segunda-feira, 26 de julho de 2010

Queda da taxa de natalidade

Nota: Segue duas matérias de 2008, bem interessantes e por que não atuais?! (Apesar da data de publicação).

Brasil só perde para a China na queda da taxa de natalidade



Projeções indicam que, no futuro, população brasileira deve ter mais idosos do que crianças, a exemplo do que ocorre em países europeus.

Faça um teste: pegue seu álbum de família e compare o número de filhos que cada pessoa das últimas quatro ou cinco gerações teve. Provavelmente você irá concluir que seus avós e bisavós tiveram muito mais irmãos do que as gerações de hoje têm. Em um período de aproximadamente 50 anos, a taxa de fecundidade (número de filhos por mulher ao fim do período reprodutivo) no Brasil caiu de 6,3 (1960) para 1,8 (2006).

O único país em desenvolvimento comparável em tamanho a ter um declínio tão rápido e significativo como o Brasil foi a China, onde o governo adota uma política extrema de controle de natalidade. Na América Latina, a situação brasileira poderia ser comparada à do México, onde as taxas caíram de 7,3 em 1960 para 2,4 em 2000. Mas também lá existe uma clara política de controle populacional.

A redução da taxa, em 2005, para 2,0 filhos por casal deixava o Brasil em uma situação de “estabilidade” populacional. Se cada casal continuasse a ter dois filhos, a população simplesmente seria reposta, ou seja, para cada duas pessoas que morressem, nasceriam outras duas. Porém, a tendência é que esses índices continuem caindo, o que já foi observado em 2006 (1,8). A projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que a taxa de fecundidade em 2050 seja de 1,61. No Paraná, onde em 2006 esses valores já eram de 1,81, a previsão é de que cheguem a 1,39 ao fim desse período.

Se a previsão se confirmar, o Brasil deverá enfrentar problemas como os que já ocorrem em países europeus. O envelhecimento da população exige investimentos em políticas públicas nas áreas de saúde, previdência, acessibilidade, entre outras. A diferença é que, enquanto nos países da Europa esse declínio teve início ainda com o processo de industrialização e ocorreu de forma gradual, durante cerca de cem anos, no Brasil, a diminuição da fecundidade se deu em pouco mais de 40 anos.

Causas

As explicações para a redução não são unânimes nem definitivas. Uma série de fatores sociais, culturais, ambientais, biológicos e políticos têm sua parcela de contribuição. De acordo com a professora do Departamento de Demografia da Universidade Federal de Minas Gerais, Paula Miranda Ribeiro, embora o Brasil não tenha tido oficialmente uma política governamental que pregasse a diminuição do número de filhos por casal, outras políticas tiveram esse efeito como secundário. Um exemplo é a Previdência. Com a garantia de uma fonte de renda na velhice, as pessoas deixaram de se preocupar em ter vários filhos para garantir o sustento no futuro. “Claro que isso não é um comportamento consciente, mas tem um impacto marginal nas taxas”, observa.

A oferta de crédito, como fator facilitador de compras parceladas, também influi, uma vez que estimula as pessoas a comprometerem a renda em outros projetos como compra de casa própria, carro, estudo e viagens ao invés de terem filhos. “Em alguns casos se adia muito a hora de engravidar e pode ser tarde demais”, aponta.

Da mesma forma que na Europa, o processo de urbanização e a entrada da mulher no mercado de trabalho contribuíram para tornar as famílias menores. “A saída do meio rural fez com que as famílias não precisassem mais ter tantos filhos para mão de obra. A industrialização levou as mulheres para as fábricas e elas não tiveram mais tempo de cuidar de tantas crianças”, explica Marlene Tamanini, especialista do Núcleo de Pesquisa e Estudo do Gênero da Universidade Federal do Paraná.

O surgimento da pílula anticoncepcional também teve um papel fundamental na formatação do novo modelo de família. Ela revolucionou o planejamento familiar nos anos 60, fazendo com que as mulheres passassem a ter o controle na decisão de ter filhos.Antes disso, elas tinham uma gestação atrás da outra, a amamentação era o único método contraceptivo. Quando paravam de amamentar, elas engravidavam de novo. Com a pílula, tudo mudou”, diz o professor da disciplina de Reprodução Humana da Universidade Federal do Paraná, Rosires Pereira de Andrade.

No Brasil, a grande quantidade de cesarianas também contribuiu para a ocorrência de um processo de esterilização nas décadas de 70, 80 e 90. “Os contraceptivos, além de evitar gravidez, mudaram o caráter apenas reprodutivo do sexo”, completa Marlene. Em 1986 um levantamento nacional mostrou que 60% das brasileiras fazia uso de algum método contraceptivo. Dez anos depois, esse número já era de 80%. Fatores psicológicos e biológicos como estresse e má alimentação também tiveram sua parcela de influência na queda da fecundidade. Hoje estima-se que 11% da população mundial precise de auxílio médico para ter filhos.

Fator econômico

Atualmente, a decisão de engravidar é algo que passa muito mais pela esfera econômica. “Os casais querem ter filhos, mas isso tem de estar dentro das suas possibilidade financeiras. É uma decisão muito mais racional do que antigamente”, afirma Marlene. Para ela, embora haja ainda uma cobrança da sociedade para casamento e descendência, a existência de casais sem filhos já é melhor aceita.


_____________________________

Tamanho da família também sofre influência das telenovelas


A queda na taxa da fecundidade brasileira pode estar relacionada ainda com a audiência das telenovelas. A hipótese é apontada em um estudo de três pesquisadores do Centro de Pesquisas para Política Econômica do Reino Unido. Segundo a pesquisa, a presença de famílias pequenas nas novelas influencia as mulheres a desejar menos filhos.

Para o estudo, foram analisadas 115 novelas transmitidas pela Rede Globo entre 1965 e 1999. O levantamento mostrou que 72% das personagens femininas de até 50 anos não tinham filhos. Em 21% dos casos, a personagem tinha apenas um filho.

Apesar da possível influência, o estudo reconhece que não se trata de algo intencional. “Tentamos verificar se novelas de determinados autores tinham relações estatísticas mais significativas, mas não encontramos. Se houvesse essa agenda teríamos identificado”, explicou Alberto Chong, um dos autores do estudo, em entrevista por e-mail à Gazeta do Povo.
Para o pesquisador, o poder das novelas poderia ser usado com fins educativos (NB ?). “Principalmente em áreas onde as pessoas não têm acesso ou não procuram se informar por outros meios, como jornais”, diz.

Aceitação

Para a professora do Departamento de Demografia da Universidade Federal de Minas Gerais, Paula Miranda Ribeiro, que já atuou em uma pesquisa semelhante no Brasil, as novelas influenciam o comportamento de duas formas.A curto prazo, elas ditam moda e a longo, ajudam a traçar valores e a mudar a mentalidade das pessoas”, afirma. Segundo ela, a repetição de temas faz com que determinadas idéias que antes eram rejeitadas passem a ser aceitas.

O pesquisador e gerente de estudos e análises demográficas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Juarez de Castro Oliveira, considera que as novelas podem influenciar na taxa de fecundidade na medida em que transmitem um padrão de consumo. “As pessoas querem ser iguais aos personagens, mas, para alcançar aquele nível de vida, precisam de dinheiro, e, tendo filhos, acabam com uma série de despesas”, resume. (CV)


PS: Grifos meus.

Dilma Rousseff apoiada por feministas!

Nota: Essas informações foram retiradas de uma página da web, onde ao clicar no campo: QUEM SOMOS, é possível verificar tal descrição:

Quem somos

Somos mulheres identificadas com Dilma Rousseff e estamos mobilizadas por um país melhor para vivermos. O objetivo deste Blog é encontrar mulheres que pensam como nós. Queremos somar e multiplicar, pois acreditamos que juntas chegaremos lá!

 
Mães brasileiras optam por ter menos filhos


O perfil das famílias brasileiras mudou. Se antes a fotografia da família reunida mostrava um casal rodeado por filhos, agora não mais que dois cercam os pais. Uma das consequências da diminuição no tamanho das famílias é a redução da pobreza.

Esta sinergia entre fecundidade e pobreza foi analisada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o estudo, a taxa de fecundidade no Brasil vem caindo desde 1960, quando a mulher tinha, em média, 6,3 filhos.

Mudanças sociais, como a inserção no mercado de trabalho e o aumento do nível de escolaridade das mulheres, provocaram uma queda da taxa de fecundidade para 2,6 filhos em 1996. Hoje, a mulher tem, em média, 1,9 filho.

Paralelamente às mudanças dos arranjos familiares, os dados do IBGE revelam queda também no percentual de pobres no Brasil, que, à exceção de pequenas oscilações, se manteve em torno de 40% até 1993. Entre 1995 e 2003, os níveis de pobreza estavam em 35%. Nos últimos sete anos, contudo, houve uma queda consistente que alcançou 22,7% em 2007.

Além do impacto nas mortalidades materna e neonatal, o IBGE avalia que a redução da taxa de fecundidade permite que as mães obtenham uma inserção mais produtiva no mercado de trabalho e menor carga de trabalho doméstico.

Mais renda familiar

Antigamente, os arranjos familiares consistiam no homem, sustentando a família, e uma mulher trabalhando muito, mas sem gerar renda e cuidando de muitos filhos”, explica o pesquisador do IBGE José Eustáquio Diniz. “Quando você tem uma família pequena, a mulher tem mais tempo para estudar e para se inserir no mercado de trabalho. Então você passa a ter uma família com um casal contribuindo, e não apenas o homem, e menos filhos. Isso é um fator que ajuda muito na redução da pobreza.”

O IBGE constatou que a diminuição do número de filhos por família atingiu não apenas as áreas urbanas, mas também as rurais. Em 1996, a fecundidade urbana era de 2,3 filhos e a rural de 3,5. Dez anos depois, caiu para 1,8 filho e 2 filhos, respectivamente.

Entre as mulheres com 1 a 3 anos de estudo, a taxa caiu de 3,6 filhos para 2,8 filhos entre 1996 e 2006. Já entre as mulheres com 9 a 11 anos de estudo, a fecundidade passou de 1,7 filho para 1,6 no mesmo período.

Aliado à mudança no perfil das famílias, o crescimento econômico com distribuição de renda, apoiada na política de valorização do salário mínimo e no programa Bolsa Família, acelerou a queda dos níveis de pobreza no Brasil. “Quando você junta crescimento econômico, distribuição de renda e condições demográficas favoráveis, isso tem um impacto enorme na redução da pobreza. O Brasil nunca teve uma queda tão grande da pobreza como nos últimos seis, sete anos”, diz o pesquisador do IBGE.

De olho na Previdência

Diniz faz, no entanto, um alerta. As projeções do IBGE indicam que, a partir de 2025, foi deflagrado um processo mais rápido de envelhecimento da população, o que significa aumento do número de idosos e, consequentemente, impacto na Previdência Social.

Temos de aproveitar os próximos 10, 15 anos para erradicar a pobreza, porque depois que o país envelhecer as condições vão ficar mais difíceis. As condições demográficas já não serão favoráveis. Estamos no momento certo para promover maior qualidade de vida para a população brasileira”, argumenta.

______________________________

Divórcio: acabou a burocracia

Ao terminar o casamento, os casais não precisam mais se submeter ao desgaste da burocracia. Com a Proposta de Emenda à Constitucional (Pec) do Divórcio, nº 28/2009, aprovada este mês no Congresso Nacional, ficou muito mais fácil obter a separação.

A mudança enxugou a papelada e acelerou o andamento do processo junto à Justiça. De acordo com as novas regras, basta o casal estar de acordo com todos os requisitos da separação, ter um advogado e o Divórcio Consensual acontecerá quase que de imediato. A nova decisão reduz também os custos do processo de divórcio, e, principalmente, desafoga as varas de famílias em todo o Brasil.

Antes, o casal precisava ter pelo menos um ano de separação judicial ou dois anos na separação de fato – situação em que marido e mulher vivem em casas diferentes. Além disso, na hora de assinar os papeis era necessária a presença de testemunhas. Só após esses requisitos, o casal teria o divórcio concretizado.

____________________________

ONU cria agência para mulheres e igualdade de gênero



Após anos de negociações difíceis, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) votou nesta sexta-feira pela criação de uma agência que buscará melhorar a situação das mulheres no mundo.

A nova agência será oficialmente conhecida como Entidade da ONU para Igualdade de Gênero (aconselho muito a leitura desse artigo do Pe. Lodi, intitulado: Gênero: que é isso?) Empoderamento das Mulheres, embora as autoridades digam que será mencionada como ONU Mulheres. Ela vai consolidar quatro divisões separadas da entidade que lidam com o tema.

PS: Grifos meus.

S. ANA, MÃE DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA

S. ANA, MÃE DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA


A grande devoção a S. Ana funda-se nos laços de sangue que a ligam à Virgem SS., de quem foi mãe, e a Jesus. O seu culto é já antigo. Remonta ao século VI. O Papa Leão XIII elevou a sua festa a duples de II classe.

Ó Deus, que Vos dignastes conferir a S. Ana a graça de dar à luz a Mãe do Vosso Filho unigênito, fazei por Vossa misericórdia que, celebrando a sua solenidade, sintamos os efeitos da sua proteção. Pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo.

(Retirado do Missal quotidiano e vesperal, por Dom Gaspar Lefebvre, 1951)

domingo, 25 de julho de 2010

A alma simples ama a cruz

VIDA DE ESQUECIMENTO PRÓPRIO
PARTE III


A alma simples ama a cruz

A alma que de todo se esqueceu age sempre com simplicidade, guiada unicamente pela boa intenção.

Está sempre satisfeita com Deus, seja o que for que Ele faça ou permita. A doença ou a saúde, a prosperidade ou a adversidade, o êxito ou o insucesso, a vida ou a morte, tudo recebe com um sorriso de agradecimento. Acolhe de bom grado o sofrimento, qualquer  que seja a forma com que se apresente. A dor, como a alegria, é sempre a embaixatriz de Cristo.

O homem a quem falta uma fé ardente nem sempre reconhece Jesus sob os diferentes véus em que Ele Se envolve. Em vida de Jesus, só um pequeno número de fiéis O reconheceu como o verdadeiro Messias. Após a Sua morte e Ressurreição, os próprios Apóstolos e mesmo a ardente Madalena tiveram dificuldade em reconhecê-lO pelas aparências com que Se revestia.

Agora que vive nos nossos Sacrários, escondido sob as humildes aparências do pão e do vinho, a Sua visita é ainda mais misteriosa. Só a alma exercitada no amor reconhece o Mestre quando Ele Se apresenta. Reconhece-O muitas vezes pela cruz que traz consigo. Quando a dor a atinge, exclama: "É Jesus que passa", e corre ao Seu encontro. Não o deixa curvado sob esse fardo. Estende os braços, empresta-lhe os ombros e ajuda-O a carregá-lo. Foi para ser ajudado que Ele veio ter conosco.

Não estranhemos a variedade e a multiplicidade das cruzes com que o Senhor nos favorece. Contrariedades, sofrimentos íntimos, penas, incompreensões, insucessos, ruína da fortuna ou da reputação, ansiedades de consciência, doenças físicas, tudo isso se chama Cruz de Cristo. É preciso acolhê-la: Se alguém quiser vir após Mim, tome a sua cruz e siga-me (Mt. 16,24).

E para onde conduzirá Ele a alma? Se esta for fiel, conduzi-la-á ao Calvário, e ali será pregada na cruz e morrerá. E Jesus dirá: "Pequeno grão de trigo, lancei-te à terra para nela morreres e apodreceres; mas quando tiveres morto, a vida brotará de ti, uma haste nova subirá do teu flanco e sobre essa haste reviverás em novos grãos".

É o mistério da Cruz! É preciso morrer para viver. A fé ensina-o, a razão insinua-o, a natureza mostra-o. Para que eu seja alguma coisa, é preciso que me resigne a nada ser, a esquecer-me de mim, a ser lançado na terra e aí perecer.

Quero ser esse grão de trigo, escondido nas entranhas da terra. A minha vida passa e parece estéril. As forças que Deus me deu esmorecem e esgotam-se. É o túmulo, é a morte! Mas que importa? Jesus vela por mim. Quando Lhe aprouver, fará sair dos meus dias sem brilho a vida, a fecundidade. E o meu destino sobre a terra estará cumprido.

(O dom de si, vida de abandono em Deus, pelo Pe. Joseph Schrijvers, continua com o post: Tudo convida a alma ao esquecimento próprio)

PS: Grifos meus.

sábado, 24 de julho de 2010

VERDADEIRO AMOR

Nota: A Encíclica citada pelo autor é a Encíclica Casti connubii, do Papa Pio XI.

VERDADEIRO AMOR


"Vós, maridos, amai vossas esposas, como Cristo amou a Igreja"
(Efésios, 5.25)


Em conformidade com os intuitos do Criador deve ser também o amor conjugal amor verdadeiro em todo o vasto sentido dessa palavra. Quanto mais se assemelhar ao Amor Infinito de Deus, tanto maior felicidade representará para os cônjuges.

Neste amor de esposo à esposa acresce uma circunstância toda singular. Um e outro têm, de acordo com a mesma natureza, sua finalidade particular. Um e outro se completam mutuamente. Ambos possuem a mesma natureza e ambos a possuem de forma diferente. Num e outro há um vazio que, reciprocamente, pode ser preenchido. Manifestamente. Esse complemento mútuo, essa recíproca compensação de qualidades diversas entre duas pessoas de sexos diferentes constitui ao mesmo tempo, motivo justo e base sólida de profundo e verdadeiro afeto.

Como um depende do outro e a ambos associou o mesmo ideal, excluem-se, já por isso mesmo, baixas rivalidades e cálculos de concorrência. Numa atmosfera de benevolência, simpatia e dedicação há de um ajudar ao outro, hão de se mutuamente aconselhar em consideração e respeito recíprocos para o bem e a felicidade de ambos.

Segundo a Vontade de Deus constitui o marido a cabeça da família. É o que Deus declara a Eva em termos irretorquíveis: "Estarás às ordens do teu marido e ele te dominará". (Gen. 3.16) Nesta hierarquia natural nenhuma emancipação da mulher há de alterar um ceitil sequer. É ainda o que o Santo Padre (Papa Pio XI) encarece, quando diz:

"Consolidada, enfim, com o vínculo desta caridade a sociedade conjugal, florescerá nela, necessariamente, a quem vem chamada por Santo Agostinho a 'ordem do amor'. Essa ordem exige de uma parte a superioridade do marido sobre a mulher e os filhos e, de outra, a pronta submissão e obediência da mulher, não por força, mas tal qual é recomendada pelo Apóstolo com estas palavras 'As mulheres sejam submissas aos seus maridos, como ao Senhor, porque o homem é cabeça da mulher, como Cristo é cabeça da Igreja'"

"Tal submissão, pois, não nega, nem tira a liberdade, que compete, de pleno direito à mulher, quer pela nobreza da personalidade humana, quer pelo múnus nobilíssimo de esposa, de mãe e de companheira; nem a obriga a condescender a todos os caprichos do homem, mesmo àqueles que pouco conformes à razão ou dignidade da esposa; nem exige, afinal, que a esposa seja equiparada às pessoas que, em direito, se chamam menores, às quais, por falta de madureza de juízo ou, por inexperiência das coisas humanas não se costuma conceder o livre exercício de seus direitos, mas proíbe aquela exagerada licença que não faz cuidar do bem da família, proíbe, que no corpo desta família fique o coração separado da cabeça, com sumo prejuízo de todo o corpo e com perigo próximo de ruínas. Pois, se o homem é a cabeça, a mulher é o coração e, tendo um primado no governo, à outra pode e deve atribuir-se, como seu próprio, o primado do amor.

"Quanto ao grau e ao modo desta submissão da mulher ao marido, pode ela variar, conforme a variedade das pessoas, dos lugares e dos tempos. Pois, se o homem faltar  seu dever compete à mulher suprir essa falta na direção da família. Mas em nenhum lugar e tempo será lícito subverter ou lesar a estrutura especial da mesma família e a sua lei por Deus firmemente estabelecida".

"É a mesma verdade que já Leão XIII fez lembrar aos fiéis em sua Encíclica de 10 de fevereiro de 1880, dirigindo-se ao mundo com estas palavras: 'O marido é o chefe da família e a cabeça da mulher. Nele, pois, que governa e nele que obedece, dando ambos, uma imagem de Cristo, outra o da Igreja, a divina caridade seja a moderadora de todos os seus deveres'".

"Com quanto rigor o próprio Deus observa os ditames dessa lei natural, depara-se-nos no fato eloquente de enviar Seu anjo não à Mãe de Deus, mas a São José, o pai adotivo do Seu Filho, para lhe aconselhar a fuga ao Egito. Por mais que Maria Santíssima excedesse em dignidade a José, impunha-se-lhe a obrigação moral de se sujeitar ao Seu marido."

Em outra parte de sua profunda Encíclica condena o Sumo Pontífice, em seguida, a errônea opinião de ser tal obediência indigna escravidão de um cônjuge para com outro, refutando ainda a exigência dessa tríplice emancipação da mulher que por aí se costuma apregoar. Pois se "querem que a mulher seja ou deva ser desobrigada, segundo sua livre vontade, dos pesos conjugais, quer de mulher, quer de mãe" chama isto o Papa, com todo o peso de sua Autoridade não de "emancipação" mas de "manifesta malvadez".

A emancipação econômica, por sua vez, deve garantir à mulher, segundo a mente dos que a defendem, a liberdade "de poder ter, tratar e administrar, sem o marido o saber e mesmo contra sua vontade, seus negócios particulares, descurando filhos, marido e família. A emancipação social, enfim, que quer, sejam afastados da mulher os cuidados domésticos, quer dos filhos, quer da família, para que possa, pondo estes de banda, seguir seus caprichos e dedicar-se aos negócios e aos ofícios públicos".

"Tal, porém, não é, segundo o Santo Padre, nem verdadeira emancipação da mulher, nem liberdade razoável e digna, mas corrupção da índole mulíebre e da dignidade materna e perversão de toda a família, visto como o marido fica privado da mulher, os filhos da mãe, a casa e toda a família de sua guarda, que deve ser sempre vigilante. A demais, torna-se esta falsa liberdade e não natural igualdade com o homem, a ruína da mesma mulher, pois que, se a mulher desce da sede verdadeiramente real, para que, entre as paredes domésticas, foi, pelo Evangelho, elevada, logo cairá na antiga escravidão - se não na aparência, certo na realidade - e tornará a ser, como no Paganismo, um mero instrumento de prazer nas mãos do homem".

Com efeito. Leis eternas não se transgridem impunemente. Toda tentativa de emenda sai, em tais terrenos, pior que o soneto.

O matrimônio pode ser a concentração mais maravilhosa de afetos, de propriedade inatas e de virtudes, a associação mais completa de atividades harmônicas, sinérgicas e convergentes que a inteligência humana pode conceber. Só o é, porém, quando assenta sobre o verdadeiro amor. O amor constitui o pendor mais íntimo da natureza humana. Satisfeito em todas as aspirações, representa, ao mesmo tempo, a harmônia e a felicidade do conjúgio.

O amor profundo e verdadeiro, o amor nobre e espiritualizado é o segredo da união conjugal. É ele que vai ideando e construindo o vínculo mais sagrado que a duas almas pode unir, o complemento mais perfeito que entre homens pode haver. É a aliança da delicadeza à autoridade, da dedicação à constância na disciplina, da afetividade do coração feminino à energia na admoestação, próprio ao caráter do homem. Será, porém, vil união de baixos interesses, desprezível aliança de egoísmo, quando o amor faltar.

É por isso que São Paulo exorta aos maridos, de cada vez que faz lembrar as esposas da obediência devida: "Amai as vossas mulheres"!

E onde a verdadeira mulher não vê no amor dedicado e respeitoso do seu marido, a realização dos seus mais lindos sonhos?

Tendência é esta, de mútuo aconchego, que o coração humano leve inato na própria natureza... "Não é bom que o homem esteja só".

É este o sonho da donzela, de se poder arrimar em homem corajoso e pujante, de se lhe poder acolher à sombra protetora e benfazeja, para lhe ser, por sua vez, a companheira que com ele partilhe as dores e as alegrias. É este o anelo, outrossim, do homem, de encontrar a mão amiga que, meiga, lhe acalme a fronte ardente pelas vicissitudes da vida, e se prontifique a lhe ser mão de companheira fiel, para que por ela trabalhar possa, nela encontre seu complemento e o encanto do seu lar...

Não há de realizar nunca os sonhos e as esperanças de quem ingressa no matrimônio, quando a mútua afeição descansa, na expressão de Pio XI "Apenas na inclinação dos sentidos, que dura pouco, ou só nas palavras carinhosas, e não no íntimo afeto d'alma".

Mero afeto e inclinação dos sentidos que "chamam de simpatia" não representa para o Sucessor e Vigário de Cristo fundamento sólido para o matrimônio, é antes areia movediça que cede para fazer ruína a casa, "ao contrário, porém, a casa que fora fundada sobre a pedra, i.é, sobre o amor mútuo entre os cônjuges e consolidada por uma consciente e constante união de almas, nunca será sacudida nem abatida por nenhuma adversidade".

Se dois jovens pretendem, pois, contrair matrimônio, não devem eles ter em mira tanto o que poderão esperar do futuro cônjuge, mas muito antes o que procuram oferecer a ele. Cada qual pergunta-se como aquele moço desinteressado, que após o casamento, foi ter com um sacerdote, seu amigo, para dirigir-lhe a pergunta: "Que poderei fazer para tornar feliz a minha esposa?" Se assim não procedem, assemelham-se os noivos, segundo a expressão de moderno escritor, a (duas pessoas) que procuram explorar-se mutuamente. Claro está que sobre sentimentos tão egoísticos não pode constituir-se o edifício de um lar feliz.

Forçoso é, pois, amigos meus, que se vos torne claro, claro como a água cristalina da rocha, aquilo tudo que o verdadeiro amor reclama de vós. Não é o matrimônio, com efeito, nenhum jogo, ao qual pode abalançar-se, irrefletidamente, quem o quiser tentar. Não. É, porém, tarefa árdua a cumprir que exige sólido estudo, profunda compenetração do assunto e acrisolado espírito de sacrifício.

(Excertos do livro: Às ordens do Criador, livro para noivos, pelo Pe. Hardy Schilgen S.J)

PS: Grifos meus.

A alma simples não procura em nada a sua glória

VIDA DE ESQUECIMENTO PRÓPRIO
PARTE II


A alma simples não procura em nada a sua glória

A alma que se esqueceu de si própria mora no seio de Deus. A sua vida, na sua simplicidade, está cheia de maravilhas, mas escapa à vista do vulgo.

Uma alma inteiramente entregue a Deus é o mesmo que uma alma simples: só tem um olhar, e esse olhar está fixo em Deus. Só tem um móbil, e esse móbil leva-a a Deus em todas as suas ocupações, sem permitir-lhe que se preocupe consigo mesma. É um fluxo constante e sem retorno para o oceano divino.

A simplicidade exclui por natureza o dobrar-se sobre si próprio. A alma entregue a Deus não pensa nas suas boas obras, na pureza da sua vida, nos méritos que acumula. Não se interessa em saber o que pensam dela. Não procura chamar a atenção para a sua pessoa, para os seus atos, nem mesmo para os seus defeitos e faltas. Não procura para si a aprovação, os favores ou a benevolência alheia, porque, nada sendo, nada pode pretender.

A alma que se entregou ama ardentemente o seu divino Mestre. Expressa-Lhe este amor de mil modos diversos e encontra a todo o instante novos meios de agradar-Lhe, pois o amor é engenhoso. Mas este amor também é singelo e exclui quaisquer artifícios.

A alma simples nunca pede a Jesus explicações sobre o modo como Ele a trata. Está nas mãos dEle como o barro nas mãos do oleiro. Nota que o Senhor lhe imprime formas muito singulares, mas pode o vaso dizer a quem o moldou: "Por que me fizeste assim?"

Vê também que os caminhos por onde o divino Guia a leva são impenetráveis, mas quem pode dar conselhos à eterna Sabedoria? Avança destemida sob a Sua direção, sem lançar olhares inquietos para o futuro que desconhece, sem se preocupar com um passado que só em Deus vive.

Só se ocupa com o presente, com entusiasmo, mas sem ansiedade. Sabe que, neste mundo cuja glória passa, todo o trabalho e ocupação é veículo para a glória de Deus. Por isso não faz distinção alguma entre as diversas ocupações que o dever lhe impõe. Tudo é bom para ela, por ser tudo Vontade de Deus.

A simplicidade e o desinteresse dessa alma são muitas vezes objeto de admiração neste mundo, onde tudo  é duplicidade e egoísmo. As pessoas procuram às vezes explorar em proveito próprio essa retidão e simplicidade. Armam-lhe laços e procuram surpreender a sua boa fé. Mas a alma simples, não se tendo em nenhuma conta, vivendo esquecida de si mesma, não é vulnerável às surpresas. Não é com ela que as pessoas lidam, mas com Deus; não é a ela que procuram embaraçar, mas ao próprio Deus.

(O dom de si, vida de abandono em Deus, pelo Pe. Joseph Schrijvers, continua com o post: A alma simples ama a cruz).

PS: Grifos meus.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O que é esquecer-se?

Vida de esquecimento próprio


O que é esquecer-se?

Aquele que se entrega a Deus já não se pertence. Deixa de existir aos seus próprios olhos, não vive em si mesmo, mas nAquele a quem se entregou, e não tem outros interesses a não ser os do Mestre.

Esquecer-se de si próprio, por amor, eis a grande lei de toda a vida espiritual. Esquecer-se é excluir das ações, sofrimentos e orações todo o cálculo humano, toda a sombra se amor-próprio ou intenção egoísta.

Esquecer-se é aceitar simplesmente da mão de Deus todas as responsabilidades, todos os deveres, todos os sofrimentos, todas as contrariedades, sem queixumes, sem pretender sobressair por isso, sem examinar a duração e a natureza das próprias penas ou sacrifícios, tal como se eles tivessem atingido outra pessoa.

Esquecer-se é moderar a procura de satisfações pessoais, fugindo das ilícitas e só escolhendo das outras as que a Providência tiver preparado.

Esquecer-se é avaliar-se pelo seu justo valor, isto é, como um mísero pecador; é afastar da memória própria e alheia as qualidades e obras pessoais; é mesmo evitar um olhar ansioso e demorado sobre as próprias fraquezas.

Esquecer-se é desaparecer aos próprios olhos, por um ato de vontade, para não ver em si e nos outros, nas pessoas e nas coisas, senão Jesus e a Sua santa vontade.

Aquele que quiser vir após Mim, diz Jesus, renuncie a si mesmo. Quem desejar ter parte na Ressurreição de Jesus, consinta primeiro em morrer com Jesus; quem quiser com Jesus levantar-se glorioso do túmulo, desça primeiro aí com Ele; quem quiser salvar a sua vida, comece por perdê-la.

O esquecimento próprio é, pois, a renúncia, a humildade, a morte de si mesmo; é o desapego universal.

Quem se esqueceu de si mesmo perdeu tudo. Já não é senhor de sua vontade e sentimentos, nem do seu tempo, nem da sua saúde. Nada lhe resta. As aspirações, gestos e aptidões, tudo o que constitui a riqueza e o orgulho dos outros é posto ao serviço do Senhor.

E a alma compraz-se nesta entrega, regozija-se por se ver roubada a si mesma; receia recuperar a posse de si e pede a Jesus que nunca lho consinta. Divina loucura! Senhor, ensinai-me o esquecimento de mim mesmo.

(O dom de si, vida de abandono em Deus, pelo Pe. José Schrijvers)

PS: Grifos meus.
PS2: Continuarei a transcrever esse capítulo, segue próximos posts:

O egoísmo retoma a direção do mundo

O EGOÍSMO RETOMA A DIREÇÃO DO MUNDO


Senhor! Fostes divinamente amado pelos homens. E, mesmo nos nossos dias, quantos corações puros Vos amam e Vos são dedicados até à morte!

Mas o meu coração confrange-se de tristeza. O número destas almas ardentes não parece diminuir de dia para dia? O egoísmo recupera a direção do mundo. Há tempos que vem infestando com o seu veneno toda a sociedade. Penetra agora na vida familiar e procura infiltrar-se na própria Igreja.

Quando o Senhor voltar à terra, encontrará ainda amor no mundo?

Por toda a parte, a caça aos prazeres, a cupidez, o luxo desenfreado; por toda a parte, a opressão dos fracos, o desdém pelos infelizes, o horror pelos menos favorecidos!

É como se o Senhor Se tivesse retirado, levando consigo o amor e a luz. As sombras já se aglomeram ao redor de nós e o frio faz-se mais intenso. É o melancólico paganismo que volta, como um espectro carregado de ódio, e que ameaça envolver-nos a todos numa imensa mortalha.

Senhor! Tende piedade de nós: Fica conosco, Senhor, pois é tarde e o dia já declina (Lc 24,29). Ficai conosco, senhor, pois faz-se tarde. A noite vem caindo, a terrível noite que nos apavora com os seus fantasmas. Ficai conosco!

Senhor misericordioso, não Vos vingais das nossas faltas sempre repetidas. Volvei os olhos para este pequeníssimo número de almas retas que contais entre nós e deixai-Vos comover. Essas almas entregaram-se sem reservas ao Vosso amor. Seguem-Vos por toda a parte, na vida e na morte. Haveis de abandoná-las e levantar o vosso voo para os céus? Não, o Senhor, nem que restasse uma só alma em vigília permanente, não poderíeis retirar-nos a Vossa misericórdia.

Meu Deus, tomo hoje a resolução de ser uma alma inteiramente dedicada e entregue ao Vosso amor. Comprometo-me também a trazer-Vos numerosos corações, mais puros e abnegados que o meu. Cercar-Vos-emos de amor e Vos impediremos de partir.

(O dom de si, vida de abandono em Deus, pelo Pe. Joseph Schrijvers)

PS: Grifos meus.

MARIA, RESPLANDECENTE DE GLÓRIA!

A BELEZA DE MARIA
PARTE V


MARIA, RESPLANDECENTE DE GLÓRIA!

Depois deste crescimento maravilhoso veio o fim, a coroação. Quem poderia avaliar a santidade da Mãe de Deus, no último instante de sua vida?...

Só Deus o sabe, porque somente Ele pode medir este abismo imensurável.

Os teólogos dizem que, tendo morrido em um êxtase de amor divino, com um tal ardor, sob a ação extraordinária do Espírito Santo, aconteceu que, por mais altos que tivessem sido os graus de graça que tivera antes de Seu último suspiro, Ela duplicou o valor por Seu último ato, dizendo o último adeus a esta vida.

A graça de que Maria foi enriquecida é proporcionada a quatro cousas incompreensíveis:

1. A dignidade de Mãe de Deus, infinita em seu gênero.

2. O amor com que Deus amou a Sua Mãe era o amor mais intenso que jamais tenha existido, depois do amor das três pessoas divinas entre si.

3. O poder de Deus que, de certo modo, esgotou os seus tesouros na santificação de Maria, deu-Lhe tudo o que era razoável dar a uma criatura.

4. Enfim, o mérito desta grande Rainha, não só igualado, mas muitas vezes ultrapassado por uma superabundância dos dons de Deus.

Daí, se compararmos a graça de Maria com a graça de um homem, a de um anjo, e mesmo a de todos os homens e de todos os anjos juntos, teremos uma espécie de infinito entre os dois termos da comparação.

As provas são supérfluas após o que dissemos a respeito da primeira graça dada à Virgem em Sua Conceição. Pode-se, pois, dizer que "a glória de Maria supera a glória de todos os anjos e de todos os santos juntamente, porque os Seus méritos estão acima dos méritos de todos os bem-aventurados".

Estas são as palavras de São Pedro Damião (De Assumpt. B. Virg.)

Sim, é aos seus méritos incomparáveis que Maria deve esta exaltação sem igual. Como Mãe de Deus, é verdade, Ela tem direito à coroa real: o Filho de Maria não podia deixar de conhecer os méritos de Sua Mãe; mas as pedras preciosas que ornam o Seu diadema e o Seu manto real, Ela as adquiriu por Seu zelo inimitável no serviço de Deus.

"Assim como as Suas obras foram as mais perfeitas de todas, diz Santo Ildefonso, não é possível conceber a recompensa e a glória que Ela mereceu". (Sermo 2 de Assumpt.)

"E se está fora de dúvida que Deus recompensa segundo o mérito, como no-lo declarou o apóstolo (Rom. 2,6), igualmente, diz Santo Tomás, a bem-aventurada Virgem, cujo mérito excede o de todos os homens e o de todos os anjos deve ter sido exaltada acima de todas as ordens celestes". (De sanct.)

"Em uma palavra, diz S.Bernardo, calculai as graças singulares que Ela recebeu na terra, e tereis a medida da glória que Ela goza no céu". (Sermo 1 et 2 de Assumpt.)

"Se o Salvador promete aos Seus apóstolos um trono magnifico no Céu, por O terem seguido (Mt. 19,28), e reserva uma grande recompensa à fidelidade no cumprimento dos seus menores deveres (Mt. 25,23), que testemunho de honra não dará Ele diante de toda a corte celestial à Sua Mãe, sempre fiel e tão constante?... Que trono não será por Ele ereto para esta Mãe amante que O seguiu e dEle tão ternamente cuidou aqui na terra, não O abandonou nunca, nem sequer no tempo de Sua morte, quando a ignomínia de Jesus recaía sobre Ela, que lhe dera a vida?..." (Jamar, op.cit.)

Com que entusiasmo e transportes não deviam os anjos honrar aquela que o próprio Deus honra de um modo tão inefável?...

E com que acentos não se unirá a Igreja da terra aos louvores dos anjos e da Igreja triunfante, para cantar a glória daquele a quem Deus revestiu de certo modo com a Sua própria glória?...

Inauditas são também as Suas homenagens, só excedidas por aquelas que reivindica para Si a infinita majestade do Altíssimo.

"Os bem-aventurados louvam a Deus em Maria, diz Dionísio, o cartucho, e louvam Maria Santíssima em Deus, que com tanto amor e munificência trata esta augusta Rainha". (De laud. B. Virg., lib. 4. c. 15)

O profeta-rei anunciava os gloriosos destinos da bem-aventurada Virgem, mil anos antes que lhe fosse dado ver eles se realizarem.

"A Rainha, diz ele, está à Vossa dextra, engalanada com manto de ouro, com variedade de adornos... Mas o principal ornamento da Filha do Rei vem sobretudo de Sua beleza. Longas filas de virgens formam o Seu cortejo. É em nome dEla que serão apresentadas ao Senhor, e elas se dirigem ao Eterno, em transportes de alegria. Ó Rainha, possuireis uma posteridade inumerável... Vossos filhos serão os príncipes da terra e lembrar-se-ão de Vós em todas as gerações e os povos publicarão eternamente os Vossos louvores".

Oh! sim, nós também, sobretudo nós, ó terna Mãe, associar-nos-emos aos coros angélicos para proclamar-Vos, Vós, resplandecente de glória, como éreis resplandecente de graças, pois a glória é o aperfeiçoamento da graça!

Fazei que um dia nos envolva junto a vós um raio dessa glória, para completar e coroar o amor que Vos dedicamos desde agora, e que vos queríamos sempre dedicar.

(Por que amo Maria, pelo Pe. Júlio Maria)

PS: Grifos meus.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Oração pela conversão dos gentios - São Francisco Xavier

Oração pela conversão dos gentios
São Francisco Xavier


(Duma cópia em latim, feita em 1660 - É de Lucena, a cópia latina mais fideligna que se conserva. Assim a introduziu: "Em dois passos o viram sempre banhado em santas e suaves lágrimas, quando consagrava e quando consumia [comungava]. E neste, tendo já o Senhor nas mãos para O Receber, depois de ditas as orações do ritual, ajuntava uma, que ele mesmo compusera, pela conversão dos infiéis: a qual deu, depois de muita importunação, a uma pessoa devota, que com grande instância quis saber dele, em que se detinha naquele tempo. Eram estas palavras em latim, que por serem suas folgaram, porventura, de as saber e dizer os que o entendem" - J.LUCENA, Vida do Padre Francisco Xavier, L.V, c.5)

Eterno Deus, Criador de todas as coisas, lembrai-Vos que as almas dos infiéis são unicamente obra de Vossas mãos e criadas à Vossa imagem e semelhança. Vede, porém, Senhor, como, com afronta Vossa, delas se enche o inferno!

Lembrai-Vos, Senhor, que Jesus Cristo, Vosso Filho, derramando tão generosamente o Seu sangue, por elas sofreu. Não permitais, Senhor, que o Vosso próprio Filho e Senhor nosso, por mais tempo, desprezado dos infiéis; mas, antes, aplacado pelas orações dos escolhidos e da Igreja, bem-aventurada esposa do Vosso Filho, recordai-Vos da Vossa misericórdia e, esquecendo a sua idolatria e infidelidade, fazei que também eles conheçam a Jesus Cristo, Vosso Filho e nosso Senhor, por Vós enviado, que é nossa saúde, vida e ressurreição, pelo qual fomos salvos e livres e a que, seja dada a glória por todos os séculos dos séculos. Amém.

(Oração e informações retiradas do livro: São Francisco Xavier- Obras completas)

Educação moral da criança - Vigilância e oração

Educação moral da criança - Vigilância e oração


Nada mais frágil do que uma criança, que é um cristal humano. A frase é feita e pacifica, servindo de aviso. Ora muito importa convencer os responsáveis de que há várias fragilidades. A física e a moral. Às vezes, a primeira menos exposta do que a segunda. Aquela pode diminuir com os anos e esta em geral aumenta com eles. Fragilidade física é, pois, relativa, mudando-se mais tarde em força e competência. A outra é aquela herança da culpa original.

Pio XII repetiu que é pedagogia fracassada, a que não conta com o pecado original e suas conseqüências no homem. Por sereno que pareça o lago, há tormentas nas suas águas. De límpidas, podem tornar-se bem depressa turvas. Alguém escreveu que não há santo algum, que não tenha sido censurado e castigado na sua infância. Não há herói algum, que não haja sofrido reprimendas para trazê-lo no trilho certo, quando nos anos da sua adolescência. Enfim, tornaram-se os santos uns prodígios de força moral porque, advertidos, corrigidos e vigiados, por quem de direito, cooperaram com o auxílio.

Lembro tal fragilidade moral para dizer aos pais qual e quanta há de ser a vigilância dos filhos. Vigilância que dá com os defeitos e vai corrigindo-os.

Família (leitora), não posso entender a calma de tantos pais que não vigiam a vida moral dos seus tutelados. Parece que lhes bata o filho levar o sobrenome da família. Pais, antes de vosso filho assinar o sobrenome da família, assina o nome dos primeiros pais, assim: fulano de tal, filho de Adão e Eva. Só depois é que aparecem vossos nomes. Portanto, a criança é herdeira da desordem do pecado original, inclinada ao mal.

Na família ninguém larga uma criança à vontade, sob o pretexto de que tem pernas para andar e correr à vontade. Ao contrário teremos quedas e ferimentos evitáveis. Espera-se que seus pezinhos e perninhas fiquem firmes e depois aos poucos se lhe vai ensinando o nadar. Na ordem moral nossas pernas, da infância à velhice, são frouxas, trôpegas. E aqui não vale como documento a honradez passada de um lar, nem seu ambiente de elevada conduta moral. Poderá facilitar a firmeza, sem nunca dispensar a vigilância.

Um dos conselhos de Cristo aos adultos é a vigilância. Usou comparações eloquentes para convencer seus ouvintes de todos os séculos. Foi por isso que São Pedro falou de "um leão" que anda rondando para devorar-nos. Além da vigilância dos olhos, há a outra do coração que se preocupa com a oração. Ela ajuda a vigiar. Porque não rezarão os pais: Não deixeis, Senhor, meus filhos cair em tentação? Aqui torno a insistir calorosamente sobre a invocação dos Santos Anjos, por parte dos filhos e dos pais.

Porventura o ritmo atual da vida, as maravilhas da técnica, os encontros forçados e repetidos, o desaparecimento do sentido do mal e do pecado não estão aí como outros leões que devoram os incautos?

(Mundos entre berços, pelo Pe. Geraldo Pires de Souza)

PS: Grifos meus.

Presentear exageradamente uma criança... um grande perigo!

Presentear exageradamente uma criança... um grande perigo!


Na escola fora feita uma sondagem sobre os desejos das crianças, por ocasião da festa de Natal. Apareceu então o seguinte relatório. Queriam bicicletas completas, bolas de futebol, chuteiras, relógios-pulseiras, carros com bonecas, casas para elas com iluminação completa, máquinas fotográficas e de filmagens, etc. Uma  ou outra criança mencionava um par de sapatos, uma boneca qualquer. A grande maioria descreveu cuidadosamente as qualidades dos presentes desejados.

Dirão os pais que isso prova a mentalidade moderna e técnica da infância atual. E também pode provar como anda exigente essa infância moderna. A razão está na mania de muitos pais, sempre desejosos de atender às vontades mais contra-indicadas pela situação financeira da família. Saem prejudicadas as finanças e também os filhos. Uma criança que não sabe moderar seus desejos, ou melhor, os tem sempre atendidos pelos pais, está sendo educada para uma fracassada na vida.

Longe de mim advogar o método de recusar presentes aos pequenos. Eles precisam dessas provas de afeto. Mas o exagero em entupir os filhos com presentes é igualmente funesto na vida. Não há dúvida, hoje requer-se muita coragem dos pais neste particular. A moda anda por aí: muitos e belos e caros presentes aos filhos. É claro, também a vaidade ou exibição falam neste assunto. Querem brilhar perante outros pela forma dos presentes que fazem.

Vivem saturadas nossas crianças. Já não reagem perante presentes menores, mais singelos. E cada vez mais alto vão colocando suas exigências. Vão perdendo, ou já perderam, aquela delicada sensibilidade da alegria com coisas pequenas e simples. Será vantagem cultivar tal doença? A vida dá coisas pequenas. Raramente é fada encantada com régios regalos de alegrias, felicidades e surpresas. Se alguém desensinasse uma criança maior a matar sua sede com água fresca e pura de uma fonte, lhe prestaria porventura um benefício? Certamente que não. Por que vamos contudo adotar outro método, quando se trata de saciar a sede de um coração infantil?

(Mundos entre berços, pelo Pe. Geraldo Pires de Souza)

PS: Grifos meus.