segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Donzelas cristãs: Vocês e vossas responsabilidades

VOCÊS E VOSSAS RESPONSABILIDADES


SOIS AS GUARDIÃS

Eis o que sois.

Direis: "Não poderia ser dado nome de mais brilho e menos antiquado? Guardiãs? Isso, assim de repente, assim sem mais nem menos, dá-nos quarenta anos, pelo menos; cobre-nos a cabeça com uma touca branca; e põe em nossas mãos um fuso ou um tricô. Isso não é nome para moças. É um nome para mamães, para vovós... Um nome para as tias! A nós, que somos jovens, chamai-nos: Valorosas... Semeadoras... Rosas... Estrelas..., mas Guardiãs..."

E, no entanto, guardiãs! É um nome glorioso. Se sugere menos perfume que uma rosa, menos brilho que uma estrela, menos graça que o gesto do semeador nos sulcos da terra, diz mais coragem e mais virilidade. Revela força de alma e heroísmo.

É um nobre programa para as vibrantes. Fez pensar em rotina? Em horizontes mesquinhos? Que importa, se formula a verdadeira missão, um lugar fixo, e nos convida a agir sem impedir que sonhemos?

QUE É GUARDAR?

Primeiramente esmiuçamos, depois restringiremos. O guarda-barreira vigia. Abre o sinal, se o caminho está livre. Fecha-o à passagem dos trens. Impede que o Expresso corte o automóvel em dois. Proíbe uma passagem se há perigo mortal.

O guarda-caça está atento... Acautela os direitos do proprietário; proíbe a caça ilegal; protege o crescimento pacífico dos coelhos e o romântico amor dos faisões.

O guarda-costa (olhem que não se trata de um homem...) inspeciona. Vigia uma zona da praia, a entrada de um porto, a chegada de um barco suspeito. Controla o oceano. É sentinela e patrulha.

A Guarda Republicana zela pela ordem. Às vezes para manter o esplendor dos desfiles oficiais e da bela música. O guarda-rural está atento. Com um letreiro no braço, garante os direitos da comuna. E com que convicção! com que emocionante solenidade!

O guarda-farol está de mil olhos. Para ele, guardar é vigiar, conservar os refletores em ordem, manter livre a rota dos vapores, denunciar os rochedos e baixios, e fixar as direções.

O guarda do presídio está a postos. E como? Há um ruído de chaves pelos corredores... rondas noturnas. As portas estão aferrolhadas. E que olhos, que olhos, meu Deus!

O homem está em guarda... Nas grades das casernas, na encruzilhada dos caminhos, na trincheira, nas florestas. Observa. Escuta. Espera. Nada deixa passar...

Etc., etc., etc...

E toda essa gente, os guardas, são pessoas que zelam por qualquer coisa, que impedem seja arrebatada.

Guarda-se uma fronteira para que o inimigo não a atravesse; uma porta para que não a abra aquele que não deve entrar; um tesouro para que não seja roubado; um museu para que os quadros aí se conservem em bom estado.

E também se guarda o silêncio, e se impede que se prolongue, e que as palavras perturbem a serenidade. Guarda-se o sangue frio, e isto quer dizer que nos devemos manter calmos, refletidos, impedindo que o sangue ferva ou se agite demasiadamente.

Guarda-se tudo o que se vigia, seja um barco, um homem ou um cão.

Guardar é, segundo os casos, vigiar, conservar, defender.
E vós, minhas jovens, sois guardiãs.

Tendes coisas - e que coisas de subido valor! - a vigiar contra as surpresas, a defender contra os ataques a conservar intactas, vivas, esplêndidas, contra tudo o que gasta ou deteriora.

Sois, deveis ser, deveis aceitar ser guardiãs.

Para isso, não há necessidade de uma placa de cobre, de um quépi com inicial, de uma correia no chapéu, de um centurião com sabre. Basta-vos, para serdes guardiãs, basta-vos que sejais cristãs, jovens, que tenhais uma consciência e, graças a essa juventude, que compreendais ser preciso manter no mundo tudo quanto o cristianismo pretende dar-lhe, porque sabe o que é necessário a esse mundo.

O QUE SE DEVE GUARDAR

Para que o saibais, abri os olhos, prestai ouvidos.

Ana, minha irmã Ana, não vês alguma coisa aproximar-se?

Estais reconhecendo o apelo desesperado dessa pobre Senhora Barba-Azul. Há motivos para gritar: em baixo da escada, à sua espera, está o terrível marido com uma grande faca nas mãos. E ele brada: "Desces ou não desces?" Infeliz! Enganou-a o coração ao fazer a escolha de tal marido.

Ana, minha irmã Ana, não vês alguma coisa aproximar-se?

Eu vo-lo digo, no mesmo tom:

Ana, minha irmã, não vês alguma coisa subir? Não vedes vir de longe, minhas jovens, não de muito longe, nem sequer de tão longe assim, como que a vaga lenta das marés, não vedes o arremesso formidável dos prazeres, uma invasão de volúpia: Acariciante, brutal, embaladora, espumante, não a estais vendo? Pouco a pouco, uma após outra, submergem as rochas que até desliza como uma víbora. Insinua-se, enrola-se, esfrega-se, abafa... Sobe. Como crianças surpreendidas pelo mar em meio a um sonho de amor, quantas de vossa idade que vogam por este oceano, se é que já não as estraçalhou como a destroços de um recente naufrágio!

Ana, minha irmã Ana, não estás ouvindo alguma coisa cantar? Não ouvis, jovens, erguer-se o rumor das cidades e aldeias, das casas e das almas, não principalmente como nos tempos de fé o rumor de um cântico, nem tão pouco como nas horas solenes a estrofe de uma canção patriótica, mas a canção louca, a canção leviana, a suja canção?

E não percebeis que as gargantas se acham mais adaptadas à canção do que a oração? que os pés estão mais adaptados à dança que à procissão? e que as multidões se encaminham mais para os cinemas do que para as igrejas, para os campos de jogo do que para as peregrinações?

Ana, minha irmã Ana, não estás ouvindo alguém chorar?

Não percebes também que agora, como sempre, há lágrimas nesses sorrisos, amarguras nessa festa, imensos soluços no meio desses cantos? Os "confettis" que se atiram ao carro das rainhas não substituem para a alma as flores frescas que se jogavam ao Santíssimo Sacramento. Os corações sofrem vazios e se aborrecem de si mesmos e de tudo. Os pensamentos, perdidos como em pleno oceano, vagueiam desesperadamente, não achando rochedo nem cordame a que apoiarem seu atormentado vôo.

Infelizes, ainda os há, e com necessidade de quem se compadeça deles. Desolados, decaídos, desesperados, há-os em maior número que nunca e apelando para alguma coisa. Para o que?

Guardar? Ana, minha irmã Ana, deve-se guardar tudo aquilo por que clama, sem que o saibam, o espetáculo humano, visto e longamente ouvido do alto da torre.

Deve-se guardar tudo aquilo de que o mundo tem necessidade, e tanto mais necessidade quanto mais finge poder passar sem ele e pretende não lhe fazer falta.

Quando a flor pende fatigada, incapaz de se manter ereta, levai-lhes água. E se a flor, nervosamente erguida, faz menção de não a querer, mesmo assim lhe derramais água. Tendes razão. Compreendestes a secreta miséria que a flor ignora ou oculta.

(Jovens: Vocês e a vida - coleção moças, pelo Fr. M. A. Bellouard O.P. ; edições Caravela LTDA, 1950, continua com o post: Deve-se guardar no mundo a fé)

PS: Grifos meus.

domingo, 23 de janeiro de 2011

A felicidade (Conselhos para as mães)

A felicidade
(conselhos para as mães)


Voz de Nossa Senhora

Todos os que transitais por este exílio, vinde a Mim e dar-vos-ei o que tanto almejais - a felicidade.

Eu sou a Mãe Lacrimosa, que ao pé da Cruz vos recebi como filhos. Jesus, derramando Seu precioso Sangue, com ele firmou tão precioso legado, e Eu, chorando, recebi-vos, acolhendo-vos sob o Meu manto protetor. A maior parte dos homens, porém, esqueceu-se que tem uma Mãe fiel e dedicada no Seu grande Amor, por isso hoje vos falo e vos convido a virdes a Mim para encontrardes a verdadeira felicidade.

Mães de família, que procurais o bem estar de vossos filhos, e que tanto empenho tendes em dar-lhes a felicidade, ouvi-me por piedade.

Procurais por todos os meios humanos a felicidade, porém esqueceis que para isso o principal meio é buscar a Deus nos Sacramentos, é procuar-Me a Mim, que sou a portadora da única e verdadeira felicidade.

Pergunto-vos, amados filhos, já encontrastes neste vale de lágrimas alguém feliz fora da Santa Igreja? Nunca encontrastes nem haveis de encontrar, porque a felicidade consiste em amar a Deus, único fim para o qual o homem foi criado.

Se os peixes sendo criados para viverem na água, morrem fora dela, o mesmo acontece com o homem. Fora do amor de Deus não há felicidade, não há vida, por isso fora do grande preceito de amá-lO a alma morre, e o homem, com a alma morta pelo pecado, não pode ser feliz.

Que felicidade poderá encontrar o homem que tiver um de seus membros doente? Ah! quando encontrais um homem paralítico, vos faz pena vê-lo em tal estado! Ele se lastima e deseja ardentemente ser curado de seu mal, e ainda que tudo lhe pareça sorrir, não se sente feliz! Pior que esta imagem do paralítico é a alma que não ama a Deus! Esta alma em vão procura divertir-se, em vão procura o prazer, porque todo o prazer é momentâneo... Só o prazer do amor de Deus é que dá a paz à alma e a felicidade completa.

Mães queridas, que tendes filhos, que tendes filhas, procurai dar a estes entes queridos a felicidade eterna. Oh! como é doloroso para Meu Coração, ver tantas Mães serem a causa da perdição de seus filhos!

Dir-me-eis vós: Como faremos, se nossos filhos não nos obedecem? Ah! quem são os culpados disso? Sois vós, mesmo, porque quando crianças não os soubestes educar, levando-os os cinemas, aos bailes, centros de perdição da inocência, onde tantos pecados de impureza se cometem!

Direis ainda: Mas minhas filhas são inocentes, não têm malícia. Oh! cegueira a vossa! Não sabeis que quem toma veneno é para morrer? Os cinemas! O que se passa nestes antros malditos, onde o demônio lança tantas almas, onde as crianças aprendem a imoralidade e a desobediência?! Os bailes! Depois de serem prejudiciais à saúde, são causa de perda de tanta inocência e causa de tantos maus pensamentos, dos quais darão rigorosas contas!

Quantas almas hoje gemem no inferno por causa dos bailes e dos cinemas! Agora vos posso provar como vós, mães de família, sois a causa da desgraça de vossos filhos! Oh! Mães que me escutais, vede como deixais as vossas filhas saírem à rua em trajes tão imorais, que apavoram os anjos!

Mães queridas, dir-me-eis: Mas minhas filhas não me obedecem neste ponto!

Oh! por piedade, disso quem é culpado? A culpa é da liberdade que lhes deste desde a infância!

Lançando Meus olhares amorosos de Mãe sobre o mundo, tenho que dizer-vos: A humanidade se agita e geme por causa de não saberdes criar os vossos filhos no amor de Deus! O que falta à humanidade é o amor de Deus, que faz com que as paixões sejam esmagadas.

Onde há amor ao Divino Rei, há submissão aos Pais, há submissão aos governos, enfim, o amor de Deus transforma em Paraíso este vale de lágrimas.

Oh! quem me dera que todas as mães da terra me ouvissem e pusessem em prática os Meus conselhos de Mãe, que só deseja a felicidade, o paraíso para todos os homens redimidos pelo Sangue de Meu Divino Filho.

Oh! Mães queridas, vinde que Eu sou o vosso modelo, vinde a Mim, e dar-vos-ei Minhas lágrimas preciosas, com as quais abrandareis os corações de vossos filhos, e o vosso lar tornar-se-á um paraíso, tornar-se-á o lar de Nazaré, no qual só reinaram amor, alegria, pobreza é verdade, mas a paz na alma tornou este lar tão feliz, que quisera fosse ele imitado por todas as famílias.

Queridas Mães, não vos entristeçais; ainda é tempo. Vinde, vinde; as Minhas lágrimas são o remédio, o caminho que conduzirá os vossos filhos à felicidade eterna. Estas lágrimas abrandarão os corações para poderem receber o Amor dos amores, a felicidade única, que é Deus, este Deus que, por vosso amor, dia e noite vela nos Sacrários da terra, onde é tão esquecido e tão injuriado por tantos homens, que se esquecem que têm uma alma feita para amar este Deus, que morreu em uma dura Cruz, somente porque Seu amor é infinito para com  todos os homens.

Mães queridas, quisera ver um dia os vossos filhos a Meu lado, é este o motivo pelo qual assim vos falo.

Vossa terna Mãe, que vos ama com amor mais forte do que a própria morte.

(O bom combate na alma generosa, Instituto das Missionárias de Jesus Crucificado - Campinas - 1ª Edição, ano de 1936, com imprimatur)

PS: Grifos meus.

J.S. Bach- Johannes-Passion

J.S. Bach- Johannes-Passion

Santa Filomena em La Salette

Santa Filomena em La Salette
(clique nas fotos para ampliá-las)










sábado, 22 de janeiro de 2011

Donzelas cristãs: A Igreja pede-vos que sirvais

DONZELAS CRISTÃS: VOCÊS E A IGREJA


PEDE-VOS QUE SIRVAIS

QUE É SERVIR

A palavra tem dois sentidos. Primeiramente significa: servir para qualquer coisa. Por exemplo: na estrada encontro um objeto, apanho-o e digo: "Isto não vale nada", e jogo-o fora. Ou então: "Isto pode servir para alguma coisa", e carrego-o comigo.

A Igreja vos pede que sejais boas, que sirvais para alguma coisa, em oposição às que não são boas senão para tolices e futilidades.

É claro que, mesmo contra nossa vontade, sempre servimos para alguma coisa, ao menos para ingerir micróbios quando respiramos, ou gastarmos solas de sapatos quando andamos, ou pormos em prova a paciência do próximo com o nosso mau caráter.

Mas trata-se de ser seriamente bom, seriamente útil... de saber o que fazer com nossos dez dedos, nossa língua, nosso coração; e, bem das paróquias, das obras, das famílias, dos pobres.

Não é toda a gente que sabe tocar piano... nem isso é preciso. Se soubéssemos ao menos varrer convenientemente a Igreja ou o patronato, sorrir bondosamente para uma criança que sofre, já isso seria tanto! Muitas há e até gente upa... que nem para isso servem...

Que vida é então a sua? e que vale um de seus dias? Passar horas inteiras olhando para o maravilhoso rosto, rodando sem parar o anel nos dedos finos, trocando com amigas do mesmo quilate solenes banalidades, dançar, até perder os saltos dos sapatos, pode-se chamar a isso "servir"? Mais vale para a nossa pátria uma ativa dona de casa do que uma rainha ociosa; mais vale para a Igreja a humilde dedicação de uma serva eficiente no trabalho, seja ele qual for, do que a tagarela, preguiçosa, devoradora do tempo, dessas que desperdiçam coração e dinheiro.

Servir! Ser capaz de fazer alguma coisa de útil! Preparar-se para o ser, para que não tenha que responder sempre: "Não sei fazer isso!" Como se fosse uma desculpa, mas, afinal, sendo uma verdadeira condenação! "Arrancai essa figura - diz o Mestre do Evangelho, - está sugando a terra sem proveito". (Lucas, XIII.7)

Servir também quer dizer pôr-se à disposição de alguém, para o ajudar em seu trabalho. Em tal sentido, serve uma doméstica, uma empregada. No mesmo sentido se dirá: "Servir Dona Fulana... Servir uma idéia... Servir seus pais... Servir a Deus". Em tal sentido assinava o Apóstolo São Paulo: "Paulo, servo de Jesus Cristo", e a Virgem Maria pronunciava: "Eis aqui a serva do Senhor", e uma Irmãzinha se chama "Serva dos pobres".

COMO SERVIR

Ofererecei vossos serviços à Igreja, deixando-lhe a iniciativa de fixar as minúcias, contentando-vos em lhes oferecer total devotamento.

Servi com alegria, sem mau humor, sem esse jeitinho de quem se arrasta no trabalho. Não vos apresenteis com um aspecto de mártir, pois em tal caso tiraríeis ao trabalho todo o seu sentido e faríeis mal ao Senhor, que só quer corações livres. Não murmureis por causa dos sacrifícios feitos; não resmungueis com os pequenos trabalhos e as ocupações modestas. Mostrai o contrário aos que não acreditam que o trabalho do Senhor, mesmo quando áspero, é suave, e que Seu jugo é leve mesmo quando pesado.

Servi com altivez. Lembrai-vos de que na corte de Luís XIV, os grandes senhores, na hora (de Luís XIV) se levantar, disputavam-se a honra de segurar a manta direita ou esquerda da real camisa. Pobres coitados! E para que não dizê-lo? triste comédia... Fixai-vos em que, onde há dignidade no senhor, há nobreza no servo, por mesquinho que seja o serviço.

Aquele a quem se chamou "o maior entre os filhos dos homens" achava-se indigno de atar o laço da sandália do Cordeiro de Deus ou carregar-Lhe as alpercatas. E realmente tinha razão.

Servindo à Igreja, é ao próprio Senhor que estais servindo. Nada é mesquinho no que fazeis por ela, que é a esposa de Cristo e Seu corpo. Tudo quanto fizerdes por ela, por causa dEle, tem o valor do perfume que se derrama pela divina cabeça, ou do aroma que se espalha pelos sagradas membros...

Quem quer que sejais, filhas de Jerusalém, que acompanhais a Igreja dolorosa nos caminhos do Calvário; filhas de Israel que a ajudais com vossas moedas e a cercais de dedicação; Verônica, enxugando suas lágrimas no rosto dos pobres; filhas de Sião, cobrindo amorosamente de bálsamo suas mãos e pés - todos vós, sem exceção, ufanais-vos de serdes admitidas à obra sublime. A menor coisa feita por ela é mais gloriosa que uma ação brilhante em atenção a outras mestras e senhoras... A última nesta santa servidão é mais do que rainha perante Deus.

Servi com desinteresse. Não exijais o reconhecimento oficial de vossa real dedicação. Não façais de vosso serviço um negócio. Não digais à Igreja: "Dou-te meu tempo, meu dinheiro... dá-me agora honrarias no meio da comunidade cristã". Não espereis, para começar a segunda semana, que acertem convosco as contas da primeira. Se vos esquecerem, se vos desconhecerem, não vos vingueis afastando-vos para um canto.

Não façais pesar sobre a Igreja, o zelo que manifestais por ela. Que vosso serviço não seja para ela uma servidão. Que ela jamais tenha que pagar com sua divina liberdade o nobre direito que vos dá de irdes em seu auxílio.

Pois o mau, senhorinhas, mau, vil e odioso, que uma jovem compre por tal preço o silêncio ou as complacências da Igreja. Nesse caso, não se trata mais de um serviço cristão, mas de uma cínica exploração, e tanto mais cínica quanto mais oculta.

Que quereis como recompensa? Quanto Santo Tomás de Aquino finalizou seu grande trabalho - , o Crucifixo, para quem e diante de quem tão magnificamente trabalhara, disse-lhe: "Escreveste bem a Meu respeito... Que recompensa desejas?"  "Só a Vós, Senhor".

Que a alegria e a altivez de servir vos bastem, queridas jovens, sem que haja mister o acréscimo imediato da retribuição. A consciência do dever cumprido; a certeza de que uma fiel dedicação tem em vós ou em outras resultados felizes, posto que muitas vezes ignorados; o sorriso de Cristo, o contentamento certo da Madre Igreja; a garantia de ter concorrido um pouco para a beleza do mundo e suprimido um pouco suas misérias; a esperança de ser a grande Desprezada um desagravo que encante seu coração e o console dos sofrimentos por que passa - isso não é o bastante? Aqui para o mundo, que mais é preciso? Do salário do Além nada direi. Está guardado. O Mestre paga magnificamente.

Servir! Servir! Dizer: "Senhor, que queres Vos que eu faça?" Dizer: "Senhor, eis aqui a Vossa serva!" Dizê-lo sempre que uma mensagem do Alto nos chegar. Porque, afinal, sempre chegam mensagens. Desde que em vossa paróquia o padre vos convida para um trabalho; desde que em vosso patronato, círculo ou coro, é reclamada uma dedicação; desde que o pó se acumula no assoalho de vossa Igreja... é como a visita do anjo a Maria: a generosa resposta terá que ser está: "Senhor, eis aqui Vossa serva".

A Pátria encontra heróicos servidores quando os convoca a toques de clarim. Despertam coragem quando nas fronteiras se ouve o arrastar dos passos de legiões inimigas. Toda a França arregaça então as mangas, os pulmões se lhe dilatam, toma os instrumentos de trabalho para servir. E os povos jamais dão de si espetáculo mais belo do que nessas terríveis horas.

Ó jovens, também a Igreja faz soar melancolicamente o toque de alarme nas almas capazes de compreender. Tem causas a defender, e por elas que congregam os corajosos. Os covardes fogem; os tímidos fingem não compreender; os egoístas sorriem.

E vós? Tende a lealdade de escolher vossa classificação.

Antes disso, porém, ouvi-me.

Ou, sob o pretexto de reinar, nos recusamos a servir, e é então que nos aviltamos, por vezes ignobilmente, ou simplesmente, nobremente, sem discussões, nos oferecemos para servir, e é então que reinamos.

A Rainha das rainhas, por toda a eternidade, a Virgem Mãe, foi aqui na Terra a Serva das servas.

Servir, minhas jovens, eis aí o ideal. A Igreja vos pede que que sirvais.

(Jovens: Vocês e a vida - coleção moças, pelo Fr.M. A. Bellouard O.P. ; edições Caravela LTDA, 1950, continua com o post: Vocês e vossas responsabilidades: Sois guardiãs)

PS: Grifos meus

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

V- O ESBOÇO DE MARIA PELOS SANTOS PADRES

A BELEZA DE MARIA

III - PARTE


V- O ESBOÇO DE MARIA PELOS SANTOS PADRES

Não é de admirar, depois do que se acaba de dizer, que os santos padres, unânimemente, chamam a Santíssima Virgem:

-"A obra-prima da beleza, modelada pela mão do Onipotente, sobre um modelo divino".

- "Rosa primaveril de poderosa beleza".

- "O espelho da verdadeira beleza".

- "O ornamento da beleza em Si mesma".

- "A obra que é sobrepujada só por Aquele que a fez".

- "O corpo da bem-aventurada Virgem Maria, diz Santo Antoninho, era de uma perfeição absoluta e de uma forma irrepreensível".

- "Era dotada, diz São João Crisóstomo, de uma beleza que sobrepuja e que devia sobrepujar todos os atrativos deste mundo, pois que era destinada a ser morada dAquele que o mundo inteiro é indigno de conter".

- "Que mácula ou que imperfeição, diz São Pedro Damião, teria podido desfigurar um corpo que, como um outro céu, era destinado a ser o augusto santuário da infinita perfeição".

-"É em vão, acrescenta Gerson, que procuramos descrever a beleza da bem-aventurada Virgem: Ela reunia todas as belezas repartidas entre as criaturas e em um tal grau de perfeição, que, fora Deus, é impossível imaginar uma beleza mais deslumbrante".

- "E a razão disto é, diz Bossuet, que Deus, formando o corpo de Maria, teve diante do espírito o corpo do próprio Criador".

- "Pois, como deste corpo imaculado devia ser formado o corpo do Filho de Deus, convinha, disse Santo Antonino, que sobrepujasse em beleza ao de todas as outras mulheres".

- "Não se pode duvidar, disse Santo Alberto Magno, que do mesmo modo que o Salvador foi o mais belo entre os filhos dos homens, Maria também não foi excedida em beleza por nenhuma das filhas de Eva. Ela foi, pois, dotada de todas as graças naturais de que um corpo mortal é suscetível".

- "Tal é a perfeição que brilhava em Maria, disse São Boaventura, que é com justo merecimento que se Lhe aplicam estas palavras da Escritura:"nenhuma mulher Lhe é comparável em beleza, em graça e em sabedoria".

- "Jamais, acrescenta o doutor seráfico, jamais aparecerá neste mundo uma beleza semelhante".

- "Sois toda bela, exclama Santo Agostinho, Vossa beleza não conhece mancha, e Vossa glória é sem rival. Que digo? não brilhais somente acima de todas as mulheres da terra por Vosso encantos exteriores, mas, pela Vossa santidade, ultrapassais os próprios espíritos angélicos".

São Bernardo assim confirma os louvores dados pelos santos padres à bem-aventurada Virgem: "Maria era dotada de uma beleza sem igual, tanto corporal como espiritualmente; é, pois, com razão que São Jerônimo disse: "Considerai, atentamente, a santa Virgem, e vereis que não há absolutamente espécie alguma de graça cujo esplendor Ela não reflita".

- "Ornada com as pedras preciosas das virtudes, disse ainda São Bernardo, irradiando um duplo fulgor em Seu corpo e em Sua alma, a Filha dos reis atraia sobre si os olhares de toda corte celeste; e, por Seus divinos atrativos, encantava o coração do grande Rei".

- "Mas, a esta beleza exterior, que encanta e eleva os corações, quando Lhes é dado entrever a fugitiva visão, Maria unia incomensuráveis tesouros de graças e de virtudes.

A este respeito falamos bastante desenvolvidamente nos capítulos precedentes e é inútil repeti-lo: "Ela era cheia de graças, disse Santo Tomás... e Sua beleza corporal, por grande que fosse, era apenas um reflexo longínquo, um eco imperceptível da celestial beleza de Sua alma".

- "Ela era bela e perfeita segundo o corpo, disse Santo Antonino, mas Sua alma era ainda mais bela".

Para fazer compreender esta inefável união da beleza corporal, e do esplendor das mais sublimes virtudes, Gerson personifica estas últimas e lhes faz divinizar, de um certo modo, todas as faculdades da Virgem.

A modéstia dirige Seu olhar, a inocência se reflete em Sua fronte, a doçura expande-se por Seus lábios, o amor faz irradiar Seu coração, a pureza esparge em Seu corpo um irresistível atrativo de castas delícias...

Entretanto, são representações alegóricas, que não passam de um sumido eco da linguagem do homem e dos encantos de Maria, pois a beleza da Filha do Rei está sobretudo no interior.

(Nota de rodapé: Todas estas citações foram tiradas de : S. Andr. Cret. Serm. 3 de Dorm, Virg.; S. Bernardo; S. Ant.; B. Alb. Magn.; S. Jorge Nicomed.; S. Pedro. Dam.; Summa, p. 4. t. XV, c.2; S. Petr. Dam.; Trat: 3 Sup. Magn.; Bibli. Mariana Cant. num.2; Specul. B. Virg. Lect. 6; De Incarnat.; S.Bern. Serm. 2 de B.Virg.; Homil. 2 sup. Missis est.; Summa p. 45. n. 15)

Eis quem é Maria; ei-lA descrita divinamente, pelos padres e pelos santos: autoridades irrefragáveis, testemunhas que a fé aceita e que o amor saúda com respeito.

Ei-lA, como nosso coração procura representá-lA: criatura dotada de todas as ternuras e enriquecida de todas as magnificiências divinas.

Qual é a causa de tanta glória e de tanta beleza?...

Um só palavra resume a de Jesus e também resume a de Maria: "Ela era a Mãe de Jesus". É dEla e nEla que foi formada a suprema e inacessível beleza, um Deus à imagem do homem.

Não tenho mais que um brado em face de tais abismos, aquele que me ditaria meu coração, se a Igreja não o tivesse posto em meus lábios: É um êxtase de amor, é um suspiro de confiança, é, sobretudo, a prece de um coração extasiado:

Super omnes speciosa
Vale, o valde decora!
Et pro nobis Christum exora!

Salve, ó Virgem belíssima, acima de todas as criaturas a mais encantadora, rogai por nós a Jesus, Vosso Filho!

(Por que amo Maria, Tratado substancial e completo dos principais motivos de devoção para com a Virgem Maria segundo os Santos Padres, os Doutores e os Santos; pelo Pe. Júlio Maria, missionário de Nossa Senhora do SS. Sacramento; Editora Vozes, ano de 1945)

PS: Grifos meus.

AVE-MARIA

AVE MARIA


Credo in unum Deum

Credo in unum Deum


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Educação sobrenatural: XVI - Prudência

EDUCAÇÃO SOBRENATURAL

XVI PARTE - A VOCAÇÃO PARA A VIDA CRISTÃ NO MUNDO


II - PRUDÊNCIA

Qual a matéria sobre que pode e deve exercer-se a prudência dos pais?
Os pais devem tomar todas as precauções para assegurar a felicidade temporal e eterna de seus filhos. Estes, sem dúvida, são os primeiros interessados; mas são levianos, inexperientes, muito confiados, muito apaixonados; procedem por impressão e por sentimento, e não pela reflexão e juízo; têm muito "coração" e "razão escassa".

Pertence aos pais cristãos, sérios e educadores, suprir aquilo que lhes falta, examinando e resolvendo com prudência a questão: - da idade; da religião; da maneira de proceder; da saúde;- da seriedade de espírito; da coragem; da bondade; da fortuna; das relações.

Que se deve pensar com relação à idade em que convém casar seus filhos?
É preciso considerar:

- A idade da donzela;
- a idade do mancebo;
- a idade relativa do mancebo e da donzela.

Em que idade se devem casar as donzelas?
"A prudência, a razão, o próprio afeto que lhes deveis, o futuro dos novos filhos, impõe-vos o dever de não casar as vossas filhas muito cedo" (Mgr. Pichenot)

É preciso:

- Deixá-las fortalecer e crescer: as esposas muito jovens dão à luz filhos muito débeis e inspiram-lhes menos respeito.

- Obrigá-las a uma aprendizagem da vida da família e da vida doméstica: quando tiverem a idade legal, podem, sem perigo para elas, e sem dano para os outros, suportar os encargos e desempenhar os deveres do seu novo estado?

- Dar-lhes o tempo de se fortalecerem na prática dos deveres da vida cristã: muitas passam do colégio para o casamento; e, depois de talvez terem comungado todos os dias, chegam a nem ao menos cumprir o preceito pascal.

Em que idade de devem casar os filhos?
Não caseis os vossos filhos muito tarde, diz Mgr. Pichenot. "As delongas, sem um motivo sério, só podem ser prejudiciais aos jovens que se desejam casar e à própria união que desejam contrair".
(P. Hoppenot, catecismo do casamento, p. 145-146)

Como podem as delongas ser prejudiciais aos jovens que se desejam casar?
Porque os jovens estão na idade das paixões violentas, que fazem que a sua virtude corra o mais sério perigo. O remédio está no próprio casamento, um dos fins do qual, segundo o catecismo do Concílio de Trento, é apaziguar as revoltas da carne...

Que aconselha a prudência com relação à idade relativa dos jovens?
Duas coisas:

- Que haja uma certa diferença;
- que esta diferença não seja muito considerável.

Em que sentido é desejável que haja uma certa diferença entre os esposos?
"No sentido de que o marido deve ser ordinariamente um pouco mais idoso que a sua mulher: é o voto da natureza, a indicação da Providência".
(Mgr. Pichenot)

E porquê?

"Porque a mulher é mais precoce; e o homem, ordinariamente menos refletido, levado como é pelo fogo do seu temperamento e do seu caráter, tem necessidade de alguns anos mais para adquirir o peso, a maturação, a posição, a experiência necessárias ao chefe de família que quer compreender os seus deveres, como é preciso, e cumpri-los. Demais, o nível restabelece-se em pouco tempo; o homem conserva-se melhor que a mulher; a maternidade faz envelhecer, e ambos hão-de acabar por, bem depressa, ter, de fato, a mesma idade".
(Mgr. Pichenot)

Quais são os inconvenientes duma grande diferença de idade entre os esposos?
- A simpatia é necessariamente menor.

- A parte mais jovem abandona facilmente o lar.

- O esposo abandonado é presa dos golpes envenenados do mais torturante ciúme.

- Os filhos sofrerão, talvez toda a sua vida, por efeito desta desigualdade de idade entre o pai e a mãe.

- Correrão o perigo de ficar órfãos muito cedo.

Quais são as obrigações da prudência com relação à religião dos jovens esposos?
- É preciso proceder de maneira que se tornem impossível os casamentos entre pessoas de religiões diferentes;

- é preciso colocar a religião no primeiro plano das condições que se exigem para determinar a sua escolha.

Por que se devem rejeitar os casamentos entre católicos e hereges?
Porque a Igreja lhes causa horror a ponto de considerar a heresia um impedimento do matrimônio.

Donde provém este horror?
Do perigo da perversão a que estão expostos o cônjuge católico e seus filhos.

"É necessário a abstenção de semelhantes matrimônios, sobretudo pela razão de fornecerem ensejo de o cônjuge católico se encontrar numa sociedade e de participar de práticas religiosas proibidas; são também uma causa de perigo para a religião do esposo que for católico; são um obstáculo à boa educação dos filhos, e levam muitas vezes os espíritos a considerar todas as religiões como iguais, sem fazerem distinção alguma entre a verdade e o erro".
(Leão XIII Encíclica, Arcanum)

Que se deve pensar das dispensas que a Igreja concede algumas vezes?
Deve-se pensar que a Igreja só concede estas dispensas com dificuldade, e por graves razões, com o fim de evitar um mal maior. Mas a Igreja priva os casamantos assim contraídos das bênçãos solenes, que se compraz em lançar sobre os seus verdadeiros filhos, mostrando por isso a tristeza ea inquietação que lhe causam estas uniões, tão prejudicias à fé.

Por que deve a religião ocupar o primeiro lugar das exigências formuladas pelos pais, quando se trata de escolher um companheiro ou uma companheira para seus filhos?
1º- "Porque, para os cristãos, o casamento não é somente uma união de vidas, mas a fusão das almas, fusão que não pode ser real e completa, se não houver a comunicação da religião"; (P. Hoppenot)

- porque, sendo o matrimônio um sacramento dos vivos, seria um sacrifício recebê-lo sem ser em estado de graça, e, por conseqüência, sinceramente religioso;

- porque um jovem ou uma donzela que amam como se devem amar, isto é, que tanto cumprem preceitos religiosos como os deveres mundanos, nunca poderão consentir na ligação de sua vida à duma criatura sem religião, em estado perpétuo de condenação às penas eternas; por conseguinte, só desposarão um cristão praticante.

Que incoveniente haveria em desprezar esta recomendação?

"Há de temer que o homem sem religião diminua, pouco a pouco, a religião da sua companheira e acabe até por extingui-la. Far-lhe-á primeiramente abandonar as práticas de devoção e de conveniência; depois, os deveres essenciais; a seguir os princípios, os sacramentos, o Decálogo, a Igreja, Jesus Cristo, o próprio Deus. Em poucos anos, a piedade da esposa torna-se frouxa, a sua fé abala-se, desconcerta-se, as suas recordações da educação cristã esfriam e desaparecem, a sua consciência parece um farrapo. Um belo dia, a mulher encontra-se ao nível do homem. Ei-los semelhantes um o outro, sem práticas, sem crenças, sem esperanças, como dois astros extintos, como dois anjos fulminados".
(Mgr. Gibier, A desorganização da família, p. 136)

- Se é a mulher que não tem religião:

- O marido bom cristão não pode ser feliz;
- demais, está constantemente em perigo de perder a fé;
- o marido que, de fato, não é cristão, nunca o chegará a ser;
- "a mulher lançará uma nódoa no nome do seu marido, e tornará o seu interior suspeito e infeliz" (Mgr. Pichenot);
- a mulher nunca poderá educar cristãmente os seus filhos.

Liga-se, geralmente, bastante importância a esta questão de religião?
Não cremos.

E fazemos votos porque todos os noivos possam repetir com sinceridade as palavras do duque Luís da Turíngia, o feliz esposo de Santa Isabel da Hungria:

"Eu quero possuir a minha Isabel. Pela sua virtude e piedade, quero-lhe mais que a todas as terras e a todas as riquezas do mundo". (Montalembert, Santa Isabel da Hungria, cap. V)

Que é preciso exigir em relação à maneira de proceder?

"O homem que, na sua primeira juventude, cometeu algumas fraquezas, poderá, pelo menos se estiver seriamente convertido, desempenhar fielmente os seus deveres de pai e de esposo. Mas, se se mostrou francamente libertino, evitai consentir em tal casamento; há imensas probanilidades de que um jovem, por tanto tempo e fundamentalmente imerso no vício, recaia, mais dia menos dia, nos seus desregramentos".
(Charruaum Às mães, p. 233-234)

"Com respeito a uma donzela, deve
-se ser mais severo. Na grande maioria dos casos, não podeis confiar nela se, na sua juventude, as suas relações mesmo superficiais não foram de todo irrepreensíveis. Para cometer estas faltas, ela devia ter violado o pudor natural do seu sexo. Estas fraquezas indicam uma tendência bem acentuada para o mal. Há a recear novas recaídas".
(Charruaum Às mães, p. 233-234)

Deve fazer-se grande caso da saúde?
"Sem dúvida nenhuma, pois que a saúde é um fator necessário na criação duma família (P.Hoppenot). Há jovens que nunca deveriam casar e que fazem necessariamente do seu diadema nupcial uma mortalha; jovens que encontram o seu ataúde no berço do primeiro recém-nascido. Há jovens que só transmitem a vida entregando-se à morte, e cujos filhos expiarão a sua imprudência, para não dizer outra coisa".
(Mgr. Pichenot)

Há muito tempo que o Espirito Santo disse:

"Um corpo cheio de vigor vale mais que os maiores rendimentos. Não; não há riqueza possível ao tesouro duma boa saúde". (Ecli. XXX, 15,16)

É preciso também fazer caso da ciência?
É o P.Hoppenot que nos vai responder:

"Da ciência religiosa necessária à salvação, sim; e também das ciências profanas necessárias ao marido no seu mister ou profissão. Na escolha que fizer, nada melhor que o homem ligar-se a uma mulher cultivada, capaz de o seguir e de o compreender, se, deixando, por um instante, a vulgaridade da vida, sentir prazer em aportar às regiões do espírito e do gosto; mas que o homem se defenda da mulher sábia.

Que esqueça que a sua tarefa é estar em sua casa, e que é duma sopa bem feita que se vive e não duma bela linguagem".

Quanto a diplomas, dois são indispensáveis à jovem esposa na sua casa:

Diploma elementar: diploma de amabilidade.
Diploma superior: diploma de dedicação.

Não haverá nada melhor que a ciência e o espírito?
- O senso firme e reto: "Uma mulher sensata edifica a sua casa, e uma mulher insensata destrói-a por suas próprias mãos", dizem os Provérbios (XIV, 1);

- a serenidade de espírito.

"Os pais que pensam  em casar uma filha, desejam ordinariamente encontrar um genro sério. Mas, se se trata de casar um filho, a seriedade do espírito não passa, muitas vezes, a seus olhos, duma qualidade meramente acessória para a donzela que deve ser a sua companheira. 'A minha nora é uma tontinha que só pensa em divertir-se, dizia um dia uma dama, que tinha por toda a parte a reputação de pessoa sensata; mas, acrescentava ela, é encantadora, e, além disso, a seriedade de meu filho vale pela dos dois; de resto é preciso que a mulher o desemburre um pouco e que não se demore nesse trabalho".
(Charruau, Às mães, p. 28)

Que tristeza.

Que se deve exigir em relação à coragem?
- Os pais que querem seriamente a felicidade de suas filhas, nunca devem aceitar para genro um homem, sem posição, sem carreira sem uma ocupação certa...

- Não devem escolher de maneira nenhuma uma nora que não tenha o amor do trabalho e do trabalho manual.

"Se eu quisesse mal a um jovem, e se a vingança fosse permitida, desejar-lhe-ia para esposa uma ledora de romances". (Mgr. Pichenot)

É permitido procurar a beleza?
"Com certeza, responde o Catecismo do Concílio de Trento. Jacob, na Escritura, não é censurado por ter preferido Raquel a Lia, por causa da sua beleza. Mas com uma condição: Que esta beleza não seja uma máscara enganadora, mas sim o reflexo duma alma virtuosa". (P.Hoppenot)

As pessoas sérias desconfiam sempre um pouco:

"Não quereris, dizia-nos um dia um jovem de muito senso, desposar uma jovem cuja beleza desse que falar. Julgar-me-ão, talvez, original; mas tenho esta convicção muito arraigada". Não tinha razão? (Charruau, Às mães, p. 241. O Talmude conta que duas vezes por ano as jovens filhas de Jerusalém, vestidas de branco, iam dançar nas vinhas, dizendo: Vede rapazes, e tratai de escolher bem; não vos prendais com a beleza, mas consultai antes a família, porque a graça é enganadora e a beleza é vã. A mulher que teme a Deus é que será louvada).

Que se deve pensar da fortuna?
- É permitido desejar um dote suficiente, que permita sustentar a posição de cada um e educar, sem grandes dificuldade, um grande número de filhos;

- mas fazer da fortuna a questão principal, à qual se subordinem todas as outras é, ao mesmo tempo, insensato e anti cristão.

"A menina X é amável e boa; havia de dar uma excelente mulher; agradar-me muito, mas não tem nada! É impossível pensar nisso.


Não gosto desta menina; se não fosse tão rica, não pensaria nela um instante... Mas que dote! que esplêndido dote! É caso para pensar: Nunca poderia esperar um tão belo partido. Seria, na verdade um grande estúpido se não aproveitasse esta ocasião!... Decididamente aceito!"
(Charruau, Às mães, p. 240-241)

É este, na verdade, um raciocínio sem razão, mas está na moda. Não é uma companheira que se procura, é um dote; e crê-se, de boa mente, ser-se muito sensato quanto tão loucamente se procede (Charruau, Às mães, p. 240-241).

- Que os pais se não esqueçam nunca do velho provérbio: "Mais vale fama que riqueza". E que o jovem se persuada de "que a fortuna da mulher não substituirá nunca no lar a afeição verdadeira e desinteressada". (P. Hoppenot)

Que se deve pensar das relações que precedem o casamento?
- São necessárias.

Como no casamento não há noviciado, diz São Frncisco de Sales, quero que haja, ao menos, um apostolado; porque não admito que se case primeiramente e que se ame depois, se for possível.

É preciso então que os jovens saibam previamente se são feitos um para o outro, se se podem compreender e amar. Daí, a necessidade das entrevistas.

- São perigosas.

Quanto mais puros são os jovens, mais expostos então a ser arrastados pela violência das suas afeições nascentes. E, depois, o casamento poderá não se fazer: é preciso então que o rompimento não se torne impossível, se for julgado necessário.

Por conseqüência, as entrevistas serão pouco frequentes, cheias de reserva, sempre na presença e sob a vigilância duma mãe. Enfim, quando o casamento estiver decidido, que se faça o mais depressa possível.

(Catecismo da educação, pelo Abade René de Bethléem, continua com o post: III - O desinteresse)

PS: Grifos meus.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Oração pelo clero

Oração pelo clero


Deixai, ó Jesus, que em Vosso Coração Eucarístico,
depositemos nossas mais ardentes preces
pelo nosso Clero e sede propício nos nossos pedidos.

Multiplicai as vocações sacerdotais em nossa Pátria; atraí ao Vosso altar os filhos do nosso Brasil; chamai-os com instância ao Vosso Ministério. Conservai, na perfeita fidelidade ao Vosso serviço, aqueles a quem já chamaste: afervorai-os, purificai-os, santificai-os, não permitindo que se afastem do espírito da Vossa Igreja.

Não consistais, ó Jesus, nós Vos suplicamos, que debaixo do céu brasileiro sejam por mãos indignas profanados os Vossos mistérios de amor. Também Vos pedimos com instância: deixai que a misericórdia de Vosso Coração vença a Vossa Justiça divina por aqueles que se recusaram à honra da vocação sacerdotal ou desertaram das fileiras sagradas.

Atendei, ó Jesus, a esta insistente oração,
vo-lO pedimos por Vossa Mãe,
Maria Santíssima, Rainha dos Sacerdotes.

Ó Maria, a Vosso Coração confiamos o nosso Clero;
guiai-o, guardai-o, protegei-o, salvai-o.

(100 dias de indulgência aos que recitarem esta oração,
antes ou depois da comunhão sacramental ou espiritual - Rio 27-X-1922)

Coração Eucarístico de Jesus, modelo do Coração Sacerdotal,
tende piedade de nós.

(300 dias de indulgência. - Pio X)

J. S. Bach - Andante 2

J. S. BACH
ANDANTE 2


Mortificación del amor propio

Mortificación del amor propio


Tratado de la vida espiritual
San Vicente Ferrer

Prepárate, además, para sufrir, por el nombre de Cristo, todos los oprobios, todas las cosas ásperas y adversidades. Todo deseo o pensamiento que te sugiera cualquier apetito de grandeza, bajo cualquier pretexto, mortifícalo en su mismo principio y nacimiento, como a cabeza del dragón infernal, con el cauterio que es el báculo de la Cruz, trayendo a tu memoria la humildad y la durísima pasión de Cristo, el cual, huyendo de quienes le querían hacer rey (17), abrazó voluntariamente la Cruz, menospreciando toda ignominia (18). Huye con horror de toda humana alabanza, como de un mortífero veneno y gózate en tu desprecio, considérate de veras y de corazón como quien merece ser despreciado por todos.

"Contempla continuamente tus defectos y pecados, agravándolos cuanto puedas. Los defectos de los demás, échalos a la espalda, como si no los vieras y, si los ves, procura disminuirlos y excusarlos, compadeciéndote y ayudando a quienes los tienen, en lo que puedas. Aparta los ojos de tu mente y los de tu cuerpo de la conducta de los demás, a fin de que puedas verte a ti mismo a la luz del rostro de Dios. Examínate continuamente a ti mismo y júzgate siempre sin disimulo. En todas tus obras, en todas tus palabras, en todos tus pensamientos, en toda lectura, repréndete a ti mismo y busca encontrar siempre en ti materia de compunción, pensando que el bien que haces no está perfectamente hecho, ni con el fervor que debería hacerse; más bien, manchado con muchas negligencias, de manera que con razón todas tus obras buenas deben ser comparadas con un paño inmundo(19)". (20)

Repréndete, pues, continuamente a ti mismo. Y no permitas pasar por alto en ti, sin severa corrección, no solo las negligencias en palabras y obras, sino también en los mismos pensamientos, y no digo solo los malos sino también los inútiles, reprendiéndote gravemente a toda hora en presencia de tu Dios, clamando por los pecados cometidos y considerándote delante de Dios más vil y miserable por tus pecados que cualquier otro pecador por cualquier otro pecado, y digno de ser castigado y excluido de los gozos celestiales, si Dios obrara contigo según su justicia y no según su misericordia, habiéndote regalado con tantas gracias, sobre muchos otros, a las que tu  has correspondido con ingratitud.

"Considera también diligentemente y medita con mucha frecuencia con vivo sentimiento de temor, que toda aptitud para el bien y toda gracia, así como toda solicitud para adquirir las virtudes, no lo tienes por ti mismo sino que te lo dio Cristo por su sola misericordia y, si quisiera, lo podría dar a cualquier renegado, dejándote a ti abandonado en el fango cenagoso y en el lago de la miseria (21). Piensa, además, y procura convencerte, persuadiéndote en lo posible a ti mismo, que no hay ningún renegado, o cualquier pecador, que no hubiese servido mejor a su Dios que tú, y que no hubiese reconocido mejor los beneficios de Dios que tú, si hubiera recibido las gracias que tu has recibido, por su sola gratuita bondad divina y no por tus propios méritos. Por lo cual, puedes juzgarte a ti mismo, sin engaño, como el más vil y bajo de todos los hombres y temer con fundamento que por tu ingratitud, Cristo te eche fuera de su presencia" (22).

Sin embargo no te digo que por esto has de pensar que estás fuera de la gracia de Dios, ni que estés en pecado mortal, aunque otros pecadores tengan innumerables pecados mortales. Lo cual está oculto para nosotros, no tanto porque el juicio humano es engañoso sino por la súbita contrición y la previa infusión de la gracia divina.

Cuando humillándote a ti mismo te comparas con los demás pecadores, no conviene que desciendas en especial a sus pecados en detalle, sino solamente en general, comparando sus pecados con tu ingratitud. Por lo demás, si quieres considerar sus pecados en especial, "puedes transformarlos por semejanza en los tuyos, increpándote en tu conciencia: Aquel es homicida, y yo, miserable, ¡cuantas veces he matado mi alma! Aquel es fornicario y adúltero, y yo ¡todo el día estoy fornicando y adulterando, apartando mis ojos de mi Dios y entregándome a las sugestiones diabólicas!. Y así en lo demás" (23).

Pero si notas que el diablo te quiere inducir por tales reprensiones a la desesperación, entonces deja tales reprensiones y ábrete a la esperanza, considerando la bondad y clemencia de tu Dios, que con tantos beneficios te ha prevenido, sin dudar de que quiere perfeccionar en ti su obra ya comenzada (24). De ordinario no hay que temer esta desesperación en el hombre espiritual, que ha experimentado cierto conocimiento de Dios. Por tanto, hay que cuidar y vigilar con todo interés esta increpación. Porque podría suceder, y sucede muchas veces, en el principiante esta situación, especialmente en aquel al que Dios ha librado de muchos males en los que estaba envuelto.

17 Cf. Jn., 6, 15.
18 Cf. Hb., 12, 2.
19 Is., 64, 5.
20 LODULFO DE SAJONIA, Vita Christi, I, c. 16.
21 Sal., 39, 3.
22 LODULFO DE SAJONIA, Vita Christi, I, c. 16.
23 LODULFO DE SAJONIA, Vita Christi, I, c. 16.
24 Cf. Flp., 1, 6.