quinta-feira, 17 de novembro de 2011

NOBRE DEVER

NOBRE DEVER


Para a Véspera- Incumbe a todo o cristão o dever de se empregar na difusão do Reino de Deus. Mas, antes de procurar e de determinar os diversos meios de o conseguir, havemos de refletir nos sentimentos que deve inspirar esse dever em si mesmo; com efeito, são os sentimentos apoiados numa forte convicção que determinam os atos e os tornam fáceis.

Sem dúvida o amor de Deus é o princípio eminente de todo o zelo, mas esse mesmo amor anima-se à vista dum grande dever que nos faz desempenhar um grande papel. - Outra vantagem desta busca será podermos entrar na via das soluções que provocam certas obscuridades perturbadoras. - Ó meu Deus, se eu conseguisse compreender que de mim depende em parte o alargamento do Vosso Reino, a minha vida continuaria a arrastar-se na tibieza ou no cuidado exclusivo do meu adiantamento pessoal?... Ser útil a Deus! dar-Lhe o que Ele não obteria sem mim, que estranho e nobre poder! Que ocasião inesperada de Lhe demonstrar a seriedade do meu amor! 

Meditação- Com o auxílio dos princípios que desenvolvemos noutra parte e que aqui nos limitamos a recordar, vamos examinar em que se funda o dever de trabalhar pela extensão do Reino de Deus na terra. 

§        Primeiro Princípio- Deus, que confiou a cada um o cuidado de conseguir o seu destino próprio, tanto na ordem espiritual como na ordem material, dilatou esse plano à humanidade tomada em seu conjunto. É neste sentido que lhe incumbem a manutenção e acréscimo do Seu Reino no mundo. Eu sou responsável pelo meu procedimento pessoal; a humanidade é responsável pela marcha geral das coisas. Não deve, pois, admirar-nos, se vemos surgir correntes, que ora derivam para o bem, ora empuxam para o mal; - se assistirmos à formação de idéias coletivas, nesta ou naquela nação, separando-as das outras; - se vemos grassar certos erros em certas épocas; - se vemos alastrar em certo tempo abusos que logo se desvanecem ao embate e virtude de um sopro reparador. O Reino de Deus passa por todas estas vicissitudes, porque está entregue à movediça liberdade do homem - verdade que Deus poderia por Si mesmo e sem auxílio realizar essa grande obra; tudo caminharia então numa ordem perfeita, para uma perfeição ideal; mas Ele preferiu confiá-la à própria humanidade; nisso encontrará a Sua glória e a humanidade a sua honra.

§        Segundo Princípio- Encontramo-nos, pois, diante deste fato: a conservação e ampliação do Reino de Deus na humanidade são confiados, entregues à própria humanidade. Mas a humanidade não é um ser à parte, um ser distinto, é feito da multidão dos homens. Cada homem tem, pois, a sua parte de ação a exercer, a sua parte de responsabilidade a tomar, e essa parte é mais ou menos rigorosa, segundo os meios que Deus dá, a cada um - Faltarei, portanto, ao meu dever de cristão, não terei o sentido da minha responsabilidade, se ficar indiferente à prosperidade ou à decadência do Reino de Deus. Quais são os meus sentimentos a este respeito? Não falo dos meus atos, é coisa de que me ocuparei em breve. Os sentimentos revelam o fundo da alma; são os verdadeiros promotores das ações. Por sentimentos, entendo aqui as impressões e os desejos, os receios e as alegrias que devem despertar, num coração cristão, as situações diversas por que passa a Igreja. Não pertencerei ao número dessas almas que sacrificam toda a sua sensibilidade aos interesses pessoais? Embora se tratasse de interesses espirituais, estão inficionados de egoísmo. Devo desconfiar desta piedade estreita, desprender-me dela, subir mais alto

Aplicação Geral- Se agora perguntar a mim mesmo em que e como posso contribuir para a extensão do Reino de Deus, respondo praticamente com esta outra pergunta: que fazem tais ou tais pessoas na minha condição? Quais são os meus recursos morais, materiais, sociais; influência que posso exercer obras que posso dirigir ou secundar, pagando com a minha pessoa ou com a minha bolsa? Se eu proporcionar assistência em escassa medida, o bem geral tem de ressentir-se. Será uma diminuição do Reino de Deus, um abuso dos dois ou dos cinco talentos que me foram confiados. - Estarei bem convencido de todas estas coisas? Quem as não examinar bem seriamente é tentado a pensar: uma ação pessoal a mais ou a menos, que tem isso entre milhares de outras? Estas palavras são tão insensatas como injustas. De que se compõe, nesse caso, a humanidade?

E, se tendes o direito de vos esquivardes ao vosso dever, todos os outros gozam de direito igual. Sendo assim, iria por água abaixo toda a ação privada ou coletiva. Mas nem todos nós somos chamados a levar a fé ao longe, como os Missionários; a nossa posição pode afastar-nos à força das obras propriamente ditas. Estaremos nesse caso despojados de toda a possibilidade de ação ao serviço do Reino de Deus? De nenhum modo, pois que nos restam numerosos recursos. Havemos de examinar alguns na meditação seguinte. 

Exprimirei a Deus a minha alegria e os meus pesares. - Devo acalentar o desejo de enfileirar entre as almas mais corajosas. - Pedi-lO-ei como o mais requintado favor. 

O zelo - Os meios externos

Entre os meios externos de alargar o Reino de Deus, limitar-nos-emos a assinalar os que podem convir, se não a todos, pelo menos ao maior número. 

§        Na Família- Nada vale a formação que se faz neste ninho tão intimo e tão quente. As primeiras impressões decidem muitas vezes duma vida, quer dirigindo-a constantemente para o bem, quer reconduzindo a ele um dia, embora seja o dia longínquo da morte. Ao ler a vida dos Santos, dos cristãos ardentes, dos sacerdotes e dos religiosos, observareis que foram educados num meio profundamente cristão, em que reinava o espírito da fé ou florescia a piedade. Muitos pais não se lembram de que a eles incumbe em primeiro lugar o encargo, ou antes lhes é oferecida a honra de dilatar o Reino de Deus, assegurando-lhe a alma de seus filhos. Se os mandam fielmente ao Catecismo, se os colocam nas escolas religiosas, julgam haver cumprido a sua obrigação. Que erro, ou digamos antes: que culpa! Resta-lhes a obrigação essencial de fazê-los viver em casa, numa atmosfera religiosa: oração em comum, Benedicite e ação de graças às refeições. - Crucifixo no lugar de honra, principalmente freqüente recordação dos MOTIVOS DA FÉ.  Dever-se-ia mesmo ir mais longe. Por que é que um pai cristão não há-de habituar-se a ler ou comentar todos os Domingos algumas passagens do Evangelho ou de qualquer livro escolhido? Por que se não há-de preparar em comum para a próxima Comunhão? Se não se empregarem estes meios coletivos, cada pessoa será cristã, mas a família não o será; constituirá um meio estranho a Deus. Não é uma coisa bem triste? 

Espalhemos estas idéias, se não for preciso aplicá-las cada um a si mesmo. 

§        Nas Relações Sociais- Outro poderoso meio de cada um dilatar o Reino de Deus é mostrar-se cristão em toda a parte e sempre, sem afetação e sem atitude estudada. Longe de se cair neste excesso, na nossa época há a tendência para se resvalar no excesso contrário. A reserva que cada um se impõe a este respeito é tão excessiva, que certas famílias, principalmente nas grandes cidades, chegam a freqüentar-se longo tempo sem que uma chegue a conhecer os sentimentos da outra. É possível que os sentimentos, se forem verdadeiros e vivos, nunca cheguem a revelar-se pelos juízos que se formulam, pelas práticas que os cristãos observam: o sinal da cruz ou pelo menos uma saudação diante duma igreja, a bênção da mesa às refeições? Será covardia? Às vezes é antes o efeito não sei de que prudência, aliás, bem mal entendida, que julga mais acertado cobrir com um véu a sua vida religiosa. É uma aplicação desastrada desse princípio, aliás, falso, de que a religião é essencialmente um assunto privadoO contrário é que é verdadeiro: cada qual deve aplicar-se ao bem comum, e nada exerce tamanha influência sobre os espíritos como uma convicção, manifestada com simplicidade, mas com clareza. Comunica-se por esse meio mais fortemente do que empregando os mais sólidos argumentos. Não levantando objeções, não molestando o amor-próprio, vai abrindo tranqüilamente. caminho numa alma bem disposta. E nem por isso deixa de apresentar a questão religiosa e de provocar a reflexão: são, pelo menos, preparações longínquas. Mais ainda, a alma humana é feita para os altos pensamentos, e aprecia-os tanto mais quanto mais familiares eles se tornam. Essas manifestações mudas, que são um dever para todo o cristão, não podem ser insuficientes em pessoas que fazem profissão de piedade, quer pelo estado, quer pela direção da sua vida. Esperam-se delas palavras que manifestem o seu amor a Deus, ao próximo e à própria Igreja. Causaria surpresa só ouvi-las sair raras vezes da sua boca. E deveremos dizê-lo? A causa mais vulgar, a verdadeira causa desta reserva excessiva está numa insuficiência de vida íntima com Deus... Não insistamos! ... Todos podem compreender. Não será este o meu caso? Se quero atrair almas para o Reino de Deus, devo começar por viver nele com intensidade. Pensa nisto, ó minha alma. Não será para ti um dever de estado ou uma obrigação criada pelas graças recebidas? A quem disse nesse caso o Mestre: «Vós sois o sal da terra?» 

O que afasta do Reino de Deus - Assunto de bem amargas reflexões! 

Se os bons exemplos atraem à religião, os maus exemplos afastam dela e de maneira ainda mais poderosa. Os ímpios e os indiferentes esperam de nós uma retidão de vida e uma perfeição que se não impõem a si mesmos, e escandalizam-se de ver em nós o que se permitem fazer. 

É injusto, mas é assim mesmo, e devemos levar isso em linha de conta. Que todo o cristão pense bem nesta responsabilidade. Ela é terrível. Praticar a religião e desonrá-la com o seu procedimento é mais que uma culpa, é uma traição para com o Reino de Deus. - Além das culpas graves que são um escândalo, indiquemos aqui alguns defeitos que impressionam particularmente em cristãos conhecidos como muito praticantes; mostrarem-se interessados até à avareza e à rispidez; menos delicados do que convém nos negócios; exigentes e pouco razoáveis; irascíveis e desprezando os outros; sensuais na comida e em todas as suas comodidades...

Que quadro! Será fantasia? Infelizmente, não. É certo que nem todos estes defeitos se acumulam na mesma cabeça, mas basta um só bem acentuado para afastar duma religião que tornam disso responsável. Não é sob forma desagradável que se deve apresentar o Reino de Deus. Uma alma indecisa entre a dúvida e a fé, entre a indiferença e o regresso aos deveres religiosos, talvez pudesse entrar no redil, se não tivesse a infelicidade de encontrar um cristão muito praticante, mas cheio de defeitos... 

Reflita e examine-se cada um a si mesmo... Desconfie da cegueira provocada pelo hábito. 

O zelo - Os meios internos 

Entre os meios de dilatar o Reino de Deus, o mais poderoso e mais fácil, o que está mais ao alcance de todos, é a oração. Esta verdade, admitida sem contradita, será conhecida com a devida profundidade? É o que a meditação nos vai mostrar. 

§        Os Direitos da Oração- Deve notar-se antes de mais nada que a oração, principalmente a que se faz em favor do Reino de Deus, não se apresenta apenas como uma súplica, é também o exercício dum direito. Sim, essa oração tem direito a ser ouvida em virtude da ORDEM estabelecida por Deus e sancionada pelas Suas PROMESSAS - Jesus promulgou-a com estas palavras: «Tudo que pedirdes em meu nome vos será concedido». Requerem-se, contudo, certas condições; mas elas encontram-se cabalmente realizadas na petição de que tratamos. Deus, confiando-nos a sorte do Seu reino, não podia, por isso, desinteressar-Se de nós. Não o podia fazer, porque o Seu socorro é absolutamente necessário em toda a ordem de coisas. E menos o podia fazer ainda no caso presente, porque a extensão do Seu reino interessa diretamente a Sua glória. - A oração concilia admiravelmente estas duas ações: a que Deus deve a Si mesmo e a que exige do homem. Devendo ser-lhes comum a obra, cada qual contribuirá para ela segundo a sua natureza. Pela Sua natureza, Deus é a onipotência. Pela sua natureza, o homem é a indigência absoluta. Deus diz ao homem: tenho em Minhas mãos todas as graças necessárias para aumentar infinitamente o Meu Reino. Derramarei nas tuas todas as que me pedires. De ti depende que elas sejam mais ou menos abundantes... Confiando-te a sorte desta obra, entreguei-te um papel decisivo: se orares pouco, ou sem ardor e persistência, terei de reter as Minhas graças. Certamente, não poderei despojar-Me em absoluto do direito de intervir sem ti; mas, dum modo regular, só contigo intervirei. 

§        Responsabilidade- Tal é a ordem estabelecida. - Calculemos a sua grandeza; reconheçamos principalmente a sua esmagadora responsabilidade. Ela manifesta-se a nossos olhos de maneira terrível: por que é que tantos homens e tantos povos estão fora do Reino? Por que é que as mãos de Deus, cheias de graças, se não abrem mais generosamente sobre eles? Muitas vezes tenho exclamado com espanto: por que há todos estes deserdados? Que faz Deus? Onde está o Seu amor? Para que serve o sangue do Calvário? Como é que Jesus, orando no Tabernáculo, não atrai para Ele todos os homens? ... A resposta é bem simples e, infelizmente, bem cruel. - Numa responsabilidade coletiva, parece que cada responsabilidade se perde. Cada um não distingue bem a sua, não a sente. Se é isso uma desculpa, a desculpa será suficiente? Poderá ao menos sê-lo para mim? Se eu amasse mais, se fosse mais desinteressado de mim mesmo, não teria esta cegueira nem esta indiferença. 

§        Consolação- Admiremos o grande e belo papel que nos foi imposto: Se comporta responsabilidades temíveis, oferece também as mais elevadas satisfações; desatar as mãos de Deus, fazer descer sobre os homens ondas de graça: eis o que podem fazer as minhas preces. Uma oração a mais, um grau maior de fervor; insistências indo até à importunidade santa que recomenda o Evangelho, e o Reino de Deus dilatar-se-á, e almas cada vez em maior número virão para ele das plagas longínquas, e o Pai celeste estará contente e me abençoará, a mim, por causa dessa alegria. Jesus conhece muito bem essa alegria do Pai celeste e era nela principalmente que pensava ao sugerir-nos esta prece: «Adveniat regnum tuum»  Ó Jesus, Vós amáveis muito os homens, mas amáveis acima de tudo Vosso Pai... Ah! se eu soubesse amar à Vossa maneira, entreis em meu coração para orar comigo! Ao menos, se eu for infiel, suscitai um levantamento em massa de almas enamoradas desse ideal, exército onipotente que realizará maravilhas; dessa forma terei a minha parte, embora humilde, nas conquistas desses valentes

§        Afetos- Agradeçamos a Deus estas luzes, estes alentos, este belo papel que nos confia. Humilhemo-nos por nos sentirmos indiferentes e fracos. Peçamos uma larga infusão de espírito sobrenatural. - Se todos os cristãos vivessem deste espírito, o mundo seria bem diverso! O meu Deus, comunicai-o ao menos às almas de boa vontade, que são cada vez mais numerosas. E não o recuseis à minha pobre alma que o merece pouco, mas que vo-lO pede em nome do Vosso Filho e para Vossa glória. Renovemos as nossas resoluções precedentes e façamo-lo mais fortemente, mais praticamente.

(Meditações Afetivas e Práticas sobre o Evangelho por Cônego Beaudenom, Tomo III, 1936)

PS.: Grifos meus
PS.2: Ver a Primeira Parte AQUI

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Oração a São João Batista

Oração a São João Batista

Degolação de São João Batista

Ó glorioso São João Batista, príncipe dos Profetas, precursor do divino Redentor, primogênito da graça de Jesus e da intercessão de Sua Santíssima Mãe, que fostes grande diante do Senhor: pelos estupendos dons da graça de que fostes maravilhosamente enriquecido desde o seio materno, e por vossas admiráveis virtudes, alcançai-me de Jesus, ardentemente vos suplico, que me dê a graça de O amar e servir com extremado afeto e dedicação até a morte. Alcançai-me também, meu excelso Protetor, singular devoção à Santíssima Virgem, que em vosso benefício dirigiu-Se com pressa à casa de vossa mãe Santa Isabel. Se me conseguirdes estas duas graças, como muito espero de vossa grande bondade e poderoso valimento, estou certo de que, amando até a morte a Jesus e Maria, salvarei minha alma, e no Céu, convosco e com todos os Anjos e Santos, cantarei eternamente as misericórdias do divino Cordeiro, que tira os pecados do mundo. Amém.

(Oração retirada do livro "Adoremus: Manual de Orações e Exercícios Piedosos", de Dom Eduardo Herberhold, OFM, 1926, 15ª edição)

Hino ao sofrimento

Hino ao sofrimento 
(Elisabete da Trindade - Carmelita Descalça)


Fere, fere, ó tão caro sofrimento, 
Fere, fere, ó querida dor. 
Tu que não poupaste o Salvador, 
Sê aqui na terra minha doce esperança. 

Fere, não posso viver sem ti, 
Fere, a fim de que Jesus encontre em mim 
Uma crucificada à Sua imagem,
Que beba com Ele a amarga bebida. 

Fere, a fim de que tenha a grande felicidade 
De me assemelhar a Nosso Senhor, 
Ao doce Jesus, meu divino modelo, 
Jesus! felicidade da alma fiel. 

Fere, saboreio tuas delícias 
Na prova e no sacrifício, 
Visto que quero consolar o Coração 
De Jesus, meu Bem-Amado Salvador. 

Não foste divinizada
Ó dor, pelo Deus crucificado, 
Jesus chorando durante a agonia, 
Jesus, que por mim dá a vida? 

Quero tanto dar a minha,
A este Deus pobre, a este Deus sofredor, 
A Jesus humilhado, Jesus moribundo 
Mas, oh que Sua graça me sustente! ... 

Porque nada posso sem Seu socorro,
Mas com Ele que me fortifica
Serei forte, forte sempre,
Para amar, sofrer toda a minha vida.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Pensamento da noite de 14/11/2011

Pensamento da noite de 14/11/2011


“A santidade não consiste nas palavras, nas belas frases,
nos entusiasmos mesmo sinceros, nos desejos, na sensibilidade, 
em muitos atos, mas num só ato sem cessar renovado:
o abandono absoluto de nós mesmos 
para que Jesus nos governe.
(Me. Marie Cronier)

domingo, 13 de novembro de 2011

Oração pela conversão dos hereges

Oração pela conversão dos hereges 


Ó Virgem poderosa, que única destes golpe mortal a todas as heresias em todo o mundo, dignai-Vos de libertar o universo cristão dos laços do demônio. 

Volvei os Vossos olhos misericordiosos às almas seduzidas pela astúcia de satanás, para que, rejeitando o veneno das heresias, os corações transviados se arrependam e voltem à unidade da verdade católica, mediante a Vossa poderosa intercessão junto a Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que vive e reina em união com Deus Pai, em união do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém. 

(Indulgência parcial - Oração retirada do livro "Adoremus: Manual de Orações e Exercícios Piedosos", de Dom Eduardo Herberhold, OFM, 1926, 15ª edição)
Pensamento do dia 13/11/2011

São Francisco de Sales
"Da mesma maneira que o apetite é uma das maiores provas da saúde corporal,
o gostar da palavra de Deus, que é um apetite espiritual,
é também sinal bastante seguro da saúde espiritual da alma. 
Gostam os santos das coisas santas e de raciocínios espirituais. 
Disse São Bernardo que o amor à Palavra de Deus,
é um dos sinais da predestinação, e talvez é também 
parte daquela fome e sede de justiça que o Divino Salvador
predicou como uma das 8 bem-aventuranças."

(São Francisco de Sales texto extraído 
da "Revista Bíblica" publicada por Straubinger)

sábado, 12 de novembro de 2011

Pensamento do dia 12/11/2011

Pensamento do dia 12/11/2011


"Mas quando o amor é tão forte quanto a dor, 
o progresso da alma é extraordinário. 
Ela se torna celeste; 
Deus se inclina para contemplá-la,
 e o anjo das santas esperanças 
desce dos céus para a vir colher."
(A dor, de Monsenhor Bougaud)

O Juízo Final

O Juízo Final

Pintura do Juízo Final por Fra Angelico
Iterum venturus est cum gloria iudicare
vivos et mortuos

Ele virá em glória para julgar os vivos e os mortos”. Os povos da terra “verão o Filho do Homem chegar sobre as nuvens do céu com grande poder e majestade.” A volta gloriosa de Cristo como juiz é uma das verdades mais freqüentemente ensinadas pela Sagrada Escritura. “Não há ninguém que duvide desse juízo final, anunciado nas sagradas Escrituras, a não ser aqueles que, devido a uma cega e obstinada incredulidade, não crêem nas próprias Escrituras” (S.Agostinho, A Cidade de Deus, 20,30).

Cristo juiz

O objeto do advento final de Cristo não é um cataclismo cósmico, ou “a grande turbulência”, que chama mais a nossa atenção, mas, sim, o Julgamento. Em que deve ele consistir?

Julgar significa: dizer o que é justo. Tal é a função dos juízes civis e eclesiásticos: exercer a justiça. Ora, a justiça de Deus é a expressão de Sua sabedoria: “ela constitui a ordem das coisas conforme à idéia da sua sabedoria” (S. Tomás, Suma Teológica, I, 21, a.2) A função de Cristo juiz será, pois, a de manifestar a sabedoria da obra divina.

O fim da história do mundo

A obra divina começou no primeiro dia da criação. A ordem da natureza foi fundada durante os seis dias e foi concluída pela criação do homem, à imagem e semelhança de Deus. Tendo o pecado pervertido essa obra, Deus produziu outra criação, uma nova humanidade, por Jesus Cristo e em Jesus Cristo. A obra de Deus prossegue na história. A história do mundo desenrola-se e cumpre-se pelos atos livres dos homens. Eis porque não existe um sentido da história; são os homens que fazem a história. Porém esses atos são incluídos nos desígnios da Providência e dentro do governo divino. Deus é o senhor da história, que Ele conduz para a glória final de Cristo e dos eleitos. Portanto há, sim, um sentido da história, mas não existe história profana. Sem Jesus Cristo a história é absurda. Todo o seu desenrolar tem em vista o advento glorioso do Salvador.

Entretanto, não decorre daí que a humanidade esteja em progresso espiritual contínuo. Muito pelo contrário, constatamos o domínio das forças do mal. Os livros sagrados anunciam-nos provações e perseguições; e Nosso Senhor fez a pergunta: “Quando o Filho do Homem retornar, será que ainda encontrará a fé sobre a terra?” (Luc., 18,8)

A vinda da justiça

Essa história do mundo e da Igreja é para nós bem enigmática. Sabemos, teoricamente, que nada acontece fora da vontade de Deus. Mas quantas injustiças e infelicidades, quantas mentiras e perseguições, provações e sofrimentos! A nossa própria vida, a vida de outras pessoas, e numerosos acontecimentos suscitam perplexidade, até mesmo revolta ou desespero. Não há somente santidade no mundo e o mal permanece triunfante. O grito dos perseguidos sobe até o céu: “Eu vi sob o altar as almas daqueles que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus, e do testemunho que tinham dado, e eles gritavam com voz forte: “Até quando, Senhor santo e verídico, reterás o teu julgamento, e não vingarás o nosso sangue dos habitantes da terra?” (Apoc. 6, 8-10).

O julgamento particular de cada homem é uma primeira resposta a essa espera de justiça. Pois cada homem, no instante da sua morte, comparece perante Deus e recebe a retribuição que lhe for devida. A sentença é imediatamente executada para aqueles que são condenados ao inferno. Para os demais, a entrada no céu pode ser adiada, se não estiverem ainda completamente purificados do pecado; mas são salvos.

Entretanto a seqüência desses julgamentos particulares deixa a justiça insatisfeita. São eles o segredo de Deus, permanecendo ignorados dos homens. E o homem continua vivendo na terra pela sua reputação, sua honra - ou sua desonra - , sua descendência, as obras que lhe sobrevivem; ou então, pelo contrário, ele é esquecido, morto não só fisicamente como também social e historicamente.

É o julgamento geral que completa a obra da divina justiça. Nele a vida de cada pessoa será manifestada e julgada em relação com a universalidade dos homens, não mais apenas no seu mérito individual: “o homem deve ser julgado como fazendo parte da totalidade do gênero humano; assim como se diz que alguém é julgado segundo a justiça humana, quando é julgada a comunidade da qual faz parte”(S. Tomás, Comentário sobre as Sentenças, IV Sent., d.17, Q.1, sol.1, ad 3. “O juízo universal concerne mais diretamente à universalidade dos homens do que a cada um deles”, ibid.).

Não é que Deus reveja a sua sentença de salvação ou de danação para cada homem! Essa sentença aparecerá publicamente e em toda a sua sabedoria. Saber-se-á então quem faz parte da humanidade nova, a Igreja, e quem lhe é estranho; pois nem todos os homens são membros da Igreja, e entre esses membros muitos são membros mortos. As hipocrisias serão desmascaradas, as santidades aparentes serão dissipadas, as reputações enganosas serão arruinadas; todo um mundo artificial de obras factícias desabará, e serão vistos o seu vazio e a sua vaidade. Como num relâmpago, ficarão evidentes à inteligência de todos as obras de cada um e a separação do bem e do mal (S. Tomás, op. cit., IV Sent., d.17, Q.1, sol.2.).

Atualmente a sucessão dos acontecimentos parece ir contra as exigências da justiça. O mal triunfa, o bem é vencido. Os atos virtuosos não são recompensados. A injustiça leva ao sucesso. “Nesse julgamento serão revelados os mistérios ainda escondidos da justiça divina: com efeito, atualmente os atos de uns servem ao proveito dos outros, de modo diferente do que pareceriam exigir suas respectivas obras; mas então, terá lugar a separação universal dos bons e dos maus; os maus não mais progredirão graças aos bons, nem os bons graças aos maus; é por causa desse progresso que hoje os bons e os maus estão misturados, enquanto o estado da vida presente prossegue sob o governo da divina providência” (S. Tomás, op. cit., IV Sent., d.17, Q.1, sol.1.) Hoje tudo está misturado; as felicidades e as aflições terrestres advêm a todos indistintamente, contradizendo, ao que parece, as exigências da justiça. “As duas Cidades, a de Deus e a da terra, têm parte igual dos bens e dos males desta vida; mas sua fé, sua esperança e sua caridade são diferentes, até que o juízo final as separe e cada uma delas chegue ao seu fim que não terá fim.” (S. Agostinho, A Cidade de Deus, 18,54)

Revelação da sabedoria divina

Então serão desvendadas as obscuridades da história. O escândalo da vitória do mal não mais existirá. As injustiças, os infortúnios, as mentiras, as perseguições, as provações e os sofrimentos, todos esses males que têm oprimido a pobre humanidade, aparecerão como ornamentos que constituem a glória dos santos e do Corpo Místico. Não só saberemos, mas veremos que Deus preferiu permitir o mal a fim dele tirar um bem maior, edificando a Cidade de glória pela Cruz. A “felix culpa” não será mais um mistério.

Todos verão que Deus tudo criou e tudo governou para a glória de Cristo e do seu Corpo Místico, “o homem perfeito, a cabeça primeiramente, a seguir o corpo composto de todos os membros, que receberão a última perfeição em seu tempo.” (S. Agostinho, op. cit., 22,18).

A espera e a contemplação do mistério do juízo final dão ao cristão uma “bem-aventurada visão de paz” (Hino da Dedicação) sobre os acontecimentos do mundo e os de sua própria vida. Ele adora a sabedoria dos desígnios da Providência na escuridão da fé, enquanto aguarda contemplá-la naquele dia derradeiro.

(Fonte: Site do Mosteiro da Santa Cruz - Boletim nº 18, setembro de 1999, Suplemento)

PS.: Grifos meus.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

CRUCIFIXO

 CRUCIFIXO
São Luís Gonzaga
(...) Crucifixo - dádiva preciosa do Seu amor, já agora para sempre fixado no vértice das igrejas ou na sala nobre das famílias que não se pejam das suas ignomínias. Resta-nos o crucifixo pompeando, glorificado, no cimo dos tabernáculos, ou banhado de lágrimas ardentes na penumbra misteriosa de um confessionário. Resta-nos o crucifixo à cabeceira do enfermo que sofre porque já não vive, ou no cinto da religiosa que sofre porque não morre. Resta-nos o crucifixo nas mãos do missionário, rasgando-lhe caminho para a pátria celestial, e no peito do soldado, guiando-o intimorato para os triunfos da pátria desafrontada de estranhos atrevimentos
Na grande avançada para o céu, sem ele, sem o sinal da cruz, não sabe a Igreja dar um passo, iniciar uma única cerimônia, esboçar uma bênção sequer. 

Oh! meu crucifixo! Pobre e humilde, banhado das minhas lágrimas, na amorável penumbra de uma cela, como brilhas vós iluminando-nos a vida e a morte, o sofrimento e o prazer, a terra e o céu, o tempo e a eternidade! 

Catecismo de ignorantes, Suma Teológica para sábios, vós sois um livro luminoso, todo invadido da presença de Deus. Vossa voz me instrui com o calor de uma chama e com a doçura de uma unção - repreende e consola, fortalece e santifica. 

Melhor que os livros santos, vós me dizes a que extremos inatingíveis levaste o vosso amor por mim, por mim pessoalmente, como se eu só - e mais ninguém - Fora o objeto do vosso amor, - amor imolado, amor sacrificado, amor crucificado. 

Levei-vos aos lábios, cheguei-vos ao coração. E ouvi, uma por uma, impressas em vossas chagas, todas as palavras dos livros sagrados. E cada palavra que vos caiu dos lábios me foi direita ao coração como um dardo de fogo, desse fogo do Espírito Santo que, desde o meu batismo, permanece latente em minha alma pecadora. E eu disse: também eu vos amo, também eu quero amar-vos de todas as minhas forças

Vós me ensinas como e até quando ser-me-á preciso amar o meu próximo. "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" - me dizes vós. Mandamento difícil, difícil e humilhante. Se se tratasse de fazer bem aos que me fizeram bem - fácil e deleitoso me seria o cumprir a vossa vontade, pois ela encontraria eixo dentro em meu próprio coração. Mas vós queres que eu perdoe aos que me fizeram mal, não somente que lhes perdoe, mas que os ame ainda como vós mesmo nos amaste. E eu vi as vossas chagas, contemplei-vos as mãos e os pés traspassados de duros cravos, a cabeça coroada de espinhos, os braços abertos em atitude de perdão. E eu disse e repito, inteiramente rendido aos argumentos do vosso amor: Sim, ó meu Jesus, perdôo-lhes por amor de Vós, perdôo-lhes porque mais gravemente Vos tenho eu ofendido do que eles a mim

Vós me dizes ainda que o amor de Deus e do próximo nos faz viver, e que o amor de nós mesmos nos faz morrer. Oh! meu Jesus, faze que eu Vos ame bastante, e que não me ame tanto! Ensina-me a dominar as rebeldias da minha natureza, a crucificar as minhas paixões por amor de Jesus crucificado. Ensina-me a prática da humildade, da vigilância e da oração, para que, em Vós e por Vós, me fortaleça na obediência à Vossa santa Lei. 

Como sois belo e consolador, ó meu crucifixo. Se me mostrasses tão somente a grandeza dos meus pecados, eu seria esmagado ao peso da minha dor; mas vós me abres o céu como premio e recompensa da Paixão de Jesus. Agora que vos conheço - que vos conheço e vos amo já não temo os castigos da vossa justiça, mas os castigos do vosso amor, e porque as temo e porque vos quero, deixa que me banhe no sangue do vosso coração. 

Mas eis que o dia já declina sempre mais, lentamente... lentamente... As sombras da montanha obscurecem-me o caminho, e já não vejo para onde me conduzem os passos incertos e vacilantes. É a tarde, é a noite, é a velhice, é a morte que se aproxima. Ai! eu tenho medo. Mas fica comigo, ó meu amado crucifixo

Companheiro inseparável de todos os dias, faze-me companhia até o termo da longa e perigosa caminhada. Vós me falarás de Deus, vós me falarás da vida que se finda e da eternidade que se avizinha. Vós me falarás dos meus pecados e da misericórdia de Jesus. 

Cansados, já os meus olhos vos não podem fitar; enregelados, na agonia derradeira, já os meus braços não conseguem chegar-vos à altura dos meus lábios. Mas os meus dedos crispados pela morte vos sentem ainda, e o meu coração, se não a boca, pode ao menos balbuciar: Meu Jesus, meu Redentor, eu Vos amo, eu creio em Vós. Nas Vossas mãos entrego o meu coração, a minha alma, a minha vida, a minha eternidade. In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum. 

(No Calvário por Dom Duarte Leopoldo E Silva, 1937)

PS.: Grifos meus.

Tríduo a Santa Gemma Galgani

Nota do blogue: Agradeço a um amigo o envio deste belo tríduo.

TRÍDUO A SANTA GEMMA GALGANI 
Para obter graças 


Oh Santa Gemma! Que foste tão fiel ao Eterno Pai com a confiança filial que tiveste em Sua divina Providência: alcança-nos um cego abandono à Suas divinas disposições e a graça particular… (citar graça desejada) 
Pater, Ave, Gloria

Oh Santa Gemma! Que pelo ardente amor à Jesus Crucificado, foi-Lhe uma viva imagem, alcança-nos meditar frutuosamente todos os dias Sua Santíssima Paixão e a graça particular… (citar graça desejada) 
Pater, Ave, Gloria. 

Oh Santa Gemma! Que tanto honraste e correspondeste as inspirações do Espírito Santo, alcança-nos receber a plenitude do mesmo Espírito e a graça particular… (citar graça desejada) 
Pater, Ave, Gloria.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pensamento do dia 10/11/2011

PENSAMENTO DO DIA 10/11/2011


"Como és belo e consolador, ó meu crucifixo. 
Se me mostrasses tão somente a grandeza dos meus pecados, 
eu seria esmagado ao peso da minha dor; mas tu me abres o céu como prêmio
e recompensa da Paixão de Jesus. Agora que te conheço - que te conheço e te amo
já não temo os castigos da tua justiça, mas os castigos do teu amor,
e porque as temo e porque te quero, deixa que me banhe no sangue do teu coração."

(No Calvário por Dom Duarte Leopoldo E Silva, 1937)

Adveniat regnum tuum

Meditações

Afetivas e Práticas
Sobre o Evangelho
pelo
Cônego Beaudenom
Tomo III
(1936)

Adveniat regnum tuum
(Primeira parte)


Para a Véspera. - Na meditação precedente chegamos a esta conclusão: o dever essencial da nossa vida é reconduzir tudo a Deus e formulamo-la com estas palavras tão conhecidas: «tudo para a Sua maior glória». Na de amanhã provaremos que esta glória se encontra na extensão do Seu reino, adveniat regnum tuum. - Este Reino pode ser olhado sob três pontos de vista. - A sua realização perfeita, é no extremo horizonte, onde veremos o Soberano Bem reinando no céu sobre o conjunto dos eleitos; é, a nossos olhos, a sua realização laboriosa sempre imperfeita no mundo; - é enfim, é em nós mesmos uma realização que se faz dia-a-dia pelos nossos esforços e pelos nossos progressos pessoais. - Notemos que não são três Reinos, são três ASPECTOS sob os quais o mesmo reino nos aparece. Com efeito, no fundo é sempre o mesmo, pois que é a vida sobrenatural. A vida da glória no céu não é mais que a vida de graça no seu desenvolvimento final. A Igreja é esse belo Reino em preparação, e Deus digna-Se começar o Seu Reino íntimo em cada alma fiel. - Como já meditamos no primeiro e último destes três aspectos, atentaremos amanhã no segundo, o Reino de Deus na terra. - Alargar este reino é o meu dever. Este dever é magnífico. Estarei disso convencido? 

Meditação

Prelúdio- Imaginarei a terra com todos os seus habitantes. Uns crêem no nosso Deus e servem-nO; outros abandonam-nO ou blasfemam dEle; - um grande número nem sequer O conhece. - Pedirei a graça de compreender o dever que exprimem estas palavras:
« Adveniat regnum tuum ». 

1. - O Mundo que se há de conquistar- Em meio desta terra tão vasta e do número incalculável dos seus habitantes, o Reino de Deus, a Igreja, ocupa um lugar muito restrito. Sem dúvida, segundo a promessa divina, ela está representada em toda a parte, mas em muitos lugares só conta alguns membros. Vejo os vastos continentes da Ásia, as Índias, a China, o Japão, as ilhas da Oceania e as profundidades do continente negro. Por toda a parte falsas religiões. Bramanismo, Budismo, Sintoísmo, Maometanísmo, Fetichismo. Ó meu Deus, que conquistas a fazer para o Vosso Reino! Na América e, entre nós, na Europa, quanto lugar ocupado pelos protestantes e pelos cismáticos! Não fazem parte do Vosso Reino visível, mas Vós para ele os chamais, ó meu Deus! E, nas nações católicas que o constituem, quantos batizados sem fé; quantos ímpios e inimigos! E, ai de nós! quantos crentes mesmo que não vivem do Evangelho; que o desacreditam e o desonram! 

Ó Jesus, que tanto amais os homens, como devíeis ter sofrido em Vossa vida mortal quando descobríeis de longe este futuro! Vós predizíeis então as contradições, as perseguições, as negações e os desfalecimentos da fé... «Quando o Filho do homem voltar, quantos fiéis encontrará?» Mas não deixáveis de nos incutir esperança quando fazíeis brilhar a nossos olhos essa época ditosa «em que haveria um único pastor e um único rebanho». 

Desejos ardentes. - Disposição de generosidade. 

2. - Os Conquistadores. - Esperando que chegasse esse dia, tão afastado ainda sem dúvida, Vós dizíeis aos Apóstolos e por meio deles à Igreja: - «Não hajais receio, pequeno rebanho, porque aprouve a vosso Pai dar-vos um Reino»; e já prestes a subir ao céu, acrescentáveis: «Ide, ensinai todas as nações, batizai-as, fazei delas o meu Reino». - Cristãos e cristãs zelosos, que neste momento ouvis estas palavras, gravai-as bem em vosso coração, porque são ditas para vós. 

Vós não sois o número, os Apóstolos também o não eram, e vós tendes o mesmo papel. Quem sois? Que grupo formais? É muito vasto, é muito vivo? - Em face do quadro que acaba de contristar-me, vejo os religiosos, os sacerdotes, os fervorosos católicos, esse grupo admirável de virgens consagradas a Deus, orando e sofrendo nos claustros ou entregando-se até o esgotamento a todas as misérias. A seu lado, vejo outras mulheres, mulheres do mundo ou mulheres do povo, que se entregam ao bom combate dos humildes e dos fortes. - E qual a sua arma? O Todo-Poderoso recebido cada manhã, chamado cada dia. - Qual a sua tática? Os deveres de estado claramente cumpridos, as obras de zelo e os sofrimentos voluntários, a influência da virtude. Todos estes soldados do Reino de Deus se entregam sem ostentação e sem medo a conquistas difíceis, sempre de alma voltada para o céu, sempre de coração mortificado pela vista dos pecados dos homens. E esses membros vivos do corpo místico de Jesus encontram-se em todas as plagas da terra; nos países infiéis ou nos cismáticos, como nos países católicos. Formam grupos numerosos nas cidades, estão disseminados pelas aldeias. O próprio deserto vê-os florescer... Florescer! sim, mas também gemer e chorar! 

Que lugar ocupo neste exército do zelo? Qual é o que me está destinado? Ei de meditá-lo mais tarde. - Hoje fixarei a minha atenção nesses países sem conta onde não está estabelecido o Reino de Deus e fomentarei na alma um grande desejo de contribuir para as belas conquistas. 

PS.: Grifos meus
PS.2: Próxima meditação sobre esse tema: Nobre dever.