los problemas del matrimonio como ante una esfinge misteriosa.

El hombre moderno ha logrado, con descubrimientos incomparables, levantar cada vez más el velo del rostro oculto de la Naturaleza; el hombre moderno ha creído que también podía resolver el problema del matrimonio a su antojo, buscando soluciones meramente humanas.

Pero ha tenido que sufrir un gran desengaño. Ha tenido que darse cuenta, después de sufrir muchas experiencias dolorosas, que el matrimonio no es un problema de matemáticas que él pueda resolver del todo con su razón. No. El matrimonio viene a ser «una ecuación con varias incógnitas»; problema que no puede resolverse con las matemáticas humanas, porque el matrimonio — según la expresión de San Pablo— es «misterio grande» (Ef 5, 32), y el maestro, que puede resolverlo, no es sino el hombre que radica en Dios.

Hagamos la pregunta: ¿Qué es propiamente el matrimonio?, y dirijámosla a la juventud moderna. Veremos qué concepto más bajo, qué concepto más pagano se tiene del sagrado vínculo.

¿Qué es el matrimonio moderno? El un paso previo para el divorcio.

¿Qué es el matrimonio moderno? Una sociedad provisional fundada en el mutuo goce.

¿Qué es el matrimonio moderno? El negocio abierto del «doy para recibir».

¿Es institución divina el matrimonio? De ninguna manera —gritan las partes que lo contraen sin pensar en Cristo.

¿Es el matrimonio indisoluble? No.

¿Es Dios quien concede hijos? No, somos nosotros los que los que permitimos que nazcan.

¿Es una bendición de Dios la familia numerosa? No. Sino todo lo contrario: es una insensatez, una desgracia que sólo les pasa a los tontos, un no estar al tanto de lo que pasa en el mundo...

Y ¿cuál es el concepto católico sobre el matrimonio? Es un concepto sublime. Según la Iglesia, el matrimonio: a) es la relación que existe entre Cristo y su Iglesia; b) es la ayuda mutua de los esposos, y c) finalmente, es la participación en la obra creadora de Dios. Sí: más allá de la biología, más allá del contrato natural, la Iglesia ve otras cosas y no cesa de repetir su concepto sublime.

El matrimonio, en la concepción católica, no es el amor sentimental de la luna de miel. Los sentimientos y todo lo que de ellos brota —los juegos, mimos y caricias—, pasan con el tiempo; pero deben perseverar dos voluntades firmes que digan: vivimos el uno por el otro y por los hijos; nos ayudamos con mutuo amor, estamos dispuestos a cargarnos de sacrificios y renuncias el uno por el otro.

Esta voluntad en común, esta compenetración mutua de los esposos, viene a ocupar el puesto del amor sentimental de los años juveniles; y a medida que pasa el tiempo, en vez de debilitarse, se robustece con el fuego de las preocupaciones diarias de la vida familiar, y se hace cada vez más depurada y más hermosa.

Con los años el amor sensitivo deja paso a una más profunda armonía espiritual.

Para asegurar la firmeza de esta institución, la más importante de la Humanidad, Dios prohíbe cualquier ejercicio de la actividad sexual —de la fuerza creadora y de la expresión del amor mutuo— fuera del matrimonio.

Si muchos matrimonios fracasan, si la vida matrimonial es un desastre en muchos casos, en gran parte es debido a que no se ha vivido sexto Mandamiento antes del matrimonio. Porque guardan una relación íntima las dos partes del lema cristiano: «Puros hasta el altar», «Fieles hasta la muerte». Aumentaría, sin duda, el número de los matrimonios felices si fuese mayor el número de los jóvenes continentes antes de casarse.

¡Qué mayor caudal de alegría, salud e idealismo, y qué mayor equilibrio y dominio de sí mismo llevarían al matrimonio los contrayentes, si se presentasen con la pureza intacta de la juventud, con el alma y el cuerpo limpios ante el altar nupcial!

La exagerada susceptibilidad, el sentimentalismo enfermizo, la poca paciencia — causa de roces, disputas, riñas y hasta de divorcios en los matrimonios— procede muchas veces de la falta de dominio de sí mismo, de los pecados de impureza cometidos antes del matrimonio.

La vida matrimonial está llena de sacrificios y responsabilidades.

Para que los esposos puedan cumplir su misión, Jesucristo ha elevado el matrimonio a la categoría de sacramento. El amor con que Cristo ama a la Iglesia, hasta dar la vida por ella, es el modelo al que deben tender los esposos en su mutuo amor.

Aunque la pasión se apague con el tiempo, la fidelidad y el amor siempre deben de crecer.

Los niños no son una carga, sino una bendición de Dios. Los esposos colaboran en la obra creadora de Dios. Ellos no deben privar al acto sexual de su finalidad principal: traer al mundo nuevos seres humanos, llamados a ser hijos de Dios.

EL DIVORCIO

El matrimonio, tal como lo ha querido Dios, es indisoluble para que pueda cumplir sus fines. Podrá haber situaciones muy difíciles en la vida matrimonial, no obstante, el matrimonio es de pos sí indisoluble.

El fin del matrimonio no se limita a los estrechos horizontes del individuo. Es un bien social, para el bien de la sociedad, empezando por el de los propios hijos.

Los esposos se comprometieron y se prometieron, al contraer matrimonio, a amarse siempre, hasta que la muerte los separe. El mutuo amor, que es lo contrario del egoísmo, les exige guardarse fidelidad, y aceptarse mutuamente, aunque muchas veces “no tengan ganas”. Ello implica mucho sacrificio, muchas veces heroico.

Habrá casos muy dolorosos, por incompatibilidad de caracteres, en que esto parezca casi “insoportable”, pero con la gracia de Dios nada es imposible.

No se puede permitir el divorcio; no se puede romper el vínculo de manera que después sea lícito contraer otro matrimonio, porque si una vez se permitiese, pronto la ruina sería completa. Los esposos se abandonarían justamente en los momentos críticos: cuando más lo necesitase el otro, como por ejemplo, en caso de enfermedad o de vejez.

Está comprobado: conforme las leyes civiles dan más facilidad para el divorcio, tanto más aumentan los divorcios.

Si todos supieran que no pueden divorciarse, que han de vivir juntos hasta que la muerte los separe, entonces llegarían a amoldarse el uno al otro. En cambio, si se permite el divorcio, en cuanto estalle una discusión o pelea lo suficientemente grave, fácilmente se está expuesto a exclamar: «¿No te gusta? ¡Pues al divorcio!»

No olvidemos nunca que el matrimonio es un sacramento. Los contrayentes han recibido una gracia especial para ser fuertes en la dicha y en la desgracia, en la salud y en la enfermedad, en la riqueza y en la pobreza. Con la ayuda de Dios es posible, aceptar al otro como es, con comprensión y paciencia.

Cuando uno se casa, lo hace para siempre. Si un hombre toma por esposa a una mujer, pero al mismo tiempo cuenta con la posibilidad de divorciarse un día, ¿no abre una puerta secreta en los muros del hogar, y por tanto, un obstáculo constante a la felicidad familiar? ¿Cómo ha de estar tranquila la mujer, si sabe que su marido puede abandonarla en cualquier momento?

¡Cuánto más fácil es refrenar el instinto tentador, si sabemos de antemano que nunca lo podremos satisfacer! He ahí cómo se logra todo lo contrario de lo que quieren los partidarios modernos del llamado «matrimonio de prueba»; porque si hay la posibilidad del divorcio, entonces sí que andará el mundo revuelto, y, en comparación de aquel desbarajuste, el actual será de calma chicha.

Si se admite el divorcio, las mujeres muchas veces llevan la peor parte. El hombre fácilmente encuentra de qué vivir; pero, ¿qué pasa con la mujer que ha envejecido con los años, con la mujer enferma, estrujada como un limón...?

El interés de la mujer, el del niño y el de toda la Humanidad reclaman la fidelidad de los esposos hasta la muerte.

LA FAMILIA

Una familia auténticamente cristiana se distingue fácilmente.

La familia cristiana se apoya en el espíritu de sacrificio. Porque Cristo nos dio ejemplo sacrificándose por nosotros en la Cruz.

¿Qué significa ser padre cristiano? ¡Trabajar desde la mañana hasta la noche por los demás miembros de la familia! ¿Qué significa ser madre cristiana? ¡Andar atareada de sol a sol por el esposo y los hijos! ¿Qué significa ser hijo cristiano? ¡Obedecer con respeto y amor a otros, a los padres; primero, mis padres... y sólo después yo!

En cambio, ¿cómo es una familia alejada del espíritu cristiano? Su lema: «Gozar cuanto se pueda y sacrificarse lo menos posible.» He aquí la divisa. ¡Sacrificarse! Es cosa de tontos.

Por esto huye de los hijos la familia moderna; por esto está en boga una educación blandengue, que no sabe sino mimar, a la cual le falta todo vigor; de ahí el desmoronamiento de las familias, de ahí la agonía de la vida familiar.

Mientra que si los esposos están unidos en Dios, si Cristo es el Rey de la familia, fácilmente se disfruta de la felicidad de la vida familiar. El hogar se convierte en un paraíso en la tierra.

(Cristiano en el siglo XX por Monsenhor Tihamér Tóth)

Rosa vermelha - aos pecadores

Nota do blogue: Acompanhe este Especial AQUI.


É a vós, pobres pecadores e pecadoras, que um pecador ainda maior oferece esta rosa, tingida do sangue de Jesus Cristo, para vos florescer e salvar. Os ímpios e os pecadores impenitentes gritam todos os dias: “Coronemus nos rosis”(1), coroemo-nos de rosas. Cantemos nós também: Coroemo-nos com as rosas do Santo Rosário. 

Ah, quão diferentes são as suas rosas das nossas! As suas rosas são os seus prazeres carnais, as suas honras vãs, as suas riquezas efémeras, que logo estarão murchas e corroídas; mas as nossas, que são o Pai-nosso e a Ave-maria bem rezados, a par das nossas boas obras de penitência, não murcharão, nem morrerão jamais e a sua luz será tão brilhante agora como daqui a cem mil anos. 

As rosas a que eles aspiram mais não têm que aparência de rosas, mas não são no fundo apenas espinhos pontiagudos prendendo a vida pelos remorsos de consciência, penetrantes na hora da morte pelo arrependimento e flamejantes por toda a eternidade pela raiva e pelo desespero. 

Se nossas rosas têm espinhos, são os espinhos de Jesus Cristo que converte nossos espinhos em rosas. Se nossas rosas picam, não picam senão para nos curar do pecado e nos salvar. 

Coroemo-nos à porfia dessas rosas do paraíso, rezando todos os dias um Rosário, ou seja três terços de cinco de dezenas cada um, que são como três pequenas grinaldas de flores ou coroas: 

1) para honrar as três coroas de Jesus e de Maria, a coroa de graça de Jesus em Sua encarnação, a coroa de espinhos da Sua paixão e a Sua coroa de glória no Céu, e a tripla coroa que Maria recebeu no Céu da Santíssima Trindade; 

2) para receber de Jesus e de Maria três coroas, a primeira de mérito durante a vida, a segunda de paz na hora da morte e a terceira de glória no Paraíso. 

Se fordes fiéis em rezá-lo devotamente até à morte, malgrado a gravidade dos vossos pecados, crede em mim: “Percipietis coronam immarcescibilem”(2), vós recebereis uma coroa de glória que jamais murchará. Se estiverdes sobre a borda do abismo, se tiverdes já um pé no inferno, se houverdes vendido a alma ao diabo como um feiticeiro, se fordes um herege empedernido e obstinado como um demônio, converter-vos-eis mais cedo ou mais tarde e salvar-vos-eis, contanto que, repito-o e sublinho as minhas palavras, rezeis todos os dias devotamente o Santo Rosário, até à hora da morte, para conhecer a Verdade e obter a contrição e o perdão dos vossos pecados. Neste livro encontrareis muitas histórias de grandes pecadores convertidos pela virtude do Santo Rosário. Lede-as e meditai-as. 

(1) Sb 2: 8 “Coroemo-nos de botões de rosas.” 
(2) 1 Pe 5: 4 “Recebereis a coroa imperecível de glória.”

(O Segredo Admirável do Santíssimo Rosário por São Luís Maria G. de Montfort)

sexta-feira, 9 de março de 2012

Pensamento da noite de 09/03/2012


"Se conservamos a verdadeira paciência no meio dos pesares da existência somos mártires, sem necessidade de algozes e cutelos!" 
(São Gregório o Grande)

Via-Sacra em azulejos

Nota do blogue: Gostei muito dessa Via-Sacra artesanal (azulejos), porém fui procurando uma por uma na internet e infelizmente faltou uma, a estação IX, que não encontrei de jeito nenhum. Se por acaso algum leitor conseguir essa façanha, por favor, mande-me por e-mail. Achei que valeria a pena disponibilizá-las mesmo não estando completa. Espero que gostem.

P.S: Agradeço a alma generosa que me enviou a imagem que faltava, Deus lhe pague. (atualizado no dia 09/03/2012)

VIA-SACRA
















quinta-feira, 8 de março de 2012

ROSA BRANCA: Aos padres

Nota do blogue: Acompanhe este Especial AQUI.


1. Ministros do Altíssimo, pregadores da Verdade, trombetas do Evangelho, permiti-me oferecer-vos a rosa branca deste pequeno livro, para introduzir em vosso coração e em vossa boca as verdades que aqui são expostas com simplicidade. 

Em vosso coração, para empreenderdes vós mesmos a santa prática do Rosário e saboreardes os seus frutos. Em vossa boca, para pregardes aos outros a excelência desta prática e, por este meio, convertê-los. 

Livrai-vos, peço-vos, de considerardes como o vulgo, e mesmo como muitos sábios orgulhosos, esta prática como pequena e pouco consequente, pois ela é verdadeiramente grande, sublime e divina. Foi o Céu que no-la deu, e no-la deu para converter os pecadores mais empedernidos e os hereges mais obstinados. Deus a dotou de graças nesta vida e de glória na outra. Os santos a praticaram e os soberanos Pontífices a autorizaram. 

Ah, como é feliz o padre ou o diretor espiritual a quem o Espírito Santo revelou este segredo oculto à grande maioria dos homens ou apenas conhecido superficialmente! Se ele o compreender concretamente, ele o rezará todos os dias e o fará rezar aos outros. Deus e Sua Santíssima Mãe versarão graças abundantes em sua alma para que seja instrumento de Sua glória, e colherá mais frutos com suas palavras, mesmo que simples, em um mês, que os outros pregadores em muitos anos. 

2. Não nos contentemos pois, meus caros confrades, em aconselhá-lo aos outros; é preciso que nós próprios o pratiquemos. Podemos até estar firmemente convencidos da excelência do Santo Rosário, mas se o não pusermos em prática dar-nos-ão bem pouca atenção aqueles que aconselharemos, pois ninguém pode dar o que não tem: “Coepit Jesus facere et docere” (1). Imitemos Jesus Cristo, que começou por fazer aquilo que ensinou. Imitemos os Apóstolos, que nada conheciam ou pregavam além de Jesus Cristo crucificado. 

É o que faremos pregando o Santo Rosário que, como vereis aqui mais adiante, não é somente o conjunto das orações do Pai-nosso e da Ave-maria, mas um divino resumo da vida, da paixão, da morte e da glória de Jesus e de Maria. 

Se eu cresse que a experiência que Deus me deu, da eficácia da pregação do Santo Rosário para conversão das almas, pudesse decidir-vos à sua pregação, malgrado o costume contrário dos pregadores, contar-vos-ia as conversões maravilhosas que vi ao pregá-lo; mas contentar-me-ei em contar-vos neste livrinho algumas histórias antigas e bastante comprovadas. Inseri apenas, para vosso proveito, diversas passagens latinas tiradas de bons autores que demonstram aquilo que explico ao povo em língua corrente. 

(1) Act 1: 1 “Contei toda a sequência das ações e dos ensinamentos de Jesus.”

ESPECIAL: O Segredo Admirável do Santíssimo Rosário

Nota do blogue: Agradeço a alma generosa que me enviou este belíssimo livro traduzido, Deus lhe pague. Colocarei o livro todo neste ESPECIAL.

Que Nossa Senhora do Rosário seja nosso amparo neste Vale de Lágrimas!
Saudações,

Letícia de Paula

O SEGREDO ADMIRÁVEL DO SANTÍSSIMO ROSÁRIO 
São Luís Maria G. de Montfort