quarta-feira, 3 de novembro de 2010

2ª PALAVRA

2ª PALAVRA

Hodie mecum eris in paradiso.
"Hoje estarás comigo no Paraíso"
(Lucas, XXIII, 43)

A súplica, que Jesus acabava de dirigir ao Pai Eterno, implorando o perdão de Seus inimigos, não podia deixar de ser atendida, Deus não havia de ficar surdo ao apelo de Seu Filho, que morria em cumprimento da vontade soberana.

Dois ladrões foram crucificados com Jesus e um deles, tocado pela graça, implorou a misericórdia divina e sua prece foi acolhida favoravelmente.

Escutemos a narrativa evangélica, segundo São Lucas:

"E um daqueles ladrões, que estavam pendurados, blasfemava-o, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti e a nós também. Mas o outro, respondendo, o repreendia, dizendo: Não temes a Deus, nem tu, que estás sob o mesmo suplício? E nós na verdade o estamos com justiça, porque recebemos o que mereceram as nossas obras; mas este nenhum mal fez. E dizia a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares em Vosso Reino. E Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo: hoje mesmo estarás comigo no paraíso." (Lucas XXIII)

Estas breves palavras, estas poucas frases bastaram à misericórdia divina para transformar um pecador em um justo, um criminoso em um bem-aventurado.

Diz o grande doutor da Igreja, São Bernardo, que nada há mais soberbo do que este passo do Evangelho. O Bom Ladrão implora o socorro de um crucificado prestes a expirar e está seguro de o obter.

Para vergonha dos Apóstolos, que O abandonaram, dos Sacerdotes, que O condenaram, do povo, que O insulta, depois de ter sido testemunha de Seus milagres, enquanto todos blasfemam, ele só, o ladrão da direita, publica a inocência e a glória de Jesus; enquanto que todos O acusam e O desprezam, só o Bom Ladrão O defende e adora.

Esse episódio, verdadeiramente estonteante, pela rapidez com que as coisas se passaram, é um dos mais consoladores e reconfortantes de quantos se desenrolaram no Calvário!...

Procuremos sondar, um pouco ao menos, o que se passou na alma do Bom Ladrão.

Esse homem, entregue pela sociedade à justiça e por esta mandado ao suplício da cruz, em poucos momentos consegue alcançar o perdão de suas culpas, satisfazer à justiça divina e elevar-se às cumiadas da santidade.

Três atos praticou o Bom Ladrão, pelos quais conseguiu a reconciliação divina.

Em primeiro lugar, ele confessa as suas culpas, reconhece seus crimes passados, e não se peja de reconhecer e proclamar os próprios pecados. E o faz com humildade profunda e arrependimento sincero, pois declara que recebe o que mereceram suas obras e está pronto a dar a própria vida para expiar os seus erros.

Não pode haver arrependimento mais sincero e humildade mais profunda do que encontramos nesse ladrão penitente.

Em segundo lugar, tem ele a coragem de defender a inocência de Jesus e proclamar-Lhe a santidade, quando todas as vozes se erguem contra o profeta de Nazaré.

Vai muito além...

Torna-se apóstolo de Jesus e apresenta características de verdadeiro zelo pela glória de Deus. E que zelo... zelo caritativo, que tenta arrancar seu companheiro ao erro; - zelo corajoso, que não receia falar abertamente em defesa de Jesus, quando todos O escarnecem e afrontam; - zelo esclarecido, que apresenta como fonte e origem de todos os pecados a falta de temor de Deus: "Também tu não temes a Deus? - zelo insistente, que argumenta contra o companheiro e retruca as blasfêmias... "nós sofremos justamente, mas este"...

Com muita razão Santo Agostinho podia dizer que o Bom Ladrão apresentou o exemplo de uma fé viva e tão profunda, que outra a ele semelhante não se tinha encontrado ainda em Israel.

É certo que Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Isaías e todos os patriarcas e profetas tinham acreditado em Deus, mas é também certo que todos eles haviam visto e admirado as manifestações divinas...

A todos, na fé, excedeu o Bom Ladrão, porque proclamou a realeza e a divindade de Jesus, quando Ele estava despido, pregado em uma cruz, oprimido de toda sorte de dores, insultado pelos principais da sinagoga, blasfemado pela populaça, prestes a exalar o último suspiro, em circunstâncias bem pouco dignas da realeza e da divindade.

"Oh! conversão estranha, diz São João Crisóstomo. Vê um crucificado... e confessa um Rei de glória!"

Eis o motivo pelo qual São Leão, referindo-se ao Ladrão, da direita dizia: Este homem, que morre na cruz, é o primeiro profeta, o primeiro evangelista, o primeiro mártir, o primeiro confessor de Jesus Cristo. E foi tão grande a sua fé, que mereceu esta admirável promessa: Em verdade te digo que hoje mesmo estarás comigo no Paraíso".

A resposta de Jesus ao ladrão arrependido não podia ser mais pronta nem mais generosa. Foi a resposta da misericórdia infinita de Deus.

"Oh! mistério das eleições divinas! Oh! profundeza das potências da nossa vontade! Os dois ouviram a santa e abençoada palavra. Um se cala, opresso, aturdido por aquele golpe de misericórdia; o outro, entregue todo à sua dor, ao seu violento desejo de viver, à raiva de ter sido crucificado mais cedo por causa daqueles Jesus, e do outro, apanhado no ar todas as blasfêmias que vêem lá de debaixo, pega de uma e exclama: - Se és verdadeiramente o Cristo, principia por te salvares a ti e a nós depois..." (Perroy - La Montée du Calvaire - Pag. 286)

Bem diversos eram os sentimentos que se aninhavam no peito do Bom Ladrão. Compenetrado da própria miséria, conhecedor das suas culpas, não se animava a pedir grandes coisas... contentava-se em pensar que lhe seria suficiente Jesus lembrar-se dele, depois que chegasse ao Seu Reino. Uma lembrança, uma recordação de Cristo, era o prêmio único a que aspirava aquela alma já resgatada pelo sangue da vítima do Gólgota.

É verdadeiramente espantoso que dois homens, em igualdade de circunstâncias, testemunhas dos mesmos fatos, tenham tido tão diverso destino.

Um, ao vomitar a última blasfêmia, entregou seu espírito ao inimigo, para se torturado eternamente... Outro, em derradeira prece, na extrema agonia, deu sua alma a Deus e entrou na posse da bem-aventurança.

A obra de nossa salvação e a santificação de nossa alma devemo-la operar, agindo em correspondência com a graça divina.

Deus, que nos criou sem nós, não nos quer salvar sem nosso concurso. São altos e impenetráveis os juízos de Deus. O Eterno confere a todos os homens um auxílio e uma assistência especial, em ordem aos negócios da salvação eterna. Esse auxílio e essa assistência são a graça santificante. É um dom gratuito e sobrenatural, que Deus nos concede, em virtude dos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, para que possamos alcançar a salvação eterna de nossa alma.

É dom gratuito, quer dizer, uma dádiva espontânea de Deus, sem que tenhamos a ele nenhum direito. É sobrenatural e, nisso, se distingue dos dons e das mercês que recebemos de Deus, na ordem temporal. É ainda uma resultante e consequência dos merecimentos infinitos de Jesus Cristo, que padeceu e morreu para nos alcançar o Céu. Por último, diz respeito à salvação da alma e não às coisas da vida terrena.

Esses são os caracteres principais e as notas distintivas da graça divina, que nos é concedida sempre, durante o tempo que passamos neste mundo, em marcha para a eternidade.

O homem é livre em aceitar ou repelir os impulsos e as sugestões da graça. Nessa terrível liberdade está a nossa felicidade e a nossa desgraça... Se o homem corresponde à graça divina, salva a própria alma e abre a si próprio as portas do Céu; se resiste, cava com suas próprias mãos o abismo insondável, em que se vai perder eternamente.

Aqui está a explicação da diversidade do destino dos dois companheiros de Jesus, no Calvário. Um entregou-se, por completo, à ação da graça divina e deixou-se guiar pelas mãos da Providência; terminou santificando-se. É um justo do Novo Testamento. O outro, desgraçadamente, não quis seguir os influxos celestiais da graça; resistiu aos impulsos da consciência e concentrou todas as suas esperanças nos poucos dias desta vida miserável e limitada; perdeu-se para o mundo e, o que é pior, para a eternidade. É um réprobo nos infernos.

Duas, apenas, são as entradas do paraíso abertas aos mortais: inocência e penitência.

O céu está sempre franqueado às almas puras e inocentes, que conservaram intacta a veste da graça batismal. Quem pecou, quem ofendeu a Deus, depois do batismo, só poderá conseguir o perdão e reconquistar a perdida amizade do Senhor por meio da penitência, por meio do sacrifício e da expiação...

De penitência, sacrifício e expiação o Bom Ladrão, o da direita, é perdido modelo. De obstinação e de impenitência a mau ladrão, o da esquerda, é tremendo exemplo que nos adverte quão terrível é resistir à graça. Não permitamos que o nosso coração fique surdo e endurecido, quando a voz de Deus se nos fizer ouvir.

Nolite obdurare corda vestra (Psalm. 94)

"Oh! meu Deus! sempre é certo que o homem é senhor do seu próprio coração! Se o não quer abrir, quando de algum modo lhe bateis à porta, sejam quais forem as vossas instâncias e por mais abundantes que sejam as lágrimas que sobre ele derramais, se o não quer abrir, é preciso - ah! - é preciso então retirar-Vos e abandoná-lo à sua funesta sorte... Mas apenas, por meio da Fé e do arrependimento, nos é permitido a entrada nesse coração, fazeis-lhe ouvir estas palavras de infinita doçura: 'Tu estarás comigo no Paraíso'". (Weber - De gethesemane ao Golgotha - Págs 169 e 170)

(Espírito e Vida, pelo Pe. J.Cabral, edição de 1937)

PS: Grifos meus.

HORA SANTA DE NOVEMBRO

HORA SANTA
NOVEMBRO


Eis o Homem”. Tenho aqui o Homem de todas as dores, o Salvador Jesus, diante dessa Hóstia... Dobremos o joelho, adoremos-Lhe na suave e vencedora majestade desse mistério... Oh vem seguramente em nossa procura, já que no Paraíso tem legiões de anjos... Olhai-Lhe..., Acerca-se como Lhe viu um dia Sua serva Margarita Maria...;

Vem sem fulgores de sol, sem diadema, de mãos atadas, perseguido... Traz a alma abrumada de angústias... Carregados de lágrimas os olhos... Procura um horto de paz onde orar em Sua agonia, e veio aqui, trazendo-nos uma confidência de caridade infinita, e de infinita tristeza... Calai, irmãos, e no silêncio da alma, esquecidos do mundo, separados por um momento dos mesquinhos interesses da terra... Ouvi ao Senhor Jesus nesta Hora Santa... Contemplai-Lhe sob a figura dolorida, ensangüentada do Homem, tal como se apareceu em Paray-lhe-Monial (França) a seu primeiro apóstolo e confidente, para reclamar de Seus amigos um amoroso desagravo...

Oh, bom Jesus: ao começar esta Hora Santa, deixa-nos beijar com delíquios de amor, com paixão da alma, com embriaguez do céu, a ferida encantadora de Vosso lado, e permite-nos chegar, por meio desse ósculo ditoso, até o mais recôndito de Vosso divino e agonizante Coração!”.

(Apresentai-Lhe o pedido íntimo que quereis fazer-Lhe nesta Hora Santa)

Voz do Mestre

Filhinhos Meus, quereis presentear um asilo de amor, um casaco de fidelidade a vosso Deus, perseguido pelo furacão maldito da culpa?... É verdadeiro que não vês hoje em dia Meu corpo feito pedaços... Mas crede que não cessaram os crudelíssimos açoites... Não vês também que o pranto inunda Minha face...; Que furor penetram em Minha fronte os espinhos!... Não está à vista o pesar mortal e a agonia de Getsemaní...; Mas, ai, suas indizíveis amarguras enchem até as bordas o cálice de Meu abandonado Coração... O pecado não dá trégua a Minhas dores... Essa torrente de inquietude Me persegue faz vinte séculos seguem Meus passos, iracundo... Quer devorar a obra de Meu sangue...; Quer condenar as almas... Que pude fazer por Meu rebanho que não o tenha feito?... O sacrifício de Meu corpo, de Minha alma, de Meu Coração; o holocausto do Calvário e da Eucaristia..., tudo está consumado... E, com tudo, a culpa avança, como hálito do inferno, penetra nas consciências, mata nelas Meu amor... E a glória de Meu nome...

Abri-me cedo, vocês Meus amigos, abri-me o refúgio carinhoso de vossos corações... Ponde-Me ao casaco da noite fria, escura, do pecado que envolve ao mundo... Tendei-Me, filhinhos Meus, alongai-Me com caridade filial os braços... Oh, não é a recordação do Calvário o que Me fere... É o pecado de hoje o que atravessa sem piedade Meu desolado Coração!... Vede, estou chorando agora Minhas tristezas; estou desafogando entre vocês a tempestade de Minhas dores... E no mesmo instante, milhares de flechas se fincam na chaga sangrenta de Meu peito!... Oh! dai albergue de caridade e de ternura, em vossas almas compassivas, a este Jesus, o eterno ultrajado e perseguido da culpa...

(Pausa)

A alma

Jesus, Rei dos altares e Soberano das almas: vêem e assenta Vossos reais de domínio nestes corações... Não serás entre nós o hóspede, senão o Pai e o Monarca...Não o peregrino, senão o Redentor desagravado e o Senhor mil vezes abençoado... Vêem... E se é constante a ofensa da culpa... mais constante ainda tem de ser a homenagem de nosso humilde desagravo... Abre Vossa prisão, Senhor Sacramentado, e que os anjos que rodeiam Vosso pobre tabernáculo se unam aos amigos leais de Vossa Eucaristia, para dizer-Vos:

(Todos em voz alta)

Coração Santo, Vós reinarás!

Não obstante os esforços desesperados do inferno, que almeja o infortúnio eterno das almas.

Coração Santo, Vós reinarás!

Apesar da fragilidade humana, que impele a tantos pela beira do abismo...

Coração Santo, Vós reinarás!

Não obstante a fúria de tantos inimigos de Vossa moral intransigente e de Vossos dogmas invariáveis...

Coração Santo, Vós reinarás!

Apesar dos ataques com que a razão e as sabedorias vãs da terra se alçam para derrubar-Vos do altar...

Coração Santo, Vós reinarás!

Não obstante a licença vergonhosa, que muitos pretendem erigir em lei natural da consciência...

Coração Santo, Vós reinarás!

Apesar do artifício com que se trama noite e dia na contramão da Igreja, do lar e da infância...

Coração Santo, Vós reinarás!

Não obstante a sacrílega legalidade de tantos atentados de lesa majestade divina...

Coração Santo, Vós reinarás!

Apesar do ódio dos governantes, excitados pelo poder de Vossa humildade e de Vosso silêncio...

Coração Santo, Vós reinarás!

Não obstante os ataques irados da imprensa, das leis e das seitas, poderes conjurados em ruínas de Vossa glória e de Vosso reinado entre os homens...

Coração Santo, Vós reinarás!

(Pedi com todo fervor o reinado do Coração de Jesus)

Voz do Mestre

Por que, dizei-me, confidentes muito amados, por que os filhos das trevas são com freqüência mais prudentes e esforçados do que vocês, os filhos de Minha dor e da luz? Vede-os a Meus inimigos, perpetuamente afanados em isolar-Me no Sacrário, e depois, em derrubar Meu altar... Não se dão descanso no propósito de anular Minha lei, de dispersar Meu sacerdócio e de aniquilar-Me nas consciências dos homens... E vocês... E tantos dos Meus, que fizestes?... Como não pudestes velar uma hora comigo?... E por cansaço, por preocupações terrenas... Por debilidade de caráter... Por falta de amor a vosso Deus e Mestre, descansastes, enquanto Eu agonizava... Dormíeis calmos, entre vosso Salvador agonizante e a multidão inimiga que vinha prender-Me...

Não amastes assim, seguramente, a vossos pais, a vossos irmãos, aos amigos íntimos de vosso coração... E para Mim, só para Mim, por que não tivestes fineza nem resolução no amor... Prometestes-Me generosidade... Abençoei e aceitei vossa boa vontade... E, a pouco, desfalecestes e fui esquecido... Perdoei-vos tantos desvios, esqueci tantos esquecimentos... E vocês, os de Minha casa, viveis com freqüência num sopro de calma indiferença que Me magoa cruelmente... Um sonho de apatia..., de egoísmo, de desamor por Minha pessoa vos rende... Levantai-vos já...; Acordai desta indiferença... Acerca-se o inimigo que traz o ultraje para vosso Deus..., e para vocês, as correntes e a morte... Chegou à hora milagrosa de uma sincera conversão... Oh! vinde e acompanhai-Me, se preciso fora, até o Calvário!... Não queirais abandonar-Me, ovelhinhas Minhas, quando ferido estais o seu Pastor...

(Pausa)

A alma

Que tenho eu, oh, Deus escarnecido, que Vós não me tenhas dado?... Alenta-me, Jesus, e faz que Vos siga, sem vacilações, nas doces exigências de Vossa graça e de Vosso amor...Que valho eu, se não estou a Vosso lado? E porque reconheço meu nada e minha impotência, rogo-Vos não queiras deixar-me longe de Vossa mão, não consintas que me afaste por um dia do Sacrário...Perdoa-me os erros que contra Vós cometi...: São tantas as fraquezas de meu coração... Perdoa-as e esquece-as... Pois, o muito sangue que derramaste, e a acerba morte que padeceste, não foi pelos anjos que Vos aclamam, senão por mim e por tantos mornos e indolentes no exercício de Vosso amor, que Vos desolam e Vos ofendem... Por isso, nesta Hora Santa, ao renovar os propósitos de fervor em Vosso serviço, consente que Vos diga com dor da alma: Se Vos neguei, deixa-me reconhecer-Vos; se Vos injuriei, deixa-me aclamar-Vos; se Vos ofendi, deixa-me servir-Vos, porque é mais morte do que vida a que não está empregada no santo serviço de Vossa glória e para consolo e triunfo de Vosso Divino Coração.

(Confessai-Lhe vossa indiferença e pedi fervor perseverante em Seu serviço)



Voz do Mestre

Quantos sois os que velais comigo nesta Hora Santa?... É verdadeiro que é grande vosso amor... Ah, sim, mas imenso, insondável é o amargo oceano de delitos e de orgias, que há esta mesma hora, está saturando de tristeza mortal Meu Coração... Que frenesi de pecado... que desenfreio no redemoinho humano que vai passando agora mesmo ante Meus olhos!...

Oh, que cenas de morte, que espetáculos de inferno... Que vertigem de paixão sensual no teatro!... O grande mundo aplaude e ri ante um palco onde a Mim se Me flagela... Se soubésseis como Me despedaça a alma dolorida a grande mentira que chamam civilização moderna... Ah, quantas festas de Meus filhos são o escárnio e o Calvário de seu Pai e Salvador!... Só vocês, Meus amigos, podeis adivinhar o pesar deste agonizar perpétuo num patíbulo, levantado pelos Meus... Como se apresentam a Minha vista as grandes capitais... orgulhosas como Nínive... desembrulhadas como Babilônia. Nelas Meu Evangelho é um exagero intolerável... Vocês, Meus consoladores, que penetrastes tão adentro em Minhas tristezas, ponde um bálsamo em Minha ferida... Consertai, vocês, essa embriaguez culpada e aplacai, com uma prece fervorosa, o clamar que, nesta mesma noite, em centenas de salas, de banquetes, de festas, de bailes e teatros, levanta-se como coberto de lodo, xingando a santidade de Meu Evangelho e a brancura da Hóstia...

A alma

Oh, sim, Mestre, baixe de uma vez fogo do céu, que purifique, que perdoe e salve a milhares de infiéis, que vivem sem amor, amando loucamente a matéria e o abominável... Para tantos que esbanjam dinheiro e juventude na dissipação de prazeres mundanos que Vos ofendem...

(Todos, em voz alta)

Misericórdia, e os salve Vosso doce Coração!

Para aqueles que lutam, tolerando os pecados públicos, que traficam na profanação da consciência e dos sentidos...

Misericórdia, e os salve Vosso doce Coração!

Para os pervertedores de almas, que na Imprensa e nos livros se enriquecem, condenando a seus irmãos...

Misericórdia, e os salve Vosso doce Coração!

Para aqueles que têm o tristíssimo negócio de excitar paixões na cena teatral, onde tudo é permitido, só pretexto de arte...

Misericórdia, e os salve Vosso doce Coração!

Para tantos débeis que, ignorando sua consciência, cooperam com arrependimento ao escândalo social de modas e teatros...

Misericórdia, e os salve Vosso doce Coração!

Para tantos que, relaxado seu critério de cristãos, não vêem mal nenhum no atropelo a Vossos santos mandamentos...

Misericórdia, e os salve Vosso doce Coração!

Para aqueles que no trabalho, devessem evitar Senhor, gravíssimas ofensas, e não o fazem por timidez ou por transação mundana...

Misericórdia, e os salve Vosso doce Coração!

(Façamos um ato de desagravo pelos pecados públicos e sociais com que se ofende a Jesus Cristo no mundo inteiro)

Voz do Mestre

Povo meu, herança preciosa de Meu Coração, que te fiz... Ou em que te tenho contristado? Responde-Me!... Desde aqui na Hóstia, contemplo, noite e dia, o lar de Meus carinhos, o acampamento de Israel de Minhas ternuras, Meus pequenos subalternos que Me juraram amor eterno... Desde aqui ponho os olhos no coração de Meus amigos, dos que eu quis com predileção...

Desde aqui sigo os passos dos que tenho predestinados ao banquete de Meu amor e de Minha glória... Ai, quantos deles arrancam de Meus olhos as lágrimas que chorei sobre Jerusalém, Minha pátria... Quantos que foram íntimos de Minha alma são ingratos! Quantos gozam longe de Meu lado, muito longe... Os bens de talento, estimação e de fortuna com que os cumulei para fazê-los santos... Seus tronos estão colocados entre os príncipes do reino dos céus!... oh, quantos desses tronos, perdidos por ingratidão, os darei a pecadores arrependidos, que ouviram Meu chamado na agonia!... Para esquecer principalmente esse pecado, o mais amargo, para adoçar o cálice da ingratidão humana, pedi a Meu servo esta companhia deliciosa da Hora Santa; aqui se convertem em lágrimas de bênção, de amor, as que chorei no desamparo dos que eram Meus, na fuga de Meus filhos... Entre o vestíbulo e o altar, gemei, consoladores Meus... Tenho sede dos consolos que Me negam os ingratos de Minha própria casa...

A alma

Divino Salvador Jesus, digna-Vos olhar com olhos de misericórdia a Vossos filhos, que unidos por um mesmo pensamento de fé, esperança e amor, vêm deplorar ante Vosso sacratíssimo Coração suas infidelidades e as de seus irmãos culpados.

Oxalá possamos com nossas solenes e unânimes promessas comover esse Divino Coração e obter dele misericórdia para nós, para o mundo infeliz e criminoso e para todos aqueles que não têm a dita de conhecer-Vos e amar-Vos! Sim, de hoje em adiante o prometemos todos: Pelo esquecimento e ingratidão dos homens.

(Todos, em voz alta)

Consolaremos-Vos, Senhor.

Por Vosso desamparo no sagrado Tabernáculo.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Pelos crimes dos pecadores.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Pelo ódio dos ímpios.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Pelas blasfêmias que se proferem contra Vós.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Pelas injúrias feitas a Vossa Divindade.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Pelas imodéstias e irreverências cometidas em Vossa adorável presença.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Pelas traições de que és vítima adorável.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Pela frialdade da maior parte de Vossos filhos.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Pelo abuso de Vossas graças.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Por nossas próprias infidelidades.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Pela incompreensível dureza de nossos corações.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Por nossa tardança em amar-Vos.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Por nossa indiferença em Vosso santo serviço.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Pela amarga tristeza que Vos causa a perdição das almas.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Pelas longas esperas muito próximas de nossos corações.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Pelos amargos desprezos com que és recusado.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Por Vossas queixas de amor.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Por Vossas lágrimas de amor.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Por Vosso cativeiro de amor.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Por Vosso martírio de amor.

Consolaremos-Vos, Senhor.

Oh, Jesus! Divino Salvador nosso, de cujo Coração se desprendeu esta dolorosa queixa:

Consoladores procurei e não os achei

Digna-Vos aceitar o modesto tributo de nossos consolos, e assiste-nos tão eficazmente com o auxílio de Vossa divina graça, que, fugindo cada vez mais, no vindouro, de tudo o que pudesse desagradar-Vos, mostremo-nos em toda circunstância, tempo e lugar, Vossos filhos mais fiéis e obedientes. Pedimos-Vos, que, sendo Deus, vives e reinas pelos séculos dos séculos.

(Pedi-Lhe perdão pelos ingratos, que são tantos...)

Voz do Mestre

Não me pergunteis, almas reparadoras, por que vivo perpetuamente crucificado por mãos de Meus isentados... O mundo chegou a convencer-se que mereço realmente a vergonha e a morte do patíbulo... Ai! são, em realidade, tantos os sábios, os honrados e os poderosos que repetem com cruel tranqüilidade estas palavras de Meus acusadores a Pilatos: “Se este Nazareno não fora um malfeitor, não o tivéssemos trazido encadeado!...” Ah, sim! E porque sou um malfeitor para a multidão, desenfreada em moral e em pensamento, condena-Me a autoridade...; Porque sou um malfeitor, condena-Me nos Tribunais...; Porque sou um malfeitor, Sou flagelado pela imprensa...; tratam-Me como vilão e como louco, por decreto de Meus juízes... Entregam-Me a população, em resguardo dos interesses nacionais...

Eles, dirigentes e legisladores, lavam as mãos... por razões de liberdade, de civilização e de justiça... condenam-Me ao desterro e à Cruz por vias da mais estrita “legalidade”... Este é o grande delito de hoje, filhos Meus: xingar-Me em nome da razão e do direito, proscrever-Me em nome da dignidade e por lei das nações... Sigo sendo verme e não Homem, o verme pisoteado da terra...Oh, vocês os fidelíssimos, aclamai-Me, para aplacar o grito dessa multidão que, desde as alturas, assalta Meu trono e quer sortear, zombadora, o manto de Minha realeza..., abençoai-Me com amor.

A alma

Acerca-Vos, dulcíssimo Mestre... E aqui, no meio dos Vossos, estreitando-Vos Vossos filhos, recebe a diadema que quiseram arrebatar-Vos os que, sendo pó da terra, chamam-se poderosos, porque, em Vossa humildade, crêem injuriar-Vos a mais alto... Adianta-Vos triunfante nesta fervente congregação de irmãos... Não apagues as feridas de Vossos pés nem de Vossas mãos... tão brilhantes, deixa ensangüentada Vossa cabeça... Ah, e não fechais, sobretudo, a profunda e celestial ferida de Vosso peito... Assim, Rei de sangue, assim... Jesus, o mesmo da noite horrível da Quinta-feira Santa, apresenta-Vos, desce e recolhe o hosana desta guarda de honra que vela pela glória do Coração de Cristo Jesus, seu Rei!

(Todos, em voz alta)

Viva Vosso Sagrado Coração!

Os reis e dirigentes poderão conculcar as tabelas da Lei, mas, ao cair do trono do comando na tumba do esquecimento, Vossos súditos seguiremos exclamando:

Viva Vosso Sagrado Coração!

Os legisladores dirão que Vosso Evangelho é uma ruína, e que é dever eliminá-lo em benefício do progresso, mas, ao cair despencados na tumba do esquecimento, Vossos adoradores seguiremos exclamando:

Viva Vosso Sagrado Coração!

Os ricos, os altivos, os mundanos, dirão que Vossa moral é de outro tempo, que Vossas intransigências matam a liberdade da consciência, mas, ao confundir-se com as sombras da tumba do esquecimento, Vossos filhos seguiremos exclamando:

Viva Vosso Sagrado Coração!

Os interessados em ganhar alturas e dinheiro, vendendo falsa liberdade e grandeza às nações, chocarão com a pedra do Calvário e de Vossa Igreja..., E ao baixar aniquilados à tumba do esquecimento, Vossos apóstolos seguiremos exclamando:

Viva Vosso Sagrado Coração!

Os heraldos de uma civilização materialista, longe de Deus e em oposição ao Evangelho, morrerão um dia envenenado por suas maléficas doutrinas e ao cair à tumba do esquecimento, amaldiçoados por seus próprios filhos, Vossos consoladores seguiremos exclamando:

Viva Vosso Sagrado Coração!

Os fariseus, os soberbos e os impuros terão envelhecido estudando a ruína, mil vezes decretada como falsa pela Vossa Igreja... E ao perder-se, derrotados, na tumba de um eterno esquecimento, Vossos isentados seguiremos exclamando:

Viva Vosso Sagrado Coração!

Oh, sim, que viva! E ao fugir dos lares, das escolas, dos povos, Luzbel, o anjo de trevas, ao afundar-se eternamente encadeado aos abismos, Vossos amigos seguiremos exclamando:

Viva Vosso Sagrado Coração!

Voz do Mestre

Amei-vos até o excesso de um Calvário... Chegado o seu cume, obedeci em silêncio e Me estendi no patíbulo afrontoso... E desde então, aí estou à graça de todos Meus verdugos, os sacrílegos. Se tantos dizem que não estou aqui na Hóstia, por que a xingam e Me ferem?... E se crêem, por que Me ultrajam neste mistério em que amo com loucura, em que perdôo com inesgotável caridade?... Oh sabei-o: Minhas lágrimas deixaram impressão de dor nos caminhos, onde fui arrastado em milhares de profanações, desde a Quinta-feira Santa... Fui pisoteado com furor...; Se Me arrojou, entre blasfêmias, às chamas...; Se me sepultou no lodo...; Fui atravessado com punhais em antros onde se trama, com sigilo, na Minha contramão. Ai! se paga vil dinheiro e não faltam Judas que comunguem, para entregar-Me, com o beijo dessa comunhão, em mãos de Meus mortais inimigos...

O incêndio criminoso abrasou Meu Sacrário... Isto, em troca de ter deixado meu Coração entre vocês, para abrasar o mundo no incêndio de salvadora caridade. Ah, e quantas vezes os infelizes, que cobiçam o metal dourado em que Me aguardo, têm salteado a prisão de Meus amores... E fui arrojado sobre chão, sem ter uma pedra consagrada em que reclinar minha cabeça ensangüentada...! Foi esta visão de horror a que feriu Meu Coração nas angústias de Getsemaní...Os que passais, considerai e vede se há dor semelhante a Minha dor!...

A alma

Hosana, glória a Deus nas alturas... Glória, bênção e amor a Vós, Senhor Sacramentado, só a Vós no incompreensível aniquilamento de Vossa Santa Eucaristia! Que Vos cantem os céus, porque Vós, o Deus do Tabernáculo, és a bem-aventurança do mesmo Paraíso! Que Vos cantem, Jesus Hóstia, os campos, os mares, as neves e as flores, panorama de beleza criado para recrear Vossos olhos, cansados de chorar solidão e ingratidões!...Que Vos cantem, doce Prisioneiro, as aves e as brisas; que Vos cantem as tempestades; que Vos engrandeçam os soluços do coração humano e suas palpitações de alegria, a Vós, o Cativo do altar... Gloria a Deus nas alturas...; Glória, bênção e amor a Vós, Jesus Sacramentado, só a Vós, no incompreensível aniquilamento de Vossa adorável Eucaristia!

(Rendei-Lhe uma completa reparação de amor pelo horrendo crime do sacrilégio com que se Lhe fere no altar. Se possível, cante-se o “Magnificat” com a Imaculada em homenagem à Divina Eucaristia)

Voz do Mestre

Não vos vades, filhos de Meu Coração, sem recolher nesta Hora Santa um desafogo de dor, que só vocês, meus fidelíssimos, sabeis compreender em toda sua amargura... Não é a profanação deste Tabernáculo o atentado mais cruel na contramão de minha soberania conculcada; há outro sacrário mais valioso e do que é consciente na rejeição de seu Salvador...: É o coração humano... E dizer que o amo tanto... Como o profanam milhares de cristãos com o veneno de um amor pagão... Esse coração devesse ser o cálice de todos meus consolos... O altar redentor de um mundo, que é infeliz porque não o amou com amor de espírito... Com o casto amor de Meu Evangelho... Nesse Coração depositei Minhas lágrimas para purificá-lo..., E depois, sacando chamas de Meu inflamado Coração, ofereci-lhe meu amor para colmar suas ânsias de amar e ser amado... E não lhe basta esta infinita dignação de caridade... Procura às criaturas... E a Mim Me esquece nesse delírio de prazer, que não é nem amor, nem paz e nem vida... A Mim me deixa..., E por isso, pobrezinhos, tantos sofrem, rasgada a alma... a fome insaciável de paixões vergonhosas... os que tendes sede de amar vinde..., Vinde a mim: Eu sou o amor que guarda os espinhos para si, e vos dá suas flores... Os que sentis ânsias, necessidade de ser amado... vinde... E bebei até saciar-vos da fonte de Meu peito. Filhos Meus, dai-Me vossos corações...

A alma

Jesus Sacramentado exercita em nós Vossos direitos, pois somos Vossos reparadores... Vêem. Não peças, não mendigues... Vêem. Tomada com amabilíssima violência o que é Vosso...: Toma nossos corações... Sim, são pobres. Vós saberás enriquecê-los...; Damos-Vos por mãos de Vossa doce Mãe e de Vossa serva Margarita Maria... Rogamos-Vos os aceites em demanda urgente do reinado de Vosso Coração Divino... Não queiras eliminá-los porque um dia se mancharam, quando Vós perdoas, esqueces para sempre... A Igreja perseguida, nosso lar precisado, os pecadores, Vosso Vigário, o Purgatório de tortura purificadora, as almas dos justos, todos, todos esperamos Vossa onipotência torrentes de graça...

Ah! E em especial lembrai-Vos dos que, como São Gabriel Arcanjo, viemos dar-Vos amável refrigério em Vossa agonia... Aceita seus interesses, suas penas, suas esperanças, sua vida; depositam-no tudo na chaga-paraíso que nos descobriu o soldado... Recolhe agora, Senhor, nossa oração de despedida:

* Coração agonizante de Jesus, estas almas Vos confiam seus espinhos...

* Coração amável de Jesus, estas mães Vos confiam seus esposos e o tesouro de seus filhos...

* Coração amante de Jesus, estes peregrinos Vos confiam seu porvir e todas suas incertezas...

* Coração dulcíssimo de Jesus, estes pródigos Vos confiam sua debilidade e seu arrependimento...

* Coração benigno de Jesus, estes Vossos amigos Vos confiam à paz e redenção de suas famílias...

* Coração compassivo de Jesus, estes enfermos Vos confiam às doenças secretas e íntimas da consciência...

* Coração humilde de Jesus, estes adoradores Vos confiam seus anseios veementes pelo triunfo de Vosso amor na Santa Eucaristia...

* Coração Sacramentado de Jesus, em Vós confia o mundo, que corre desolado a refugiar-se da morte aí onde uma lança abriu as fontes da vida... Vêem Jesus. Seja nosso Rei nas tentações e ciladas que açoitam as sociedades e às almas: domina o furacão desde o Sacrário... Serena o céu ameaçante, com os fulgores de paz e as ternuras de Vosso onipotente Coração.

  • Pai Nosso e Ave Maria pelas intenções particulares dos presentes.

  • Pai Nosso e Ave Maria pelos agonizantes e pecadores.

  • Pai Nosso e Ave Maria pedindo o Reinado do Sagrado Coração mediante a Comunhão freqüente e diária, a Hora Santa e a Cruzada da Entronização do Rei Divino em lares, sociedades e nações.

(Cinco vezes)

Coração Divino de Jesus vinga a nos Vosso Reino!

Súplica final ao Sagrado Coração de Jesus (De Margarita Maria)

Esconde-nos, oh doce Salvador no Sacrário de Vosso lado, chaga acendida do puro amor, e aí estaremos seguros... Elegemos Vosso Coração por morada, na firme confiança que ele será nossa força no combate, o amparo de nossa fraqueza, nossa guia e luz nas trevas, o reparador de todas nossas faltas e o santificador de nossas intenções e obras.

Unimo-nos a todas às Vossas, e Vos oferecemos a fim de que nos sirvam de preparação contínua para receber-Vos no Sacramento de Vosso amor. Para honrar Vossa condição de Vítima neste mistério da fé, vimos oferecer-nos também nós em qualidade de hóstias, suplicando-Vos que sejais Vós mesmos o sacrificador e nos imoles no altar de Vosso Sagrado Coração. Ah mas como somos tão culpados, rogamos-Vos, Senhor Jesus, venhas a purificar-nos e consumir-nos com as chamas de Vosso Sagrado Coração, como um holocausto perfeito de caridade e de graça, para obter uma vida nova e poder então dizer com verdade: “Nós nada temos que seja nosso; vivos ou mortos, Jesus é nosso tudo; nossa propriedade é ser nós inteira e eternamente de seu Divino Coração...Vinga a nos Vosso Reino!”.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Educação sobrenatural - X - A formação da consciência II

EDUCAÇÃO SOBRENATURAL


X - A FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA II

Como se pode preservar do escrúpulo a consciência da criança?
- Ensinando-a a "distinguir uma sugestão involuntária, uma manifestação súbita, um arrebatamento, irrefletido, uma complacência despercebida do instinto, do consentimento, deliberado e pleno, que constitui as fraquezas insuportáveis".
(Bouvier)

- Ensinando-lhe a tempo, pelo menos nas suas linhas gerais, "os artigos essenciais desse tratado da consciência, cujo monopólio os teólogos dispensam, e que se deveria tornar acessível aos fiéis, nos cursos algo importante de instrução religiosa, quando mais não fosse, para reduzir a cinquenta por cento o número dos escrupulosos e escrupulosas".
(Bouvier)

Que se deve fazer quando o escrúpulo penetrou na alma da criança?
É preciso tratá-la com calma e paciência.

Se as inquietações da alma têm algum fundamento, remeta-se ao confessor. Se o escrúpulo apresenta um caráter mórbido, vão-se suprimindo as confidências, que, em geral, nada mais fazem do que agravar a desordem, e imponham-se, com doce firmeza, as decisões que convêm: serão facilmente aceitas, se a criança tiver confiança em sua mãe, e se o remédio for aplicado sem tardança.

Quais são as ilusões de que é preciso preservar a consciência da criança?
- As ilusões sobre as promessas da vida;
- As ilusões sobre a retidão das suas intenções;
- As ilusões sobre a necessidade de consultar nas suas dúvidas;
- As ilusões sobre as confissões que devem fazer.

Não é natural e muito agradável deixar as crianças em certas ilusões?
Sim, efetivamente.

A ilusão é santa..., disse o poeta, e certos pais crêem que não há inconvenientes mergulhadas na ilusão.

"Pela lembrança das suas próprias desilusões, enquanto vêem as suas esperanças desvanecerem-se, certas mães assemelham-se àquele personagem de teatro de Cleyre, que, sentado na praia, contempla melancolicamente as ilusões ainda em flor, alegres, sedutoras, a afastarem-se para o lato mar... Então estas mães dizem: Para que se hão de prevenir os nossos filhos de que os nossos sonhos se dissipam como a cinza e fogem céleres como o vento?"
(Bouvier)

Ora isso é inteiramente falso, e por conseguinte muito prejudicial.

Que se deve fazer para preservar as crianças da ilusão relativa às promessas da vida?
É preciso mergulhar as crianças, especialmente as donzelas, num banho de realidade.

"Este remédio consiste em colocá-las na presença da vida tal como ela é, com as suas angústias, as suas provações, os seus mil trabalhos, as suas alegrias pequenas e raras, mas reais: forçá-las a saírem de si mesmas, a interessarem-se pelas coisas, a porem-se especialmente em contato com o pobre, para se lhes fazer sentir que as suas causas de aflição se as confrontarem, são bem medíocres, e que devem ser muito reconhecidas a Deus, que para elas fez mais suaves caminhos".
(Bouvier)

Qual é a segunda ilusão de que é preciso preservar a consciência?
É a ilusão relativa à retidão das suas intenções.

As intenções são a alma dos nossos atos, pois constituem em grande parte a moralidade e o valor desses mesmos atos. Da sua bondade ou da sua malícia dependem a sinceridade e a retidão do caráter.

É, por conseguinte, importante não permitir às crianças iludirem-se sobre a honestidade fundamental das suas disposições, não as deixar crer que basta parecer, dizer ou prometer, quando a lealdade exige que se esforcem por ser tais como devem ou como querem parecer, que nunca digam senão o que pensam, e que nunca prometam o que não tem intenção de dar.

Qual é a terceira ilusão de que é preciso preservar a consciência?
É a que faz crer que o homem se pode sempre impunemente conduzir só, na vida espiritual, e que, por conseguinte, não há necessidade de diretor de consciência...

Qual a disposição essencial que deve animar a criança nas suas relações com o diretor da sua consciência?
É que a criança não considere nunca o seu diretor como um estranho ou um intruso: é seu pai, é assim que ela lhe chama; que o trate sempre como tal.

Além de que, "dirigir uma consciência não é impor-lhe as suas idéias, não é pensar, agir em seu lugar, é antes vê-la viver em nome do bom Deus" e ajuntar às vezes a este papel de testemunha o de juiz e de amigo: de juiz que pronuncia sentenças imparciais; de amigo que repete, no momento oportuno, os incitamentos, as repreensões ou as ameaças de Nosso Senhor.

Qual é a quarta ilusão de que é preciso preservar a consciência?
É a ilusão relativa às revelações que é preciso fazer na confissão.

Esta ilusão é múltipla.

Umas vezes, é o pecado, que apenas parecera um pecadilho, quando se esteve a ponto de o cometer, e toma medonhas proporções no momento da acusação: e hesita-se em o confessar. Outras vezes, a falta cometida, que se apresentava primeiramente tal qual era, atenua-se, desvanece-se, à medida que se aproxima a hora da confissão; a criança convence-se em breve de que não há motivo para preocupação e resolve calar-se.

É preciso exercitá-la

Quais são os meios ordinários de exercitar a consciência da criança?
- É o exame de consciência;
- É a confissão;
3º- É a utilização das crises que atravessa quando cresce.

Como se deve fazer o exame de consciência da criança?
Á noite, no silêncio que favorece o recolhimento e convida à sinceridade, a mãe recorda com a criança os diversos acontecimentos do dia, faz-lhe apreciar, desligar o seu coração do que é mal, faz-lhe tomar boas resoluções para o dia seguinte, e termina o pequenino exercício com a sua bênção maternal, acompanhada dum último beijo.

Será possível continuar o mesmo método, quando a criança tiver crescida? Felizes as mães que para isso foram solicitadas! "Dos treze aos dezoito anos, uma alma aberta, é quase sempre uma alma salva" (Bouvier). Pelo menos, a mãe poderá sempre agir no foro externo, perguntar aos seus filhos se fazem o seu exame de consciência, propondo-lhes os principais artigos durante a oração da noite.

Qual é o segundo meio de exercitar a consciência da criança?
É a confissão.

Quais são as crises mais ordinárias que atravessa a consciência das crianças que crescem?
É a crise da obediência.
É a crise dos sentidos.
É a crise do coração.
É a crise da fé abalada pelo escândalo.

Em que consiste a crise da obediência?
Consiste em que a criança, quando cresce, suporta mais dificilmente o jugo da autoridade; tem quinze, dezesseis, dezessete anos; sente-se capaz de alguma coisa; há-de querer governar-se por si, e sofre por ser governada por outrem; a lei pesa-lhe, porque a considera um obstáculo, e ela aspira à liberdade...

Como se pode utilizar esta crise da obediência?
A mãe, admoestando mais com o exemplo do que com as palavras, mostrará ao seu filho as vantagens que ela própria alcançou da sua submissão a Deus, à Igreja, à autoridade legítima do pai e do esposo; fará, sobretudo, ressaltar que, procedendo desse modo, se assegura o bem que ultrapassa todos os bens e os substitui, se for preciso, e que se chama a paz de consciência...

Em que consiste a crise dos sentidos?
Consiste em que o jovem, que até então se tinha abatido do fruto proibido, no convencimento de que morria se o comesse, se sente repentinamente arrastado para ele por todas as vozes da curiosidade, da vaidade, da sensualidade, e da independência, que lhe repetem as palavras escutadas outrora por nossos primeiros pais: "Sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal" (Gen. III,5)

Como se pode utilizar esta crise dos sentidos para a formação da consciência?
Convido o leitor a consultar o que dissemos a respeito da preservação das crianças no estudo da sensualidade. (Ver também: Os meios a empregar para salvaguardar as crianças 1ª Parte - Proteger as crianças // Os meios a empregar para salvaguardar as crianças 2ª Parte - É preciso ensinar às crianças a defenderem-se)

Em que consiste a crise do coração?
Consiste em que a criança, que só até ali tivera necessidade de amar seus pais, sente pouco a pouco o seu coração sair do círculo da família, para acalmar as suas primeiras inquietações, apoia-se nas amizades cuja profundeza e fidelidade a história e a literatura lhe fizeram admirar: David e Jónatas, Nísus e Euriále, etc... bem depressa, no entanto, um temor o assalta: esta afeição, com inocentes aparências, não será um roubo praticado em detrimento do amor que deve a Deus e a seus pais?

E depois chegou a perceber que, em certo dia, teria preferido estar só com o objeto da sua afeição: até seus pais eram demais. Crise terrível, que começa para a criança, e em que se joga nada menos que a liberdade do seu coração.

Como se pode utilizar esta crise do coração para a formação da consciência?
Tornando o lar agradável e tão atraente que se sinta sempre um remorso e uma saudade em o deixar e uma necessidade de voltar a ele.

Felizmente são numerosos os meios que produzem este resultado:

"Alegrias da poesia, da arte, culto da verdade em comum, delícias das amizades fraternas, das atenções que se prodigalizam, e que se prodigalizam principalmente aos pais que envelhecem, incitamento mútuo ao dever, à caridade, um não sei quê ainda de muito puro e caricioso poderia embelezar a casa e orná-la muito desejável como o abrigo mais seguro e nobre da consciência".
(Bouvier)

Então a criança resistiria facilmente às seduções exteriores, que em vão a solicitariam, e aprenderia a dar satisfação aos desejos do seu coração sem perturbar a sua consciência.

Em que consiste a crise da fé?
Vem da impressão produzida por uma dupla observação.

A primeira relativa ao pequeno número daqueles que servem a Deus.

- No domingo - dirá o jovem estudante a sua mãe - estive quase só na igreja, ao passo que no teatro, ainda me não deixa ir, estiveram quase todos os meus companheiros.

A segunda, relativa às vantagens de todo o gênero, que são asseguradas aos apóstatas da fé, da Igreja e da consciência.

- É preciso então sacrificar tudo? - pergunta a sua mãe o jovem abalado e perturbado.

Como utilizar esta crise perigosa?
No primeiro caso, a mãe abrirá a seu filho a perspectiva duma nobre coragem. Far-lhe-á notar que aqueles que o acompanham, por pouco numerosos que sejam, constituem um escol, que eles são como o sal da terra, como o fermento novo que leveda a massa da sociedade; que são dignos de estima; que valem mais que os outros aos olhos da consciência; que, finalmente, os outros acabarão por se deixar arrastar; e foi sempre assim desde os apóstolos.

No segundo caso, a mãe fará notar à criança que, fora das funções oficiais, lhe sobejam ainda caminhos abertos à sua atividade e aos seus talentos. Dir-lhe-á, no entanto, que a consciência exige muitas vezes certos sacrifícios que se dêem fazer generosamente.

(Catecismo da educação, pelo abade René de Bethléem, continua com o post: Os amparos da vida sobrenatural)

PS: Grifos meus.

Súplicas a Nossa Senhora do Socorro para alívio das almas do Purgatório

Súplicas a Nossa Senhora do Socorro
para alívio das almas do Purgatório



É tão grande, ó Mãe do Perpétuo Socorro, a Vossa bondade, que não podeis ver qualquer miséria sem logo Vos compadecerdes. Lançai, nós vo-lo pedimos, os Vossos olhos misericordiosos sobre as aflitas almas do Purgatório, que naquele fogo sofrem, sem poderem encontrar algum alívio às suas horríveis penas, e compadecei-Vos delas.

Pela Vossa piedade e pelo amor que tendes ao Vosso Jesus, Vos pedimos que Lhes mitigueis os seus sofrimentos, e lhes procureis o eterno descanso. Ah! Quão doloroso deve ser para o Vosso coração o abandono em que tantos cristãos deixam as almas do Purgatório, esquecendo-se delas. Ansiosas esperam os nossos sufrágios, e apenas há quem delas se lembre.

Dignai-Vos, ó Maria, de inspirar a todos os fiéis uma terna e viva compaixão para com os nossos irmãos falecidos: comunicai-lhes a todos um ardente desejo de oferecer pelas almas deles obras meritórias, e lucrar as indulgências que lhes forem aplicáveis, gozar da presença de Deus. E agora, Senhora, ouvi a súplicas que por elas Vos dirigimos. Para que possam sair daquele cárcere tenebroso, imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que Deus lhes perdoe a pena dos seus pecados.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que se apaguem as chamas que as abrasam.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que um raio de luz celeste alumie as suas horrendas trevas.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que sejam consoladas em seu triste abandono.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que alcancem o alívio de suas penas e angústias.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe  de bondade.

Para que a sua tristeza se troque em perpétua alegria.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que satisfaçam prestes seus ardentes desejos de entrar na glória.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pelas almas de nossos pais e filhos.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pelas almas de nossos irmãos e irmãs.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pelas almas de nossos amigos.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pelas almas de nossos benfeitores.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pelas almas que sofrem naquelas chamas por culpa nossa.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pelas almas dos que em vida nos fizeram sofrer.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pelas almas mais desamparadas.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pelas almas que sofrem maiores tormentos.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pelas almas que em vida mais Vos amaram e a Vosso divino Filho.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pelas almas que há mais tempo sofrem.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Por todas as almas do Purgatório.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pela Vossa inefável misericórdia.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pelo Vosso incomensurável poder.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pela Vossa maternal bondade.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pela Vossa incomparável maternidade.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pelas Vossas preciosas lágrimas.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pelas Vossas acerbas dores.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pela Vossa santa morte.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pelas cinco chagas de Vosso amado Filho.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Por Seu sangue divino, por nosso amor derramado.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Pela Sua morte dolorosíssima no duro madeiro da Cruz.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que a gloriosa legião dos Santos as socorram sem cessar.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que os nove coros dos Anjos as recebam com alegria.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que sobre elas lanceis um olhar de compaixão.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que as torne felizes a vista de Vosso divino Filho.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que sejam bem-aventuradas, contemplando a Trindade Santíssima.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que a nossa devoção para com elas seja cada dia mais fervorosa.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que se ofereçam cada vez mais orações, indulgências e obras satisfatórias em sufrágio delas.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que nós recebamos o prêmio eterno da nossa devoção pelas almas.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Para que as almas, que houvermos libertado do Purgatório, façam algum dia o mesmo em nosso favor.
Imploramos o Vosso perpétuo socorro, ó Mãe de bondade.

Oração

Ó Mãe compassiva do perpétuo socorro, olhai benigna para essas almas aflitas, que Deus em Sua justiça retêm, mergulhadas nas chamas do Purgatório.  Elas são objetos queridos do Coração de Vosso divino Filho, amaram-nO durante a vida, e presentemente ardem em desejos vivíssimos de vê-lO e possuí-lO; não podem, porém, por si mesmas quebrar as suas cadeiras, nem sair do fogo devorador que as abrasa. Comova-se o Vosso terníssimo coração à vista de suas dores.

Dignai-Vos consolá-las, pois Vos amam e suspiram continuamente por Vós. São filhas Vossas , mostrai-lhes que sois a Mãe do perpétuo socorro. Visitai-as, aliviai suas penas, abreviai seus sofrimentos, e apressai-Vos em livrá-las, alcançando-lhes de Vosso divino Filho a aplicação dos merecimentos infinitos do santo sacrifício que por elas se celebra. Um credo pelos devotos: Creio...

(Oração retirada do livro: A Sagrada família por um padre redentorista, 1910)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

HEROICA FORTALEZA MILITANTE

HEROICA FORTALEZA MILITANTE 


Unidos al Cuerpo Místico de Cristo,
En esta noche oscura de la historia,
Donde la luz de Dios no brilla, por las sombras
De las tinieblas en hordas desatadas.

Unidos por la Gracia de la Fe,
Sol que alumbra a las almas desterradas,
Fe que mantendremos íntegra y total,
Igual que nos ha sido revelada.

Unidos en la soledad de la Verdad,
Porque sus fieles están en retirada,
Como si fuera el tiempo de Pasión,
Porque es la Iglesia que está ahora condenada.

Protegidos por la Madre Virginal,
Van los hijos que escuchan su llamada,
Al combate viril, sólo por Dios,
En la batalla final ya desatada.

Para que el Reino de Dios llegue a nosotros,
A las Familias y a las Patrias laicizadas,
Abrazando la Cruz y el sacrificio,
Sólo así serán ellas restauradas.

Porque es lucha contra el mundo y contra sí,
Contra el enemigo infernal que desafía.
Porque es lucha interior y solitaria,
La que tiene que afrontarse cada día.

Es combate en la trinchera de la Fe,
Heroica fortaleza militante,
No ceder, no abandonarla es su estandarte,
Que significa un morir en cada instante.

Alcanzar y mantener la posición,
En esta gesta que tenemos asumida,
No depende del humano proceder,
Será por virtudes celestiales recibidas.

La defensa de la Iglesia, la dura resistencia,
La continua defección y decadencia,
El retiro de Dios y de su Gracia,
Es necesario preguntar, ¿a qué nos lleva?

¿A una rendición fatal y perentoria?
¿A un éxito buscado sin medida?
Incomprensible camino de esta vida,
Por donde Dios nos conduce a la Victoria.

Que no será como yo quiero. ¡No!
Será Pasión que del Calvario brota,
Es que al Triunfo Final que se avecina,
La debilidad lo tiene por derrota.

La Victoria que se alcanza por la Cruz,
Espanta pusilánimes miradas,
Que crean celo amargo o poca caridad,
Y es una pobre visión desacertada.

Resistir firmes y serenos en la Fe,
Es la premisa crucial para esta hora,
Porque en la sombría noche de la Iglesia,
Empieza a despuntarse ya la aurora.

¡A vencer cristianos con valor!
Que la victoria nos está asegurada.
Toca el clarín llamando a la batalla,
Donde la serpiente infernal será aplastada.

Ven pronto, Señor, te lo pedimos,
Auxilia a tus amigos de la Cruz,
Que siguiendo tu Divina Voluntad,
Y abandonándose a Ti en cuerpo y mente,
Desean la Patria Celestial,
Para vivir contigo eternamente.

(Poesia extraída do blogue: Signum Magnum)

AL ALMA

AL ALMA


 Sola ante Dios te encuentras, alma mía,
Viviendo este tiempo de tinieblas,
Que decretó la Augusta Providencia,
Para otorgarnos el triunfo de la Iglesia.

Adversidad, abandono, incomprensión,
Por mantener la Fe que se disgrega,
Son señales de que aún no has claudicado,
Y que ocupas un lugar en la Trinchera.

Amarás con dolor, hasta el martirio,
Te purificarás con entrega y heroísmo,
Siguiendo a Cristo Rey, tu Redentor
Con renuncia y abandono de ti mismo.

Por el camino estrecho de la Cruz,
Haz de unirte a su obra redentora,
Confiando recibir la fortaleza,
Para no desfallecer en esta hora.

Ni el dolor ni el sufrimiento te acobarden,
Ni la angustia ni el temor te debiliten,
Que la Pasión del Señor te fortalezca,
Porque en su muerte triunfó por redimirte.

Y en constante oración y penitencia,
Suplicando la Divina intervención,
Conserva con valor la Tradición,
Aguardando su próxima venida.

(Poesia extraída do blogue: Signum Magnum)


O Matrimônio

O MATRIMÔNIO

(clique na gravura para ampliá-la)

O matrimônio é a união do sexo forte e do sexo frágil, união indissolúvel, para um como para outro, enquanto viverem. A este jugo vão inseparavelmente unidos, graves deveres e, entre outros, aqueles que consitui um dos fins do matrimônio, a saber: o auxílio mútuo dos cônjuges, nas dificuldades da vida.

Ora, onde quer que haja uma pessoa humana, haverá forçosamente defeitos e imperfeições e, originam-se os maus hábitos, os maus modos, as faltas e quedas, diferentes em cada um dos cônjuges; daí o mal estar, o desgosto, o aborrecimento e as misérias todas do esposos, obrigados a viverem juntos toda a vida; daí, enfim, o encontro de palavras ásperas, de discussões acaloradas, de cenas muitíssimo desagradáveis que revolucionam o lar e acabam, frequentemente, com a ruína do mesmo, se, em tempo, esses defeitos não forem energicamente refreados. E então ai, dos fracos, que são, em geral, e com raras exceções, a mulher e os filhos.

Para remediar às tristes consequências da vida em comum, é que Jesus Cristo concede Suas graças aos casados, no Sacramento do matrimônio, afim de que possam viver em paz, suportando-se mutuamente e cumprindo cada qual os seus deveres, sob as vistas de Deus.

É ainda por esse motivo que o Apóstolo declara que o matrimônio simboliza a união de Jesus Cristo e Sua Igreja. Com efeito, Jesus Cristo consagra à Igreja um afeto sem limites e esta por sua vez, submete-se-Lhe dócil e inteiramente.

"Maridos, diz ainda o Apóstolo, amai as vossas esposas como Jesus Cristo ama a Sua Igreja e por ela Se sacrifica. O marido ame a sua mulher como a si mesmo e a mulher reverencie o seu marido".

Examinemos mais de perto como se manifesta o amor, a dedicação e a solicitude de Nosso Senhor por Sua Igreja e da Igreja por Ele e, desse exame, tirarão os esposos cristãos sublimes ensinamentos.

Jesus Cristo é o chefe da Igreja, a cabeça do corpo, em íntima união com os fiéis. O marido é a cabeça da mulher formando um só com ela, una caro.

Jesus ama a Sua Igreja com tais extremos de amor que, por ela, sacrificou a vida; por sua vez a Igreja obedece-Lhe em tudo, com respeitosa submissão, Lhe está sujeita. A mulher deve obediência ao marido, em tudo quanto este, razoavelmente, exigir.

Jesus Cristo não pertence senão a uma Igreja a Sua. O marido não pode pertencer senão à Sua esposa, àquela que escolheu e aceitou livremente, diante dos altares.

A Igreja não pertence senão a Jesus Cristo e a esposa só do seu marido deve ser.

A Igreja repele, com indignação, qualquer intruso que lhe venha exigir o sacrifício dos seus deveres; daí, a sua intolerância com os cismas e heresias. A mulher deve, sem piedade e sem consideração alguma, repelir qualquer infame, que pretenda ocupar o lugar do marido ou usurpar-lhe os direitos.

Jesus Cristo permanece com Sua Igreja até a consumação dos séculos e esta com Jesus Cristo. Os esposos devem permanecer um ao lado do outro, enquanto viverem. Jesus Cristo governa a Igreja, protege-a, defende-a, sustenta-a e lhe consagra toda a sua existência; por ela sofreu e morreu. O marido deve dirigir a mulher com os conselhos que o amor e o afeto lhe inspirarem; deve consolá-la, protegê-la, defendê-la, ser-lhe devotado, sempre pronto a qualquer sacrificio razoável.

A Igreja ama ternamente a Jesus Cristo e Lhe é inteiramente devotada, consola-O e se torna digna de Suas mais delicadas atenções, sempre ocupada em Sua honra e glória, em torná-lO cada vez mais conhecido e amado de todos. A mulher deve ser previdente, dedicada ao marido, sempre afável, procurando agradar-lhe, consolá-lo, merecer-lhe, enfim, o afeto; deve ser a sua alegria e felicidade.

Quando Jesus Cristo é perseguido e ultrajado a Igreja sofre com Ele. Quando o marido sofre qualquer que seja a causa, a mulher deve partilhar de seus padecimentos.

Quando a Igreja está aflita, Jesus Cristo toma parte em suas angústias. Quando a mulher sofre, o marido não deve mostrar-se-lhe indiferente, mas dá-lhe provas de que toma parte em suas dores.

Jesus Cristo e a Sua Igreja têm as mesmas aspirações, os mesmos desígnios e projetos. Na união conjugal, os esposos devem esforçar-se por ter as mesmas aspirações, os mesmos desígnios, para a felicidade temporal e eterna de ambos.

Jesus Cristo e a Igreja usam dos mesmos meios para a formação de Seus filhos; sempre no mais perfeito acordo, dão-lhes a vida da graça, educam-nos, formam-nos, fortificam-nos e assistem-nos até a morte, na mais perfeita união de vistas. Os pais cristãos de mãos dadas, devem dar a seus filhos uma educação francamente cristã, acompanhá-los e guiá-los na mocidade com seus conselhos desinteressados, protegê-los até a morte.

Jesus Cristo e a Igreja trabalham incessantemente para o aumento dos fiéis. Os esposos cristãos, se não quiserem atrair sobre si a cólera divina, nunca hão de pôr obstáculos à procriação de uma família numerosa, destruíndo a vida em seu gérmen.

É assim que Jesus Cristo, o mais carinhoso dos pais e a santa Igreja, a mais afetuosa das mães, traçam, aos esposos e pais, o caminho a seguir, no cumprimento dos deveres e obrigações no matrimônio. Inspirem-se, pois, sempre e em todas as circunstâncias, neste divino modelo, para que, na hora da morte, possam deixar a sua posteridade um rico patrimônio de virtudes cristãs.

Ah! como é digno de todo o respeito o matrimônio assim compreendido:

"Honorabile connubium in omnibus".

É por perderem de vista o modelo que a Igreja lhes propõe, que os cristãos não encontram no lar aquela amizade afetuosa que a vida em comum exige...

(Excertos do livro: As desavenças no lar, J.Nysten, edição de 1927)

PS: Grifos meus.