domingo, 12 de fevereiro de 2012

A presença de Deus - I Parte de II


O último meio para alcançar a simplicidade, e o melhor, é o exercício da presença de Deus. É tal a sua importância que é necessário insistir nisto. 

Do mesmo modo que a simplicidade é o fundamento da perfeição, a presença de Deus é o fundamento da simplicidade. 

Realmente, consistindo a simplicidade em agir para Deus, é claro que, antes de tudo, é preciso pensar em Deus, e nEle pensareis mais e melhor se considerardes sempre a Sua presença. 

Precisemos ainda mais a influência da presença de Deus na simplicidade. 

A presença de Deus vos fará simples por duas razões: 

. Porque tornará impossível qualquer intenção má
. Porque vos conduzirá eficazmente às melhores intenções

Em primeiro lugar, o sentimento da presença de Deus fará desaparecer qualquer intenção má, destruirá a “malícia do olhar” e vos preservará do pecado. 

“É porque o pecador se esquece de que Deus o vê, diz o Salmista, que O ofende sem cessar.” [Salmo XXXV, 1-2] E, depois de haver enumerado longamente os crimes de Jerusalém, o profeta Ezequiel censura enfim o esquecimento de Deus como a causa de todas as desordens e de todos os erros. 

Quantas vezes o verificamos no confessionário! Quantas vezes, após longas e penosas confissões, perguntamos aos pecadores arrependidos: “Em vossos desvarios não pensastes em Deus? E eles nos respondem: “Não, padre, eu o havia esquecido”, ou então: “Afastava este pensamento porque me era intolerável”; e ainda outras vezes: “Foi este o pensamento que me fez voltar”. 

O pecador foge da presença de Deus para escapar ao remorso da consciência. Ao cometer seu pecado, Adão escondeu-se, não mais podendo suportar a vista de Deus. Quando Deus o chamou, não respondeu; foi necessário que Deus o chamasse por duas vezes e o obrigasse a comparecer diante dEle. 

Assim procedem vossos filhos. Escondem-se para praticar o mal; e, depois de o haver praticado, fogem de vossos olhos. Somente a vossa presença os detém e os perturba: sentem medo. 

Se uma criança pode ser retida pelo pensamento dos pais, pela sua vista ou pelo temor dos seus castigos, quanto mais não o seremos nós pela influência toda poderosa que sobre nós exerce o pensamento e o temor de Deus? 

“Todos os pecados, afirma santa Teresa, provêm da idéia de que não julgamos Deus presente, mas de que o imaginamos muito longe.” 

Na verdade, se disséssemos: Deus está presente, Deus me vê, Deus me julga, Deus pode cortar o fio de meus dias e precipitar-me nos abismos eternos, o medo superaria toda atração, todo prazer, toda satisfação, e o pecado se nos tornaria impossível; ao menos, nele não permaneceríamos se a fraqueza ou a surpresa nos fizesse cair. 

Se disséssemos: “Deus está aqui e eu O insulto; Deus morreu por mim e eu de novo O crucifico; Deus me cumula de benefícios e O ofendo com meu desprezo”; nossos corações ficariam cheios de amor, do amor todo-poderoso, infinito, e teríamos a força de tudo vencer, de tudo superar. 

O pensamento de Deus tem realizado milagres de repentinas transformações nas almas: grandes pecadores devem-lhe a conversão. Pretendendo uma delas tentar santo Efrém, o santo respondeu-lhe: “Vamos à praça pública! – Quê? disse a miserável, pecarei em presença de toda a cidade? – Então! exclamou indignado santo Efrém, pecarás na presença de Deus?” Foi essa flexa de fogo que penetrou esse coração empedernido e arrancou torrentes de lágrimas e de arrependimento. 

“Se pensássemos sempre que Deus está presente e que tudo vê, diz são Tomás de Aquino, nunca ou quase nunca pecaríamos.” A mesma idéia é expressa por são Jerônimo, quando afirma: “O pensamento de Deus fecha a porta a todos os pecados.” 

Santo Ambrósio nos relata que, por ocasião de um solene sacrifício oferecido aos deuses por Alexandre Magno, ao lado do soberano, um jovem pajem levava uma tocha. Aconteceu que, durante a cerimônia, a chama alcançou a mão da criança que, não se podendo livrar sem deixar cair a tocha, suportou a horrível dor sem nada dizer, no receio de indispor o soberano. “O respeito à majestade real, exclama santo Ambrósio, pôde triunfar da natureza até numa frágil criança.” Como não poderia o respeito à divina majestade levar a alma cristã a vencer todas as tentações, a suportar todos os males de preferência a ofender a Deus que está presente! 

“Senhor, exclamava Jó, colocai-me perto de vós, e seja qual for o inimigo que se levante contra mim” [Jó, XVII, 3] sob vosso olhar, em vossa presença, nada temo.” 

“Se tivéssemos o cuidado de nos manter na presença de Deus, diz são João Crisóstomo, nunca pensaríamos, diríamos ou faríamos nada de mal, pois, constantemente, repetiríamos: “Deus tudo vê, considera todas as minhas ações.” 

O exercício da presença de Deus é, por conseguinte, um excelente preventivo contra o mal, porque torna impossível qualquer intenção culpável. 

Sob o olhar de Deus, o coração se purifica, todo o sentimento mau se torna insuportável. Tudo o que é contrário à simplicidade é destruído, e poder-se-ia dizer, “consumido pelo fogo divino.” 

Entretanto, o sentimento da presença de Deus faz mais do que nos purificar o coração e nos reanimar as intenções, o que é apenas o lado negativo da simplicidade; enche-nos, ainda, de ardor pelo bem e em pouco tempo leva a simplicidade à mais alta perfeição. 

Quantas vezes em um salão, no decorrer de longa e interminável reunião, acontece a uma mulher sentir-se mal ou ficar indisposta, sob o esplendor das luzes, no ar quente e viciado, no constrangimento das roupas! Ninguém o percebe. Ela continua a conversar, a sorrir, a ser graciosa; sobretudo, se for leviana e frívola, de modo algum quererá mostrar-se menos agradável. Envida todos os esforços para que nada transpareça. 

Em casa, em seus aposentos, não suportaria a menor contrariedade, o menor cansaço sem se queixar, enquanto aos olhos do mundo encontrará coragem. Habitualmente lânguida, sensual e fraca, torna-se forte, corajosa, admirável de energia perante o mundo. 

Não será a presença de Deus na alma cristã mil vezes mais poderosa, mais decisiva, mais eficaz, para conduzi-la ao bem, para sustentá-la em todos os sacrifícios, em todos os esforços, e para torná-la perfeitamente simples? 

Eletrizados sob o olhar de chefes como Alexandre, Carlos Magno, Napoleão, soldados e oficiais correram ao encontro do perigo e alegremente derramaram o sangue pela pátria. 

Terá menos força sobre os corações o olhar de Deus, o olhar do Supremo Senhor do céu e da terra? 

Quando, na primavera, o sol se levanta sobre a natureza, renova-a, ressuscitando-a. Estava morta a natureza; mas, sob a ardente influência dos raios benéficos, a seiva recomeça a subir, a vida circula; aparecem as folhas, as flores, os frutos. 

Não é Deus o sol do mundo, o sol das almas? Sob o olhar divino, na divina presença, as mais frias almas se aquecerão; as mais desanimadas se vivificarão; a seiva cristã circulará novamente; a boa vontade se expandirá; todas as virtudes florescerão. 

A presença de Deus é toda-poderosa para nos conduzir ao bem. 

É toda-poderosa para nos fazer crescer no amor e nos levar à perfeição. É o que ensinava Deus a Abraão, quando dizia: “Anda em minha presença e sê perfeito.” [Gen XVII, 1] 

A perfeição é o amor. Mas como se formaria o amor de Deus sem o pensamento de Deus? E, ao contrário, com este pensamento, como não cresceria sem cessar? 

Já, entre os homens, a amizade aumenta, quando habitualmente se vêem, se falam ou conversam. No entanto, salvo raras e nobres exceções, à medida que melhor se conhecem, são defeitos e não qualidades que se descobrem mutuamente. 

Deus, porém, quanto mais O conhecerdes, mais pensardes nEle, mais reavivardes em vosso coração a lembrança de Suas graças, de Seu amor, de Sua grandeza e de Seus benefícios, mais sereis atraídas para Ele por doce e irresistível força. 

Pelo hábito de vos colocardes sob Seu olhar, de viver em Sua presença, entre vós e Ele, entre vossa alma e Deus, formar-se-á uma união íntima e profunda que dia a dia irá crescendo. 

A oração da manhã e da noite, a meditação, a leitura, os exercícios de piedade não são suficientes para aumentar o amor. “A água ferve no fogo, diz são João Crisóstomo; mas, se a retirardes, logo se esfria.” Para não deixar que o amor se esmoreça, é necessário pensar na presença de Deus, renovar com freqüência, no coração, os atos de fervor e conservar, constantemente, a alma orientada para o céu, como o girassol, esta flor que sempre dirige a corola para o lado do sol. 

“Quando amamos, diz santa Teresa, sem cessar pensamos no objeto amado e, assim, o amamos cada vez mais.” 

O pensamento de Deus vos fará crescer e progredir rapidamente no amor e na perfeição, porque, em pouco tempo, vos conduzirá à simplicidade. 

(A Simplicidade segundo o Evangelho por Monsenhor de Gibergues, 1945)

PS.: Agradeço a um amigo o envio do texto. Deus lhe pague!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Pensamento da noite de 11/02/2012


"Uma alma transformada em Cristo é obediente: a sua submissão ao Pai é espontânea como as pulsações do coração. Segue os impulsos divinos sem desvio e sem cálculo, com um movimento tão direto e tão pronto que o mundo se espanta; porque os caminhos do mundo são tortuosos e os passos da prudência humana são incertos. Mas aquele que vive na humildade perfeita, é perfeitamente dúctil sob a inspiração misteriosa do Espírito. 'Aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.'"
(Por um cartuxo anônimo)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Pensamento do dia 10/02/2012


"Quem me dará as asas da pomba para que eu possa voar e descansar?"
(Salmo, LIV, 7)

Caridade Fraterna (Padre Álvaro Negromonte)


Social por natureza, o homem sente necessidade de amar a seu semelhante. Sem isto, a vida em sociedade seria intolerável. Sem isto, a vida em sociedade seria intolerável.
A unidade da espécie humana nos obriga a este amor: somos todos irmãos.
Outra fraternidade ainda mais estreita é a dos filhos de Deus e membros do Corpo de que Cristo é a cabeça e o primogênito entre muitos irmãos (Rom. 8, 29).

              Amor do próximo

            1. A lei mosaica mandava: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo” (Lv. 19, 18). Mas os judeus não compreendiam os inimigos, escravos e estrangeiros como próximos.
            2. Jesus Cristo equiparou o amor do próximo ao amor de Deus (Mt. 22, 39) e lhe deu verdadeira interpretação na parábola do samaritano (Lc. 10, 25-37), estendendo a caridade a todos os homens, mesmo ao inimigos (Mt. 5, 43-45).
            3. A caridade fraterna é sinal de amor a Deus.

“Se alguém disser que ama a Deus, e odiar o seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, como amará a Deus a quem não vê?” (1 Jo. 4, 20).

4. É o sinal do cristianismo. Jesus indicou o amor do próximo como o sinal para se conhecerem os seus discípulos: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo. 13, 35).
5. Por isto Deus exige de quem o ama que ame também o próximo (1 Jo. 4, 21). Não aceita as oferendas dos que primeiro não se reconciliarem com o seu irmão (Mt. 5, 23-24).

Por amor de Deus

1. Devemos amar ao próximo primeiramente por amor de Deus. A caridade é uma virtude sobrenatural. No próximo vemos:
a) a imagem de Deus (Gn. 1, 26);
b) um filho de Deus (Mt. 23, 9), participante da bondade divina;
c) um membro de Jesus Cristo. O próprio Jesus Cristo reputa feito a si o que foi feito ao mínimo de seus irmãos (Mt. 25, 40);
d) um nosso irmão. Fomos todos criados por Deus e remidos pelo sangue de Cristo, que nos ensinou a verdadeira fraternidade, na qual chamamos a Deus de Pai: “Padre nosso, que estais no céu”.
2. Não é caridade o que se baseia na simples compaixão natural ou em meras considerações humanas.

Amar os inimigos

1. Somos obrigados a amar até os próprios inimigos. É doutrina expressa de Jesus:

“Tendes ouvido o que foi dito: Amarás a teu próximo e odiarás a teu inimigo. Mas eu vos digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem a quem vos odeia, orai pelos que vos perseguem e caluniam” (Mt. 5, 43-44).

2. Isto fazemos:

a) não guardando ódio. “Todo o que tem ódio a seu irmão é homicida” (1 Jo. 3, 15).
b) perdoando de coração: “Se não perdoardes aos homens, também vosso Pai celeste não vos perdoará vossos pecados” (Mt. 6, 15).
c) não querendo vingar-se.
d) fazendo por eles o bem que queremos que nos façam.

3. O amor aos inimigos não é impossível. De fato:

a) Jesus fez dele um preceito: “Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos” (Mt. 5, 44). E ele não nos iria dar um preceito impossível.
b) Deu-nos o exemplo, perdoando a seus algozes (Lc. 23. 34), o que tem sido seguido pelos santos: Sto. Estêvão (At. 7, 59), São João Gualberto (dia 12 de julho), Santa Joana de Chantal (21 de agosto).

ORDEM NA CARIDADE

1. Há na caridade uma ordem de pessoas. Se devemos amar o próximo como a nós mesmos, somos o padrão de nosso amor ao próximo. A caridade bem ordenada começa por si mesma.

A ordem de pessoas é a seguinte: cônjuge, filhos, pais, irmãos, parentes, amigos, benfeitores, correligionários (Gl. 6, 10), conhecidos, concidadãos, estrangeiros.

2. Há uma ordem de necessidade: espiritual e corporal. Mesmo em nós, amar de preferência o que vale mais.

A salvação vale mais do que a vida – e somos obrigados a dar a vida pela salvação eterna.
A alma vale mais do que o corpo: “Se o teu olho te escandaliza, arranca-o e lança-o fora” (Mt. 5, 29).
A virtude vale mais do que o saber – e devemos afastar-nos dos conhecimentos nocivos à virtude.
A honra vale mais do que a saúde – e importa guardar aquela, mesmo com detrimento desta.
O dever vale mais do que o prazer – e devemos abandonar os divertimentos que impedem o cumprimento dos deveres.
Assim, daremos aos valores espirituais tanto maior cuidado quanto o espírito é superior ao corpo.

3. No amor ao próximo respeitaremos do mesmo modo a hierarquia de valores.

a) A salvação de uma alma prevalece sobre qualquer necessidade temporal nossa ou alheia. (Em que casos se pode dar isto?).
b) Para salvar uma vida, somos obrigados a sacrifícios mais ou menos importantes. Mas não somos obrigados a expor a própria vida para salvar a de outrem.
c) Devemos preferir as obras de caridade espirituais, que são entre nós, infelizmente, as mais desprezadas. (A que obras de caridade espiritual v. se pode dedicar?).

Às vezes, porém, somos obrigados a começar pelo corpo para chegarmos aos cuidados espirituais que, na intenção, são os primeiros. “É inútil pregar conformidade e resignação a homens famintos” (Troniolo). As Conferências Vicentinas, cuja finalidade é espiritual, começam sempre pelo socorro material.

4. É contra a caridade para conosco expor-nos a perigo grave de pecar, em benefício espiritual do próximo. (Que pensar de certos jovens que vão para os bailes dançar para fazer Ação Católica?).
5. A caridade espiritual é de todas a primeira. A caridade consiste no amor de Deus, isto é, no estado de graça. Então a caridade conosco é nos mantermos no estado de graça, empregando para isto os meios. Com o próximo, a caridade é levá-lo à graça divina, usando igualmente dos meios aptos.
6. Na própria necessidade há uma ordem. Podemos achar-nos em necessidade extrema, grave ou comum.

           Qualidades da caridade

1. Sobrenatural, para ser caridade. Vemos no próximo um filho de Deus, em membro de Jesus Cristo.
2. Operosa. Virtude de obras e não apenas de afetos. Se é verdade que as obras sem amor não são caridade, também os afetos só não bastam.

“Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem do alimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos; porém não lhes derdes as coisas necessárias ao corpo, de que lhes aproveitará?” (Tgo. 2, 15-16).

3. Universal, não só enquanto atinge a todos os homens, mas também enquanto envolve todos os atos e anima todas as virtudes cristãs, que sem ela nada valem.

“Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como um bronze que soa ou como um cimbalo que tine” (1 Cor. 13, 1). (Ver o elogio da caridade feito por S. Paulo em 1 Cor. cap. 13.).

Para viver a doutrina

1. A verdadeira caridade quer o maior bem do próximo. No entanto, dizer mal do próximo, zombar, divulgar seus defeitos e faltas, não socorrê-lo nas necessidades espirituais, não ajudá-lo a sair do pecado ou das ocasiões perigosas – são faltas de todo dia. O meu amor ao próximo deve tomar novo incremento.

2. Toda gente se queixa da grande miséria espiritual do mundo moderno. Há no meio em que vivo indícios desta miséria? (Examinar e determinar). E eu tenho o dever de minorá-la. Converter a uns para a prática da Religião, chamar outros para a freqüência dos Sacramentos, cuidar de que todos vivam na graça divina – eis a missão da Ação Católica. Como poderei eu fazer isto? (Responder de modo prático, que encaminhe à ação).

3. A verdadeira caridade fraterna é fazer o próximo viver na graça santificante. Ora, há milhões de almas que nem conhecem o verdadeiro Deus. Que faço pelas Missões? Os missionários fazem um trabalho sobrenatural, mas precisam também de meios humanos para tratarem da conversão dos pagãos. Que posso eu fazer para ajudar aos missionários? (Responder de modo prático, que leve à ação).

4. Ao nosso lado há hereges – protestantes e espíritas. Afastados da verdadeira fé, errando o caminho da salvação. Sou obrigado a amá-los, interessando-me pela sua conversão e salvação. Tenho feito isto? Que posso fazer neste sentido? (Responder). Há um apostolado de preservação contra essas heresias: advertir os incautos contra as sessões, remédios e enganos do espiritismo; contra a propaganda (livros, revistas, pregações) protestante.

5. É a caridade uma das virtudes mais fáceis de praticar, desde que a tenhamos no coração. Não faltam ocasiões.

Em vez de palavras ásperas, palavras bondosas; em vez de zombarias que desagradam, um trato amável; em vez de rixas, união com todos; em vez de rivalidades, que provocam discórdias, humildade, que desfaz competições; em vez de maledicências e juízos temerários, dizer e pensar bem de todos. Há uma infinidade de pequenos serviços, há muitas ocasiões de proporcionar alegria, há inúmeros meios de mostrar gentileza que uma pessoa caridosa pode e sabe aproveitar.

6. É o amor aos inimigos um dos mais difíceis preceitos da caridade cristã. Longe de ser fraqueza, como pensa o mundo, é prova de grande valor moral. Sinal de força é o homem vencer-se, dominar os seus baixos instintos. A melhor prova de que isto é mais heroísmo do que fraqueza, é que muitos são capazes de odiar e vingar-se, poucos de perdoar e amar. Mas somos cristãos para seguir e imitar a Jesus Cristo.

7. Se somos obrigados a amar a todos, devemos no entanto respeitar a ordem na caridade. Nesta ordem há um ponto que devemos salientar: é a solidariedade dos católicos.

Preferir o médico, o advogado, o comerciante, o operário, etc., que comungam da mesma fé conosco é recomendação do próprio São Paulo: “Façamos o bem a todos, mas principalmente aos irmãos na fé” (Gl. 6, 10). (Que mal pode fazer numa família um médico sem religião?).

A preferência aos colégios e professores católicos é uma imposição da Igreja, por causa dos perigos que os anticatólicos trazem à fé.

8. Nunca nos devemos expor a perigo de pecar, mesmo para cuidar da salvação do próximo. Se a companhia de certo amigo me faz mal (mesmo que eu lhe faça algum bem), devo deixá-la. Se freqüentando certo divertimento corro perigo espiritual, devo abandoná-lo ainda que a minha presença evite alguns males. Se uma leitura me prejudica moralmente, ainda que me ilustre o espírito, sou obrigado a abandoná-la.

(O Caminho da Vida, pelo Pe. Álvaro Negromonte. 15ª edição. Pgs. 194-202). 

PS.: Agradeço a alma generosa que me enviou o texto. Deus lhe pague!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Pensamento do dia 09/02/2012


"Nem mesmo o mar poderá extinguir a caridade... 
Os seus ardores são incêndios de fogo e de chamas" 
(Cânt. VIII,16)

Belíssimo texto de São Francisco de Sales sobre a Providência Divina

Exortação à amorosa submissão que devemos 
aos decretos da Providência Divina


Amemos, pois, Teótimo, e adoremos em espírito de humildade essa profundeza dos juízos de Deus, a qual, como diz Santo Agostinho (Ep. 105), o santo Apóstolo não descobre, mas admira, quando exclama: "Ó profundeza dos juízos de Deus!" "Quem poderia contar a areia do mar, as gotas da chuva, e medir a largura do abismo? diz aquele excelente espírito que foi São Gregório de Nazianzo. E quem poderá sondar a profundeza da sabedoria divina, pela qual ela criou todas as coisas, e as modera como quer e entende? Porque, na verdade, basta que, a exemplo do Apóstolo, sem nos determos na dificuldade e obscuridade dela, a admiremos (Orat. de paup. Am. Ecli., I, 2.). Ó profundeza das riquezas e da sabedoria e da ciência de Deus! Oh! como seus juízos são imperscrutáveis, e seus caminhos inacessíveis! quem conheceu o sentimento do Senhor, e quem foi seu conselheiro? (Rom 11, 33-34). Teótimo, as razões da vontade divina não podem ser penetradas pela nossa mente, até que vejamos a face dAquele que atinge de ponta a ponta fortemente, e dispõe todas as coisas suavemente, fazendo tudo o que faz com número, peso e medida (Sab 8, 1; 11, 21), e ao qual o Salmista diz: Senhor, tudo fizestes com sabedoria (Sl 103, 24).

Quantas vezes nos sucede ignorarmos como e por que as próprias obras dos homens se fazem, "e disso, diz o mesmo santo bispo de Nazianzo, o artífice não é ignorante, ainda que nós ignoremos o seu artifício! Assim, por certo, também as coisas deste mundo não são temerária e imprudentemente feitas, ainda que lhes não saibamos as razões". Se entrarmos na loja de um relojoeiro, acharemos às vezes um relógio que não será maior do que uma laranja, no qual haverá todavia cem ou duzentas peças, das quais umas servirão ao relógio, e as outras ao bater das horas e do despertador; veremos nele rodinhas, das quais umas vão para a direita e as outras para a esquerda; umas rodam por cima e outras por baixo; e o balancim, que, a golpes medidos, vai balançando seu movimento para um lado e para outro; e nós admiramos como a arte soube juntar umas às outras tal quantidade de tão pequenas peças, com uma correspondência tão justa, não sabendo nem para que é que cada peça serve, nem para que efeito é assim feita, se o dono no-lo não disser; e somente em geral sabemos que todas servem para o relógio ou para o toque. Dizem que os bons Indús se divertirão dias inteiros junto a um relógio, para ouvirem bater as horas no tempo marcado; e, não podendo adivinhar como isso sucede, não dizem entretanto que é sem arte e sem razão, mas ficam enlevados de amor e de honra para com aqueles que governam os relógios, admirando-os como gente mais do que humana. Teótimo, assim vemos nós este universo, e sobretudo a natureza humana, como um relógio, composto de tamanha variedade de ações e de movimentos, que não nos poderíamos furtar à admiração. E bem sabemos em geral que essas peças, diversificadas em tantas sortes, servem todas, ou para fazerem aparecer, como num relógio, a santíssima justiça de Deus, ou para manifestarem a triunfante misericórdia da sua bondade, como por um toque de louvor. Mas conhecer em particular o uso de cada peça, ou como ela é ordenada ao fim geral, ou por que assim é feita não o podemos entender, a não ser que o soberano Obreiro no-lo ensine. Ora, se Ele não nos manifesta Sua arte, é a fim de que O admiremos com mais reverência até que, estando no céu, Ele nos extasie na suavidade da Sua sabedoria, quando na abundância do Seu amor nos descobrir as razões, meios e motivos de tudo o que se houver passado neste mundo em proveito da nossa salvação eterna.

Diz novamente o grande Nazianzeno:
"Nós nos assemelhamos aos que são afligidos pela vertigem ou tonteira. Afigura-se-lhes que tudo gira em confusão à volta deles, se bem que sejam o seu cérebro e a sua imaginação que giram, e não as coisas. Pois encontrando assim alguns acontecimentos cujas causas nos são desconhecidas, parece-nos que as coisas do mundo são administradas sem razão, porque não a sabemos. Creiamos, pois, que, como Deus é o autor e pai de todas as coisas também toma cuidado delas pela Sua providência, que envolve e abrange toda a máquina das criaturas; e sobretudo creiamos que Ele preside aos nossos negócios, ainda que a nossa vida seja agitada por tantas contrariedades, acidentes, cuja razão nos é desconhecida, talvez a fim de que, não podendo chegar a esse conhecimento, admiremos a razão soberana de Deus, que excede todas as coisas; porque, quanto a nós facilmente é desprezada a coisa que facilmente é conhecida: mas aquilo que excede a ponta do nosso espírito, quanto mais difícil é de ser entendido, tanto mais também nos excita a uma grande admiração. Certo, seriam bem baixas as razões da Providência celeste se nossas pequenas mentes pudessem atingi-las; seriam menos amáveis na sua suavidade, e menos admiráveis na sua majestade, se fossem menos afastadas da nossa capacidade". 
Exclamemos, pois, Teótimo, em todas as ocorrências, mas exclamemos com coração todo amoroso para com a Providência sapientíssima, poderosíssima e dulcíssima de nosso Pai eterno: Ó profundeza das riquezas, da sabedoria e da ciência de Deus! (Rom 11, 33). Ó Senhor Jesus, como são excessivas as riquezas da bondade divina! O Seu amor para conosco é um abismo incompreensível: foi por isso que Ele nos preparou uma rica suficiência, ou antes uma rica afluência de meios próprios para nos salvar; e, para no-los aplicar suavemente, Ele usa de uma sabedoria soberana, tendo pela Sua infinita ciência previsto e conhecido tudo o que era requerido para esse efeito. Oh! que podemos temer? antes, que não devemos esperar, sendo como somos filhos de um Pai tão rico em bondade para nos amar e nos querer salvar, tão sábio para preparar os meios convenientes a isso, e tão prudente para os aplicar, tão bom para os querer, tão clarividente para os ordenar, tão prudente para os executar?

Nunca permitamos aos nossos espíritos esvoaçarem por curiosidade em torno dos juízos divinos; porque, quais pequenas borboletas, nós queimaremos aí nossas asas, e perecemos nesse fogo sagrado. Esses juízos são incompreensíveis (Rom 11, 33), ou, como diz São Gregório Nazianzeno, são imperscrutáveis; quer dizer, não lhes podemos reconhecer e penetrar os motivos. Os caminhos e meios pelos quais Ele os executa e conduz ao fim não podem ser discernidos e reconhecidos; e, por melhor sentimento que tenhamos, nós falhamos a cada passo e lhe perdemos o rastro. Porque quem pode penetrar o sentido, a inteligência e a intenção de Deus? (Rom 11, 34). Quem foi seu conselheiro para saber os seus projetos e motivos? ou quem jamais o preveniu (Rom 11, 35) por algum serviço? Pelo contrário, não é Ele quem nos previne com bênçãos de Sua graça, para nos coroar na felicidade da Sua glória? Ah! Teótimo, todas as coisas são dele (Rom 11, 36), que lhes é o criador; todas as coisas são por Ele, que lhes é o governador; todas as coisas são nEle, que lhes é o protetor. A Ele seja dada honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém. (Ib.). Vamos em paz, Teótimo, pelo caminho do santíssimo amor; porque quem na morte tiver o divino amor, após a morte gozará eternamente do amor.

(Tratado do amor de Deus, São Francisco de Sales, Livro quarto, capítulo VIII)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Pensamento do dia 08/02/2012


"Eu não sei o que o amanhã me reserva, 
o que sei é que a Providência se levantará mais cedo do que o sol"
(orador dominicano)

O ATEÍSMO pelo Papa Pio XII

O ATEÍSMO


A época atual, acrescentando novos erros aos desvios doutrinais do passado, levou-os a extremos dos quais se não podiam originar senão desorientamento e ruína. E antes de tudo, é certo que a raiz profunda e última dos males que deploramos na sociedade moderna é a negação e repulsa de uma norma de moralidade universal, quer na vida social e das relações internacionais, isto é, o desconhecimento, tão difundido nos nossos tempos, e o esquecimento da própria lei natural, que tem o seu fundamento em Deus, criador onipotente e Pai de todos, legislador supremo e absoluto, onisciente e justo vingador das ações humanas. Quando se renega Deus, abala-se toda a base de moralidade; sufoca-se ou, pelo menos, debilita-se de muito a voz da natureza, que ensina, até aos iletrados e às tribos alheias ainda à civilização, o que é bem e o que é mal, o que é lícito e o que é ilícito, e faz sentir a responsabilidade das próprias ações perante um Juiz supremo.

Pois bem, a negação da base fundamental da moralidade teve, na Europa, a sua raiz originária no afastamento daquela doutrina de Cristo, de que é depositária e mestra a Cátedra de São Pedro; doutrina que, em tempos idos, dera certa coesão espiritual à Europa, a qual educada, enobrecida e civilizada pela cruz, chegara a tal grau de progresso civil que a fizera mestra de outros povos e de outros continentes. Afastando-se, ao invés, do Magistério infalível da Igreja, não poucos chegaram até a subverter o dogma central do cristianismo, a divindade do Salvador, acelerando assim o progresso de dissolução espiritual.

Muitos talvez, ao se afastarem da doutrina de Cristo, não tiveram plena consciência de serem enganados pela falsa miragem de frases brilhantes que proclamavam tal afastamento como um libertar-se da escravidão a que julgavam estar antes sujeitos; nem previam as amargas conseqüências da triste permuta entre a verdade, que liberta, e o erro que escraviza; nem pensavam que, renunciando à infinitamente sábia e paternal lei de Deus e à unificadora e nobre doutrina de amor de Cristo, se entregavam ao arbítrio de uma pobre e mutável sabedoria humana. Falavam de progresso, quando retrocediam; de elevação, quando se degradavam; de ascensão à madureza, quando caíam na escravidão; não percebiam a vaidade de todo esforço humano em substituir a lei de Cristo por alguma outra coisa que a igualasse; tornaram-se fátuos nos seus arrazoados.

Enfraquecida a fé em Deus e em Jesus Cristo, ofuscada nos ânimos a luz dos princípios morais, fica a descoberto o único e insubstituível alicerce daquela estabilidade e tranqüilidade, daquela ordem externa e interna, privada e pública, única que pode gerar e salvaguardar a prosperidade dos Estados (1).

 (I) Encíclica "Summi Pontificatus", 20 de outubro, 1939.




No vórtice do progresso material, nas vitórias do engenho humano sobre os segredos da natureza e sobre as força dos elementos da terra dos mares e do céu, na ansiosa emulação de superar as metas atingidas pelos competidores, nas arengas das elucubrações ousadas, nas conquistas e no orgulho da ciência, da indústria, dos laboratórios e das oficinas, na avidez do lucro e do prazer, na tendência para uma força eminente, mais temida do que sopitada, mais invejada do que igualada, no tumulto de toda a vida moderna, onde encontra paz a alma humana, que é naturalmente cristã? Talvez saciando-se de si mesma? Porventura vangloriando-se senhora do universo, envolta na névoa da ilusão que confunde a matéria com o espírito, o humano com o divino, o momentâneo com o eterno? Não; nos sonhos inebriantes não se tranqüiliza a tempestade da alma e da consciência agitadas pelo ímpeto da mente que sobrepuja a matéria, e transpõe tudo, consciente de um destino imortal, irrecusável, em busca do infinito e em demanda de desejos imensos. Achegai-vos a estas almas interrogai-as. Responder-vos-ão com linguagem de criança, não de homens. Não tiveram uma mãe que a eles, crianças ainda, mostrasse um Pai no céu, cresceram entre paredes sem crucifixo, em casas mudas de religião, em campos distantes de um altar ou de um campanário; leram páginas com bem outros nomes, que aqueles de Deus e de Cristo; ouviram vituperar contra os sacerdotes e os religiosos; passaram do campo à cidade, do lar a oficina, ao bar, as aulas do saber, a toda arte e trabalho, sem freqüentar a Igreja, sem conhecer o pároco, sem um bom pensamento no coração.

São almas infelizes que não tiveram nos perigos dos primeiros anos quem as instruíssem, guiasse, corrigisse, as reafirmasse na fé e na piedade; ou se tiveram, a indiferença, o descaso, o mau exemplo dos companheiros, a efervescência da juventude, as distrações e as ocupações diárias obscureceram a lâmpada da fé e da prática religiosa, transviando o pensamento e debilitando a boa raiz, em árido tronco, que germinará novamente na hora da desventura ou ao calor de uma palavra amiga e piedosa ou no gélido ocaso da vida (2).

(2) Discurso aos dirigentes de Ação Católica, 3 de maio, 1951.




São bem conhecidos e patentes os perigos e estímulos espirituais e morais que ameaçam, mais que nunca, nas almas, os princípios cristãos de fé e de vida. Uma desordenada multidão de opiniões novas e contrastantes, impressões e estímulos de tendências más excitam as massas populares, penetram também entre porções, dóceis em tempos mais tranqüilos a deixar-se iluminar e reger pelas límpidas e sábias normas, e impõem à consciência cristã uma contínua e indefesa vigilância para permanecer fiel à sua retidão e vocação. Atraídas no vórtice e apaixonante turbilhão dos acontecimentos, muitas vezes as mentes correm o perigo de ter obnubilada e debilitada a faculdade da prontidão em julgá-lo segundo os indestrutíveis e puros ditames da lei divina. E no entanto o cristão, forte em sua fé, intrépido no próprio dever, deve encontrar-se preparado para participar nos acontecimentos, nos deveres e sacrifícios do dia, não menos solícito e pronto deve estar em recusar-lhes os erros; de modo que, quanto mais percebe adensarem-se as trevas da incredulidade e do mal tanto mais corajoso e logo - ainda em meio às provas - convém que se demonstre fazendo resplandecer a fúlgida luz de Cristo, guia aos errantes diretriz e orientadora para uma volta ao patrimônio espiritual por tantos esquecido ou abandonado. Forte aos eventos alheios, caminhará e avançará sem desviar-se na noite das trevas terrenas, terá porém o olhar voltado para as estrelas esplendentes no firmamento da eternidade consolante término e prêmio de sua esperança. Se duros e pesados serão os sacrifícios requeridos à humanidade, mais vigorosa e mais operosa nutrirá e alimentará no próprio ânimo a expansiva força do preceito divino do amor e a avidez, a ânsia de fazer deles o guia da própria intenção na ação. Não se dobrará, nem cairá pusilanimemente, diante da rudeza dos campos de combate; ainda quando as provas parecerem fechar toda via de escape, nas próprias provas sentirá crescerem-lhe as forças na proporção das necessidades e da grandeza de sua missão. E se o espírito soberbo de um materialismo ateu fizer esta pergunta: "Ubi est spes tua?" então, sem temor, nem do presente, nem do futuro, responderá com os justos do tempo antigo: "Nolite ita loqui; quoniam filii sanctorum sumus et vitam illam expectamus, quam Deus daturus est his, qui fidem suam nunquam mutant ab eo".

A fé e a fidelidade imutáveis para com Deus são o fundamento da esperança dos heróis cristãos, aquela esperança que não confunde. A todos aqueles que viram suas felicidades aqui embaixo esfacelarem-se e destruírem-se pela borrasca da guerra, aqueles que gemem presas de indizíveis sofrimentos exteriores e interiores, aos irmãos viventes e sofredores dos primeiros crentes em Cristo, Nós mostramos as fileiras dos heróis e das heroínas antigas e modernas; e gritamos com o Apóstolo das Gentes: "Fratres ... non contristemini, sicut et ceteri, qui spem non habent". Não é talvez consolação fortíssima a esperança a nós proposta, que temos como âncora segura e estável da alma, que penetra até além do velame do céu, onde entrou como precursor por nós Jesus? (3).

(3) Alocução ao Sacro Colégio, 2 de junho, 1940.

Fonte: Pio XII e os problemas do mundo moderno, tradução e adaptação do Padre José Marins, 2.ª Edição, edições Melhoramentos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Filantropia x Caridade

SOBRE A CARIDADE
pelo 
Papa Pio XII

São Vicente de Paulo
Caridade. Caridade é a palavra às vezes usada livremente para significar uma espécie qualquer de atividade benévola ou filantrópica. Mas caridade tem um significado sacro e consagrado. A caridade é diversa de qualquer outro amor humano porque é uma réplica do amor de Cristo para com o homem. "Dou-vos um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros" "que vos ameis um ao outro como Eu vos amei". Isto é caridade. São Paulo escreve aos Romanos (15, 7) "Ajudai-vos uns aos outros como Cristo vos ajudou para a glória de Deus". Isto é caridade.

Amar-vos-eis uns aos outros, disse Cristo, como Eu vos amei a vós - "não como amam aqueles que corrompem a inocência ou a fé" comenta o imortal Agostinho (ln Joannis Evang. trato 65 c 13 - Migne PL t. 35 col. 1808-1809); "não como os homens se amam uns aos outros, simplesmente porque são membros da mesma raça humana, mas como amam quantos sabem e professam que todos os homens são filhos de Deus, filhos do Altíssimo no qual se deve formar e aperfeiçoar à semelhança de irmão do único Filho gerado".

"Amar-vos-eis uns aos outros como Eu vos amei." E que coisa amou Cristo no homem, senão Deus? Não no sentido em que Ele encontrou Deus em cada homem, mas no sentido que Ele esperou, através do amor, restaurar Deus em cada homem. Diz-se que um doutor ama o doente; mas então que é que ele ama no doente? Certamente não a doença. Não, ele ama a saúde, que espera dar novamente ao paciente. A caridade significa que vos ameis reciprocamente de modo tal a levar Deus sempre mais na vida de cada um, de modo que ligados pelo Espírito do Amor divino possam colaborar na formação de um corpo não indigno da Cabeça divina.

A semelhança do viajante de que fala o Evangelho, a raça humana caiu entre ladrões que roubam os seus tesouros de fé e de amor e deixam-na perecer na necessidade.

Leigos do mundo avizinhai-vos deste grande inválido: E enquanto levais para ele o pão para nutrir o corpo e vos esforçais pessoalmente para providenciar às suas variadas necessidades, juntamente com o bom samaritano inclinai-vos e tentai gentilmente lenir suas feridas e verter sobre elas o óleo da mensagem consoladora de Cristo. Sussurrai no ouvido, de há muito talvez surdo ao conselho sacerdotal, palavras de encorajamento, de esperança e de paz e o exemplo do vosso amor cristão apressará o dia em que uma vítima amargurada pela dor ou pelo insucesso ou pela injustiça retornará àqueles que Deus constituiu guardiões e médicos das almas.

Oh, nós sabemos o imenso bem que as Conferências e as demais Caridades Cristãs estão fazendo em muitas paróquias e Nós as abençoamos de todo coração. A caridade, porém, não deve jamais olhar para trás, mas sempre para frente.

O número das obras realizadas é sempre pequeno enquanto que as misérias presentes e futuras que ocorre consolar, são sem fim.

Nós desejaríamos ver todos os jovens unidos na mente e no coração em alguma obra de caridade cristã. Não se trata de dar dinheiro: trata-se de dar a si mesmos. Tal apostolado reavivar-lhes-ia a fé, daria direção e estabilidade a uma correta atitude diante das coisas frívolas da vida, acordaria a potência do exemplo e contribuiria potentemente para remediar os males da desigualdade social e de raça.

Ó coração misericordioso de Jesus, verte o teu amor e conforto na vida dos pobres, dos sofredores, de quantos estão afligidos no corpo e na alma, de quantos são membros caros do Teu Corpo (1).

(1) Rádio-mensagem ao Continente Americano, 12 de outubro, 1947. 

Fonte: Pio XII e os problemas do mundo moderno, tradução e adaptação do Padre José Marins, 2.ª Edição, edições Melhoramentos.

PS.: Grifos meus.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

SÃO PAULO DA CRUZ E O DEMÔNIO



Vamos referir, com lhaneza, fatos extraordinários, indubitáveis e autênticos todavia.

Em França, os biógrafos de santos costumam, antes de entrar nesta matéria, fazer longas dissertações filosóficas, teológicas, etc... Precauções, pois estamos em épocas dos espíritos fortes. 

Julgamo-nos dispensados desse trabalho por uma razão bem simples: os chamados espíritos fortes, ridicularizadores da crença nos demônios e dos exorcismos da Igreja, encontram-se diante de fatos que lhes pedem pelo menos sérias reflexões. Nos últimos tempos, Satanás teima em zombar de seus zombadores, com estranhos fenômenos, explicáveis somente pela intervenção real do espírito da mentira. 

Serve-se a Providência muitas vezes do demônio para plasmar os santos. 

A Paulo da Cruz não podia faltar esse traço de semelhança com Jesus Cristo, que entregou o corpo ao arbítrio de Satanás nas provações do deserto e ao chegar o PODER DAS TREVAS nos dias da Paixão. 

É que Deus escolhera a Paulo, generoso atleta, para humilhar o gênio da soberba. 

Jesus, dissera um dia ao nosso santo: 

“Apraz-Me vê-lo sob os pés dos demônios” 

Os espíritos infernais aproveitaram-se da permissão divina, já que a santidade de Paulo os exacerbava. Como vingança às derrotas sofridas, descarregavam-lhe todo o seu furor. Ouçamos ao nosso santo: 

“O convento (do monte Argentário) está quase concluído. Espero inaugurá-lo na Quaresma. Oh! que alvoroço fazem os demônios! Somente Deus sabe como me acho”. 

Os demônios, já o dissemos, destruíam de noite o que se edificava de dia. 

“Faz muito tempo que o pobre ancião, ouve, à noite, assobios que o fazem tremer. Garantiram-lhe, porém, que tudo há de passar e nada o prejudicará. Não vos amedronteis, pois Nosso Senhor combaterá por vós. Alleluia! Alleluia! Alleluia! O demônio teme o ALLELUIA, palavra caída do Céu. Estou nas mãos da divina misericórdia, embora cruelmente atormentado pelos ministros de sua justiça e ainda mais pelos meus pecados ”.

Os ataques diabólicos, inspirados sempre na mais entranhada malícia, revestiam-se, por vezes, de caráter de intrigas mesquinhas e pueris. Em se tratando de prejudicar, não têm delicadeza esses inimigos. Todos os meios lhes parecem bons. Para o êxito de seus tétricos projetos, não se envergonham de metamorfosear-se em animais, não, porém, como Deus os criou: nisto está o embuste. 

Justo castigo do orgulho, a ensinar-nos que toda criatura, por mais sublime que seja, em pretendendo sobrepujar-se a Deus, inferioriza-se aos irracionais. Apareciam-lhe freqüentemente sob horríveis formas, como de gatos selvagens, de cães raivosos ou de aves de rapina. 

Para tornar mais divertidas suas artimanhas, aproveitavam do tempo em que Paulo estava enfermo e desamparado de Deus. 

Após prolongadas insônias, conseguia Paulo pegar no sono. Pois bem, os espíritos malignos interrompiam-no, com assobios, uivos, espantosos ruídos, simulando detonações de diversas peças de artilharia a um tempo. Acordava o santo, sobressaltado. Outras vezes, tiravam-lhe os cobertores ou caminhavam sobre a cama, como gatos.

Na grave enfermidade de Orbetello, passou quarenta dias e quarenta noites insone, atormentado de pungentes dores. Afinal, acalmando-se-lhe um pouco os sofrimentos, adormeceu. Imediatamente, infernal ruído o acordou. Eram os demônios a abrirem e fecharem com violência as portas de um móvel... O santo, com ar de desprezo, pô-los em fuga, podendo descansar por algumas horas. 

Ao referir a aventura ao confessor, ele, que sabia unir a alegria à virtude, dizia-lhe a sorrir: 

“Que lhe parece? Não diz o provérbio que o cachorro que dorme não caça?... Um pobre homem insone há quarenta dias e quarenta noites, despertado no primeiro sono!... É isto, por ventura, agradável?” 

Estava o santo de cama com o mal de gota. O demônio, a fim de martirizá-lo, tomou-lhe o dedo mais dolorido e o torceu violentamente, fazendo-lhe experimentar dores inauditas. Atacavam-no com mais furor, quando ocupado em afazeres da glória de Deus ou do bem das almas. 

Ao começar a oração ou o Ofício divino, parecia-lhe desencadear-se o inferno... Se tomava da pena para escrever coisas de importância, o demônio, raivoso, rugia, espantosamente. Se nos recreios discorria de assuntos de piedade, de volta à cela tinha que haver-se com os espíritos infernais. 

Ao rever as Regras das religiosas da Paixão, maltrataram-no os demônios a valer. Uma noite, mão invisível tomou-lhe da cabeça, batendo-a violentamente de encontro à parede. O barulho despertou o enfermeiro, na cela contígua. No dia seguinte, perguntando-lhe o confessor como passara a noite, respondeu, sorrindo 

“O bom Deus não permite que as artimanhas dos demônios façam muito mal, mas bem é que não fazem”. E acrescentou: “O que os queima agora é o mosteiro!”. O que mais irritava a Satanás era a conquista de almas. Nos primeiros anos de residência no Argentário, descia Paulo aos sábados a Portércole, a fim de instruir o povo nos rudimentos da religião, passando a noite ao pé do Tabernáculo. Os demônios esforçavam-se por amedrontá-lo com estrépitos infernais. O santo prosseguia a sua oração. De manhã, entregava-se às obras de apostolado com êxito correspondente à preparação. 

Nas jornadas apostólicas, seguiam-nos os espíritos infernais, fazendo-lhe pagar bem caro as almas arrebatadas ao seu domínio. 

À noite, batalhões desses espíritos entravam-lhe pelo quarto com alaridos de um povo amotinado. Puxavam-no da cama, arrastavam-no pelo assoalho, bradando enfurecidos:

“Ah! Vieste atormentar-nos? Quantas almas já nos arrebataste!...” 

As meditações sobre a sagrada Paixão causavam-lhes grandes perdas. Confessaram pela boca dum possesso, que a santa missa celebrada pelo servo de Deus e a Paixão pregada por ele eram o que mais os afligiam. 

O inocente corpo de Paulo, especialmente as pernas estavam sempre chagadas pelos açoites dos demônios.

Quantas manhãs encontravam-no pálido, lívido, obrigado a permanecer na cama, sem mover-se... 

Regressava, certa feita, duma missão quando, ao sopé de alta montanha, nas vizinhanças de Feniglia, os demônios, de forma visível, colocando-se em ala ao longo da estrada, açoitaram-no cruelmente, como a soldado sujeito ao castigo das chibatadas. 

Impossível referir todos os maus trato: infligidos pelos demônios ao servo de Deus; mas o apóstolo surgia sempre mais audaz desses combates e com a espada mais afiada para novas batalhas e novos triunfos... 

Uma vez por outra tomavam os inimigos forma humana, pretendendo enganá-lo. Em Santo Anjo, na enfermidade de que falamos no princípio deste capítulo, apresentaram-se-lhe no quarto seis ou sete personagens, que se diziam médicos. Vinham da parte do pe. João Batista anunciar-lhe que se preparasse para a morte. O desenlace ocorreria na próxima quarta feira. 

O santo, percebendo imediatamente o embuste diabólico, respondes-lhes que tinha médico em quem confiava plenamente e que, portanto, não fora necessário virem até o retiro por tão pouco. O dr. Mattioli tê-lo-ia avisado. 

Com efeito, se aqueles médicos de nova linhagem pretendiam assustá-lo, enganavam-se redondamente, pois o maior desejo de Paulo era deixar este desterro e voar para a Pátria celeste. O certo, é que os demônios desapareceram, envergonhados. 

Em outra ocasião, estavam o pe. Paulo e um companheiro hospedados em casa de um nosso benfeitor. Mal se recolheram ao quarto, apareceu-lhes o demônio sob a figura de horrível gigante. Pe. Paulo, perguntou tomado de susto o companheiro “Não está vendo?” “Tranqüilize-se”, respondeu o servo de Deus, acostumado a tais visitas, “tranqüilize-se, ele não veio para v. revcia”. 

No dia seguinte percebeu o companheiro para quem viera o inimigo, ao observar as pernas do pe. Paulo lívidas pelos açoites recebidos durante a noite. 

“Outros religiosos testemunharam as violências diabólicas no corpo inocente do pe. Paulo”, acrescenta são Vicente Maria Strambi, dando a entender, provavelmente, que ele também o testemunhara. 

Que valor não demonstrou nesses assaltos o servo de Deus?! Ele bem sabia que contra tais inimigos não cabem temores, mas confiança ilimitada no poder e na misericórdia de Deus.

Jamais pediu socorro, patenteando ao inimigo que o não temia. Convencido de que o espírito soberbo tem mais audácia que poder, opunha-lhe somente profundo desprezo. Armava-se do Crucifixo, colocava ao pescoço o rosário e, com voz possante, intimava-o, em nome de Jesus e Maria, a retirar-se. 

Fugia, não há dúvida, mas para voltar com desdobrado furor. 

(Padre Luis Teresa de Jesus Agonizante, CP, in: Vida de São Paulo da Cruz, tradução do Padre Vicente do Nome de Jesus, CP, Editora “O Calvário”, São Paulo: 1958, páginas 363-367)

PS.: Agradeço a alma que me enviou este texto.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Pensamento da noite de 05/02/2012


"O monte Calvário é o monte dos amantes. Todo amor que não tira sua origem da paixão do Salvador é frívolo e perigoso. Infeliz é a morte sem o amor do Salvador: infeliz é o amor sem a morte do Salvador." 
(São Francisco de Sales)

Santa Ágata

Nota do blogue: Texto retirado do blogue: Escravas de Maria.


Santa Ágata é uma das mais gloriosas heroínas da Igreja primitiva e cuja intercessão é invocada diariamente, no Cânon da santa Missa. Natural da Sicília, pertenceu a uma das famílias mais nobres do país. De pouca idade ainda, Ágata consagrou-se à Deus, pelo voto da castidade. O governador Quintiano, tendo tido notícia a formosura e grande riqueza de Ágata, acusada do crime de pertencer à religião cristã, mandou-lhe ordem de prisão. Ágata, vendo-se nas mãos dos perseguidores, exclamou: “Jesus Cristo, Senhor de todas as coisas, Vós vedes o meu coração e lhe conheceis o desejo. Tomai posse de mim e de tudo que me pertence. Sois o Pastor, meu Deus; sou Vossa ovelha. Fazei que seja digna de vencer o demônio”. 

Levada à presença do governador, este achando-a de extraordinária beleza, ficou tomado de violenta paixão pela nobre cristã, à qual se atreveu importunar com propostas indecorosas. Ágata, indignada, rejeitou-lhe as impertinências desavergonhadas e declarou preferir morrer a macular o nome de cristã. Quintiano aparentemente desistiu do plano diabólico, mas para conseguir os seus maldosos fins, mandou entregar a donzela a Afrodisia, mulher de péssima fama, na esperança de, na convivência com esta pessoa, Ágata se tornar mais acessível. Enganou-se. Afrodisia nada conseguiu e depois de um trabalho inútil de trinta dias, pediu a Quintino que tirasse Ágata de sua casa. 

Começou então o martírio da nobre siciliana. Tendo-a citado perante o tribunal, apostrofou-a com estas palavras: “Não te envergonhas de rebaixar-te à escravidão do cristianismo, quando pertences a nobre família?” – Ágata respondeu-lhe: “A servidão de Cristo é liberdade e está acima de todas as riquezas dos reis”. A resposta a esta declaração foram bofetadas, tão barbaramente aplicadas, que causaram forte epistaxe. Depois desta e de outras brutalidades a santa Mártir foi metida no cárcere, com graves ameaças de ser sujeita a torturas maiores, se não resolvesse a abandonar a religião de Jesus Cristo. 

O dia seguinte trouxe a realização dessas iniqüidades. O tirano ordenou que a donzela fosse esticada sobre a catasta, os membros lhe foram desconjuntados e o corpo todo queimado com chapas de cobre em brasa, e os seios atormentados com torqueses de ferro e depois cortados. Referindo-se a esta última brutalidade, Ágata disse ao juiz: “Não te envergonhas de mutilar na mulher, o que tua mãe te deu para te aleitar?” 

Após esta tortura crudelíssima, Ágata foi levada novamente ao cárcere, entregue às suas dores, sem que lhe fosse administrado o mínimo tratamento. Deus, porém, que confunde os planos dos homens, veio em auxílio de sua pobre serva. 

Durante a noite lhe apareceu um venerável ancião, que se dizia mandado por Jesus Cristo, para trazer-lhe alívio e curá-la. O ancião, que era o Apóstolo São Pedro, elogiou-lhe a firmeza e animou-a a continuar impávida no caminho da vitória. A visão desapareceu e Ágata com muita admiração viu-se completamente restabelecida. Cheia de gratidão, entoou cânticos, louvando a misericórdia e bondade de Deus. Os guardas, ouvindo-a cantar, abriram a porta do cárcere e vendo a Mártir completamente curada, fugiram cheios de pavor. As companheiras de prisão de Ágata aconselharam-na que fugisse, aproveitando ocasião tão propícia para isto. Ela, porém, disse: “Deus me livre de abandonar a arena antes de ter segura em minha mão a palma da vitória”. 

Passados quatro dias, foi novamente apresentada ao juiz. Este não pode deixar de se mostrar admirado, vendo-a completamente restabelecida. Ágata disse-lhe: “Vê e reconhece a onipotência de Deus, a quem adoro. Foi Ele quem me curou as feridas e me restituiu os seios. Como podes, pois exigir de mim que O abandone? – Não – não poderá haver tortura, por mais cruel que seja, que me faça separar-me do meu Deus”. O juiz não mais se conteve. Deu ordem para que Ágata, fosse rolada sobre cacos de vidros e brasas. No mesmo momento a cidade foi abalada por um forte tremor de terra. Uma parede, bem perto de Quintiano, desabou e sepultou dois de seus amigos. O povo, diante disto, não mais se conteve e em altas vozes exigiu a libertação da Mártir, dizendo: “Eis o castigo que veio, por causa do martírio da nobre donzela. Larga a tua inocente vítima, juiz perverso e sem coração!”. Ágata voltou ao cárcere e lá chegada, de pé, os braços abertos, orou a Deus nestes termos: “Senhor, que desde a infância me protegestes, extinguistes em mim o amor ao mundo e me destes a graça de sofrer o martírio, ouvi as preces da Vossa serva fiel e aceitai a minha alma”. Deus ouviu a voz de Sua filha e recebeu-a em sua glória no ano 252. 

Passado um ano depois da morte da Santa, a cidade de Catarina assistiu apavorada, uma erupção do Etna. O povo, em sua indizível aflição, quando viu as ondas da lava incandescia ameaçar a cidade, correu ao túmulo da Santa, tomou o véu que cobria o seu rosto e estendeu-o contra a torrente de fogo. Imediatamente o perigo estava afastado.

Santa Ágata é invocada pelos cristãos contra o perigo do incêndio.