sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Pensamento do dia 16/12/2011


"Se eu chegasse à porta do céu e me reclamassem na terra 
para atender a uma alma de pecador, 
eu deixaria lá toda a corte celeste para ir salvar essa alma."
(São Filipe de Néri)

Carta de Irmão Rafael

Nota do blogue: Fonte blogue ¡Ven, Señor Jesús!

31 de dezembro de 1937 - sexta-feira.


Vou-me dando conta de que a virtude mais prática para ter paz
na vida de comunidade é a humildade.

A humildade diante de Deus, ajuda-nos à confiança, 
pois humildade é conhecimento de si mesmo, 
e quem que se conhece a si mesmo, pode esperar algo de si?... 
Louco seria se não esperasse tudo de Deus.

A humildade enche de paz nosso trato com os homens. 
Com ela não há discussão, não há inveja, não há ofensa possível... 
Quem pode ofender o próprio nada?

Peço encarecidamente a Maria, que ensine-me naquilo em que Ela foi Mestra..., 
humilde diante de Deus e diante dos homens.

«Hágase"
31-12-1937

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Jesus Cristo sobre a cruz


I. Eis-nos, ó Minha filha, sobre o Calvário, tornado o teatro do amor de Deus tanto como da ingratidão dos homens; não te recordarei a ativa crueldade que os bárbaros soldados desenvolveram contra o Meu divino Filho, despojando-O das Suas vestes que, arrancadas violentamente da Sua carne sagrada, onde o sangue as tinha colado, reabriram todas as Suas chagas; não te recordarei com que raiva eles lançaram Jesus todo pisado sobre o madeiro da cruz, com que furor O pregaram nela nem que agitações torturaram o Seu corpo quando se erigiu a cruz e quando a fizeram cair numa cova onde devia ser enterrada. Convido-te unicamente a contemplá-lO sobre o Seu patíbulo.

Oh! quanto o Seu suplício foi afrontoso! Não pode repousar a Sua cabeça adorável; de qualquer modo que a descanse, afunda mais os cruéis espinhos que o coroam. O Seu corpo é apenas suportado por pregos que Lhe rasgam cada vez mais as carnes, rompem os nervos, as veias e as artérias, e Lhe causam as mais horríveis dores.

Oh! quantas lições nos sofrimentos de Jesus; como elas condenaram altamente a tua delicadeza! Desmaias quando um espinho te fere, não podes sofrer-lhe as picadas. Deliras por uma dor de cabeça e não cessas de te lastimar; aos teus mais ligeiros males buscas sempre um alívio e um remédio. Levanta os olhos para o teu Redentor agonizante. Que motivo de confusão para ti! Imitas tu Aquele exemplo divino que o Padre Eterno te indicou, quando mostrando-O em espírito a Moisés Lhe disse: - Olha e obra segundo o modelo exposto sobre a montanha? – Ah! Minha filha, Jesus Cristo sobre a cruz da dor e tu sobre o leito dos prazeres! Jesus Cristo em contínuos tormentos, e tu em regozijos e satisfações contínuas! Confunde-te e aprende a sofrer, porque é assim que tu imitarás Jesus Cristo e serás uma das Suas discípulas queridas.

II. O Meu divino Filho pregado sobre a cruz, exclama: Tenho sede! e os cruéis oferecem-Lhe fel e vinagre. Barbaridade incrível! Em semelhante momento, os maiores celerados são tratados com compaixão; é só para o Meu divino Filho que a maldade se aplica a aumentar as Suas dores, bem que ele esteja moribundo.

Volta-se para a direita e para a esquerda para ver se há alguém que possa consolá-lO e não acha ninguém. Todos os Seus discípulos, exceto S. João, O abandonaram dentre os homens que O insultam sorteando as Suas vestes ao pé da cruz, que zombam dEle com, palavras de desprezo, que O provocam com sarcasmo e blasfêmias, eu mesma aumentava as Suas dores com as Minhas próprias. Não achando consolação alguma sobre a terra, volta-Se para o céu. Mas ai! vê o Seu Pai que, não vendo em Seu Filho mais que a vítima carregada de pecados dos homens, Lhe diz que não está ainda tudo consumado e O deixa presa da dor e da morte. Jesus lamenta-Se docemente a Seu Pai deste abandono. Meu Deus, exclama Ele, meu Deus! porque Me abandonais? Mas adorando os decretos da justiça divina, inclina a fronte e resigna-Se: e eis aí o Meu Filho sobre a cruz completamente tornado um objeto de dor, de opróbrio e abandono. Sofre da parte dos Seus amigos, do lado do céu e da terra, dos homens e de Deus. Que motivo de terror, ó Minha filha, para os pecadores obstinados? O Deus que se mostra inexorável para com Seu Filho único, que não tem de pecador senão a aparência, sê-lo-á muito mais para aqueles que têm tido toda a malicia do pecado, se o não abrandam a tempo pela penitência. Jesus Cristo, na Sua ardente sede, suspira por suas lágrimas, não sejas avara delas para com Aquele que foi para ti prodigo da sua vida. Considera quanto te lamentas sem razão quando te vês abandonada ou traída! A tua desolação poderá em tempo algum igualar aqui Jesus Cristo sofre sobre a cruz por amor de ti! Aceita, pois de boa vontade uma gota do Seu amargo cálice, se queres partilhar da Sua glória inefável.

III. Eis enfim o momento marcado nos decretos da divina Providência em que o Meu divino Filho devia acabar a Sua dolorosa paixão. Todos os símbolos estavam realizados, todas as profecias verificadas. O inocente Cordeiro, de cujo sangue devia riscar a sentença de condenação lançada contra os homens, está imolado. Jesus exclama: Consummatum est. Tudo está consumado. 

Levanta para o céu os Seus olhos amortecidos; depois, inclinando a fronte, entrega a Sua alma nas mãos do Seu pai e expira. Instantaneamente a terra abala-se nos seus fundamentos, o sol escurece, os astros empalidecem, os rochedos fendem-se, as sepulturas entreabrem-se, e o véu do templo rasga-se. Tudo está cumprido. A natureza inteira move-se e anuncia que o seu Criador expirava. Só o homem fica insensível! Que impressão exerce sobre ti, ó Minha filha, uma tal morte? Ah! muitas vezes tu tambem ficas insensível aos pés da cruz. Habituada a considerar a imagem do teu Deus feito homem, ficas indiferente, porque muitos séculos têm passado depois da Sua imolação. As Suas dores longínquas não comovem algum dos teus sentidos. Mas o beneficio perde o seu merecimento, porque há muito tempo que o recebeste. Não sentes dele os mesmos efeitos salutares como se Deus te tivesse concedido hoje mesmo? Reanima a tua fé; figura-se-te que estás presente sobre o Calvário diante de Jesus agonizante, como Eu aí estive presente com Madalena e S. João; contempla aquele rosto moribundo, aquela cabeça coroada de espinhos, aquelas mãos e pés pregados sobre a cruz, e depois aquele lado sagrado rasgado pela lança para significar que Ele te abre todo o Seu coração

Que sentimentos devem comover o teu coração neste espetáculo? Cumpriu tudo, está consumada a tua redenção, e do alto da cruz Ele diz: Podia acaso fazer mais por ti? Minha filha, deves consumar a tua santificação. Ele te pagou o preço do teu resgate; compete-te agora aproveitar-te dEle para a tua salvação. Se o aproveitas, serás, em virtude daquela morte, eternamente venturosa, mas serás eternamente desgraçada se abusares dEle.

Afetos. É com lágrimas e soluços, mais que com palavras, que eu Vos devo responder, ó Maria, minha boa e terna Mãe. Animada pelo Vosso convite, corro a abraçar a cruz do meu adorável Salvador agonizante. Mas levantando para Ele os meus olhares, ouço no coração uma voz que me diz: - Vê, cruel, a que estado O reduziste! Os teus pecados foram os bárbaros algozes que aprestaram as cordas, prepararam os açoites, fabricaram a cruz, enterraram os espinhos, aguçaram os pregos e os cravaram com o martelo do ódio e do furor, e rasgaram com a lança o lado Sagrado de Jesus.

Ó confusão! Ó meu Redentor! quem Vos impede de me castigar em lugar de me suportar ao pé da cruz? Ah! é o amor que Vós me tendes. Liga-Vos ainda as mãos à cruz; possa Ele aí enleiar o meu coração. Ó meu Salvador adorado, desculpastes os Vossos algozes dizendo que eles não sabiam o que faziam. Eis um aos Vossos pés. Se pelo passado Vos tenho insultado, ao presente imploro o meu perdão e a Vossa piedade. Fazei com que ao menos uma gota desse sangue precioso que corre das Vossas chagas com tanta abundância caia sobre o meu coração tão frio e endurecido, para o aquecer, abrandar, fecundar e fazer-lhe produzir esses frutos de salvação para que se propunha o Vosso amor quando por minha causa Vos sujeitastes a uma morte tão humilhante e dolorosa. E Vós, Mãe dulcíssima, obtende-me esta graça por Vossa intercessão.

(Maria falando ao coração das Donzelas pelo A. Bayle, 1917)

PS.: Grifos meus.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Pensamento da noite de 13/12/2011


"No regime das almas é preciso ter um copo de ciência, 
um barril de prudência e um oceano de paciência"
(São Francisco de Sales)

Ofício das Almas

Nota do blogue: Texto extraído do blogue Escravas de Maria.

ORAÇÕES PELAS ALMAS


Oferecimento
Nós Vos oferecemos, / Ó bom Deus propício, / Pelas tristes almas, / Este breve ofício. Vós que sabeis tudo / Quanto nós pensamos, / Bem sabeis que almas / Hoje sufragamos. Participem todas / Por Vossa bondade, / Conforme a justiça / E a caridade. Para que por Vós, / Jesus, Sumo Bem, / Em paz já descansem / Para sempre. Amém.

MATINAS
Abrirei meus lábios / Em tristes assuntos, / Para sufragar / Os fiéis defuntos. 

Sede em meu favor, / Salvador do mundo, / E das almas santas / Do lago profundo. Nós Vos pedimos / Pronta salvação, preferindo aquelas / da nossa intenção. Para que por Vós, / Jesus, Sumo Bem, elas já descansem / Para sempre. Amém. 

Hino
Deus Vos salve, Cristo / Em Vossa Paixão, / Redentor das almas / Dos filhos de Adão. Por tal benefício / Público e notório, / Socorrei as almas / Lá no purgatório. Não entreis com elas, / Senhor, em juízo, / Para que não tenham / Total prejuízo. Porque na presença / Do Crucificado, / Nenhum dos viventes / É justificado. Pelo sacrifício da sagrada Missa, / Não useis com elas / Da Vossa justiça. Com as tristes almas, / Meu Senhor, usai / Das misericórdias / De Deus, Vosso Pai. Vós sois o Cordeiro / Todo ensangüentado, / Para o bem das almas / Tão sacrificado. Supra o Vosso sangue, / Precioso e santo, / O dever das almas, / Que padecem tanto. 

Peçamos a Deus / A eterna luz, / Para os que já dormem / Em Cristo, Jesus. Ouvi meu bom Deus, / O deprecatório. / Em favor das almas / Lá no purgatório. Pai Nosso e Ave Maria.

Oração
Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos. Pelos merecimentos infinitos do Vosso unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém. 

PRIMA
Sede em meu favor, / Salvador do mundo, E das almas santas / Do lago profundo. Nós Vos pedimos / Pronta salvação, preferindo aquelas /da nossa intenção. Para que por Vós, /Jesus sumo Bem, elas já descanse/ Para sempre, Amém. 

Hino
Deus Vos salve, Excelso Senhor compassivo, / Das almas que penam / Entre o fogo vivo. Segundo Batismo / Lhes dai, meu Senhor, / Batismo de fogo / Purificador. Como em Babilônia / Os três inocentes / Só de Vós se lembram / Nas chamas ardentes. Só a Vossa clemência / As pode remir / Do fogo que arde / Sem as consumir; Fogo que formastes / Com tais predicados, / Para expiação / Dos nossos pecados. Muito mais ativo / que o calor do sol, / Pior que uma frágoa / Que um vivo crisol. Supra o Vosso sangue, / Que é tão meritório, / O dever das almas / lá no purgatório. Aplacai das chamas / Também o calor, / Daquele tremendo/ fogo expiador. 

Peçamos a Deus / A eterna luz, / Para os que já dormem / Em Cristo, Jesus. Ouvi meu bom Deus, / O deprecatório. / Em favor das almas / Lá no purgatório. Pai Nosso e Ave Maria. 

Oração
Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos. Pelos merecimentos infinitos do Vosso unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, Sua Mãe e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém. 

TERÇA
Sede em meu favor, / Salvador do mundo, E das almas santas / Do lago profundo. Nós Vos pedimos / Pronta salvação, preferindo aquelas /da nossa intenção. Para que por Vós, / Jesus sumo Bem, elas já descanse / Para sempre, Amém. 

Hino
Deus Vos salve, Pai / De misericórdia, / Onde resplandece / A paz e a concórdia. Por tal excelência / Que em Vós adoramos, / Socorrei as almas, / Por quem suplicamos. Tão aferrolhadas, / Como Manassés, / Mover não podem / Suas mãos nem pés. Privadas de verem / Ao grande Adonai. / Seu eterno Rei, / Seu divino Pai. Mais penalizadas / Do que Absalão, / Por já não gozarem / de Deus a visão. Como o santo Jó / Tão amargamente / Lágrimas derramam / Para Deus somente. Qual o Rei Profeta, / Seus olhos aflitos / Estão já enfermos / Por falta de espírito. Médico divino / Só Vossa virtude / Pode dar às almas / eterna saúde. 

Peçamos a Deus / A eterna luz, / Para os que já dormem / Em Cristo, Jesus. Ouvi meu bom Deus, / O deprecatório. / Em favor das almas / Lá no purgatório. Pai Nosso e Ave Maria.

Oração
Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos. Pelos merecimentos infinitos do Vosso unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, Sua Mãe e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém. 

SEXTA
Sede em meu favor, / Salvador do mundo, E das almas santas / Do lago profundo. Nós Vos pedimos / Pronta salvação, preferindo aquelas /da nossa intenção. Para que por Vós, / Jesus sumo Bem, elas já descanse /Para sempre, Amém. 

Hino
Deus Vos salve nosso / Divino Mecenas, / Protetor das almas / Que estão entre penas. Vós sois nosso irmão / Pela humanidade, / Nosso advogado / Com a divindade. Derramai mil graças / Dessas Vossas mãos / Sobre aquelas almas / Dos nossos irmãos. Obrai, pois com elas, / Já com brevidade, / Um gasto estupendo / Da Vossa bondade. Apressai as horas / Chegai os momentos / De finalizarem / Seus grandes tormentos. Não Vos recordeis / Dos tempos passados, / Quando cometeram / Seus grandes pecados. Supra o Vosso sangue, / Tão satisfatório / O dever das almas / Lá no purgatório. Acabai as Vossas / Correções fraternas, / Para que já gozem / delícias eternas. 

Peçamos a Deus / A eterna luz, / Para os que já dormem / Em Cristo, Jesus. Ouvi meu bom Deus, / O deprecatório. / Em favor das almas / Lá no purgatório. Pai Nosso e Ave Maria

Oração
Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos. Pelos merecimentos infinitos do Vosso unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, Sua Mãe e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém. 

NOA
Sede em meu favor, / Salvador do mundo, E das almas santas / Do lago profundo. Nós Vos pedimos / Pronta salvação, preferindo aquelas / da nossa intenção. Para que por Vós, / Jesus sumo Bem, elas já descanse / Para sempre, Amém. 

Hino
Deus Vos salve, Cristo, / Pastor piedoso / Das almas benditas/ Do lago Penoso. Libertai as almas, / Pastor sempiterno, / Daquele lugar / Junto do inferno. Qualquer dessas almas, / Que pena Terá! / Porque no inferno / Quem vos louvará? Nestas tristes almas, / Senhor, acabai / Os justos castigos / De Deus, Vosso Pai. Supra Vosso sangue, / Tão satisfatório / O dever das almas / Lá no Purgatório. Quebrai, meu Jesus, / poderoso e forte / Aquelas prisões / Dos laços da morte. Seja o Vosso braço / O libertador / Das almas que penam / Em tanto rigor. Por Vós finalize, / Jesus soberano, / Nessas tristes almas / A pena do dano. 

Peçamos a Deus / A eterna luz, / Para os que já dormem / Em Cristo, Jesus. Ouvi meu bom Deus, / O deprecatório. / Em favor das almas / Lá no purgatório. Pai Nosso e Ave Maria

Oração
Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos. Pelos merecimentos infinitos do Vosso unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, Sua Mãe e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém. 

VÉSPERAS
Sede em meu favor, / Salvador do mundo, E das almas santas / Do lago profundo. Nós Vos pedimos / Pronta salvação, preferindo aquelas /da nossa intenção. Para que por Vós, /Jesus sumo Bem, elas já descanse /Para sempre, Amém. 

Hino
Deus Vos salve, Filho / Do Onipotente, / Com as tristes almas, / Sempre tão clemente. Tende compaixão / Dessas tristes almas, / Que estão padecendo/ Rigorosas chamas. Bem como as securas / Do rico avarento, / Padecem as almas / Outro igual tormento. Assim como os servos / Dos vales e montes,/ Quando sequiosos / Procuram as fontes. Assim mesmo as almas / Querem excessivas / Só a Vós, meu Deus, / Fontes d’águas vivas. Mandai-lhes propício / As águas da graça, / Para melhorarem / daquela desgraça. O perdão das almas, / Senhor, alcançai, / Das misericórdias / De Deus Vosso Pai. Vosso sangue seja, / Propiciatório, / De Deus para as almas / Lá no purgatório. 

Peçamos a Deus / A eterna luz, / Para os que já dormem / Em Cristo, Jesus. Ouvi meu bom Deus, / O deprecatório. / Em favor das almas / Lá no purgatório. Pai Nosso e Ave Maria

Oração
Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos. Pelos merecimentos infinitos do Vosso unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, Sua Mãe e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém. 

COMPLETAS
Converta-nos Deus, / A nós todos juntos / Para sufragarmos / Os fiéis defuntos. 

Sede em meu favor, / Salvador do mundo, E das almas santas / Do lago profundo. Nós Vos pedimos / Pronta salvação, preferindo aquelas /da nossa intenção. Para que por Vós, /Jesus sumo Bem, elas já descanse / Para sempre, Amém. 

Hino
Deus Vos salve, Esposo / Das almas fiéis / Que estão padecendo / Tormentos cruéis. Olhai compassivo / Para as fadigas / Dessas que não são / Vossas inimigas. Mesmo assim Vos amam / Em tal padecer, / Sem aqueles toques / Do doce prazer. Como as Virgens loucas / Foram imprudentes, / Perdoai as suas / Ações negligentes. Celebrai depressa / As núpcias eternas, / Com aquelas almas / humildes e ternas. Conduzi-as logo / À feliz herança / Da Vossa suprema / Bem-aventurança. Transporta-as já / Sem mais dilação / Para os tabernáculos / Da santa Sião. Por Vós gozem elas / Sem menor detença / Os doces efeitos / Da Vossa presença. 

Peçamos a Deus / A eterna luz, / Para os que já dormem / Em Cristo, Jesus. Ouvi meu bom Deus, / O deprecatório. / Em favor das almas / Lá no purgatório. Pai Nosso e Ave Maria

Oração
Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos. Pelos merecimentos infinitos do Vosso unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, Sua Mãe e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Pensamento da noite de 12/12/2011


"Até quando, Senhor?
Vós vos esqueces para sempre?
Até quando deverei ficar cismando,
como o coração aflito o dia todo?
Até quando vai prevalecer o meu inimigo?

Atende, responde-me, Senhor Deus meu,
dá luz aos meus olhos,
para que não durmam o sono da morte.
Que meu inimigo não diga 'Eu o venci',
nem se alegre meu adversário com meu fracasso.

Pois eu confio em Vossa lealdade,
meu coração exulta com Vossa salvação;
cantarei ao Senhor
pelo bem que me fez."
(Salmo 13)

12 de Dezembro dia de Nossa Senhora de Guadalupe

Oração a Nossa Senhora de Guadalupe
Padroeira da América Latina (12 de dezembro) 


Ó gloriosa Mãe de Deus, Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina: 
Abençoai esta casa e a família que aqui reside. 
Protegei nossos filhos, livrando-os das maldades e dos perigos deste mundo. 
Guardai nosso lar, escondendo-o dos olhos dos maus. 
Que nesta casa o nome de Deus seja sempre invocado com respeito e amor. 
Que os Seus mandamentos sejam observados com fidelidade. 
Que Vosso bendito nome, ó Mãe querida, seja sempre 
lembrando com muita devoção. 
Que a palavra de Vosso Filho Jesus seja sempre meditada
e seguida todos os dias de nossa vida. 
Honra, louvor e glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo: 
Trindade Santíssima. Amém.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Acerca da perseverança


I. A enormidade do pecado, a beleza da virtude, os terríveis castigos que te esperam se vives mal, as recompensas inefáveis que te estão reservadas no céu, se vives bem, tem-te decidido, com grande alegria de Deus e Minha, a formar bons projetos e a tomar resoluções santas, a fim de viver como uma donzela verdadeiramente cristã. Mas serás tu fiel em observá-las? Serás perseverante no bem que tens começado? Ah! que é pois o homem? Vê-o bem, aprova-o, admira-o e ama-o; enquanto a razão o guia, está resolvido a segui-lo, e depois, cego pelas seduções dos sentidos e das paixões, deixa-se arrastar ao pecado, apesar das luzes da razão que o condena, e apesar das censuras da consciência.

De que te serviria, ó Minha filha, o bem que tens feito, se tornasses a cair nas culpas que tens detestado, e nos Meus hábitos; se, olvidando tudo quanto tens resolvido, tudo quanto tens prometido cumprir, tornasses a ser tal como antes da tua conversão?

Ai! isso não serviria senão para uma condenação maior. Mais te valia não ter conhecido a verdade do que abandoná-la depois de tê-la conhecido. Não é aquele que tiver começado bem que será salvo, mas aquele que tiver perseverado fielmente, até ao fim; não é aquele que tiver dado alguns passos no caminho da verdade, mas, aquele que chegar com felicidade ao termo quem ganhará o prêmio e a coroa. Sê, pois de futuro constante no bem que tens começado, fiel em tudo quanto tens valorosamente resolvido, e o céu não poderá faltar-te. Deus mesmo empenhou a Sua palavra, que não pode enganar: Quem perseverar até ao fim será salvo.

II. A reunião de todas as virtudes, ó Minha filha, não te servirá, pois de nada, como vês, se não for coroada pela perseverança. Deves, portanto pôr todo o teu cuidado em perseverar no bem e não deixar nunca de pedir a Deus nas tuas orações o dom da perseverança. Esta graça, Minha filha é tão grande, que excede muito o merecimento dos cristãos mais perfeitos. É o dom mais precioso que Deus pode conceder aos Seus eleitos, porque, se a lei é o principio da tua salvação, é a perseverança que a conclui. Se, pelo batismo, adquiriste os direitos a glória celeste, é a perseverança que te fará possuir. Se as luzes, as graças divinas e os sacramentos que recebes aumentam os teus merecimentos para o céu e te tornam mais agradável a Deus, não te tornam, entretanto nem invencível nem impecável, se te não assistir o dom da perseverança para te fazer vencer as ciladas do inferno, as concupiscências da carne e os prestígios do mundo.

Portanto a perseverança deve coroar todas as virtudes; é ela o caminho venturoso onde remata o caminho da salvação. Mas a grandeza de semelhante dom deve fazer-te compreender a necessidade em que estás de merecê-lo; porque Deus, sem dúvida, é liberal em Seus dons, mas não é prodigo.

Deves merecê-lo pedindo-o piedosa e humildemente: Pedi, nos diz Ele mesmo, e recebereis; procurai e achareis; batei à porta e ser-vos-á aberta. Deves merecê-lo por uma vigilância continua sobre a tua conduta, a fim de não seres semelhante à essas virgens loucas que não foram admitidas na sala do festim, porque não tinham velado e não estavam com as suas lâmpadas cheias esperando o divino Esposo.

III. O inimigo infernal, ó Minha filha, te declarará uma guerra encarniçada; não poupará nem manha nem embuste para te fazer faltar à perseverança. Tentações contínuas, desgosto do bem, solicitações ao mal, impaciências, zombarias da parte dos mundanos por causa da tua fidelidade aos teus deveres de cristão, seduções do mundo, que te farão desejar a pompa e grandeza, laços estendidos a cada passo; porá tudo em campo para te fazer cair.

Mas nada temas; quanto mais o combate for renhido tanto mais a vitória será gloriosa. Procurará persuadir-te que não te é possível levar uma vida virtuosa, que é sempre tempo de te dares a Deus. Mas desconfia das suas sugestões, minha filha. Estás perdida se dás ouvidos aos silvos infernais. Deverás combater e sofrer, mas já tens compreendido que se não ganha o céu sem trabalhos e sem tribulações. Tens meditado, tens resolvido levar a tua cruz para marchar sobre os vestígios do Redentor. A virtude tem suas dificuldades, mas não seria meritória se não houvesse nada a sofrer para a praticar. Além disso, bem sabem que não és só tu a levar a cruz; Meu divino Filho precede-te e levá-la-á mesmo contigo.

Sabes que Ele não permitirá nunca que sejas tentada além das tuas forças, e que te concederá as graças suficientes para venceres com glória a tentação. Fortifica-te, pois com estas reflexões. Pensa, além disso, que as graças de Deus são contadas como os dias da tua vida; que os julgamentos de Deus são terríveis, espantosos; que as penas reservadas aos maus são eternas; que um só momento pode fazer-te perder o fruto de todo o bem que tens feito; que a vida, por longa que seja, nada é em comparação da eternidade; que tudo podes com a graça de Deus. Eleva enfim os teus olhares para céu e vê se é esta uma recompensa que merece que empregues todos os teus esforços para obtê-la.

Afetos. Ó Minha terna Mãe, reconheço agora, graças às luzes com que me haveis instruído, que de nada serve ter conhecido a verdade se se não segue, e de tomar boas resoluções não as observando. Reconheço também que nenhuma virtude sem perseverança merece louvor ou recompensa. Mas a minha inconstância faz-me tremer. Desgraçada! que viria a ser de mim se aquela inconstância se unissem as seduções do mundo, os laços do demônio e as revoltas das minhas paixões!

Eis aí querida Mãe, o que me faz temer vivamente de faltar à perseverança. De que me serviriam estas minhas resoluções e bons projetos? De que me serviria o Vosso maternal cuidado de me instruir e guiar? As Vossas palavras entanto consolam-me ensinando-me que se por mim própria nada posso, tudo poderei com a graça divina. Fortalecida por essa graça e esperançando-me nela, disponho-me com inabalável resolução, combater as tentações do inimigo, desprezar as seduções do mundo, não fazer caso de tudo quanto digam de mim, e reprimir todas as minhas paixões. Ó divina Mãe, já que Vos tendes dignado instruir-me, dignai-Vos socorrer-me com a Vossa poderosíssima proteção. Sustentada com a graça de Deus e Vosso apoio, espero continuar com perseverança o bem principiado; espero acabar em paz a minha vida e santificação. Amém.

(Maria falando ao coração das Donzelas pelo Abade A. Bayle, 1917)

PS.: Grifos meus.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Pensamento do dia 09/12/2011


"A vã glória é, na verdade, uma peste detestável
e um mal terrível, porque nos aparta da verdadeira
glória e nos despoja da graça celestial."
(Imitação de Cristo)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Bula Ineffabilis Deus

Dogma da Imaculada Conceição
(Papa Pio IX)


Posição e privilégios de Maria nos desígnios de Deus


1. Deus inefável, "cuja conduta toda é bondade e fidelidade", cuja vontade é onipotente, e cuja sabedoria "se estende com poder de um extremo ao outro (do mundo), e tudo governa com bondade", tendo previsto desde toda a eternidade a triste ruína de todo o gênero humano que derivaria do pecado de Adão, com desígnio oculto aos séculos, decretou realizar a obra primitiva da sua bondade com um mistério ainda mais profundo, mediante a Encarnação do Verbo. Porque, induzido ao pecado — contra o propósito da divina misericórdia — pela astúcia e pela malícia do demônio, o homem não devia mais perecer; antes, a queda da natureza do primeiro Adão devia ser reparada com melhor fortuna no segundo.


2. Assim Deus, desde o princípio e antes dos séculos, escolheu e pré-ordenou para seu Filho uma Mãe, na qual Ele se encarnaria, e da qual, depois, na feliz plenitude dos tempos, nasceria; e, de preferência a qualquer outra criatura, fê-la alvo de tanto amor, a ponto de se comprazer nela com singularíssima benevolência. Por isto cumulou-a admiravelmente, mais do que todos os Anjos e a todos os Santos, da abundância de todos os dons celestes, tirados do tesouro da sua Divindade. Assim, sempre absolutamente livre de toda mancha de pecado, toda bela e perfeita, ela possui uma tal plenitude de inocência e de santidade, que, depois da de Deus, não se pode conceber outra maior, e cuja profundeza, afora de Deus, nenhuma mente pode chegar a compreender.

3. E, certamente, era de todo conveniente que esta Mãe tão venerável brilhasse sempre adornada dos fulgores da santidade mais perfeita, e, imune inteiramente da mancha do pecado original, alcançasse o mais belo triunfo sobre a antiga serpente; porquanto a ela Deus Pai dispusera dar seu Filho Unigênito — gerado do seu seio, igual a si mesmo e amado como a si mesmo — de modo tal que Ele fosse, por natureza, Filho único e comum de Deus Pai e da Virgem; porquanto o próprio Filho estabelecera torná-la sua Mãe de modo substancial; porquanto o Espírito Santo quisera e fizera de modo que dela fosse concebido e nascesse Aquele de quem Ele mesmo procede.

Tradição da Igreja sobre a Imaculada Conceição

4. A Igreja Católica, que, instruída pelo Espírito de Deus, é "a coluna e a base da verdade", sempre considerou como divinamente revelada e como contida no depósito da celeste revelação esta doutrina acerca da inocência original da augusta Virgem, doutrina que está tão perfeitamente em harmonia com a sua maravilhosa santidade, e com a sua eminente dignidade de Mãe de Deus; e, como tal, nunca cessou de explica-la, ensina-la e favorece-la cada dia mais, de muitos modos e com atos solenes.

5. Porém esta mesma doutrina, admitida desde os tempos antigos, profundamente radicada na alma dos fiéis e admiravelmente propagada no mundo católico pelo cuidado e pelo zelo dos bispos, de modo o mais claro foi professada pela Igreja quando esta não hesitou em propor a Conceição da Virgem ao culto público e à veneração dos fiéis. Com este ato significativo ela, de fato, mostrava que a Conceição de Maria devia ser venerada como singular, maravilhosa, diferentíssima da de todos os outros homens, e plenamente santa; visto que a Igreja só celebra as festas dos Santos. Por isto é costume da Igreja, quer nos ofícios eclesiásticos, quer na santa Liturgia, usar e aplicar à origem da Virgem as mesmas expressões com que as divinas Escrituras falam da Sabedoria incriada e representam as eternas origens desta, havendo Deus, com um só e mesmo decreto, preestabelecido a origem de Maria e a encarnação da Divina Sabedoria.

6. Todas estas doutrinas e todos estes fatos, em toda parte e geralmente aceitos pelos fiéis, mostram com quanto cuidado a própria Igreja Romana, mãe e mestra de todas as Igrejas, tem favorecido a doutrina da Imaculada Conceição da Virgem. Todavia, parece assaz conveniente recordar em particular os atos mais importantes da Igreja nesta matéria; porquanto é tal a dignidade e autoridade que à Igreja absolutamente pertencem, que ela deve ser considerada o centro da verdade e da unidade católica; é a única que tem guardado inviolavelmente a religião; e todas as outras igrejas devem receber a tradição da fé.

Os Papas favoreceram o culto da Imaculada

7. Pois bem: esta Igreja Romana nada teve mais a peito do que professar, sustentar, propagar e defender por todos os modos mais significativos a Imaculada Conceição da Virgem, o seu culto e a sua doutrina. Tal solicitude é aberta e claramente atestada por inúmeros atos insignes dos Pontífices Romanos Nossos Predecessores, aos quais, na pessoa do Chefe dos Apóstolos, foi pelo próprio Cristo Senhor confiada a tarefa e a autoridade suprema de apascentar os cordeiros e as ovelhas, de confirmar os irmãos e de reger e governar a Igreja.

8. De fato, os Nossos Predecessores consideraram sua glória o haverem, com a sua autoridade Apostólica, instituído na Igreja Romana a festa da Conceição, dotando-a e honrando-a com um Ofício e com uma Missa própria, em que com máxima clareza se afirma a prerrogativa da imunidade de toda mancha original. Além disto, com todo o cuidado promoveram e aumentaram o culto já estabelecido, concedendo Indulgências; concedendo a cidades, províncias e reinos a faculdade de escolherem por Padroeira a Mãe de Deus sob o título da Imaculada Conceição; aprovando irmandades, congregações e famílias religiosas instituídas em honra da Imaculada Conceição; tributando louvores à piedade daqueles que levantavam mosteiros, hospícios, altares, templos sob o título da Imaculada Conceição, ou sob juramento se comprometiam a defender a todo custo a Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

9. Ademais, com a maior alegria ordenaram que a festa da Conceição fosse celebrada em toda a Igreja com solenidade igual à da festa da Natividade; que com oitava fosse celebrada pela Igreja universal e escrupulosamente observada por todos os fiéis como festa de preceito; que todo ano, no dia da festa da Imaculada Conceição de Maria, se promovesse Capela Papal na Nossa patriarcal basílica Liberiana.

10. Desejando, pois, confirmar sempre mais no ânimo dos fiéis esta doutrina da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, e estimular-lhes a piedade do culto e à veneração da Virgem concebida sem pecado original, com sumo prazer concederam a faculdade de citar a Imaculada Conceição da mesma Virgem nas Ladainhas Lauretanas e no próprio Prefácio da Missa; de modo que a norma da fé fosse valorizada pela forma da oração. Portanto, Nós, postos nas pegadas de Predecessores tão ilustres, não somente temos aprovado e aceitado as suas piedosíssimas e sapientíssimas disposições, senão que, lembrados daquilo que Sisto IV instituíra, de muito bom grado confirmamos com a Nossa autoridade o Ofício próprio da Imaculada Conceição, e concedemos o uso dele a toda a Igreja.

Os Papas precisaram o objeto do culto da Imaculada

11. Mas, como tudo o que se refere ao culto está estreitamente ligado com o seu objeto e não pode ter consistência nem duração se este objeto estiver mal definido ou incerto, os Romanos Pontífices Nossos Predecessores, enquanto solicitamente se esforçaram por aumentar o culto da Conceição, intensissimamente se preocuparam também com lhe explicar e inculcar o objeto e a doutrina.

12. Com efeito, eles ensinaram clara e abertamente que, nas festas por eles estabelecidas, se celebrava a Conceição da Virgem; e proscreveram, como falsa e contrária ao pensamento da Igreja a opinião daqueles que entendiam e afirmavam que a Igreja honrava não propriamente a Conceição de Maria, mas a sua santificação. Nem julgaram dever ter maiores considerações com os que, para abalarem a doutrina da Imaculada Conceição, excogitaram uma distinção entre o primeiro e o segundo instante da Conceição, e pretenderam que da Conceição se festejasse não o primeiro, mas o segundo momento. E, na realidade, os mesmos Nossos Predecessores consideraram seu estrito dever não somente sustentarem com todo empenho a festa da Conceição da beatíssima Virgem, mas também asseverarem que o verdadeiro objeto do culto era a Conceição considerada no seu primeiro instante.

13. Daqui as palavras absolutamente peremptórias com que Alexandre VII, Nosso Predecessor, exprimiu o verdadeiro pensamento da Igreja. De fato Ele declarou que "desde a antiguidade, a piedade dos fiéis para com a beatíssima Virgem Maria havia crido que a sua alma, desde o primeiro instante da sua criação e da sua infusão no corpo, por uma especial graça e privilégio de Deus, em vista dos méritos de Jesus Cristo, seu Filho e Redentor do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha do pecado original; e, neste sentido, celebrara ela solenemente a festa da Conceição"1.

14. Mas, os Nossos Predecessores aplicaram-se sobretudo, com todo cuidado, zelo e esforço a manter intacta a doutrina da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. De fato, eles não só, absolutamente, não toleraram que, por quem quer que fosse e de qualquer modo, fosse essa doutrina criticada ou censurada, porém foram ainda muito mais longe, proclamando com claras e reiteradas declarações que a doutrina com que professamos a Imaculada Conceição da Virgem é e deve ser, com toda razão, considerada em tudo conforme ao culto da Igreja; é antiga e quase universal; é tal, que a Igreja Romana começou a favorecê-la e a defendê-la; e é de todo digna de ter um lugar na própria Liturgia sagrada e nas orações mais solenes.

Os Papas proibiram a doutrina contrária

15. E, não satisfeitos com isto, a fim de que a doutrina acerca da Imaculada Conceição de Maria se conservasse íntegra, proibiram severissimamente sustentar-se, quer em público quer em particular, a opinião a ela contrária, a qual quiseram como de muitos modos ferida de morte. E, para que essas repetidas e claríssimas declarações não redundassem vãs, também lhes aditaram sanções.

16. Tudo isto foi expresso pelo Nosso já lembrado Predecessor Alexandre VII, com as seguintes palavras: 
"Nós temos bem presente que a santa Igreja Romana celebra solenemente a festa da Conceição da imaculada e sempre Virgem Maria, e aprovou outrora um ofício especial e próprio para a dita festa, segundo as disposições que então foram dadas por Sisto IV, Nosso Predecessor. Desejamos, pois, favorecer esta louvável e piedosa devoção, a festa e o culto a ela prestado e que permaneceu inalterado na Igreja Romana desde a instituição da mesma; e, consoante o exemplo dos Romanos Pontífices Nossos Predecessores, defender este devoto modo de venerar e honrar a beatíssima Virgem preservada do pecado original por virtude da graça proveniente do Espírito Santo. Além disto, é Nossa viva preocupação conservar no rebanho de Cristo a unidade do espírito no vínculo da paz, suprimindo as ofensas e as contendas, e removendo os escândalos. Por isto, acolhendo as instâncias e as súplicas a Nós apresentadas pelos preditos bispos, pelos Cabidos das suas igrejas, e pelo rei Filipe e pelos seus reinos, renovamos as Constituições e os Decretos emanados dos Romanos Pontífices Nossos Predecessores, e especialmente de Sisto IV, Paulo V e Gregório XV, em defesa da sentença que sustenta que a alma da bem-aventurada Virgem Maria, na sua criação e infusão no corpo, teve o dom da graça do Espírito Santo e foi preservada do pecado original; e em favor da festa e do culto da Conceição da mesma Virgem Mãe de Deus, entendidos segundo a piedosa sentença supra exposta; e ordenamos que tais Constituições e Decretos sejam plenamente observados sob pena de incorrer nas censuras e nas outras sanções previstas pelas próprias Constituições.

"Outrossim decretamos que todos aqueles que continuarem a interpretar as Constituições e os Decretos supra lembrados de modo a tornar vão o favor atribuído pelas Constituições e pelos Decretos àquela sentença, à festa e ao culto; todos aqueles que com discussões se manifestarem contra esta sentença, esta festa e este culto, ou que, de qualquer modo — direta ou indiretamente, — ou sob qualquer pretexto — de lhe examinar a definibilidade, de interpretar a Sagrada Escritura ou os santos Padres, ou de comentar os Doutores, — por escrito ou de viva voz, ousarem falar, pregar, tratar, discutir, precisando, afirmando, aduzindo argumentos — deixados depois insolvidos, — ou por qualquer outro modo inimaginável, além de incorrerem nas penas e censuras contidas nas Constituições de Sisto IV — às quais queremos que estejam sujeitos e às quais, de fato, com esta Constituição os sujeitamos, — são por Nós privados da faculdade de pregar, de dar lições públicas, de ensinar, e de interpretar; são privados da voz ativa e passiva em toda espécie de eleições; incorrem "ipso facto", sem necessidade de qualquer declaração, na pena da incapacidade perpétua para pregar, para dar lições públicas, para ensinar e para interpretar. De tais penas não poderão ser absolvidos ou dispensados senão por Nós ou pelos Sumos Pontífices Nossos Sucessores. Além de a estas penas, sujeitamo-los — e pela presente Constituição declaramo-los sujeitos — a todas as outras penas que puderem ser infligidas ao Nosso arbítrio ou ao dos Sumos Pontífices Nossos Sucessores; confirmando, a respeito, as já lembradas Constituições de Paulo V e Gregório XV.

"Por último, proibimos, e decretamos sujeitos às penas e às censuras contidas no Índice dos Livros proibidos, e ordenamos sejam, "ipso facto" e sem necessidade de qualquer declaração, considerados proibidos, os livros, as prédicas, os tratados, as investigações, publicados ou ainda por publicar, depois do lembrado Decreto de Paulo V, nos quais a supradita sentença, a festa e o culto sejam postos em dúvida ou, de qualquer modo, contrariados".
Consenso de Doutos, de Bispos e de Famílias Religiosas

17. Por outra parte, todos sabem com quanto zelo a doutrina da Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus foi transmitida, sustentada e defendida pelas mais ilustres Famílias religiosas, pelas mais célebres Academias teológicas, e pelos Doutores mais profundos na ciência das coisas divinas. Igualmente, todos conhecem o quanto os bispos têm sido solícitos em sustentar abertamente, mesmo nas assembléias eclesiásticas, que a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, em previsão dos méritos do Redentor Cristo Jesus, nunca este sujeita ao pecado original, e, por isto, foi remida de maneira mais sublime.

O Concílio de Trento em harmonia com a Tradição

18. A tudo isto se junta o fato, da maior importância e autoridade, de, quando o mesmo Concílio de Trento promulgou o decreto dogmático sobre o pecado original, e, consoante os testemunhos da Sagrada Escritura, dos santos Padres e dos concílios mais autorizados, estatuiu e definiu que todos os homens nascem infectados pelo pecado original, haver todavia solenemente declarado não ser sua intenção abranger em dito Decreto, e na extensão de uma definição tão geral, a bem-aventurada e Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus. De fato, com tal declaração os Padres tridentinos assaz claramente fizeram compreender, por essas circunstâncias, que a beatíssima Virgem Maria foi isenta da culpa original; e com isso demonstraram abertamente que nem das divinas Escrituras, nem da autoridade dos Padres, se pode deduzir qualquer argumento que de qualquer modo esteja em contradição com esta prerrogativa da Virgem.

19. E, na verdade, ilustres e venerandos monumentos da antiga Igreja oriental e ocidental aí estão para atestar que esta doutrina da Imaculada Conceição da beatíssima Virgem, cada vez mais esplendidamente explicada, esclarecida e confirmada pelo autorizadíssimo sentimento, pelo magistério, pelo zelo, pela ciência e pela sabedoria no seio de todas as nações do mundo católico, sempre existiu no seio da mesma Igreja, como recebida por tradição, e revestida do caráter de doutrina revelada.

20. De feito, a Igreja de Cristo, guardiã e vindicadora das doutrinas a ela confiadas, jamais as alterou, nem com acréscimos nem com diminuições; mas trata com todas as deferências e com toda a sabedoria aquelas que a antiguidade delineou e os Padres semearam; e procura limiar e afinar aquelas antigas doutrinas da divina revelação, de modo que recebam clareza, luz e precisão. Assim, enquanto conservam a sua plenitude, a sua integridade e o seu caráter, elas se desenvolvem somente segundo a sua própria natureza, ou seja, no mesmo pensamento, no mesmo sentido.

Pensamento dos Padres e dos Escritores Eclesiásticos

21. Ora, os Padres e os escritores eclesiásticos, instruídos pelos divinos ensinamentos, nos livros que escreveram para explicar a Escritura, para defender os dogmas e para instruir os fiéis, tiveram sobretudo a peito pregar e exaltar, em múltipla e maravilhosa porfia, a suma santidade, a dignidade e a imunidade da Virgem, de toda mancha de pecado, e a sua plena vitória sobre o crudelíssimo inimigo do gênero humano.

O Proto-Evangelho

22. Por tal motivo, ao explicar as palavras com que, desde as origens do mundo, Deus anunciou os remédios preparados pela sua misericórdia para a regeneração dos homens, confundiu a audácia da serpente enganadora e reergueu admiravelmente as esperanças do gênero humano, dizendo: "Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela", eles ensinaram que, com esta divina profecia, foi clara e abertamente indicado o misericordiosíssimo Redentor do gênero humano, isto é, o Filho Unigênito de Deus, Jesus Cristo; foi designada sua beatíssima Mãe, a Virgem Maria; e, ao mesmo tempo, foi nitidamente expressa a inimizade de um e de outra contra o demônio.

23. Em conseqüência disto, assim como Cristo, Mediador entre Deus e os homens, assumindo a natureza humana destruiu o decreto de condenação que havia contra nós, cravando-o triunfalmente na Cruz, assim também a Santíssima Virgem, unida com Ele por um liame estreitíssimo e indissolvível, foi, conjuntamente com Ele e por meio d’Ele, a eterna inimiga da venenosa serpente, e esmagou-lhe a cabeça com seu pé virginal.

Figuras bíblicas de Nossa Senhora

24. Deste nobre e singular triunfo da Virgem, da sua excelentíssima inocência, pureza e santidade, da sua imunidade do pecado original, e da inefável abundância e grandeza de todas as suas graças, virtudes e privilégios, viram os mesmos Padres uma figura na arca de Noé, que, construída por ordem de Deus, ficou completamente salva e incólume do naufrágio comum; na escada que Jacó viu, da terra, chegar até ao céu: escada por cujos degraus os Anjos subiam e desciam, e em cujo topo estava o próprio Senhor; na sarça que, embora vista por Moisés arder no lugar santo, por todos os lados, em chamas crepitantes, contudo não se consumia nem sofria dano algum, mas continuava a ser bem verde e florida; naquela torre inexpugnável, posta defronte do inimigo, da qual pendem mil escudos e toda a armadura dos fortes; naquele jardim fechado, que não devia ser violado ou danificado por nenhuma fraude ou por nenhuma insídia; naquela resplandecente cidade de Deus, que tem os seus fundamentos sobre as montanhas santas; naquele augusto templo de Deus que, refulgente dos divinos esplendores, está cheio da glória do Senhor; e, enfim, em todas aquelas outras inúmeras figuras em que os Padres divisaram (e lhe transmitiram o ensinamento) o claro prenúncio da excelsa dignidade da Mãe de Deus, da sua ilibada inocência e da sua santidade, nunca sujeita a qualquer mancha.

Expressões dos Profetas

25. Os mesmos Padres, para descreverem esse maravilhoso complexo de dons divinos e a inocência original da Virgem, Mãe de Jesus, recorreram também aos escritos dos Profetas, e celebraram a mesma augusta Virgem como uma pomba pura; como uma Jerusalém santa; como o trono excelso de Deus; como arca santificada; como a casa que a eterna sabedoria para si mesma edificou; e como aquela Rainha que, cumulada de delícias e apoiada ao seu Dileto, saiu da boca do Altíssimo absolutamente perfeita, bela, caríssima a Deus, e jamais poluída por mancha de culpa.

A "Ave-Maria" e o "Magnificat"

26. Depois, quando os mesmos Padres e os escritores eclesiásticos consideravam que, ao dar à beatíssima Virgem o anúncio da altíssima dignidade de Mãe de Deus, por ordem do próprio Deus, o Anjo Gabriel lhe chamara cheia de graça, ensinaram que com esta singular e solene saudação, até então nunca ouvida, se demonstrava que a Mãe de Deus era a sede de todas as graças de Deus, era exornada de todos os carismas do Espírito Divino; antes, era um tesouro quase infinito e um abismo inexaurível dos mesmos carismas; de modo que, ela não somente nunca esteve sujeita à maldição, mas foi também, juntamente com seu Filho, participante de perpétua benção: digna de, por Isabel movida pelo Espírito de Deus, ser dita: "Bendita és entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre".

27. Destas interpretações se infere, clara e concorde, a opinião dos Padres. A gloriosíssima Virgem, pela qual "grandes coisas fez Aquele que é poderoso", resplendeu de tal abundância de dons celestes, de tal plenitude de graça e de tal inocência, que se tornou como que por milagre de Deus por excelência, ante a culminância de todos os seus milagres, e digna Mãe de Deus; de modo que, colocada, tanto quantoé possível a uma criatura, como a mais próxima de Deus, ela se tornou superior a todos os louvores dos homens e dos Anjos.

Paralelo com Eva

28. Por conseqüência, para demonstrar a inocência e a justiça original da Mãe de Deus, eles não somente a compararam muitíssimas vezes a Eva ainda virgem, ainda inocente, ainda incorrupta e ainda não enganada pelas mortais insídias da serpente mentirosa, como também a antepuseram a ela com uma maravilhosa variedade de palavras e de expressões. De fato, Eva escutou infelizmente a serpente, e decaiu da inocência original, e tornou-se escrava da serpente; ao contrário, a beatíssima Virgem aumentou continuamente o dom tido na sua origem, e, bem longe de prestar ouvido à serpente, com o divino auxílio quebrou-lhe completamente a violência e o poder.

Expressões de louvor

29. Por isto eles nunca cessaram de aplicar à Mãe de Deus os nomes mais belos: de lírio entre os espinhos; de terra absolutamente intacta, virginal, ilibada, imaculada, sempre abençoada e livre de todo contágio do pecado, da qual foi formado o novo Adão; de jardim ordenadíssimo, esplêndido, ameníssimo, de inocência e de imortalidade, delicioso, plantado por Deus mesmo e defendido de todas as insídias da serpente venenosa; de lenho imarcescível, que o verme do pecado jamais corroeu; de fonte sempre límpida e assinalada pelo poder do Espírito Santo; de templo diviníssimo; de escrínio da imortalidade, de só e única filha, não da morte, mas da vida; de rebento não de ira, mas de graça, o qual, embora despontasse de uma raiz corrompida e infecta, por uma divina e providencial exceção à lei geral foi sempre verdejante e florescente. Mas, como se todos estes modos de dizer, ainda que esplendidíssimos, não bastassem, eles além disso afirmaram, com expressões bem claras e precisas, que, quando se trata de pecados, a Virgem Maria nem sequer deve ser nomeada; porque a ela foi dada uma graça superior à que se concede aos outros, a fim de que vencesse totalmente toda espécie de pecado. Asseveraram também que a gloriosíssima Virgem foi a reparadora de seus progenitores; a vivificadora dos pósteros; aquela que o Altíssimo, desde todos os séculos, escolhera e preparara para si; que foi por Deus prenunciada, quando Ele disse à serpente: "Porei inimizades entre ti e a mulher"; que sem dúvida esmagou a cabeça da venenosa da mesma serpente. Por isto eles afirmaram que a mesma beatíssima Virgem foi, por graça, imune de toda a mancha de pecado e livre de todo contágio de corpo, de alma e de intelecto; que, tendo estado unida e junta com Deus por uma eterna aliança, ela nunca esteve nas trevas, mas sim numa luz perene; e, portanto, plenamente digna de vir a ser habitação de Cristo, não pelas disposições do seu corpo, mas pela graça original.

Imaculada

30. A estas, depois, eles juntaram outras nobilíssimas expressões. Falando da Conceição da Virgem, atestaram que a natureza cedeu ante a graça: parou trêmula, e não ousou avança. A Virgem Mãe de Deus não devia ser concebida por Ana antes que a graça afirmasse o seu poder: porquanto devia ser concebida aquela primogênita da qual seria depois concebido o primogênito de toda criatura. Professaram que a carne da Virgem, se bem derivada de Adão, não lhe contraiu as manchas; que, por isto, a beatíssima Virgem foi aquele tabernáculo construído por Deus, formado pelo Espírito Santo, e verdadeiramente de púrpura, o qual aquele novo Beseleel teceu de ouro e com variedade de bordados; que ela foi de fato e justamente celebrada, por ser a obra-prima de Deus, por haver escapado aos dardos inflamados do maligno, e porque, bela por natureza, e absolutamente imune de toda mácula, na sua Conceição Imaculada ela apareceu no mundo como uma aurora de perfeito esplendor. Com efeito, não era conveniente que aquele vaso de eleição fosse ofuscado pelo defeito que ofusca os outros, porque ele foi diferentíssimo dos outros, e, se com eles teve de comum a natureza, não teve de comum a culpa; antes, convinha que o Unigênito, assim como teve nos céus um Pai exaltado pelos Serafins como três vezes santo, assim também tivesse na terra uma Mãe à qual nunca faltasse o esplendor da santidade.

31. E esta doutrina estava tão arraigada na mente e alma dos antigos, que, falando da Mãe de Deus, eles costumavam usar termos verdadeiramente extraordinários e singulares. Chamavam-lhe freqüentissimamente: Imaculada, em tudo e por tudo Imaculada; inocente, antes espelho de inocência; ilibada, e ilibada em todos os sentidos; santa e longíssima de toda mancha de pecado; toda pura e toda intacta, antes o exemplar da pureza e da inocência; mais bela do que a beleza, mais graciosa do que a graça, mais santa do que a santidade; aúnica santa, a puríssima de alma e de corpo, que ultrapassou toda integridade e toda virgindade; a única que se tornou sede de todas as graças do Espírito Santo; tão alta que, inferior só a Deus, foi superior a todos; por natureza, mais bela, mais graciosa e mais santa que os próprios Querubins e Serafins e do que todas as falanges dos Anjos; superior a todos os louvores do céu e da terra. E ninguém ignora que esta linguagem foi como que espontaneamente introduzida também nas páginas da santa Liturgia e dos ofícios eclesiásticos, nos quais volta muitíssimas vezes com tom quase dominante. Nessas páginas, de feito, a Mãe de Deus é invocada e exaltada como única pomba de incorruptível beleza, e como a rosa sempre fresca. É invocada e louvada como puríssima, sempre imaculada e sempre bem-aventurada; antes, como a própria inocência que nunca foi lesada, e como a segunda Eva, que deu à luz o Emanuel.

Consenso unânime e Petições para a Definição do Dogma

32. Nada de admirar, pois, se os Pastores da Igreja e o povo fiel sempre se comprazeram em professar com tanta piedade, devoção e amor a doutrina da Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus, que, a juízo dos Padres, está contida na Sagrada Escritura, foi transmitida por tantos dos seus importantíssimos testemunhos, é expressa e celebrada por tantos ilustres monumentos da veneranda antiguidade, e é proposta e confirmada pelo mais alto e mais autorizado magistério da Igreja. Nada de admirar, pois, se Pastores e fiéis sempre demonstraram nada terem de mais doce e de mais caro do que honrarem, venerarem, invocarem e exaltarem por toda parte com fervorosíssimo afeto a Virgem Mãe de Deus, concebida sem o pecado original.

33. Por isto, desde os tempos mais antigos, bispos, eclesiásticos, Ordens regulares, e mesmo imperadores e reis apresentaram vivas instâncias a esta Sé Apostólica a fim de que fosse definida como dogma de fé católica a Imaculada Conceição da Santíssima Mãe de Deus. Pedidos que foram reiterados mesmo nos nossos tempos e apresentados especialmente ao Nosso Predecessor, de feliz memória, Gregório XVI, e a Nós mesmo, pelos bispos, pelo clero secular, por Famílias religiosas, como também por soberanos e por povos fiéis.

34. Portanto Nós, bem conhecendo e atentamente considerando todas estas coisas com singular alegria do Nosso coração, logo que, por imperscrutável disposição da Divina Providencia, fomos elevados a esta sublime Cátedra de Pedro, e, embora imerecedor, tomamos em mão o governo de toda a Igreja, certamente nada tivemos mais a peito — dada a terníssima veneração, piedade e afeto que desde os primeiros anos nutrimos para com a Santíssima Virgem Maria Mãe de Deus — do que levar a cumprimento tudo aquilo que ainda podia estar nos votos da Igreja, para que fosse aumentada a honra da beatíssima Virgem e resplendessem de nova luz as suas prerrogativas.

Trabalho de preparação

35. Mas, querendo proceder com toda prudência, constituímos uma Comissão especial de Veneráveis Irmãos Nossos, Cardeais da santa Igreja Romana, ilustres por piedade, por ponderação de juízo e por ciência das coisas divinas, e escolhemos entre o clero secular e o regular homens particularmente versados nas disciplinas teológicas, com o encargo de examinarem com a maior diligência tudo o que diz respeito à Imaculada Conceição da Virgem, e nos darem depois o seu parecer.

36. E, conquanto as instâncias a Nós dirigidas a fim de implorar a definição da Imaculada Conceição já nos houvessem demonstrado bastante qual fosse o pensamento de muitíssimos bispos, todavia, a 2 de fevereiro de 1849, enviamos, de Gaeta, uma Encíclica a todos os Veneráveis Irmãos bispos do mundo católico, a fim de que, depois de orarem a Deus, nos fizessem saber, mesmo por escrito, qual era a piedade e devoção dos seus fiéis para com a Imaculada Conceição da Mãe de Deus; o que era que pensavam, especialmente eles — os bispos — da definição em projeto; e, por último, que desejos tinham a exprimir, para que o Nosso supremo juízo pudesse ser manifestado com a maior solenidade possível.

37. E, na verdade, foi bastante grande a consolação que experimentamos, quando nos chegaram as respostas dos mesmos Veneráveis Irmãos. De fato, com cartas das quais transparece um incrível, um jubiloso entusiasmo, eles não somente nos confirmaram novamente a sua opinião e devoção pessoal e a do seu clero e dos seus fiéis, mas também, com voto que se pode dizer unânime, pediram-nos que, com o Nosso supremo juízo e autoridade, definamos a Imaculada Conceição da mesma Virgem.

38. E menor não foi a Nossa alegria quando os Nossos Veneráveis Irmãos Cardeais da santa Igreja Romana, membros da mencionada Comissão, e os preditos teólogos consultores, por Nós escolhidos, após diligente exame da questão também nos pediram, com igual solicitude e fervor, a definição da Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

39. Depois de tudo isto, seguindo os claros exemplos dos Nossos Predecessores, e desejando proceder segundo as normas tradicionais, convocamos e levamos a efeito um Consistório, no qual dirigimos uma alocução aos Nossos Veneráveis Irmãos Cardeais da Santa Igreja Romana, e com suma consolação da Nossa alma os ouvimos rogar-nos quiséssemos pronunciar a definição dogmática da Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus.

40. Destarte, firmemente nos persuadimos, no Senhor, ser chegado o tempo oportuno para definir a Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus, a qual a Sagrada Escritura, a veneranda tradição, o constante sentimento da Igreja, o singular consenso dos bispos católicos e dos fiéis, e os atos memoráveis e as constituições dos Nossos Predecessores, admiravelmente ilustram e explicam. Portanto, após havermos diligentissimamente considerado todas as coisas e termos elevado assíduas e fervorosas preces a Deus, julgamos não haver tardar mais a sancionar e definir com o Nosso supremo juízo a Imaculada Conceição da mesma Virgem, e assim satisfazer os piedosíssimos desejos do mundo católico e a Nossa devoção para com a mesma S.S. Virgem, e ao mesmo tempo honrar sempre mais nela seu Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo; pois todos estão convencidos de que toda a honra e glória que se rende à Mãe recai sobre seu Filho.

A Definição do Dogma

41. Por isto, depois de na humildade e no jejum, dirigirmos sem interrupção as Nossas preces particulares, e as públicas da Igreja, a Deus Pai, por meio de seu Filho, a fim de que se dignasse de dirigir e sustentar a Nossa mente com a virtude do Espírito Santo; depois de implorarmos com gemidos o Espírito consolador; por sua inspiração, em honra da santa e indivisível Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos:

Doctrinam, quæ tenet, beatissimam Virginem Mariam in primo instanti suæ conceptionis fuisse singulari omnipotentis Dei gratia et privilegio, intuitu meritorum Christi Jesu Salvatoris humani generis, ab omni originalis culpæ labe præservatam immunem, esse a Deo revelatam atque idcirco ab omnibus fidelibus firmiter constanterque credendam.

A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.

42. Portanto, se alguém (que Deus não permita!) deliberadamente entende de pensar diversamente de quanto por Nós foi definido, conheça e saiba que está condenado pelo seu próprio juízo, que naufragou na fé, que se separou da unidade da Igreja, e que, além disso, incorreu por si, "ipso facto", nas penas estabelecidas pelas leis contra aquele que ousa manifestar oralmente ou por escrito, ou de qualquer outro modo externo, os erros que pensa no seu coração.

Sentimentos de esperança e exortação final

43. A nossa boca está cheia de alegria e os Nossos lábios de exultação, e damos e daremos sempre as mais humildes e as mais vivas ações de graças a Nosso Senhor Jesus Cristo, por nos haver concedido a graça singular de podermos, embora imerecedor, oferecer e decretar esta honra, esta glória e este louvor à sua Santíssima Mãe. E depois reafirmamos a Nossa mais confiante esperança na beatíssima Virgem, que, toda bela e imaculada, esmagou a cabeça venenosa da crudelíssima serpente, e trouxe a salvação ao mundo; naquela que é glória dos Profetas e dos Apóstolos, honra dos Mártires, alegria e coroa de todos os Santos; seguríssimo refúgio e fidelíssimo auxilio de todos os que estão em perigo; poderosíssima mediadora e reconciliadora de todo o mundo junto a seu Filho Unigênito; fulgidíssima beleza e ornamento da Igreja, e sua solidíssima defesa. Reafirmamos a Nossa esperança naquela que sempre destruiu todas as heresias, salvou os povos fiéis de gravíssimos males de todo gênero, e a Nós mesmos tem livrado de tantos perigos que nos ameaçam. Confiamos que ela queira, com a sua eficacíssima proteção, fazer com que a nossa Santa Madre Igreja Católica, superando todas as dificuldades e desbaratando todos os erros, prospere e floresça cada dia mais no meio de todos os povos e em todos os lugares, "do mar ao mar, e do rio até aos confins da terra", e tenha paz, tranqüilidade e liberdade completa; que os culpados alcancem o perdão, os doentes a saúde, os tímidos a força, os aflitos a consolação, os periclitantes o auxílio; que todos os errantes, dissipada a névoa da sua mente, voltem ao caminho da verdade e da justiça, e haja um só aprisco sob um só Pastor.

44. Escutem as Nossas palavras todos os caríssimos filhos Nossos e da Igreja Católica, e com sempre mais ardente fervor de devoção, de piedade e de amor continuem a venerar, a invocar, a suplicar a beatíssima Virgem Maria Mãe de Deus, concebida sem o pecado original, e com toda confiança recorram a esta dulcíssima Mãe de misericórdia e de graça, em todos os perigos, em todas as angústias, em todas as necessidades, em todas as dúvidas e em todas as apreensões. De feito, não pode haver lugar para temor ou para desespero quando ela é a nossa condutora e a nossa protetora, quando ela nos é propícia e nos protege; pois que ela tem para conosco um coração materno, e, enquanto trata os negócios que dizem respeito à salvação de cada um de nós, é solícita de todo o gênero humano. Constituída por Deus Rainha do céu e da terra, e exaltada acima de todos os coros dos Anjos e de todas as ordens dos Santos, ela estáà direita de seu Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo, e com as suas poderosíssimas preces de Mãe suplica; acha o que procura, e não pode ficar frustrada.

45. Enfim, para que esta Nossa definição da Imaculada Conceição da beatíssima Virgem Maria possa ser levada ao conhecimento da Igreja universal, estabelecemos que, como perpétua lembrança dessa definição, fique esta Nossa Carta Apostólica, e ordenamos que às suas transcrições ou cópias, mesmo impressas, contanto que subscritas por mão de algum tabelião público e munidas do selo de algum dignitário eclesiástico, se preste absolutamente a mesma fé que prestaria à presente, se fosse exibida ou mostrada.

Ninguém, portanto, se permita infringir este texto da Nossa declaração, proclamação e definição, nem contrariá-lo e contravir-lhe. E, se alguém tivesse a ousadia de tentá-lo, saiba que incorre na indignação de Deus onipotente e dos bem-aventurados Pedro e Paulo, seus apóstolos.

Dado em Roma, junto a São Pedro, no ano mil e oitocentos e cinqüenta e quatro da Encarnação do Senhor, a 8 de dezembro de 1854, nono ano do Nosso Pontificado.

PS.: Grifos meus


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O Escapulário Azul da Imaculada Conceição


A modernidade, extremamente marcada pelo naturalismo, racionalismo e materialismo, esqueceu a prática tão salutar das Indulgências, em épocas mais cristãs tão valorizadas.

Reagindo contra esta tendência, nada melhor aos verdadeiros cristãos que lançar mão do famoso "agere contra", ensinado por Santo Inácio de Loyola, ou seja, fazer o contrário do que faz a modernidade, e utilizar o mais que se possa o Tesouro Espiritual da Igreja, lucrando cada um o maior número de Indulgências que conseguir.

Para tanto, propomos aqui o uso do mais indulgenciado de todos os Escapulários aprovados pela Igreja: o Escapulário Azul da Imaculada Conceição.

Um escapulário é um pequeno objeto, feito de dois pedaços de pano unidos por algum fio e usados de modo que uma parte caia sobre o peito e a outra nas costas. Geralmente se ligam a uma determinada Ordem religiosa e sempre expressam uma devoção da Igreja. Ao aprová-los a Igreja anexa-lhes indulgências e privilégios espirituais.

Vários são os escapulários aprovados pela Igreja: o do Carmo, o da Santíssima Trindade, o da Paixão de Cristo e dos Sagrados Corações, o das Dores de Nossa Senhora, o do Preciosíssimo Sangue, etc. Dentre estes, o mais célebre é, sem dúvida, o Escapulário do Carmo, em razão da promessa feita por Nossa Senhora a São Simão Stock de que não morreria em pecado mortal aquele que morresse usando esse escapulário. De modo algum pretendemos ferir aqui a importância do Escapulário do Carmo, que permanece sempre o mais útil, pois que escapar do inferno é, evidentemente, mais urgente do que lucrar qualquer indulgência. O uso de um escapulário, todavia, não impede o de outro, e a Igreja possui, inclusive, uma fórmula para a imposição conjunta dos cinco principais escapulários, tanto é o seu desejo de que os fiéis tenham acesso ao seu Tesouro Espiritual e dele tirem o máximo proveito, quer para si, quer para as Almas do Purgatório.

Dentre todos os escapulários, o mais enriquecido de indulgências e privilégios pela Igreja é, reconhecidamente, o Escapulário Azul da Imaculada Conceição.

Revelado em 1616 por Nossa Senhora à Venerável Úrsula Benincasa (cujas virtudes foram proclamadas heróicas pelo papa Pio VI, em 7 de agosto de 1793), o Escapulário Azul foi anexado à Ordem dos Teatinos e enriquecido de favores pelos papas Clemente IX, Clemente XI, Gregório XVI e, sobretudo, por Pio IX, o papa que definiu o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

A imposição solene do Escapulário Azul é reservada aos padres teatinos, mas a imposição privada é facultada a qualquer sacerdote. Para se lucrarem seus tesouros é preciso usá-lo constantemente (sendo, porém, permitido tirá-lo para banhar-se), e rezar cada dia qualquer prece pelas intenções do papa.

Compõem-se o esse escapulário de duas peças de pano de algodão, de cor azul clara, retangulares, unidas entre si por algum fio de qualquer espécie, e usadas de modo que uma caia sobre o peito e a outra sobre as costas. Pode ser confeccionado em casa mesmo.

A Ordem dos Teatinos, fundada no século XVI por São Caetano de Tiene e pelo bispo João Pedro Caraffa (depois papa Paulo IV), tinha como objetivo principal a reforma dos costumes e a conversão dos pecadores. Também a Venerável Benincasa tinha como devoção especial orar pelos pecadores. Por sua vez, aquele que recebe o Escapulário Azul - revelado à Venerável Benincasa e ligado à Ordem Teatina - deve impor-se, ou fazer-se impor por seu confessor, alguma oração pela conversão dos pecadores, a ser rezada quotidianamente. Todavia, o não cumprimento desta cláusula não significa pecado e nem impede que se ganhem as indulgências do Escapulário em questão.

Isso exposto, passamos agora à longa enumeração das indulgências e privilégios do Escapulário Azul da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, começando pelo extraordinário privilégio da indulgência plenária quotidiana sem confissão nem comunhão.

I. Indulgências plenárias que se podem lucrar sem confissão nem comunhão:

- Ao fiel que usa o Escapulário Azul devidamente imposto, concede-se lucrar as mesmas indulgências plenárias que são concedidas àqueles que visitam as sete basílicas de Roma, a igreja da Porciúncula de Assis, a igreja de Santiago de Compostela e a Terra Santa, quotidianamente, a cada vez que rezarem 6 (seis) Pai-nossos, 6 Ave-Marias e 6 Glórias-ao-Pai, em honra da Santíssima Trindade e da Bem-Aventurada Virgem Maria concebida sem pecado, orando ao mesmo tempo pela exaltação da Santa Igreja Romana e pela extirpação das heresias. Para lucrarem-se estas indulgências não é necessário dizer outras orações, nem confessar-se e nem comungar, bastando estar em estado de graça (e este, em caso de pecado grave, pode ser recuperado por um ato de contrição unido ao propósito de confessar-se depois). Todas estas são aplicáveis aos defuntos. Este extraordinário privilégio foi reconhecido e confirmado pela Santa Sé em decreto de 31 de março de 1856, confirmado pelo papa Pio IX em 14 de abril do mesmo ano.

II. Indulgências plenárias nas condições de costume:

Ao fiel que usa o Escapulário Azul devidamente imposto, concede-se lucrar uma indulgência plenária a cada um dos dias abaixo, desde que nesse dia comungue, reze qualquer oração pelas intenções do Papa, tenha arrependimento e propósito de emenda até de seus pecados veniais, e tenha se confessado no dia ou semana anterior, sem ter de rezar outras preces. Remontam ao Decreto do papa Gregório XVI, de 12 de julho de 1846. São os seguintes dias:

- No dia da imposição do escapulário;
- Na hora da morte;
- Todo primeiro domingo do mês;
- Todo sábado da Quaresma;
- Na domingo e na sexta-feira da semana que antecede a Semana Santa;
- Na Quarta, Quinta e Sexta-Feira da Semana Santa;
- Em um dos dias das Quarenta Horas;
- No primeiro domingo de Julho;
- No primeiro e último domingo da novena de Natal;
- Nas festas do Natal, Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Invenção e Exaltação da Santa Cruz;
- Nas festas da Imaculada Conceição, da Purificação, da Anunciação, da Assunção e da Natividade de Nossa Senhora;
- No dia 2 de agosto, festa da Porciúncula;
- Nas festas de São Miguel, Anjos da Guarda, São José, São João Batista, São Pedro e São Paulo, Santo Agostinho, Santa Teresa de Ávila e Todos os Santos.
- Uma vez durante qualquer retiro de ao menos 3 dias;
- Uma vez num dia qualquer do ano, à escolha da pessoa;
- Nas festas principais dos teatinos, a saber: 24 de março, 12 de abril, 17 de julho, 7 de agosto, 10 de novembro e 13 de dezembro.
- No dia da primeira missa, se o que usa o escapulário é sacerdote;
- Duas vezes no mês, em dia à escolha da pessoa;
- Pode-se, além disto, ganhar as mesmas indulgências das Estações de Roma, nos dias designados pelo missal, visitando-se nesses dias uma igreja dos teatinos ou, se não for possível, a própria paróquia. Os dias assim designados pelo missal são: Os domingos do Advento; os dias 26, 27 e 28 de dezembro; as festas da Circuncisão do Senhor e da Epifania; os domingos da Septuagésima, Sexagésima e Quinqüagésima; a quarta-feira de Cinzas e todos os dias que lhe seguem, até ao domingo de Pascoela inclusive; a festa de São Marcos (25 de abril) e os três dias das rogações; a festa da Ascensão; a vigília de Pentecostes e todos os dias da semana que lhe segue; os três dias das 4 Têmporas).

III. Indulgências parciais:

Ao fiel que usa o Escapulário Azul devidamente imposto, concede-se lucrar (bastando estar em estado de graça e ter a intenção geral de ganhar todas as indulgências que puder):

- 60 anos de indulgência pela prática da meditação diária por ao menos meia hora, a cada vez. 
- 20 anos a cada dia das oitavas das festas de Nosso Senhor e outras festas de diversas Ordens Religiosas; 
- 20 anos ao visitar os enfermos, ou, havendo impedimento para tanto, ao rezar 5 Pai-nossos e 5 Ave-Marias pelos enfermos; 
- 7 anos e 7 quarentenas em todas as festas de Nossa Senhora não mencionadas acima; 
- 7 anos e 7 quarentenas cada vez que se confessarem e comungarem; 
- 5 anos e 5 quarentenas cada vez que visitarem uma igreja dos teatinos ou a própria igreja, rezando aí 5 Pai-nossos, 5 Ave-Marias e 5 Glórias-ao-Pai em honra da Santíssima Trindade e da Bem-Aventurada Virgem Maria concebida sem pecado, orando ao mesmo tempo pela exaltação da Santa Igreja Romana e pela extirpação das heresias;
 - 300 dias em cada dia da oitava de Pentecostes; 
- 200 dias a cada vez que ouvir uma pregação; 
- 60 dias a cada vez que se fizer qualquer ato de piedade; 
- 50 dias a cada vez que se invocar devotamente os Nomes de Jesus e Maria; 
- 50 dias a cada vez que rezar um Pai-nosso e Ave-Maria pelos fiéis vivos e defuntos.

(Essas quantidades de tempo mencionadas significam que o fiel recebe, do Tesouro Espiritual da Igreja, uma remissão das penas temporais de seus pecados já perdoados equivalente àquela que receberia um penitente dos primeiros séculos da Igreja por tantos dias ou anos de penitência pública e canônica.)

IV. Altar Privilegiado:

- Todas as missas que se dizem em qualquer altar, por um defunto que em vida trazia o Escapulário Azul, desfrutam dos benefícios de Altar Privilegiado (altar em que cada missa lucra indulgência plenária em favor da alma pela qual se oferece a missa).

Fórmula de Imposição do Escapulário Azul da Bem-Aventurada Virgem Maria

- Benedictio et Impositio Scapularis Caerulei B. Mariae Virg. Immaculatae -

(Aquele que receberá o Escapulário ajoelha-se; o sacerdote, revestido se sobrepeliz e estola branca, diz:)

- Adiutórium nostrum in nómine Dómini.
- Qui fecit caelum et terram.

- Dóminus vobiscum.
- Et cum spíritu tuo.

Orémus:

Dómine Iesu Christe, qui tégumen nostrae mortalitátis induére dignatus es, tuae largitátis cleméntiam humíliter imploramus: ut hoc genus vestiménti, quod in honórem et memóriam Conceptiónis beátae Maríae Vírginis immaculátae, nec non ut illo indúti exórent in hóminum pravórum morum reformatiónem, institútum fuit, bene+dícere dignéris; ut hic fámulos tuus, qui eo usus fuérit (vel haec fámula tua, quae eo usa fúerit; vel hi fámuli tui, qui eo usi fúerint; vel hae fámulae tuae, quae eo usae fúerint), éadem beáta María Vírgine intercedénte, te quoque induére mereátur (vel mereántur): Qui vivis et regnas in sáecula saeculórum. Amen.

(Depois o sacerdote, sem nada dizer, asperge o Escapulário com água-benta, e o impõem ao fiel que deve recebê-lo, dizendo:)

Accipe, frater (vel soror), scapuláre Conceptiónis beátae Maríae Vírginis Immaculátae: ut, ea intercedénte, véterem hóminem exútus (a) et ab omni peccatórum inquinaménto mundátus (a), ipsum pérferas sine mácula, et ad vitam pervénias sempitérnam. Per Christum Dóminum nostrum. Amen.

(E, tendo já imposto o Escapulário, o sacerdote diz:)

Et ego, ex facultáte mihi concéssa, recípio te (vos) ad participatiónem bonórum ómnium spirituálium, quae in Clericórum Regulárium congregatióne ex grátia Dei fiunt, et quae per Sanctae Sedis Apostólicae privilégium concéssa sunt. In nómine Pátris, et Fílli, + et Spíritus Sancti. Amen.

(Depois o sacerdote reza em língua vulgar, junto com aquele que recebeu o Escapulário, a seguinte oração, fazendo o padre uma genuflexão a cada vez:)

Laudes ac grátiae sint omni moménto, sanctíssimo ac diviníssimo Sacraménto. Et benedícta sit sancta et immaculáta Concéptio beatíssimae Vírginis Maríae, Matris Dei.

(Agora o sacerdote pode fazer uma alocução elogiando as indulgências anexas ao Escapulário Azul: "Hortetur fideles ut haec elogia saepe saepius repetant ad Indulgentias iis adnexas consequendas" - Decr. Pii VII, die 30 iun. 1818; Breve Leonis XIII, die sept. 1878; Decr. Pii X, die 10 apr. 1913; S. Poenit. Ap., 8. nov. 1934 et 12 iul. 1941).

(Há outras fórmulas para impor o Escapulário Azul, mais breves ou mais extensas que esta, que foi retirada do final do Breviário Romano para uso dos seminaristas, páginas 171 e 172. A lista das indulgências foi retirada da obra Meditações Sacerdotais, do Padre Chaignon, S. J., Volume III, 2ª edição, Pôrto:1935, Edições do Apostolado da Imprensa, páginas 785 - 789).

PS.: Grifos meus. Agradeço a um amigo o envio do texto.