segunda-feira, 27 de junho de 2011

O padre e o bom exemplo

Nota do blogue: Segue um capítulo do livro: O Padre Santificado pelo Pe. A.A. Moraes Junior, do Instituto de direito social de S.Paulo e Pároco de Guaratinguetá, edição de 1943, editora Vozes.

Ótimo e raro livro que mostra a dignidade e aponta as responsabilidades dos padres.
Será o próximo que digitalizarei!

Rezemos pelo santificação do clero.

Saudações,
A grande guerra

Bom exemplo - Modéstia - Amor do retiro, da regra e do estudo. 
Vida Santa - Excelentes efeitos do bom exemplo.
Ruína das almas por causa do escândalo dos padres. 



O padre santo edifica a todo o mundo pelo bom exemplo que dá, porque todas as virtudes se encontram nele. Pelo contrário, o mau padre, e até o tíbio e relaxado, tem falta de algumas virtudes essenciais, ou pratica muito imperfeitamente as fracas virtudes que possui; do mesmo modo sua vida ou é escandalosa ou muito pouco edificante 
"O exemplo, diz Massillon, é o primeiro dever de nosso estado; sem ele, ou todas as nossas funções se tornam inúteis, ou são uma ocasião de queda e de escândalo para os povos que o Senhor nos confiou em Sua bondade".
Devemos edificar os povos por uma vida verdadeiramente santa, porque nosso divino Salvador nos dá por missão guiar os povos e ser Sua luz. Devemos edificar os fiéis, assim no-la recomenda o grande Apóstolo: "in omnibus teipsum praebe exemplum bonorum operum, in doctrina, in integritate, etc. Exemplum esto fidelium in verbo, in conversatione, in charitate, etc."  
"Todo pastor que escandaliza, diz Santo Agostinho, causa a morte às ovelhas, que deve apascentar."  
Devemos edificar, porque nossa missão essencial é salvar as almas, e salvá-las-emos muito mais pelo exemplo de uma vida santa, do que por nossos talentos e por nossas pregações. Devemos edificar, porque, para um padre, não edificar é escandalizar, e escandalizar é arruinar, é aniquilar o sacerdócio; é fazer-se auxiliar do demônio e destruir o edifício da salvação dos povos, que Jesus Cristo erigiu por Seu Evangelho, por Seus trabalhos, por Suas fadigas, por Seus suores e por Seu sangue. 

O padre santo pode estigmatizar todos os vícios, porque sabe-se que não é escravo de nenhum; pode pregar as virtudes, sem exceção de uma só, porque sabe-se que as pratica todas. 
            
O padre deve ser na Igreja um tipo vivo e manifesto de todas as virtudes. Eis o que no padre deve edificar o próximo: sua pessoa exterior - suas palavras e suas obras. A modéstia é a compostura digna, amável e bem regulada de todo o exterior. Ela não é somente um poderoso meio de edificação para o próximo, é também um principio eficaz de santificação pessoal para o que a observa. Devemos ser tão edificantes e reservados nas palavras, que todos possam dizer de nós o que se dizia de nosso divino Salvador ouvindo-O falar: "omnes mirabantur in verbis gratiae quae procedebant de ore ejus."

Sejamos circunspectos antes de falar, e não profiramos uma só palavra sem primeiro a ter pesado, conforme este belo dito de Santo Agostinho: "omnia verba prius veniant ad limam quam ad linguam;" o que não acontece com os que, falando sempre precipitadamente, começam de atirar suas ascumas, em vez de chorar o mal irreparável que elas causam.

É a necessidade que sente o padre santo, em si mesmo, de dar bom exemplo a todo o mundo por suas conversas, que o leva a regular de tal modo sua língua, que não deixa nunca escapar voluntariamente um só palavra que ofenda o decoro ou uma qualquer virtude, impondo-se pelo cortejo de virtudes, que o acompanha sempre por toda a parte, onde se encontra! Admira-se sua amável doçura, sua fervorosa piedade, sua graciosa modéstia, sua edificante caridade, sua natural candura, seu zelo de apostolo, sua afabilidade de pastor e essa inocente alegria sempre retida pelo justo grau de reserva que lhe impõe o caráter sacerdotal. Todos se julgam felizes quando ele aparece, todos ficam com pesar quando se ausenta; e depois de ter embalsamado a casa, que deixa, com o perfume de sua virtude e com o suave odor de Jesus Cristo, não se cansam de repetir: "Eis o homem de Deus! Eis o bom pastor! Eis o padre santo!

Que imensa diferença haveria, entre este padre santo, cujo exemplo edifica e arrasta muitas almas para Deus, e aquele que nada fizesse pela glória de seu divino Senhor e pelo bem das almas! 

Se, por exemplo, não dá quase nenhuma prova de sua piedade; se deixa ver que o santo tribunal o enfastia, que não vai a ele senão contra a vontade; se se sabe, com certeza, que vive sem regra e em uma contínua desordem, que a ociosidade tem para ele tanto mais de encanto quanto o estudo tem de menos, que a vida do retiro lhe é insuportável; se com muita razão passa por ser aferrado aos bens terrenos, se até é conhecido pelo título odioso de avarento; se dá o exemplo da impureza, ou pelo menos, sem ostentar publicamente suas desordens, passa geralmente por ter costumes suspeitosos e mais que suspeitosos; quem o proclamará um padre santo? Quem não dirá pelo contrário: "que padre!

Salvemos, salvemos os povos pelo exemplo e não os conduzamos ao inferno por nossos escandalosos. 

Caridade

Caridade 

"Amemos, amenos a Deus de todo o nosso coração; não somos cristãos se ao menos não nos esforçamos por amá-lO, ao menos não desejamos este amor. Se o não pedimos ardentemente a esse divino Espírito que nos vivifica. Não quero dizer que, sob pena de condenação eterna, sejamos obrigados a ter a perfeição da caridade. Não, fiéis, somos pobres pecadores: o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo desculpará perante Deus nossas faltas, contanto que delas façamos penitência. Eu não vos digo, pois, que sejamos obrigados a ter a perfeição da caridade, mas digo-vos e asseguro-vos que somos indispensavelmente obrigados a procurá-la, segundo a medida que nos é dada, sem o que não somos cristãos. Coragem, trabalhemos para a caridade. Ela é todo o cristianismo. Quando apurais vossa caridade, preparais um ornamento para o céu: a fé perde-se na visão intuitiva; a esperança desaparece pela posse efetiva; só a caridade é que nunca pode acabar". (Bossuet)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Espírito da vida interior

Espírito da vida interior


Espírito de adoração eucarística expresso
pelos quatro fins do Sacrifício do Altar
(Adoração, Ação de graças, propiciação e Impetração)
por 
São Pedro Julião Eymard

Mas qual o espírito que deve inspirar e dominar a vida interior dum Agregado do Santíssimo Sacramento?

É o próprio espírito da adoração eucarística, expresso pelos quatro fins do Sacrifício do Altar. A vida da alma interior é um prolongamento de sua oração: é justo, pois, que uma mesma seiva e um mesmo espírito animem a ambas.

Toda a vida, todos os pensamentos, todas as obras do Agregado deverão, pois, levá-lo a adorar, agradecer, reparar e orar, pela maior glória do Deus da Eucaristia. Devendo, por conseguinte, entranhar-se na natureza de cada uma dessas homenagens, dos atos e dos sentimentos que lhes são próprios, a fim de produzi-los com freqüência e de lhes adquirir a facilidade e o hábito. 

I - Adoração 

1.° - Adorar a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento é reconhecê-lO, real, verdadeira e substancialmente presente, pelo humilde sentimento duma Fé viva e espontânea, que submete a fraqueza da razão humana à Divindade de tão sublime Mistério. Não devemos querer, como o Apóstolo incrédulo, ver ou tocar para convencer-nos da verdade de Jesus-Hóstia, mas esperar apenas, para podermos prostrar-nos aos Seus pés e ouvir esta palavra infalível e suave da santa Igreja, repetindo-nos, com São João Batista: "Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que apaga os pecados do mundo". 

2.º - Adorar a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento é oferecer-Lhe a homenagem soberana de todo o nosso ser: do corpo, pelo mais profundo respeito; do espírito, pela fé; do coração, pelo amor; da vontade, pela obediência; de todos os sentidos por um absoluto acatamento; em união com o louvor de todos os verdadeiros adoradores de Jesus Cristo, em união com as adorações da santa Igreja, da Santíssima Virgem, quando ainda na terra, e de toda a Corte Celeste. Prostrada ao pé do Trono do Cordeiro, essa Corte oferece-Lhe a homenagem de suas coroas, dizendo:
"É digno o Cordeiro que foi imolado e que nos remiu para Deus, com o Seu Sangue, fazendo de nós um reino para Deus Pai, é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a fortaleza, a honra, a glória e a bênção!" (Ap. 5,9- 10. l2 - Vulg.). 
3.° - Adorar a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento é adorar a grandeza, a ternura de Seu Amor pelos homens, que O levou a instituir e a perpetuar a divina Eucaristia, para ser sempre a Vítima de salvação, o Pão celeste e a consolação do homem peregrino na terra.

4.° - Adorar, finalmente, a Jesus Cristo sacramentado é fazer da divina Eucaristia o fim de nossa vida, o objeto final de nossa piedade, o alvo de amor de nossas virtudes e de nossos sacrifícios. Tudo pela maior glória de Jesus no Santíssimo Sacramento, tal deve ser a senha de toda a vida do adorador. 

II- Ação de graças 

Todo benefício requer ação de graças, e quanto maior for o benefício, maior também será a gratidão. 

Ora, a Santíssima Eucaristia é o benefício dos benefícios do Salvador. Seu Amor encontrou o segredo de reunir todos os Seus bens, todas as Suas graças, todas as Suas virtudes, todos os Seus amores no dom régio da Eucaristia. É a quintessência de todas as Suas maravilhas, a glorificação sacramental de todos os Mistérios de sua Vida. É a Vida temporal e a Vida celeste do Salvador reunidas em seu Sacramento, a fim de ser, para o homem, fonte inexorável de Graça e de Glória, de santidade e de amor: a fim de que o amor do homem peregrino seja tão rico quanto o amor do habitante dos Céus.

Perante tal Bondade por parte de Jesus Cristo, qual será o reconhecimento do coração do homem, considerando-se a si mesmo como o fim da Eucaristia, da Encarnação, do Calvário! Como louvar dignamente tamanha Bondade? Que ação de graças jamais corresponderá a semelhante Dom? Que amor pagará tal soma de Amor? Faltam palavras adequadas ao pobre, sob a impressão dum dom régio, duma visita real, que o liberte da miséria e o coroe de honra e de glória; só dispõe de lágrimas de surpresa e de júbilo: a felicidade oprime-o, fá-lo desfalecer. 

Tal seria também a nossa ação de graças pela divina Eucaristia, se nos fosse dado compreender melhor o seu imenso beneficio; se pudéssemos conhecer melhor, dum lado a Jesus Cristo, e do outro a nossa profunda miséria. O homem, a quem a bondade torna feliz, é levado pelo amor a dedicar-se ao seu benfeitor. Presta-lhe a homenagem de tudo quanto tem, qual Zaqueu; segue-O, como os Apóstolos; acompanha-o até o Calvário, como João e Madalena. 
           
Mas isso ainda não lhe basta ao coração: a Santíssima Eucaristia será sua própria ação graças. Oferece-a ao Pai celeste em reconhecimento de lha ter dado.

Oferece a Jesus Cristo o próprio Dom de seu Amor, dizendo-Lhe com o profeta: "Que darei ao Senhor por todos os bens com que me sacia? Tomarei o cálice de salvação, e invocarei o Nome do Senhor" (Sl. 115,12- 13). Repete, com Maria, Sua divina Mãe, o cântico de êxtase de sua gratidão, e com o velho Simeão, o Nunc dimittis. Porquanto, depois da Eucaristia, só resta o Céu - e não é ela um Céu antecipado? 


 III- Propiciação 

A propiciação é, em primeiro lugar, a reparação de honra, feita a Jesus Cristo pela ingratidão e pelos ultrajes de que é objeto em Seu Sacramento de Amor; é também a satisfação de misericórdia, implorando perdão e graça para os culpados. 

1.º- Reparação de honra. Nosso Senhor Jesus Cristo é mais ofendido em Seu estado sacramental do que nos dias de Sua Paixão. Então foi humilhado, insultado, renegado e crucificado, mas por um povo que não O conhecia, por uns carrascos mercenários.

Aqui, Jesus é renegado pelos Seus que já O adoraram, que comungaram, que O reconheceram como o seu Deus. Jesus é humilhado por Seus filhos, a quem o respeito humano, a vergonha, o orgulho tornam apóstatas.

Jesus é insultado por servos a quem prodigalizou honras e bens, servos mercenários, a quem o hábito das coisas sagradas torna pouco respeitosos, profanadores, sacrílegos até, como outrora os mercadores do templo, expulsos por Jesus. Jesus é vendido por Seus amigos - e quantos Judas há no mundo! E vendemos Jesus a um ídolo, a uma paixão, ao próprio demônio. Jesus é crucificado por aqueles a quem tanto amou, e que se utilizam de Seus dons para insultá-lO, de Seu Amor para desprezá-lO, de Seu silêncio e de Seu véu sacramentais para encobrir o sacrilégio eucarístico: crime abominável! Jesus Cristo é então crucificado no comungante e entregue ao demônio que nele reina! 

E esses horrendos sacrilégios se renovaram e se renovam ainda diariamente em todo o universo. Só Deus lhes conhece o número e a malícia. E ele, o Deus de Amor, será tratado assim até o fim do mundo! 

Ora, ante tamanho Amor dum lado e tamanha ingratidão do outro, o coração do reparador se deveria fender, como o monte Calvário; seus olhos se deveriam tomar em duas fontes inesgotáveis de lágrimas e obscurecer-se como o sol à vista do deicídio; seus membros deveriam tremer de pavor e de horror, como tremeu a terra por ocasião da morte do Salvador. 

Mas a esse sentimento de dor e de medo deve suceder outro, de expiação ao Amor de Deus, tão desconhecido e ultrajado. A alma deve fazer um ato de reparação e de amor à Vítima divina, como o fizeram o centurião, os carrascos e o povo contrito, como o faz a santa Igreja pelo seu Sacerdócio nos dias de luto e de crime. Como Maria, ao pé da Cruz, é preciso sofrer com Jesus, amá-lO por aqueles que não O amam, adorá-lO por aqueles que O ultrajam, mormente se entre esses ingratos e sacrílegos houver parentes ou amigos nossos. Mas a reparação se imporia com maior força ainda se, desgraçadamente, fôssemos nós mesmos culpados para com o Deus da Eucaristia, ou se fôssemos, pelo escândalo, causa de pecado por parte do próximo. 

Ah! então a justiça pede uma reparação igual à ofensa. Será que nós, também, havemos de merecer a doce repreensão do Salvador? 
"Vós, a quem amei com tanto Amor, a quem prodigalizei favores insignes, vós Me abandonais, Me desprezais, Me crucificais! Fácil seria compreender o esquecimento dos homens terrestres, a indiferença dos escravos do mundo, o desprezo mesmo daqueles que não têm fé, que nunca gozam das delícias de Meu Sacramento; mas vós, Meu amigo, Meu comensal, vós, esposa de Meu Coração!" 
Tais sejam talvez as justas censuras do Coração de Jesus. A nós cabe abaixar a cabeça de vergonha e partir a alma de dor. Jesus, numa revelação a santa Margarida Maria, mostrou-lhe o Seu Coração ferido, coroado de espinhos, encimado por uma cruz, e dirigiu-lhe estas palavras:
"Tenho uma sede ardente de ser amado pelos homens no Santíssimo Sacramento, e não encontro quase ninguém que se esforce, segundo o Meu desejo, para Me desalterar, usando para comigo de alguma paga!"
2.° - Propiciação de misericórdia. A propiciação seria incompleta em se limitando à reparação. Embora satisfizesse a Justiça Divina, não satisfaria o Amor de Jesus. Que quer este Amor? Quer a salvação dos homens e o perdão dos maiores pecadores. Queria perdoar a Judas; pedia perdão para os seus carrascos, enquanto estes O insultavam. E, no Altar, não é sempre a Vítima de propiciação pelos pecadores? Sua Paciência em suportá-los, Sua Misericórdia em perdoar-lhes, Sua Bondade em recebê-los no regaço paterno, eis a vingança do Amor, eis Seu triunfo! 

Nessa obra divina de perdão, Jesus carece, por assim dizer, dum associado, dum cooperador, que repita com Ele ao Pai a oração da Cruz: "Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem" (Lc 23,43). Carece duma vítima que acabe em si mesma o que falta a Seu estado de imolação sacramental: o sofrimento, o sacrifício efetivos. As almas só se redimem a tal preço - preço outrora pago no monte Calvário. Mas também quão sólidas, generosas, perfeitas, serão as conversões que, merecidas em comum por Jesus e pela alma reparadora, partirão do Tabernáculo divino! Ah! é principalmente aí que devemos procurar a redenção das almas, a conversão dos grandes pecadores, a salvação do mundo.  

IV- Impetração 

A impetração é o aposto lado eucarístico da oração, é o fruto natural da adoração, da ação de graças e da propiciação. 

Este apostolado de oração honra a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento como a Fonte divina de todo Dom e de toda Graça. Com efeito, a Santíssima Eucaristia é-lhe um tesouro inesgotável, um reservatório mais largo e mais profundo que o oceano. Jesus aí depositou as Suas virtudes, todos os Seus méritos, o preço infinito de Sua Redenção, colocando tudo isso à disposição do homem, mediante uma só condição: ele irá procurá-las, solicitá-las de Sua Bondade sempre pronta a prodigalizar-lhes os Seus bens. 

Do fundo do Tabernáculo, Jesus clama a todos aqueles que sofrem, que estão necessitados, desgraçados: 

"Vinde a Mim e Eu vos aliviarei". É sempre o bom Samaritano, o Médico divino de nossas almas, que há de curá-las de todas as chagas do pecado e que há de purificar (I) e santificar nossos corpos pelo Seu Corpo sagrado. É sempre o bom Pastor a amar Suas ovelhas, a nutri-las com Sua Carne e com Seu Sangue.

Mas está triste, pois há muitas ovelhas desgarradas, que o lobo raptador Lhe arrebatou. Chora-lhes a perda, chama-as, solicita-as. Não pode, porém, ir em sua busca. Então, para consolar o nosso bom Pastor, iremos nós procurá-las, conduzi-las a Seus pés pela força de nossas orações. E que alegria será para Jesus, que felicidade para nós! 

Jesus, no Santíssimo Sacramento, é sempre o Bom Mestre que, unicamente, aponta o caminho do Céu, ensina a Verdade de Deus, comunica a Vida de Amor.

Mas no mundo Jesus não é mais conhecido. Os homens ignoram o Salvador que está no meio deles. É preciso dar a conhecer a Deus, mostrá-lO, como João Batista, trazer-Lhe os amigos, os irmãos, como André. O maior beneficio que se possa fazer a alguém é revelar-lhe o seu Mestre e seu Deus. É, sobretudo mostrando o Amor e a imensa Bondade de Jesus que o devemos tornar conhecido, pois é o meio mais eficaz de Lhe atrair os corações. 

Jesus, no Santíssimo Sacramento, é sempre o Salvador em estado de imolação, oferendo-Se sem cessar ao Pai, como o fez na Cruz, pela salvação dos homens; apontando-Lhe Suas Chagas profundas e Seu Coração aberto, para obter o perdão do gênero humano. 

É aos pés dessa Vítima adorável que o adorador deve orar, chorar, implorar ao Amor Crucificado que sensibilize o coração dos pecadores empedernidos, que quebre as cadeias tão duras e vergonhosas do vício, a pesar sobre tantos escravos do mundo; que rompa o véu que retém o judeu - povo que mereceu as primícias de Sua ternura - na cegueira e na infidelidade; que humilhe o orgulho do herege, a fim de que veja a Verdade e se submeta ao Seu império; que toque o coração do cismático, para que reconheça a sua mãe, a santa Igreja, e se venha lançar nos seus braços! 

E esta Igreja, Esposa de Cristo, será sempre objeto das orações do adorador, em si, em suas instituições, em suas obras, em seu sacerdócio, em seu povo, em cada um de seus filhos; em tudo o que interessa à sua prosperidade, à sua perfeição e ao cumprimento de sua missão no mundo. E, reconhecendo humildemente sua própria insuficiência e a dependência absoluta em que se encontra para com Deus, o adorador reza por si mesmo. Conserva constantemente sua alma em um estado de oração, pela contemplação de sua indigência e da grandeza das bondades divinas. E assim manterá a alma sempre aberta, pronta a receber a efusão da Graça. 

Tais as quatro grandes homenagens que encerra a adoração eucarística, e que devem animar e vivificar com seu espírito toda a vida do Agregado do Santíssimo Sacramento. Praticá-las fielmente, será praticar a vida interior em alto grau e estabelecer perfeitamente o Reinado de Jesus na alma. 

(I) O Santo, em seu manuscrito, emprega aqui a palavra chastifiera, que é muito expressiva e traduz bem o seu pensamento.

(A Divina Eucaristia, escritos e Sermões de São Pedro Julião Eymard, volume 5, Loyola)

PS: Grifos meus.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sacrifício

Sacrifício 


Amadíssimas filhas, esta palavra assusta - sacrifício -; porém esta é a lei do verdadeiro amor, e o verdadeiro amor, que obriga a abraçar esta lei, contrária a vontade do homem, pois o amor só é saciado nesta lei do sacrifício. 

Ouço muitas vezes dizerem-Me: Senhor, como gostar do amargo? O que dizer a estas almas? Para estas almas é necessário que o amargor das penas seja envolto com o Meu exemplo. 

O que se passou na Minha vida de Redentor, desde o seio de Maria até os últimos momentos, foi uma vida de sacrifícios, porque sofri no seio de Maria, tendo que conter os ímpetos do Meu coração ardente, que desejavam, irradiar-se, mostrando aos homens Minha missão salvadora! Portanto, Minha vida foi ininterrupta de sofrimentos! 

Agora vos pergunto, almas que Me desejais seguir: Podeis Me seguir por outra via a não ser a do sacrifício? Mas, que fazer para gostar desta lei tão penosa? Lembrar-se do Paraíso, que vos deve dar a força para trilhar este caminho tão semeado de espinhos! 

Dizem muitas almas que se deve abraçar o sacrifício, sem interesse de recompensa. Eu não vos falo assim, porque o céu sou Eu mesmo, e como não Me desejar se Eu sou o bem infinito!

Amadas filhas, porque há tão poucas almas, que amam o sacrifício? Porque poucas são as que olham para o céu e o que nele as espera, donde nasce a pusilanimidade de tantas almas, que desfalecem no caminho da perfeição.

Lembrai-vos de que a lei do sacrifício sendo a lei do amor, dá à alma merecimentos. Podia Eu abrir-vos as portas da Jerusalém Celeste com um ato de Minha vontade, mas assim não quis, porque o sacrifício é o melhor ato de reparação que se pode dar à pessoa ofendida. Refleti um pouco qual seria a melhor reparação se uma de vós ofendesse a um amigo, e, para reparar essa ofensa, lhe enviásseis uma soma importante em vez de irdes pessoalmente e prostrardes ante quem ofendestes a lhe pedir perdão e uma penitência? Seria certamente a de irdes pessoalmente, fazendo um sacrifício e um ato de humildade diante da pessoa ofendida. 

Vede amadas filhas, como o sacrifício é meritório, por isso o homem dele tem necessidade. Vede na antiga lei, Abraão - ofertando-Me seu único filho em holocausto, além de outros tantos que vós sabeis. O amor pede sacrifício, pois onde não há sacrifício não há amor. Mas, porque o sacrifício é necessário? Porque humilha e lembra ao homem, que, acima de si, estou Eu, ao qual deve obedecer com amor. E para obedecer é necessário sacrifício; é este o primeiro dos mandamentos, amar-Me e servir-Me neste mundo, para depois eternamente gozar. Mas para Me amar neste mundo, é necessário o desprezo de si, porque não se pode amar ao mundo e a Mim; pois quem se ama a si, ama o mundo, suas paixões e suas inclinações.

Tenho tão poucos amantes, porque poucos são os que se desprezam, pois, desprezar-se é a suma da sabedoria e quem se despreza por Meu amor, verdadeiramente se ama. 

De pouco importa a um homem amar-se, se um dia for por Mim desprezado, porque quem se ama na carne, não pode amar sua alma, visto como a alma, que de Mim saiu, suspira por Mim, enquanto que a carne deseja comprazer-se no mal, porque ela é filha do mal. Por isso todo o homem que desejar seguir-Me tem de se desprezar, mas para se desprezar, é necessário abraçar a lei do sacrifício, submetendo-se amorosamente ás cinzeladas do Meu amor, o qual torna a alma refletor de Minhas qualidades. 

Amadas filhas, onde foi que Meu amor mais brilhou? O Meu amor e Minhas qualidades brilharam como o sol na Minha Sagrada. Paixão. Oh! vede Minha humildade no Getsêmani, tomando sobre Mim um fardo pesado de crimes nojentos, e apresentando-Me ao Pai como um criminoso. A humildade, vós bem sabeis, é uma qualidade de Meu coração, e no Getsêmani ela brilhou, porque Me apresentei ao Pai como pecador, e o Pai como pecado Me tratou! 

Pergunto-vos, amadas filhas, este ato de humildade não Me custou sacrifício? Sim, e tremendo sacrifício, que Me fez suar sangue! E agora, sereis capazes de tomar sobre vós os opróbrios de um condenado e, em seu lugar, sofrer tantas humilhações? Que Me respondeis a isso, almas que Me amais? ... Poucas serão as que Me possam dizer: Senhor eu sofreria tudo isto por este pobre infeliz. Assim vos falo porque vejo que nem as penas insignificantes, nem humilhações de pouco valor não sois capazes de recebê-las como filhos submissos!

Vede como as Minhas qualidades brilharam e como os que são pusilânimes se mostram no sacrifício! 

Amadas filhas, onde brilhou Minha mansidão? Não foi no Tabor, mas no sacrifício, quando, coroado de espinhos, refulgiu como o sol! Na Flagelação a Minha mansidão iluminou o céu e a terra, oh! Sim... até aos céus chegaram os clarões desta luz vivíssima, que pela terra se espargiu, ficando como luz de tantos corações, que um dia iam compreender esta doutrina de amor, porém, rodeada de pungentes espinhos!

Oh! como brilhou a Minha mansidão, quando os algozes Me arrastaram pelas ruas, e quando os pobres soldados, na prisão, fizeram de Mim o que suas paixões lhe inspiraram! ... 

Vede como é no sacrifício que se mostra o valor, que se mostra a virtude! 

E como Me provareis, vós, que sois mansas, se não for na hora em que esta virtude vos custe sacrifício? E' só na hora do sacrifício que posso dizer que sois mansas. 

Em ser manso sem sacrifício não há merecimento, porque este nasce no sacrifício e por Meu amor... 

Vede como deveis amar o sacrifício, como garantia de vossa entrada na Jerusalém Celeste, porque foi com a sua chave que se abriu essa porta para vos dizer que é por ele e com ele que vos mostrei as qualidades do Meu Coração... 

Vede-Me no alto da Cruz em hora tão angustiosa, dando-vos Maria por Mãe. Esperei esta hora para vos entregar tão rico tesouro, porque desejava que hoje compreendêsseis o valor do sacrifício, sem o qual o amor perderia seus encantos!

O amor sem sacrifício torna-se diante de Mim de pouco valor, porque o que lhe dá valor é o sacrifício.

Uma árvore que não produz para que serve? Para ser lançada ao fogo. O mesmo é o amor sem sacrifício, não tem valor, porque não dá frutos, por isso será lançado ao fogo, pois o sacrifício são os frutos do verdadeiro amor. 

Amadas filhas, porque o sacrifício é tão desprezado? E' porque poucos são os que meditam na Minha Sagrada Paixão! 

Vede os meus Santos tão sedentos de sacrifício, porque foram amantes de Minhas penas e dores, e nelas souberam sugar força e luz para poderem Me imitar. 

Oh! não vos iludais, sem sacrifício não há santidade nem amor por Mim, porque, como já vos disse, o amor verdadeiro produz frutos e estes frutos são os desejos de se sacrificar pela Minha glória.

Mas, reconhecendo vossa fraqueza e vendo como esta lei do sacrifício custa para ser abraçada, convido-vos a meditar no que vos está preparado para depois deste curto exílio! Está preparado o que vossos olhos não podem ver hoje, o que vossos ouvidos não podem escutar, e o que vosso coração não pode experimentar. E porque todas estas coisas hoje não podeis ver nem escutar, nem sentir? Porque se isto sentísseis e escutásseis, este exílio não seria o lugar de merecerdes, portanto, almas minhas, abraçai o sacrifício e sereis sábias, porque sábio é o que despreza o efêmero e abraça o eterno.

Abraçai esta lei de amor e sereis saciadas do Meu ardente amor.

Vosso Jesus Cristo, o qual viveu e morreu no sacrifício.

Pelas mãos de Maria, do Reino do Amor.

13-12-1931.

(O bom combate na alma generosa, autora anônima, Instituto das Missionárias de Jesus Crucificado, 1936.)

PS: Grifos meus.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Natividade de Nossa Senhora por um Cartuxo

Nota do blogue: Segue um bonito sermão feito por um cartuxo (anônimo).

Natividade de Nossa Senhora


Hortus conclusus, soror mea sponsa, 
hortus conclusus, fons signatus.

És um jardim fechado, minha irmã, 
minha esposa, um jardim fechado, 
uma fonte selada

(Cântico dos Cânticos) 

Ser contemplativo é receber o Verbo divino concebê-lO espiritualmente e manter com Ele uma só vida. A Virgem é, portanto o modelo dos contemplativos, é a Mãe da verdade, como o é da beleza e do amor. Cabe-nos imitá-lA como filhos generosos e fiéis. 

Cada um dos símbolos que nos ajudam a compreender o mistério da missão de Maria são também os símbolos da alma que ama e possui Deus na solidão interior: Torre de Marfim, Casa Dourada, Fonte Selada, Espelho de Justiça, Arca da Aliança... As virtudes de Maria, os dons que manifesta e dons que nEla brilham, são por excelência as virtudes, as condições e os privilégios da vida contemplativa. 

Segundo o hino que cantamos nas vésperas de cada uma das Suas festas, Maria distingue-Se, pela Sua doçura, de todas as mulheres, entre tantas virgens e mães às quais Deus concedeu a mansidão, mansidão que, aliás, é força e poder. Mas tudo o que é virginal ou maternal, Maria, a nova Eva espiritual, possui-o em alto grau. 

Disse-se que a mansidão é o resumo de todas as virtudes cristãs: é feita, sobretudo de paciência e de boa vontade, de respeito e de amizade por todas as almas e até por todos os seres, porque os mansos são-no até para os seres inanimados. É, no fundo, um acordo com a vontade de Deus, uma terna concórdia com tudo o que existe; é também a primeira atitude a exigir, revista ela a forma que revestir, daquele que deseja purificar e libertar a sua visão interior. Não há vida contemplativa sem uma enorme paciência. A luz apenas entra nas almas pacíficas; a tranqüilidade é a primeira disposição necessária para se tornarem transparentes as profundezas do espírito. A arte de contemplar as coisas divinas é uma arte calma. 

A mansidão é feita também de indulgência e de misericórdia, de uma lucidez que ilumina os seres na sua claridade divina, fixando deles apenas as razões que temos para confiar e amar. São João da Cruz acentuou bem quanto esta boa vontade é indispensável a todo o progresso interior. A nossa vocação é inteiramente virginal e mariana: Maria não teve de condenar o mundo, este é que se veio quebrar de encontro à Sua mansidão: assim deve ser uma alma contemplativa, cuja missão não é julgar os homens mas repousar em Deus. 

Uma outra virtude que nos admira em Maria, e que devemos prezar acima de tudo, é a pureza. Maria é como que a encarnação da pureza, e esta, por outro lado, está tão ligada à sabedoria que se pode chamar a virtude essencial do contemplativo. 

Não se trata somente da luta contra os pecados da carne, mas daquela delicadeza de espírito que nos faz reservarmo-nos para as mais altas alegrias. Ser puro é saber estabelecer e conservar a solidão da alma com o seu Deus, é reconstituir interiormente o Paraíso. Sabemos como a Virgem Santa está prefigurada no paraíso terrestre, reserva inacessível ao século, lugar de delícias, sem manchas, sem conflitos, onde está colocado o novo Adão. 

Esta figura designa também a alma contemplativa, jardim fechado onde reina a felicidade imediata de receber a vida divina num recolhimento comparável ao que sem dúvida reinava na aurora do mundo sobre a natureza imaculada. É preciso que não haja nada nem ninguém entre Deus e a alma, mas tão somente essa liberdade virginal do primeiro instante. Então, uma criação nova se produz e se repete sem cessar: a geração do Homem-Deus em nós. 

Que poderemos inferir praticamente destas breves reflexões sobre as semelhanças que devem ligar as nossas almas à alma da nossa Mãe? Tomemos a resolução de nos fecharmos às preocupações estranhas e, através do recolhimento, penetraremos nas fontes mais profundas do nosso ser e, tal como Maria, reservar-nos-emos para as mais belas alegrias; conservaremos esta alegria através dos sofrimentos, das separações e das atribulações, para que ela atinja a sua plenitude, difunda a sua ação consoladora e acabe por se fundir na alegria de Deus que permanecerá como realidade única quando a figura deste mundo tiver passado

(Silêncio com Deus - Um Cartuxo, prólogo de G.B.Torello, com imprimatur, 1959.)

PS: Grifos meus.

domingo, 19 de junho de 2011

Os recreios, os divertimentos e todas as coisas ordinárias da vida

Os recreios, os divertimentos e 
todas as coisas ordinárias da vida 


Além das ações ordinárias que pertencem ao nosso estado e ao nosso gênero de vida, também os nossos recreios e passatempos devem ser santificados, afim de que Jesus possa colher constantemente no nosso coração uma abundante messe de glória e amor. Ai! quantas pessoas nas comunidades não perdem durante o tempo dos recreios o que ganharam pela observância da regra e pela oração! De sorte que, na vida religiosa, é mais fácil a mortificação que o recreio. 

Marianno Sozzini, religioso do Oratório de Roma, conta que um dos Padres do seu tempo costumava todos os dias, ao passar do refeitório para a sala do recreio, orar para obter os quatro principais dons do Espírito Santo, que são a caridade, a alegria, a paz e a paciência, pois são "necessários estes quatro dons para tornar o recreio geral e útil". 

Algumas pessoas familiarizaram-se de tal modo com esta prática da presença de Deus, que mesmo passeando ou conversando lhe dizem no fundo do seu coraçao, a cada passo que dão: "Por vós, por vós; propter te, propter te"  O mesmo fazem quando estão à mesa e a cada movimento que fazem ao tomar a refeição. Santa Maria Madalena de Pazzi recomendava às suas noviças que oferecessem pela glória de Deus até o pestanejar, até o menor movimento de seus membros; e prometia-lhes, se observassem esta prática, que iriam direitas ao céu depois da sua morte, sem passarem pelas chamas do purgatório. Afim de lhes incutir mais profundamente este hábito no coração, costumava surpreendê-las a cada uma por sua vez, quando se entregavam às suas ocupações, e perguntava-lhes com que intenção trabalhavam. Se alguma não respondia logo, a santa compreendia que essa empreendera a sua tarefa sem haver formado uma intenção, e a repreendia por haver perdido uma ocasião de merecer, e privado Deus duma satisfação. 

Notou-se na Vida de Gregório Lopez (e isso foi sem dúvida uma espécie de milagre), que durante três anos completos dissera a Deus em seu coração, cada vez que respirava, estas palavras: "Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu." E este hábito ganhara nele tanta força que, se acaso acordava de noite, recomeçava imediatamente esta oração. Não podemos nós imitar tal exemplo, mas amaremos mais, a Deus sabendo que suscitou homens que assim praticaram. Bendita seja por todo o sempre a Santíssima Trindade, por todas as graças que tem espalhado sobre os anjos e no coração dos homens!

Há fiéis que desejam dar-se inteiramente a Deus, e que praticariam voluntariamente algumas destas austeridades que se lêem na vida dos Santos; mas a sua saúde é má ou delicada, ou não têm a coragem de fazer penitência; ou ainda, e este é o caso mais comum, faltam-lhes ao mesmo tempo a saúde e a coragem. Precisamos dum tratado da perfeição para uso dos valetudinários. As pessoas duma saúde delicada são ao mesmo tempo mais e menos capazes de trabalhar na glória de Deus do que aquelas, a quem uma doença grave retém no leito da dor. 

Vamos dar a esta proposição os esclarecimentos e explicações que ela pede. Acerca dos valetudinários, tomando-se esta palavra no sentido mais moderno, os livros espirituais quase todos guardam silêncio, se bem que o terceiro tratado da Santa Sophia do Padre Baker contém coisas, que perfeitamente se lhes poderiam aplicar. Parece que S. Bernardo escolhia intencionalmente sítios insalubres para estabelecer mosteiros, por considerar uma saúde fraca como poderoso auxiliar da vida contemplativa e dos exercícios interiores. Mas hoje a irritabilidade dos nervos, os reumatismos e a moleza da educação, substituem com vantagem o ar insalubre dum lugar palustre. Como quer que seja, poderá uma dessas enfermidades impedir um valetudinário de ser um santo, ou de praticar virtudes heróicas? Não. Se as pessoas desta categoria quizerem cumprir os seus deveres para consigo mesmas, encontrarão penitências que lhes não causarão sofrimentos corporais, que não sejam capazes de suportar, e que nenhuma influência terão nas suas enfermidades. 

E evidente que um escrupuloso emprego do nosso tempo é precisamente uma penitência deste gênero. Podemos prometer a Deus que nunca dissiparemos voluntariamente os momentos que nos dá, ocupando-os com coisas de nenhum mérito. Esta resolução não e certamente fácil de executar em nossos dias, e muitas vezes pesará como um jugo incômodo sobre a nossa liberdade natural. Se a observarmos, pois, fielmente, faremos uma excelente penitência, e ao mesmo tempo colheremos uma abundante messe para a glória da Deus, para os interesses de Jesus e para a salvação das almas. 

Mas não se deve concluir daqui que as recreações são defesas. Ninguém ignora a história de S. Carlos Borrorneu e da sua partida de xadrez. Enquanto outros falavam do que se apressariam a fazer se soubessem que morreriam dentro duma hora, o Santo disse que, pela sua parte, acabaria a sua partida de xadrez, pois a tinha começado somente para glória de Deus, e nada desejava tanto como ser chamado á presença do seu Juiz em meio de uma ação empreendida para Sua glória. E fácil merecer ao jogo, pois todos os recreios, por assim dizer, proporcionam ensejos de se praticar algumas virtudes. 

É possivel adquirir méritos na leitura dum romance insignificante, contanto que seja este o seu único ou o seu maior defeito (1) ; em primeiro lugar, porque é um dever; em certo modo, dar alguma folga ao espírito, o que se não pode encontrar senão numa ocupação interessante; depois, porque o contraste da ficção dessa ligeira narrativa com as graves verdades da fé, que nos preocupam, leva-nos a fazer mais dum ato da ação de graças pela fé e pelos outros favores, que temos recebido. 

1. Não falo senão do que é possivel, para assim dar a inteligência completa do meu pensamento. Contristar-me-ia o ser contado entre os que preconizam a leitura dos romances. O espírito do meu livro é tirar o maior bem possível daquilo que não é mau em si. 

Mas não é fácil merecer dissipando inutilmente um tempo precioso, andando daqui para ali, sem um fim determinado, suspirando por que as horas passem ligeiras, maldizendo tudo que nos rodeia, entregando-nos, enfim, a conversações tão frívolas quão pouco caridosas. A maior parte das pessoas piedosas não são tão escrupulosas quanto o deveriam ser no emprego do seu tempo. Contudo, se S. Carlos, como cremos, está um grau mais acima no céu, por causa da sua partida de xadrez, é bem deplorável que se percam tantas ocasiões de merecer e de fazer avançar os interesses de Jesus. 

A maior ou menor pontualidade que pomos no emprego do nosso tempo é como um termômetro que marca o grau de fervor do nosso amor

Se um operário forte e ativo obtivesse permissão para passar um determinado número de horas em uma mina de ouro donde a terra houvesse já sido tirada, e onde não houvesse mais nada a apanhar que o metal puro, não consideraria ele como insensato o homem que lhe propusesse suspender o seu trabalho, quando a fadiga o não obrigasse a isso? Pois é este precisamente o nosso caso a respeito das ações ordinárias da nossa vida e dos nossos recreios.

O trabalho verdadeiramente penoso para os tornar meritórios foi feito pelo nosso divino Salvador; as pedras e o lodo foi o que Lhe coube em sorte; para nós deixou só o ouro mais precioso. Mas as horas são contadas, apressemo-nos pois, a recolher o nosso tesouro, pois não sabemos o tempo que ainda nos resta. Ai! não conheceremos jamais o valor do tempo senão quando se nos escapar das mãos para nos deixar na eternidade. E então, ó doce Salvador, seremos conVosco ?



Santa Gertrudes disse um dia a Nosso Senhor que desejava edificar-Lhe uma arca espiritual, e perguntou-Lhe como se devia haver para isso. Eis a resposta que Ele lhe deu: 

"É opinião geralmente espalhada entre vós que a arca de Noé era formada de três andares, e que as aves ocupavam o mais alto, os homens o do meio e os animais a parte inferior. Toma pois essa arca por modelo e reparte os teus dias segundo esse sistema. Desde manhã até ao meio dia, Me oferecerás louvores e ações de graças em nome da Igreja universal, com os sentimentos do amor mais terno, por todos os benefícios que tenho espalhado sobre os homens desde o começo do mundo, e principalmente pela adorável misericórdia em virtude da qual, desde a aurora até ao meio dia, Me deixo oferecer ao Padre Eterno, no santo sacrifício da Missa, para salvação dos homens. Enquanto as pessoas do mundo, insensíveis aos Meus benefícios, se abandonam ao prazer e alegria, e na sua ingratidão Me esquecem, oferece-Me tu por elas contínuos louvores: assim figurarás deter os pássaros no seu vôo, e encerrá-los no andar superior da arca. Depois do meio dia até á noite cuida de praticares boas obras, em união com a intenção puríssima que animava todas as obras da Minha santa humanidade, a fim de compensares as negligências do resto do mundo: assim reunirás os homens na arca. Desde o anoitecer até ao amanhecer protesta, na amargura do teu coração, contra a impiedade com que os homens, não contentes de Me recusarem o seu reconhecimento pelo que tenho feito por eles, se esforçam em provocar a Minha cólera com toda a sorte de pecados: oferece-Me, pois, para obter o seu arrependimento, os sofrimentos e amarguras da Minha Paixão e morte, e assim ajuntarás os animais na parte inferior da arca." 
Quando Nosso Senhor traçava assim a Santa Gertrudes o plano dos exercícios do seu dia, sabia quais eram os seus trabalhos e ocupações: sabia que ela, por obediência à sua regra, devia com suas filhas espirituais ter todos os dias algum recreio e ocupar-se de todas as minudências do governo do seu mosteiro. 

Uma outra prática igualmente proveitosa consiste em fazer da solidão o que fazeis das vossas ocupações. Quando estais só ou acordais durante a noite, oferecei a vossa solidão em união com a de Jesus no sepulcro e no tabernáculo; e fazei isto para obter para vós e para os que amais, a graça duma boa morte:

- Para morrer na graça de Deus;
- para vos encontrardes, nessa última hora, cheios de méritos, a fim de mais glorificardes a Deus no céu ; 
-  para não deixardes a vida senão depois de haverdes contribuído para a salvação dum grande número de almas;
4º- para que não fique após de vós celebridade ou um nome prestigioso, mas imiteis Jesus, que morreu sem honras entre dois ladrões;
- para que não tenhais que passar pelas chamas do purgatório; 
- para deixardes uma abundância de satisfações de que não necessiteis, mas que vá aumentar o tesouro de que a Igreja tira as suas indulgências; 
- para que possais glorificar a Deus na terra, ainda depois da vossa morte, pela recordação das vossas boas obras, pelos conselhos salutares que houverdes dado, pelos livros de piedade que tenhais escrito, ou pelo fruto das vossas orações.

Pela prática da oblação, as circunstâncias mais ordinárias podem converter-se em ocasião de merecimento com tanto que estejamos em estado de graça. Cada um dos nossos atos meritórios é para Deus um aumento de glória, um verdadeiro progresso dos interesses de Jesus, e fonte de muitas graças para as almas de nossos irmãos, em razão da comunhão dos Santos. Ora aqui está outra maneira de aquirir merecimentos por ocasião das coisas mais ordinárias- é elevar-nos a Deus pela vista das criaturas. Esta prática é uma das que os santos seguiram mais geralmente com mais fervor. 

Lancicius nos diz :

"Quando saís de vossa casa e vedes as pessoas que param na rua para conversarem, orai para que não digam coisas inúteis de que um dia houvessem de dar contas. - Sentis o vento que sopra com violência, orai pelos que andam no mar. - Se passais perto duma taverna e ouvis o barulho dos que lá dentro bebem, orai para que não ofendam a Deus, e para que se confessem os que tiveram essa infelicidade." 
Tendo Santo Atanásio enviado ordem a S. Pambo para deixar o deserto e ir a Alexandria, o piedoso solitário, dirigindo-se aonde era chamado, encontrou nas ruas da cidade uma atriz na mais elegante semi-nudez. Vendo-a, começou a chorar. Perguntaram-lhe a razão das suas lágrimas e ele respondeu:

"Duas coisas me afligem profundamente: em primeiro lugar, a condenação eterna dessa mulher, e depois o ver que eu faço menos pela glória de Deus do que essa atriz para agradar a alguns libertinos."
Assim se serviu do pecado como de um escabelo para se elevar a Deus. Quando sentis a chuva bater nas vossas janelas, agradecei a Deus e formai interiormente o desejo de Lhe oferecer tantos atos de fé, de esperança, caridade, contrição, ações de graças de humildade, de adoração, de rogo, quantas as gotas que caíram durante a borrasca; implorai um aumento contínuo dos socorros da graça a fim de que vós e vossos irmãos possais sempre fazer as vossas ações com perfeição, e glorificar a Deus tanto quanto é dado fazê-lo ao poder humano.

Quando, ao passear ou viajar, passais por uma aldeia, vila ou cidade:

- Pedi a Deus, pelos merecimentos dos que habitam esse lugar, que tenha piedade de vós; 
2º- rendei-Lhe ações de graças por todas as bênçãos que derramou, derrama, ou derramará sobre essas habições; 
- recommendai-Lhe todas as necessidades desses habitantes e suplicai-Lhe que ouça as suas orações; 
- chorai os pecados que aí se têm cometidos;
- pedi a remissão deles;
-  recomendai a Deus as almas dos fiéis que aí se têm morrido.

Surius, na Vida de S. Fulgêncio, refere que tendo ido este Santo a Roma ao ver os palácios dos nobres exclamou: 

"Qual nao deve ser a beleza da Jerusalém celeste se Roma tanto resplandece na terra! E se neste mundo tantas honras são apanágio dos que só procuram a vaidade, qual não será a glória dos santos engolfados na contemplação da verdade!"
Lemos na Vida de S. Martinho de Tours que viajando um dia para visitar a sua diocese, se sentiu profundamente aflito à vista dum alcatraz que pescava, pois lhe representava ao vivo os meios de que o demônio se serve que para apanhar as almas. São Boaventura diz-nos que S. Francisco usava muito freqüentemente desta prática. E eis o que Ribadeneyra diz de Santo Inácio:

"Vimo-lo muitas vezes elevar-se das coisas mais pequenas a Deus, que é poderoso até nos menores objetos; a vista duma pequena planta, duma folha, dum fruto, ou dum pequeno inseto bastava para o transportar num momento às regiões celestes."

Monsenhor Strambi dá-nos os seguintes pormenores acerca do bem-aventurado Paulo da Cruz, fundador da Ordem dos Passionistas (Vitam page 137- Nota do blogue: hoje Santo). O Senhor recompensava as suas santas intenções e os seus piedosos desejos com as mais abundantes consolações espirituais, e nas suas viagens para visitar as casas da sua Ordem, fazia do recolhimento o doce alimento da sua alma. Um dia em que se dirigia ao ermo de Santo Euligio, voltou-se para o seu companheiro dizendo-lhe:

"De quem são estas terras?
"São de Gallese" lhe respondeu o companheiro. Mas Paulo, elevando a voz, perguntou de novo: 
"De quem são estas terras?"

Não compreendendo o seu companheiro o sentido da pergunta, o bom Padre, tendo dado mais alguns passos, voltou-se para ele com uma fisionomia radiante como o sol, e exclamou: 

"De quem são estas terras? Ah! tu não me compreendes; pertencem a Deus onipotente."


E ao dizer estas palavras, a impetuosidade do seu amor o ergueu e impeliu a alguma distância no caminho. Doutra vez que se dirigia de Renacina a Ceccano através da floresta de Fossanova, depois de haver visitado o mosteiro em que São Tomás de Aquino morrera, chegou a um sítio onde o bosque era mais espesso, e dirigindo-se repentinamente ao seu companheiro, exclamou:

"Oh! não ouves estas árvores e suas folhas, que te gritam de toda a parte: ama a Deus, ama a Deus!"

E inflamando-se cada vez mais no amor divino, tornando-se a sua fisionomia radiante, continuou em alta voz:

"Oh! como pode ser que não ames a Deus? Como pode ser que não ames a Deus?" E quando voltaram a entrar na estrada romana, dizia a todas as pessoas que encontrava: "Meu irmão, ame a Deus, ame a Deus; Ele merece tanto o seu amor! Não ouve como até as folhas das árvores lhe gritam que o ame? Ó amor divino, ó amor divino!"

E falava com tanta unção, que os viandantes não podiam reprimir as lágrimas. Além disto, dizem que tudo lhe servia para lhe recordar a idéia de Deus, e que imaginava que todas as criaturas tinham voz para gritar ao homem: "Ama Aquele que te criou!" Viam-no muitas vezes passear pelo campo, principalmente na primavera, e examinar com atenção todas as flores que encontrava, tocá-las com o seu bastão, e dizer-lhes: 

"Calai-vos, bem vos ouço! censurais-me pelo meu pouco amor a Deus. Calai-vos."

Tinha o costume de dizer aos seus religiosos que as flores os convidavam incessantemente a levantarem seus corações nos sentimentos de amor e adoração ao seu celeste Criador.

Como os gostos que levam cada qual á devoção variam até ao infinito, os meus leitores perdoarão o longo extrato que vai seguir-se, tirado da Vida do Padre Pedro Lefèvre, companheiro de Santo Inácio, por Orlandini. Este religioso possuia em grau supremo o dom de converter tudo em oração. 

Quando se aproximava de alguma cidade ou de qualquer povoação, tinha o costume de orar pelos seus habitantes, e pedia a Deus que fizesse com que o anjo encarregado da guarda daquele lugar, e os anjos da guarda de todos os que ali moravam desempenhassem as suas funções com uma atenção especial. Invocava também os santos Padroeiros dessas povações, e rogava-lhes que rendessem graças, pedissem perdão, ou obtivessem novos favores para os habitantes, e suprissem todas as negligências e omissões destes, a fim de que Deus não ficasse privado da glória que Lhe é devida. 

Quando arrendava uma casa ou mudava de habitação, a primeira coisa que fazia ao entrar era ir ajoelhar-se em todas as salas e compartimentos da nova casa, em todos os recantos em que podia penetrar, e pedir aí a Deus que afastasse daquella morada os espíritos malignos, os perigos e trabalhos. Na sua oração lembrava-se de todas as pessoas que até então houvessem vivido naquela mesma casa e das que nela viessem viver de futuro, e pedia com fervor que nenhum mal sucedesse ás suas almas. 

Punha tal cuidado em encontrar em todas as coisas um objeto de oração, que tendo ido ao palácio de certo príncipe para ouvir um sermão, que se pregava na capela, e sendo repelido por um porteiro que o não conhecia, não viu nesta afronta senão uma nova ocasião para orar. Um homem que tanto gostava da oração quando gozava saúde, não podia deixar de se entregar a ela com assiduidade quando doente. Retido, em Louvain, no leito em que o sofrimento o impedia de gozar o menor repouso, as suas penosas vigílias forneciam-lhe motivo de oração. Então mesmo que a sua cabeça enfraquecida mal podia suportar a violência do mal, não cessava de orar e de unir os seus sofrimentos à coroa de espinhos de Nosso Senhor, até que o amor que o consumia rebentava numa torrente de doces lágrimas. 

Entretinha esta oração incessante com a variedade das suas devoções. A vida de Jesus Cristo era o alimento principal da sua contemplação quotidiana. Pois aonde poderia a alma encontrar alimentação mais abundante, doçura mais apetecível? Não obstante, para entreter a sua piedade, inventou uma multidão de métodos de oração, que as suas leituras lhe sugeriam, bem como as doutrinas da qual estava imbuído, ou as inspirações do Espírito Santo. Mas preferia três desses métodos, que achava ao mesmo tempo tão úteis, suaves e fáceis, que recomendava aos confessores que os ensinassem aos seus penitentes. 

Em primeiro lugar, tinha uma grande confiança nas Ladainhas; repetia-as constantemente e as aplicava a todas as circunstâncias. Servia-se delas não só para pedir algum favor, que é o objeto ordinário das Ladainhas, mas para louvar a Deus, render-Lhe ações de graças, ou para todo o outro exercício da virtude de religião. Uma das suas práticas era penetrar na corte do céu, e lá, ao pé do trono da Santíssima Trindade, suplicava ao Pai que se regozijasse no Filho e no Espírito Santo; ao Filho que partilhasse esta alegria no seio do Pai e do Espírito Santo, e finalmente ao Espirito Santo que se regozijasse no Pai e no Filho. Com isto queria exprimir a felicidade que as três Pessoas divinas gozam umas nas outras, e que na linguagem da escola se chama complacência. 

Depois, suplicava à Rainha do céu que adorasse a Santíssima Trindade em seu nome, ou em nome de alguma outra pessoa, viva ou morta; e por outro lado conjurava à Santissima Trindade que abençoasse esta boa Mãe por todos os benefícios que por Suas mãos são espalhados na terra. Depois percorria os coros dos anjos e as ordens dos bem-aventurados, pedindo-lhes que oferecessem ações de graças e louvores, em seu nome 
ou no de outra pessoa, a Deus, à Santissima Virgem, ou em particular a alguns anjos e santos. 

O segundo método que seguia nas suas orações consistia em percorrer todos os mistérios da vida e morte de Nosso Senhor, apropriá-los engenhosamente ao tempo e circunstâncias, e em seguida, em nome de cada um deles, invocava separadamente as três Pessoas da Santíssima Trindade e os espíritos celestes.

O seu terceiro método era percorrer um após outro os mandamentos de Deus e da Igreja, os artigos de fé, os sete pecados mortais e as virtudes contrárias: as obras de misericordia, os cinco sentidos corporais e as três faculdades da alma. A própria variedades destes assuntos sugeria-lhe afetos diversos; eram perdões a implorar, favores a pedir, ações de graças a render, não só por si ou por outras pessoas vivas, mas também pelos mortos. Suplicava a Deus que lhes remitisse o resto do que ainda lhe devessem à conta do primeiro mandamento, do segundo, e assim por diante.

Fazia o mesmo a respeito dos pecados, das obras de misericórdia, dos sentidos corporais e das faculdades da alma.

(Tudo por Jesus ou caminhos fáceis do amor divino, pelo Rev. Pe. Frederick William Faber, superior do oratório de S. Filipe de Neri - de Londres - Doutor em Teologia, Tradução portuguesa, H. Garnier.)

PS: Grifos meus.
PS2: No futuro, irei digitalizar esse livro.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Da pureza e simplicidade do coração

Da pureza e simplicidade do coração

"Tem o homem duas asas com que se levanta
acima das coisas terrenas, que são simplicidade e pureza.
A simplicidade há de estar na intenção, 
e a pureza no afeto.
A simplicidade busca a Deus; 
a pureza O abraça e nEle se compraz.
Nenhuma boa obra te impedirá de voar, 
se interiormente estiveres livre de todo o afeto desordenado..."
(Imitação de Cristo - pág. 141)


Reis dos reis

Reis dos reis

"Ainda que um exército se formasse em batalha contra mim, 
ainda assim não temeria o meu coração. 
O Senhor é o meu sustentáculo e o meu Redentor" 
(Sl. 26,3; Sl. 18,15)