quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O salmo das novas mães

O SALMO DAS NOVAS MÃES


Certa mãe ainda nova – toda ela dada ao seu mister de mãe, e ao mesmo tempo boa artista, teve a idéia de comparar a sua missão com a de “suas irmãs do claustro”. Entre a barrela, a panela e o seu último berço, tentou ela compor “O salmo das novas mães”. Publicou-o um número das revistas do “Mariage chrétien” (Novembro de 1938).

Muito amor, muito frescor. Qualquer mãe se verá aí retratada.
Eis algumas passagens:

“Ó meu Deus, como nossas irmãs do claustro,
Nós deixamos tudo por Vós,
Não encarceramos dentro da alvura duma touca e sob um véu, a juventude do nosso rosto,
E, se acaso cortamos os cabelos, não foi em espírito de penitência...
Dignai-Vos, contudo, Senhor, lançar um olhar de complacência
Sobre os humildes e pequeninos sacrifícios
Que Vos oferecemos no longo decorrer do dia,
Desde que a nossa carne lamuriante deu a vida a todos estes cristãos pequeninos
Que para Vós educamos.

A nossa liberdade, ó meu Deus, está nas mãos desses tiranos que a toda a hora gritam por nós:
A casa torna-se o nosso claustro.
A nossa vida tem sua regra, imutável,
E cada dia o seu ofício, sempre o mesmo:
A hora das toilettes e dos passeios,
A hora dos biberões e as horas de aula.
Presas assim às mil pequeninas exigências da vida,
Desprendidas, à força, a todo o instante da nossa vontade própria,
Vivemos na obediência.
Nem sequer a nossa noite nos pertence.

Também nós temos o nosso ofício noturno,
Quando temos de nos levantar depressa, depressa, para um filho doente,
Ou quando, entre meia-noite e duas horas,
Em pleno sono, de que tanta necessidade temos,
Um chantrezinho intempestivo
Canta Matinas...

Vivemos quase retiradas do mundo:
Há tanto que fazer em casa.
Nada de saídas, aliás, sem que junto das crianças fique postada uma guarda fiel.
E medimos parcimoniosamente o tempo das visitas.
Não temos, ó meu Deus, irmãs conversas.
E quando em casa a crise do serviço nos afoga,
Temos de varrer, de lavar a louça, de raspar as cenouras para a panela, fazer um purê bem polidinho e desembaraçar-nos sem demora,
Entre o quarto das crianças e a cozinha.

Fazemos grandes barrelas, esfregamos e lavamos
Aventais e camisas, meias e camisolas,
E a roupa das crianças.
Por este caminho de sacrifício, ah! Vinde em nosso auxílio, Jesus!

(Cristo no lar, meditações para pessoas casadas, por Raúl Plus, S.J, tradução de Pe. José Oliveira Dias, S.J. ; 2ª Edição, Livraria Apostolado da Imprensa, 1947, com imprimatur)

Obras de misericórdia

OBRAS DE MISERICÓRDIA

OBRAS CORPORAIS

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EXPLICAÇÃO DA GRAVURA


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OBRAS ESPIRITUAIS

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EXPLICAÇÃO DA GRAVURA


Nasce o Menino Deus

NASCE O MENINO DEUS


"Ele sai como feixe de luz, como uma réstia de sol:
Sua Mãe pasma de O ver aparecer de repente"
(Bossuet)

Os santos esposos permaneceram em Belém por algum tempo e residiam ainda naquela gruta dos arredores da cidade de Davi, quando se completaram os dias de Maria...

Enquanto a cidade dormia, esquecida das labutas diárias, veio ao mundo Aquele por quem foram feitas todas as coisas. O Deus infinito das alturas aniquilou-Se, tornou-Se homem no seio da Virgem, para nos salvar da culpa... Quis ser nosso irmão, revestir-Se de nossa carne, sofrer as nossas dores, vestir as nossas misérias, para que por Ele aprendêssemos a conquistar o Céu e divinizássemos o nosso corpo pela pureza de vida, à Sua imitação.

Jesus escolheu por berço a manjedoura, por teto a gruta, abrigo de animais, bem longe dos palácios reais e das ricas moradas dos grandes senhores.

Em verdade o Rei dos reis em simplicidade e pobreza rivalizou com os mais pobres da terra.

Não teve onde recostar a cabeça. Sim. Mas se Lhe faltou o delicado berço do filho dos homens, teve por Mãe a mais pura das virgens.

Na silente noite de Natal nasceu Jesus de uma Virgem.

Eis como ocorreu o fato:

José saíra à cata de agasalho para o divino Infante. Nossa Senhora preparou algumas faixas, ajeitou um pouco de palha, entrou em êxtase de recolhimento e amor e, de repente, radiante de felicidade apertou nos braços o Menino. Era o Filho de Maria!... Deixou o seio materno sem macular a virginal morada. Veio como os raios de sol que atravessam o cristal, fazendo transparecer-lhe a limpidez suave; veio como a luz que alumia e atravessa o tranqüilo seio das águas da cristalina fonte. O Filho não À maculou, mas antes, Jesus dignificou-A, elevando-A à mais alta das dignidades que pode imaginar-se: Fê-la Rainha dos anjos e dos homens, protótipo imaculado das virgens e primoroso modelo das mães.

E o Evangelista registrou singelamente o maior dentre os fastos da História da Humanidade.

"Aquele que foi concebido do Espírito Santo... nasceu da Virgem Maria... e o Verbo se fez carne e habitou entre nós".

Os maiores gênios da oratória assim como os maravilhosos cultores das letras de todas as idades nada mais disseram. Emudeceram ante a grandiosidade do acontecimento.

Bossuet, o admirável orador francês que possuía o dom e a inspiração dos gigantes, contentou-se apenas com estas palavras: "Ele sai como feixe de luz, como uma réstia de sol: Sua Mãe pasma de O ver aparecer de repente".

Maria estreitou-O nos braços, apertou-O aos seios e dos olhos brotaram-Lhe duas pérolas: Eram lágrimas de comoção.

Depois, tomando o recém-nascido, veste-O com roupinhas que Sua delicada mão fizera no sossego de Nazaré.

Assim, veio ao mundo o Salvador.

(Maria, a flor entre os espinhos, por Ângelo Antônio Dallegrave, 2ª Edição, Editora Paulinas, ano de 1958, com imprimatur)

PS: Grifos meus.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A EDUCAÇÃO SOBRENATURAL

A EDUCAÇÃO SOBRENATURAL
 

XIV - A EXTENSÃO DA VIDA SOBRENATURAL

Qual é a divisão deste capítulo?
- A vocação em geral (art. I);
- a vocação religiosa e sacerdotal (art. II);
- a vocação para a vida cristã no mundo (art. III).

Artigo I - A vocação em geral
"Ninguém escapa à sua vocação. Está em nós desde o instante em que, pelo nosso primeiro grito, à entrada no mundo, dizemos: Presente!"
(Heeri Lavedan, Bom ano, mau ano, 7ª série, p. 278)

Que é a vocação?
A vocação é o chamamento de Deus.
Este chamamento é multiforme:

- Como cristãos, somos todos chamados à perfeição e à salvação neste mundo e à felicidade eterna no outro: é a vocação geral.

- Como homens e como cristãos, para nos ajudarmos a atingir o fim natural e o fim sobrenatural da existência, somos chamados a esta ou àquela função especial, a uma ou outra situação, a um certo gênero de vida: é a vocação particular. Não nos ocupamos aqui senão desta última.

Quais são os princípios que esclarecem a questão?
- Deus é autor da sociedade.
"Formou-a de condições variadas, de estados diferentes, cuja reunião compôs um todo harmonioso, que corresponde às necessidades de todos e de cada um."
(Mgr.Pichenot, ob. cit., p. 331)
- Deus, que nada faz inútil, que não se arreda no caminho, destina e chama os homens a ocupar os diversos estados, cujo conjunto constitui a sociedade e é necessário ao seu bom funcionamento.

- Deus, que proporciona os meios ao fim, distribui os Seus dons segundo o destino de cada um.
"Reparte os talentos, os atrativos, as qualidades próprias ao estado que nos destina. Prepara-nos também as graças, as luzes, os socorros próprios deste estado para nos fazer vencer as dificuldades, evitar os perigos e cumprir todos os deveres."
(Mgr. Pichenot, ob. cit., p. 331)

Qual é a conseqüência prática que deriva destes princípios?
É que é da primeira e máxima importância abraçar o estado a que somos chamados:
"Porque é aí, e ai somente, que os nossos gostos serão satisfeitos, os nossos meios utilizados, as nossas aptidões exercidas com proveito; e temos a certeza de encontrar todos os recursos que nos serão necessários."
(Pichenot, ob. cit., p. 331)
Quais são os meios a tomar para cada um chegar a conhecer a sua vocação?
Há três principais:

- Recorrer a Deus pela oração.

Foi Deus que escolheu o estado que devemos abraçar; é Ele só que no-lo pode fazer conhecer; daí a obrigação de O consultarmos. É preciso orar com retidão, com docilidade, com recolhimento.

2º- Dirigir-se àqueles que estão no lugar de Deus, quer dizer, primeiramente aos pais; em geral, ninguém se deve afastar da sua maneira de ver; depois ao diretor, que tem a graça de estado para explicar e resolver o problema, com a condição de lhe ser exposto singelamente em todos os seus aspectos.

3º- Estudar-se e consultar-se a si mesmo. Deus, que proporciona os meios ao fim, estabeleceu uma harmonia entre o destino, duma parte, e os gostos, as aptidões e o caráter, de outra parte. Pertence ao homem pesar todas estas coisas, estudando-se e consultando-se a si mesmo, á luz da razão e da fé.

Quantas espécies há de vocações?
Há duas espécies principais de vocação: a vocação que consagra a vida ao serviço de Deus; e a vocação para a vida cristã no mundo.

A vocação para o serviço de Deus é susceptível de três formas:

- A vocação religiosa acrescida da vocação para o estado eclesiástico: é a dos religiosos padres.

- A vocação religiosa sem a vocação para o estado eclesiástico: é a das religiosas e a dos religiosos não padres.

- A vocação para o estado eclesiástico sem a vocação religiosa: é a do clero secular.

A vocação para a vida cristã no mundo considera ordinariamente como normal o casamento e a escolha dum emprego, duma situação, duma profissão manual ou liberal.

Artigo II - A vocação religiosa e sacerdotal 
"Se a graça duma vocação sacerdotal bafejar o vosso filho, se a graça da vocação religiosa bafejar a vossa filha... deixai soprar a graça, e, como Maria, humilde escrava, dizei o Ângelus da submissão".
(E. Julien, Do berço à escola, p.105)

Como devem encarar os pais a vocação religiosa e sacerdotal?
1º- Devem considerá-la como uma honra.
Com efeito, a Igreja sempre tem preferido a virgindade cristã ou o celibato religioso ao casamento.
"Se alguém sustentar que o estado de matrimônio deve ser preferido ao estado da virgindade ou do celibato, e que não é melhor nem mais santo permanecer no estado de virgindade ou do celibato do que entrar no estado do matrimônio: seja anátema".
(Concílio de Trento, Sess. XXIV, can. 10)

- Devem considerá-la como uma graça ou, antes, como uma série ininterrupta de graças maravilhosas, que se atraem umas às outras, pelo jogo sobrenatural dos votos formulados, e pela fecundidade das funções cumpridas. Uma mãe de família, uma verdadeira cristã, escrevia há pouco tempo, falando de sua filha, que partia para o noviciado:
"Quando considero a delicadeza do seu coração, a elevação da sua alma, e tantas qualidades admiráveis com que Deus a enriqueceu, sinto que me seria bem duro entregar a um homem semelhante tesouro. Jesus Cristo será o seu esposo: eu O bendigo". 
Eis aí a linguagem da fé.

3º- Devem considerá-la uma fonte de graça para eles mesmos. Deus, com efeito, nunca Se deixa vencer em generosidade; e a esse pai e a essa mãe, que lhe sacrificaram o que tinham de mais caro, Ele reserva favores escolhidos, cujos benefícios sentem durante a vida e, sobretudo à hora da morte.

Entre todas as graças, a mais preciosa, a mais desejável é, evidentemente, a graça duma boa morte.
"É um fato comprovado pela experiência: os pais que oferecem generosamente os seus filhos para o serviço de Deus, têm, geralmente, uma morte santa. É esta a regra geral é, que eu saiba, não apresenta exceções".
(Charruau, Às mães, p. 269 e 364) 
O pai e a mãe têm o direito de impedir os seus filhos de seguirem a sua vocação?
Não, mil vezes não.

Efetivamente, as crianças pertencem a Deus antes de pertencerem a seus pais; e seria uma verdadeira usurpação, cometida em prejuízo dos direitos do Criador, oporem-se ao chamamento divino.

E, se Jesus, na idade de doze anos, faz chorar de inquietação a mais santa de todas as mães, quando Lhe teria sido tão fácil adverti-lA dos Seus desígnios,
"foi para dar a vosso filho a coragem de vos ver chorar, e a vós, sua mãe, a de oferecê-lo generosamente".
(Charruau, Às mães, p. 269 e 364)

Os pais têm o direito de experimentar a vocação de seus filhos?
Sim, os pais têm o direito de experimentar a vocação de seus filhos, para saber se verdadeiramente vem de Deus, porque, até nisto, pode haver engano.

Que qualidades deve ter esta prova para ser legítima?
1º- Deve ser sincera.
2º- Deve ser esclarecida.

Que se deve entender por estas palavras: A prova deve ser sincera?
Deve entender-se que a prova não deve servir de pretexto a nenhuma tentativa de aniquilamento da vocação.

Têm-se visto pais que, sob o pretexto de examinar a vocação de seus filhos, contrariam a piedade e suprimem os melhores exercícios. Outros pedem conselhos, até que hajam obtido uma aprovação do seu olhar interesseiro. Outros impelem-nos para os prazeres e para as distrações do mundo. Outros, enfim, o que é raro, levam-nos pelos caminhos do vício.

São manobras desleais e criminosas.

Que significa estas palavras: A prova deve ser esclarecida?
Estas palavras significam que os pais, que usam do direito de experimentar a vocação de seus filhos, não devem deixar-se influenciar pelas fórmulas especiosas que infiltrem no seu espírito, nem pelos temores quiméricos que atormentem o seu coração.

Quais são as fórmulas especiosas cuja aplicação poderia prejudicar a prova da vocação?
Há quatro principais:

- Se a vocação é sincera, resistirá a tudo;
- a criança é vítima duma ilusão: os pais devem defendê-la de si mesma;
3º- o meu filho, a minha filha faziam bem melhor, se ficassem no mundo;
- eu admitiria uma Ordem ativa; mas uma Ordem contemplativa!... Pra quê?

Que responder à fórmula: "Se a vocação é sincera, resistirá a tudo"?
O seguinte:
"Que diríes do pai de família que fizesse este raciocínio: Mandei deitar o meu filho num quarto muito úmido. É verdade que, passado algum tempo, tossia um pouco. A princípio, isso inquietou-me; mas consultei um médico muito afamado, que me disse que não havia nisso perigo algum. Se seu filho tiver um peito robusto, disse-me ele, não há nada a temer da umidade; se esse jovem perdesse o vigor nesse quarto doentio, é porque a sua constituição deixaria muito a desejar. Aqui não há meio termo; e procederá prudentemente, obrigando-o a dormir nesta espécie de cave. A unidade é justamente a pedra de toque das constituições fortes e sólidas. Após esta experiência, saberá o que tem a fazer."
(Charruau, p. 274)
É luminoso, convincente, peremptório.

Que responder à fórmula: "A criança é vítima duma ilusão"?
Isto diz-se quando um jovem ou uma donzela pedem para entrar num noviciado onde poderão, durante um não, dezoito meses, ou dois anos, estudar de novo, em plena liberdade, uma vocação já provada.

E, quando se trata de casamento, deixa-se, sem escrúpulos, prender por toda a vida uma menina de dezoito anos, que se fia na palavra dum jovem, que ela apenas conhece há dois meses!

Onde está a precipitação?
E quem está em risco de ser vítima de ilusões?

Que responder à fórmula: "O meu filho e a minha filha farão maior soma de bem no mundo; são precisos bons pais e boas mães de família; e depois há tantas obras a sustentar, tantos apostolados a exercer... etc."?
A questão está mal posta.

Não se trata dum bem problemático que se possa fazer aqui ou acolá. Trata-se da vontade de Deus. Qual é a vontade de Deus? Eis a questão. E não é lógico sofismá-la.

Que responder à fórmula: "Admitia uma Ordem ativa, mas uma Ordem contemplativa!... Pra quê"?
Sem querer examinar largamente a questão da excelência relativa das diferentes Ordens religiosas, notemos somente alguns elementos para responder:

1º- Na narração de São Lucas (Cf. Luc. X, 38-42), de que a Igreja tirou o Evangelho para a Missa da Assunção, Marta é a vida ativa; Maria é a vida contemplativa. E Nosso Senhor diz: Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada.

2º- Tem-se dito: Santa Teresa salvou tantas almas, orando e sacrificando-se no seu mosteiro, como São Francisco Xavier, evangelizando reinos inteiros.

- A Santíssima Virgem, silenciosa e meditativa em Nazaré, foi, por isso, inútil à salvação dos homens? Os trinta anos de vida oculta de Nosso Senhor terão menos valor, para a redenção do mundo, do que os três anos da vida pública?

Quais são os temores quiméricos que assustam o coração de certos pais, perante a vocação religiosa de seus filhos?

- A desonra da família;
2º- a infelicidade do filho;
- o esquecimento a que o eleito de Deus votará seus pais.

A família pode, seriamente, considerar como uma desonra dar um dos seus membros ao serviço imediato e pessoal de Deus?
Seriamente, mão; mas há meios de tal modo infectados pelo espírito do mundo, que neles parece considerar-se como uma desonra o que é sobrenaturalmente uma glória, e como uma humilhação o que, cristãmente falando, é um prestígio e uma dignidade.

Em que é quimérico o temor da infelicidade da criança consagrada ao serviço de Deus?
Em que este temor não tem nenhum fundamento. Nada iguala, pelo contrário, a graça que Deus concede àqueles em que Ele desperta uma verdadeira vocação religiosa; é a felicidade na terra para obter a felicidade no céu.

E São Paulo, inspirado por Deus, diz claramente: "Se casardes a vossa filha, fareis bem; mas se a não casardes, fareis muito melhor". (I Cor., VII, 88)

Que vale o temor que têm certos pais de se verem esquecidos pelo eleito de Deus? 
"É uma calúnia absurda acusar a vida religiosa de egoísmo. Ela não destrói o coração: pelo contrário dilata-o, eleva-o, purifica-o; e em lugar dum amor natural e terrestre, que se ama a si mesmo, enche-o dum amor todo espiritual e todo divino que só ama a Deus e a salvação das almas. A vossa filha pedirá por vós, será o anjo da guarda da família, o pára-raios da casa paterna. Não, não é verdade que a graça destrua a natureza, e que a castidade enfraqueça a sensibilidade: ela consagra-a e eterniza-a. Quantas piedosas afeições, desenvolvidas ou mesmo nascidas à sombra dos claustros, e que o lar doméstico não conhece!

Recordai-vos da Mãe de Chantal, a jovem baronesa de Thorens. Recordai-vos de Santa Paula, acompanhando o ataúde da filha, chorando copiosamente. Julgavam que morreria, e o velho São Jerônimo não sabia o que fazer para a consolar. Nunca uma mulher pagã chorou tanto os seus filhos, diziam os pagãos."
(Mgr. Pichenot)
(Catecismo da educação pelo Abade René de Bethléem, Livraria Figueirinhas, Porto, continua com o post: A vocação para a vida cristã no mundo)

PS: Grifos meus.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Uma imagem diz tudo

Uma imagem diz tudo

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Oração para se livrar do inferno

Ó Senhora minha amabilíssima, eu Vos dou graças por me haverdes livrado do inferno tantas vezes, quantas por meus pecados o ei merecido. Infeliz de mim! houve tempo em que me achava condenado a ser eternamente detido naquele horrível cárcere, e talvez que a sentença se houvesse executado logo depois do primeiro pecado, se Vós, por Vossa piedade me não tivésseis socorrido.

Sem que eu Vos invocasse, e só movida da Vossa bondade, detivestes o braço da justiça divina: e logo, triunfando da dureza do meu coração, me levastes a pôr em Vós toda a minha confiança. E depois, quantos delitos não teria eu cometido, nos perigos em que me tenho encontrado, se Vós, ó Mãe amorosissíma, me não houvésseis preservado, alcançando-me a divina graça?

Continuai, Senhora, velando por mim, para que não venha a cair no inferno.

De que me serviriam os favores que me tendes feito, e a Vossa misericórdia, se me chegasse a condenar?

Ah! Senhora, se algum dia Vos não tenho amado, agora quero amar-Vos, depois de Deus, sobre todas as coisas. Não permitais que torne a voltar as costas, nem a Vós nem a Deus que por Vossa intercessão tem comigo usado de tanta misericórdia.

Não permitais, Senhora, que eu tenha a desgraça de Vos aborrecer e amaldiçoar para sempre no inferno. Podereis Vós consentir em ver condenar um servo Vosso, que Vos ama, e deseja amar-Vos sempre, ó Maria? Que me dizeis? Condenar-me-ei, Senhora?

Ah! certamente me condenarei, se Vos abandonar. Quem poderá, porém, abandonar-Vos, quem poderá esquecer-se do amor com que nos tendes tratado? ó minha Mãe! Já que tanto tendes feito por me salvar, acabai a Vossa obra, continuai a assistir-me e a proteger-me.

E não querereis continuar a fazê-lo? Mas que digo, Senhora? Se, quando eu vivia esquecido de Vós, me haveis favorecido tanto, quanto não devo esperar agora que Vos amo e me entrego todo a Vós?

Só perece quem deixa de Vos invocar; não me abandoneis a mim mesmo, ó minha Mãe, porque isso seria perder-me; fazei antes que sempre a Vós recorra. Salvai-me, ó esperança minha, salvai-me do inferno; livrai-me, porém, antes do pecado que é a única coisa que lá me pode conduzir. Assim seja.

* reza-se em seguida Três Ave-Marias.

(A Sagrada Família, por um padre redentorista, 1910, versão do Espanhol por Manuel Moreira Aranha Furtado de Mendonça, Cônego honorário da Sé de Lamego, 3ª Edição, com Breve de Sua Santidade Leão XIII)

O dom da força

O DOM DA FORÇA


Dominus refugiam nostrum et virtus (Sl. 45,2).
O Senhor é nosso  refúgio e nossa força.

Pelo dom de conselho, a alma está unida de algum modo à Inteligência e Deus, consulta-O a cada passo, e nada faz sem Seu conselho.

Pelo dom da piedade, está unida ao Seu coração de Pai, participa da bondade, do amor que espalha sobre toda criatura.

Pelo dom da força, está associada ao poder de Deus. Em nenhuma parte vê-se melhor como o homem, entregue unicamente à virtude de força, não é ainda senão fraqueza.

Antes da descida do Espírito Santo, os apóstolos, ainda que instruídos e educado durante três anos pelo próprio Jesus, fugiram terrificados à aproximação de seus inimigos.

Depois de Pentecostes, ao contrário, deixaram-se flagelar, lançar na prisão e matar.

É próprio do dom da força tornar a alma capaz de empreender e realizar com êxito as mais difíceis ações. É assim que simples mulheres, sem instrução, sem prestígio e sem meios humanos, têm, à voz de Jesus, executando obras consideráveis, fundando novas Ordens, operando reformas importantes, assistindo com seus conselhos os próprios soberanos pontífices e afrontando todas as oposições com uma coragem sobre-humana.

Ainda em nossos dias, surgem por toda parte boas obras concebidas e sustentadas quase sempre por almas desprovidas de talentos, de renome e de fortuna, porém ricas dos dons do Espírito Santo.

O dom da força dá ainda a necessária energia para afrontar todos os perigos, mesmo as doenças contagiosas e a morte, a fim de salvar almas.

É este espetáculo e coragem heróica que dão, todos os dias e em todos os países, os missionários católicos, os religiosos e religiosas que deixam pátria e família, sacrificam mocidade, saúde e futuro, e vão despertar sua existência em converter os pagãos, em tratar os leprosos, os cancerosos e os mais repugnantes doentes.

É ainda este dom que comunica a paciência de sofrer toda espécie de vexames e de perseguições. O Espírito Santo dotou de uma força surpreendente os cristãos perseguidos e martirizados durante os três primeiros séculos da era cristã e, mais tarde, em todas as épocas da história da Igreja, e, em nosso dias, no católicos México, onde velhos, mulheres e crianças deram ao mundo o espetáculo de uma paciência heróica nas torturas e na morte. Verdadeiramente o braço de Deus não está mais curto!

É o dom da força que faz as almas, que têm a nostalgia do céu, suportarem o tédio e o desgosto da vida presente sobre esta terra de iniquidades, onde o mal parece sempre triunfante, onde um punhado de ímpios conseguem conservar sob o jugo da opressão milhões de consciências, onde a virtude é ridicularizada e desprezada, onde o Salvador Jesus, o Rei dos reis, é vilipendiado por indignas criaturas.

É Ele que dá a coragem de carregar pacientemente as inumeráveis cruzes de nossa peregrinação terrestre.

Ao lado dos fracos cristãos que não compreendem nada da ação de Deus, que levam seu jugo murmurando ou revoltando-se, quantas boas almas, aceitando, com heroísmo e em segredo, as dores, as doenças, as contradições, as calúnias e os infortúnios, repetem como Job: Deus deu, Deus tomou, que Seu santo nome seja bendito: Dominus dedit, Dominus, abstulit... sit nomem Domini benedictum (Job. 1,21).

E donde pode vir ao homem, durante sua peregrinação terrestre, a coragem necessária para sustentar a luta contra as incessantes solicitações de sua natureza corrompida, as seduções do século e as perseguições do inferno, senão daquele que respondia a S.Paulo implorando a terminação desta luta: ufficit tibi gratia mea, nam virtus in infirmatate perficitur ( Cor. 12,9): Basta-te Minha graça, porque Minha força manifesta-se em tua fraqueza.

E donde vem esta constância em levar uma vida de renúncia conforme as máximas do Evangelho, num meio saturado de princípios mundanos que contradizem insolentemente, até nos claustros, os ensinamentos de Jesus Cristo? Para enfrentar esta oposição, muitas vezes aberta, contra a alma piedosa no meio do mundo, querendo dar-se a Deus e desprezar as sugestões do respeito humano, para seguir uma estrada larga, é necessário uma força e uma constância que só o divino Espírito pode comunicar à alma.

É, sobretudo, em face da morte e das circunstâncias que a podem acompanhar, que Deus reveste as almas, que lhe pertencem, de Sua força divina.

Nesse momento desaparece todo apoio humano interior e exterior. A alma encontra-se completamente em face da eternidade, do julgamento que a deve preceder, e do último momento da vida, o mais decisivo de todos.

Mas Deus é fiel. Se foi a força da alma humilde e confiante em todo o decurso da vida, é sobretudo no fim que faz sentir o poder de Seu braço.

Sustenta-a nas enfermidades e nas dores, defendendo-a contra as insidias e as tentações de Satanás, comunica-lhe uma confiança inabalável na Sua bondade, ensina-lhe a esquecer-se de si própria e de suas dores e seus temores para se unir a Jesus sobre o Calvário, para oferecer, por intermédio da divina Mãe, sua pobre vida humana ao Pai eterno em união com o sacrifício de Jesus na Cruz.

Mas para viver assim, guiada durante toda a existência e em todas as circunstâncias da vida e no momento da morte, pela força de Deus, é necessário que a alma seja bem pequena e bastante humilde, consciente de sua infinita indigência.

O Espírito Santo não guia aqueles que se crêem grandes e forte, a esses os deixa caminharem sós. Estão expostos a se extraviar, a cair e perder a coragem para se levantar.

Ó Virgem Maria, ajudai-nos a compreender vosso cântico inspirado.

Respexit humilitatem ancillae suae (Lc. 1,49). Ele olhou a humildade de sua serva.

Fecit mihi magna qui potens est (Lc. 1,19). Fez em mim grandes coisas o que é poderoso.

Dispersit superbos mente cordis sui. Deposuit potentes de sede et exaltavit humiles (Lc. 1,51-52). Dispersou os soberbos de espírito. Depôs de seu trono os poderosos e exaltou os humildes.

Ó humilde Virgem, ó Maria bendita, tornai-nos semelhantes a Vós.

(Almas confiantes pelo Pe. José Schrijvers, C.SS.R.; trduzido do francês por Heris de Oliveira Lima, III Edição, editora Vozes, ano de 1955)

PS: Grifos meus.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Deus carregado de ferros

Deus carregado de ferros



"Pensas Vós, ó formosura sem igual, que eu Vos amo pelas recompensas do Vosso Reino, pelas palmas, pelas coroas ou pelas maravilhas e delícias do Vosso prometido céu? Não; eu Vos amo porque foste sempre uma Vítima, porque sofreste todas as dores e passaste por todas as humilhações.

Sim, ó Deus carregado de ferros, ó Deus arrastado ao suplício por cruéis algozes, eu Vos amo, porque Vos vi obrigado a exclamar: Meu Pai, porque me abandonastes!

Eu Vos mais pela Vossa agonia, por Vossa morte, que pela Vossa ressurreição, pois, tenho cá para mim que, ressuscitado, atravessando glorioso o azul dos espaços, tendo o universo humilde aos Vossos pés, tenho para mim, digo, que, neste estado, a Vossa serva não Vos faz falta!

Meus olhos devoram a Cruz do Vosso martírio, porque esse corpo, respirando amor, por quantas feridas Lhe abriram, me ilumina, enquanto a minha cela, aqui jaz em uma escuridão sepulcral. Eu e Vós, Senhor e mais minguém... Aqui estou prostrada de joelhos a Vossos pés, em silêncio, e o meu corpo todo estremece, à vista dos tormentos do Vosso; os espinhos de Vossa fronte cravam-se-me na testa; os cravos de Vossas mãos rasgam as minhas; a chaga do Vosso lado faz sangrar o meu coração. E, embora sentindo que não sou mais do que pó, aqui me confundo com meu Deus e, nessa Cruz, conVosco me sinto crucificada!..."
(Santa Teresa de Ávila, citado por J.Nysten no livro: Quando eu for moça..., Centro da Boa Imprensa, Porto Alegre 1925, com imprimatur)

A beleza da vocação

A BELEZA DA VOCAÇÃO


Quem, senão Deus, terá comunicado a essas almas ardentes a sede insaciável de amor e ternura que as devora e nunca se vê farta neste mundo? Fugiram do mundo e asseveram que encontravam a paz e a alegria, no sacrifício; guardaram o coração para Aquele que não muda e não engana, aos que O servem; encontraram consolações tais, que valem bem o preço que deram por elas, alegrias que não vão isentas de nuvens, porque, então, não teriam merecimento, mas, cujo perfume, atravessa esta vida e dura até á sepultura.

Não penseis que nos esqueceram a nós, que as amamos tanto e somos por elas correspondidos. Oh, não! Conosco repartiram as angústias do sacrifício da separação; o desprendimento, porém, não é a insensibilidade e, uma religião que conseguisse secar o coração humano, não seria religião, seria uma tirania, uma impostura. O coração tornar-se-lhes mais afetuoso, sempre ocupado com aqueles que ama, à medida que mais se aproxima  do Coração de Jesus.

Será isto um sonho? uma página romântica? a história de um passado que não volta? Não; é de todos os dias.

Essa cena eu a contemplei um dia, com os olhos rasos de lágrimas pelas angústias paternas. Quantos, como eu, viram consternados a última aparição de uma filha ou de uma irmã querida!

Sim, cada dia, milhares de criaturas, ternamente amadas, saem dos castelos como das choupanas, dos palácios com das oficinas, para oferecerem a Deus sua vida... É a flor do gênero humano aljofrada ainda com as gotas do rocio que não refletiu senão os raios do sol nascente e que o pé da terra ainda não embaciou.

Em todas essas nobres donzelas desposadas com Deus, aparece alguma coisa de intrépido que está acima de seu sexo. É condão da vida religiosa, essas transformação da natureza humana que dá à alma o que lhe faltaria na vida ordinária; ela inspira à donzela um não sei que de viril que a subtrai a todas as fraquezas da natureza... que faz dela, no momento preciso, uma heroína... mas uma heroína terna, meiga e compassiva, surgindo do abismo da humildade, da obediência e da caridade, para atingir tudo quanto há de grande na coragem humana.

Em uma bela manhã, uma filha estremecida, levanta-se e vai dizer a seu pai e a sua mãe: Adeus, acabou tudo, vou morrer para vós, para todos... Não serei esposa nem mãe, já não pertenço a ninguém mais, senão a Deus...

Nada a detém; ei-la com um sorriso angélico, já adornada para o sacrifício; ufana de seu sorridente e último enxoval, marcha para o altar, ou melhor, corre para ele, como o soldado ao assalto, para inclinar a cabeça sob esse véu que será um jugo para o resto de sua vida e que deve ser também a coroa de sua eternidade...

Mas, quem é, pois, esse amante invisível, imolado há dezoito séculos em um madeiro, que assim atrai para Si a mocidade e a beleza... que se descobre às almas com um esplendor e atrativo a que elas não sabem resistir... Será por ventura um homem? Não; é um Deus. Eis aí o segredo, a chave desse sublime e doloroso mistério. Só um Deus pode alcançar tais triunfos e inspirar tais sacrifícios. Jesus, cuja divindade é todos os dias insultada, prova-a todos os dias (entre mil outras provas) por esses milagres de desinteresse e de coragem que se chamam vocações. Corações jovens e inocentes dão-se a Ele, para O recompensar do dom que Ele nos fez de Si mesmo..., e o sacrifício que as crucifica não é senão a resposta do amor humano ao amor de um Deus que Se fez crucificar por nós.

(Montalembert, citado por J.Nysten no livro: Quando eu for moça..., Centro da Boa Imprensa, Porto Alegre 1925, com imprimatur)

***

O ADEUS DA VIRGEM

Colhi nas silvas lá no Calvário
Os atavios do meu noivado
E meu esposo, no santuário,
Será o Mártir crucificado.

As minhas jóias, irmã querida,
Todas são vossas, ficai com elas,
E sede ao noivo consolo e vida,
Que eu tenho jóias muito mais belas.

O lar da infância não se reparta,
Tereis colméias, messe, pomar
E mãe e filhos, deixai que eu parta,
Deixai que o Mestre corra a buscar.

A primavera ri pelos prados,
Abrindo em flores plainos alpestres,
Vós dois, juntinhos, pelos cercados,
Ireis cheirando rosas silvestres.

O Esposo prados maravilhosos
Dai-me, esmaltados todos de flores,
São estes leitos, onde, aos leprosos
Curando as chagas, mitigo dores.

Vêm seus sorrisos abençoados
Dos orfãozinhos trazer o olhar,
Na voz de todos os desgraçados,
Cheios de prantos, sinto-o falar.

Nos dos mendigos, já moribundos,
Finais suspiros, queixas de dor,
Meu doce esposo dono dos mundos,
Por mim suspira, cheio de amor.

De outras venturas, Cristo, preserva
Quem só deseja Vos acompanhar,
Que o céu desvendes à Vossa serva,
Depois que O possa, feliz pagar.

Ó Rei das dores, para sofrer,
Aos dos humanos falsos caminhos,
Ó Rei das dores, para morrer,
Os Vossos prefiro, cheios de espinhos.

Irmãs queridas, mãe adorada,
Não sou ingrata, por vos deixar,
À vossa vida vivo ligada,
Porém vos deixo por vos amar.

Não por ingrata, porquanto, assim,
Se Deus vos guarda pena ou castigo,
A maior parte quero pra mim,
Quinhão mais amplo levo comigo.

Um bem só causa contentamento,
Quando aos ditames da dor sujeito,
Pois, conquistá-lo com sofrimento,
É conquistá-lo puro e perfeito.

Cá, em obscuros claustros, sofremos
Virgens, as lutas que combateis;
Para que outros vivam, morremos,
Para que puras vos conserveis.

(Vitor Laparte - Tradução livre de H. de Casais - citado por J.Nysten no livro: Quando eu for moça..., Centro da Boa Imprensa,
Porto Alegre 1925, com imprimatur)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O alicerce do cristão

Excertos da carta 232 - Para Sano de Maco
(Santa Catarina de Sena)


O alicerce do cristão

2. O alicerce é Cristo crucificado

Assim dizia o apaixonado Paulo: "Ninguém pode com segurança construir sobre outro alicerce, senão na rocha viva que é Cristo crucificado, pois Deus não nos concedeu outro alicerce" (cf. I Cor. 3,11). Realmente, caríssimo irmão e filho no Cristo Jesus, parece-me que essa é a verdade, pois quando a alma está fundamentada em Cristo, vento algum de soberba ou vanglória a poderá derrubar. A pessoa está sustentada por uma profunda humildade, que faz ver Deus humilhado para a salvação do homem. Assim também a torrente da avareza, e dos prazeres mundanos e carnais, não consegue prejudicar a alma. É que a pessoa repousa firme nessa rocha, sem nenhuma incerteza das consolações corporais, mas cheia da firmeza das dores e sofrimentos. Dessa maneira a alma apaixonada por Cristo somente quer sofrer ofensas, caçoadas, fome e sede, calor (e frio), injúrias e difamações, e finalmente dar a vida alegremente por amor de Cristo. Aliás, a pessoa sente que cresce (na perfeição), quando sofre desprezo e caçoadas por parte do mundo, no amor de Jesus Cristo. Isso lemos na vida dos santos apóstolos, que se mostraram felizes quando começaram a ser desprezados pelo nome de Jesus. (cf. At. 4,1)

(Cartas completas de Santa Catarina de Sena, editora Paulus)

VII- PRINCÍPIOS DESTE AMOR

A BELEZA DE MARIA
II PARTE


VII- PRINCÍPIOS DESTE AMOR

Maria amada de Deus! Maria radiante de toda a expansão, de toda a união e de toda a ternura que um Deus tem à Sua Mãe!

Deus irradia em Maria, tal o sol brilha no límpido cristal de um mostruário; assim também Maria resplandece nas almas daqueles que Deus Lhe deu como filhos. Contemplemos um instante os irradiações de amor do coração de Maria para com todos os homens.

Vejamos os princípios deste amor, que não deixarão de excitar-nos a uma confiança ilimitada e a um amor recíproco para com a doce e amantíssima "arrebatadora dos corações".

"O primeiro princípio deste amor é a Sua união à divindade".

Antes mesmo da encarnação, a Sua alma imaculada unia-se tão perfeitamente ao nosso Pai celeste, que identificava-se a Sua vontade com a vontade divina e o Seu amor com o amor de Deus.

"Por que é que amamos tão pouco? por que é que o nosso amor é tantas vezes lânguido e mesquinho? - Porque penetramos apenas de um todo superficial e intermitente nos desígnios de Deus e no Seu amor. Há almas que nunca  saem de si mesmas, e por isso para com elas permanece triste e desolado o horizonte de seu amor. Para outras, dotadas de um coração melhor e mais generoso alarga-se o horizonte e elas amam com maior dedicação".
(Ch. Sauvé: O culto do coração de Maria)

 
Mas, onde se encontrará um coração que saiba dilatar-se a ponto de amar  todos os homens e de amá-los com um amor que não conhece nem ingratidão, desfalecimento ou sombra?

Este coração único é o coração de um Deus. E é este coração que resplandece em uma pessoa divina, Jesus Cristo, e por Ele em uma pessoa humana, Maria Santíssima.

Oh! como o mundo se sente bem no coração da Virgem Santa! Deus Lhe comunicou sem medida o Seu próprio amor para conosco. Ele amou tanto ao mundo, que lhe deu o Seu Filho unigênito.

Pela salvação do mundo Maria deu este mesmo Filho que é o Seu Juiz; nEle o Pai pôs todas as Suas complacências, e, entretanto, Ele o sacrifica por nosso amor.

Que haverá de mais revelador do amor de Deus para com os homens?

E as complacências de Maria para com este Filho muito amado imitam e retraçam as complacências do Pai; e, entretanto, Ela o dá como Vítima ao mundo.

Como trabalham e operam juntamente para os homens o amor paternal do Pai e o amor maternal de Maria!

Quem, pois, avaliará a fusão do amor do Pai com o amor da Virgem? Sua vigilância e solicitude, e a vigilância e a solicitude de Maria para cada alma?

Satã, o grande inimigo do gênero humano, encontrará uma criatura que, por falta  de amor à imensa posteridade que dela deveria nascer, levou-o à perdição total, arrastando ao pecado o pai do gênero humano.

Deus, nosso grande amigo, encontrou em Maria uma criatura capaz de compreender o Seu imenso amor. Compreendeu-o Maria. Por isso, participou de todos os mistérios de Seu Filho. (Cfr. Ch.Sauvé: op. cit.)

"O segundo principio do amor de Maria para conosco é a Sua união à humanidade do Filho, que A incluiu em todas as Suas disposições, em todo o Seu amor para com os homens".

Que mundo inesgotável de maravilhas não foi constituído por esta reciprocidade silenciosa e tão amante  entre o Coração de Jesus e o coração de Maria; e isto durante os anos de Sua vida em Nazaré, durante a vida pública, dolorosa e gloriosa do Redentor!

Que irradiação entre estes dois corações!... Como se irradiam, se penetram e se unificam no amor!...

Mas esta correspondência de amor não se limita somente a Jesus e a Maria!

Estes dois amores se encontram em nós ao mesmo tempo que estão neles.

Jesus ama a Maria com um amor soberano: Ela é a Sua muito amada por excelência; mas além de Sua Eva imaculada e santíssima, Jesus tem amor a todas as almas  que deverão nascer do Seu sacrifício. Para Maria, Jesus é o bem amado por excelência, o único que ama e adora com tudo o que é.

Mas, com Ele e nEle, Ela ama a todas as almas, a quem dá o ver, ouvir e viver.

Se algumas vezes dizemos que Maria ama exclusivamente a Jesus, queremos somente com isto significar que, amando-O profunda e integralmente, ama pelo mesmo fato tudo o que é por Ele amado.

Sobretudo Maria ama a Jesus em Seu corpo místico, e uma por uma destas almas pelas quais o Redentor quer morrer, é amada por Maria, com o mesmo amor com que Jesus a ama.

Entre estes dois corações há como que um fusão de amor, não só para se amarem um o outro, mas para juntamente e com um mesmo amor amarem a todos os homens.

Ele é universal e abrange a humanidade inteira.

Dar-lhe-á Jesus o último traço, tornando-o um amor todo pessoal.

Primeiramente, este amor abrasará a São João, e por ele estender-se-á a cada um de nós, para tornar-se verdadeira e perfeitamente maternal.

"O terceiro princípio deste amor é a palavra onipotente do Salvador que a constituiu nossa mãe, e por este fato colocou em Seu coração o amor mais puro, mais forte e mais intenso que jamais houve".

Pois, por meio desta palavra verdadeiramente criadora, o Salvador, e certo modo, desviou para nós o amor de Sua Mãe.

E quando foi que se deu isto?...

- No alto da Cruz...

Pela contemplação das dores, da caridade de Seu Filho e da ingratidão dos homens, o amor de Maria se eleva ao mais alto grau de Seu poder.

Sem a reserva que Lhe impõe a vontade de Deus, vãos seriam os esforços dos homens para impedi-lA de arremessar-se sobre a Cruz, prender-Se ternamente a Jesus crucificado e imolar-Se em companhia do Homem-Deus, cujo coração e cuja imensa caridade mais do que nunca Ela conhecia, assim como era conhecedora do mérito que se adquire amando-O.

Ora, neste momento, o coração de Maria, enternecido, atormentado, abrasado de amor, não sabe senão amar.

É neste momento que a Sua alma é como que presa das mais doces emoções, das mais ternas afeições, dos mais violentos transportes.

É neste momento que Jesus A surpreende, alcança-A, e A detém, obrigando-A a desviar para nós este sentimento de ternura imensa, de amor veemente, de que Ela é abrasada por Ele, dizendo-Lhe:

"Eis aí o vosso filho", o que é a mesma coisa como se Ele tivesse dito: Esse sentimento de amor, tão vivo, tão profundo, tão violento, que vos abrasa inteiramente, deveis dirigi-lo para a Minha Igreja e para Meus filhos que aqui estão representados por São João. Cedo-lhes o Meu lugar e quero que os guardeis como a Mim o fizestes, vosso Filho único e verdadeiro".

Depois disso, quem compreenderá a ânsia, a ternura, a veemência e os transportes deste amor que brotaram do Coração de Jesus neste momento em que o Homem-Deus ia morrer por nós?...

Quem nos dirá as maternais solicitudes de Maria, o zelo ardente que ela nutre por nossa salvação, a felicidade que Ela frui ao ver-nos fervorosos e piedosos?...

Meditemos às vezes estes três princípios tão sólidos e tão excitantes ao amor.

A união de Maria à divindade - e à humanidade de Jesus - e a Sua união ao sacrifício do Redentor - que a estabeleceu Mãe dos homens e Mãe por amor!

(Por que amo Maria, Tratado substancial e completo dos principais motivos de devoção para com a Virgem Maria segundo os Santos Padres, os Doutores e os Santos; pelo Pe. Júlio Maria, missionário de Nossa Senhora do SS. Sacramento; Editora Vozes, ano de 1945)

PS: Grifos meus.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Proveito que os pais podem tirar da boa educação que houverem dado a seus filhos

Proveito que os pais podem tirar
da boa educação que houverem dado a seus filhos


Educando bem os filhos, os pais reparam o passado e preparam o próprio futuro.

- Reparam o passado:

Mães cristãs lembrai-vos do que fostes outrora, do que vistes e ouvistes em tal ou qual sociedade, daquilo que foi para vós um tropeço, um perigo, uma queda talvez! A vossa imaginação enchia-se de perigosas representações e o vosso coração acabou pendendo para o mal, para o pecado. Há muito, estou certo, já vos penitenciastes, mas tereis deveras satisfeito à justiça divina que ofendestes e quiçá gravemente?

Pois bem, reparai o vosso passado, velando por vossas filhas para que elas não vejam nem ouçam em casa ou alhures o que vos fez mal, nada enfim que lhes possa roubar aquela simplicidade encantadora ou manchar-lhes a imaginação e a alma. Bem diz um poeta que o coração virgem é um recipiente profundo e quando a primeira água que se lhe deita é suja, sobre ele passará um mar inteiro sem lhe levar as impurezas, porque o abismo é imenso e o mal está no fundo.

- Na boa educação que deram aos filhos encontrarão os pais grandes consolações, no futuro.

"A velhice é geralmente uma segunda infância; nessa idade o auxílio dos filhos é tão necessário, como foram aos filhos na infância, os cuidados dos pais. O corpo vai dia a dia perdendo suas forças e a alma, com todas as faculdades, acompanha-lhe a decadência. Torna-se rebelde a memória e o passado não deixa vestígios; o homem cai em tal estado de debilidade que se torna uma carga para si e para os demais. É então para os filhos um dever sagrado virem em auxílio dos pais débeis e enfermos, dedicando-lhes os mais afetuosos cuidados.

Mas, ai! Esse pobre velho não poderá contar com tais sentimentos por parte do filho, se não tiver feito dele mais que um perdulário; essa pobre mãe, vergada ao peso dos anos, não encontrará tal felicidade, porque acostumou a filha a todas as vaidades de um luxo sem freio e sem medida, e um e outro não terão com que valer-lhes em suas necessidades mais urgentes. Não parece até que a justiça divina começa já neste mundo a castigar-lhes o criminoso desleixo? Não parece que os próprios filhos se encarregam de vingar nos pais a má educação que eles lhes deram?

Vós, ao contrário, que soubestes ser pais às deveras, vós que vos esforçastes por cumprir escrupulosamente as obrigações da paternidade, encarai o futuro e a velhice tranquilamente; quando ela vos bater às portas com toda a sua sobrecarga de misérias, quando as forças vos abandonarem e o corpo se vos curvar para a terra, não vos faltará um filho ou uma filha ou ambos ao mesmo tempo para vos estenderem as mãos, prontos a vos socorrerem, a vos suavizarem as misérias próprias dessa idade, com suas meigas carícias.

Oh! Saberão antever as vossas necessidades, contentes de vos poderem ajudar a levar o fardo pesado dos anos. Ah! Como vos felicitareis então pela boa educação que lhes houverdes dado; como bendireis os trabalhos que passastes no cumprimento desse dever, quando contemplardes em vossos filhos verdadeiros anjos de dedicação”.

Estas consolações suavizar-lhe-ão os últimos dias da vida.

Com que confiança, ó mães, vos apresentareis ao tribunal do Juiz Supremo, se lhes puderdes dizer: cumpri, nos meus filhos, a missão que me confiastes; sempre os considerei como propriedade Vossa entregue à minha guarda. As lições que lhes implantei na alma germinaram e eu tive a felicidade de lhes contemplar os preciosos frutos; a virtude é o mais belo ornato e foi este o tesouro que lhe ensinei a defender e guardar ciosamente para o dia do juízo. Pais, fiéis à missão que vos confiei, dirá o Supremo Juiz, entrai e alegrar-vos no Meu reino, onde as coroas da imortalidade aguardam vossos filhos! Que triunfo para os pais!”
Pais cristãos, considerando ainda que de leve, as grandes vantagens que podereis colher da boa educação dos vossos filhos, não vos resolvereis de vez a fazer dela questão capital? E vós, mães de família, que na educação tendes a maior e mais delicada parte, será possível que falteis ao vosso principal encargo, por criminoso descuido, por indiferença ou imperdoável desleixo?

Um sábio historiador descreveu, com mão de mestre, as angústias de uma mãe infeliz, cuja alma se lhe dilacerava ao pensar nos perigos que corria o filho distante. Foi talvez a frase mais dolorosa do martírio de Maria Antonieta, rainha da França e vítima da revolução francesa, atirada a um calabouço, à espera do suplício na guilhotina, que lhe levara o marido. Saber que seu filho estava doente e não poder cuidar dele; sabê-lo infeliz e não poder consolá-lo; saber que corria perigo e não poder valer-lhe; sentir que aquele inocente definhava e não poder voar para junto dele! Haverá, por ventura, suplício que se compare ao de uma mãe, nestas tristíssimas conjecturas? A todo o momento se lhe afigurava que lhe arrancavam o filho, à viva força; imaginava que lh’o iam envenenar e ela não podia defendê-lo! Ai, dizia ela à sua irmã, os meus pressentimentos não me enganam; eu bem sei que ele sofre que está sendo maltratado, cem léguas distante de mim; o coração bem m’o está dizendo. Há dois dias que sofro, tremo e agonizo; é que estou sentindo caírem-me na alma as lágrimas de meu pobre filho. Não encontro alívio, não ouso mais rezar!

Depois, caindo em si, e arrependida das últimas palavras, prosseguia juntando as mãos: Perdão, meu Deus, e tu também, minha irmã, perdoa-me. Creio em Vós, ó meu Deus, como em mim mesma, mas sofro horrivelmente e tenho vivo o pressentimento de que uma nova desgraça me espera. Meu filho, meu filho! Sinto que me dilaceram o coração com o que lhe fazem sofrer!

Jovens e donzelas que acabais de ler estas linhas, se ainda tendes mãe, cercai-a de todas as atenções e de todo o respeito de que é capaz o coração de um filho. Se a não tendes mais, não esqueçais nunca o que ela fez e sofreu por vós!

Na minha insignificância, diz um autor francês cuja fé naufragou, consolo-me, porque ainda tenho uma mãe. Sabeis o que significa ter uma mãe? Pensai no que quer dizer uma criança pobre, débil, nua, faminta, desvalida, sozinha no mundo e lembrai-vos de que tendes ao lado caminhando quando andais, parando quando parais, sorrindo quando chorais, uma mulher... Mas não, não é uma mulher; é um anjo que ali está a contemplar-vos, a ensinar-vos a amar, a balbuciar as primeiras palavras, e aquecer-vos as mães entre as suas, o corpo em seu regaço e a alma em seu coração; que vos amamentava quando pequenos e quando grandes vos dava pão e sempre vos dava a vida, a quem chamais mãe e ela vos chama ‘meu filho’, com tal acento de ternura que o próprio Deus se compraz”.
(As desavenças no lar, causas e remédios, por J.Nysten, Centro da Boa Imprensa, Porto Alegre, 1927, com imprimatur)

PS: Grifos meus.
Ver também: Efeitos de uma boa educação

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Menino Deus

GOZOS
CHORO


Oh! vinde, pastorinhos,
O Rei vinde adorar,
Que lá dos céus à terra
Acaba de baixar.

Vede, em rústico teto
Que se veio abrigar;
Tem por berço um presépe,
Por templo e por altar;
E em leito de palhinhas,
Seu corpinho repousar
Aquele, que astros mil
A Seus pés vê brilhar.

Vede esse astro formoso,
Que O veio anunciar
Aos magos do Oriente,
Pra que o fossem buscar,
E ante o Rei de Judá
Humildes se prostrar,
D'insenso, ouro e mirra
Trino dom Lhe ofertar.

Sem ricas oferendas
Não temas lá chegar,
Que é grato o Deus menino,
A quem fé Lhe prestar;
Até do campo as florinhas
Têm por certo agradar
A Quem com seu sorriso
As faz desabrochar.

A Mãe nos ternos braços
O está a acalentar,
E quer adormecê-lO
Com Seu doce cantar,
E um Anjo Lhe responde
Em tom d'acompanhar,
Honra a Deus nas alturas
"Paz veio aos homens dar".

Vede esbelto mancebo
Humilde ajoelhar,
Que as águas do Jordão
Fora puras libar;
E Jesus que o contempla
Com meigo doce olhar:
E um alvo cordeirinho
Ali perto a balar...

Coração, alma e vida
Lhe vamos ofertar;
Que o Deus, pobre e menino
Quer-nos, meigo, abraçar;
E Seus bracinhos ergue,
Como pra nos chamar;
Vinde, vinde, repete
Com terno bracejar.

Oração jaculatória. - Jesus, Maria e José, iluminai-nos, socorrei-nos e salvai-nos. Amém.
(200 dias de indulgência, uma vez cada dia)

Obséquio. - Por amor da Sagrada Família fazei todas as obras deste dia com a pura intenção de agradar a Deus, procurando dirigi-las sempre do mesmo modo.

Oração

Perdoai-me, ó dulcíssimo Jesus meu, por amor de Maria e de José, e concedei-me a graça de Vos ver um dia no céu, de lá Vos amar, e louvar a Vossa bondade inefável, que Vos levou a fazer-Vos menino por nosso amor. Eu Vos amo, ó bondade infinita, ó meu Jesus e meu Deus, meu amor e meu tudo.

E Vós, ó Maria, Mãe de Deus e minha Mãe, encomendai-me ao Vosso divino Filho, e alcançai-me d'Ele o perdão dos pecados que tenho cometido, e a graça de não tornar a pecar.

Ó meu amado Patriarca, pela amargura que sentiste ao ver o divino Verbo nascido num estábulo, em meio de tanta pobreza, sem berço nem abrigo, e ao ouvi-lO chorar de frio, suplico-Vos que me obtenhais uma verdadeira dor dos meus pecados, que foram a causa das lágrimas de Jesus; e, pelo gozo que tiveste ao contemplar a Jesus menino no presépio, tão belo e encantador, que vosso peito desde então, se sentiu inflamado no mais ardente amor para com um Deus, tão amante, e tão digno de ser amado, alcançai-me também a graça de O amar na terra com amor intenso e de possui-lO no céu eternamente.

EXEMPLO

Havia um piedoso comerciante que tinha uma grande devoção à Sagrada Família. Todos os anos em dia de Natal, assentava três pobres à sua mesa, um senhor, uma mulher e um menino, e servia-os como se houvera recebido a Jesus, Maria e José pessoalmente. Este procedimento foi-lhe largamente recompensado. Depois da morte o caritativo comerciante apareceu a algumas pessoas que rogavam a Deus por ele, agradeceu-lhes a sua caridade, e disse-lhes, que Jesus, Maria e José nos últimos momentos da sua vida o haviam vindo visitar, e lhe disseram: "Já que tu durante a vida nos convidavas a todos três para a tua mesa, agora vimos nós convidar-te para a nossa." E acrescentou que naquele mesmo instante lhe tomaram a alma e a levaram ao eterno festim.

Amado Jesus, José e Maria, o meu coração Vos dou e alma minha.
Amado Jesus, José e Maria, assisti-me na última agonia.
Amado Jesus, José e Maria, expire em paz entre Vós a alma minha.

(A Sagrada Família, por um padre redentorista, 1910, versão do Espanhol por Manuel Moreira Aranha Furtado de Mendonça, Cônego honorário da Sé de Lamego, 3ª Edição, com Breve de Sua Santidade Leão XIII)