sábado, 12 de novembro de 2011

O Juízo Final

O Juízo Final

Pintura do Juízo Final por Fra Angelico
Iterum venturus est cum gloria iudicare
vivos et mortuos

Ele virá em glória para julgar os vivos e os mortos”. Os povos da terra “verão o Filho do Homem chegar sobre as nuvens do céu com grande poder e majestade.” A volta gloriosa de Cristo como juiz é uma das verdades mais freqüentemente ensinadas pela Sagrada Escritura. “Não há ninguém que duvide desse juízo final, anunciado nas sagradas Escrituras, a não ser aqueles que, devido a uma cega e obstinada incredulidade, não crêem nas próprias Escrituras” (S.Agostinho, A Cidade de Deus, 20,30).

Cristo juiz

O objeto do advento final de Cristo não é um cataclismo cósmico, ou “a grande turbulência”, que chama mais a nossa atenção, mas, sim, o Julgamento. Em que deve ele consistir?

Julgar significa: dizer o que é justo. Tal é a função dos juízes civis e eclesiásticos: exercer a justiça. Ora, a justiça de Deus é a expressão de Sua sabedoria: “ela constitui a ordem das coisas conforme à idéia da sua sabedoria” (S. Tomás, Suma Teológica, I, 21, a.2) A função de Cristo juiz será, pois, a de manifestar a sabedoria da obra divina.

O fim da história do mundo

A obra divina começou no primeiro dia da criação. A ordem da natureza foi fundada durante os seis dias e foi concluída pela criação do homem, à imagem e semelhança de Deus. Tendo o pecado pervertido essa obra, Deus produziu outra criação, uma nova humanidade, por Jesus Cristo e em Jesus Cristo. A obra de Deus prossegue na história. A história do mundo desenrola-se e cumpre-se pelos atos livres dos homens. Eis porque não existe um sentido da história; são os homens que fazem a história. Porém esses atos são incluídos nos desígnios da Providência e dentro do governo divino. Deus é o senhor da história, que Ele conduz para a glória final de Cristo e dos eleitos. Portanto há, sim, um sentido da história, mas não existe história profana. Sem Jesus Cristo a história é absurda. Todo o seu desenrolar tem em vista o advento glorioso do Salvador.

Entretanto, não decorre daí que a humanidade esteja em progresso espiritual contínuo. Muito pelo contrário, constatamos o domínio das forças do mal. Os livros sagrados anunciam-nos provações e perseguições; e Nosso Senhor fez a pergunta: “Quando o Filho do Homem retornar, será que ainda encontrará a fé sobre a terra?” (Luc., 18,8)

A vinda da justiça

Essa história do mundo e da Igreja é para nós bem enigmática. Sabemos, teoricamente, que nada acontece fora da vontade de Deus. Mas quantas injustiças e infelicidades, quantas mentiras e perseguições, provações e sofrimentos! A nossa própria vida, a vida de outras pessoas, e numerosos acontecimentos suscitam perplexidade, até mesmo revolta ou desespero. Não há somente santidade no mundo e o mal permanece triunfante. O grito dos perseguidos sobe até o céu: “Eu vi sob o altar as almas daqueles que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus, e do testemunho que tinham dado, e eles gritavam com voz forte: “Até quando, Senhor santo e verídico, reterás o teu julgamento, e não vingarás o nosso sangue dos habitantes da terra?” (Apoc. 6, 8-10).

O julgamento particular de cada homem é uma primeira resposta a essa espera de justiça. Pois cada homem, no instante da sua morte, comparece perante Deus e recebe a retribuição que lhe for devida. A sentença é imediatamente executada para aqueles que são condenados ao inferno. Para os demais, a entrada no céu pode ser adiada, se não estiverem ainda completamente purificados do pecado; mas são salvos.

Entretanto a seqüência desses julgamentos particulares deixa a justiça insatisfeita. São eles o segredo de Deus, permanecendo ignorados dos homens. E o homem continua vivendo na terra pela sua reputação, sua honra - ou sua desonra - , sua descendência, as obras que lhe sobrevivem; ou então, pelo contrário, ele é esquecido, morto não só fisicamente como também social e historicamente.

É o julgamento geral que completa a obra da divina justiça. Nele a vida de cada pessoa será manifestada e julgada em relação com a universalidade dos homens, não mais apenas no seu mérito individual: “o homem deve ser julgado como fazendo parte da totalidade do gênero humano; assim como se diz que alguém é julgado segundo a justiça humana, quando é julgada a comunidade da qual faz parte”(S. Tomás, Comentário sobre as Sentenças, IV Sent., d.17, Q.1, sol.1, ad 3. “O juízo universal concerne mais diretamente à universalidade dos homens do que a cada um deles”, ibid.).

Não é que Deus reveja a sua sentença de salvação ou de danação para cada homem! Essa sentença aparecerá publicamente e em toda a sua sabedoria. Saber-se-á então quem faz parte da humanidade nova, a Igreja, e quem lhe é estranho; pois nem todos os homens são membros da Igreja, e entre esses membros muitos são membros mortos. As hipocrisias serão desmascaradas, as santidades aparentes serão dissipadas, as reputações enganosas serão arruinadas; todo um mundo artificial de obras factícias desabará, e serão vistos o seu vazio e a sua vaidade. Como num relâmpago, ficarão evidentes à inteligência de todos as obras de cada um e a separação do bem e do mal (S. Tomás, op. cit., IV Sent., d.17, Q.1, sol.2.).

Atualmente a sucessão dos acontecimentos parece ir contra as exigências da justiça. O mal triunfa, o bem é vencido. Os atos virtuosos não são recompensados. A injustiça leva ao sucesso. “Nesse julgamento serão revelados os mistérios ainda escondidos da justiça divina: com efeito, atualmente os atos de uns servem ao proveito dos outros, de modo diferente do que pareceriam exigir suas respectivas obras; mas então, terá lugar a separação universal dos bons e dos maus; os maus não mais progredirão graças aos bons, nem os bons graças aos maus; é por causa desse progresso que hoje os bons e os maus estão misturados, enquanto o estado da vida presente prossegue sob o governo da divina providência” (S. Tomás, op. cit., IV Sent., d.17, Q.1, sol.1.) Hoje tudo está misturado; as felicidades e as aflições terrestres advêm a todos indistintamente, contradizendo, ao que parece, as exigências da justiça. “As duas Cidades, a de Deus e a da terra, têm parte igual dos bens e dos males desta vida; mas sua fé, sua esperança e sua caridade são diferentes, até que o juízo final as separe e cada uma delas chegue ao seu fim que não terá fim.” (S. Agostinho, A Cidade de Deus, 18,54)

Revelação da sabedoria divina

Então serão desvendadas as obscuridades da história. O escândalo da vitória do mal não mais existirá. As injustiças, os infortúnios, as mentiras, as perseguições, as provações e os sofrimentos, todos esses males que têm oprimido a pobre humanidade, aparecerão como ornamentos que constituem a glória dos santos e do Corpo Místico. Não só saberemos, mas veremos que Deus preferiu permitir o mal a fim dele tirar um bem maior, edificando a Cidade de glória pela Cruz. A “felix culpa” não será mais um mistério.

Todos verão que Deus tudo criou e tudo governou para a glória de Cristo e do seu Corpo Místico, “o homem perfeito, a cabeça primeiramente, a seguir o corpo composto de todos os membros, que receberão a última perfeição em seu tempo.” (S. Agostinho, op. cit., 22,18).

A espera e a contemplação do mistério do juízo final dão ao cristão uma “bem-aventurada visão de paz” (Hino da Dedicação) sobre os acontecimentos do mundo e os de sua própria vida. Ele adora a sabedoria dos desígnios da Providência na escuridão da fé, enquanto aguarda contemplá-la naquele dia derradeiro.

(Fonte: Site do Mosteiro da Santa Cruz - Boletim nº 18, setembro de 1999, Suplemento)

PS.: Grifos meus.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

CRUCIFIXO

 CRUCIFIXO
São Luís Gonzaga
(...) Crucifixo - dádiva preciosa do Seu amor, já agora para sempre fixado no vértice das igrejas ou na sala nobre das famílias que não se pejam das suas ignomínias. Resta-nos o crucifixo pompeando, glorificado, no cimo dos tabernáculos, ou banhado de lágrimas ardentes na penumbra misteriosa de um confessionário. Resta-nos o crucifixo à cabeceira do enfermo que sofre porque já não vive, ou no cinto da religiosa que sofre porque não morre. Resta-nos o crucifixo nas mãos do missionário, rasgando-lhe caminho para a pátria celestial, e no peito do soldado, guiando-o intimorato para os triunfos da pátria desafrontada de estranhos atrevimentos
Na grande avançada para o céu, sem ele, sem o sinal da cruz, não sabe a Igreja dar um passo, iniciar uma única cerimônia, esboçar uma bênção sequer. 

Oh! meu crucifixo! Pobre e humilde, banhado das minhas lágrimas, na amorável penumbra de uma cela, como brilhas vós iluminando-nos a vida e a morte, o sofrimento e o prazer, a terra e o céu, o tempo e a eternidade! 

Catecismo de ignorantes, Suma Teológica para sábios, vós sois um livro luminoso, todo invadido da presença de Deus. Vossa voz me instrui com o calor de uma chama e com a doçura de uma unção - repreende e consola, fortalece e santifica. 

Melhor que os livros santos, vós me dizes a que extremos inatingíveis levaste o vosso amor por mim, por mim pessoalmente, como se eu só - e mais ninguém - Fora o objeto do vosso amor, - amor imolado, amor sacrificado, amor crucificado. 

Levei-vos aos lábios, cheguei-vos ao coração. E ouvi, uma por uma, impressas em vossas chagas, todas as palavras dos livros sagrados. E cada palavra que vos caiu dos lábios me foi direita ao coração como um dardo de fogo, desse fogo do Espírito Santo que, desde o meu batismo, permanece latente em minha alma pecadora. E eu disse: também eu vos amo, também eu quero amar-vos de todas as minhas forças

Vós me ensinas como e até quando ser-me-á preciso amar o meu próximo. "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" - me dizes vós. Mandamento difícil, difícil e humilhante. Se se tratasse de fazer bem aos que me fizeram bem - fácil e deleitoso me seria o cumprir a vossa vontade, pois ela encontraria eixo dentro em meu próprio coração. Mas vós queres que eu perdoe aos que me fizeram mal, não somente que lhes perdoe, mas que os ame ainda como vós mesmo nos amaste. E eu vi as vossas chagas, contemplei-vos as mãos e os pés traspassados de duros cravos, a cabeça coroada de espinhos, os braços abertos em atitude de perdão. E eu disse e repito, inteiramente rendido aos argumentos do vosso amor: Sim, ó meu Jesus, perdôo-lhes por amor de Vós, perdôo-lhes porque mais gravemente Vos tenho eu ofendido do que eles a mim

Vós me dizes ainda que o amor de Deus e do próximo nos faz viver, e que o amor de nós mesmos nos faz morrer. Oh! meu Jesus, faze que eu Vos ame bastante, e que não me ame tanto! Ensina-me a dominar as rebeldias da minha natureza, a crucificar as minhas paixões por amor de Jesus crucificado. Ensina-me a prática da humildade, da vigilância e da oração, para que, em Vós e por Vós, me fortaleça na obediência à Vossa santa Lei. 

Como sois belo e consolador, ó meu crucifixo. Se me mostrasses tão somente a grandeza dos meus pecados, eu seria esmagado ao peso da minha dor; mas vós me abres o céu como premio e recompensa da Paixão de Jesus. Agora que vos conheço - que vos conheço e vos amo já não temo os castigos da vossa justiça, mas os castigos do vosso amor, e porque as temo e porque vos quero, deixa que me banhe no sangue do vosso coração. 

Mas eis que o dia já declina sempre mais, lentamente... lentamente... As sombras da montanha obscurecem-me o caminho, e já não vejo para onde me conduzem os passos incertos e vacilantes. É a tarde, é a noite, é a velhice, é a morte que se aproxima. Ai! eu tenho medo. Mas fica comigo, ó meu amado crucifixo

Companheiro inseparável de todos os dias, faze-me companhia até o termo da longa e perigosa caminhada. Vós me falarás de Deus, vós me falarás da vida que se finda e da eternidade que se avizinha. Vós me falarás dos meus pecados e da misericórdia de Jesus. 

Cansados, já os meus olhos vos não podem fitar; enregelados, na agonia derradeira, já os meus braços não conseguem chegar-vos à altura dos meus lábios. Mas os meus dedos crispados pela morte vos sentem ainda, e o meu coração, se não a boca, pode ao menos balbuciar: Meu Jesus, meu Redentor, eu Vos amo, eu creio em Vós. Nas Vossas mãos entrego o meu coração, a minha alma, a minha vida, a minha eternidade. In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum. 

(No Calvário por Dom Duarte Leopoldo E Silva, 1937)

PS.: Grifos meus.

Tríduo a Santa Gemma Galgani

Nota do blogue: Agradeço a um amigo o envio deste belo tríduo.

TRÍDUO A SANTA GEMMA GALGANI 
Para obter graças 


Oh Santa Gemma! Que foste tão fiel ao Eterno Pai com a confiança filial que tiveste em Sua divina Providência: alcança-nos um cego abandono à Suas divinas disposições e a graça particular… (citar graça desejada) 
Pater, Ave, Gloria

Oh Santa Gemma! Que pelo ardente amor à Jesus Crucificado, foi-Lhe uma viva imagem, alcança-nos meditar frutuosamente todos os dias Sua Santíssima Paixão e a graça particular… (citar graça desejada) 
Pater, Ave, Gloria. 

Oh Santa Gemma! Que tanto honraste e correspondeste as inspirações do Espírito Santo, alcança-nos receber a plenitude do mesmo Espírito e a graça particular… (citar graça desejada) 
Pater, Ave, Gloria.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pensamento do dia 10/11/2011

PENSAMENTO DO DIA 10/11/2011


"Como és belo e consolador, ó meu crucifixo. 
Se me mostrasses tão somente a grandeza dos meus pecados, 
eu seria esmagado ao peso da minha dor; mas tu me abres o céu como prêmio
e recompensa da Paixão de Jesus. Agora que te conheço - que te conheço e te amo
já não temo os castigos da tua justiça, mas os castigos do teu amor,
e porque as temo e porque te quero, deixa que me banhe no sangue do teu coração."

(No Calvário por Dom Duarte Leopoldo E Silva, 1937)

Adveniat regnum tuum

Meditações

Afetivas e Práticas
Sobre o Evangelho
pelo
Cônego Beaudenom
Tomo III
(1936)

Adveniat regnum tuum
(Primeira parte)


Para a Véspera. - Na meditação precedente chegamos a esta conclusão: o dever essencial da nossa vida é reconduzir tudo a Deus e formulamo-la com estas palavras tão conhecidas: «tudo para a Sua maior glória». Na de amanhã provaremos que esta glória se encontra na extensão do Seu reino, adveniat regnum tuum. - Este Reino pode ser olhado sob três pontos de vista. - A sua realização perfeita, é no extremo horizonte, onde veremos o Soberano Bem reinando no céu sobre o conjunto dos eleitos; é, a nossos olhos, a sua realização laboriosa sempre imperfeita no mundo; - é enfim, é em nós mesmos uma realização que se faz dia-a-dia pelos nossos esforços e pelos nossos progressos pessoais. - Notemos que não são três Reinos, são três ASPECTOS sob os quais o mesmo reino nos aparece. Com efeito, no fundo é sempre o mesmo, pois que é a vida sobrenatural. A vida da glória no céu não é mais que a vida de graça no seu desenvolvimento final. A Igreja é esse belo Reino em preparação, e Deus digna-Se começar o Seu Reino íntimo em cada alma fiel. - Como já meditamos no primeiro e último destes três aspectos, atentaremos amanhã no segundo, o Reino de Deus na terra. - Alargar este reino é o meu dever. Este dever é magnífico. Estarei disso convencido? 

Meditação

Prelúdio- Imaginarei a terra com todos os seus habitantes. Uns crêem no nosso Deus e servem-nO; outros abandonam-nO ou blasfemam dEle; - um grande número nem sequer O conhece. - Pedirei a graça de compreender o dever que exprimem estas palavras:
« Adveniat regnum tuum ». 

1. - O Mundo que se há de conquistar- Em meio desta terra tão vasta e do número incalculável dos seus habitantes, o Reino de Deus, a Igreja, ocupa um lugar muito restrito. Sem dúvida, segundo a promessa divina, ela está representada em toda a parte, mas em muitos lugares só conta alguns membros. Vejo os vastos continentes da Ásia, as Índias, a China, o Japão, as ilhas da Oceania e as profundidades do continente negro. Por toda a parte falsas religiões. Bramanismo, Budismo, Sintoísmo, Maometanísmo, Fetichismo. Ó meu Deus, que conquistas a fazer para o Vosso Reino! Na América e, entre nós, na Europa, quanto lugar ocupado pelos protestantes e pelos cismáticos! Não fazem parte do Vosso Reino visível, mas Vós para ele os chamais, ó meu Deus! E, nas nações católicas que o constituem, quantos batizados sem fé; quantos ímpios e inimigos! E, ai de nós! quantos crentes mesmo que não vivem do Evangelho; que o desacreditam e o desonram! 

Ó Jesus, que tanto amais os homens, como devíeis ter sofrido em Vossa vida mortal quando descobríeis de longe este futuro! Vós predizíeis então as contradições, as perseguições, as negações e os desfalecimentos da fé... «Quando o Filho do homem voltar, quantos fiéis encontrará?» Mas não deixáveis de nos incutir esperança quando fazíeis brilhar a nossos olhos essa época ditosa «em que haveria um único pastor e um único rebanho». 

Desejos ardentes. - Disposição de generosidade. 

2. - Os Conquistadores. - Esperando que chegasse esse dia, tão afastado ainda sem dúvida, Vós dizíeis aos Apóstolos e por meio deles à Igreja: - «Não hajais receio, pequeno rebanho, porque aprouve a vosso Pai dar-vos um Reino»; e já prestes a subir ao céu, acrescentáveis: «Ide, ensinai todas as nações, batizai-as, fazei delas o meu Reino». - Cristãos e cristãs zelosos, que neste momento ouvis estas palavras, gravai-as bem em vosso coração, porque são ditas para vós. 

Vós não sois o número, os Apóstolos também o não eram, e vós tendes o mesmo papel. Quem sois? Que grupo formais? É muito vasto, é muito vivo? - Em face do quadro que acaba de contristar-me, vejo os religiosos, os sacerdotes, os fervorosos católicos, esse grupo admirável de virgens consagradas a Deus, orando e sofrendo nos claustros ou entregando-se até o esgotamento a todas as misérias. A seu lado, vejo outras mulheres, mulheres do mundo ou mulheres do povo, que se entregam ao bom combate dos humildes e dos fortes. - E qual a sua arma? O Todo-Poderoso recebido cada manhã, chamado cada dia. - Qual a sua tática? Os deveres de estado claramente cumpridos, as obras de zelo e os sofrimentos voluntários, a influência da virtude. Todos estes soldados do Reino de Deus se entregam sem ostentação e sem medo a conquistas difíceis, sempre de alma voltada para o céu, sempre de coração mortificado pela vista dos pecados dos homens. E esses membros vivos do corpo místico de Jesus encontram-se em todas as plagas da terra; nos países infiéis ou nos cismáticos, como nos países católicos. Formam grupos numerosos nas cidades, estão disseminados pelas aldeias. O próprio deserto vê-os florescer... Florescer! sim, mas também gemer e chorar! 

Que lugar ocupo neste exército do zelo? Qual é o que me está destinado? Ei de meditá-lo mais tarde. - Hoje fixarei a minha atenção nesses países sem conta onde não está estabelecido o Reino de Deus e fomentarei na alma um grande desejo de contribuir para as belas conquistas. 

PS.: Grifos meus
PS.2: Próxima meditação sobre esse tema: Nobre dever. 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Santa Gertrudes e a Confiança

Santa Gertrudes e a Confiança


Santa Gertrudes, monja do Mosteiro de Helfta, perto de Eisleben, na Saxônia, Alemanha, nasceu em 1256 e iniciou sua vida monástica aos 5 anos, tendo por mestra Santa Matilde de Hackeborn. Foi das maiores místicas medievais, morrendo aos 33 anos de idade, consumida menos pela doença do que pelo amor de Deus em que ardia. Entre outras virtudes, distinguiu-se pela virtude da confiança. Certa vez, tendo sofrido uma perigosa queda, sentiu-se tomada de grande alegria ao pensar que poderia, assim, partir imediatamente para Deus. Perguntaram-lhe se não temia morrer sem os sacramentos, ao que respondeu:

"Em verdade", diz ela, "eu desejo de todo o meu coração receber os sacramentos. Mas a vontade e a ordem de meu Deus serão para mim a melhor e a mais salutar preparação... Eu irei para Ele, portanto, com alegria, seja morte súbita ou prevista, sabendo que de qualquer maneira a misericórdia divina não poderá me faltar, e que sem ela nós não seríamos salvos, qualquer que seja o gênero de morte." (Arauto do Amor Divino, Livro I, capítulo X)

Àqueles que procuram a Deus de todo o coração, tudo concorre para o seu bem. Eis a grande lição que devemos recolher deste episódio e aplicá-la aos tempos em que vivemos, onde tantas almas se vêem privadas dos sacramentos, na espera de uma nova legião de sacerdotes fiéis. Rezemos, pois, pelas vocações, mas saibamos deixar tudo nas mãos da Providência Divina que nunca falta.

Fonte: Site Mosteiro da Santa Cruz. Boletim nº 3, setembro de 1992, Doutrina monástica.

PS.: Grifos meus.

La Dolorosa Pasión de San José

LA DOLOROSA PASIÓN DE SAN JOSÉ

LA DOLOROSA PASIÓN DE SAN JOSÉ
 
María Inmaculada —dice el Evangelio— permaneció unos tres meses con su prima Santa Isabel y luego regresó a su casa. Este lacónico texto nos permite imaginar los sentimientos de la Virgen Santísima durante el viaje de vuelta a Nazaret.
Volvía feliz, pensando en San José, pero su felicidad era menos clara que a la ida. Sabía que pronto su prometido advertiría su estado, y tal idea le causaba una inquietud que sólo podía paliar pensando en la gloria del Ser divino que llevaba en su seno, adorándole llena de confianza y de abandono.
Al llegar a Nazaret, San José la acogería con desbordante gozo, que le impediría reparar en su estado. Sin embargo, los signos de su futura maternidad ya habrían comenzado a manifestarse y la gente del pueblo, al darse cuenta, no dejarían de felicitar a la joven pareja…
Es entonces cuando estalla el drama en el alma de San José. Al principio, no termina de creérselo. Está a punto de rechazar como injurias las enhorabuenas, pero pronto comprende que no hay error posible. No cabe duda: María lleva un niño en su vientre… Y ante esta realidad indudable, su espíritu se hunde en un abismo de agonía…
Repugna imaginar que la virginidad de María fuese puesta en entredicho, incluso fugitivamente, en el espíritu de San José.
San Jerónimo exclama: José, sabedor de la virtud de María, rodeó de silencio el misterio que ignoraba.
San Bernardo pregunta en su segunda homilía super Missus est: ¿Por qué motivo quiso San; José, abandonar a María? Y contesta con estas expresivas palabras: Quiso dejar San José a María, por lo mismo que quiso también San Pedro repeler de sí al divino Maestro diciendo: Apártate de mí, Señor, que soy un hombre pecador. Por aquello, por lo cual el Centurión alejaba igualmente de su casa a Jesús cuando decía: Señor, yo no soy digno de que entres en mi morada. Así, pues, de un modo parecido, San José, reputándose indigno y pecador, decía dentro de sí que no era para él cosa decente vivir ya más en familiar consorcio con tal y tan excelsa Señora, cuya superior y admirable dignidad le imponía. Observábala con sagrado pavor, revestida de una clarísima señal de la divina presencia, y porque no podía comprender el misterio, por eso quería dejarla.
¿Cómo iba a dudar de la inocencia de María?
¿Cómo iba a creerla culpable?
Rechazaría tal pensamiento como un crimen. La inocencia de María Santísima era patente en todas sus palabras, en todos sus gestos. Seguía siendo igual de cándida, igual de sencilla… Continuaba realizando sus tareas habituales con la misma dedicación, sin artificio ni duplicidad. Ninguna inquietud, ningún gesto equívoco, rompía la serenidad de su sonrisa o la pureza de su semblante.
Cuando se acercaba a él, le miraba con sus ojos profundos, más llenos que nunca de amor y de lealtad, y le tendía las manos con su naturalidad habitual…
¡No!, no es una culpable la que tiene ante él.
Pero, ¿por qué no le dice nada? ¿Por qué calla? ¿No tiene acaso derecho a saber la verdad?
María, con una sola palabra, hubiera podido tranquilizar e inundar de gozo al angustiado José. Si no lo hizo, fue porque no había recibido el mandato de descubrir el secreto del Rey. Pensaría que era conveniente que, por delicadeza, no hiciera ella tal confidencia a su esposo, y esperaría, llena de confianza, que Dios hablara a San José.
Y mientras esperaba, rezaría y se abandonaría en manos de la Sabiduría infinita.
Este abandono no impedía que sufriera. Si guardaba silencio era porque tenía una fe heroica, no porque fuera indiferente. Veía la profundísima angustia que atenazaba a su esposo y la sentía como propia, viviendo así su primer misterio doloroso.
Observaba en su frente arrugada, en sus rasgos afilados y ensombrecidos, una especie de desesperación tanto más profunda cuanto que no podía compartirla con nadie. Sus ojos estaban enfebrecidos y fatigados, y ella adivinaba que debía estar pasando horribles noches en vela. Le veía ir a su trabajo como a rastras y, sin embargo, continuaba guardando silencio, aceptando la idea atroz de que José pudiese alimentar sospechas sobre esa virginidad que Él santamente había respetado.
De hecho, en el alma de San José se desarrollaba un dramático combate. Dios no ha puesto jamás en una situación como aquella a un alma superior en santidad y amada por El con amor de predilección. Durante noches y días tuvo que luchar con aquel enigma ‘irresoluble, dándole vueltas y más vueltas. Cada hora que pasaba estrechaba más y más el lazo que apretaba su corazón, convencido de que el silencio de su esposa encerraba un misterio cuyo velo no se creía autorizado a levantar.
Se sentía perplejo ante la doble imposibilidad de conservar a María y de condenarla. Su lealtad le prohibía tanto seguirla teniendo por esposa como exponerla a la vergüenza pública. No ignoraba la férrea norma dictada por Moisés que ordenaba, en casos como éste, entregarla a los tribunales de justicia; pero como estaba convencido de que María era inocente, buscaba la manera de dejarla en libertad salvaguardando al mismo tiempo su honor.
Por una parte no podía conservarla, pues a ello se oponía la Ley. No tenía ningún derecho sobre el fruto que llevaba en sus entrañas, cuyo origen ella le ocultaba, y tampoco quería hacerse solidario de un misterio que le estaba vedado.
El texto del Evangelio lo señala claramente: Porque era “justo”, no quería denunciar a su prometida ante los tribunales, ya que estaba envuelta en un misterio que no le correspondía desvelar, un misterio que presentía que venía de Dios.
Así pues, sólo una cosa podía hacer, incluso a riesgo de difamarse él mismo. Una cosa con la que creía salvaguardar al mismo tiempo el honor de María y la obediencia a la Ley: Se separaría de su prometida no por despecho, sino para respetar un misterio que no le estaba permitido desentrañar.
No tendría más remedio que abandonarla, después de devolverle su anillo y de recuperar los presentes que le había hecho en los esponsales… Sí: la dejaría en secreto, sin decir nada a nadie.
¡Gran dolor fue esto para el castísimo José! Y fue, asimismo, grande la aflicción de María, que notó a su vez la ansiedad que embargaba a su santo esposo.
Pero, si el uno fue muy paciente y discreto en tolerar con el silencio su afán, la otra fue humildísima y resignada a los designios divinos. Hubiera podido Ella decir alguna palabra a José, y librarlo de la perplejidad; pero su profundísima humildad no le consentía manifestar el inefable misterio que en Ella había obrado el Espíritu Santo, y del que tanta gloria le resultaba.
Además, sabía Ella que el Señor había dado, principio a la obra de la Encarnación con altísimo silencio, y sin el testimonio o participación de criatura alguna; había advertido que Dios mismo había revelado este misterio a Isabel, cuando, al verla ésta, llamó bendito el fruto de su vientre, y dedujo que sólo a Dios pertenecía manifestarlo a quién, cómo y cuándo hubiese sido de su agrado. Decidió, pues, abandonarse completamente a la voluntad de Dios, adorando sus disposiciones.
Pero San José tarda en ejecutar su proyecto. Lo aplaza día tras día, hasta que llega el momento en que la situación ya no puede prolongarse.
Dios, sin duda, ha aceptado su sacrificio —puesto que nada dice—, un sacrificio más duro aun que el que pidió a Abraham mandándole sacrificar a Isaac, su único hijo…
Por fin, se decide: Mete en un saco lo que se va a llevar, para partir con el alba… Y mientras espera, dice: Señor, Señor, ¿por qué me has abandonado? ¿Por qué permites que sufra tal martirio?…
Porque eras agradable a Dios, José, la tentación había de probarte. Porque en la mente del Altísimo estabas predestinado a ser abogado de las causas perdidas, hacia quien volverán sus ojos las almas doloridas en las horas tenebrosas y aplastantes, era preciso que tú mismo lo experimentases, que estuvieras preparado para desempeñar tu papel.
Porque te había correspondido el indecible honor de ser Padre Adoptivo del Verbo Encarnado, tenías que quedar marcado con la Cruz, signo supremo de su Redención. Y esa Cruz debía alcanzarte en el punto más sensible para ti: el amor que profesabas a aquella que, después de Dios, ocupaba el centro de tus pensamientos…
Porque debías ocupar un lugar privilegiado en el drama de nuestra Salvación, tenías que participar en el sufrimiento. No ibas a estar presente, al lado de María Corredentora, junto a la Cruz del Gólgota, pero tenías que conocer, Tú también, y vivir por anticipado, el misterio de Getsemaní y del Viernes Santo.
Sin embargo, Dios se va a contentar con aceptar su holocausto sin exigir que se realice…
Dios había conducido a San José hasta el borde de la sima de la desolación, hasta el límite en que el sufrimiento, colmado, no se puede superar. El momento de la atroz separación había llegado.
A la espera de partir en secreto, antes de que amanezca, Dios ha permitido que José, rendido de cansancio y de dolor, se duerma. Y de repente, mientras duerme, un Ángel del Señor se le aparece.
Parece razonable presumir que este Ángel fuese Gabriel, el mismo que se había aparecido a María para anunciarle la concepción del Salvador, ya que habría sido designado por Dios para ejecutar todas las órdenes concernientes al misterio de la Encarnación.
Habiendo tomado esta resolución —dice San Mateo en su Evangelio—, he aquí que se le apareció en sueños un ángel del Señor y le dijo: José, hijo de David, no temas recibir en tu casa a María, tu esposa, pues lo concebido en ella es obra del Espíritu Santo. Dará a luz un hijo, a quien pondrás por nombre Jesús, porque salvará a su pueblo de sus pecados…
“José, hijo de David”, le dice el Ángel. El pobre carpintero de Nazaret, consciente tan sólo de su pequeñez, es llamado con el máximo respeto. Le saluda como descendiente de reyes, le da su título de nobleza, pues ha llegado el momento de recordar las promesas que fueron hechas a su antepasado el Rey David y que han empezado ya a cumplirse.
“No temas recibir en tu casa a María, tu esposa”. Si José estaba dispuesto a abandonar a María, no era por indignación o despecho, sino por temor. Temía que, quedándose, pareciera que asumía una paternidad a la que no tenía derecho, que se inmiscuía indiscretamente en un misterio que no le concernía, ofendiendo así al Señor.
“Pues lo concebido en ella es obra del Espíritu Santo”. Esta frase proporciona la clave del enigma y revela la prodigiosa grandeza de lo que se ha realizado en el seno virginal de María. Se trata de una concepción que tiene por autor al Espíritu Santo. El Dios eterno ha intervenido allí donde no había lugar para la carne ni la sangre.
“Dará a luz un hijo, a quien pondrás por nombre Jesús, porque salvará a su pueblo de sus pecados”. Aunque José no haya participado en la concepción, no deberá considerarse por eso como un extraño respecto al Niño. Antes al contrario, se le anuncia que ejercerá el oficio —con todos sus derechos— de un auténtico padre, en especial el de darle un nombre.
Ese nombre designa su misión, pues “Jesús” quiere decir “Salvador”; viene a la tierra, en efecto, para librar a los hombres de la peor esclavitud: la del pecado. Y con ello afirma su naturaleza divina, pues ¿quién puede librar a la humanidad de su pecado sino Dios?
San José no tuvo oportunidad de dialogar con el Ángel como María en el momento de la Anunciación. Recibe el mensaje de Dios mientras duerme, pero eso le basta para disipar sus temores. Aunque la visión se ha producido en sueños, hay motivos para pensar que fuese una visión de carácter profético, sin lugar para la ilusión o la duda, que llevaba en sí misma la certeza de una procedencia divina.
José estaba seguro de que no ha “soñado” en el sentido vulgar del término: es Dios quien se ha dirigido a él por mediación de un Ángel.
Inundado de felicidad, se despierta inmediatamente. Le invade una alegría desbordante, equivalente a su anterior angustia. Las sombras desaparecen, la tempestad se disipa. El lazo que anudaba su corazón se rompe y, liberado de su tortura, exulta de júbilo.
Todo se ilumina a sus ojos, todo resplandece. Se da cuenta de que Dios le ha confiado no sólo lo más valioso del mundo, sino también lo que vale más que todos los universos posibles…
Comprende que el Niño que se ha encarnado en el seno de su prometida es el Mesías, por cuya venida tanto ha rezado. Se acuerda del texto de Isaías: Una virgen concebirá y alumbrará…
Y esa Virgen profetizada es María, lo cual no le sorprende, pues conoce mejor que nadie su santidad y sus virtudes. Sí, es digna de convertirse en tabernáculo del Altísimo…
Al mismo tiempo, se dibuja ante sus ojos el papel que le ha sido asignado. Se da cuenta de que, lejos de dejar de ser su esposa al convertirse en Madre del Hijo de Dios, lejos de seguir considerándose como un intruso, Dios mismo le ha encargado salvaguardar, con su presencia, el honor de María y del Niño, asegurarles con su entrega la necesaria protección.
Sin Él, el misterio de la Encarnación habría carecido de su armoniosa expresión.
Su misión se le presenta como soberanamente grave. Es un peso exaltante y abrumador a la vez. Se pregunta cómo él, simple trabajador aldeano, ha podido ser elegido para tal tarea y, lejos de enorgullecerse, se siente penetrado de la conciencia de su bajeza y miseria. Pero sabe que Dios lo quiere así y que, en adelante, deberá callar sus temores y sus dudas. Está dispuesto a encarar esa responsabilidad, convencido de que Dios le ayudará.
Enseguida, pues, acepta su misión. No es su costumbre responder a los favores del Cielo con protestas de incapacidad. Estima que es más urgente, cuando Dios habla, responder a su llamada con presteza y sin vacilaciones.
Al despertar José de su sueño, dice el Evangelio, hizo como el Ángel del Señor le había mandado.
Así como María, a las palabras del Arcángel Gabriel había contestado: Hágase en Mí según tu palabra; del mismo modo, el Santo Patriarca a las palabras del Arcángel depuso todo temor, inclinó la cabeza, y recibió a María en su casa, a quien amó y veneró más que antes, reconociéndola por Madre del Divino Redentor.
En cuanto amanece, corre a casa de su prometida. María, que le abre la puerta, comprende inmediatamente, viendo la expresión de su cara, su sonrisa radiante, que Dios le ha revelado el misterio. Es lo que, por supuesto, le anuncia contándole la visión del Ángel.
María, por su parte, informa, por primera vez a una criatura humana, de la escena que precedió a la Encarnación del Verbo.
Al terminar, San José, posando sus ojos, llenos de ternura y de respeto, en el rostro de su esposa, quien, a causa del misterio operado en Ella aparece más bella, más pura y más divina, la saludaría como la Flor de Jessé, que, según la profecía, contenía, en germen, la esperanza de los tiempos futuros. Y, por primera vez, haciéndose eco de las palabras que María había escuchado en la Anunciación y en la Visitación, entonaría la alabanza que los labios humanos habían de repetir incesantemente hasta el fin de los siglos: “Dios te salve, María, llena de eres de gracia, el Señor es contigo; bendita tú eres entre todas las mujeres y bendito es el fruto de tu vientre, Jesús”.
Y María respondería a su vez repitiendo una vez más los versículos del Magníficat
Luego, hablarían de la ceremonia nupcial, manifestándose de acuerdo en la conveniencia de celebrarla cuanto antes, no sólo porque fuera oportuno socialmente, sino también, y sobre todo, porque José tenía prisa en obedecer las órdenes del Cielo y poner así de manifiesto que deseaba incorporarse de lleno al misterio inefable en que Dios había querido implicarle.
Deseaba mostrar que aceptaba la Paternidad legal del Niño y que ocupaba el lugar que se le había asignado.
El Evangelio de San Mateo nos dice que San José, tras la aparición del Ángel, hizo lo que le había sido indicado: recibió a María en su casa. Por lo tanto, se apresuraría a ratificar mediante la boda la unión que había acordado con Ella el día de los esponsales.
Se conoce con bastante precisión cómo se desarrollaban entonces entre los judíos las ceremonias nupciales. Ni qué decir tiene que María Santísima y San José, respetuosos con los menores detalles de la Ley, observarían exactamente todas las costumbres y ritos tradicionales.
María llevaría el atuendo en uso: una larga túnica multicolor cubierta por un amplio manto. Bajo su velo y ciñendo su pelo cuidadosamente dispuesto, una corona sobredorada.
Al caer la tarde, montaría en un palanquín y la conducirían a la casa de José. Los invitados a la boda, vestidos de blanco, con un anillo de oro en el dedo, la escoltaban, y un grupo de jóvenes doncellas la precedían con una lámpara encendida, mientras otras ondeaban ramas de mirto sobre su cabeza.
Los habitantes de Nazaret, avisados por el sonido de las flautas y los tamboriles, se apretaban curiosos, en las terrazas y a lo largo de las calles para aplaudir a la desposada. Nadie sospechaba que se trataba de la elegida de Dios, en cuyo seno habitaba ya el Mesías, objeto de todos los deseos y anhelos de la nación.
José esperaría a María en el umbral de su morada, vestido también de blanco y coronado de brocado de oro. Uno y otro, ya dentro de la casa, intercambiarían sus anillos y se sentarían mirando a Jerusalén, María a la derecha de José, bajo un dosel o nicho ricamente adornado con objetos dorados y telas pintadas.
Tras la lectura del contrato de sus esponsales, beberían en el mismo vaso, roto enseguida en su presencia con un gesto que significaba que debían estar dispuestos a compartir sus penas y alegrías.
El banquete se desarrollaría en la hospedería de Nazaret, y las fiestas se prolongarían, en un clima de desbordante jolgorio, durante varios días.
José y María ya estaban unidos ante Dios y ante los hombres.
Dios se había reservado a María, pero se complacía en dar a un hombre mortal, a José, un derecho matrimonial sobre esta criatura privilegiada, bendita entre todas las mujeres.
 Ponía en sus manos a la que había creado con tanto amor, en la que había pensado desde toda la eternidad, a la que iba a hacer suya con tanto celo.
 lla le pertenecía ya, pero cuando Él había pronunciado el “sí” de los esponsales, no había dado más que un asentimiento a su unión con una mujer virgen.
Ahora, sin embargo, esa Virgen se ha convertido en Madre del Mesías y Dios mismo le ha pedido que la aceptara.
Por eso, pronunció un nuevo “sí” que le asoció definitiva y plenamente a los imprevisibles destinos de la Corredentora del género humano…

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sobre Escandalizar-se

Nota do blogue: Segue a tradução de um belíssimo texto do Padre Frederick William Faber disponibilizada no blogue do meu amigo Felipe Coelho. Discordo da sua posição sedevacantista o que não me impede de publicar textos traduzidos por ele e que se identificam com o meu blogue. Agradeço a tradução que fará muito bem às almas. Deus lhe pague, Felipe, e que Nossa Senhora o proteja juntamente com sua família.

Saudações,
A grande guerra

Sobre Escandalizar-se


Cap. VIII das
Conferências Espirituais
(Londres, 1859)

Padre Frederick William FABER (1814-1863),
do Oratório

Causar escândalo é falta grave, mas receber escândalo é falta mais grave ainda. Implica maior maldade em nós e faz maior dano aos outros.

Nada escandaliza mais rápido do que a rapidez em se escandalizar. Vale a pena considerarmos isso. Pois encontro numerosíssimas pessoas moderadamente boas que pensam que não tem problema escandalizar-se. Consideram isso uma espécie de prova de sua própria bondade e de delicadeza de consciência, quando na realidade é somente prova de sua presunção desordenada ou então de estupidez extrema. É um infortúnio para elas quando é este último o seu caso, pois então ninguém tem culpa além da natureza inculpável. Se, como disseram alguns, o homem estúpido não pode ser Santo, ao menos sua estupidez nunca poderá fazer dele um pecador. Ademais, as pessoas em questão parecem muitas vezes sentir e agir como se a sua profissão de piedade envolvesse alguma espécie de designação oficial para escandalizar-se. É o negócio delas receber escândalo. É seu modo de testemunhar a Deus. Demonstraria culpável inércia na vida espiritual se não se escandalizassem. Pensam que sofrem muitíssimo enquanto estão se escandalizando, ao passo que, na verdade, gostam disso impressionantemente. É uma agitação prazerosa, que diversifica deliciosamente a monotonia da devoção. Elas, na realidade, não caem por causa do pecado de seu próximo, nem o pecado dele por si só as detém no caminho da santidade, nem tampouco amam menos a Deus por causa daquele pecado: todas coisas que deveriam estar implicadas no receber escândalo. Mas elas tropeçam de propósito e cuidam que seja diante de alguma falta de seu próximo, para que possam chamar a atenção para a diferença entre ele e elas próprias.

Há certamente muitas causas legítimas para escandalizar-se, mas nenhuma mais legítima do que a facilidade quase jactanciosa de se escandalizar que caracteriza tantas pessoas supostamente religiosas. O fato é que proporção imensa de nós é fariseu. Para cada homem piedoso que torna a piedade atraente, há nove que a tornam repugnante. Ou, noutras palavras, somente uma em cada dez pessoas reputadas espirituais é realmente espiritual. Aquele que, durante vida longa, mais se escandalizou, fez mais injúria à glória de Deus e foi, ele próprio, pedra de tropeço real e substancial no caminho de muitos. Foi ele fonte inesgotável de odiosa desedificação para os pequenos de Cristo. Se um desses tais ler isto, escandalizar-se-á de mim. Tudo aquilo de que ele não gosta, tudo aquilo que o desvia de sua maneira estreita de ver as coisas, é para ele um escândalo. É o modo farisaico de expressar diferença de opinião.

Os homens gostam maravilhosamente de ser papas, e o mais enfadonho dos homens, se ao menos tiver, como costuma ter, obstinação proporcionada à sua enfadonhice, pode na maioria das vizinhanças esculpir para si um pequeno papado; e se à sua enfadonhice ele conseguir acrescentar pomposidade, poderá reinar gloriosamente, pequeno concílio ecumênico local em sessão intermitente durante todas as quatro estações do ano. Quem tem tempo suficiente, ou ânimo suficiente, ou esperança suficiente, para tentar persuadir a esses homens? Eles não nos são suficientemente interessantes para serem dignos de os persuadirmos. Deixemo-los a sós com a sua glória e a sua felicidade. Tentemos persuadir a nós mesmos. Nós mesmos não nos escandalizamos com demasiada frequência? Examinemos a questão e vejamos.

Agora, eis aqui algo em que muitas vezes meditei. Certamente ninguém é capaz de se lembrar de tudo nas volumosas vidas dos Santos, pois levaria uma vida inteira para lê-las todas. Mas não me lembro de ter lido de nenhum Santo que tenha alguma vez se escandalizado. Se isso é ainda que aproximadamente verdadeiro, a questão está decidida de imediato. Homens inchados, inflados de auto-importância, que veem faltas nos outros com olhos de lince, criticam-nos com hábeis sarcasmos e se deleitam no pedantismo de um estado de espírito judicial, somente de modo humorístico podem aplicar a si mesmos o nome de pequenos de Cristo. Todavia os livros nos contam que há dois tipos de escândalo: o escândalo dos pequenos de Cristo e o escândalo dos fariseus. Segue-se, então, que esses homens devem ser fariseus. Mas eu digo que, se essa observação sobre os Santos for ainda que aproximadamente verdadeira, ela deve frear-nos, e fazer-nos pensar muito, caso sejamos homens sérios, embora não Santos; e o que pertence aos Santos de modo algum se aplica a nós com segurança sob todos os aspectos. Suponhamos que não seja estritamente verdadeira. Suponhamos que seja somente coisa rara para os Santos escandalizar-se. Podemos tirar disso conclusão suficientemente ampla, para nos ser muito prática. Pois podemos inferir que é questão sobre a qual pessoas que almejam ser espirituais não têm como precaver-se o bastante. Toda a vez que nos escandalizamos, corremos grande risco de pecar, e risco múltiplo assim como grande. Corremos o risco de prejudicar a glória de Deus, de desonrar ao nosso Santo Senhor, de dar escândalo substancial a outros, de quebrar nós mesmos o preceito da caridade, de indiscrição altamente culpável e, no mínimo dos mínimos, de entristecer o Espírito Santo em nossas próprias almas. Há aqui o bastante para fazer valer a pena investigar.

Vejamos, primeiro que tudo, a quantidade de maldade que o hábito de se escandalizar implica. Implica orgulho silencioso, que é totalmente inconsciente de quão orgulhoso é. O orgulho é a negação da vida espiritual. Orgulho espiritual significa que não temos vida espiritual, mas, em lugar dela, a posse desse mau espírito. O orgulho já é difícil o bastante de administrar mesmo quando dele estamos cientes, mas um orgulho que não tem consciência de si próprio é coisa muito desesperada. Frequentemente, parece como se a graça só o pudesse atingir através da queda em pecado grave, que despertará sua consciência e, no mesmo instante, transformá-lo-á em vergonha. Ora, o hábito de escandalizar-se indica aquele pior tipo de orgulho, um orgulho que acredita ser a humildade. Qualquer coisa próxima a um hábito de receber escândalo implica também a existência de uma fonte de falta de caridade nas profundezas do nosso íntimo, que a graça e a mortificação interior ainda não alcançaram ou não conseguiram influenciar. Se prestarmos atenção em nós mesmos, descobriremos que, contemporaneamente com o nosso escandalizar-se, houve uma ou outra mágoa em estado de agitação dentro de nós. Quando estamos bem dispostos, não nos escandalizamos. É um ato que não é preponderantemente acompanhado de benevolência. Uma tristeza genuinamente mansa pela pessoa ofensora não é nem o primeiro pensamento nem o pensamento predominante em nossa mente quando nos melindramos. É fruto geralmente de um humor maligno. Às vezes, de fato, brota da morosidade, ocasionada por adotarmos uma gravidade que não fica bem em nós, porque vai contra a simplicidade. Precipitamo-nos em reminiscências e descobrimos que nos entregamos de cabeça à rabugice. Nem, tampouco, pode o ato de escandalizar-se ser muito frequente em nós, sem que implique também um hábito formado de julgar os outros. Numa pessoa realmente humilde ou naturalmente empática, o instinto de julgar os outros é coberto, e como esmagado, por outras e melhores qualidades. Tem de se empenhar e de fazer grande esforço antes de conseguir chegar à superfície e se fazer valer, ao passo que já está na superfície, óbvio, preparado, disponível e predominante no homem que é dado a escandalizar-se. Será com frequência permitido julgar ao nosso próximo? Certamente sabemos que deve ser a coisa mais rara possível. Ora, não temos como nos escandalizar sem primeiro formar um juízo; segundo, formar um juízo desfavorável; terceiro, entretê-lo deliberadamente como motivação propulsora que nos inclina a fazer ou omitir alguma coisa; e quarto, fazer tudo isso predominantemente em temas de piedade, que, em nove entre dez casos, nossa óbvia ignorância subtrai de nossa jurisdição.

Também indica carência generalizada de espírito interior. A graça sobrenatural de um espírito de interioridade, dentre outros de seus efeitos, produz os mesmos resultados do dom natural da profundidade de caráter; e, a este, junta a engenhosa doçura da caridade. Um homem irrefletido ou superficial tem maior probabilidade de se escandalizar do que qualquer outro. Não consegue conceber nada além do que ele vê na superfície. Ele tem apenas pouco auto-conhecimento e dificilmente suspeita da variedade ou complicação de suas próprias motivações. Muito menos, então, tem ele probabilidade de adivinhar com discernimento as causas ocultas, as desculpas ocultas, as tentações ocultas, que podem estar, e frequentemente estão, por trás das ações dos outros. Assim também é, em questões espirituais, com um homem que não tenha espírito de interioridade. Há não somente uma temeridade, mas também uma grosseria e vulgaridade em seus julgamentos dos outros. Algumas vezes ele só enxerga superficialmente. Isso se ele for um homem estúpido. Se for homem sagaz, ele enxerga mais fundo do que a verdade. A vulgaridade dele é do tipo sutil. Ele conecta coisas que não tinham conexão real na conduta do próximo. Sendo ele próprio baixo, suspeita de baixeza nos outros. Se ele visse um Santo, ele o julgaria, ou ambicioso, teimoso, ou hipócrita. Ele enxerga complôs e conspirações até mesmo na mais impulsiva das naturezas. É absolutamente incapaz de julgar do caráter. Consegue apenas projetar suas próprias possibilidades de pecado nos outros e imaginar que o caráter deles seja aquilo que ele sente que, fosse-lhe a graça retirada, seria o seu próprio. Ele julga como julga o homem cuja razão está ligeiramente instável. É astuto em vez de perspicaz. Para homens sagazes a caridade é quase impossível, se não tiverem espírito de interioridade.

Descobriremos também que, quando caímos para o caminho do escandalizar-se, há algo de errado com nossas meditações. Há ocasiões em que nossas meditações são ineficazes. Com alguns homens isso é assim quase durante a vida toda. O fato é que o hábito da meditação, por si mesmo, não basta para tornar-nos interiores. Quando a vida espiritual de um homem reduz-se à prática da meditação cotidiana, vemos que ele logo perde o controle de sua língua, seu humor e suas mágoas. Sua meditação matutina é inadequada para preencher de doçura o seu dia inteiro. É demasiado fraca para deter a presença de Deus na alma até à noite. Como as intenções gerais, tem ela possibilidades teológicas que quase nunca são realidades práticas. É como um arbusto plantado na argila: se não cavamos em volta dele e deixamos entrar o ar e a umidade, ele não crescerá. Seu crescimento é retardado e impedido. É um estado de coisas perigoso quando nossa meditação não passa de uma ilha, num dia, de resto, inundado de mundanidade e conforto. Pois devemos recordar que o conforto é dos piores tipos de mundanidade e encontra asilo facilmente em nossos próprios aposentos, a certa distância do mundo frívolo, barulhento e dissipado. Não estamos longe de algum sério infortúnio quando a mortificação e o exame de consciência desertaram de nossa meditação e deixaram-na à sua própria sorte. O hábito de receber escândalo revela-nos muitas vezes que estamos nesse estado ou tendendo rapidamente a ele.

Também envenena muitas outras coisas boas e profana coisas santas, quase tornando-as positivamente sacrílegas. Infunde algo de chicaneiro em nossa própria oração de intercessão. Transforma nossas leituras espirituais em silenciosa pregação aos outros. Encanta as flechas do pregador para longe de nós e, com habilidade satisfeita, mira-as nos outros que temos perante o olhar de nossa mente. É joguete do que quer que haja de mesquinho e detestável em nossas disposições naturais; e torna a nossa própria espiritualidade a-espiritual, ao torná-la sem caridade. Toda essa maldade complicada, ele implica já existir em nós; e a fomenta e intensifica toda para o futuro, ao mesmo tempo que a implica no presente. É, portanto, patente que nos faria bem escandalizarmo-nos com o nosso escandalizar-se, ao vermos que revelação degradante é ele, para nós, de nossa própria miséria e mesquinhez. Estamos visando a uma vida devota. Mal acabamos de nos livrar dos pântanos do pecado mortal. Conhecemos alguma coisa dos caminhos da graça. Temos o modelo dos Santos. Estamos mais ou menos familiarizados com o ensinamento dos autores espirituais. Não estamos obrigados, seja por causa da nossa ignorância ou por causa da nossa fraqueza, a olhar para a conduta dos outros como regra da nossa. Daí que, em nosso caso, escandalizar-se é nem mais nem menos que julgar, e devemos tratar a tentação a isso como trataríamos qualquer outra tentação contra a caridade; a saber: devemos contê-la, puni-la, detestá-la, tomar resolução contra ela e dela nos acusarmos na confissão. Devemos nos precaver também contra os seus artifícios. Pois ela tem muitas trapaças, e estas são com frequência bem-sucedidas. Mestres, pais e diretores conhecem bem um estratagema dos que estão sob o seu cuidado e controle, e que criticam, ao menos com insinuações, o seu governo ou direção: esse truque consiste em se acusarem a si mesmos de se terem escandalizado com a conduta de seus superiores e diretores. É engenhoso, mas rapidamente se esgota. Os diretores aprendem cedo a sufocar a sua própria curiosidade e não permitir que seus críticos auto-iludidos lhes digam o que os escandalizou, já que não podem nem sequer prestar ouvidos a isso sem comprometer a sua dignidade e abrir mão da sua influência. Numa palavra, descobriremos como conclusão mais segura e verdadeira a tirar, a de que devemos considerar a tentação de escandalizar-se como absolutamente maligna, sem atenuantes, tentação esta a que nenhuma trégua deve ser dada e a cujas eloquentes súplicas por delicadeza de consciência nenhuma audiência deve ser concedida além daquela do desprezo tranquilo.

Agora que consideramos a maldade existente que a prontidão em escandalizar-se implica em nós, podemos considerar o modo como ela nos estorva na conquista da perfeição. Estorva-nos na aquisição do auto-conhecimento. A vigilância sobre nós mesmos não é nada menos que uma verdadeira mortificação. Avidamente agarramos a menor desculpa para direcionar nossa atenção para longe de nós próprios, e a conduta alheia é o objeto mais prontamente disponível ao qual nos voltamos. Ninguém é tão cego para suas próprias faltas como o homem que tem o hábito de detectar as faltas alheias. Isso também nos faz sabotar-nos a nós mesmos. Acabamos interceptando a luz do sol que recairia em nossa própria alma. Um homem que é sujeito a escandalizar-se nunca é homem alegre e jovial. Nunca tem uma luz clara ao seu redor. Ele não é feito para a felicidade, e já houve algum homem melancólico tornado Santo? Um homem abatido é matéria-prima que só pode ser transformada num cristão muito ordinário. Ademais, se tivermos um mínimo de seriedade em nós, o nosso escandalizar-se deve, por fim, tornar-se para nós fonte de escrúpulos. Se não é exatamente a mesma coisa que a chicanice, quem traçará a linha divisória entre os dois? Sabemos muito bem que não é em nossos melhores momentos que nos escandalizamos, e deve ocorrer-nos gradativamente que é, tantas vezes, contemporâneo com um estado espiritual enfermiço, que a coincidência é praticamente impossível de ser acidental. Ao mesmo tempo, o ato é tão intrinsecamente mesquinho em si mesmo, que tende a destruir todos os impulsos generosos em nós mesmos. Ninguém pode ser generoso com Deus que não tenha amor largo e abrangente por seu próximo.

Ademais, destrói nossa influência nos demais. Irritamos quando devíamos animar. Ser suspeito de falta de simpatia é ficar incapacitado como apóstolo. Quem é crítico será necessariamente não persuasivo. Até na literatura, que departamento seu é menos persuasivo, e portanto menos influente, que o da crítica? Os homens entretêm-se com ela, mas não formam os seus juízos com base nela. Há pouca coisa no universo literário mais impressionante do que o peso ínfimo da crítica comparado à sua quantidade e habilidade. Gostamos de encontrar defeitos; nunca, porém, somos atraídos por outros que encontram defeitos. É o último refúgio de nossa boa disposição o gostarmos de ter o monopólio da censura. Além do mais, esse hábito nos enreda numa centena de dificuldades auto-suscitadas acerca da correção fraterna, essa rocha das almas estreitas; pois a presunção de um homem é, em geral, proporcional à estreiteza dele. Os homens despertam às vezes, e descobrem que se puseram quase inconscientemente numa posição falsa. É este um negócio terrível na espiritualidade. É mais difícil de nos endireitarmos, do que recuperar o nosso equilíbrio depois de um pecado. No entanto, a suposta obrigação da correção fraterna está sempre nos seduzindo a posições falsas. Ela também atrai a nossa atenção para longe de Deus, e fixa-os, com um tipo de seriedade doentia, nas pusilanimidades e misérias terrenas. É ruim o bastante desviar os olhos de Deus ao olhar demais para nós mesmos, mas tirar os olhos de Deus para olhar os nossos próximos é mal maior ainda. Transtorna por inteiro o mundo interior do pensamento, do qual o exercício da caridade tanto depende. Impede-nos de alcançar o governo da língua. Impede que tenhamos sucesso em boas obras nas quais a cooperação livre e zelosa com outros é necessária. É o disfarce que a inveja está eternamente a tomar e chamar pelo nome de cautela. No fim, pensamos que todas essas coisas sejam virtudes, quando são, na realidade, vícios da mais desagradável descrição.

Não penso que eu tenha exagerado o mal dessa rapidez em receber escândalo. Confesso que é falta que me vexa mais do que muitas outras, e por muitas razões. Suas vítimas são homens bons, homens muito promissores, e cujas almas foram palco de operações da graça não desconsideráveis. Apodera-se deles, em sua maioria, no exato momento em que dons mais altos parecem estar se abrindo para eles. Sua peculiaridade consiste nisto, que é incompatível com as graças mais altas da vida espiritual, conspurca aquilo que já estava agora quase limpo e torna vulgar aquilo que estava a ponto de consolidar seu título à nobreza. Quando consideramos como são muitos os chamados à perfeição e poucos os perfeitos, não podemos quase dizer que fazemos bem em nos zangar com aquele mal, que tão certeira e eficazmente estraga o trabalho da graça?

Em que consiste a perfeição? Numa caridade infantil, de vistas curtas, caridade que acredita em todas as coisas; numa grande convicção sobrenatural de que todo o mundo é melhor do que nós; em estimar muito reduzida a quantidade de mal no mundo; em olhar demasiado exclusivamente para o que é bom; na engenhosidade de interpretações benévolas; numa desatenção, quase ininteligível, para as faltas dos outros; numa graciosa perversidade de incredulidade sobre escândalos, que por vezes, nos Santos, chega perto de constituir um escândalo por si só. Essa é a perfeição; esse é o temperamento e o gênio dos Santos e dos homens que os imitam. É uma vida de desejo, esquecida das coisas terrenas. É uma fé radiante e enérgica de que a lentidão e frieza do homem não interferirão no sucesso da glória de Deus. Ao mesmo tempo, porém, lutando instintivamente, pela prece e reparação, contra os males nos quais não se permite a si próprio crer conscientemente. Nenhuma sombra de morosidade cai jamais sobre a mente brilhante de um Santo. Não é possível que venha a fazê-lo. Finalmente, a perfeição tem o dom de penetrar no universal Espírito de Deus, adorado de tantos jeitos diferentes, e está contente. Ora, tudo isso não é, simplesmente, o exato oposto do temperamento e do espírito de um homem que está sujeito a escandalizar-se? A diferença é tão manifesta, que é desnecessário comentá-la. Feliz de quem, em seu leito de morte, pode dizer: “Ninguém jamais me escandalizou na minha vida!Ele ou não viu as faltas do próximo ou, quando as viu, a visão delas para alcançá-lo tinha de atravessar tanta luz solar dele próprio, que as faltas alheias não o atingiram tanto como faltas a culpar, mas antes como razões para um mais profundo e terno amor.
(“On Taking Scandal“, cap. VIII das Spiritual Conferences, Londres, 1859, pp. 305-315)

PS.: Grifos e desenhos ilustrativos meus.

Oração a São Joaquim e Santa Ana

Oração a São Joaquim e Santa Ana 


Ó beatíssimos Pais da Santíssima Virgem Maria, gloriosos São Joaquim e Santa Ana, eu vos saúdo e bendigo com devoção e amor, e alegro-me de todo o meu coração convosco, agradecendo a Deus pela sublime prerrogativa que vos concedeu, de terdes sido escolhidos para pais da Mãe de Deus. Rogai por mim a Jesus e a Maria, para que eu perfeitamente Lhes agrade. Tende cuidado de mim como os pais o têm do filho. Sede meu socorro e consolo na vida e na morte. Assisti-me na minha última agonia, para que eu receba os sacrossantos Sacramentos da Igreja e, partindo deste mundo com o coração perfeitamente contrito e todo limpo, possa chegar ao Céu, para convosco louvar eternamente a Jesus e a Maria. Amém.

(Oração retirada do livro "Adoremus: Manual de Orações e Exercícios Piedosos", 
de Dom Eduardo Herberhold, OFM, 1926, 15ª edição)