quarta-feira, 14 de setembro de 2011

AS DORES DE NOSSA SENHORA

Nota do blogue: A pedido de um amigo leitor disponibilizo esse capítulo do livro Glórias de Maria por Santo Afonso Maria de Ligório. Na sexta-feira darei continuidade com as explicações das Dores da Ssma. Virgem. Aproveito para rogar a Nossa Senhora das Dores, neste dia 15 de setembro, que fortaleza à todos os católicos (as) que sofrem por amor à Santa Igreja de Cristo, Ela como ninguém sabe o que se passa na alma de Seus filhos que se encontram aos pés da Santa Cruz.

Saudações,
A grande guerra 


AS DORES DE NOSSA SENHORA


Resumo histórico

Duas vezes no ano lembra-se a Igreja das Dores de Maria Santíssima: na Sexta-feira que antecede ao domingo de Ramos, e no dia 15 de setembro. Já antes dessas solenidades vinha o povo cristão consagrando terna lembrança às Dores da Mãe de Deus. No século XIII a tendência geral fixa-se na celebração das Sete Dores. A Ordem dos Servitas, principalmente, fundada em 1240, muito contribuiu para propagar essa devoção. Pois seus membros deviam santificar a si e aos outros pela meditação das Dores de Maria e de Seu Filho. Pelos fins do século XV era quase geral no povo cristão o culto compassivo das dores de Maria. Os poetas de vários países consagraram-lhe inúmeras poesias. O hino Stabat Mater dolorosa tem por autor o franciscano Jacopone da Todi (1306). A festa foi primeiramente introduzida pelo Sínodo de Colônia em 1423, sob o título de Comemoração das Angústias e Dores da Bem-aventurada Virgem Maria, para expiação das injúrias cometidas pelos Hussitas contra as imagens sagradas.
Propagou-se rapidamente, tomando o nome de festa de Nossa Senhora da Piedade. Em 1725 introduziu-a o papa Bento XII no Estado Pontifício, e em 1727 estendeu-a para a Igreja universal. 
Mas, porque perdia um pouco de seu valor, por estar na quaresma, Pio VII, em 1804, mandou que fosse celebrada também no terceiro domingo de setembro. Com a reforma do Breviário, por Pio X, veio a festa a ter uma data fixa no dia 15 de setembro

(Nota do tradutor). 

I. MARIA FOI A RAINHA DOS MÁRTIRES POR CAUSA DA DURAÇÃO
E INTENSIDADE DE SUAS DORES

Quem poderia ouvir sem comoção a história mais triste que jamais houve no mundo?
Uma nobre e santa senhora tinha um único filho, o mais amável que se possa imaginar.
Era inocente, virtuoso e belo. Ternamente retribuía o amor de sua mãe. Nunca lhe havia dado o mínimo desgosto, mas sempre lhe havia testemunhado todo respeito, toda obediência, todo afeto. Nele, por isso, a mãe tinha posto todo o seu amor, aqui na terra. Ora, que aconteceu? Pela inveja de seus inimigos, foi esse filho acusado injustamente. O juiz reconheceu, é verdade, a inocência do acusado e proclamou-a publicamente. Mas, para não desgostar os acusadores, condenou-o a uma morte infame, como lhe haviam pedido. E a pobre mãe, para sua maior pena, teve de ver como aquele tão amante e amado filho lhe era barbaramente arrancado: na flor dos anos. Fizeram-no morrer diante de seus olhos maternos, à força de torturas e esvaído em sangue num patíbulo infamante. Que dizeis, piedoso leitor? Não vos excita à compaixão a história dessa aflita mãe? 
Já sabeis de quem estou falando? Esse Filho, tão cruelmente suplicado, foi Jesus, nosso amoroso Redentor. E essa Mãe foi a bem-aventurada Virgem Maria, que por nosso amor se resignou a vê-lO sacrificado à justiça divina pela crueldade dos homens. Portanto é digna de nossa piedade e gratidão essa dor imensa que Maria sofre por nosso amor. Mais Lhe custou sofrê-la, do que suportar mil mortes. E se não podemos corresponder dignamente a tanto amor, demoremo-nos hoje, ao menos por algum tempo, na consideração de Suas acerbíssimas dores. Digo, por isso: Maria é Rainha dos mártires, porque as dores de Seu martírio excederam às dos mártires 1º em duração; 2º em intensidade. 

PONTO PRIMEIRO 
Duração do martírio de Maria

1. Maria é realmente uma mártir 

Jesus é chamado Rei das dores e Rei dos mártires, porque em Sua vida mortal padeceu mais que todos os outros mártires. Assim também é Maria chamada com razão Rainha dos Mártires, visto ter suportado o maior martírio que se possa padecer depois das dores de Seu Filho. Mártir dos mártires é por isso o nome que lhe dá Ricardo de S. Lourenço. E bem lhe pode aplicar o texto do profeta Isaías: Ele te há de coroar com uma coroa de  amargura (22, 18). A coroa, com a qual foi constituída Rainha dos mártires, foi justamente Sua dor tão acerba, que excedeu à de todos os mártires reunidos. É fora de dúvida o real martírio de Maria, como assaz o provam Dionísio Cartuxo, Pelbarto, Catarino e outros. Pois, conforme uma sentença incontestada, para ser mártir é suficiente sofrer uma dor capaz de dar a morte, ainda que em realidade se não venha a morrer. S. João Evangelista é reverenciado como mártir, não tenha embora morrido na caldeira de azeite fervendo, senão haja saído dela mais robustecido, como diz o Breviário. Para a glória do martírio, segundo Tomás, basta que uma pessoa leve a obediência ao ponto de oferecer-se à morte. Maria, no sentir do Abade Oger, foi mártir não pelas mãos dos algozes, mas sim pela acerba dor de Sua alma. Se não lhe foi o corpo dilacerado pelos golpes do algoz, foi Seu bendito coração transpassado pela Paixão de Seu Filho. E essa dor foi suficiente para dar-Lhe não uma, porém mil mortes. 
Vemos por aí que Maria não só foi verdadeiramente mártir, mas que Seu martírio excedeu a todos os outros por sua duração. Pois que foi Sua vida, senão um longo e lento martírio? 

2. Duração do martírio de Maria 

Assim como a Paixão de Jesus começou com Seu nascimento, diz S. Bernardo, também assim sofreu Maria o martírio durante toda a Sua vida por ser em tudo semelhante ao Filho. Como observa S. Alberto Magno, o nome de Maria significa, entre outras coisas, amargura do mar. 
Aplica-lhe o Santo por isso o texto de Jeremias: Grande como o mar é a minha dor (Jr 2, 13). Com efeito, e o mar amargo e salgado. Assim foi também toda a vida de Maria sempre cheia de amarguras, porque não Lhe desaparecia do espírito a lembrança, da Paixão do Redentor. Mais iluminada pelo Espírito Santo que todos os profetas, compreendia melhor do que eles as predições a respeito do Messias, registradas na Escritura. Está isso acima de toda e qualquer dúvida. Assim instruiu um anjo a S. Brígida, e ainda ajuntou que Nossa Senhora sentia terna compaixão com o inocente Salvador, mesmo antes de Lhe ser Mãe. E tudo por causa do conhecimento que possuía sobre as dores a serem suportadas pelo Verbo Divino, para a salvação dos homens, e sobre a cruel morte que O aguardava em vista de nossos pecados. Já então começou, portanto o padecimento de Maria.
Mas sem medida tornou-se essa dor, desde o dia em que a Virgem ficou sendo Mãe de Jesus. Sofreu daí em diante um perene martírio, observa Roberto de Deutz, tendo em vista as dores que esperavam por Seu Filho. E também o que significa a visão de S. Brígida, em Roma, na igreja de S. Maria. Aí lhe apareceu a Santíssima Virgem em companhia de S. Simeão, e de um anjo que trazia uma longa espada a gotejar sangue.
Essa espada era um emblema da mui longa e acerba dor que dilacerou o coração de Maria, durante toda a sua vida. O supra-citado abade põe nos lábios de Maria as seguintes palavras:
Almas remidas, filhas diletas, não vos deveis compadecer de mim,  só por aquela hora em que assisti à morte de meu amado Jesus. Pois a espada, prenunciada por Simeão transpassou minha alma em todos os dias de minha vida. Quando eu aleitava Meu Filho, o aconchegava ao colo, já contemplava a morte cruel que Lhe estava reservada. Considerai por isso que áspera e intensa dor eu devia sofrer! 
Maria, pois, teve razão para dizer com Davi: A minha vida se consome na dor e os meus anos em gemidos (SI 30, 11). A minha dor está sempre ante os meus olhos (SI 37, 18).
Passei toda a Minha vida entre dores e lágrimas, porque a minha dor, que era a compaixão com Meu Filho, nunca se apartava dos Meus olhos. Eu estava sempre contemplando todos os Seus tormentos e a morte que Ele um dia havia de sofrer.
Revelou a Divina Mãe a S. Brígida que, mesmo depois da morte e da ascensão de Seu Filho ao céu, continuava viva e recente em Seu materno coração, a lembrança dos sofrimentos dEle. Acompanhava-A até nos trabalhos e nas refeições. Vulgato Taulero escreve, por isso, que a Virgem passou toda a Sua vida em perpétua dor, carregando no coração luto e pesar. 

3. O tempo não mitigou os sofrimentos de Maria 

O tempo, que costuma mitigar a dor dos aflitos, não pôde aliviá-la em Maria. Aumentava-Lhe, pelo contrário, a aflição. Crescendo, ia Jesus mostrando cada vez mais a Sua beleza e amabilidade. Mas de outro lado ia também se avizinhando da morte.
Com isso cada vez mais a dor por haver de perdê-lO apertava também o coração da Mãe. Tal como a rosa que cresce por entre espinhos, crescia a Mãe de Deus em anos no maior dos sofrimentos. E como crescem os espinhos à medida que a rosa desabrocha, cresceram também em Maria - rosa mística do Senhor - os penetrantes espinhos das aflições. 
Passemos agora à consideração da intensidade das dores de Nossa Senhora. 

PONTO SEGUNDO 
Intensidade do martírio de Maria

Maria é Rainha dos mártires 
                         
Pois entre todos os martírios foi o Seu o mais longo e também o mais doloroso. Quem lhe poderá medir jamais a extensão? Ao considerar o sofrimento dessa Mãe dolorosa, não sabia Jeremias a quem compará-lA. Pois não exclama: A quem te compararei? Porque é grande como o mar o teu desfalecimento. Quem te remediou? (Jr 2, 13).
"O Virgem bendita, como a amargura do mar excede todas as amarguras, assim Vossa dor excede todas as outras dores", - desta forma explica Hugo de S. Vítor o citado texto. Na opinião de Eádmero, a dor de Maria era suficiente para causar-Lhe a morte a cada instante, se Deus não Lhe tivesse conservado a vida por um singular milagre. E S. Bernardino de Sena chega a dizer que a intensidade de Seu sofrimento tão aniquiladora foi, que, dividida por todos os homens, bastaria para fazê-los morrer todos, repentinamente. 

1- Os mártires sofreram tormentos no corpo, Maria sofreu-os na alma 

Vejamos, contudo as razões por que o martírio de Maria foi mais doloroso que o de todos, os mártires. Devemos refletir, em primeiro lugar, que, estes sofreram em seus corpos por meio do fogo e do ferro enquanto a Virgem padeceu o martírio na alma. Nesse sentido lhe dissera Simeão: E uma espada transpassará até a tua alma (Lc 2, 35).
O santo ancião queria dizer: Ó Virgem sacrossanta, os outros mártires hão de ter o corpo ferido pela espada, porém vós tereis a alma transpassada e dilacerada pela Paixão de Vosso Filho. Quanto a alma é mais nobre que o corpo, tanto a dor de Maria foi superior à de todos os mártires. Não são as dores da alma comparáveis aos tormentos do corpo, disse o Senhor a S. Catarina de Sena. 
Por isso, escreve Amoldo de Chartres: Por ocasião do grande sacrifício do Cordeiro imaculado, que morria por nós na cruz, poderíamos ter visto dois altares: um no Calvário, no corpo de Jesus, outro no Coração de Maria. Enquanto que o Filho sacrificava Seu corpo pela morte, Maria sacrificava Sua alma pela compaixão.

2- Os mártires sofreram imolando a própria vida, enquanto Mana sofreu oferecendo a vida de Seu Filho.

A estas palavras dá S. Antonino por motivo: Maria amava a vida do Filho muito mais que a própria vida. Sofreu por isso no espírito tudo o que no corpo padeceu o Filho. Mais ainda. Seu coração afligiu-se mais presenciando os tormentos do Filho, do que se Ela própria os tivesse sofrido em Si. Sem dúvida alguma a Virgem padeceu em Seu coração todos os suplícios com que viu atormentado o Seu amado Jesus. Sabem todos que as penas dos filhos são também penas das mães que os vêem sofrer. 
Quanto suplício de espírito não suportou a mãe dos Macabeus, à vista do martírio dos seus sete filhos! Isto considera S. Agostinho e diz: Vendo-os, sofreu com todos; amava-os a todos e por isso Só em vê-los sentiu o que eles experimentaram no corpo. Deu-se o mesmo com Maria. Todos os tormentos, açoites, espinhos, cravos e a cruz afligiram, juntamente com o corpo de Jesus, o coração de Maria para lhe consumar o martírio. O que Jesus suportou na Sua carne, em Seu coração o suportou a Mãe, comenta o Beato Amadeu. Este tornou-se, pois, como que um espelho, diz; S. Lourenço Justiniano. As pancadas, as chagas, os ultrajes, e tudo mais que sofreu Jesus, se via refletido nesse espelho. Segundo S. Boaventura, as mesmas chagas que estavam espalhadas pelo corpo de Jesus, se achavam todas reunidas no coração de Maria. Assim a Virgem, por Sua compaixão para com o Filho, em Seu terno coração foi flagelada, coroada de espinhos, carregada de opróbrios, pregada à cruz. Às citadas palavras que nos descrevem a Mãe no Calvário, segue-se a pergunta do suposto S. Boaventura:
Dizei-me, Senhora; onde estáveis então? Porventura junto da cruz, apenas? Não; melhor posso dizer que estáveis na própria cruz, crucificada juntamente com Vosso Filho. Com Isaías diz o Redentor: Eu calquei o lagar sozinho e das gentes não se acha homem comigo (63, 3). Sobre isto observa, Ricardo de S. Lourenço:
Senhor, tínheis razão de dizer que padecestes sozinho, quando da Redenção do gênero humano, e que nenhum homem tivestes compadecido de Vós. Porém, uma mulher, Vossa Mãe, sofreu em Seu coração tudo quando sofrestes em Vosso corpo. 

Mas tudo isso ainda é dizer pouco sobre as dores de Maria. Como já se disse, a Santíssima Virgem mais sofreu à vista de Seu atormentado e querido Jesus, do que se pessoalmente houvesse suportado os tormentos e a morte do Filho. Erasmo, falando dos pais em geral, diz: Mais do que as próprias, sentem os pais as dores dos filhos. Nem sempre isso é verdade. Mas certamente o era em Maria, porque amou imensamente mais a Seu Filho e a vida dEle, que a si mesma e as mil vidas que tivera. É bem acertada por isso a observação do Beato Amadeu, ao dizer que Maria, diante das dolorosas penas de Seu amado Jesus, padeceu muito mais do que se tivesse sofrido toda a Sua Paixão. E é clara a razão de tudo. Pois não está a alma humana mais com aquilo que ama, do que com aquilo que anima? E não afirmou o próprio Salvador: Onde está o vosso tesouro, aí estará o vosso coração? (Lc 12, 34). 
Assim, pois, Maria, se pelo amor vivia mais no Filho do que em Si mesma, ao vê-lO morrer tinha de suportar dores incomparavelmente mais acerbas; do que se A fizessem sofrer a morte mais cruel do mundo.  

3. Os mártires sofreram consolados, Maria padeceu sem consolo       
           
Há ainda uma circunstância a mostrar-nos como o martírio de Maria excedeu incomparavelmente ao dos mártires todos. Não só Ela sofreu dores indizíveis, como também as sofreu sem alívio algum, na Paixão de Seu Filho. Padeciam os mártires os tormentos a que os condenavam maus tiranos, porém o amor de Jesus lhes tomava as dores amáveis e suaves. Quanto não sofreu um S. Vicente, por exemplo!
Atormentaram-no sobre um cavalete descamando-o com unhas de ferro, com lâminas candentes o queimaram também. Entretanto, dele que vemos e ouvimos? S. Agostinho nos diz: Parecia ser um a sofrer e outro a falar. Com tal fortaleza de ânimo e tal desprezo dos tormentos falou o mártir ao tirano, que parecia ser um Vicente que sofria, e outro que falava. Tanta lhe era a doçura do amor com que Deus o confortava naquelas torturas! Dolorosos suplícios teve de suportar também um S. Bonifácio.
Picaram-no, meteram-lhe pontinhas de ferro debaixo das unhas, entornaram-lhe pela boca chumbo derretido. Mas o Santo repetia sem cessar: Eu vos dou graças, Senhor Jesus Cristo.
Horrivelmente sofreram igualmente um S. Marcos e S. Marcelino, com os pés pregados numa estaca. Disse-lhes então o tirano: Miseráveis, retratai-vos e sereis livres dessas penas! - Mas de que penas falais? Nunca passamos tempo tão delicioso como este, em que estamos sofrendo voluntariamente por amor de Jesus Cristo, responderam-lhe os santos. Um S. Lourenço, enquanto assava sobre uma grelha, sofria horrores. Mas a chama interior do amor divino, diz S. Leão, era mais poderosa para consolar-lhe a alma, que o fogo externo para lhe atormentar o corpo. Tal era o ânimo que lhe comunicava esse amor, que o Santo chegava a desafiar o tirano, dizendo: Queres comer minha carne? Anda depressa; já de um lado está assada, Vira e come! Ah! responde S. Agostinho, é que ele estava embriagado com o vinho do amor divino, e por isso não sentia os tormentos nem a morte. Quanto mais os santos mártires amavam, pois, a Jesus, menos sentiam os tormentos e a morte. Bastava-lhes a lembrança dos sofrimentos de um Deus crucificado para consolá-lo. Podia, porém, nossa Mãe dolorosa achar consolo no amor a Seu Filho e na lembrança de Seus sofrimentos? Não; justamente esse padecimento era todo o motivo de sua maior dor. Único e crudelíssimo algoz Lhe foi tão somente o amor que consagrava ao Filho. Todo o martírio de Maria consistiu em vê-lO, amado e inocente, sofrer tanto, e em compadecer-se de Suas dores. Tanto mais acerba e sem alívio lhe era a dor, quanto mais O amava. Grande como o maré a tua dor e quem te curará? (Jr 2, 13).
Ah! Rainha dos céus, aos outros mártires o amor mitigou as penas e pensou as feridas. A Vós, porém, quem suavizou jamais a grande aflição? Quem curou jamais as chagas doloríssimas de Vosso coração? O Filho que Vos podia dar consolo era a causa única de Vosso penar, e o amor que Lhe tínheis constituía todo o Vosso martírio. Cada um com o instrumento de seu martírio, representam-se os mártires: S. Paulo com a espada; S. André com a cruz; S. Lourenço com a grelha. No entanto Maria é representada com o Filho morto, nos braços. Só Jesus foi o instrumento de seu martírio, por causa do amor que Lhe consagrava. Ricardo de S. Vítor reduz tudo isso à concisa sentença: Nos mártires o amor era um consolo nos sofrimentos, em Maria, pelo contrário, cresciam as penas e o martírio na proporção de Seu amor. É certo que; quanto mais se ama uma pessoa, tanto mais se sente a pena de perdê-la. A morte de um irmão, de um filho, aflige mais, certamente, que a de um amigo. Cornélio a Lápide diz, por isso: Para medir a dor de Maria pela morte do Filho, é preciso ponderar a grandeza do amor que Lhe devotava.
Mas quem poderá medi-lo? Era duplo o amor de Jesus no coração de Maria, observa o Beato Amadeu: um sobrenatural, com que O amava como a Seu Deus, e natural o outro, com que O estremecia como Filho. Esse duplo amor reuniu-se num só, imenso e incalculável amor, a ponto de Guilherme de Paris ousar dizer: Tanto era o amor da Santíssima Virgem a Jesus, que uma pura criatura não seria capaz de amá-lO mais. Ora, conclui Ricardo de S. Vítor, como o amor de Maria não comporta comparações, também não as comporta a Sua dor. Imenso era o amor da Senhora a Seu Filho e também incalculável devia ser a Sua pena ao perdê-lO, observa S. Alberto Magno. 
Imaginemos que a Mãe de Deus, junto ao Filho moribundo na cruz, nos dirige as palavras de Jeremias: Ó vós todos que passais pelo caminho, atendei e vede se há dor semelhante à minha dor (Jr 1, 12). Ó vós que viveis na terra, e não vos compadeceis de Mim, parai um pouco a contemplar-Me neste momento em que estou vendo morrer Meu Filho diletíssimo. Vede em seguida se, entre todos os aflitos e atormentados, há dor semelhante à Minha dor. 
Não há, nem pode haver mais amarga tortura do que a Vossa, diz o Ofício das Dores de Maria; pois nunca houve no mundo Filho mais amável que o Vosso.  
Também S. Lourenço Justiniano afirma: Não houve jamais Filho mais amável que Jesus, nem mãe alguma mais amante que Maria. Se, pois, nunca houve na terra amor semelhante ao de Maria, como poderia haver então sofrimento semelhante ao Seu?
Eis por que um escritor não hesita em apresentar como testemunho de S. Ildefonso esta sentença: Ainda é pouco dizer que as dores da Virgem excedem aos tormentos, mesmo reunidos, de todos os mártires. Eádmero acrescenta que os suplícios mais cruéis infligidos aos santos mártires foram leves e como que nada, em comparação ao martírio de Maria. No mesmo sentido escreve S. Basílio de Seleucia: À semelhança do sol que ofusca o esplendor de todos os outros planetas, o sofrimento de Maria fez desaparecer o de todos os mártires. O douto Pinamonti conclui com este belíssimo pensamento: Tamanha foi a dor que essa Mãe sofreu na Paixão de Jesus, que só essa dor foi compaixão digna da morte de um Deus. 
S. Boaventura, dirigindo-se à Bem-aventurada Virgem, pergunta: Quisestes, Senhora minha, ser também imolada no Calvário? Para remir-nos não bastava porventura um Deus crucificado? E por que então quisestes também Vós, sua Mãe, ser igualmente crucificada? Certamente bastava a morte de Jesus para a redenção do mundo, e até de uma infinidade de mundos. Amando-nos, porém, quis essa boa Mãe concorrer de Sua parte para nossa redenção com o merecimento de Suas dores, suportadas por nós no Calvário. De onde as palavras de S. Alberto Magno: Somos obrigados a Jesus pela Paixão que sofreu por nosso amor, mas o somos também a Maria pelo martírio que, na morte do Filho, quis sofrer espontaneamente pela nossa salvação.
Espontaneamente o fez, pois um anjo revelou a S. Brígida que nossa tão compassiva e benigna Mãe preferiu sofrer todas as penas, a ver as almas privadas de redenção e entregues à antiga miséria.
Pode-se até dizer, com Simeão de Cássia, que o único consolo de Maria, no meio da acerbíssima dor pela Paixão de Jesus, era pensar no mundo resgatado e ver reconciliados com Deus os homens inimizados outrora com Ele.

4- Maria recompensa a veneração de Suas dores 
             
Tão grande amor de Maria bem merece toda a nossa gratidão. Mostremo-lA ao menos pela meditação e compaixão de Suas dores. Queixou-Se, por isso, a Virgem Santíssima a S. Brígida que muito poucos são os que dEla se compadecem: sendo que a maior parte dos homens vivem esquecidos de Suas aflições. Recomendou-lhe em seguida, com muita insistência, que delas guardasse contínua memória. Quanto é agradável a Maria essa meditação de suas dores podemos deduzi-lo da aparição com que contemplou em 1239 aqueles 7 devotos seus, fundadores da Ordem dos Servitas.
Apresentou-Se-lhes tendo nas mãos um hábito negro, ordenou-lhes meditassem com freqüência e amor em Suas dores, e que em memória delas vestissem aquela lúgubre roupeta. O próprio Jesus Cristo revelou a S. Verônica de Binasco que Ele mais Se agrada em ver meditados os sofrimentos de Maria, que contemplados os Seus próprios.
Filha, disse o Senhor, caras Me são as lágrimas derramadas sobre Minha Paixão; mas, como amo imensamente a Minha Mãe, ainda Me é mais cara a meditação das dores que Ela padeceu, vendo-Me morrer. Assim é que Jesus prometeu graças extraordinárias aos devotos das dores de Maria. Pelbarto refere-nos a seguinte revelação de S. Isabel a esse respeito. S. João Evangelista, depois da Assunção da Senhora, muito desejava revê-lA. Obteve com efeito essa graça e sua Mãe querida apareceu-lhe em companhia de Jesus Cristo. Ouviu em seguida Maria pedir ao Filho algumas graças especiais para os devotos de Suas dores, e Jesus prometer quatro principais graças. Ei-las:

1.º- Esses devotos terão a graça de fazer verdadeira penitência por todos os seus pecados, antes da morte;
2.º Jesus guardá-los-á em todas as tribulações em que acharem, especialmente na hora da morte;
3.º Ele lhes imprimirá no coração a memória de Sua Paixão, dando-lhes depois um prêmio especial no céu;
4.º por fim os deixará nas mãos de Sua Mãe para que deles disponha a Seu agrado, e lhes obtenha todos e quaisquer favores. 

Comprovando tudo isso, leia-se o exemplo seguinte que mostra quanto é útil à salvação eterna venerar as dores de Maria.   

Sta.Teresa inflamada de amor
EXEMPLO

Lê-se nas Revelações de S. Brígida que havia um senhor tão nobre pelo nascimento como vil e depravado pelos costumes. Fizera pacto expresso com o demônio, a quem havia servido como escravo durante sessenta anos seguidos, sem se aproximar dos sacramentos, e levando a pior vida que se pode imaginar. 
Ora, estando para morrer esse fidalgo, Jesus Cristo, para usar com ele de misericórdia, ordenou a S. Brígida que pedisse a seu diretor espiritual que o fosse visitar e exortar a confessar-se. O padre foi, mas o doente respondeu que já se tinha confessado muitas vezes, não necessitando mais de confissão. Foi segunda vez, porém o infeliz escravo do inferno obstinou-se na sua impenitência. Jesus de novo disse à Santa que o padre não devia desanimar. Este voltou terceira vez e referiu ao doente a revelação feita à Santa, dizendo-lhe que tinha voltado por ordem do Senhor, o qual queria usar de misericórdia em seu favor. Isto ouvindo, o infeliz começou a enternecer-se e a chorar.
Mas como, (exclamou em seguida), poderei ser perdoado? Durante sessenta anos servi ao demônio, e dele me fiz escravo, e tenho a alma tão carregada de inúmeros pecados! - Filho, respondeu-lhe o padre, animando-o, não duvides; se te arrependeres, prometo-te o perdão em nome de Deus. Começando então a ter confiança, disse o infeliz ao confessor: Meu Pai, eu me julgava condenado e desesperava da minha salvação; mas agora sinto uma dor de meus pecados, que me anima a ter confiança. Com efeito, confessou-se no mesmo dia quatro vezes, com muita contrição. No dia seguinte comungou, e morreu seis dias depois, muito contrito e resignado. Depois de sua morte, Jesus Cristo falou de novo a S. Brígida e disse-lhe que aquele pecador se tinha salvado, que estava no purgatório, e devia a salvação à intercessão da Virgem, sua Mãe, pois apesar da vida perversa que levara, tinha conservado a devoção às Suas dores, recordando-as sempre com compaixão. 

ORAÇÃO

Ó minha Mãe dolorosa, Rainha dos mártires e das dores, chorastes tanto Vosso Filho, morto por minha salvação; mas de que me servirão Vossas lágrimas, se eu me perder? Pelos merecimentos, pois, de Vossas dores, impetrai-me uma verdadeira emenda de vida, com uma perpétua e terna compaixão de Jesus e Vossas dores. E já que Jesus e Vós sendo inocentes, tanto padecestes por mim, obtende-me que eu, réu do inferno, padeça também alguma coisa por amor de Vós. Digo-Vos com S. Boaventura:
“Ó minha Senhora, se eu Vos magoei, feri e enternecei meu coração, para castigar-me; se eu Vos tenho servido, fazei-o então em recompensa disso. Considero uma vergonha me ver sem chagas quando Vós e Jesus estais feridos por meu amor".
Finalmente, ó minha Mãe, ainda um pedido. Pela aflição que sentistes vendo diante de Vossos olhos Vosso Filho, entre tantos tormentos, inclinar a cabeça e expirar na cruz, suplico-Vos que me alcanceis uma boa morte. Ah! não me abandoneis na última hora, ó advogada dos pecadores. Não deixeis de assistir minha alma aflita e combatida, na terrível e inevitável passagem da vida à eternidade. E como é possível que eu perca então a palavra e a voz, para invocar Vosso nome e o de Jesus, que sois toda a minha esperança, invoco-Vos desde já, a Vosso Filho e a Vós, pedindo-Vos que me socorrais no instante final, e dizendo: Jesus e Maria, a Vós recomendo a minha alma. Amém. 

(Glórias de Maria por Santo Afonso de Maria de Ligório) 

LA GESTA DE LOS MÁRTIRES I

Nota do blogue: Texto retirado do blogue: Ven, Señor Jésus!

LA GESTA DE LOS MÁRTIRES I


INTRODUCCIÓN 

LO QUE LOS PUEBLOS DEBEN A LOS MÁRTIRES 
Y A LA IGLESIA CATÓLICA 

La gesta de los mártires… ¡qué glorioso título! Gesta, del latín gesta, gestorum, neutro plural, significa: hechos señalados, famosos, heroicos. La gesta de los mártires trata de las hazañas, de las luchas heroicas de los testigos de Cristo, que lucharon durante cuatro siglos contra las tinieblas del paganismo para dar al mundo verdadera libertad y dignidad. Por esta razón, los santos y los mártires son los héroes del cristianismo, los héroes de la epopeya cristiana. Esta obra no es producto de la imaginación, creada por poetas, sino simplemente la colección de unas actas auténticas, que los cristianos compraban a los encargados de la justicia en el Imperio Romano. Se trata de las preguntas del juez y de las respuestas del cristiano, que arriesgaba su cabeza al afirmar su identidad de cristiano católico, puesto que del año 64 hasta el 312, ser cristiano en el Imperio Romano era causa de pena de muerte. El gobierno no quería matar, sino dominar la voluntad de los cristianos; violar su conciencia y hacerlos apóstatas de su FE en Cristo, el Verbo divino encarnado. Entonces empezaba una guerra abierta, entre la voluntad libre del cristiano y la inimaginable crueldad del Estado pagano, que no estaba acostumbrado a ver gente resistirlo sin doblegarse ante su voluntad y ante la del emperador, ambos paganamente divinizados. 

Los mártires: 
Benefactores de la Humanidad 

Los cristianos de los primeros siglos daban muchísima importancia a estas actas de los mártires: las leían con mucho amor y de ellas sacaban fuerza, luz, consuelo y esperanza; las conservaban como libros casi sagrados. Cuando hablaban de los mártires, comprendían que la sangre de estos héroes había sacado a la sociedad y al género humano de un verdadero infierno que el mundo actual no puede imaginar. 

San Ambrosio de Milán
San Ambrosio, antiguo gobernador romano, convertido en obispo católico en el siglo IV, hablando de los mártires, decía: “Todas las veces que celebramos la memoria de los mártires, debemos, sin dificultad, dejar nuestras ocupaciones y tareas para concurrir todos a la sagrada junta con el fin de dar honor a aquellos Santos que procuraron nuestra salud con la efusión de su sangre: porque cualquiera que honra a los mártires, honra también a Jesucristo, y el que desprecia a los Santos, desprecia también al Señor.” Siglos después uno queda asombrado por tal afirmación. Sin embargo, lo que dice San Ambrosio es la verdad: los santos mártires de Jesucristo procuraron nuestra salud, liberación, dicha y dignidad con la efusión de su sangre. Sin el triunfo de la Iglesia católica y de sus hijos sobre el paganismo y su civilización materialista en el siglo IV, la historia de los pueblos hubiera sido muy diferente. 

En efecto, si hoy la humanidad no está viviendo, al menos en los países cristianos, bajo la tiranía de los déspotas inhumanos y de los ídolos sin corazón ni razón, lo debemos a Jesucristo y a sus mártires. Si hoy los hombres saben algo acerca de Dios, Creador del cielo y de la tierra, bueno y santo, justo y misericordioso a la vez, lo debemos a Jesucristo y a sus mártires. Si hoy sabemos que debemos amar a Dios sobre todas las cosas y al prójimo como a nosotros mismos, lo debemos a los heroicos cristianos de los primeros cuatro siglos, que lucharon contra los falsos dioses y la divinización del Estado y de su jefe, los cuales exigían la sumisión total y absoluta del cuerpo y del alma. Si hace siglos el hombre fue respetado en su dignidad como ser humano, lo debemos a Jesucristo y a sus santos mártires, todos hijos de la Iglesia católica. Si hace siglos que los hombres ya no son juguetes de las supersticiones más infantiles o diabólicas, esto también lo debemos a los mártires, que lucharon y derramaron su propia sangre y así vencieron al paganismo y sus supersticiones. Si hoy sabemos quién es el Dios verdadero, si hoy somos cristianos católicos, y no paganos, esto también lo debemos a los mártires de los primeros siglos de la era cristiana. 

Los mártires: 
Testigos del Dios verdadero y de su Hijo, Jesucristo 

Pero ¿qué es un mártir? La palabra mártir viene del griego y significa testigo. Los mártires son los fieles, creyentes de Cristo, que dieron su sangre por afirmar su FE en Jesucristo, el Hijo de Dios hecho hombre, quien vino a este mundo para redimir a la humanidad del pecado, del poder del demonio y del riesgo de irse al infierno por toda la eternidad. Los mártires dieron testimonio, sacrificando su vida, su honor, sus bienes, su familia, de que hay un solo Dios, Creador del cielo, de la tierra y de todo lo que hay en ellos, y de que Jesucristo y su única Iglesia, la católica, son los medios que Dios nos dio para salvarnos. 

Los mártires, frente a sus jueces, que querían obligarlos, con amenazas de tremendas torturas, a adorar a los ídolos, es decir, a los falsos dioses, dieron testimonio de que el hombre debe únicamente adorar a su Creador y único Señor y menospreciar a los dioses inventados por los demonios, quienes se hacían adorar en esos simulacros (I Cor 10, 20). 

Los mártires: 
Libertadores de la Humanidad Cautiva 

Sí, los mártires son nuestros bienhechores en todos los aspectos, porque sin ellos la humanidad nunca hubiera salido de las tinieblas del paganismo, que legalizaba todos los vicios que deshonran a los hombres. Sin la FE de los mártires en Jesucristo, sin la fuerza que recibían de Él, los pueblos de Europa y de América nunca habrían salido de sus graves errores filosóficos y teológicos, con las consecuencias morales que impedirían a la humanidad progresar, respetarse a sí misma y ser respetada. Sin la sangre de los mártires, el Mundo Occidental hubiera quedado como el Mundo Asiático: idólatra y supersticioso, sin conocimiento acerca de su origen, del más allá y del porqué de la vida. 

Por consiguiente, en lugar de dominar a la naturaleza habría seguido adorándola, y la civilización actual no habría tenido lugar, en el plano científico y en muchos otros. 

La sangre de los mártires nos fue de suma utilidad en todos los aspectos: político, social, económico, humano, familiar, de relaciones internacionales, de verdaderos derechos humanos, de honestidad privada y pública… En una palabra, sin la sangre inocente y santa derramada en los primeros siglos de la era cristiana por los generosos testigos de Cristo e hijos de la santa Iglesia católica y apostólica, la civilización occidental y cristiana y sus frutos positivos no habrían existido. El caos actual, que es un neopaganismo, lo debemos al liberalismo agnóstico o ateo y masónico, hijo del protestantismo degenerado; lo debemos a las revoluciones, que eliminaron a la FE católica de la educación pública, de la sociedad y del Estado. La FE es como la brújula; una sociedad oficialmente sin la verdadera FE es como una nave sin brújula en alta mar. Los que luchan contra el catolicismo conducen a los pueblos a la barbarie y esclavitud pensando conducirlo a la libertad. 
Ora pro nobis!

Los mártires, al derramar su sangre, proclamaron que el hombre es un ser libre y que no debe adorar a las criaturas; al contrario, debe dominar a la creación. Esta idea, fruto de la FE católica, impulsó a la humanidad cristianizada a estudiar a fondo los misteriosos secretos que Dios puso en la creación y a ponerlos al servicio del hombre. Las escuelas, las universidades, los hospitales que hicieron tanto bien a la humanidad, ¿acaso no fueron creados por los hijos espirituales de los mártires, en los países católicos, siglos antes de que nacieran las sectas o que las demás religiones y pueblos nos copiaran un poquito? 

Los mártires, al derramar su sangre, proclamaron que el hombre es un ser libre y no debe someterse al capricho de una voluntad perversa de cualquier vicioso que quiera usarlo o abusar de él. Si una jovencita, como Santa María Goretti, se atrevió a negarse al impuro joven que quiso abusar de ella, y a resistirse hasta el martirio, lo debemos a los mártires que cimentaron la civilización cristiana con su propia sangre. Si hoy miles de personas prefieren sacrificar su trabajo y subsistencia, antes que sacrificar su conciencia, esto también es fruto de la civilización cristiana. 

Los mártires, testigos de la divinidad de Cristo, lucharon contra el totalitarismo pagano, que dominaba al hombre en cuerpo y alma. Aplastaba al pobre, al niño, a la mujer y a la mayor parte de la humanidad, reduciéndola al estado de esclavos. Es decir, reduciéndola al estado de mercancía que se compraba y se vendía en los mercados, y el dueño tenía derecho sobre su vida y sobre su muerte. 

Los mártires son nuestros bienhechores en todos los aspectos, porque, al destronar al paganismo, monstruoso y vicioso, que es el culto a los demonios como lo afirma San Pablo (I Corintios 10, 20), procuraron la verdadera libertad de los hombres. Esta libertad, muy alabada hoy, nos vino del conocimiento del verdadero Dios. La verdad acerca de Dios-Trinidad nos dio la verdadera vida moral, social, humana y familiar, con la verdadera libertad que no debemos confundir con el libertinaje de hoy, tan alabado por los neopaganos actuales, que acabarán después como víctimas de la esclavitud de sus tiránicas pasiones y gobiernos totalitarios. 

A los mártires debemos el hecho de conocer al Dios verdadero, que es Padre, Hijo y Espíritu Santo. Si la caridad tuvo y tiene todavía tanta importancia en los países de la civilización cristiana es porque sabemos que “Dios es caridad” (I Juan 4, 16). Todo el bien que hacemos a un niño lo hacemos a Cristo mismo (Mateo 10, 42). Sabemos también que el hecho de dar de comer y de beber al necesitado, el hecho de vestir al pobre, el hecho de visitar al enfermo y al prisionero, el hecho de dar posada al forastero, tienen consecuencias eternas, y que Cristo recompensará a los que hicieron el bien al prójimo, y condenará a los que no lo hicieron (Mateo 25, 34-48). Jamás se vio, antes de Cristo, que la gente sacrificara su vida para cuidar a los enfermos y apestados; jamás se vio, fuera de la civilización cristiana, a organizaciones como por ejemplo los religiosos Mercedarios, cuyos miembros hacían el voto de entregarse a sí mismos como rehenes, con tal de liberar a los cautivos. Tantos hospitales, tantas leproserías, tantas escuelas, tantas universidades, tantas congregaciones de religiosas y de religiosos al servicio de todas las necesidades de los enfermos, de los niños, de los ricos y de los pobres es fruto directo de la civilización cristiana católica. Esta misma civilización no hubiera existido sin el triunfo de la FE católica sobre los escombros del paganismo greco-romano-egipcio-sirio, y este triunfo nunca hubiera tenido lugar sin la generosa confesión de la FE católica que tenían y profesaban los atletas de Cristo: todos hijos de la Iglesia católica. La lucha de los mártires es la lucha de Cristo. Los mismos mártires afirmaban que el mismo Cristo, a través de ellos, luchaba contra el demonio, iniciador y padre del paganismo.

Sin los mártires tampoco tendríamos hoy la Biblia, porque había órdenes estrictas de los emperadores paganos, que mandaban quemar “los impíos escritos cristianos”, es decir, la Sagrada Biblia y los escritos que hablaban de los combates de los mártires. 

Los mártires: 
Hijos de la Iglesia Católica 

Finalmente, ¿a qué iglesia pertenecían los mártires? Todos eran de la única Iglesia que Cristo fundó, que los Apóstoles propagaron y que los Papas, Obispos y Sacerdotes católicos continuaron. En las actas auténticas, los mártires afirman ser de la Iglesia católica; la única que existía en estos tiempos heroicos, la única que Cristo fundó, la única legítima y por consecuencia la única que tiene los verdaderos medios para salvar a los hombres por haberlos recibido de Cristo. 

Podemos afirmar con confianza que la sangre de los mártires clama venganza contra los que falsifican la Biblia y la FE cristiana auténtica, por la cual ellos murieron en tormentos que no podemos ni imaginar hoy. Su FE es creer en un solo Dios: Padre, Hijo y Espíritu Santo. Su FE es creer que Él es el Creador de todas las cosas, visibles e invisibles. Su FE es creer que Su único Hijo, Jesucristo, se hizo hombre para redimir al género humano y darle acceso a la vida eterna. Su FE es creer en una sola Iglesia: la Santa Iglesia católica y apostólica. Su FE es creer que Cristo es el Señor; que murió, resucitó y nos dejó Su Iglesia para continuar la Salvación de los hombres. Estos santos varones, cuya FE era purísima, conocían únicamente la Iglesia Católica; sus amigos y parientes tampoco conocían otra Iglesia fuera de la Católica. En el año 156, el redactor de la carta circular acerca de la muerte de San Policarpo, discípulo de San Juan en Éfeso (en la actual Turquía) empieza así su carta, para notificar a los demás fieles cristianos sobre la persecución: “La Iglesia de Dios, establecida en Esmirna, a la Iglesia de Dios, establecida en Filadelfia, y a todas aquellas establecidas en todo lugar, que forman parte de la Iglesia católica y santa extendida por todo el mundo; que la misericordia, la paz y el amor de Dios Padre y Nuestro Señor Jesucristo sobreabunde en vosotras.” 

Hoy no podemos dar mejor formulación para decir que la misma Iglesia está en todas partes y todas las Iglesias locales forman parte de la única Iglesia santa y católica de Dios. Es lo que decían ya los discípulos de los Apóstoles. 

En el año 250, bajo el reinado del emperador Decio, el juez pregunta al sacerdote mártir Pionio: 
¿Cómo te llamas? 
El mártir: Pionio. 
El juez: ¿Eres cristiano? 
El mártir. Sí. 
El juez: ¿De qué Iglesia? 
El mártir: Católica. Cristo no ha fundado otra

Martirio de San Cipriano de Cartago
Los mártires eran tan conscientes de la importancia de la Salvación que no aceptaban para nada ninguna falsificación de la FE. Vemos por este texto que el ser cristiano es pertenecer a la Iglesia católica, es decir, a la Iglesia cristiana universal, la que abarca todos las iglesias locales unidas en la misma FE, misma moral, mismo culto, mismo gobierno. A un hereje que le preguntaba si lo conocía, san Policarpo, contestó: “Te conozco por el primogénito de Satanás”.

San Cipriano, Obispo de Cartago, África del Norte, martirizado en 258, en el año 250, para rechazar y condenar la tentativa de unos sacerdotes rebeldes y envidiosos, escribía el muy famoso libro La unidad de la Iglesia católica. El santo mártir, que dio su sangre por la FE apostólica, dice a todos los que se separan de la Iglesia católica: “Todo el que se separa de la Iglesia se une a una adúltera, se aleja de sus promesas y no conseguirá las recompensas de Cristo. El que abandona la Iglesia de Cristo es un extraño, un profano, un enemigo. No puede tener a Dios por Padre quien no tiene a la Iglesia como Madre. Si alguien pudo salvarse fuera del arca de Noé, entonces lo podrá también quien estuviere fuera de la Iglesia. Nos lo advierte el Señor cuando dice: el que no está conmigo, está contra Mí; y el que no recoge conmigo, desparrama (Juan 10, 30). Quien rompe la paz y la concordia de Cristo está contra Cristo. Quien recoge en otra parte, fuera de la Iglesia, disipa la Iglesia de Cristo. Dice el Señor: Yo y el Padre somos una sola cosa (Juan 10, 30), y también está escrito del Padre y del Hijo y del Espíritu Santo: estos tres son una sola cosa (I Juan 5, 8). ¿Y piensa alguno que esta unidad que procede del poder de Dios, que se halla firmemente asegurada por los misterios celestiales, puede romperse en la Iglesia y escindirse por la discusión y el choque de voluntades? Quien no mantiene esta unidad, no cumple la Ley de Dios, no guarda la FE en el Padre y en el Hijo, no tiene ni vida y ni Salvación.” El mismo obispo mártir no se cansa de repetir que“quien abandona la cátedra de Pedro, sobre la que está fundada la Iglesia, se engaña si cree que se mantiene en la Iglesia” (La unidad de la Iglesia católica, capitulo 4). 

San Cipriano sabe bien, y lo formuló con palabras fuertes, que “fuera de la Iglesia no hay Salvación” (Carta 4, 4 y 73, 21). Una característica esencial de la Iglesia es la unidad, simbolizada por la túnica de Cristo sin costuras; unidad de la que dice que tiene su fundamento en Pedro, y su perfecta realización en la Eucaristía (cf.Carta 63, 13). “Hay un solo Dios y un solo Cristo —afirma san Cipriano—; una sola es su Iglesia, una sola FE, un solo pueblo cristiano, que se mantiene fuertemente unido con el cemento de la concordia, y no se puede separar lo que es uno por naturaleza” (La unidad de la Iglesia católica, 23). San Cipriano y los miles de hombres y mujeres, niños y ancianos que dieron su vida por la FE en Cristo y en Su única Iglesia desmienten totalmente a los que creen que cada uno puede fundar su “iglesia” y “predicar” la Biblia a su modo, fuera de la tradición apostólica. San Cipriano, mártir, y con él todos los mártires, afirman que los fundadores de cualquier secta son: “Peste y epidemia de la FE, engañadores con boca de serpiente y artífices en adulterar la verdad, vomitadores de tales venenos por sus mortíferas lenguas; su palabra serpea como alacrán, su trato inyecta virus mortal en los corazones de cuantos tratan” (La unidad de la Iglesia católica, Capítulo 10). El que se separa de la Iglesia católica, se separa de Cristo, que quiere unidad y concordia, obediencia a Sus representantes auténticos y legítimos a quienes dijo: “Quien a vosotros escucha a Mí me escucha, y quien a vosotros rechaza, me rechaza a Mí; ahora bien, quien me rechaza a Mí rechaza a Aquel que me envió.” (Lucas 10, 16). 

Los mártires: 
Amigos y Hermanos de Cristo y Nuestros Aliados 

Algunos pueden preguntar por qué honrar a los santos mártires como lo hacen los católicos, ¿acaso Cristo no basta? Contestamos, con un Padre de la Iglesia y patrono de los traductores, San Jerónimo, quien pasó su vida estudiando el hebreo, el arameo y el griego, para poder darnos la mejor traducción de la Biblia en latín:“Honramos las reliquias de los mártires con el fin de adorar a Aquel de quien recibieron la honra de ser mártires; honramos a los siervos para que esta honra resulte en el Señor, que dijo de ellos: Cualquiera que a vosotros recibe, a Mí me recibe.”(Epístola 109).

San Cirilo de Alexandría
San Cirilo de Alejandría, otro Padre de la Iglesia, contesta a los que injustamente atacan a los católicos con relación a los santos: “Nunca decimos nosotros que los santos mártires son dioses, ni que se les debe dar culto divino, sino solamente culto DE AMOR Y DE RESPETO; no les rendimos los honores supremos, pero los veneramos porque combatieron generosamente por la verdad, y conservaron el depósito de la FE hasta llegar a despreciar por él su propia vida.” (Cometario a Isaías). Por haber amado a Dios más que a su propia vida, Dios mismo hoy los honra, haciendo milagros sobre sus tumbas. Por esta razón, San Agustín dice: “Las intercesiones de los Santos son poderosísimas delante de Dios en favor de los demás.” (Comentario al Salmo 105). 

“El culto de los santos no sólo va a parar a Dios, fuente y modelo supremo de toda santidad, sino que honra también mucho a la naturaleza humana. Porque, efectivamente, reconoce, recompensa y glorifica la generosidad del corazón humano en el servicio de Dios y en el ejercicio de la virtud. 

No hay medio tan eficaz para excitar a los fieles al amor de la virtud, a la constancia en la práctica de los deberes, como el ejemplo de los santos propuesto a nuestra imitación”. (M. Meschler y E.B. Pita, S.I. Sentir con la Iglesia y discernimiento de los espíritus según San Ignacio de Loyola, Buenos Aires, 1943,página 31.) 

Nuestro amor hacia los auténticos discípulos de Cristo es bíblico, en efecto. ¿Qué dice la Biblia?Noé fue hallado enteramente justo, y en el tiempo de la cólera fue ministro de reconciliación. Por él se conservó un resto en la tierra cuando ocurrió el diluvio.” (Eclesiástico 44, 17-18). “Defunctus adhuc loquitur” (Hebreos, 11, 4). Aunque muerto todavía habla... La vida de los santos es una predicación continua. Puesto que hoy la sociedad regresó al nuevo paganismo, necesitamos santos para “regenerar al mundo" dijo el Padre Chevrier. Puesto que después de Cristo y con Cristo, su jefe, “los santos son los hombres más poderosos de la tierra porque tienen la caridad” pidamos a Dios que nos dé la misma caridad y valentía. El mundo actual, paganizado por falsas filosofías y teologías de ficción, necesita FE, Esperanza y Caridad para poder vivir humanamente. Esta Gesta de los mártires es un compendio de FE, Esperanza y Caridad auténticamente católicas, capaces de regenerar al mundo. “Lo que habéis aprendido y recibido y oído y visto en mí, practicadlo; y el Dios de la paz será con vosotros.” (Filipenses 4, 9). Esto es lo que hicieron los mártires y por esta razón triunfaron. 

P. Michel Boniface, FSSPX 

Fuente: "La Gesta de los Mártires". Editorial Éxodo. 1era Edición. 

Nota del Blog: Acompáñenos en esta serie de actas antiguas y verídicas que aparecerá los martes y viernes, con el propósito de dar a conocer al lector a estos santos heroes de la Fe verdadera de Cristo, así mismo esperamos le sea de reflexión y meditación en esos días sumandose a los santos Misterios Dolorosos del Rosario en su práctica cristiana cotidiana. Próxima entrega será sobre el martirio de San Policarpo, obispo de Esmirna y discípulo directo de San Juan Evangelista. 

PS: Mantenho os grifos.

14 de Setembro. Exaltação da Santa Cruz

 14 de Setembro. 
Exaltação da Santa Cruz


§I. Quão recomendável e indispensável é ao padre a meditação do mistério da cruz.
§II. Quão poucos cristãos e padres compreendem este mistério.

§ I. Nada mais recomendado e indispensável ao padre
do que a meditação da Paixão de Jesus Cristo

Dirigindo-se para Jerusalém, o Salvador prediz pela terceira vez a Sua Paixão e morte: Ecce ascendimus Jerosolymam, et consummabuntur omnia quae dicta sunt per prophetas de Filio hominis (1).

Prodígios de caridade e de paciência da parte do Filho de Deus, prodígios de ingratidão e de perversidade da parte dos homens, tudo vai brevemente completar-se; o Consummatum est será pronunciado dentro em pouco tempo. É aos apóstolos chamados à parte, que Jesus faz esta declaração: Assumpsit duodecim discipulos secreto et ait illis. Nem todos os homens compreendem a linguagem da cruz, e não é necessário que todos a compreendam no mesmo grau; mas convém que os homens apostólicos possuam eminentemente esta sagrada ciência; que estejam penetrados deste mistério; por isso o Salvador lhes fala dele tantas vezes.

Até no Tabor, Ele quer que os Seus apóstolos pensem na Paixão: Dicebant excessum ejus quem completurus erat in Jerusalem (2). Se eles se lisonjeiam de ocupar um lugar distinto no Seu reino, recorda-lhes as ignomínias da Sua morte: Potestis bibere calicem quem ego bibiturus sum? Se lhes dá o Seu corpo como alimento e o Seu sangue como bebida, tem o cuidado de lhes dizer que é o mesmo corpo que será entregue, o mesmo sangue que será derramado por eles: Quod pro vobis trodetur... , qui pro vobis fundetur: a comunhão deverá sempre lembrar a Paixão (3). Se lhes confere o poder de oferecer no altar esse corpo imolado, esse sangue derramado, é para que se recordem dEle e da Sua morte: Haec quotiescumque feceritis, in mei memoriam facietis: a Sua imolação mística (Nota do blogue: Recomendo a leitura deste belíssimo texto do Padre Méramo) será o memorial da Sua imolação sangrenta. 

Ó padres, podemos nós repetir estas enternecedoras palavras, com que termina a consagração, sem admirarmos o amor de Deus, e sem nos confundirmos? Ele morre por causa de nós, e recomenda-nos que pensemos nEle! ... 

Envergonhemo-nos da dureza de nosso coração, que tornou necessária esta recomendação, e que a torna muitas vezes inútil!

Esta recordação que nos é tão recomendada, está, por assim dizer, ligada a todas as nossas obrigações. Sem uma freqüente meditação da Paixão e morte de Jesus Cristo, o nosso zelo afrouxará. Não conheceremos nem as infinitas perfeições de Deus: a Sua grandeza, a Sua santidade, a Sua misericórdia, a Sua justiça, etc. E nesse caso como nos afervoraremos em promover a Sua glória? Enfim não conheceremos o preço das almas, julgadas dignas de uma tal redenção, nem a imensa felicidade ou desgraça que as espera! ... Onde iremos buscar esse generoso zelo, de que precisamos para as salvar? Se não somos assíduos em meditar sobre a cruz, faltará alguma coisa essencial às nossas funções. A primeira é instruir; é a nossa missão: Euntes docete. Mas, que ensinaremos nós senão Jesus, e Jesus crucificado? Nos autem praedicamus Christum crucifixum (4). Este mistério é a suma da pregação apostólica; é a base de todas as nossas crenças. O perfume da cruz, diz S. Pedro Damião, exala-se de todas as páginas da Sagrada Escritura: Quae est sacri eloquii pagina, quae crucis mysteria non redoleat ? (5)

O crucifixo é um livro que devemos meter nas mãos dos ignorantes e dos sábios, dos pecadores e dos justos: Legit simplex, et laetificatur atque compungitur; exercitatus vero et intelligens irradiatur atque accenditur (6).

Neste livro aprenderemos a paciência, a mansidão, e a terna compaixão, que nos são indispensáveis no púlpito, no santo tribunal, ao pé dos doentes. Este livro nos instruirá sobre o augusto ministério que exercemos no altar. Leiamo-lo com atenção, esforcemo-nos em compreendê-lo, e deixaremos de afligir os anjos, representando friamente a pessoa de um Homem-Deus agonizante no Horto das Oliveiras, arrastado aos tribunais, crucificado, morto, sepultado!... É necessário, portanto, que o padre possua uma profunda ciência de Jesus crucificado ainda que não tenha outra: Non judicavi me scire aliquid inler vos nisi Jesum Chrislum, ef hunc cruciiixum (7). Mas para adquiri-la, é necessário que ele faça muitas vezes deste mistério o assunto de suas piedosas meditações.

§ II. Quão poucos cristãos e padres compreendem a doutrina de cruz

Os termos que tinha empregado o Salvador, pregando a Sua morte próxima, nada continham de obscuro; tudo neles era claro e preciso; todavia as Suas palavras foram um enigma para os que as ouviram. Estranha falta de compreensão, de que parece admirado o Evangelista!

Et ipsi nihil horum intellexerunt, el erat verbum islud absconditum ab eis, et non intelligebant quae dicebantur (8). Os apóstolos, diz S. Boaventura eram aqui a imagem desses pastores de almas, que não penetram o mistério da cruz, nem o vêem à sua verdadeira luz (9).

Três coisas obstam a que os homens compreendam uma verdade tão salutar:

1- O orgulho, que escurece a fé; só se crê frouxamente esta excessiva caridade de Jesus. Não queremos que Deus tenha mais bondade que a que podemos compreender. Ó Jesus será possível que o grande amor que tendes aos homens, seja para eles um motivo de Vos ofender, recusando crer nele?

2- A distração; só se pensa raras vezes e superficialmente em um mistério, que era o objeto habitual da meditação dos Santos. Triste verdade! Há padres que lêem e explicam a Paixão de Jesus Cristo, celebram todos os dias o santo sacrifício que é a sua continuação e a sua aplicação, e ficam insensíveis, até no altar! Oh! quão diversamente sucede com os sacerdotes verdadeiramente espirituais! Uma só palavra sobre a Paixão e morte do Homem-Deus, um só relance de olhos para a cruz os enternece, lhes excita o amor e o reconhecimento.  Mas, ai! de mim! porque não sou eu deste número?

3- A imortificação; não se quer compreender o que é incompatível com uma vida tíbia e sensual, que se não quer deixar. Os apóstolos não compreendiam uma doutrina que não amavam: Non intelligebant, quia hanc veritatem non diligebant (10).

Quando a virtude da cruz e a graça do Espírito Santo os tiver mudado, eles a amarão, a compreenderão; e um dia hão de exclamar: O bona crux, quae decorem ex membris Domini suscepisti, diu desiderate, sollicite amata... accipe me ab hominibus, et redde me magistro meo, ut per te me recipiat qui per te me redemit!

Senhor, Vós dignai-Vos inspirar-me a resolução de meditar e pregar muitas vezes a Vossa Paixão e morte, e eu tomo-a. Se a conservar, bastará para santificar a minha vida e fecundar o meu ministério. Acharei ali o motivo e o modelo de todas as virtudes sacerdotais; acharei ali as mais sólidas consolações e, amando-Vos, o prazer de Vos ganhar corações. Haec meditare, fili; in his esto; et fiet tibi in cruce mea salus, vita, protectio ab hostibus, infusio supernae suavitatis (11).

Notas:

1-     Luc. XVIII, 31.
2-     Id. IX, 31.
3-     O sacrum convivium, in quo Christus sumitur, recolitur memória Passionis ejus. – O memoriale mortis Domini, panis vivus, vitam praestans homini.
4-     I. Cor. , 23.
5-     Serm. de Invent. Crucis.
6-     S. Laur. Just. De Triunph. Christi agone.
7-     I. Cor. II, 2.
8-     Luc. XVIII, 34.
9-     Expos in hoc loc.
10-  S. Bonav. Expos. In hoc loc.
11- Memor. Vit. Sacerdot. C. XIV.

(Meditações sacerdotais ou o Padre Santificado pela oração, volume III, versão portuguesa pelo Padre Francisco Luís de Seabra, ano de edição 1933)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Lacrimae

Nota do blogue: Agradeço a um amigo leitor o envio do texto. Dios te bendiga!

Lacrimae


Hace ya más de treinta años que deseo la dicha única: la Santidad. El resultado me da vergüenza y miedo. “Siempre me queda el hecho de haber llorado”, ha dicho Musset. Yo no poseo otro tesoro; pero es tanto lo que he llorado que, en ese sentido, soy rico. Cuando uno muere lo único que importa son las lágrimas que hemos llorado y las que hemos hecho llorar a otros, vale decir, un capital de beatitud o de espanto. En las lágrimas seremos juzgados porque el Espíritu de Dios es siempre “llevado sobre las aguas” (Gen. I, 2). 

Esto es lo que le deseo, querido Rouault. Quisiera que se hallara en un mar de llanto a los pies del Señor. Quare tristis es anima mea… ¿Por qué estás triste alma mía y por qué me conturbas? Spera in Deo. Leyendo este sublime comienzo de la Misa, cuántas veces he derramado esas lágrimas que valen más que los cánticos y que instalan el corazón en los prados del Paraíso. 

Hombres como usted son los que Dios busca. Quaerens me, sedisti lassus… Buscándome te has sentado, extenuado. Déjese hallar yendo delante dese Pastor… Entonces él lo hará llorar de tal modo, que casi no podrá sufrir más. 

Extracto de una carta de León Bloy a Georges Rouault (El Invendible, 2 de oct. 1904) 

Belíssima oração de preparação para a morte

Oração de preparação para a morte 


Ó Jesus, meu Senhor e Deus de toda a bondade, Pai de misericórdia, eu me apresento diante de Vós com o coração humilhado, contrito e confuso; imploro a Vossa Misericórdia para a minha última hora, e para o que depois dela me espera. 

Quando os meus pés imóveis me advertirem que a minha carreira neste mundo está próxima a terminar, ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim! 

Quando minhas mãos trêmulas e entorpecidas já não puderem sustentar Vossa imagem, o Crucifixo, e, a meu pesar, o deixarem cair sobre o meu leito de dores, ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim! 

Quando os meus olhos já vidrados e ofuscados pelos horrores da morte iminente, se fixarem em Vós com um olhar lânguido e moribundo, ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim! 

Quando os meus lábios frios e trêmulos pronunciarem pela última vez Vosso Nome adorável, ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim! 

Quando as minhas faces pálidas e lívidas inspirarem aos circunstantes compaixão e terror, e os meus cabelos, banhados em suor da morte, anunciarem estar próximo o meu fim, ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim! 

Quando os meus ouvidos, próximos a cerrarem-se para sempre aos discursos dos homens, se abrirem para escutar Vossa Voz, que então pronunciará a irrevogável sentença que fixará minha sorte por toda a eternidade, ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim! 

Quando minha imaginação, agitada de horrendos e temerosos fantasmas, estiver submergida em mortais tristezas; quando o meu espírito, perturbado ao aspecto de minhas iniqüidades e pelo temor da Vossa Justiça, lutar contra o anjo das trevas, que quererá privar-me da vista consoladora de Vossas Misericórdias e precipitar-me no abismo da desesperação, ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim! 

Quando o meu débil coração, oprimido das dores da enfermidade, e tomado dos horrores da morte, estiver extenuado dos esforços que houver feito contra os inimigos da salvação, ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim! 

Quando eu derramar as minhas últimas lágrimas, sintomas da minha destruição, recebei-as, ó meu Jesus, em sacrifício expiatório, para que eu expire como verdadeira vítima de penitência; e naquele temível momento, ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim! 

Quando os meus parentes e amigos, estando em torno de mim, se enternecerem ao ver o meu lastimoso estado, e por mim invocarem o Vosso Nome, ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim! 

Quando eu tiver perdido o uso de todos os meus sentidos, e o mundo inteiro tiver desaparecido diante de mim; quando eu gemer nas aflições e angústias da última agonia, ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim! 

Quando as últimas ânsias do coração forçarem a alma a sair do corpo, aceitai-as como efeito de uma santa impaciência de me achegar a Vós; e Vós, ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim! 

Quando a minha alma, como que voando pelos meus lábios, sair para sempre deste mundo, e deixar o meu corpo pálido, frio e sem vida, aceitai esta destruição do meu ser terrestre, como uma homenagem que de boa vontade presto à Vossa Divina Majestade, e então, ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim! 

Quando, finalmente, a minha alma comparecer diante de Vós, e vir pela primeira vez o esplendor imortal de Vossa Majestade, não a expulseis de Vossa Face, mas dignai-Vos de me receber no seio amoroso de Vossa Misericórdia, para que eu cante eternamente as Vossas Misericórdias: ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim! 

Oração: 

Ó Deus que, condenando-nos à morte, nos ocultastes a hora e o momento dela, concedei-me a graça de viver em justiça e santidade todos os dias de minha vida, e de merecer, assim, sair deste mundo no Vosso santo Amor. Pelos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, que conVosco vive e reina, em união do Espírito Santo. Amém.

(Oração retirada do livro "Adoremus: Manual de Orações e Exercícios Piedosos", de Dom Eduardo Herberhold, OFM, 1926, 15ª edição)

PENSAMENTO DO DIA (13/09/2011)

PENSAMENTO DO DIA
(13/09/2011)


Uma das horas mais preciosas e mais doces da vida é a da oração da manhã: eu não me refiro somente a oração vocal; quero, sobretudo, dizer a oração da união com Deus, o silêncio e o repouso da alma n’Ele; falo da abertura da bica da alma, que aspira um leite divino, que bebe a luz e o amor, que nada diz, e que se esconde no seio da mãe por excelência, da mãe que se chama Deus, e que tão poucos cristãos conhecem! Os meum aperui et attraxi spiritum. (Ps. CXVIII, 131)

Ah! Se conhecêsseis o dom de Deus que se apelida o amor da manhã! Si scires donum Dei (Joann. IV 10)!

Há uma frescura, uma suavidade, uma energia, uma paz que vêm diretamente de Deus. Quando se está sobre as montanhas, no verão, às três horas da manhã, e os primeiros raios do sol aparecem, parece que nos chegam mais límpidos, pois não têm passado por outros peitos; é como a mais pura essência do astro, que entra em nós; o mesmo acontece com a união a Deus, na hora em que quase todos os homens dormem. Sobre as montanhas divinas, a alma tem as primícias dos favores celestes; enche-se de luz, de amor, de força, donde lhe resulta para todo o dia uma dulcíssima embriaguez, que, longe de enfraquecê-la, dá mais firmeza aos nossos pensamentos e às nossas ações, e derrama um perfume de alegria sobre todas as nossas obras. 

(Monsenhor Landriot, A mulher forte)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Oração a São José pela Igreja

Oração a São José pela Igreja


Bem-aventurado São José, a vós recorremos na nossa tribulação, e tendo implorado o socorro de vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança, solicitamos também o vosso patrocínio. Por aquela caridade, que vos ligou com a Imaculada Virgem Mãe de Deus, e pelo amor paternal com que estreitastes em vossos braços ao Menino Jesus, suplicantes vos rogamos, que lanceis um olhar benigno para a herança que Jesus Cristo adquiriu com o Seu Sangue, e nos socorrais nas nossas necessidades com vosso auxílio e poder. 

Amparai, ó guarda providentíssimo da divina Família, a linhagem escolhida de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó pai amantíssimo, todo contágio de erros e corrupções. Assisti-nos do alto do Céu, ó libertador nosso fortíssimo, na presente luta contra o poder das trevas. E, assim como outrora livrastes do supremo risco de vida ao Menino Jesus, defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas dos Seus inimigos e contra toda adversidade, e a cada um de nós amparai, com vosso perpétuo patrocínio, para que, a exemplo vosso, e coadjuvados com o apoio de vosso auxílio, possamos viver santamente, piedosamente morrer, e alcançar no Céu a eterna bem-aventurança. Amém. 

Indulgência parcial - Oração retirado do livro "Adoremus: Manual de Orações e Exercícios Piedosos", de Dom Eduardo Herberhold, OFM, 1926, 15ª edição)

PENSAMENTO DO DIA (12/09/2011)

PENSAMENTO DO DIA (12/09/2011)


"... a vida é uma completa luta; é um combate, combate glorioso, cuja recompensa se acha mesmo neste mundo pela paz no coração, por essa satisfação íntima, que o cumprimento do dever faz experimentar, e pelo testemunho de estima e da afeição da família inteira. Seguindo outro caminho, só encontrareis espinhos, aborrecimentos, contradições, e as perpétuas agonias, multiplicadas a cada instantes por uma luta terrível e inevitável, a luta ocasionada pela desordem dos serviços retardados, 
mal desempenhados, ou invertidos."
(Monsenhor Landriot, A mulher forte)