sábado, 8 de maio de 2010

Para vós nascerá o Sol da justiça, e estará a salvação sob as suas asas (Ml 4,2)

MEDITAÇÃO XVII



Orietur vobis Sol justitiae,
et sanitas in pennis ejus.


Para vós nascerá o Sol da justiça,
e estará a salvação sob as suas asas
(Ml 4,2).

O Médico virá, diz o profeta, para curar os enfermos: virá com a pressa do pássaro que voa, ou do raio luminoso, que lançado pelo sol nascente, chega num instante a outro polo. Mas eis que já veio. Consolemo-nos e Lhe rendamos graças.

Diz S. Agostinho que esse Médico celeste desceu até ao leito do enfermo; com outras palavras veio a tomar a nossa carne, pois o nosso corpo é como o leito de nossa alma enferma.

Os outros médicos, quando afeiçoados ao doente, envidam todos os esforços para curá-lo; mas haverá algum que, para curar o seu cliente, consinta em tomar para si a doença dele? Entre todos os médicos só Jesus Cristo se carregou das nossas enfermidades a fim de curar-nos:

Verdadeiramente Ele tomou sobre si as nossas fraquezas, diz Isaías, e Ele mesmo carregou com as nossas dores. Não quis enviar nenhum outro para cumprir esse misericordioso ofício, veio em pessoa a fim de ganhar todo o nosso amor. Quis curar as nossas chagas com Seu sangue, e livrar-nos com Sua morte da morte eterna que merecíamos. Numa palavra, quis tomar o remédio amargo duma vida cheia de penas e duma morte dolorosa para restituir-nos a vida e livrar-nos de todos os males.

Nosso Senhor disse a S. Pedro: Não devo eu beber o cálice que meu Pai me deu? — Foi pois preciso que Jesus Cristo abraçasse tantas ignomínias para curar-nos do orgulho; que abraçasse uma vida tão pobre para curar-nos da cobiça; enfim que fosse imerso num oceano de amarguras e que morresse de pura dor para curar-nos da sede de prazeres sensuais.

Afetos e Súplicas

Louvada e bendita seja para sempre a vossa caridade, ó meu Redentor! Ah! que seria de minha alma empobrecida, enferma e aflita por tantas chagas provenientes de meus pecados, se vos não tivesse, meu Jesus, que podeis e quereis curar-me?

Ó sangue de meu Salvador, confio em Vós; lavai-me e curai-me. Arrependo-me, meu Amor, de Vos haver ofendido. Para me mostrardes o Vosso amor abraçastes uma vida tão aflita e uma morte tão cruel! quisera também eu testemunhar-Vos o meu amor; mas que posso fazer eu miserável, tão doente e fraco?

Ó Deus de minha alma, vós podeis tudo; podeis curar-me e santificar-me; acendei em mim um vivo desejo de Vos ser agradável. Renuncio a todas as satisfações para comprazer-Vos, meu divino Redentor, que mereceis ser contentado a todo o custo!

Ó soberano Bem, estimo-Vos e amo-Vos mais do que todos os bens; fazei que Vos ame de todo o coração e que Vos peça sempre o Vosso santo amor. No passado Vos ofendi e Vos não amei porque não pedi Vosso amor; hoje vo-lo peço e suplico-Vos a graça de pedi-lo sempre; atendei-me pelos méritos de Vossa paixão.

Ó Maria, minha Mãe, estais sempre pronta a atender a quem Vos pede, amais os que Vos amam; amo-Vos, ó minha Rainha, obtende-me a graça de amar a Deus, não Vos peço outra coisa.
 
(Encarnação, nascimento e infância de Nosso Senhor Jesus Cristo, por Santo Afonso Maria de Ligório)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Os meios da educação moral (Quinta parte)

Os meios da educação moral
(Quinta parte)


Artigo II - As coisas

Quais são as coisas que devem ser objeto duma vigilância especial?
São:

- Os passatempos;
- O dinheiro;
- As leituras;
- Os exercícios de piedade.

1º - Os passatempos

"Aquele que se quiser divertir com o diabo não se poderá alegrar com Cristo."
(São Pedro Crisólogo)

Como devem ser os passatempos?
Para serem dignos de tal nome, os passatempos ou divertimentos devem ser uma nova criação de forças e de faculdades; nunca devem prejudicar a saúde, nem demolir a moralidade e a religião.

Por que é necessário vigiar os divertimentos das crianças?
Porque as crianças, inexperientes e naturalmente imprudentes, podem entregar-se a divertimentos novivos à saúde, a vida e a virtude.

Não há ainda outra vantagem que se liga à vigilância dos divertimentos?
Sim. É durante os divertimentos que as crianças manifestam com a maior naturalidade o que são, e que fornecem ao educador inteligente as melhores ocasiões de as conhecer e a luz mais pura da sua experiência.

Que acontece quando os educadores não compreendem a importância desta vigilância?
As crianças entregam-se a jogos incovenientes, a jogos de mão, a jogos perigosos, a jogos a dinheiro. Muitas vezes até estão expostos ao principal inimigo da família: - a rua.

Porque é preciso vigiar os divertimentos dos adolescentes?
Porque há uns que constituem um perigo para a saúde, outros em que periga a fé, e outros, enfim, que comprometem a virtude.

Quais são os divertimentos em que periga a fé?
- São as sociedades, os saraus, as reuniões, a que não faltam os ímpios e onde se erguem "cátedras de pestilência".
- São as festas, as assembléias, os clubes, que absorvem todo o dia, ou pelo menos, toda a manhã do domingo.

"Um dos pontos do programa das lojas maçônicas consiste em organizar festas e concursos, dar espetáculos e conferências, principalmente ao domingo, multiplicar os clubes, cujas excursões e divertimentos se realizam também no domingo; tudo isto com o fim premeditado de obrigarem a abandonar a igreja, de desviarem os cristãos das cerimônias religiosas, com o engodo dos divertimentos profanos."
(Mg. Rrosset, deveres dos pais, p.66)

Que devem fazer os pais que neste ponto querem cumprir o seu dever de vigilância?
Nunca devem permitir que os seus filhos façam parte de sociedades duvidosas.

É fácil evitarmos umas certas relações: mas é necessário um ato de heroísmo para nos libertarmos da engrenagem, quando nela nos deixamos prender, embora seja só por um dedo.

Quais são os divertimentos que comprometem a virtude?
São os bailes, os espetáculos, os concertos, os cafés, etc., e geralmente, todos os divertimentos que obrigam a noitadas.

Por que é tão importante para a juventude evitar estas ocasiões de pecado?
Porque a  juventude é para a vida o que o tempo da floração é para a vinha e para as árvores frutíferas: um momento muito crítico.

E assim como um vento muito quente murcha as flores, assim como o frio as mata, assim como os insetos parasitas devoram as esperanças, assim também as ocasiões de pecado podem vibrar, e vibram muitas vezes, um golpe mortal na virtude frágil e delicada dos jovens e das donzelas.

Os educadores já as convenceram desta importância?
Há os que querem ter idéias rasgadas e chamam "afetação" ao pudor, que é a defesa natural da virtude: que não conhecem outro método senão aquele que consiste em seguir, mais ou menos, todas as indicações da natureza; que, sob o pretexto de que a ignorância não é a virtude, se servem de todos os meios para desemborrar as crianças.

"A ignorância não é a virtude, mas é providencial, e, à sua sombra protetora, a inocência pode conservar-se, pois tem tempo de se fortalecer para lutar um dia contra os furores da tempestade."
(Mgr Pichenot, ob. cit).

Quais são as práticas visivelmente inspiradas por estes princípios?

1º - As reuniões tendenciosas

Organizam-se, de propósito, pequenas reuniões onde os pais e os amigos, os parentes e as amigas, desde os treze aos dezoito, vinte e vinte e cinco anos, confraternizam em volta da mesma mesa ao chá, junto do piano, nos lances do mesmo jogo, nos meandros duma mesma excursão, etc.

As visitas não são indispensáveis?
E, para orientação futura da vida, não é preciso manter certas relações com pessoas que nos podem ser úteis?

2º - As representações em família

Nestas pequenas reuniões "aprendem-se pequenas comédias de salão, peças jocosas que se estudam durante o inverno e que ainda não se sabem ao chegar da primavera."

Que importa, afinal de contas! Não são os ensaios que produzem o verdadeiro atrativo?
E por que? Por que se terá o direito - em casa dos pais - de dizer e repetir, como "personagem", o que se não poderia nem ousaria dizer nas relações ordinárias da vida.

- Mas já que isto está no papel! ... (Nicolay, ob. cit, p. 156)

3º - O teatro

Levam-se as crianças a representações proibidas. Essas representações são de tal natureza que, se um criado se permitissem a liberdade de contar alguma anedota no gênero das que se ouvem e aplaudem no teatro, seria imediatamente despedido.

- Que miserável! - exclamam - que se não envergonha de dizer às crianças semelhantes coisas!

"As crianças! tenho-as visto à luz das velas,
criancinhas de sete anos a esgotarem as energias,
magras e graciosas circularem à meia noite,
entre as flores, os cantos, os perfumes e os ruídos.
Escutarem ruborizadas, com rosas de febres,
tantas coisas más que passavam pelos lábios...
O mundo matava-se, e a mãe lá estava!...
E o baile radiante prossegue no seu giro!"  
(Du Pontavice de Haussey)

4º - Os museus

Visitam-se os museus onde há obras mal veladas.

5º - As leituras avançadas

Permitem-se livros para cuja leitura se busca uma desculpa nesta miserável alegação:
"A minha filha já não é um bebê! Tem dezoito anos".

Qual é o incoveniente de tais práticas?
É que o homem não é um animal; para ele há um sexto mandamento de Deus, que proíbe os pensamentos, os afetos, os desejos, as imaginações, os olhares, as palavras, as ações desonestas, e que lhe impõe sub gravi que fuja de todas as ocasiões próximas de pecado mortal.

Tudo isto se esqueceu!
E tudo isto se deixam esquecer!

E isto é tão certo que nos meios onde se preconizam estes princípios, ou onde se pratica mais ou menos esta moral relaxada, as crianças, apesar de aparentemente piedosas, calcam aos pés o sexto mandamento; o seu procedimento é o espelho da sua consciência.

São então muito culpados os pais que se portam desta maneira?
Sim. São responsáveis diante de Deus pela falta de virtude de seus filhos; porque seria um milagre que, em semelhante meio, os filhos possuíssem uma virtude completa.

Os pais devem marcar a hora da entrada de seus filhos?
Sim. Devem exigir, geralmente, que os filhos e as filhas estejam em casa para a refeição da noite e para a oração em comum.

Que devem fazer os pais quando algum falta?
Devem imediatamente procurá-lo.

Nas pastagens das nossas montanhas, o pastor, chegada a noite, recolhe as ovelhas e conta-as. Se alguma lhe faltar, se não for um mercenário sem consciência, não se vai deitar, sem ter o cuidado de ir procurar a tresmalhada.

O pastor diz consigo:

"Há precipícios nas montanhas, e quem sabe se as minhas ovelhas lá caíram? Há feras e as minhas ovelhas podiam ter sido devoradas" E não se deita sem as ter todas no redil.

Se a noite vem, e os filhos não recolheram ao redil do lar, os pais devem fazer por eles ao menos o que o pastor faz pelas ovelhas! O pastor podia dizer: "Talvez as minhas ovelhas caíssem no abismo, talvez as feras as devorassem". Para os pais, este talvez é demasiado.

Os filhos que entram tarde sem que o pai e a mãe sejam conhecedores e aprovem as razões da demora, caíram com certeza no abismo, no abismo do pecado; foram realmente devorados, devorados pelo "leão rugidor" da Escritura, isto é, pelo demônio.

E, quando a porta se abre para dar entrada ao pródigo não convertido, se os pais dizem:

"Ele aí está, é o meu filho que entra!" enganam-se. Este não é o seu filho! Não é mais que a sua aparência, o seu espectro, a sua túnica! Ele? Uma fera o devorou! Já não existe! Já não é o que era; o seu coração perdeu-se, o espírito perverteu-se, a sua alma morreu; este é apenas o seu cadáver!"
(Segundo Mgr. Gibier)

2º Dinheiro

Que precauções se devem tomar com respeito ao dinheiro?
- Os pais não devem deixar à disposição de seus filhos senão o dinheiro necessário para um fim conhecido, e cuja aplicação seja verificada.

É um instrumento de perdição o maldito dinheiro nas mãos que se não sabem servir dele; com ele se compram os maus livros, os maus prazeres; as más companhias vêm por sua vez prococar as paixões da criança: acabam por arrastá-la ao abismo.

2º - Os pais não devem nunca tentar os filhos. Não devem deixar o dinheiro ao seu alcance.
Que ordem, que seriedade já numa família, onde um filho pode roubar, cinco, dez ou vinte escudos, sem que os pais dêem por isso?

E isto dá-se, sobretudo, quando os pais tem negócios a retalho. Que façam eles próprios as suas compras ou as mandem fazer por pessoas seguras. Se alguma vez encarregarem disso as crianças abram bem os olhos, façam-lhes prestar contas, e, se preciso for, peçam informações.

3º - As leituras

Qual é o primeiro fim e qual deve ser o primeiro resultado da vigilância em matéria de leituras?
É conhecer os livros, jornais, brochuras, etc., que as crianças têm à sua disposição, os pais devem freqüentemente revistar os bolsos, as sacas dos livros, as gavetas e o leito.

Devem saber se, de noite, quando julgam que tudo em casa está a dormir, os filhos e as filhas não se entregam a leituras que, por vários motivos, desejam ocultar.

Não foi porque a mãe faltou a todos os seus deveres de vigilância, que uma rapariguita (não tinha mais de treze anos) pode comprar, guardar durante semanas e "ler às escondidas" uma obra de Voltaire, tão ímpia, como imoral? Não foi pela mesma razão, que uma jovem, tendo recebido no sábado à noite um romance de Marcel Prevost, acordada até as duas horas da madrugada, para acabar de ler, não podendo, após esta proeza, levantar-se a hora de assistir à Missa dominical? (Autêntico)

Não foi ainda pela mesma razão, certamente junta com a ignorância, que, em certa família, piedosa, as crianças, entre as quais uma menina de dezesseis anos, que comungava todos os dias, liam freqüentemente Balzac, Eugénio Sue, cujos romances estão incluídos no Index? (Autêntico)

Qual é o segundo fim e qual deve ser o segundo resultado da vigilância em matéria de leituras?
É de proibir o acesso ao lar de tudo o que é susceptível de causar algum mal ao espírito, ao coração ou à alma.

A mãe, como o arcanjo de espada flamejante de que fala a Escritura, e que guarda a entrada do paraíso terrestre, deve colocar-se também à porta da casa paterna e dizer corajosamente aos maus exemplos, às leituras perniciosas, às companhias funestas, às palavras incovenientes, que queiram forçar a entrada:

"Tu não passarás!"
"Tu não passarás!" dirá a mãe cristã a esses jornais, ilustrados ou não, de inspirações duvidosas.

"Tu não passarás!" dirá a mãe cristã a essas publicações triviais, grosseiras, a toda as que despertam interesse sem instruírem e distraem aviltando.

"Tu não passarás!" dirá a mãe cristã a esses livros e jornais, portadores criminosos de impiedade e de corrupção.
"São piores assassinos do que os bandidos que assaltam os viandantes: os bandidos matam o corpo; eles matam as almas" (Mgr. Rosset)

Qual é o terceiro fim e qual deve ser o terceiro resultado da vigilância em matéria de leitura?
É dirigir as leituras da criança no sentido mais praticamente útil à formação da sua imagem, do seu espírito, do seu coração, da sua vontade, da sua fé e da sua virtude.

E há muitas crianças que recenem o benefício desta direção?
Muito poucas.

O maior número poderia repetir o que Feliciano Limerel, na Barreira, de René Bazin, exprobava a seus pais:
"Quem cuidou das minhas leituras? Li tudo o que quis, sem escolha, sem gradação, sem o guia de que precisava".

Esta direção é fácil?
Não o julgamos.

Julgamo-la, pelo contrário, uma questão sobrenamente delicada: ela exige, com efeito, o conhecimento de múltiplas obras; uma noção exata do estado da alma das crianças; a ciência particularizada das necessidades do seu espírito, a observação fácil das flutuações do seu coração.

Estas condições são tão raramente realizadas, que, ao ouvirmos algum rapaz ou alguma rapariga afirmar que as suas leituras são examinadas por sua mãe, não nos sentimos completamente sossegados.

Qual é o quarto fim e qual deve ser o quarto resultado da vigilância em matéria de leitura?
É exercitar a criança a defender-se a si mesma, formando-lhe o caráter de modo a adquirir a retidão pessoal e acostumando-a seguir imediata e docilmente a voz da consciência.

4º - Os exercícios de piedade

"A piedade é o escudo da virtude" (Mgr. Gibier)

Quais são as obrigações de vigilância no que respeita a piedade?
Os pais devem saber:
- Como as crianças rezam de manhã e à noite;
- Como assistem à Missa aos domingos;
- O lugar que ocupam na igreja;
- Como se portam na igreja;
- Quando e como recebem os sacramentos;
- Como se portam na catequese.

Não basta fazer recomendações; é mister verificar como se põem em prática. E o meio mais fácil ainda, e mais eficaz, seria, tanto quanto possível, fazer com as crianças todas as coisas que se desejam vê-las fazer.

Como resumir tudo o que se disse em matéria de vigilância?
Em um pequeno questinário, que poderá servir de exame particular periódico aos educadores conscientes das suas responsabilidades nesta matéria.

Pai e mães.

- Sabeis onde se encontram os vossos filhos quando não estão debaixo da vossa vigilância?
Com quem?
Em todas as ocasiões?

- Conheceis os seus condiscípulos?
Conheceis os seus companheiros de passeio?
Conheceis os amigos com que se relacionam?
Conheceis as famílias das crianças que visitam?

- Tendes confiança nos vossos criados?
Tendes confiança nos empregados?
Tendes confiança nos amigos que vos visitam com mais ou menos liberdade?
Tendes confiança nos professores a quem os entregais?
Tendes confiança naqueles a quem chamais "pessoas de confiança"?

Vós dizeis: sim!

Faríeis também a mesma afirmação e responderíeis com a mesma segurança, se se tratasse de lhes confiar a vossa fortuna: cento e cinqüenta contos, por exemplo, em títulos ao portador?

- Quando saem para um determinado fim:
Sabeis se eles vos não enganam?
Sabeis se eles vos não trocam as voltas?
Sabeis se a pressa em cumprir as vossas ordens não encerra uma segunda intenção?

Dizeis: demoram-se tão pouco na rua!

É preciso muito tempo para trocar impressões ou fazer promessas?
É preciso muito tempo para se entregar furtivamente uma carta?
É preciso muito tempo para uma entrevista?

- Conhecies as suas leituras?
Tendes um inventário da sua biblioteca?
Haveis esquadrinhados todos os esconderijos onde se possam ocultar publicações proibidas?
Estais certos de que pela manhã e à noite, nos seus quartos, ou na cama, se não entregam a leituras perniciosas?

- Estais certos de que eles recitam as orações de cada dia e se confessam e comungam no devido tempo?
Tendes a certeza de que chegam a horas à Missa, assistem a ela piedosamente, e não saem apressadamente, como fazem os cristãos pouco edificados?

- Não tem sido a vossa vigilância, por vezes, indiscretada e impertinente?
Levando-a ao exagero, não expusestes os vossos filhos à hipocrisia ou a uma excessiva passividade?
Recusando-lhes sistematicamente toda a liberdade de ação, não haveis sufocado a sua iniciativa ou desanimado a sua boa vontade?

(Catecismo da educação - Abade René Bethléem)

PS: Grifos meus.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Hora Santa de Maio

Hora Santa de Maio


Padre Mateo Crawley-Boevey
Maio

Vos adoramos, Jesus Sacramentado, e Vos bendizemos, pois pela graça de Vosso Coração Divino estais redimindo o mundo…Salvai-nos nele, como promestes à Vossa serva Margarida Maria… salvai-nos, Vos rogamos, pelo amor de Vossa Mãe Imaculada…

(De joelhos e com grande recolhimento interior, peça-Lhe a luz para conhecer Seu Divino Coração e graças para amá-lO e dá-lO glória)

(Breve pausa)

(Lento e cortado)

Confidência de Jesus. Não fostes vós que Me elegeram… Eu que vos predestinei e vos selecionei entre milhares para que participeis aquí, em Hora Santa e sublime de intimidade comigo, das confiências, das ternuras e das graças que vos tenho reservadas em Meu sofrido Coração…

Aproximai-vos, estendei-Me os braços, arrancai-Me os espinhos, dai-Me consolo… pois desfaleço de amor e de amargura… aproximai-vos! Vos tenho amado tanto… tanto! Se vos encontram aqui na ceia deliciosa de Minha caridade, próximo ao Senhor dos anjos, sentindo os ardores de Meu Coração… é porque vos escolhi gratuitamente… Vós sim, que sois Meus… fostes os servos e sois, agora, os filhos… Vindo, pois, e comei comigo, à sombra do Getsemani, o pão das Minhas dores…

Necessito aliviar Minha alma com vós, pois nela há tristezas que os anjos não conhecem, e lágrimas que não correm no céu… Sinto ansias de falar-vos em dolorosa confidência, a mais intima… Se não podeis penetrar em todo o abismo de Minha aflição, não importa; leveis, como Eu, uma fibra de soluço e que, agitada pela tempestada, geme com angústia…

Os espíritos angelicos vêm me apoiar neste horto de agonia… mas vós estais muito mais proximos que eles do mar de Minhas tristezas… vós podeis beber Minhas lágrimas, podeis suavizá-las sofrendo Minha paixão e Minhas dores… Desapegai-Vos, pois, do mundo, abandone suas mentiras e as lembranças de suas loucuras, e aqui, aos Meus pés, sofrei com o Deus encarcerado, que quer que tomeis parte neste amor doloroso, crucificado… aquele amor que, entre estremecimentos de agonia, deu a paz e deu a vida ao mundo.

(Pausa)

A alma: Fazei, Senhor Jesus, que eu veja…Fazei que eu saboreie a amargura de Vossos sofrimentos infinitos…; concedei-me o fervor de penetrar com fé vivíssima e Vossa alma dorolosa… Divino Agonizante, seja benigno e mesmo que eu seja um pecador, colocai nesta Hora Santa o cálice do Getsemani em meus lábios: dai-me de beber em Vosso Coração… tenho sede de Vós, Jesus-Eucaristia!

(Breve pausa)

Voz dos Sacrário. Vós Me conheceis, filhinhos Meus, porque escutais Mnhas palavras de vida eterna… e ao conhecer-Me, conheceis a Meu Pai, pois Eu sou o caminho que a Ele conduz… Mas, ai, pensais que há milhões de irmãos vossos, criados para Me adorar, livres para Me bendizer, e que levantam contra o céu este grito de blasfemia: “Deus não existe”!... Até o meu trono de paz, até este altar de mansidão, chega esse grito irado, eco da rebeldia de Lúcifer… Esses mesmos que Me negam, vivem de Meu alento e vivem de Minha bondade, e contudo, me negam a palavra, Me expulsam em suas obras…

Eu, somente Eu, não existo para eles… Meu nome os perturba, Meu jugo suave os espantam, Meu Calvário os irrita… Blasfemam contra mim!

(Breve pausa)

Buscam a paz! Que paz pode ter aquele que não adora, que não espera, que não Me ama, a Mim que Sou a vida?... Ah!, e com que tranqüilidade renunciam a Minha pessoa em tudo, absolutamente em tudo, seja grande ou pequeno, em sua vida… Eu não tenho parte na ternura de suas mães, no cuidado de seus pais, nem no carinho de seus filhos…

Me excluem completamente das alegrias de seus lares… Não Me chamam nem para uma lembrança vaga em suas dores, ao chegar alguma morte cruel… Em seus negócios, em seus projetos, em tantas incertezas e desgraças, Me tem relegado ao mais completo esquecimento… Acreditais, Meus amados? Eu, o Criador e Redentor, não tenho, em milhares de almas, a parte que em seu coração e pensamento tem os empregados, os animais e as flores de suas casas… Assim me paga o mundo por haver me entregado por seu amor à morte, mais que de Cruz, de Eucaristia!...

(Rezemos em voz alta, com fé ardorosa, um Credo, em reparação solene à negação de Deus e de Jesus Cristo na qual vivem tantos incrédulos infelizes)

(Pausa)

Voz do Sacrário - Levo, desde séculos, um Coração doloroso e cheio de lágrimas; Ai! Quantas almas, cujo preço foi Meu sangue, se condenam!... Destinadas a se abrasar nas chamas de Meu amor, caíram já, milhares, ao abismo de outras chamas horríveis, vingadoras…! E são Minhas! Ouvi-Me… maldizem, desde o profundo do inferno,Meu berço em Belém, Minha pobreza, primeiro chamado aos humanos… Maldizem esta Cruz, marcada com sangue, em suas consciências…

Maldizem Minha Igreja, que lhes oferecer os tesouros da Redenção… maldizem Minha Eucaristia, desdenhada por eles, que teriam vivido eternamente, se tivessem se alimentado com o Pão da imortalidade, Meu Coração Sacramentado… Ah! E quantos destes réprobos estiveram algumas e muitas vezes, como estais vós, aos Meus pés!... E se perderam!... Os chamei, corri atrás deles, lhes estendi Meus braços… mas romperam todas as correntes… elegeram o gozar por um instante e, depois, chorar com pranto eterno… E maldizem com eterna maldição…

E foram Meus!... Oh! Dor das dores!... Como padeceu Minha alma, no Getsemani, esta sentença de reprovação irrevogável… E foram todos Meus… Minhas foram estas legiões incontáveis de condenados ao suplicio de uma cólera infinita!... Os tive aquí, sobre Meu peito, a beira do abismo de Meu Coração amante… E os levaram outros abismos… e para sempre… e são hoje em dia, lágrimas arrancadas para sempre de Meus olhos… criaturas expulsas para sempre de Meu Reino… filhos perdidos, pelos séculos dos séculos, do lar do céu…

(Breve pausa)

Voz da alma. Beijo Vossas mãos chagadas, Jesus, e por Vossa agonia no horto, livrai estes consoladores de Vosso Coração das chamas do Inferno…

Beijo Vossos pés chagados, Jesus, e por Vossa agonia no horto, livrai estes amigos de Vosso Coração de uma reprovação eterna…

Beijo Vosso peito aberto, Jesus, e por Vossa agonia no horto, livrai estes apóstolos de Vosso Coração do suplicio de maldizer-Vos eternamente…

(Breve pausa)

Voz do Mestre. E sabeis por qual caminho fácil se chega à reprovação final? Ferindo Meu coração com pecado de ingratidão… abusando da misericórdia deste Deus, que é todo Caridade… Sou Jesus, isto é, Salvador… Vim para os que tinha necessidade de médico, de paz e de fortaleza, e sobretudo, para os que necessitam de perdão… misericórdia… e muito amor. A estes enfermos mostrei a piscina de toda saúde: Meu Coração, que tudo absolve…!

Oh! E desta ternura tantos abusaram!... Jamais neguei perdão a quem Me pediu com humilde contrição, jamais… Por isso, porque Minha bondade é infinita…, porque espero com inalterável paciência o pródigo… porque, ao regressar, esqueço seus pecados e faço festa para celebrar a ovelha que chega ensangüentada ao redil dos Meus amores… por isso, tantos se enchem e se condenam no abuso da absolvição que lhes outorgo…

Detei-Vos, filhos Meus, na ladeira deste caminho, e chorai o extravio fatal de tantos irmãos vossos que Me ferem, porque Sou Jesus dulcíssimo para com eles…

(Pedir-Lhe perdão pelo abuso de sua misericórdia, especialmente nos Sacramentos da Confissão e da Eucaristía, dizendo-Lhe):

Que tenho eu, Senhor, que não me tenhais dado?
Que sei eu, que Vós não me tenhais ensinado?
Que valho eu, se não estou a Vosso lado?
Que mereço eu, se a Vós não estou unido?

Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido…

Pois me criastes, sem que eu o merecesse.
E me redimistes, sem que eu Vos pedisse.
Muito fizestes em me criar,
Muito em me redimir,

E não serás menos poderoso em perdoar-me,
Pois o muito sangue que derramastes,
E a cruel morte que padecestes,
Não foi pelos anjos que Vos adoram,
Mas por mim e pelos demais pecadores que Vos ofendem…

Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos
Se Vos tenho injuriado, deixai-me reparar-Vos,
Se Vos tenho ofendido, deixa-me servir-Vos,
Porque é mais morte que vida
A que não está empregada em Vosso santo serviço…


(Pausa)

Confidência de Jesus. Tenho uma amável confidência para fazer-vos. Todavia, recebei-a com especial carinho, pois quero falar-vos de Minha Mãe… Maria jamais esteve ausente de Meu Coração… e Seu nome repercutia nele com especial ternura, em Minhas horas de solidão e agonia… No Getsemani, Oh!, quanto pensei nEla…

A vi chorar amargamente a morte do Filho e dos filhos… Atado à coluna, despedaçaram Minha carne, e ao fazê-lo, flagelaram também a Virgem Imaculada, que me deu essa carne pura, para ser vosso irmão em Seu seio… E neste mesmo instante, entretanto, os carrascos borrifavam as paredes do calabouço com Meu sangue… Vi, no transcorrer dos tempos, o ultraje que fariam à Minha Mãe os que negariam Sua maternidade divina, ofendendo ao mesmo tempo o Filho e a Mãe…

Muitos outros pretendem adorar-Me, e A relegam a um glacial esquecimento, que fere mais violentamente meu Coração filial… Maria é vossa…Ame-a, ame-a… Oh! Dê-Me um grande consolo nesta Hora Santa!: uni Minhas lágrimas às de Minha doce Mãe, ao consolar Meu entristecido Coração.

(Peça perdão ao Senhor Jesus pela dor que Lhe causam tantos católicos indiferentes à sua Mãe, tantos afastados e protestantes que Lhe recusam seu amor e que menosprezam ou negam a dignidade e prerrogativas da Virgem Maria).

(Breve pausa)

E agora, falai-Me vós, cujos nomes tenho inscrito em Meu Divino Coração…; falai-me palavras que brotem do mais intimo de vossas almas, unidas à Minha por laços de dor e de carinho imenso… Se tendes tristezas, contai-Me… Se sentes tédio da vida e ao mesmo tempo temor da morte, dizei-Me… Oh! Falai-me sobretudo dos santos desejos que tens de Me ver consolado… e de contemplar-Me logo, Rei do Amor, pela misericórdia de Meu Sagrado Coração…: falai, que vosso Deus escuta.

(Pausa)

A alma. Senhor Jesus, nesta Hora Santa trazemos aos Vossos pés um pedido amabilíssimo. Apresentamos nossos ombros carregados com Vossas mercês, com a alma cumulada com Vossos favores, enquanto Vós arrastais fatigado, agonizante, a Cruz de nossas iniqüidades… Ah! Não é possível, Mestre, que para o culpável destineis principalmente a delicioso peso de Vossa largueza e o cálice de Vossas ternuras… e que reserveis para Vós o sofrimento da agonia… a amargura dos esquecidos e as perfídias incontáveis da terra…

Partilhai, pois, Jesus Sacramentado; partilhai conosco na Hora Santa todas as Vossas tristezas, e mesmo que não O mereçamos, aceitai-nos de Cirineus na via dolorosa que conduz ao monte Calvário… Desde já Vos agradecemos os desgostos da vida… Não só os aceitamos resignados, em expiação justíssima de tantas culpas próprias e alheias, não, Jesus: Vos bendizemos pelos espinhos que fizestes brotarem nosso caminho com fim de misericórdia…

Ai! Não ignorais como se ressente nossa natureza nos combates da enfermidade… da pobreza… da calúnia… da ingratidão… dos esquecimentos… do cansaço da vida… da tristeza… das incertezas… Estamos falando de Jesus de Nazaré, nosso Irmão, cujo Coração de carne, Oh! Encantadora e divina fraqueza!... Ressentiu-se com as debilidades da miséria humana…

Vos bendizemos, Jesus, por aquelas decepções que nos desapegam das criaturas. Permitis que nos aproximemos delas, esperais tantas vezes que um afeto legítimo busque nelas consolo para o coração... energia e paz para o espírito... E logo, Vós mesmos rompeis estas ataduras e liberta estas almas... Exigistes, com soberano império, um coração inteiro...

Obrigado, Jesus, por estas divinas e amáveis crueldades... obrigado! E assim como jogais, Senhor irresistível, com a salvação de Vossos filhos... e tirais de Vossas dores a santidade da alma, assim também sabeis trocar as infelicidades em manancial da fé; e, em ocasiões, da fome e da desgraça, tirais a ressurreição e a vida... Bendito sejais, mil e mil vezes, Coração providente, benigno, salvador, que, de nossas grandes desolações, sabeis produzir eflúvios de paz, doçuras inefáveis e delicias do céu...

Divino agonizante do Getsemani, Vos bendizemos e louvamos pelas tribulações e provas com as quais nos quer fazer participantes das glórias de Vosso sangue... Espinhos do Coração Sagrado de Jesus, formai-me a coroa que aprisione o meu... Torturas e agonia do Coração Sagrado de Jesus, apagai minha sede de amor terreno e de aventuras...

Cruz bendita e chamas do Coração Sagrado de Jesus, crucificai minha sensualidade e orgulho...

Ferida sangrenta do Coração de Jesus, daí-me entrada neste Horto da agonia, do amor e de uma sublime santidade.

(Pausa)

O anátema de justiça tremenda que Vos arranca tantas almas atravessa Vosso próprio Coração, Salvador amado..., e fere também os nossos, ansiosos de glorificar-Vos, de ver santificado Vosso nome e utilizado Vosso sangue em toda a terra...

Oh, ficaríamos felizes ainda que não arrebatássemos senão uma alma com nosso clamor de desagravo, aqui, na Hora Santa, para gloria de Vosso Coração Sacramentado!... Recolhei este pedido, Senhor, e salvai a tantos que estão em perigo de perder-se...

Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

(Todos em voz alta)

Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos soberbos negadores que rechaçam a existência de um Deus, Criador do Céu e da terra, e tudo quanto existe...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos infelizes que negam, Salvador amado, Vossa encarnação maravilhosa, que não querem que Vós sejais nosso irmão por natureza humana...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos que propagam estas negações e fazem delas bandeiras de combate, contra Vosso Evangelho e Vossos direitos soberanos...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos que, seduzidos por estas palavras tenebrosas, apostatam de sua fé e renegam Vosso amor e Vossa lei...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos que conspiram com raiva infernal para a destruição das instituições cristãs, e que juraram derrotar-Vos na ruína de Vossa Igreja...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos que em ódio à Vossa pessoa pretendem apagar Vossa Cruz da consciência das crianças, da alma do povo e dos lares...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos que, com aparência de luz e com delicadeza de formas pretendem, sem violência, eliminar, Senhor, Vossa pessoa divina de todas as atividades da vida...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos que por ignorância lamentável fazem caso omisso de Vossa palavra e vivem tranqüilos fora do ambiente da fé e das insinuações de Vossa graça...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

E, enfim, Jesus, as milhares de almas que, em terras distantes, vivem, se movem e dormem nas sombras letais do paganismo, da heresia e da morte...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

(Pausa)

Tendes desejado confiar-me Jesus, o Coração da Virgem Mãe afim de reparar Suas dores e as Vossas pelas ofensas daqueles que pretendem ser cristãos e que rechaçam a Vossa última palavra a São João no Calvário: “Filho, Nela, em Maria, aí tendes vossa Mãe”...

Senhor, a aceito envergonhado, e Vos ofereço em desagravo as dores, as penas, os prantos, as orações de todas as mães que Vos adoram na terra e que aclamam Maria como Rainha... Vós sabeis, Mestre, que amor e sinceridade existem em suas almas de heroínas... Vós sabeis quanto valem, como rezam, como amam, como sofrem... Jesus, pelas lembranças de Maria Imaculada, pelas lágrimas que Vós chorastes ao ver-lA chorar em Vossa ausência, nos sofrimentos de Vossa paixão ignominiosa, escutai às mães que se sacrificam, a Vossos pés ensangüentados...

Veja como pedem, com fé ardorosa, a redenção de seus lares... Ouça como Vos aclamam Rei sobre os berços de seus filhos, sobre o sepulcro de seus esposos... Elas Vos pedem, Senhor, a vitória decisiva de Vosso Coração...; Nele confiam todos os tesouros de seu amor... Ai! São tantas as que temem pelo futuro cristão de seus filhos!...

São tantas as que padecem com eles as tristes conseqüências dos primeiros extravios!... São tantas as que vêem, em lágrimas, que as diversões mundanas, que as amizades e leituras perigosas, ameaçam a consciência e talvez a eterna salvação dos seus! Vós as confiastes, adorável Nazareno, as almas do esposo e dos filhos, e elas as depositaram, com amor, sobre o altar de Vosso Sagrado Coração... !

Oh, Jesus... Lembrei-Vos nesta Hora Santa de Vossa Mãe, como vos lembrastes dela no Horto das Oliveiras... e, por favor às suas ternuras, às suas virtudes e dores, salvai os lares, salvai as famílias... Senhor, se uma só mãe comoveu Vosso Coração e obteve a ressurreição de seu filho... Ai! A pedido de tantas mães sofridas nesta hora onipotente, santificai o santuário do lar, que Vós ambicionais como Rei de amor...

(Pede-se com fervor de alma)

(Pausa)

Vós solicitastes, amável Prisioneiro do altar, a companhia consoladora da Hora Santa... Vossa caridade nos venceu; já vês; viemos, deixando tudo, tudo, para pedir, com santo fervor, a chegada de Vosso Reino... Que esperais, Jesus, para vencer, quando esta é a Hora da misericórdia e do poder irresistível de Vosso amor?... Antes, pois, de esconder-Vos na suavíssima penumbra de Vossa prisão sacramental, deixai-nos exclamar com grito de caridade triunfante:

(Todos em voz alta)

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

1ª. Promessa. Agora, Jesus, sim, reinai, imediatamente, antes que o Demônio e o mundo Vos roubem as consciências e profanem, em Vossa ausência, todos os estados de vida...

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

2ª. Levantai-vos Jesus, e triunfai nos lares, reinai neles pela paz inalterável prometida àqueles que Vos tem recebido com Hosanas.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

3ª. Não demoreis, Mestre mui amado, porque muitos destes padecem aflições e amarguras que somente Vós prometestes remediar.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

4ª. Vem, porque sois forte, Vós, o Deus das batalhas da vida, vem, vem mostrando-nos Vosso peito ferido, como esperança celestial na hora da morte.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

. Sejais Vós o êxito prometido em nossos trabalhos; somente Vós a inspiração e recompensa de todos os negócios.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

6ª. E vossos prediletos, quero dizer, os pecadores, não esqueçais que para eles, sobretudo, revelastes as ternuras incansáveis de Vosso amor.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

. Ai, são tantos os tíbios, Mestre, tantos os indiferentes a quem deveis inflamar com esta admirável devoção!

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

8ª. “Aqui está a vida”, nos dissestes, mostrando-nos vosso peito atravessado... Concedei, pois, que aí bebamos o fervor, a santidade a que aspiramos.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

9ª. Vossa imagem, a pedido Vosso, tem sido entronizada em muitas casas... em nome delas, Vos suplicamos, sigais sendo, em todas, o Soberano mui amado.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

10ª. Põe palavras de fogo, persuasão irresistível, vencedora, naqueles sacerdotes que Vos amam e que Vos pregam, como São João, Vosso apostolo amado.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

11ª. E a todos que ensinem esta devoção sublime; a quantos publiquem vossas inefáveis maravilhas, reservai-lhes, Jesus, uma fibra similar àquela em que tendes gravado o nome de vossa Mãe.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

12ª. E, por fim, Senhor Jesus, dai-nos o céu de Vosso Coração a estes que compartilham Vossa agonia na Hora Santa; por esta hora de consolo, e pela Comunhão das primeiras sextas-feiras, cumprí conosco Vossas promessas infalíveis; vos pedimos que na hora decisiva da morte.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

(Pausa)

Senhor Jesus, pudemos velar uma hora convosco no Getsemani, e de bom grado ficaríamos acorrentados ao Sacrário para sempre, se Vosso amor o consentisse... Nos vamos, levando paz, consolos, nova vida... Ah! Mas, sobretudo, nos despedimos com satisfação de haver dado a Vós, Mestre, alivio de caridade, desagravo de fé e reparação de amor, que reclamastes, entre soluços, a vossa confidente Margarida Maria... Atendei, pois, Señor Jesus, acolhei manso e bom nossa última oração:

(Lento e cortado)

Coração agonizante de Jesus, triunfai.., e seja perseverança de fé e de inocência nas crianças que comungam..., Sejais, Vós, seu Amigo.

Coração agonizante de Jesus, triunfai.., e seja consolo dos pais dos lares cristãos... Sejais, Vós, a sua Vida.

Coração agonizantes de Jesus, triunfai.., e seja o amor da multidão que sofre, dos pobres que trabalham... Sejais, Vós, o seu Rei.

Coração agonizantes de Jesus, triunfai..., e seja a doçura dos aflitos, dos tristes... Sejais, Vós, seu Irmão.

Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja a fortaleza dos tentados, dos débeis... Sejais, Vós, sua Vitória.

Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja o fervor e a constancia dos tibios... sejais, Vós, seu Amor.

Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja o céu ardente e vitorioso de vossos apóstolos..., sejais, Vós, seu Mestre.

Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja o centro da vida militantes da Igreja... Sejais, Vós, seu lábaro triunfante.

Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja na Eucaristía a santidaide e o céu das almas... Sejais, vós, seu paraíso de amor... seu tudo.

E enquanto chega o dia eterno de cantar Vossas glórias, deixai-nos, dulcíssimo Mestre, sofrer, amar e morrer sobre a celestial ferida de Vosso peito, murmurando aí, na chega de Vosso amante Coração, esta palavra triunfadora: Venha a nós o Vosso Reino!

(Pausa)

Pai Nosso e Ave-Maria pelas intenções particulares dos presentes.
Pai Nosso e Ave-Maria pelos agonizantes e pecadores.
Pai Nosso e Ave-Maria pedindo o reinado do Sagrado Coração mediante a Comunhão freqüente e diária, a Hora Santa e a Cruzada da Entronização do Rei Divino em lares, sociedades e nações.

(Cinco vezes)

Coração Divino de Jesus, venha a nós o Vosso Reino!

Fórmula de consagração individual ao Sagrado Coração de Jesus, composta por Santa Margarida Maria

Eu N. vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte de meu ser senão para Vos honrar, amar e glorificar.

É esta minha vontade irrevogável: ser todo Vosso e tudo fazer por Vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto Vos possa desagradar. Tomo-vos, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto de meu amor, protetor de minha vida, segurança de minha salvação, remédio de minha fragilidade e de minha inconstância, reparador de todas as imperfeições de minha vida e meu asilo seguro na hora da morte.

Sede, ó coração de bondade, minha justificação diante de Deus, Vosso Pai, para que desvie de mim sua justa cólera. Ò coração de amor! Deposito toda a minha confiança em Vós, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de Vossa bondade!

Extingui em mim tudo o que possa desagradar-Vos, ou se oponha à Vossa vontade. Seja o Vosso puro amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu esquecer-Vos, nem separar-me de Vós. Suplico, por Vosso infinito amor, que meu nome seja escrito em Vosso coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como Vosso escravo. Amém.

A humildade

A humildade


1º - O que é a humildade

A humildade, dizia Lacordaire, não consiste em ocultarmos os nossos talentos e as nossas virtudes, em nos julgarmos pior ou mais medíocre do que somos, mas em reconhecermos o que temos; em suma, é o respeito da verdade.”

É a franqueza e a lealdade de uma alma que quer que a verdade seja conhecida, e que triunfe mesmo se esse triunfo deve confundi-la.

A humilde dá uma noção verdadeira de Deus, dos outros e de nós mesmos, apreciando cada um pelo seu justo valor e dando-lhe de todo modo o que lhe é devido. Mas essa virtude tão bela, tão oportuna, tão razoável, encontra grandes dificuldades na nossa natureza viciada e pede um poderoso recurso de graças.

Ela é qualquer coisa de tão grande, de tão heróico, que os próprios Apóstolos tiveram grande dificuldade em aprendê-la. Depois de seguirem três anos inteiros o Filho de Deus e de com Ele aprenderem, depois de terem sob os olhos seus exemplos de profundo abaixamento, eles ainda disputavam entre si para saber a quem era que cabia o primeiro lugar entre eles.

A humildade, diz também São Bernardo, “é uma virtude pela qual a gente se conhece e se despreza”. Mas por que então encontramos tão poucas almas humildes? É que poucas se conhecem; e não se conhecem porque não têm a coragem de fazer essa introspecção de si mesmas que as convenceria da sua miséria ou do seu nada.
Quando a gente estuda a fundo, se quiser ser sincero chega a fazer uma tríplice verificação:

Nada sou!
Nada posso!
Nada valho!

É tudo! É duro! É verdade!

2º - Motivos de ser humilde


a) Deus só dá graça aos humildes
Há um fato que domina toda a vida espiritual: sem a graça nada podemos fazer. Ora, Deus afirmou que só dá a sua graça aos humildes e resiste aos soberbos; donde mister se faz concluir que a humildade nos é absolutamente indispensável.

b) Nos nossas relações com Deus, não passamos de pobres mendigos
A nossa dependência d’Ele é absoluta. Se à vossa porta se apresentasse um mendigo orgulhoso, pedindo esmola com ar soberbo, que faríeis? Fechar-lhes-íeis assim a vossa porta como o vosso coração. Deus age do mesmo modo. Quando vê vir a Ele uma alma enroupada numa dignidade que não é a sua, Ele volta a cabeça, não escuta, deixa essa alma orgulhosa, à sua impotência... e ela cai.

c) A humildade é a raiz de todas as virtudes
Sem ela:

- Nenhuma fé: é preciso ser humilde para se curvar sem a menor dúvida, perante a autoridade de Deus que, sempre verídica, impõe para crer coisas que excedem o alcance da nossa inteligência.

- Nenhuma esperança: inspirando-se no orgulho, a gente pensa facilmente não precisar de nada, nem de ninguém; é preciso crer no seu próprio nada, na sua total impotência, para se volver para Deus e tudo esperar das Suas promessas e da Sua bondade.

Nenhuma caridade: num coração soberbo só achamos desdém, egoísmo, empáfia, insolência, violência, arrogância e vaidade; o amor de Deus e do próximo é excluído dele.

Nenhuma pureza: Diz a Escritura: “Ninguém pode permanecer puro sem um dom especial de Deus.” Ora, se Deus resiste aos soberbos, como poderá a alma orgulhosa, deixada às suas próprias forças, vencer as tentações? O vício impuro é a punição habitual do orgulho.

Nenhum zelo: para querer fazer o bem e aplicar-se a isso, é preciso ainda a graça, e Deus só a concederá aquele que se humilha. Os grandes santos foram todos humildes. O lugar deles na história está em relação com a sua humildade. Basta ler a vida de São Vicente de Paulo para se convencer disto.

d) A humildade é uma fonte de força
Quando uma alma está bem vazia de si mesma, Deus a enche com seu poder. É esta a explicação da força dos santos. Eles consentiram em não ser nada, e por isso Aquele que é tudo veio a eles, operou maravilhas.
Deus só se quer servir de instrumentos bem humildes, bem maleáveis, pequenos e fracos, a fim de que a sua glória, a d’Ele, resplandeça.

Vede Santa Genoveva ou Santa Joana d’Arc; vede, mais perto e vós, Santa Teresa do Menino Jesus! Vede Santa Bernadette, a venerável Catarina Labouré e tantas outras que a piedade venera! Que exemplos frisantes de pequenas almas bem humildes, bem simples, com as quais Deus fez grandes coisas!

No ofício da SS. Virgem, a liturgia põe nos lábios de Maria estas graciosas palavras: “Porque eu era pequenina, agradei ao Altíssimo”. Se quiserdes agradar a Deus, sede humilde, fazei-vos também pequenina diante d’Ele. Não podemos esquecer a advertência de Jesus:

Se não fordes semelhantes a uma criancinha, não entrareis no Reino dos Céus.”

e) O vosso ser
Misto de grandeza e de baixeza, de força e de fraqueza, de predicados e de defeitos. Não tenho nada de meu, que me pertença como próprio: meu espírito, meu corpo, minha alma, minhas qualidades, tudo recebi de Deus.

Nosso Senhor dizia um dia a uma santa:
“Eu sou Aquele que sou; e tu és aquela que não é!”

Há cem anos, onde estáveis? Daqui a cem anos, onde estareis? Quem então ainda pensará em vós? Tereis passado como uma sombra, como a nau que fende as ondas e de que, em breve, não mais se vê o rastro.

Vosso corpo? “lama coberta de neve”, diz um santo! Três dias após a sua morte, ele se torna o pasto dos vermes, um objeto de abjeção que se deve, bem depressa, confiar à terra.

Vossa alma? Criada à imagem de Deus, ela é bela por natureza; mas o pecado original privou-a das as suas magníficas prerrogativas.

Sem dúvida o Batismo lhe trouxe os esplendores da graça divina, mas, depois que fizestes desse dom tão precioso? Rainha exilada, vossa alma não tem caído às vezes na triste condição de uma escrava?

Vosso coração? ... O que fazeis dele? A que o dais? Que lugar nele ocupa Deus?...
Vossa consciência? Ah! Se ela pudesse falar! Tão jovem e, quiçá, já tão culpada!

José de Maistre dizia: “Não sei o que pode ser a consciência de um celerado, mas é medonha a de um homem honesto!” dir-se-ia que, descoberta pela visão da simples tendência que nos leva ao mal, ele se recusasse a lhe considerar a realidade numa alma culpada.

F) Vossos pecados
Quanto aos vossos pecados passados, conheceis-lhes o número? A gravidade? Se o vosso anjo vos pusesse sob os olhos o “livro das vossas confissões”, não teríeis de corar? E, quanto ao futuro, podeis responder por vós? “Não há pecado cometido por um homem que não possa ser cometido por outro, se a mão que fez o homem não estiver lá para preservá-lo! Este pensamento de Santo Agostinho tem com que fazer curvar as cabeças mais altaneiras.

g) Exemplo de um Deus que se humilha
Ó alma orgulhosa, deixa, de uma vez, de lado todas as frioleiras da tua vaidade e da tua pretensa grandeza! Ou, antes, não! faze-te bela, grande, soberba, orna-te, enfeita-te de todas as qualidades morais e físicas, faze-te tão orgulhosa e vaidosa quanto o és em certas horas, e olha!

Olha essa criancinha que chora em cima de um molho de palha, numa manjedoura de animais, no meio de um estábulo. Essa criança é Deus, o único Deus verdadeiro! Olha e lembra-te!

Vê esse jovem que trabalha na modesta oficina de um carpinteiro de aldeia, que cepilha pranchas, que conserta charruas e outros instrumentos de lavoura. Esse jovem é Deus! Olha e lembra-te!

Considera esse homem rodeado de alguns discípulos, perto de uma mesa; Ele cingiu os rins e, de joelhos ante um deles, lava-lhe os pés. Este, um horrível traidor, é Judas, e aquele que Lhe lava os pés é Jesus. Olha é lembra-te!

Contempla esse condenado de quem mofam, a quem insultam, a quem flagelam. Escarram-Lhe no rosto, enfiam-Lhe espinhos na cabeça, conduzem-no de tribunal em tribunal, condenam-nO à morte; cravam-nO, enfim, numa Cruz, como um escravo, como um salteador, como um ladrão! Esse que assim morre é Deus! É o autor da vida e a própria inocência! Olha e lembra-te!

Vem ainda a esta igrejinha, avança até o altar, fita o tabernáculo, olha para esse cibório e vê essa hostiazinha. Jesus está lá. Abaixa-Se, oculta-Se, vela-Se, aniquila-Se sob as aparências de uma partícula de pão!... Olha e lembra-te!

Sim, essa criança, esse jovem, esse homem, esse crucificado, esse prisioneiro da hóstia, é Jesus, é o teu Deus! Deus se humilha, e tu te exaltas. Ele faz tudo o que pode para não parecer o que é; tu fazes tudo o que podes para pareceres o que não és!

3º - Meios de se tornar humilde

a) Antes de tudo, deveis convercer-vos bem de que o orgulho perde as almas e a humildade as salva. De vez em quando é preciso meditar neste assunto tão grave. Nós não decidimos eficazmente a nossa vontade senão depois de termos conseguido dar-nos convicções fortes.

b) Nunca faleis de vós, nem bem, nem mal. Bem, é fatuidade; mal, às vezes é um artifício para atrair elogios.

c) Não ligueis importância aos juízos humanos; nada é mais falsos, mais vazio, mais vão, mais mutável! A multidão gritava " hosana!" no dia de Ramos, e cinco dias depois o " Crucificai-o! " é que se fazia ouvir.

d) Se vos suceder uma humilhação merecida, humilhai-vos sem pejo. É sempre belo e grande reconhecer os próprios erros. Se ela for imerecida, pensai em Jesus que se calava quando seus inimigos o acusavam falsamente.

e) Pela manhã, refleti nas ocasiões que podereis praticar a humildade, e não passeis um só dia sem produzir ao menos um ato dela, interior ou exterior, mormente exterior. Aí, como em tudo, só pela multiplicação dos atos é que chegareis a um resultado.

f) Tomai como virtude favorita a humildade. Se preciso, reduzi a ela as vossas outras resoluções, e pedi-a a Deus até importuná-lO.

g) No vosso vestir, sede simples e modesta. Lícito vos é andar bem preparada, com certa elegância mesmo, se o quiserdes, isso é da vossa idade. Mas não ostenteis enfeites extravagantes, e nunca mereçais esta maliciosa apóstrofe atraída um dia por uma mulher "coquete":
"Oh! habitante de um grande vestido, como sois pequena na realidade!".

h) Ponde-vos ao pé de Deus Nosso Senhor, como uma criança pequenina, ou mesmo como um mendigozinho que pede, que ama e que espera. Este não ignora que nada lhe é devido, mas sabe que seu pai lá está e lhe dará tudo de que ele precisar.

i) Dizei muitas vezes, como Maria: "eis aqui a escrava do Senhor", e fazei tudo o que Ele vos pedir! Que grandeza, apesar da vossa pequenez, o serdes escrava de um Deus!

J) Orai! Orai! Só Deus pode ajudar-vos a adquirir essa virtude que tanto repugna à nossa natureza. Tende a miúdo nos lábios esta bela oração jaculatória: "Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao Vosso."

Alimentai em vós o desejo ardente, a paizão de vos tornardes humilde! Não vos contenteis com a convicção ou mesmo com a aceitação alegre da vossa própria baixeza! aproveitai todas as ocasiões para fazer uma sincera confissão dela.

Não faltam almas que são humildes na solidão, no seu genuflexório; elas reconhecem o seu nada, a sua baixeza! Estão convictas desta! Mas ai daquele que compartilhasse ostensivamente a convicção delas! ... É séria humidade? é profunda?

E, quando a luta for dura, meditai esta palavra que Nosso Senhor disse a uma santa:
"Minha filha, no inferno há muitas virgens, mas não há uma só alma humilde!"

(A formação da donzela, do Pe. J. Baeteman)

PS: Grifos meus.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Conselhos de São João Bosco

Conselhos de São João Bosco


Fugir dos maus companheiros

Há três espécies de companheiros: os bons, os maus e os que não são totalmente maus, mas nem são bons. Com os primeiros podeis entreter-vos e tirareis proveitos; com os últimos, tratai quando houver necessidade, sem contrair nenhuma familiaridade. Quanto aos maus, esses devemos absolutamente evitar. Mas quais são esses maus companheiros? Prestai atenção e ficareis sabendo quais sejam.

Todos os jovens que na vossa presença não se envergonham de ter conversas obscenas, de dizer palavras equívocas ou escandalosas, murmurações, mentiras, juramentos vãos, imprecações, blasfêmias, ou então procuram afastar-vos das coisas da igreja, os que vos aconselham a roubar, a desobedecer aos vossos pais ou a transgredir algum dever vosso, todos esses são maus companheiros, ministros de satanás, dos quais deves fugir mais do que da peste e do diabo em pessoa.

Ah! meus caros, com as lágrimas nos olhos eu vos suplico que eviteis e aborreçais tais companhias. Ouvi o que diz o Nosso Senhor: quem andar com o virtuoso será também virtuoso. O amigo dos estultos tornar-se-á semelhante a ele. Foge do mal companheiro como da mordedura de uma cobra venenosa: quasi a fácie cólubri (Eccl. XXI, 22).

Em suma, se andardes com os bons, eu vos afianço que ireis com os bons ao Paraíso. Pelo contrário, freqüentando companheiros perversos, vos pervertereis também vós, com perigo de perder irremediavelmente a vossa alma. Dirá alguém: São tantos os meus companheiros, que seria preciso sair deste mundo para evitá-los todos. Bem sei que são muitos numerosos os maus companheiros e é por isso mesmo que vos recomendo com empenho que fujais deles.

E se, para não tratar com eles, fosseis obrigados a ficar sozinhos, felizes de vós, porque teríeis em vossa companhia Jesus Cristo, a bem-aventurada Virgem e o vosso Anjo da Guarda. Poderemos encontrar companheiros melhores do que esses?

Contudo pode-se também ter bons companheiros e serão os que freqüentemente os S.S. Sacramentos da Confissão e da Comunhão, os que freqüentam a igreja, os que com as palavras e como exemplo vos incitam ao cumprimento dos vossos deveres e vos afastam da ofensa de Deus.

A estes deveis freqüentar e tirareis muito proveito. Desde que Davi, quando jovem, começou a freqüentar um bom companheiro chamado Jónatas, tornaram-se ambos bons amigos com proveito recíproco, porque um animava ao outro na prática da virtude.

Evitar as más conversas

Quantos jovens estão no inferno por ter dado ouvidos ás más conversas! Estas verdade já a inculcava São Paulo, quando dizia que as conversas inconvenientes nem sequer se devem nomear entre cristãos, porque são a ruína dos bons costumes: Corrúmputi mores collóquia mala.

Fazei de conta que as conversas são como os alimentos: por muito bom que seja um prato é suficiente que sobre ele caia uma só gota de veneno para dar a morte aos que dele comerem. O mesmo acontece com a conversação obscena. Uma palavra, um gesto, um gracejo basta para ensinar a malícia a um ou também a muitos meninos, os quais tendo vivido até então como inocentes cordeirinhos, por causa daquelas conversas e maus exemplos perdem a graça de Deus e se tornam infelizes escravos do demônio.

Poderá alguém dizer: Conheço as funestas conseqüências das más conversas; mas como se há de fazer?Estou numa casa, numa escola, num serviço, em uma casa de negócio, em um lugar onde se fazem más conversas. Infelizmente, meus caros jovens, sei que há desses casos; por isso vos indico o modo de sairdes dessa dificuldade sem ofender a Deus.

Se são pessoas inferiores a vós, corrigi-as com rigor; dado o caso que sejam pessoas a quem não convenha admoestar , fugi, se vos for possível; não podendo, ficai firmes em não tomar parte nem com palavras, nem com os sorrisos e dizei no vosso coração: Meu Jesus, misericórdia.

E se, apesar destas precauções, vos achardes ainda em perigo de ofender a Deus, dar-vos-ei o conselho de Santo Agostinho, que diz: Apprechénde fugam, si vis reférre victóriam. Foge, abandona o lugar, a escola, a oficina, suporta todos os males deste mundo, ante que a morar em um lugar ou tratar com pessoas que põem em perigo a salvação da tua alma.

Porque diz o Evangelho, melhor é sermos pobres, desprezados, sofrer que nos cortem os pés e as mãos e até que nos arranquem os olhos e ir assim ao Céu, antes que ter tudo o que desejamos no mundo e depois perder-nos eternamente.

Pode às vezes acontecer que algum companheiro vos escarneça e se ria de vós, mas não importa: tempo virá em que o riso e o sarcasmo dos malvados se transmudará em pranto no inferno e o desprezo dos bons se converterá na mais consoladora alegria no céu: Tristítia vestra vertétur in gáudium.

Notai contudo que, permanecendo vós fiéis a Deus, acontecerá que os vossos mesmos detratores será obrigados a prezar a vossa virtude, já não se atreverão a molestar-vos com os seus perversos motejos.

Onde se achava São Luis Gonzaga, ninguém já se atrevia a proferir palavras menos honestas, e si ele chegava na ocasião em que outros as pronunciavam, diziam logo: Silêncio! Ai vem Luis.

Evitar o escândalo

A palavra escândalo quer dizer tropeço e chama-se escândalo aquele que com palavras ou obras dá a outrem ocasião de ofender a Deus. O escândalo é um pecado enorme, porque rouba a Deus as almas que Ele criou para o Céu e que foram resgatadas com o sangue precioso de Jesus Cristo, e as rouba para entregá-las ao demônio, que as conduzirá ao inferno.

Dessa maneira, o escandaloso pode ser chamado um verdadeiro ministro de Satanás. Quando o demônio com os seus artifícios não consegue de outra forma apoderar-se de algum jovem, costuma servir-se dos escandalosos. De que enormes pecados sobrecarregam sua consciência aqueles jovens que na igreja, nas ruas, nas escolas ou em outros lugares dão escândalos!

Quanto mais numerosas são as pessoas que os vêem, tanto mais grave é a sua culpa aos olhos de Deus. E que deveremos dizer dos que chegam até a ensinar a malícia aos que são ainda inocentes? Ouçam esses infelizes o que lhes diz o Salvador.

Tendo tomado um dia uma criança pela mão, voltou-se para as turbas que o escutavam e disse:

“Ai de quem der escândalo a um deste pequeninos que crêem em mim; infelizmente há escândalos no mundo, mas ai de quem der escândalo: melhor lhe fora que lhe atassem ao pescoço uma mó de moinho e o atirassem ao fundo do mar”.

Se fosse possível tirar os escândalos do mundo, quantas almas iriam ao Paraíso, as quais, pelo contrário perdem-se eternamente no inferno! Guardai-vos pois desta raça de criminosos: fugi deles como do mesmo demônio.

Uma menina de poucos anos, ao ouvir uma conversa escandalosa, disse a quem falava:

“Foge daqui, ó demônio maldito”. Se vós, meus caros, quereis ser verdadeiros amigos de Jesus e de Maria, deveis não somente fugir dos escandalosos, mas empenhar-vos em reparar com o vosso bom exemplo o grande mal que eles causam ás almas. Por isso, as vossas conversas sejam boas e modestas; sede devotos na igreja, obedientes e respeitadores para com vossos superiores.

Oh! quantas almas então imitando-vos trilharão o caminho do Céu! E vós tereis a certeza de para lá ir em sua companhia, pois, como diz Santo Agostinho, o que alcança a salvação de uma alma pode fundadamente esperar que há de salvar a sua: Animam salvásti, animam praedestinásti.

São estas as principais coisas das quais vós, meus caros jovens, deveis fugir no mundo, se quiserdes seguir uma norma de vida virtuosa e cristã.
 
(Excertos do livro: O jovem instruído na prática de seus deveres religiosos - Parte I - São João Bosco)
 
PS: Grifos meus

QUERO SER PADRE!

QUERO SER PADRE!


Aquele que havia de ser o fundador da Congregação do SS. Sacramento, Pe. Julião Eymard, parecia predestinado desde pequenino a ser um grande devoto da Eucaristia. Quando sua mãe, levando-o nos braços, ia à bênção do Santíssimo, o menino não se cansava de olhar para Jesus na custódia.

la com a mãe em todas as visitas à igreja e não se cansava nem pedia para sair antes dela. Sua irmã Mariana, que tinha dez anos mais e foi sua segunda mãe, costumava comungar com freqüência.

O irmãozinho, invejando-a, dizia:

- Oh! como você é feliz, podendo comungar tantas vezes; faça-o alguma vez por mim.
- E que pedirei a Jesus por você?
- Peça-Lhe que eu seja muito mansinho e puro e me dê a graça de ser padre.

As vezes desaparecia durante horas inteiras. Procuravam-no e iam encontrá-lo ajoelhado num banquinho perto do altar, rezando com as mãos juntas e os olhos pregados no sacrário.

Antes mesmo do uso da razão ansiava por confessar-se; mas não o admitiam. Quando tinha nove anos quis aproveitar a festa do Natal para "converter-se" como dizia. Apresentou-se ao vigário e depois ao coadjutor, mas, como estavam muito ocupados, não o atenderam.

Partiu, pois, com um companheiro, em jejum, e, fazendo uma caminhada de oito quilômetros sobre a neve, lá, na paróquia vizinha, conseguiu confessar-se.

- Como sou feliz - dizia - como estou contente! agora estou puro!
- Que grandes pecados havia cometido?

- Ai! cometi muitos pecados em minha infância: roubei um quepe (boné) numa loja e, depois, arrependido, voltei e deixei-o em cima do balcão.

Para preparar-se para a primeira comunhão começou a fazer penitências: colocava uma tábua embaixo do lençol, jejuava e quando a fome apertava, corria a fazer uma visita ao Santíssimo para esquecê-la.

Enfim, a 16 de março de 1823, chegou para ele o grande dia.
Que se passou neste seu primeiro abraço com Jesus?

Quando O apertava ao coração, dizia-Lhe:
"QUERO SER PADRE! EU O PROMETO"
 
(Excertos do livro: Tesouros de exemplos, do Pe. Francisco Alves)