terça-feira, 18 de maio de 2010

Uma fonte de energia - A donzela cristã e a oração

Uma fonte de energia
A donzela cristã e a oração


A oração é um colóquio de amor com Deus

A criança, que ama verdadeiramente os pais, gosta de falar com eles, manifesta-lhes tudo que agita o seu coração. Cada alegria que sente, vai logo comunicá-la à mãe, ou ao pai; expõe-lhes todas as suas dores; narra-lhes os seus receios; conta-lhes os seus interesses.

Se a criança passasse com seus pais um dia inteiro, sem lhes dirigir uma só palavra, teriam muita razão em se queixar: nosso filho não nos ama, pois se nos amasse seria mais comunicativo conosco.

É o que dará contigo, jovem cristã, se amares a Deus e Vosso Salvador, verdadeiramente, e de coração, sentir-se-ás necessariamente compelida a falar com Ele, a entreter-se com Ele, isto é, a rezar. A oração é para ti um dever sagrado, que não hás de omitir um só dia sequer.

1º - A oração te enobrece

Conta-se que a opala à luz solar por muito tempo, é penetrada tão profundamente pelos raios, que (esta pedra) se torna inteiramente luminosa, e na escuridão da noite, irradia uma luz brilhante.

A opala é a imagem da alma, que na oração, se põe em contato com o Altíssimo.

A alma, quando reza, entra em relação íntima com Deus, infinitamente grande, infinitamente perfeito e santo. A luz de Deus, os raios da Sua santidade e magnificência atuam sobre ela. Deus a alumia e a penetra cada vez mais com Sua graça, a atrai cada vez mais para si, eleva-a e a enobrece.

A alma, pela oração, torna-se semelhante a Deus. Aqui, também, viria muito a propósito o brocardo: "Dize-me com quem andas e dir-te-eis quem és".

Afirmou alguém: o homem é tão grande, quanto o são seus pensamentos. Se isto é verdade, não deve então a donzela, quando ora, com seu espírito embebido de infinita sublimidade e grandeza de Deus, transportar-se a uma altura que deixe muito abaixo de si todas as grandezas da terra?

Não deve a sua alma, o seu entendimento e a sua vontade adquirir sempre mais luz, mais perfeição, mais nobreza de coração? "Aproxima-te do Senhor, e serás iluminada". (Sl. 33,6).

São Gregório Nazianzeno comenta: "Assim como o corpo se torna iluminado pela luz do sol, assim também a alma recebe a luz através dos raios da graça, na oração".

Quem reza, sobranceia sempre todas as criaturas visíveis, que não podem orar. Entre os próprios homens, o pobre operário, que todos os dias junta as mãos calosas para rezar, piedosamente, é mil vezes mais digno de louvor e respeito, do que o príncipe orgulhoso, que despreza a Deus e nunca ora.

A humilde criada, que não recebeu nenhuma formação especial e que deve, constantemente ocupar-se de seu trabalho obscuro, mas ama a Deus e todos os dias, regularmente, faz a sua oração piedosa, acha-se num plano muito mais alto do que a dama vaidosa que arrasta a seda e veludo e ostenta custosos diamantes, mas que há muitos anos não se preocupa com Deus e não quer saber da oração.

Se não rezas, jovem cristã, intimamente renuncias a Deus, fonte única de tudo que é bom e nobre, e retornas à pobreza do teu próprio eu, que te arrasta para a miséria e para o pecado. Se não rezas, abdicas da tua verdadeira dignidade.

2º - A oração fortalece-te

Lá está uma árvore, com sua beleza e suntuosidade próprias da primavera; ornada de verdes folhas e toda ataviada de lindas flores.
Aproxima-se dela um insensato e pensa consigo: "Faz-me pena esta árvore! Tudo nela é belo: os ramos, que se agitam no ar; as flores, cujas formosuras encantam. Todavia, a casca áspera e feia que lhe reveste o tronco deforma-a completamente. Deve, portanto desaparecer". Começa ele a retirar aquela casca tão pouco vistosa, arrojando-a para longe.

Mas, qual a conseqüência?

Durante algum tempo a árvore, com certa dificuldade, permanecerá ainda verde e se cobrirá de flores; depois entrará a murchar, e, no outono, em vão nela se procurará um fruto, sequer. Aquela casca desprezada contém os canais, como que veias, através das quais circulam a eiva e a força, a vida e o vigor. A privação da casca explica a morte da árvore.

O mesmo acontece com a oração, que muitas jovens e donzelas desprezam com arrogância e leviandade. Os atos de piedade são como canais e veias por onde descem até nós a força e a graça sobrenaturais.

Se rezarem bem, donzela cristã, estás a te apoiar humildemente em Deus e d'Ele, que é a força e poder infinitos, jorrarão a santidade e o vigor sobre a tua fraqueza. Sentir-te-á reanimada e fortalecida, de tal modo que poderás dominar as tuas más inclinações e exclamarás, então, como o Apóstolo dos gentios: “Tudo posso Naquele que me conforta” (Fil. 4,13).

Como a oração nos comunica força sobrenatural contra os inimigos da nossa salvação, admoesta-nos o Divino Salvador: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação” (Mt., 26,38).

Eis por que se deve, sobremodo, lamentar que muitos jovens, e até muitas donzelas, precisamente naqueles anos em que os ameaçam tantos perigos e tentações, rezem com demasiada negligência, e por vezes, durante largo tempo, abandonem de todo a oração.
Quantas moças, moralmente fracas, passariam a ser virtuosas se todos os dias fizessem oração, de modo regular! A sua infelicidade tem por causa o abandono da oração. Esqueceram a Deus e não se importam mais com Ele; e Deus as abandona a sua própria fraqueza e impotência.

Disse um grande bispo dos últimos tempos, Martinho de Paderbon: "É grande desgraça pecar, mas há uma desdita ainda maior - pecar e deixar de rezar".

3º - A oração é fonte de consolações e de entusiasmo

Quando, no ardente verão, os raios abrasadores do sol queimam por muito tempo, as flores deixam cair as corolas tristes e murchas.

Mas, quando a noite desce e o branco orvalho penetra na terra, tudo na natureza respira, novamente, até as flores se erguem reanimadas e alegres.

Para o coração humano existem, também, às vezes, certas horas em que lhe falta ânimo, como à pobre flor, nos dias abrasados do verão. Horas, em que sente a perfídia, ou se vê em conflito com a maldade humana; horas, em que graves tentações o assaltam e perturbam, ou duros e amargos sofrimentos espirituais procuram roubar-lhes a coragem e a confiança.

Sabes, porventura, o que pode levantar-te o espírito naquelas horas, dar-te nova vida, novo alento?

É o orvalho da graça celeste, que a oração filtra em tua alma. Encaminha-te, pois a casa de Deus ou ao teu quarto, recolhe-te, ajoelha-te e expõe a Deus teus sofrimentos, implora o Seu auxílio, e persuade-te de que receberás nova energia e uma disposição íntima para continuar a viver.

"Chama por mim no dia da tribulação, eu te salvarei e tu me louvarás" (Sl. 49,15).

E, se acaso Deus, não afastar de ti completamente a adversidade, ela se converterá para ti em fonte de bênçãos, no tempo e na eternidade. Como a oração é poderosa em sumo grau, toma resoluções particularmente apropriadas a tua vida de piedade.

Se há tempo, em que a necessidade da oração se faz sentir de maneira especial, é sem dúvida o tempo do azáfama e ansiedade, da disposição e açodamento.

É justamente nesta fase que nos devemos apegar a Deus, e da noção da eternidade tirar uma força sobrenatural, sempre nova, que nos senhoreia e fortalece; do contrário, desvanecer-se-iam as nossas energias espirituais, e dentro em pouco nos tornaríamos servos submissos de "Mamon", ou escravos das paixões idólatras de nós mesmos.

É precisamente, ao nosso tempo, que se aplica a velha e sábia divisa: "Ora et labora" - Reza e trabalha!

Portanto, donzela cristã, antes de tudo, não deixe de fazer regularmente a tua piedosa oração, pela manhã. Também aqui se verifica a sentença: "A hora matinal tem ouro nos lábios" - Morgenstund hat Gold in Mund.

No decorrer desta oração matinal, tão pouco omitas uma ou outra resolução apropriada ao dia que se inicia. Propõe-te, sobretudo, estar atenta a cada ocasião favorável que se oferecer para corrigir tua inclinação e evitar as faltas habituais, vencendo-te a ti mesma. Suplica humilde ao teu Divino Salvador o auxílio de Sua graça, para que possas cumprir fielmente tuas boas resoluções.

Antecipa-lhe também a oferta de tudo quanto no decorrer do dia fizeres. Esta boa disposição será de grande proveito para a vida cristã. Renova-a portanto, muitas vezes durante o dia, sobretudo quando a impaciência tentar estabelecer-se no teu íntimo, ou alguma intenção vaidosa buscar infiltrar-se em tuas ações.

À noite agradece a Deus, em poucas palavras, todas as graças e benefícios que te concedeu durante o dia. Examina a consciência sobre os pecados e faltas que cometeste, excita em ti um vigoroso ato de arrependimento, acrescentando-lhe a firme resolução de te vigiares melhor no dia seguinte e cumpre fielmente as tuas obrigações.

Encomenda-te à bondade infinita de Deus, à Bem-aventurada Virgem Maria e ao teu Anjo da Guarda, para que te protejam durante a noite contra todos os perigos da alma e do corpo.

Em dez minutos poderás fazer bem a oração da manhã e da noite.

No entanto, muito grande te será a sua utilidade, se permaneceres constantemente fiel a este salutar exercício. Para fazeres bem, com atenção e piedade, a tua oração, cumpre-me aconselhar-te, sobretudo, a te colocares na verdadeira disposição logo no início dela, pondo-te vivamente na presença de Deus, com o que lhe darás bom começo. Se, ao depois, sobrevierem distrações, concentra-te de novo e continua a rezar tranqüilamente.

Desejaria ainda inculcar-te, que faças tua oração da manhã e da noite de joelhos, se isto não te for muito incômodo. Assim a oração terá mais força, se lhe associarmos o desprendimento e a humildade. Esta é a atitude mais conveniente a nós, criaturas pecadoras, e mais conforme à grandeza infinita e à santidade de Deus.

Pensamentos grandes e elevados surgirão no espírito da donzela, toda a vez que se entretiver com o Senhor em oração humilde e piedosa. Faze, portanto, a tua oração cada dia regularmente.

(A donzela cristã, do Pe. Matias de Bremscheid )

PS: Grifos meus.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Orações para antes e depois da meditação

Orações


Antes da meditação

Eis-me aqui, meu bom Jesus, em Vossa divina presença. - Venho, cheio de confiança, prostrar-me a Vosso pés, - quereria esconder-me no Vosso amantíssimo Coração - para escutar de mais perto Vossos desejos e sentir mais intimamente Vossas pulsações de amor.

Venho, querido Jesus, - escutar a Vossa voz e falar-Vos por minha vez. - Tantas coisas tenho de aprender de Vós e tantas tenho de dizer e pedir-Vos.

Meu Jesus amado, falai; - penetre a Vossa voz até o íntimo de minha alma, - e depois ensinai-me também a falar, - a entreter-me intimamente conVosco num destes colóquios interiores - que animam, fortificam e estimulam na prática da perfeição.

Puríssimo coração de Minha Mãe, compadecei-vos de mim, - e não me desampareis durante e após esta meditação. - Eu vos ofereço e vos consagro - todos os meus pensamentos, desejos, afetos e resoluções. Tomai e oferecei tudo a Jesus - depois de tê-lo purificado e embelezado no Vosso amantíssimo Coração. - Por indigno que isto seja, por amor de Vós Ele há de aceitá-lo - e atenderá às minhas humildes preces.

Ó Jesus, vivendo em Maria - vinde e vivei em mim pelo Vosso espírito de santidade, - pela plenitude de Vossos dons e perfeição de Vossas leis, - pela prática de Vossas virtudes e comunhão de Vossos divinos mistérios.

Dominai em mim as forças dos inimigos: mundo, demônio e carne, - pelo poder de Vosso amor, para glória de Vosso eterno Pai. Amém.

Ave Maria...

Depois da meditação

Meu querido Jesus, - eis terminado o tempo da meditação, não porém o tempo de nosso colóquio amoroso. - Oh! peço-Vos a graça de poder continuar a entreter-me conVosco, durante este dia inteiro, - como acabo de fazê-lo durante esta meditação.

É tão suave e tão consolador o tempo passado a Vossos pés. - perto de Vosso Coração, - que eu quero aí fixar a minha morada para sempre. - As ocupações externas podem interromper materialmente a nossa conversação; - mas quero que não diminuam a nossa intimidade nem o nosso amor.

Quero durante este dia conservar a Vossa lembrança, - avivá-la em cada oração de hora, - e aplicar-me a imitar as Vossas virtudes, - especialmente aquela que é o objeto da minha resolução de hoje...

(Uma pausa...especificar).

Agradeço-Vos, meu querido Jesus, as graças recebidas durante esta meditação. - Aceitai, em ação de graças, - o amor, pureza e a fidelidade de Vossa divina Mãe, - e por amor del'A guardai-me, defendei-me e guiai-me, - no caminho do dever e da santidade. Amém.

Alma de Maria, santificai-me;
Coração de Maria, inflamai-me;
Mãos de Maria, sustentai-me;
Pés de Maria, dirigi-me;
Olhos imaculados de Maria, olhai-me;
Lábios de Maria, falai-me;
Dores de Maria, fortalecei-me;

Ó doce Maria, atendei-me;
Escondei-me no Coração de Jesus;
Não permitais que de Vós me aparte;
Defendei-me contra os meus inimigos;
Na hora da morte: chamai-me;
Levai-me para o meu querido Jesus;
Alcançai-me o perdão das minhas fraquezas;

Colocai-me perto de Vosso trono;
Para conVosco amar e louvar a Jesus;
Nos séculos dos séculos. Amém.

(Orações retiradas do livro: Contemplações evangélicas doutrinais e morais sobre a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo -  I Tomo - Os pródromos do calvário - Pe. Júlio Maria - missionário de N.ª S.ª do SS. Sacramento)

Divulgando a devoção a santa Filomena

Nota: Segue link para download do livro: Santa Filomena a Grande Milagrosa.

Só uma observação: o livro físico possui mais dados.
Agradeço a generosidade da leitora Tânia Ogawa que disponibilizou esse livro para os leitores do nosso blogue.

Divulgando a devoção a santa Filomena


Outro meio muito eficaz de conquistar o amor e o interesse da Querida Santinha é divulgar a sua devoção e tornar o seu milagroso poder conhecido por toda a parte.

A maneira mais fácil de atingir este fim é distribuir a Vida ou História da santa pelo maior número de pessoas que seja possível.

Atentando-se bem na simples narrativa de todos os prodígios que Ela realiza e dos benefícios que Ela alcança, é quase impossível não sentir uma poderosa atração e um ardente amor pela querida Tamaturga. Aqueles que divulgam a sua devoção pordem ficar certos de obter a sua proteção poderosíssima.

(Excertos do livro: Santa Filomena a Grande Milagrosa, por E.D.M)

domingo, 16 de maio de 2010

A generosidade da donzela cristã

A generosidade da donzela cristã


É uma virtude altiva e corajosa, que imprime à vontade a força de resistir, de sofrer e de agir segundo o dever, segundo a fé e segundo Deus. Apesar das provações, das dificuldades, dos perigos, dos desânimos, ela segue seu caminho sem se deixar abater, sem desanimar, sem tremer; à maneira do sol, que segue o seu caminho acima das tempestades e que só desaparece à tarde para iluminar outros céus e renascer no dia seguinte.

O P. de Ravignam escrevia: "quero assinalar-me no serviço de Nosso Senhor, distinguir-me para Sua glória e para Seu serviço." Tende, também vós, esta altiva paixão. Tendes recebido tanto de Deus, sede agradecida! Vós, que sois delicada com todos, sede-o sobretudo com Nosso Senhor: "Que devia eu fazer por vós que não tenha feito?", diz-vos Ele... Não poderíamos também dizer-vos: "Quanta coisa poderíeis ter feito por Deus e não fizeste!..."?

A generosidade pode às vezes ser ajudada, sustentada por um temperamento feliz, por uma sensibilidade maior, pelas graças trazidas por uma vocação de escolha, mas antes de tudo é uma virtude que pede esforços, renúncias e lutas.

a) Sede generosa e forte no cumprimento do dever cotidiano

Sê-lo-eis facilmente um dia, uma semana; mas todos os dias, até à morte, dura muito! É preciso uma grande soma de energia para assim saber vencer-se sempre. No fundo, basta para isso ver em cada um dos acontecimentos que formam a trama habitual da vossa vida a mão de Deus e a sua santa vontade!

Por que é que não tendes a força de cumprir assim esse dever monótomo, e às vezes tão duro, que se impõe a vós cada manhã? É porque a idéia de Deus está ausente do vosso coração. Se pensásseis em que é Ele quem vos chama e vos envia ao vosso dever, seríeis mais corajosa!

Ora, esse dever só raramente vos pede esforços heróicos, as mais das vezes é modesto, porém exige de vós uma renúncia de todas as honras. É mister aceitá-lo alegremente, e servir a Deus sem ruído, sem brilho, sem murmuração, sem desfalecimento.

É fácil ser generoso nesse minuto "deslumbrante e breve", nesse "relâmpago que vale a eternidade", em que o entusiasmo vos soergue acima de vós mesma e vos esconde sob um véu de glória o horror do sacrifício, lançando-vos cegamente na trilha soberba que se abre diante de vós.

Mas ser fiel ao dever cotidiano, durante a longa série dos dias que passam um após outro, pardacentos, monótonos, pesados, frios como dias de inverno, de um inverno que não traria de novo a primavera, eis aí a verdadeira generosidade cristã.

Ainda quando tivésseis de ver despegar-se de vós, pedaço por pedaço, tudo o que faz a vossa alegria ou a vossa razão de viver, juventude, saúde, afetos, "chances", de felicidade, sonhos de futuro, persisti, resisti, ficai firme, ainda quanto tivésseis de morrer nesse posto que Deus vos deu, e, se preciso for, "morrer longo tempo".

Sereis, talvez, admirável sem o saberdes, heroína modesta da oficina ou do lar; mas a vossa abnegação e os vossos sofrimentos terão atraído sobre vós, senão o olhar dos homens, certamente os olhares de Deus.

b) Sede generosa e forte nos sofrimentos físicos e morais

A vida é cheia deles, não os evitareis. No Calvário havia três crucificados, um inocente e dois culpados. Jesus era inocente e sofria por amor de nós. E vós, que haveis pecado, quereríeis não sofrer? Os dois ladrões eram culpados, mas um sofreu bem e salvou-se, ao passo que o outro sofreu mal e não obteve a mesma promessa do Salvador.

Em face da dor, uns se enrijam num estoicismo brutal e declaram que não sofrem. Orgulho! Outros murmuram e dizem: "Que fiz eu a Deus para que Ele assim me faça sofrer?" O Cura d'Arc lhes responde: "Infelizes, vós O crucificastes, e Ele, que tinha feito?"

O cristão compreende a sublime beleza do sofrimento, aceita-a, não só em silêncio, com resignação e coragem, mas com amor.

Vós, ide mais longe, ensaiai sorrir ao sofrimento Tirar-lhe-eis assim um boa parte do seu amargor, e agradareis a Deus. Santa Joana d'Arc, ferida, dizia: "Não me lastimeis! não é sangue que corre, é glória!" Dizei também, nos vossos sofrimentos pequenos ou grandes: Não me lastimeis, é por Deus que eu sofro! O sofrimento depura, engrandece, vem de Deus, a Ele nos conduz ou reconduz.

E se, em certas horas vos retém este pensamento lancinante que circula tanto entre os que têm pouca fé: "Por que será que Deus, que é bom, me faz assim sofrer?", compreendei bem o que segue.

1 - A dor é um instrumento divino que forja nossas almas.

2 - A dor é inseparável do amor; não se pode amar sem sofrer, mormente sabendo como se deve expiar.

3 - O próprio Jesus, o Inocente, descido do céu para vir salver seus "irmãos" culpados, quis aturar os mais terríveis suplícios, por que?...

4 - Maria, a doce e bela criatura, a sublime Mãe de Deus, também sofreu tanto, que a Igreja a chama "Rainha dos mártires". Ora, compreendeis por que foi que Jesus, que amava Maria tanto quanto um filho pode amar sua mãe (e quanto mais Ele, que era Deus), permitiu que Ela tivesse de sofrer tanto?... Por que foi que Ele quis fazer de Sua mãe a "Mãe das dores"?...

Meditai estes fortes pensamentos nos dias em que não compreenderdes o "por que do sofrimento".

c) sede generosa e forte mesmo depois de vossas quedas

Podem ocorrer quedas na vida. A nossa existência não se passa em cair e levantar-se? Sabei, pois, levantar-vos sempre, levantar-vos imediatamente, apesar da humilhação da derrota, e repor-vos imediatamente em forma para afrontar novos combates. Quando uma falta vos abater e mordesdes o pó, sereis tentada a dizer como Paulo, após a sua queda no caminho de Damasco:

"Que quereis que eu faça?" Uma voz respondeu-lhe: "Levanta-te"... "Levanta-te e anda", diz o anjo ao profeta Elias. Ele se levantou, e andou até à montanha do Senhor. Não vos deixeis, pois, entorpecer pelas quedas, pelas tentações, por todas essas misérias inevitáveis aos pobres seres frágeis deste mundo. Levantai-vos e andai!

Se sois uma triste vítima do respeito humano, quebrai vossos grilhões, alçai a fronte, reerguei-vos, levantai-vos e andai!

Se sois uma alma desanimada ou adormecida à beira da estrada, acordai, levantai-vos e andai!

Se sois uma cristã de água de rodas, sede-o de água do batismo, regenerada no sangue de um Deus, levantai-vos e andai!

Se sois uma cristã intermitente ou incompleta, que tentais satisfazer, a um tempo, a Deus e ao mundo, não vos esqueçais de que não se pode servir a dois senhores, Jesus vos chama, ide a Ele, levantai-vos e andai!

Se sois como aquele pobre paralítico que "não tinha ninguém para mergulhá-lo na piscina", tendes um Deus feito homem que vem a vós e que vos quer curar: deixa-O mergulhar-vos na piscina do sofrimento, e depois ide, levantai-vos e andai!

Se sois como Lázaro, se a vossa pobre alma está morta, então, sobretudo, compreendei esta palavra tornada célebre: "De pé, mortos! de pé!" Saí do túmulo do pecado! Jesus aí está, pertinho de vós, que vos chama para quebrar as ataduras que retêm cativa a vossa alma. Saí do túmulo da morte, ressuscitai, de pé, levantai-vos e andai!

Um pequeno ferido dizia, impaciente de voltar ao combate: "Um ferimento é como a sopa, faz crescer!"... Podereis ser ferida na luta pela virtude. Mas, se quiserdes, esse ferimento vos fará crescer com a condição de saberdes ser humilde e generosa.

(Formação da donzela - Pe. J.Baeteman)

PS: Grifos meus.

sábado, 15 de maio de 2010

Consciência

Consciência


Os Mandamentos são a regra dos atos humanos. Tudo que lhes é conforme é bom; o oposto, é mau. Mas, para saber se os nossos atos são conforme ou opostos aos Mandamentos, Deus nos deu a consciência, que aplica a nós a lei divina.

A lei de Deus, em si mesma, é invariável: universal e imutável. Mas, entendida e aplicada pelos homens, toma formas quantas são as maneiras de cada um julgar a moralidade das coisas. Daí a importância de saber que é a consciência, e quando aplica bem ou mal os Mandamentos.

O que é a consciência

1 - É um juizo prático pelo qual se julga, em cada circunstância, o que é obrigatório, permitido ou proibido.

2 - Antes da ação, a consciência nos esclarece sobre o valor do ato; se é bom, permite e aconselha; se é mau, proíbe.

3 - Durante a ação, nos julga: dá testemunho do bem e do mal que fazemos, encorajando-nos ou procurando deter-nos.

4 - Depois da ação, ela nos recompensa pela satisfação do bem feito, ou nos castiga pelo remorso.

A consciência obriga

Somos responsáveis na medida em que julgamos bom ou mau o que fazemos, no momento mesmo de agir. Por isto nunca se pode agir contra a consciência.

a) Tudo o que não é segundo a consciência é pecado (Rom. 14,23). Tudo o que se faz contra a consciência leva ao inferno (Conc. Latrão).

b) A consciência é em nós a voz de Deus para os casos particulares: não ouvi-la é desprezar a voz de Deus.

Espécies

1 - Nem sempre os homens julgam do mesmo modo a moralidade das coisas. Isto acontece por vários motivos:

a) ignorância: desconhecem o que a lei divina manda ou proibe;
b) educação: o ambiente, a convivência podem fazer com que os homens julguem erradamente o valor moral das coisas;
c) paixões: o homem é inclinado a julgar permitindo o que lhe agrada;
d) mau exemplo: a tendência de imitar leva a pensar e fazer como os outros. (Conhece casos de pessoas que, mudando de ambiente, mudam de modo de pensar e agir?).

2 - A consciência é verdadeira quando julga bom o que é bom e mau o que é mau. Julgando o contrário, é errônea.

3 - A consciência é certa ou duvidosa conforme tenha ou não tenha convicção de seu julgamento.

4 - A consciência escrupulosa teme pecado onde não há, ou acha grave o que é leve; a laxa faz o contrário.

Regras

1 - Temos obrigação de agir segundo a nossa própria consciência; mas só podemos ter plena confiança quando ela é verdadeira e certa.

2 - Nos casos de dúvida, procuremos afastá-la, consultando pessoas esclarecidas, estudando, refletindo para formarmos uma norma segura.

3 - Os escrupulosos obedecem com confiança ao seu confessor, e fiquem tranqüilos.

4 - Os laxos procurem corrigir essa deformação, pois é grave perigo guiar-se por uma consciência laxa.

Formação da consciência

1 - A consciência se deforma pela ignorância, pela má educação, pelas paixões soltas e pelos maus exemplos. O hábito do pecado arrebata o sentimento moral, e a hipocrisia nos dá um peso para nós, outro para o próximo. O afastamento dos deveres religiosos embota-nos a consciência; o demasiado cuidado dos bens terrenos nos faz esquecer as preocupações morais, e a prática dos atos sensuais (boa mesa, embriaguez, pecados contra a castidade, muito mimo com o corpo) enerva o coração e afasta o homem das coisas espirituais.

Não admira que pessoas assim, cegas de espírito, duras de coração, vivam tranqüilas e insensíveis no mal, com uma obstinação, que é o último passo em vida para a condenação eterna.

2 - Para se ter a consciência bem formada devem-se empregar os seguintes meios:

a) Instruir-se sobre os próprios deveres para saber o que deve fazer ou evitar.
b) Fazer leituras, em que se louva e ensina o bem. Os jovens com especialidade nunca devem ler maus livros, sob nenhum pretexto. E só devem ler bons livros. Praticar a leitura espiritual.

c) Consultar pessoas honestas e doutas sobre o que se deve fazer e por que.

As razões por que  devemos agir firmam as convicções. Quem age por convicções, age com muito mais segurança.

d) Fugir dos maus e conviver com pessoas de consciência bem formada.

e) Cultivar a sinceridade não só com os outros, mas consigo, julgando as próprias ações como julga as alheias.

f) Procurar em tudo a vontade de Deus e não a própria satisfação.

É preciso que nos acostumemos a fazer o que devemos, e não o que queremos. Diante do dever o homem reto só vê uma conveniência: - cumpri-lo.

g) Quando faz o mal, ver o maior castigo na deprovação da consciência; quando faz o bem, ter o melhor prêmio no seu aplauso.

Para viver a doutrina

1 - Quem tem uma consciência má vive infeliz. Sabe que está desviando do bom caminho. E por mais que faça  para viver tranqüilo, os remorsos não o deixam. Perturbam-no, apavoram-no: "Não há paz para os ímpios" (Is. 48,22); "os que praticam o mal, vivem apavorados" (Prov. 21,15).

A voz da consciência o acusa como a Caim, e o temor da morte o persegue (Gen. 4,14). É que o seu verme não morre (Mc. 9,47). E o pecado sabe por que teme. Baltazar se conturbou ao ver a mão escrevendo na parede (Dan. 5,6). Antíoco nem podia dormir com a lembrança de seus males (I Mac. 6,8-13). Às vezes vai até ao desespero, como Judas (Mt. 27,5).

2 - Quem tem uma boa consciência só teme ofender a Deus. Só pensa em fazer o bem e evitar o mal, obedecendo à Lei de Deus e fugindo assim ao pecado. Todos os males que lhe acontecerem por isto não o perturbam. Pouco se lhe dá que o mundo o censure, os inimigos o ameacem, os interesses padeçam, os amigos se desgostem, a saúde se arruíne, a vida perigue. Prefere tudo, contanto que fique em paz com a própria consciência.

Assim, fizeram os santos. Temos no Brasil o exemplo admirável de D. Vital. Quwm age com boa consciência fica tranqüilo, mesmo no meio das tormentas, dizendo, como Jó: "O meu coração nada me reprova" (Jo. 27,6).

3 - Não esperemos de ninguém a recompensa ou o castigo das nossas ações. Nem sempre os homens recompensam o bem que fazemos ou castigam o mal. Há casos em que os homens aplaudem o que a consciência me censura. Ou vice-versa. Ouçamos a voz da consciência, e nos tranqüilizemos. Isto nos ensinará a cumprirmos serenamente o dever.

4 - A melhor maneira de formar a boa consciência é uma boa vida cristã. A essência da vida cristã é o estado de graça. E o estado de graça é o mais poderoso meio de formação da consciência.

Assim como o pecado, vai nos escurecendo, deformando, insensibilidade, afazendo ao mal, o estado de graça vai esclarecendo, tornando sensível e delicada a consciência, despertando o cuidado de fugir ao pecado (mesmo venial) e acostuma à claridade ou à escuridão... Por mais de um motivo, devemos viver sempre em estado de graça, como bons cristãos.

5 - O exame de consciência é recomendado até por pagãos. É dos mais proveitosos meios, não só de formação de consciência, mas de perfeição cristã.

Damos o método de Santo Inácio, que não é exclusivo. Para o exame geral dá as seguintes normas:

1) Dar graças a Deus pelos Deus pelos benefícios recebidos. Isto nos mostra quanto é ingrato quem se rebela contra o Benfeitor.

2) Pedir a graça de conhecer e detestar os pecados. Precisamos do auxílio divino tanto para uma como para outra coisa.

3) Examinar-se desde o despertar até o momento presente, de hora ou de tempo em tempo.

4) Pedir a Deus perdão das faltas. A contrição é o elemento principal do exame.

5) Propor emenda, com uma resolução prática, que escolhe os meios. Por fim, o Pater.

6) É de suma importância sabermos sabermos as causas dos pecados. É bom conhecermos nossas faltas externas. Mais vantajoso ainda irmos aos motivos interiores donde elas nascem.

Faltando à caridade, podemos agir leviandade, ciúmes, inveja, vaidade; se agirmos deliberados para magoar o próximo, se tínhamos consciência da malícia do nosso ato, ou se agimos inconsideradamente, sem medir o alcance do que fazíamos, ou sem pleno consentimento.

No começo haverá alguma dificuldade nisto; mas irá desaparecendo aos poucos. Então veremos os bons efeitos do exame de consciência para a correção dos defeitos e para a perfeição.

(O caminho da vida - Pe. Álvaro Negromonte)

PS: Grifos do autor.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A moral

A moral


O homem deve fazer o bem e evitar o mal. Só assim ele se assemelhará de fato ao Pai que o criou, e poderá gozar d'Ele no céu. Só a prática do bem nos assegura a proximidade do sumo Bem, realizando o nosso destino.

Mas o homem precisa conhecer o bem que deve fazer e o mal que deve evitar. São as normas mesmas de sua vida. São os caminhos que deve trilhar, para chegar ao termo  a que se destina. É este o "caminho da vida", da única verdadeira vida - a vida eterna.

Noção de moral

1 - Dando ao homem capacidade para conhecer e querer o bem e o mal, Deus quer que o homem faça isto e evite aquilo. A vontade de Deus sobre o homem é a regra primeira de toda a Moral. Chama-se também a lei eterna. Tudo o que lhe é conforme é moral; tudo o que dela se afasta é imoral. É a regra suprema de bem e do mal.

2 - Para conhecer esta regra eterna Deus deu ao homem a razão. Não estando perturbada pelas paixões, nem desviada pelos prejuízos, a reta razão manifesta ao homem os ditames da Razão Eterna. É o meio natural que temos de conhecer o que quer de nós a vontade divina.

3 - Moral é um conjunto de regras que dirigem os atos livres do homem, de acordo com a reta razão e a vontade positiva de Deus.

4 - Para que um ato seja moral exige-se que o homem o pratique em pleno domínio de si mesmo. É necessário que conheça e decida o que faz, em perfeita consciência e deliberação. O ato moral é portanto, o ato consciente e voluntário. A ele chama-se - ato humano...

Moral natural

A Moral se divide em natural e revelada.

1 - A Moral natural regula os costumes pelos ditames da razão. A razão distingue o homem dos outros animais. Para permanecer na altura da própria dignidade, o homem deve seguir o que lhe dita a reta razão.

2 - Em vista, porém, do pecado original, é difícil o homem manter-se em equilíbrio. As paixões influem na razão, escurecendo-a, desviando-a. Vêm daí os perigos e a insuficiência da moral natural.

Moral revelada

A Moral revelada, que é a Moral Cristã, baseia-se na própria natureza humana. Mas Deus, vendo a impossibilidade de seguir o homem um caminho seguro, ditou-lhe leis, dando de modo positivo o que já tinha posto na própria natureza humana.

Submete o homem inteiramente a Deus, seu Criador, e lhe orienta a vida não para o prazer, ou para o interesse, ou para os outros homens (a sociedade), mas para o próprio Deus. Oferece uma recompensa ao bem e um castigo ao mal. É uma lei natural, divina e imutável.

Erros

Vários têm sido os erros a respeito da Moral, todos eles fáceis de percebermos.

1 - A moral do prazer ensina que tudo o que dá prazer é lícito.
2 - A moral do interesse ensina que é lícito tudo quanto é útil ao homem. Se a utilidade é comum a moral chama-se social.
3 - A moral científica acha que só a ciência pode impor aos homens normas de agir.
4 - Crítica

a) Nestas morais o homem traça normas a si mesmo, em vez de recebê-las de Deus.
b) Todas essas coisas - prazer, interesse, ciência - são variáveis; ao passo que a Moral é por si imutável.
c) Todas são também de livre escolha: ninguém é obrigado a procurar o prazer ou o interesse; ao passo que as normas da Moral são obrigatórias.

A verdade Moral

1 - A Moral Cristã é a única verdadeira. Consulta, por igual, a situação atual do homem e os seus destinos eternos.

Não se baseia na sensibilidade, no interesse ou na simples razão; inspira-se mais alto. Põe em Deus - Criador, Legislador, Juiz e Remunerador - toda a autoridade. Crer em Deus e admitir outra moral é absurdo.

2 - Deus manifestou positivamente a Sua vontade. É a Moral Revelada.

Nenhuma atende tão perfeitamente às necessidades humanas, porque nenhuma corresponde tão bem à natureza do homem. Reconhece que o homem foi feito para a felicidade: mas esta não se encontra no prazer e sim na alegria de uma boa consciência. Prega o amor do próximo e o bem social, mas sem assentar nisto as bases da moral, - mesmo porque a moralidade é pessoal, e a pessoa anterior à sociedade.

Imutável nos seus princípios, tem vencido todos os tempos, aplicável a todos os povos e situações.

Para viver a doutrina

1 - Temos as normas da vida traçada por Deus. Assim temos a certeza de que agimos conforme a vontade de Deus, quando cumprimos os Mandamentos.

2 - O espírito do mundo introduz princípios facilmente aceitos pelos próprios cristãos. Incautos, eles os vão absorvendo insensivelmente. O desejo imoderado de gozar a vida, a procura desabalada do conforto, a busca ao que traz proveito, o abandono do que não apresenta vantagens práticas são outras tantas manifestações das condenadas morais do prazer e do interesse. No entanto, são muito correntes, ainda entre cristãos que querem viver a sua fé. Precisamos acautelar-nos.

3 - Grave perigo é julgar que certas coisas são permitidas, porque estão em uso. Antigamente podiam ser proibidas, e mesmo deviam, porque o mundo não estava preparado. Mas hoje já evoluímos muito - dizem. O que viola a lei de Deus é condenado em todos os tempos e para todos os homens.

4 - Devemos dar muitas graças a Deus pelo dom da revelação. Sabemos o que devemos fazer. Temos normas seguras e absolutas. Firmes em trilhá-las, podemos ficar tranqüilos de estar no caminho da vida.

5 - Há muitos povos que ainda deconhecem a Moral revelada. E as trevas do paganismo envolvem uma grande parte da humanidade. A obra das Missões é um dever para nós, a fim de que brilhe para os pagãos a luz do Evangelho.

(Excertos do livro: O caminho da vida, do Pe. Álvaro Negromonte)

PS: Itálicos do autor, negritos meus.

Escolhe jovem!

Escolhe jovem!


Um jovem de caráter assim, convencida e francamente católico, é meu ideal. Pena é que os haja tão poucos!

Tal mocidade é de maior valor para a pátria do que minas, fábricas, ferrovias e comércio; vale mais do que todos os bens materiais. Tenho a firme esperança de que, da mocidade de hoje, saiam muitos homens assim, religiosos por conviccção.

Se perguntássemos aos adultos de hoje: "Meu amigo, por que é você tão católico?" - de muitos receberíamos como resposta: "Ora, meus pais eram católicos e deles herdei essa religião".

Nunca dês essa resposta, meu jovem. Espero que quando adulto, hás de dizer:

"Por que sou católico? Ora, porque quero sê-lo. Porque é minha íntima e sagrada convicção, que a fé católica se funda numa verdade divina, eterna, infalível. Porque sinto - e em toda a minha existência o vou comprovando - que unicamente uma vida segundo a fé católica nos torna forte e felizes. Não sou católico por hábito, ou porque por acaso me batizaram, porque meus pais o foram (que mérito seria isso?), mas porque sei que esta é a verdadeira fé, porque é meu maior tesouro...

Vejo claramente sua missão divina, ao considerar que onde a vida é organizada segundo suas normas, ela produz os melhores, os mais nobres e amáveis homens; além disso, nenhuma religião se atreve a opor-se tão franca e decididamente às más inclinações e injustas exigências da natureza humana decaída.

Ela examina e dirige não somente nossas palavras e ações, mas ainda nossos mais secretos pensamentos. É certamente a mais severa das religiões, mas é exatamente o que me causa impressão, pois, apesar da severidade de sua moral, ela dá direção e finalidade a centenas de milhões de homens".

Estas palavras eu espero de ti!

Nos tempos primitivos do cristianismo, vivia um soldado romano chamado Mário, ao qual foi concedido o "vilis militaris", o "bastão de comando", por causa de sua intrepidez. Essa distinção o habilitava a candidatar-se para a primeira vaga de comandante. Mário aproveitou a primeira ocasião e foi nomeado.

Eis porém, aparece outro soldado, antagonista de Mário e relata: "Mário é cristão, não pode ser comandante, seu lugar cabe a mim". Perguntado, Mário não nega: "Sou cristão!" Recebe três horas para decidir-se.

Mário procura o bispo e pede conselho. O bispo conduz o valoroso militar à igreja, toma-lhe a espado do lado, e com o evangelho noutra mão, diz: Escolhe entre ambos. Entre as glórias guerreiras e o Evangelho. Não esperou que terminasse o prazo concedido e apresentou-se ao tribuno. Foi executado.

Escolhe! - dir-te-á  a vida cem vezes ao dia, esta vida mísera, enganadora, dirigida só para a matéria.

Escolhe! - dir-te-á a sociedade em que se travam conversas ambíguas ou obcebas; queres continuar ainda a lutar intransigentemente em prol da pureza, ou passar para a nossa banda, a uivar conosco?

Escolhe! - diz aquela leitura filosófica, - queres conservar escrupulosamente tua fé, embora eu te diga: "Deus está morto"?

Escolhe! - falará um romance moderno, um filme, um teatro, que com estilo elegante e fino, e viva imaginação, insinuam imoralidades.

Escolhe! Queres permanecer um jovem valoroso que, com alma pura e de cabeça erguida, pode seguir altivo o seu caminho, independente do conceito dos libertinos, ou queres tornar-te um efeminado e pretencioso escravo da vida moderna?

Sim, que escolhes?
Peço ao Céu que te ilumine!

(Excertos do livro: A Religião e a Juventude, do Mons. Tihamér Tóth)

PS: Grifos meus.

Da perplexidade do coração que ama sem saber que agrada ao bem-amado

Da perplexidade do coração
que ama sem saber que agrada ao bem-amado
(São Francisco de Sales)


Tendo ficado surdo, um cantor nenhum contentamento tinha em cantar, a não ser o que ver algumas vezes seu príncipe atento a ouví-lo e achar prazer nisto. Oh! que ditoso é o coração que ama a Deus sem nenhum outro prazer senão aquele que acha em agradar a Deus! porquanto, que prazer se pode jamais ter mais puro e mais perfeito do que o que se haure no prazer da Divindade?

Sem embargo, propriamente falando, esse prazer de agradar a Deus não é o amor divino, mas apenas um fruto dele, que dele pode ser separado, como um limão do seu limoeiro. Pois, como eu disse, o nosso músico cantava sempre sem tirar nenhum prazer do seu canto, já que disto o impedia a surdez: e múltiplas vezes cantava também sem ter o prazer de agradar ao seu príncipe, porque, havendo-lhe este ordenado cantar, retirava-se ou ia à caça, sem tomar nem o lazer nem o prazer de ouvi-lo.

Ó Deus! enquanto eu vejo a Vossa face doce que testemunha agradar-Se do canto do meu amor, ai! como fico consolado! pois haverá algum prazer que iguais o prazer de agradar bem a seu Deus? Mas, quando retirais os Vossos olhos de mim, e quando eu não percebo o mais doce favor da complacência que achais no meu cântico, verdadeiro Deus! como minha alma se aflige grandemente! mas no entanto sem cessar de Vos amar fielmente e de cantar continuamente o hino da Vossa dileção, não por qualquer prazer que se ache nisso, pois não o tem, mas pelo puro amor de Vossa vontade.

Tem-se visto uma criança doente comer corajosamente, como incrível repugnância, o que sua mãe lhe dava, só pelo desejo que essa criança tinha de contentá-la; e então comia sem achar prazer algum na comida, mas não sem outro prazer mais estimável e mais elevado, que era o prazer de agradar a sua mãe, e de vê-la ficar contente.

Mas a outra que, sem ver a mãe, só pelo conhecimento que tinha da sua vontade, tomava tudo o que lhe traziam da parte dela, comia sem nenhum prazer, pois não tinha prazer de comer, nem o contentamento de ver o prazer de sua mãe, mas comia simples e puramente para fazer a vontade desta.

A simples satisfação de um príncipe presente, ou de alguma pessoa fortemente amada, torna deliciosas as vigílias, as penas, os suores, e torna os perigos desejáveis; mas não há nada mais triste como servir um amo que não sabe nada disso, ou, se o sabe, não dá nenhuma mostra de o agradecer; e, nesse caso, bem preciso é que o amor seja poderoso, já que se sustenta sozinho sem ser apoiado por nenhum prazer nem por pretensão alguma.

Assim sucede às vezes não termos nenhuma consolação nos exercícios do amor sagrado, visto que, como cantores surdos, não ouvimos a nossa própria voz, nem podemos fluir da suavidade de nosso canto; mas, pelo contrário, além disso somos premiados por mil receios, conturbados por mil atoardas que o inimigo faz em torno do nosso coração, sugerindo-nos que talvez não sejamos agradáveis a Nosso Senhor, e que o nosso amor é inútil, até mesmo que é falso e vão, visto não produzir consolação.

Ora, então, Teótimo, nós trabalhamos não somente sem prazer, mas com extremo aborrecimento, não vendo nem o bem do nosso trabalho, sem o contentamento d'Aquele para quem trabalhamos.

Mas o que aumenta o mal nessa circunstância é que o espírito e suprema ponta da razão não nos pode dar nenhuma espécie de alívio; pois, estando essa pobre porção superior da razão cercada toda das sugestões que o inimigo lhe faz, fica mesmo toda alarmada, e acha-se bastante atarefada em se resguardar de ser surpreendida por algum consentimento no mal; de sorte que não pode fazer nenhuma saída para desenlear a porção inferior do espírito.

E, se bem que não tenha perdido a coragem, está entretanto tão terrivelmente atacada que, se está sem culpa, não está sem pena; portanto para cúmulo do seu aborrecimento, está privada da consolação geral que quase sempre se tem em todos as outros males desse mundo, que é a esperança de que eles não serão duradouros, e de que se lhe verá o fim; de tal sorte que nesses aborrecimentos espirituais o coração cai numa certa impôtencia de pensar no fim deles, e por conseguinte de ser aliviado pela esperança.

Certamente a fé, residente no cimo do espírito, bem nos assegura de que essa pertubação findará, e de que um dia fruiremos do repouso; mas a gradeza do barulho e dos gritos que o inimigo faz no resto da alma, na razão inferior, quase que impede que os avisos e admoestações da fé sejam ouvidos, e na imaginação fica-nos só este triste presságio:

Ai! nunca estarei alegre.

Ó Deus! meu caro Teótimo, mas é então que é preciso demonstrar uma invencível fidelidade para com o Salvador, servindo-O puramente pelo amor da Sua vontade, não somente sem prazer, mas por entre esse dilúvio de tristezas, de horrores, de pavores e de ataques, como fizeram Sua gloriosa Mãe e São João no dia da Sua Paixão, os quais entre tantas blasfêmias, dores e angústias morais, ficaram firmes no amor, mesmo quando o Salvador, tendo retirado toda a Sua santa alegria para o cimo do Seu espírito, não difundia nem alegria nem consolação alguma no Seu divino semblante, e quando Seus olhos amortecidos e cobertos das trevas da morte, já não deitavam senão olhares de dor, como também o sol raios de horror e horrendas trevas.

(O Tratado do amor de Deus - pág. 471 a 474, São Francisco de Sales)

PS: Grifos meus.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Da união da nossa vontade ao beneplácito divino nas aflições espirituais, pela resignação

Da união da nossa vontade
ao beneplácito divino nas aflições espirituais, pela resignação
(São Francisco de Sales)


O amor da cruz faz-nos empreender aflições voluntárias, como, por exemplo, os jejuns, vigílias, cilícios e outras macerações da carne, e faz-nos renunciar aos prazeres, honras e riquezas; e o amor nestes exercicíos é muito agradável ao bem-amado. Todavia o é ainda mais quando recebemos com paciência, doce e agradavelmente, as penas, tormentos e tribulações, em consideração da vontade divina que no-las envia.

Mas o amor está então na sua excelência quando não recebemos somente com doçura e paciência as aflições, mas as estimamos, as amamos e as afagamos por causa do beneplácito divino de que procedem.

Ora, entre todas os ensaios do amor perfeito, aquele que se faz pelo consentimento do espírito ás tribulações espirituais é sem dúvida o mais fino e o mais elevado. A bem-aventurada Ángela de Foligno faz uma descrição admirável das penas interiores em que ás vezes se achava, dizendo que sua alma estava em tormento como um homem que, de pés e mãos atados, fosse pendurado pelo pescoço, e não fosse entretanto estrangulado, mas ficasse nesse estado entre morto e vivo, sem esperança de socorro, não podendo nem se sustentar com os pés nem se ajudar com as mãos, nem gritar com a boca, nem sequer suspirar ou gemer.

Assim é Teotimo. A alma ás vezes é tão premida de aflições interiores, que todas as suas faculdades e potências ficam esmagadas por elas, pela privação de tudo o que a pode aliviar, e pelo receio e impressão de tudo o que a pode entristecer.

De modo que, à imitação de seu Salvador, ela começa a entendiar-se, a temer (Mc 14,33), a se espantar, depois a entristecer-se (Mt 26,37), de uma tristeza semelhante à dos moribundos, donde bem pode ela dizer: Minha alma está triste até à morte (Ib.38); e, com o consentimento de todo o seu interior deseja, pede e suplica que, se é possível, seja esse cálice afastado dela (Ib.39), não mais lhe restando senão a fina suprema ponta do espírito que, apegada ao coração e beneplácito de Deus, diz por simples aquiscência:

Ó pai eterno, mas contudo não se faça a minha vontade senão a Vossa. (Lc 22,42)

E o importante é que a alma faz esta resignação por entre tantas pertubações, por entre tantas contradições e repugnâncias, que quase não percebe fazê-la; ao menos lhe parece que a faz tão lânguidamente, que não é de bom coração, nem como é conveniente, visto como o que se passa então pelo beneplácito divino se opera não somente sem prazer nem contentamento, mas contra todo o prazer e contentamento de todo o resto do coração, ao qual o amor bem permite queixa-se, ao menos de se não poder queixar, e dizer todas as lamentações de Job e de Jeremias, mas com a condição de que sempre a sagrada aquiescência se faça no fundo da alma, na suprema e mais delicada ponta do espírito, e essa aquiescência não é terna nem doce, nem quase sensível, embora seja verdadeira, forte, indomável e amorosíssima, e parece que se haja retirado para a pontinha do espírito como para o torreão da fortaleza, onde fica corajosa, posto que todo o resto esteja tomado e premido de tristeza.

E quando mais, nesse estado, o amor é destituído de todo socorro, abandono de toda a assistência das virtudes e faculdades da alma, tanto mais estimável é, por assim guardar tão constantemente a sua fidelidade.

Essa união e conformidade ao beneplácito divino faz-se ou pela santa resignação, ou pela santíssima indiferença. Ora, a resignação pratica-se à maneira de esforço e de submissão: bem se quisera viver em vez de morrer; não obstante, visto ser o beneplácito de Deus que se morra, aquiesce-se.

Querer-se-ia viver se a Deus aprouvesse; e, ademais, querer-se-ia que a Deus aprouvesse fazer viver. Morrer-se de bom grado, porém ainda mais de bom grado se viveria; passa-se com bastante boa vontade, mas ainda mais afeiçoadamente se ficaria. Job nos seus trabalhos faz o ato de resignação, dizendo:

Se recebemos os bens, da mão de Deus, porque não haveremos de aturar as penas e trabalhos que Ele nos envia? (Job 2,10).

Vede Teótimo, que ele fala de aturar, suportar, aguentar. Como ao Senhor aprouve, assim foi feito: bendito seja o nome do Senhor! (Job 1,21). São palavras de resignação e aceitação, á maneira de sofrimento e de paciência.

(Tratado do amor de Deus - pág. 447 a 449 - São Francisco de Sales)
 
PS: Grifos meus.

Para aqueles que trabalham para Deus

Para aqueles que trabalham para Deus


Aqueles que trabalham para adquirir bens de fortuna, ou para gozar a vida, ou talvez apenas para viverem, têm sobre o trabalho pontos de vistas diferentes dos do homem que trabalha para Deus. A principal característica deste último é que, depois de ter dado o seu esforço, não se compraz, como se tivesse feito algo de extraordinário, ou merecido uma condecoração especial, porquanto tudo quanto fez pertence a Deus.

Não se queixa da parte que lhe coube, nem lastima a sua pouca sorte, como se estivesse a suportar uma espécie de martírio, nem tão pouco aguarda recompensa extraordinária, como se fosse esse o objetivo procurado, e não o serviço de Deus.

A diferença que existe entre aqueles que trabalham para si e aqueles que trabalham para Deus, é a mesma que existe entre o assalariado de uma casa e um filho ou uma filha que trabalham por amor aos seus pais. Quando a vida da mãe está em perigo, não há quem convença um filho ou uma filha a descansar. Todas as normas do dever, da capacidade e da legalidade são ultrapassadas pelo amor.

O amor transforma o trabalho a tal ponto, que pode dizer-se que onde há amor o trabalho deixa de existir. Enquanto um ser humano se limita ao cumprimento das ordens de terceiros, a tarefa torna-se mecânica e metódica; mas, desde que o homem se identifique com o espírito do seu trabalho, desde o momento em que este se transforma na expressão de uma grande idéia, de instrumento de simpatia e de afeto e, mais ainda, quando reveste o caráter de paixão ou de entusiasmo, excede todos os limites mecânicos.

Os doentes encaram o médico de uma maneira muito diferente se, em vez da visita em forma - a visita paga, digamos - ele aparece, dizendo estas palavras:

"Entrei, só para saber como está". Deus Nosso Senhor não tinha palavras de agradecimento para o escravo que, após um dia de lavoura, se sentava à mesa da ceia a resmungar. Aqueles que têm afeto pelo seu amo, não pensam em sacrifício.

Não pode chamar-se sacrifício àquilo que é apenas uma pequena retribuição da nossa dívida para com Deus, e que jamais será paga. No momento em que comprazemos com o nosso trabalho, este deturpa-se nas nossas mãos. Começamos então a pensar em nós, e não na nossa tarefa, nas maravilhas que realizamos, em vez das fadigas que se nos deparam e na melhor maneira de as aliviarmos.

Logo que principiamos a queixar-nos da nossa sorte da nossa tarefa, logo que começamos a protestar que o nosso fardo é demasiadamente pesado, tornamo-nos imediatamente incompetentes para o executar, tornamo-lo maior do que realmente é, ao passo que nos sentimos menos competentes para o realizar.

A honestidade de intenção, a pureza e sinceridade dos motivos, a alegria com que empreendemos o trabalho, conta mais para Deus do que o tamanho da tarefa realizada. Ele disse que deveríamos estar contentes, mesmo que tivéssemos de esperar à mesa do amo, depois de havermos lavrado a terra e alimentado o gado.

Chegada, embora mais tarde, a nossa hora de comer e beber, trabalharemos ainda para a Sua Glória, tomando o alimento com satisfação e simplicidade de coração, não apenas por prazer, mas também com o intuito de recuperar novas forças para O servir. A criação, só por si, para não falar na Redenção, coloca-nos numa situação de devedores de Deus que nem os nossos mais corretos credores conseguiriam jamais insentar-nos.

Se os nossos serviços, por grandes que sejam, não conseguem descontar as Suas graças passadas, muito menos poderemos contar com isso para o futuro. Seja qual for o encorajamento que Ele nos conceda, como aditamento à nossa obediência, devemos reconhecê-lo como uma pura dádiva de graça e de amor.

Conta-se uma formosa história sobre o grande Espartano Brasidos. Como ele se queixasse de que Esparta era um pequeno estado, sua mãe observou: "Meu filho, Esparta coube-te em sorte, é teu dever engrandecê-la".

Todos nós somos trabalhadores deste mundo e, sem olhar à sorte que nos cabe, o nosso dever é apenas um, e sempre o mesmo - engrandecê-lo.

(Paz de espírito - Arcebispo Fulton J.Sheen)

PS: Grifos meus.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Quem tem Jesus tem tudo

Quem tem Jesus tem tudo
(Santa Teresinha do Menino Jesus)


Desprezando as alegrias desta terra,
eu me tornei prisioneira;
vi que todo prazer é passageiro,
minha felicidade és Vós somente,
Senhor!...

Sob os meus passos morre a erva,
murcha a flor em minha mão;
Jesus, quero correr pelos Vosso prados,
nos quais não serão notados
meus passos!...

O Vosso amor é só o que me arrasta
e o meu rebanho deixo na campinha;
não me dou ao trabalho de guardá-lo,
pois quero pertencer a este meu novo
Cordeiro.

És o Cordeiro, ó meu Jesus, que eu amo
e Vós me bastas, ó meu bem supremo!
Em Vós eu tenho o céu, a terra e tudo;
a flor que colho, meu divino Rei,
és Vós!...

A natureza bela tenho em Vós,
tenho o arco-íris e a neve branca e pura,
ilhas ao longe e maduras searas,
borboletas e a alegre primavera
dos campos.

Tenho o barco que deixa suas praias,
sulcos de luz dourando as nuvens
quando descamba, à tarde, lá no céu poente.

Vós, cuja mão sustenta o mundo inteiro,
que plantas todas as florestas virgens
e as tornas, com um olhar, belas, fecundas,
com Vossos olhos de amor Vós me acompanhas
para sempre!...

Atraída por uma bela chama,
voa a ela a falena e aí se queima;
assim o Vosso amor minh'alma atrai,
até ele é que eu quero assim voar,
queimar-me!...

Ouço dizer que, enfim, já se prepara,
ó meu Senhor, a Vossa festa eterna;
retiro dos salgueiros a harpa muda,
vou assentar-me sobre os Vossos joelhos,
ver-Vos!

Junto de Vós verei também Maria,
os santos e a família que me destes,
e atrás deixando o exílio desta vida,
vou encontrar de novo o lar paterno
no Céu!...

As virtudes correlativas do Educador e do Educando

As virtudes correlativas do Educador e do Educando


"Faltando a autoridade e o respeito, já não há educação possível"
(Mgr. Dupanloup, Da educação. t.II, p.249)

"Depois de longo estudo e duma laboriosa experiência, indaguei, por meio duma reflexão mais profunda, quais eram as duas coisas fundamentais na educação e descobri que essas duas coisas são: a autoridade e o respeito."
(Ibid., t.I, p.1)

A autoridade

Que veremos nesta seção relativa à autoridade?
Veremos que todos aqueles que são responsáveis pela educação:

- Gozam do direito de mandar e de ser obedecido;
- Têm o dever de exercer este direito, porque é necessário ao cumprimento de todas as suas obrigações;
- São obrigados a adquirir a ciência prática dos princípios que regulam o exercício deste direito e o cumprimento deste dever.

Daí: a autoridade é um direito (cap.I); a autoridade é um dever (cap.II); a autoridade é uma ciência (cap.III).

Capítulo I
A autoridade é um direito

"O princípio da autoridade é a base de toda a sociedade bem organizada."
(Imbert de Saint-Amand, A côrte de Luiz XIV (Mame) p.58.)

Qual é a origem deste direito?
Procuremo-la na própria etimologia da palavra autoridade.
Autoridade (em latim: auctoritas) vem do substantivo (em laim: auctor).
A autoridade é, portanto, uma prerrogativa de autor.

Há alguma autoridade legítima que possa ter outra origem?
Não, porque a uma outra autoridade que não fosse a do autor poderiam dizer:

"Quem é o senhor? Não o conheço; não lhe devo nada; devo tudo Aquele que me fez; mas nada devo senão a Ele e àqueles que O representam."
(Mgr. Dupanloup, Da educação, t. II, p.14)

Pelo contrário, ao seu autor responde naturalmente:

"És Vós? Aqui estou eu. Vós fizeste-me aquilo que eu sou; acaba a Vossa obra; ordena; eu obedeço."
(Ibid.)

Quais são os benefícios deste direito?
- Deus em primeiro lugar. Ele é o autor necessário e universal; tem, portanto, uma autoridade plena e pessoal sobre todas as coisas.

É por isso que todas as criaturas se voltam para Deus para Lhe dizer: "Aqui estamos. Adsumus" (Job, XXXVIII,35). O próprio homem, o rei da criação, se aproxima do Criador e diz-Lhe: "Tuus sum ego; eu sou vosso" (Ps. CXVIII,94). - "Deus meus es tu: in manibus tuis sortes mece. Vós sois o meu Deus; os meus destinos estão nas Vossas mãos". (Ps.XXX,15).

2º - Os pais, em segundo lugar.
Deus fez mais que comunicar-lhes a Sua autoridade; deu-lhes alguma coisa da própria fonte de toda a autoridade, constituindo-lhes autores da vida de seus filhos e autores da sua educação, que é como a segunda criação da sua alma. Por isso, os pais são os preceptores naturais, necessários e providenciais de seus filhos.

3º - Todos aqueles em quem Deus e os pais delegaram uma parte da sua autoridade.
Os preceptores secundários não têm nenhum direito natural: só o pai e a mãe os podem associar à obra da educação.

Não há poder humano que possa impor um preceptor à criança, contra a vontade do pai e da mãe; haveria, nesse constrangimento, alguma coisa que ofenderia a natureza.

Estes princípios são importantes?
Mgr. Dupanloup, o grande educador, considerava-os como tais. Eis o que ele dizia e repetia às crianças que educava.

"Foi dos vossos pais e de Deus que recebi o direito de vos educar; mas este direito receberam-no os vossos pais de Deus e de Deus somente. A nossa autoridade sobre vós é passageira; dentro em breve, apenas nos ficará a do nosso afeto e do vosso reconhecimento, ao passo que a autoridade dos vossos pais é inalienável. Nós podemos deixar de nos consagrar à vossa educação; mas eles devem ensinar-vos até os derradeiros dias, e vós devereis ouvi-los sempre com respeito, até o fim.

Numa palavra, aqui mesmo, em todo o curso da vossa educação, os vossos pais são os primeiros educadores; e, se receberdes com docilidade os nossos ensinamentos, os vossos pais serão sempre, em toda a vossa vida, os vossos preceptores mais venerados e mais queridos.

Foi por estar tão convencido destes princípios que, um dia, julguei do meu dever expulsar do Seminário Pequeno de Paris um jovem , de quem era amigo e que sempre me estimava e respeitava, mas que, no mesmo ano, faltou duas vezes, e gravemente, ao respeito a sua mãe. Não o podendo corrigir, não me julguei no direito de continuar a sua educação."
(Mgr. Dupanloup, Da educação, t. II, p. 164).

Qual é a extensão deste direito?
Em Deus, esse direito é absoluto; apenas tem por limites os atributos divinos. Mas, para as criaturas, este direito, emprestado na sua origem, é limitado no seu exercício: é circunscrito pela lei de Deus e pelos ditames da verdadeira razão.

Qual é o dever correlativo deste direito?
É a obrigação de submissão e de obediência por parte daqueles sobre quem este direito se exerce legitimamente.

(Catecismo da educação - Abade René Bethléem, continua...)

PS: Grifos meus.