sexta-feira, 5 de março de 2010

Definição de educação

Definição de educação


Que quer dizer a palavra educação?

Etimologicamente, a palavra educação significa, mais ou menos, o mesmo que a palavra criação. Educar, do latim educere, “é quase criar, é como tirar do nada é, pelo menos, despertar do sono e da letargia as faculdades adormecidas, é dar a vida, o movimento e a ação a uma existência ainda imperfeita” (Mons. Dupanloup)

Educar é fazer que alguém se desentranhe de si mesmo; é fazer duma criança um homem um cristão, dum cristão um santo, eleito” (Mons. Pichenot).

Não haverá uma palavra ainda mais expressiva do que aquela?

Sim, e uma palavra bem portuguesa. Dizemos: enobrecer a juventude; enobrece a alma; enobrecer os sentimentos; enobrecer os pensamentos; enobrecer o caráter, etc.

Como se poderá definir a educação?

"A educação é a arte de cultivar, exercitar, desenvolver, fortificar e polir todas as faculdades físicas, intelectuais, morais e religiosas, que constituem na criança a natureza e a dignidade humana; dar a estas faculdades uma perfeita integridade; elevá-las à plenitude da sua força e da sua ação. E, deste modo, formar o homem, prepará-lo a bem servir a pátria nos diversos cargos sociais, que um dia seja chamado a desempenhar através da jornada da vida; e assim, num alto pensamento, conquistar a vida eterna, enobrecendo a vida presente. Eis a obra e o fim da educação." (Mons. Dupanloup)

Porque se define a educação: A arte de "cultivar"?

Porque, efetivamente, a educação procede como um jardineiro inteligente: coloca numa terra boa a planta que lhe confiam; rega-a com água pura e abundante; arranca as ervas daninhas, que estorvariam a sua vegetação; poda-a na devida altura; vigia o crescimento e como se desenvolve; favorece o desabrochar das flores e dos frutos. Portanto, a educação cultiva (São Paulo chama à alma “o campo de Deus; Dei agricultura estis” – I Cor. III –9)

Porque se define a educação: a arte de "exercitar"?

Porque a educação não é somente um meio de agir; é ainda o recurso e a obrigação de fazer agir; não é só obra da autoridade, é também obra do respeito; exige do educando a colaboração duma docilidade respeitosa: - exercita.

Propõe então ao educando certos estudos, determinados atos e certos esforços; anima-o com persuasão; dirigi-o com sabedoria; numa palavra, fá-lo concorrer eficazmente para a sua própria educação: - e assim é necessário, porque “jamais se educará uma criança sem o seu esforço ou contra a sua vontade”.(Mons. Dupanloup)

Porque se define a educação: a arte de "desenvolver"?

Porque a educação só cultiva, e exercita, age e faz agir, a fim de desenvolver.

E, na verdade, a educação é o desenvolvimento da natureza em tudo o que tem de bom. Por isso, sabiamente disse Fenelon: “Basta contentarmo-nos com seguir e ajudar a natureza”.

A educação deve seguir e ajudar a natureza em todos os terrenos; deve segui-la e ajudá-la sem nunca se deter nem afrouxar; apodera-se do homem e acompanha-o até ao limite da sua carreira.

Porque se define a educação: a arte de "fortificar"?

Porque desenvolver, sem fortificar, equivaleria praticamente a destruir. A educação que não fortificasse seria, pelo menos, vã e enganosa, sem consistência e sem virtude.

O Evangelho indica, aliás, a necessidade deste duplo progresso, falando de Jesus Menino: Puer crescebat et confortabatur (Lucas 1, 80; e 2, 40). O Menino crescia e fortificava-se.

Porque se define a educação: a arte de "polir"?

Porque a educação não é somente para o homem uma necessidade, uma condição de existência; é também uma prenda adorável. Deve suavizar, adornar, embelezar a natureza.

Realmente, a educação bem entendida faceta o espírito, pule o caráter e os costumes; até a virtude se torna mais bela. E a polidez foi sempre um dos mais belos caracteres da educação portuguesa. Não se considera, entre nós, bem educado quem não possui a arte de saber viver.

Porque se fez menção, na definição dada, das faculdades “físicas, intelectuais, morais e religiosas"?

Porque a educação, tomada na sua acepção completa, abrange o homem todo, o seu corpo e a sua alma; esforça-se pela realização do ideal traçado pelos antigos, quando falavam duma alma sã num corpo vigoroso: mens sana in corpone sano (Juvenal)

Esta alma sã é a inteligência bem formada; é a vida moral despojada dos seus defeitos e enriquecida de virtudes; é a vida sobrenatural assegurada, salvaguarda, aperfeiçoada, querida e defendida...

De maneira que a educação, vista em conjunto, compreende cuidados físicos, ensinamento intelectual, uma disciplina moral e uma formação sobrenatural.

De que se trata, afinal, quando se fala da educação?

- Trata-se de formar o homem; o homem com as suas faculdades gerais e as suas qualidades individuais, tal qual o exigem a sociedade e a religião; o homem da razão, de senso e de gosto; o homem de imaginação regrada; o homem de coração; o homem de vontade firme e reta; o homem como foi criado por Deus e regenerado por Jesus Cristo; o homem de fé e de consciência; o homem do seu século e de seus pais, no sentido perfeito destas duas palavras.

 - Trata-se de formar o eleito e o herdeiro do Céu. Joubert, num escrínio de pensamentos delicados e luminosos, escreveu: “Ao educardes uma criança, pensai na sua velhice”.

Mas não é tudo.
O pensamento de Joubert deve ser completado, tomando esta forma: “Ao educardes uma criança, pensai na sua eternidade”.

"Ó jovens mães, na hora bendita em que vós tendes no regaço o entezinho adorado, e em cuja fronte desenhais sonhos fagueiros, pensai bem que não é tão somente um precioso objeto que adornais com esmero; fitai os seus olhos; neles lereis deveres mais austeros. Está escrito que a maternidade é um sacerdócio, um apostolado divino de que Deus vos revestiu; que é preciso fazer da criança, primeiro, um homem e, depois, um eleito do Céu; que, se assim o não fizerdes, melhor seria nunca terdes um filho. Este dever é tão imperioso que São Paulo não hesita em afirmar que a mãe que o esquece é inferior a uma pagã." (Mons. Rosier)

(Excertos do livro: Catecismo da educação - Abade René Bethléem)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Belíssima Hora Santa de Março

Belíssima Hora Santa de Março
Padre Mateo Crawley-Boevey


"Tomai meu amor, minhas finezas e meus sacrifícios
 e ponde-vos na ara do altar,
como um holocausto de reparação cumprida.
Vossa Rainha vos pede para Ele uma íntima prece...
Eu, a Imaculada, a Virgem-Mãe,
 quero repetí-la convosco...”.

Adoramo-Vos, Coração de Jesus Sacramentado, em união com os nove coros de Vossos anjos, que Vos engrandecem no Paraíso.

Bendizemo-Vos, Coração de Jesus Sacramentado, em união com as legiões de serafins e de santos que Vos adoram em Vosso solitário Tabernáculo.

Glorificamo-Vos, Coração de Jesus Sacramentado, em união de amor e de reparação fervente com Maria Imaculada e Rainha do céu nas alturas, e a Soberana do céu terreno de Vossos Sacrários...

Oh, sim, em união com Ela, sobretudo, viemos cantar, Jesus, Vossas misericórdias infinitas e a chorar Vossas agonias místicas, os pecados de ingratidão do mundo e Vossas solidões na Hóstia! Em união com Ela, queremos nesta Hora Santa percorrer a Via Dolorosa, para convertê-la, com as glórias da Imaculada e com nossos consolos, no caminho de Vossas vitórias, e para fazer de Vosso Calvário o Tabor de triunfo de Vosso adorável Coração.

Jesus amado, depois de vinte séculos, não Vos conhecemos ainda o bastante em Vossa Santa Eucaristia; perdoai e aceitai em desagravo a visão amorosa de Maria Santíssima, as adorações de Seu Coração de Mãe... Jesus benditíssimo, não obstante Vossas liberalidades e as maravilhosas invenções de Vossa ternura, não Vos amamos ainda com a generosidade sem limites com que devêssemos corresponder-Vos...

Perdoai e aceitai, em compensação de nossa frialdade, os fogos divinos que abrasaram as entranhas e a alma de Maria Santíssima no dia da anunciação venturosa.

Jesus - Hóstia, amor de nossos amores, vida de nossa vida, apartai vossos olhos formosíssimos de nossos culpados desvios, de tantas indiferenças, de tantos desmaios em nossos propósitos de virtude, em nossas promessas de santidade... E perdoai em obséquio à Mãe, cujo Coração Imaculado vos oferecemos em reparação de caridade e em homenagem da mais fervorosa adoração.

Jesus Divino, em honra, pois, da Imaculada, em agradecimento aos cuidados da Virgem, em obséquio à encantadora Nazarena, rogamo-Vos, Senhor, que esqueçais os incontáveis esquecimentos de Vossa lei em que incorreram estes filhos Vossos, que vêm chorar suas faltas e as de tantos irmãos culpados no cálice de ouro do Coração de Maria Santíssima.

Recolhe nele nosso pranto de arrependimento e prometei-nos reinar, Jesus, com mais intensidade de fé, de amor, de humildade e de pureza em nossas almas, em nossas famílias, na sociedade inteira, pelo amor e os martírios da Virgem Mãe...

(Pausa)

(Dizei a Jesus em silêncio eloqüente que O amais muito, mas que desejais amá-Lo mais, imensamente mais ainda, em resposta a seu Coração, que solicita os nossos. Mas já que nossa pobreza é tão grande, oferecei-Lhe o dom incomparável, quase divino, do Coração de Maria... Ah! E pedi a Ela que ao oferecer-se por nós nesta Hora Santa, consiga-nos a graça infinita de amar com santa paixão e de fazer amar com zelo infatigável ao Coração de seu Filho Salvador).

Voz de Maria

Ninguém mais do que Ela tem certamente o direito de falar das intimidades do Coração de Jesus e de Suas próprias angústias redentoras. Escutemo-La com filial carinho:

Eu sou, desde o dia da anunciação do anjo, a mãe do Amor Formoso, e quero que as almas se abrasem nas chamas de minha caridade... Nesta hora mil vezes sublime e venturosa, desde o 25 de março (Festa da Encarnação do Verbo), em que Jesus e eu formamos uma só corrente de vida, pensei em vós, que me chamais vossa Mãe... e dizeis verdade, porque o sou...

(Lento e cortado)

Como tal gemi, solucei filhos meus, queimando com minhas lágrimas ardentes a face de Jesus Infante, em Belém inesquecível... Ao acalentá-lO então, ao contemplá-lO Deus e Filho meu entre meus braços, ao beijá-lO em sua fronte divina, eu Lhe oferecia, prevendo com inteira certeza o deicídio de séculos e mais séculos, que destroçaria, com dardo de pecado, o Coração de vosso Salvador. Eu, sua Mãe, levantava-O em alto ao Pai, rogando-Lhe, com martírios da alma, que aceitasse-O pela redenção dos filhos ingratos...

(Cortado)

Beijei suas mãos, que me acariciavam, e marquei suas chagas com meus beijos. Pus meus lábios em seus pés, consertando de antemão com meus ósculos as feridas dos ferros inclementes... Ungi sua fronte com minhas lágrimas e, sobretudo, pus minha cabeça, torturada com pensamentos de agonia, e depois minha boca, abrasada de sede a mais amor, em seu lado ardente, celestial... E nesse Getsemani de deliciosas amarguras, aí Jesus e eu, sua Mãe, resolvemos, amando e padecendo, a ressurreição de tantos pródigos do lar, de tantos renegados da Cruz e do altar...

(Pausa)

Oh, noite de paz e de tortura salvadora a que envolveu em suas trevas o berço de Jesus! Extática e de joelhos, Maria Santíssima velava o repouso do Menino, do Eterno, e meditava em outra Belém, com outro berço de repouso aparente e de perpétuo sacrifício: o Sacrário, contemplado à distância... Através dos séculos, via a Virgem amante e dolorosa esse portal permanente, indestrutível, onde Jesus Infante nasceria milhões e milhões de vezes entre as sombras de um altar humilde, para ser aprisionado em seguida no cárcere inerte, mas dulcíssima, de incontáveis Tabernáculos... Em cada um deles o Deus-Prisioneiro, Jesus, infinitamente pequeno, segue cochilando, enquanto seu Coração Divino vela sobre nós e enquanto, sobre seu Berço-Sacrário vela a Rainha de Seus amores, a Virgem Maria.

(Pausa)

As almas

 Oh, sim, Jesus-Eucaristia, ao lado do dourado cibório que Vos aprisiona está vossa Mãe; Ela Vos nos presenteia nesta Hóstia Sacrossanta! Louvai-A, Senhor, em Vosso nome, já que Vós também Lhe deveis o ter realizado Vosso anseio de encontrar Vossas delícias entre os filhos dos homens... Cantai-Lhe com os anjos de Vosso Santuário, engrandecei-A com os anjos de Vosso Paraíso, glorificai-A, com os filhos, com os desterrados que A chamam sua Mãe, gemendo neste vale de lágrimas. Ah! Em obséquio a Ela, a quem não podeis negar nada, dai-nos, Senhor, o reinado de vosso Coração em Vossa Santa Eucaristia. Não queirais permitir que fiquem defraudadas Vossas esperanças e as de Vossa Mãe, sempre onipotente na causa de Vossa glória.

(Cortado e veemente)

Reinai, Jesus Sacramentado, entre os afligidos, como um consolo, naquele Pão consagrado de cada dia, que nos dá a Rainha das Dores.

Reinai, Jesus Sacramentado, entre os meninos, como uma proteção de inocência perfeita e de sinceridade, mediante aquele Pão consagrado de cada dia que nos dá a Rainha das Virgens.

Reinai, Jesus Sacramentado, entre os pobres e desamparados, como um alento em tantas penalidades, mediante aquele Pão consagrado de cada dia que nos dá a humilde Rainha dos pastores de Belém.

Reinai, Jesus Sacramentado, entre os sacerdotes, como um fogo em amor de santidade e zelo, mediante aquele Pão consagrado de cada dia que nos dá a Rainha dos Apóstolos.

Reinai, Jesus Sacramentado, nos lares, como virtude de fé vivíssima nas almas dos pais e os filhos, mediante aquele Pão consagrado de cada dia que nos dá a Rainha do Éden de Nazaré.

Reinai, Jesus Sacramentado, no Episcopado, em Vosso Vigário, em Vossa Igreja, com um Pentecostes de caridade abrasadora, mediante aquele Pão consagrado de cada dia, que nos dá a Rainha onipotente do Cenáculo.

Jesus amabilíssimo e adorável do Belém dos Sacrários, pagai os desvelos, os ósculos de ternura, os abraços, as lágrimas de Vossa Mãe, Seus delíquios de amor junto a Vosso berço pajeia, coroando a Maria Imaculada, com as glórias e os triunfos de Vosso Coração Sacrossanto.

(Pausa)

Queixas de Maria

Sua voz dolorida é a de uma Mãe cruelmente ferida, que pede compaixão aos filhos fiéis, pela decepção dos outros..., dos pródigos, que no mesmo lar, oprimem com amarguras seu Coração Santíssimo. A história de Jesus de Nazaré não é história antiga; é, hoje em dia, uma triste história de dores que cercam ao Filho e a sua Mãe cercados de agudíssimos espinhos... Que nos fale a Virgem Dolorosa:

Uma terra estranha, uma terra de gentis, de inimigos, brindou um asilo a meu Filho-Deus lá no Egito. O deserto mitigou seus ardores e seus oásis tiveram mananciais e refrigérios que nos negaram os ingratos, os preferidos nazarenos...

Ai, como feriu o Coração de Vosso Deus esse desdém de soberba, essa inveja inflamada dos de Sua própria casa! Aí onde deveriam aclamá-lO batendo palmas, tramaram com ira contra Ele, e procuraram pedras para ultimá-lO, e um horrendo abismo para precipitá-lO com Sua glória... Choramos juntos, Jesus e Maria, os desvios dos nossos, o desprezo altivo e injurioso daquela Nazaré de tantos e de tão suavísimas recordações... A solidão nos fez silenciosa companhia. E o ódio nos teceu, nesse terreno de ternuras, nossa primeira coroa de espinhos... Aí onde eu, sua Mãe, contemplei-Lhe, Menino e adolescente, aí onde cantei sua formosura divina, a coro com os anjos, vi-O amaldiçoado, e tive de chorar o desconhecimento com que Nazaré recusou ao manso Redentor...

Ai! Sua pena e a minha se afundavam, pensando nas idades por vir, prevendo que tantos filhos azarados, que tantos cristãos soberbos e renegados, desconheceriam a sua voz, no seio mesmo de Israel e da Igreja, a lei de graça e a verdade do Senhor Jesus.

Oh, sim! Viu-os fugindo do cercado do Pastor, longe e esquecidos do lar do Pai celestial... Vós, filhos meus, porque sois os irmãos menores de Jesus, meu Primogênito, e que viestes em procura de seu Coração Divino, consolai-O em seu desamparo... Tomai meu amor, minhas finezas e meus sacrifícios e ponde-vos na ara do altar, como um holocausto de reparação cumprida. Vossa Rainha vos pede para Ele uma íntima prece... Eu, a Imaculada, a Virgem-Mãe, quero repetí-la convosco...”.

(Digamo-la em união com Maria)

(Lento e cortado)

As almas

Jesus de Nazaré, retornai e ficai encadeado, como Rei, entre nós! Não cedais, mil vezes não, ao clamor de um mundo mau, que Vos arroja e Vos fere com desprezo de altivez satânica... Retornai e ficai encadeado, como Rei, entre nós... São muitos, Senhor, os que amaldiçoam Vosso nome e negam Vosso Evangelho; mas, vede, estamos tão resolvidos, somos tão Vossos os que Vos suplicamos, que não Vos vades jamais, jamais, de nosso lado; retornai, pois, e ficai encadeado, como Rei, entre nós... Que faria o mundo sem Vós, que sois sua paz; sem Vós, que sois seu céu? Que faria, senão gemer entre correntes por ter Vos desterrado, sendo Vós sua liberdade?...

Os desgraçados que assim puderam Vos ofender, não souberam o que fizeram, perdoai-lhes... Salvador benigno, retornai e ficai encadeado, como Rei, entre nós... Ah! Os mesmos que, como os nazarenos ingratos, Vos arrojaram de Vosso solo e de Vossa casa, estranharão um dia o calor de Vosso Coração, que salva e que perdoa; recordarão que Vós, que só Vós, dissestes a verdade, ensinado a justiça e esbanjado a misericórdia... E então, muitos desses mesmos Vos chamarão e Vos rogarão com lágrimas que volteis...

Retornai Jesus, retornai então perdoando, e ficai para sempre encadeado, como Rei, entre nós. Sim, para sempre; não Vos vades, não nos deixeis jamais... Mestre; por isso viemos em nome de todos os ingratos da terra, e para eles e nós Vos pedimos:

(Todos em voz alta)

Vosso Coração Divino, Senhor Jesus.

Viemos procurar-Vos em nome de muitos enfermos da alma, de muitos que vacilam entre dois abismos: o do pecado e o do inferno, e para eles e nós, Vos pedimos:

Vosso Coração Divino, Senhor Jesus.

Chegamos a vossos pés em nome dos agonizantes, que na vida Vos falaram mal, que em sua juventude Vos feriram e esqueceram... Pobrezinhos, precisam clemência infinita; e por isto, para eles e nós, Vos pedimos:

Vosso Coração Divino, Senhor Jesus.

Aproximamo-nos ao Vosso Sacrário em nome de tantos pais que esqueceram seus deveres para convosco, em nome de tantas mães que padecem de amarga incerteza pelo porvir eterno do esposo e dos filhos; para eles e nós, Vos pedimos:

Vosso Coração Divino, Senhor Jesus.

Viemos, cheios de confiança em Vossa misericórdia, a pedir-Vos, sem vacilações, grandes prodígios e aqueles milagres de ternura, prometidos à Hora Santa e à Comunhão freqüente e cotidiana; viemos pedir Vosso reinado na conversão de muitos e de grandes pecadores; para eles e nós, Vos pedimos:

Vosso Coração Divino, Senhor Jesus.

Aqui nos tendes, Senhor, trazidos por vossa Mãe; inspirados por Ela, viemos pedir-Vos pelas almas boas, por vossos Apóstolos, pelo sacerdócio, pelos corações que Vos estão consagrados e que Vos fizeram promessa de viver em santidade...; para eles e nós, Vos pedimos:

Vosso Coração Divino, Senhor Jesus.

E, enfim, oh, Deus Sacramentado! Viemos em demanda do enorme triunfo, universal, decisivo, de vosso Coração em Vossa Santa Igreja, em vossa Eucaristia, em vosso Evangelho, em vosso Vigário. Para os meninos e dirigentes, para os ricos e os pobres, para os cristãos, os hereges e os gentis, para todos, Jesus, para todos, e em especial para nós, Vossos amigos, pedimo-Vos:

Vosso Coração Divino, Senhor Jesus.

Dai-no-lo hoje, Senhor, em nome e por amor ao Coração de Maria Imaculada...

(Pausa)

Ensinos de Maria

Uma Hora Santa é uma solene meditação de amor que leva a Jesus Cristo... Que caminho pode levar-nos a Ele que não seja o de Maria Santíssima, sua doce Mãe? E nestes dias em que nos rodeiam trevas tão espessas de ignorância e de pecado, ponhamos atencioso o ouvido às insinuações desta amável soberana. Que nos ensine, pois, os perigos do deserto. Ela, que o atravessou levando sobre Seu peito virginal, são e salvo, o Filho de Seu Coração Imaculado... Ouvi-A...

Filhos de meu amor e de minhas angústias, escutai-me: Não há senão um mal grave imponderável, só um, e é perder a Jesus, cujo Coração é a vida, o amor e o Paraíso! Eu, sua Mãe, perdi-O, durante três dias em Jerusalém, e minha alma padeceu agonias inenarráveis. Ai, sabê-lO ausente...; viver longe dEle, não O ver, não O sentir, não O possuir, depois de tê-lO estreitado sobre o coração, depois de tê-lO visto sorrir e chorar, depois de ter-Lhe entregado toda a alma num beijo de carinho, que suplício horrendo!... Mas que poderei dizer-vos se vos conto as dores de minha alma maternal, destroçada na tarde da Quinta-feira Santa com a suprema despedida?...

Que dor superou a minha dor, quando, o amanhecer da Sexta-feira Santa, trouxe-me a visão de suas ignomínias, de sua flagelação e de seus escárnios?... Sangue e espinhos, blasfêmias, ódio e gritos de morte; tal foi o quadro de desolação infinita que Deus Pai quis pôr ante meus olhos de Mãe, a mais triste e dolorida de todas as mães da terra... Dizei, vós que me amais, dizei-me nesta Hora Santa, se é possível, se conheceis uma dor semelhante a essa dor...

Filhinhos meus; não queirais saber jamais quão mortal é essa angústia. Jesus é vosso; eu, Maria, vo-lO entreguei; é inteiramente vosso; não queirais jamais, jamais, perdê-lO pela culpa grave. Os que conservastes ainda a pureza batismal, a inocência, oh, não O magoeis com a cruel lançada do primeiro pecado mortal, que rasga o lado do amabilíssimo Jesus. Essa primeira hora de orgulho, de prazer, na contramão de Sua lei; esse primeiro pecado grave, atravessa com dardo de fogo Seu Coração terníssimo!

Mas... Se tivésseis já caído, se vos tivésseis manchado, eu vos conjuro a que laveis com lágrimas essa afronta queimante do rosto de Jesus... Recobrai-o, filhos meus; vinde, vinde cedo, abraçai-vos a Seus pés e não O deixeis jamais... Ele vos ama tanto!... Amai-O!...

E em especial ouvi-me vós, mães de um lar, que deve ser o templo santo de Jesus, cuidai que o esposo e que os filhos não percam, por indiferença vossa, a companhia deliciosa de meu Filho-Deus. Que reine sempre neles... Sim, que fique, eternamente com o pai, com a mãe, com os filhos do lar cristão que O adora; que fique nos dias de inverno e de pesar nas horas de primavera e de alegria...

Almas queridas, amarrai-vos com paixão divina a Jesus Cristo, deixai que Ele vos encadeie para sempre, sobre o Coração, entre seus braços... Ah, não O percais jamais!..."

(Digamo-lo nós mesmos ao Senhor Sacramentado)

As almas

Jamais Vos abandonaremos, Jesus, com o auxílio de Vossa graça e de Vossa Mãe, jamais! Mas como nossa fragilidade é tanta, rogamo-Vos, Salvador amado, que não nos deixeis longe de Vossa mão, que Vós também Vos acorrenteis a nós, por vossa grande misericórdia...!

(Lento e cortado)

Coração de Jesus, não nos deixeis nos abismos de tentações que nos assediam, como feras famintas do inferno; não consintais que nós Vos percamos.

Coração de Jesus, não nos deixeis nas grandes debilidades do coração humano, tão propenso às seduções do amor terreno; não consintais que nós Vos percamos.

Coração de Jesus, não nos deixeis no desespero de nossos males, porque Vós bem sabeis que certos sofrimentos adoecem de morte a alma; não consintais que nós Vos percamos.

Coração de Jesus, não nos deixeis nas desolações e solidões em que, com freqüência, abandonam-nos as criaturas que não sabem amar como Vós amais, e que são indiferentes às nossas penas ou não podem aliviá-las...; não consintais que nós Vos percamos.

Coração de Jesus, não nos deixeis no abismo de nossas constantes recaídas, naquelas prostrações de nossa débil vontade, tão incostante, no propósito de amar-Vos com verdadeiro sacrifício; não consintais que nós Vos percamos.

(Breve pausa)

Por amor da Virgem Mãe, Vos conjuramos que permaneçais, Jesus, sempre a nosso lado, não queirais jamais dormir durante a tempestade, na barca tão frágil de nosso paupérrimo coração, que hoje em dia Vos ama.

(Todos em voz alta)

Coração de Jesus, em Vós confiamos.

Nos momentos de amargura:
Coração de Jesus, em Vós confiamos.

Nos dias de debilidade moral:
Coração de Jesus, em Vós confiamos.
Nos momentos de vacilação e incerteza:
Coração de Jesus, em Vós confiamos.

Nas horas de fastio e de cansaço:
Coração de Jesus, em Vós confiamos.

Nas ocasiões tão freqüentes de esquecimento de nós mesmos:
Coração de Jesus, em Vós confiamos.

Nos dias de desalento em Vosso serviço:
Coração de Jesus, em Vós confiamos.

Nas horas de fragilidade e de queda:
Coração de Jesus, em Vós confiamos.

Nos momentos de dúvida perigosa ou de temível ilusão.
Coração de Jesus, em Vós confiamos.

Nos dias de doença e nos perigos de morte:
Coração de Jesus, em Vós confiamos.

Em nossos derradeiros instantes, nas convulsões da suprema agonia:
Coração de Jesus, em Vós confiamos.

Jesus, amor de nossa vida e amor de nossos amores, confiamos nossa existência, nossas tribulações e a esperança final de nosso céu, em vosso benigno, em Vosso doce, em Vosso misericordioso Coração...

Dores inenarráveis de Maria

Suas agonias foram mais amargas e mais fundas do que o oceano; as lágrimas de Sua alma virgem, maternal e mártir, se convertessem em luz, formariam muitos sóis... Que Ela no-lo diga. Falai-nos Vós, Maria Santíssima, Rainha dos mártires!...

Minhas dores são inenarráveis, porque não são minhas; são as agonias do Coração de meu Jesus que inundam, como um mar embravecido, meu coração de Mãe... É a dor infinita de um Filho-Deus, o que torturou minha alma com aflições sem medida... E como não ia ser assim quando vi banhado em sangue, coberto de injúrias, vexado com maldições, pisoteado pelos soberbos, escarnecido pelo lodo dos caminhos a meu Senhor, ao Filho de minhas entranhas, a meu Deus e meu tudo!...

Vi-O através de minhas lágrimas; vi-O, por iluminação do alto, na via, perpetuamente dolorosa de séculos e mais séculos, sempre ofegante, sempre desolado e triste, sob o madeiro infame de todas as perfídias... O vi à distância, concluída sua vida terrena e a paixão de seu Calvário; vi-O arrastado sempre pelas multidões, despojado de sua realeza, coroado de espinhos, burlado em sua soberania, cuspido naquele rosto que é o encanto de todos os bem-aventurados...

Vi-O, filhos meus, na costa desse Gólgota perpétuo, seguido pelos hipócritas, pelos impuros, pelos sacrílegos, pelos traidores, pelos blasfemos, e todos, com ira na alma, com fel nas palavras, xingavam-nO, a Ele, que abençoava entre soluços e que perdoava agonizando...

Vi-O !oh dor!, procurando com o olhar, desde milhares de Sacrários empoeirados, desde a prisão do Tabernáculo, quase sempre solitário, procurando à distância os olhos do amigo, do irmão, da esposa, do consolador e do apóstolo; e quantas vezes, quantas, não encontrou senão o silêncio, o esquecimento e a solidão e a frieza, que renovou a profunda ferida de Seu peito destroçado!... Ah, e o vi morrer, e morrer inutilmente, esterilmente para tantos infelizes pecadores, para tantos filhos renegados de Seu Templo, de Sua Cruz e de Sua Lei!...

Pelo menos, vós, Seus amigos, que trazeis o lenço de pureza e de carinho da amantíssima Verônica, vós, que O conheceis de perto, subi comigo, Sua Mãe, subi até Seu lado aberto, e coloqueis aí, num beijo apaixonado, a alma, excitada em viva caridade. Vinde, choremos juntos tantas desventuras; vinde, e amemos em nome de um mundo que lhe deu a morte com a apostasia de perversa ingratidão...

(Pausa)

(Não esqueçamos; a história da horrenda noite da Quinta-Feira Santa, do pretório, da Via Dolorosa, é história escrita hoje com caracteres de culpa deicida e é culpa nossa. Pecaram nossos pais, pecaram os carrascos, e nós seguimos recaindo no pecado. Ah! Consertemos e lavemos, se preciso for, com sangue, nossa própria afronta. Digamos a Jesus Sacramentado uma palavra de amoroso desagravo).

As almas

Senhor, lembrai-Vos que dissestes que viestes dar a vida e a dá-la com superabundância inesgotável; pedimo-Vos, por Maria Imaculada e por vosso Coração piedoso:

(Todos em voz alta)

Que não sejais nosso Juiz, senão nosso doce Salvador.

Senhor, lembrai-Vos que dissestes que viestes em procura das ovelhinhas desgarradas de Israel. Ah! Não as desampares entre os espinhos do caminho extraviado; pedimo-Vos, pois, por Maria Imaculada e por Vosso Coração piedoso:

Que não sejais nosso Juiz, senão nosso doce Salvador.

Senhor, lembrai-Vos que prometestes celebrar no lar de Vossas ternuras a chegada do pródigo arrependido, com cantares e festejos de anjos; pedimo-Vos, pois, por Maria Imaculada e por Vosso Coração piedoso:

Que não sejais nosso Juiz, senão nosso doce Salvador.

Senhor, lembrai-Vos que, convidado à mesa de Vossos inimigos, dos pecadores, aceitastes o convite para conquistá-los, em seguida, com palavras de ternura e de esperança; pedimo-Vos, pois, por Maria Imaculada e por Vosso Coração piedoso:

Que não sejais nosso Juiz, senão nosso doce Salvador.

Senhor, lembrai-Vos que procurastes sempre com marcada preferência aos mais caídos, e que Madalena, a Samaritana, o Bom Ladrão e tantos culpados, saborearam a suavidade infinita de Vosso Evangelho; pedimo-Vos, pois, por Maria Imaculada e por Vosso Coração piedoso:

Que não sejais nosso Juiz, senão nosso doce Salvador.

Senhor, lembrai-Vos, por fim, em vossa vida de Hóstia redentora, que perdestes a vida terrena por perdoar ao homem, e que expirastes convidando ao céu de Vosso Pai a um ditoso azarado que adoçou Vossa agonia e comprou Vosso Paraíso com uma só palavra de arrependimento humilde; pedimo-Vos, pois, por Maria Imaculada e por Vosso Coração piedoso:

Que não sejais nosso Juiz, senão nosso doce Salvador.

Que assim seja Jesus, em especial para aqueles que souberam consolar-Vos na Comunhão Reparadora e na belíssima prece da Hora Santa. Cumpre com eles e os seus Vossas promessas de misericórdia.

(Pausa)

Triunfos de Jesus e Glórias de sua Mãe

O filho de Maria é Deus em Sua morte e deve ser Deus em Seu triunfo. Os resplendores que cobrem o sepulcro despedaçado envolvem Sua Cruz, Sua Igreja, Seu Tabernáculo e glorificam à Virgem Maria. Mas esse triunfo do Senhor Crucificado, é um triunfo secreto e misterioso, é uma vitória, íntima como a graça e como as almas...

Assim é como esse Deus, realmente presente, mas oculto nessa Hóstia, vai dominando todas as tempestades do inferno... Todas morrem ante o humilde Sacrário. E essa grande vitória, irremovível, eterna, é também a vitória e a exaltação da Mulher puríssima de Maria Imaculada, unida a Ele como nas supremas angústias do Coração do Filho, nas inefáveis alegrias de Sua glória e de Seu triunfo. Terminemos, pois, esta Hora Santa com uma prece de louvor e com um hosana de júbilo.

As almas

Jesus adorável, já é chegado o tempo em que vejamos convertido Vosso altar no Tabor de Vossas glórias, pois com este fim revelastes a Margarida Maria as magnificências de Vosso vitorioso Coração... Vosso Vigário e o sacerdócio, acendidos em novo zelo; Vossa Eucaristia, amada e recebida com a veemência de um amor inusitado; a prática da Hora Santa; a consagração dos lares, convertidos em Vossos templos, tudo, enfim, oh, Deus Sacramentado!

Tudo nos está dizendo com dizer eloqüentíssimo que o lábaro de Vosso Coração avança, recuperando o mundo que derramou Vosso sangue... Afiançai, pois, Senhor, Vosso reinado, e avançai mais e mais, oh, Rei dos amores! Rogamo-Vos em nome de Maria Imaculada, em cujos braços Vos encontramos sempre exeqüível e sempre a nosso alcance. Coração de Jesus, Vós sabeis tudo; Vós sabeis que Vos amamos; perdoai, pois, e derramai pelo mundo inteiro as graças prodigiosas com que alentais e confirmais esta sublime devoção; pelo Coração Imaculado de Maria:

(Todos)

Venha a nós o Vosso Reino!

Coração de Jesus, Vós sabeis tudo; Vós sabeis que Vos amamos; perdoai, pois, e dilatai até os últimos confins da Terra o fecundo alento de regeneração cristã que ofereceis às almas neste amor incomparável; pelo Coração Imaculado de Maria:

Venha a nós o Vosso Reino!

Coração de Jesus, Vós sabeis tudo; Vós sabeis que Vos amamos; perdoai, pois, e afiançai a realeza de vossa suavíssima ternura no lar, em todas as famílias que Vos estão dizendo que sois sua paz e seu céu antecipado; pelo Coração Imaculado de Maria:

Venha a nós o Vosso Reino!

Coração de Jesus, Vós sabeis tudo; Vós sabeis que Vos amamos; perdoai, pois, e alentai aos apóstolos que almejam coroar-Vos com diadema de almas, de muitas almas pecadoras, conquistadas com vossa caridade infinita, inesgotável; pelo Coração Imaculado de Maria:

Venha a nós o Vosso Reino!

Coração de Jesus; Vós sabeis tudo; Vós sabeis que Vos amamos; perdoai, pois, e cumpri com Vossa Igreja as solenes promessas de vitória feitas à Margarida Maria, como bênção e recompensa deste querido e fecundo apostolado; pelo Coração Imaculado de Maria:

Venha a nós o Vosso Reino!

Coração de Jesus; Vós sabeis tudo; Vós sabeis que Vos amamos; perdoai, pois, e, em obséquio à Virgem Mãe, dai aos trabalhos e às palavras de Vossos apóstolos a virtude irresistível de entronizar-Vos onde quer que tenha uma alma ou um lar que precise de Vossa grande misericórdia; pelo Coração Imaculado de Maria:

Venha a nós o Vosso Reino!

Sim, estabelecei-O, Senhor, na família, no povo, no governo, no ensino, reinai por Vosso Coração Divino! Conjuramo-Vos pelas lágrimas de Vossa Mãe... Vo-los exigimos pela honra da Virgem Imaculada, Rainha no mundo e na Igreja universal, Rainha por Vosso Sagrado Coração!

- Pai Nosso e Ave-Maria pelas intenções particulares dos presentes.
- Pai Nosso e Ave-Maria pelos agonizantes e pecadores.
- Pai Nosso e Ave-Maria pedindo o reinado do Sagrado Coração mediante a Comunhão freqüente e diária, a Hora Santa e a Cruzada da Entronização do Rei Divino em lares, sociedades e nações.

(Cinco vezes)

Coração Divino de Jesus, venha a nós o Vosso Reino!

Ato final de consagração

O divino fogo que viestes atear na terra, acendeu-se, Jesus amado, em nossas almas, e tomados por Ele, já não sabemos pedir nem desejar senão Vossa glória. Vós o dissestes ao revelar as maravilhas de Vosso Coração; Ele é o supremo e o último recurso de redenção humana.

Apoiados, pois, em Vossas revelações, fomos a Vosso altar em procura de palavras de vida eterna, e a Vosso Coração adorável, ardentemente desejosos daquelas águas que devem regenerar o mundo, inflamando-o em vossa caridade.

Oh! Sede Rei dos ingratos, que Vos olham como um Soberano derrocado em suas almas infelizes; reconquistai-os, Jesus, por Vosso perdão.

Sede Rei dos apóstatas que Vos olham como Monarca de escárnios, e que riem, desdenhosos, ao quebrar o cetro de Vossa divina realeza; voltai-lhes a luz perdida e vingai-Vos de suas ofensas, perdoando essas traições.

Sede Rei das multidões sublevadas por aqueles sinédristas, Jesus, que Vos aborrecem... Acalmai esse oceano rugidor de almas pervertidas, desorientadas..., imperai por Vosso Evangelho e vontade no coração do povo por Vosso Sagrado Coração.

Sede Rei de tantos bons, mas tímidos e apáticos, que temem exagerar no tributo de amor acendido que Vos devem... Derretei o gelo, sacudi a sonolência maligna em que vivem tantos, enquanto o mundo Vos julga e Vos condena.

Sede Rei nos lares, oh, sim; transladai a eles Vossos reais, inspirai Vós a vida de trabalho, de amores e de penas das famílias que Vos brindaram o assento de honra entre os pais e os filhos...

Sede Rei, enfim, nos Sacrários; rompei já o silêncio de Vosso cárcere um hino imenso, universal, de famílias, de povos e nações, hino de amor que diga, do um ao outro confim da terra redimida: Aclamado seja o Divino Coração, por quem atingimos a salvação!...A Ele, só a Ele, glória e honra pelos séculos dos séculos!

Venha a nós o Vosso Reino!

Amém.

(Cinco vezes, em voz alta)

Coração Divino de Jesus venha a nós o Vosso Reino!

Fórmula de consagração individual ao Sagrado Coração de Jesus,
composta por Santa Margarida Maria

Eu (seu nome) vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte de meu ser senão para Vos honrar, amar e glorificar. É esta minha vontade irrevogável: ser todo Vosso e tudo fazer por Vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto Vos possa desagradar.

Tomo-vos, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto de meu amor, protetor de minha vida, segurança de minha salvação, remédio de minha fragilidade e de minha inconstância, reparador de todas as imperfeições de minha vida e meu asilo seguro na hora da morte. Sede, ó coração de bondade, minha justificação diante de Deus, Vosso Pai, para que desvie de mim sua justa cólera.

Ó coração de amor! Deposito toda a minha confiança em Vós, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de Vossa bondade! Extingui em mim tudo o que possa desagradar-Vos, ou se oponha à Vossa vontade. Seja o Vosso puro amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu esquecer-Vos, nem separar-me de Vós. Suplico, por Vosso infinito amor, que meu nome seja escrito em Vosso coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como Vosso escravo. Amém.

O mau exemplo dos pais - perversão dos filhos

O mau exemplo dos pais - perversão dos filhos

O mau exemplo e, pior ainda, o escândalo, é como o câncer, penetra, infiltra-se, estende-se, intoxica e mata. Fujamo-lo como o monstro mais mortífero.

Jesus disse ao escandaloso: "Melhor seria se lhe fosse amarrada ao pescoço uma mó de moinho e fosse lançado ao fundo do mar!"

Os pais devem evitar com extremo cuidado, não só de dar escândalo diretamente, mas também indiretamente; evitem, pois, não só as conversas, mas o comportamento menos digno na presença dos filhos, no vestir, nos gracejos e brincadeiras ... Não se diga que são criaturinhas inocentes, sem malícia e que nada compreendem. Mas a malícia, que hoje talvez não têm, pode acordar e lançar raízes, adubada pelo mau comportamento dos pais.

E vós, pais, bem o sabeis, como é grande a curiosidade das crianças.

As crianças querem saber tudo, tudo ver e tudo tocar. Essa curiosidade inocente num sentido é benéfica, mas como volver dos anos, se não for bem orientada tornar-se-á malícia. Convém, pois, que os pais sejam rigorosos em guardar debaixo de chave tudo o que é perigoso: jornais, revistas, livros, fotografias, utensílios particulares destinados a estudos especiais da profissão.

Quantos meninos e meninas não aprenderam o caminho do mal, lendo ou examinando livros, ilustrações, jornais, tratados de medicina que talvez dormiam empoeirados em alguma estante da biblioteca aberta a todos.

***

Visitara um dia, o grande amigo da juventude, Dom Bosco, uma das mais nobres famílias de Turim. O sr. marquês e a srª marquesa receberam festiva e gentilmente o Santo, e depois de amistosa palestra, introduziram também o único filho de 15 anos, para que ele também visse o grande apóstolo da mocidade.

Mas ... que surpresa! ... O filho nem se quer teve a boa educação de cumprimentar o hóspede ilustre e ficou indiferente às maneiras delicadas com que o Santo o tratou, às exortações e súplicas dos pais. Lá ele estava, mostrando claramente a sua impaciência e má vontade...

- Dom Bosco, interrogaram os pais, o senhor que é tão prático no conhecimento e direção da juventude, saberia explicar-nos o motivo deste estranho comportamento de nosso filho: É todavia gentil e bem educado com todos.

Naquele meio tempo, Dom Bosco pode comodamente examinar as revistas, jornais, ilustrações, que estavam abertas na mesa de salão. Apontando com o dedo aqueles impressos, respondeu:

- Lá está o porquê da indiferença e perversão do filho! ... Calaram os dois, pediram desculpas, e prometeram que daquele dia em diante não entrariam mais em casa aqueles artigos...

(Excertos do livro: Casai-vos bem  - Pe. Luís Chiavarino)

terça-feira, 2 de março de 2010

ESPECIAL DE QUARESMA II (2010)

ESPECIAL DE QUARESMA II (2010)

Explicações sobre os sofrimentos físicos de Cristo
 baseadas em estudos do Santo Sudário

Nota: As informações que seguem foram retiradas das obras de Dr.Frederick T. Zugibe (Crucificação de Jesus) e Dr.Pierre Barbet (A Paixão de Cristo segundo o cirurgião), ambos, estudiosos do Santo Sudário e que em alguns pontos entram em controvérsia.
O blogue não afirma tais informações, por falta de autoridade e competência no assunto; limita-se a transcrição, somente.


"Todo amor que não tira sua origem da Paixão do Salvador
é frívolo e perigoso.
 Infeliz é a morte sem o amor do Salvador:
infeliz é o amor sem a morte do Salvador."
(São Francisco de Sales)


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Meditações feitas por Dr.Frederick T. Zugibe

Cristãos devotos meditam sobre a Crucificação de Jesus de várias maneiras, ou refletindo sobre as estações da Cruz, recitando os mistérios do Rosário, lendo as Escrituras, ou então apenas recolhendo-se em silenciosa meditação. Todavia, embarquemos numa jornada forense, principiando no Jardim do Getsêmani e terminando com a morte de Jesus no Calvário, numa espécie de Via-Crúcis forense, para que possamos avaliar criticamente cada fase, de modo a obtermos uma compreensão mais precisa dos efeitos da crucificação - o que, sem dúvida, enriquecerá muito as nossas meditações.

Agonia no Jardim do Getsêmani

Nossa jornada começa no Jardim do Getsêmani, localizado no Monte das Oliveiras, de onde Jesus e Seus discípulos partiram depois que Ele anunciou que Sua hora havia chegado. Quando eles chegaram, Jesus afastou-se para orar:

"A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui e vigiai." (Marcos 14:34)

Jesus estava totalmente ciente dos sofrimentos que teria de suportar. De repente, Seu coração começou a bater forte em Seu peito, aceleradamente. Ele empalideceu, Suas pupilas dilataram-se por completo; Sua respiração tornou-se mais rápida; Seus joelhos vacilaram e Ele caiu ao chão, não podendo ficar de pé. A adrenalina era bombeada por todo o Seu corpo; uma reação "lutar ou fugir" havia sido desencadeada.

A profunda angústia mental de Seu sofrimento tinha começado, drenando as forças de Seu corpo. Ele começou a coxear, caiu ao chão e orou repetidamente. Ele repetiu as orações a noite toda. Então, olhou para o Céu e pediu: "Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim, a tua". E então apareceu para Ele um anjo do Céu para confortá-Lo; e, estando em agonia, Ele orou mais intensamente.

Seu suor caiu ao chão como se fossem gotas de sangue (Lucas 22:42-44). Ele tinha aceitado Seu destino! Agora o ritmo de Seu coração começou a tornar-se mais lento. Seu rosto recobrou as cores, Seus músculos relaxaram e Seu corpo se encharcou de suor sanguinolento, enquanto coágulos de sangue caíam ao chão, porejando de pequenas hemorragias que surgiram de Suas glândulas sudoríparas. Jesus ficou debilitado devido à extrema exaustão mental.

Flagelação

Pouco depois, Ele foi preso e levado ao Sinédrio, onde foi molestado e acusado de blasfêmia e então levado diante de Pilatos, onde foi acusado de estar "pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele mesmo Cristo, Rei" (Lucas 23:1-2).

Pilatos enviou Jesus a Herodes, que o devolveu a Pilatos. Nenhum dos dois pôde apontar as faltas deste homem. Mas a multidão frenética queria que Jesus fosse crucificado a qualquer custo, até ao ponto de libertar Barrabás, um assassino brutal, em vez de Jesus.

... Pilatos ordenou um açoitamento brutal, mais severo do que o normal: "Então, por isso, Pilatos tomou a Jesus, e mandou açoitá-Lo." (João 19:1). Ele então foi curvado e amarrado a um pilar baixo, onde foi flagelado nas costas, peito e pernas, com um flagrum multifacetado, que continha pedaços de metal em suas extremidades.

Os scorpiones penetraram profundamente em sua carne, dilcerando pequenos vasos, nervos, músculos e a pele. O peso dos scorpiones fazia com que as cintas de couro fossem projetadas para a parte da frente do Seu corpo, dilacerando a carne dali também. Seu corpo deformou-se em função da dor, fazendo com que Ele caísse ao chão...

Breves movimentos convulsivos ocorreram, seguidos por tremores, vômitos e suores frios... Sua boca ficou seca e a língua colou-se ao céu da boca. Ele foi reduzido a um estado lamentável... Jesus respirava com dificuldade. Sua respiração tornou-se menos profunda e mais rápida, uma vez que Ele não conseguia respirar por causa das fortes dores no peito, decorrentes dos ferimentos em Sua caixa toráxica, costelas e pulmões. Cada passo era doloroso, obrigando-O a segurar Seu peito.

Sangrenta coroação de espinhos

Os soldados então "vestiram-No de púrpura e, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça; e O saudavam, dizendo: Salve, rei dos judeus!" (Marcos 15: 17-18). Eles apanharam o arbusto típico da Síria, a "espinho-de Cristo", com suas fileiras de espinhos afiados e recurvos, que crescia ao lado do Pretório, fabricaram uma coroa com os ramos entrelaçados e a fixaram em Sua cabeça. Esta era a coroa para o "Rei dos Judeus" e um graveto foi Seu cetro. Eles prestaram homenagem ao novo rei desfilando à Sua frente, ajoelhandose diante Dele e golpeando-Lhe as faces com o cetro e cuspindo em Jesus.

Suas bochechas e nariz ficaram vermelhos, feridos e inchados. Dores agudas e lancinantes, que pareciam choques elétricos ou pontadas com ferro em brasa revelavam-se em Seu rosto, imobilizado-o e fazendo com que Ele evitasse voltá-lo para qualquer direção, tornando a dor ainda mais intensa - uma condição médica conhecida como neuralgia do trigêmeo.

Suas feições distorceram-se e Seu corpo físico ficou tão tenso que não conseguia mais mover-Se, pois cada movimento provocava novos ataques agonizantes.

Carregamento da Santa Cruz e Morte de Jesus

Pilatos, então, ordenou que Jesus fosse crucificado e o centurião e o quaternio (quatro soldados, sob as ordens de seu comandante) colocaram a barra horizontal da Cruz, que pesava entre 23 e 34 quilos, sobre Seus ombros, que já se encontravam severamente lacerados pelo açoitamento. Ele sentiu dores ainda mais agudas, que O fizeram cair de joelhos.

Os soldados fizeram com que Ele se levantasse novamente. As pessoas se amontoavam nos dois lados da rua, com uma companhia de soldados mantendo a ordem....Jesus ofegava...Ele continuou em Seu caminho, colina acima, caindo mais vezes, com a barra sobre Suas costas. O sol do meio-dia estava quente; o suor pingava de Seu corpo, desidratando-O e fazendo piorar Sua sede.

Ele não conseguia mover a língua, que parecia ter aumentado muitas vezes seu tamanho (devido a sede). Seu corpo inteiro reagia ao sofrimento proveniente dos múltiplos ferimentos causados pelo açoitamento.... Simão de Cirene... foi forçado a ajudá-Lo a carregar a trave da Cruz.

Ele respirava cada vez com mais dificuldade, devido ao lento acúmulo de fluido ao redor de Seus pulmões - condição médica chamada efusão pleural, resultante do brutal açoitamento.

No Calvário, os soldados lançaram dados para disputar quem ficaria com Suas vestimentas, e o vencedor descobriu que elas estavam grudadas às inúmeras lacerações causadas pelo açoitamento. O soldado agarrou as vestes e arrancou-as violentamente. Jesus sentiu como se Seu corpo inteiro estivesse em chamas.

A barra horizontal da Cruz foi depositada no chão e Jesus foi colocado sobre ela, com três homens imobilizando-O; um deles, em cima do Seu peito. Isto trouxe uma dor terrível e mais dificuldade para respirar, pelos danos causados às paredes da caixa toráxica, devido ao açoitamento.

Jesus ... em agonia!

Enquanto os soldados o seguravam, um prego grande e quadrado foi fincado através da palma da Sua mão, na proeminência muscular localizada na base de Seu polegar... o prego penetrou no nervo mediano, causando uma das piores dores que um ser humano pode sofrer, chamada causalgia.

Durante a Primeira Guerra Mundial, soldados que sofriam ferimentos no nervo mediano, devido a estilhaços de granadas e bombas de fragmentação, entravam em choque profundo, se não fossem medicados imediatamente. Apesar da exaustão, Jesus se contorcia e lutava: a dor era insuportável e queimava como se um raio tivesse atravessado Seu braço.

A segunda mão foi pregada à trave da mesma maneira... Jesus então, foi forçado a ficar de pé, com Suas mãos pregadas à barra. Seus joelhos dobraram. Dois soldados levantaram cada extremidade da barra enquanto outros dois agarraram Jesus ao redor de Seu corpo. Então, eles colocaram a barra no encaixe que havia sido escavado no topo da estaca. Enquanto seguravam Jesus pela parte inferior de Seu corpo, dois membros do quaternio dobraram Seus joelhos e forçaram Seus calcanhares contra a estaca, até que eles ficassem firmementes apoiados à Cruz.

Um dos homens fincou um prego em cada pé, enquanto um outro homem mantinha-os seguros sobre a Cruz. A dor era excruciante ... Jesus ... em agonia! Ele estava completamente exausto, com falta de ar e sofrendo dores terríveis. Sua língua grudou-se ao céu da boca, que estava repleta de muco espesso. O suor porejava de todo o Seu corpo, deixando-O encharcado e Seu rosto assumiu uma coloração pálida e amarelada.

Sua respiração tornou-se menos profunda e mais rápida, e fortes cãibras dominaram Suas panturrilhas. Isto obrigou-Lhe a contorcer-Se, curvar e arquear Seu corpo para tentar estender as pernas e aliviar as cãibras.

As dores eram profundas e dilacerantes, como se uma corrente elétrica atravessasse seus braços e pernas, irradiando-se dos pregos nas mãos e nos pés; através de Seu rosto, pela irritação causada pelos espinhos da coroa; as dores excruciantes do açoitamento, o grande impacto recebido sobre os ombros, as cãibras intensas nas panturrilhas e a sede extrema uniram-se para causar uma sinfonia de dores implacável.

"Eloí, Eloí, lamá sabactâni?, que quer dizer Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?"
 (Marcos 15:34)

Depois de várias horas de agonia insuportável na Cruz, Jesus clamou em voz alta:

"Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!".
E tendo dito isto, expirou.
(Lucas 23:46)

(Excertos do livro: Crucificação de Jesus - Frederick T. Zugite)

Dia Internacional da Mulher e o feminismo socialista

Dia Internacional da Mulher e o feminismo socialista


Movimento feminista celebra 100 anos do Dia Internacional da Mulher
"100 anos de 8 de março: mulheres em luta por autonomia, igualdade e direitos"

Manifestação acontece no dia 8 de março, às 10h30, na Praça do Patriarca, rebatizada há dois anos pelas mulheres de Praça da Matriarca.

Depois do ato, haverá uma caminhada das feministas pelo centro da capital paulista.

Há exatos 100 anos, a socialista alemã Clara Zetkin propôs, durante a 2ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, na Dinamarca, a criação de um Dia Internacional da Mulher. Havia alguns anos, diferentes datas eram marcadas por jornadas de luta feminista, organizadas sobretudo em torno da defesa do voto feminino e da denúncia contra a exploração e opressão das mulheres.

A partir daí, as comemorações começaram a ter um caráter internacional. Um século se passou e hoje, em todo o mundo, o dia 8 de março é uma data de celebração e afirmação da luta das mulheres por igualdade, autonomia e liberdade. Em São Paulo, o dia será marcado por uma manifestação no centro da capital, que reunirá feministas de diferentes regiões do estado pra dizer "ainda há por que lutar!".

Com o ato, convocado por dezenas de organizações e movimentos populares, as mulheres querem celebrar as conquistas alcançadas em cem anos de mobilização coletiva, mas também mostrar que a luta por autonomia, igualdade e direitos segue atual e necessária.

Bandeiras históricas como a divisão do trabalho doméstico, salário igual para trabalho igual, o combate à violência doméstica, a reivindicação de creches para todas as crianças e a defesa da legalização do aborto continuam na ordem do dia do movimento feminista.

Neste ano, estão entre as reivindicações das mulheres: a defesa da integralidade do Programa Nacional de Direitos Humanos, incluindo a resolução sobre o aborto, que foi alterada pelo governo federal; da Lei Maria da Penha, que vem sofrendo inúmeros obstáculos para sua implementação e legitimação; do Pacto Nacional de Combate à Violência contra a Mulher, que embora assinado pelo governo de São Paulo até hoje não teve recursos liberados; e do Estatuto da Igualdade Racial.

As feministas também denunciarão os efeitos da crise econômica na vida das mulheres, que foram as maiores vítimas do desemprego; a criminalização dos movimentos sociais e o acordo assinado entre o Brasil e o Vaticano, que viola a laicidade do Estado brasileiro. Haverá ainda manifestações de solidariedade e envio de doações às mulheres do Haiti.

Sobre o 8 de Março

Do final do século XIX até 1908, uma série de greves e repressões de trabalhadoras marcaram a construção do movimento feminista nos Estados Unidos. O primeiro "Woman’s day" foi comemorado em Chicago em 1908, e contou com a participação de 1500 mulheres. O dia foi dedicado à causa das operárias, denunciando a exploração e a opressão das mulheres e defendendo a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres, incluindo o direito ao voto.

De novembro de 1909 a fevereiro de 1910, uma longa greve dos operários têxteis de Nova Iorque, liderada pelas mulheres, terminou pouco antes do "Woman’s Day", realizado no Carnegie Hall, quando três mil mulheres se reuniram em favor do sufrágio, conquistado em 1920 em todo os EUA.

Neste ano, a socialista alemã Clara Zetkin propôs, na 2a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, a criação do Dia Internacional da Mulher, que seguiu sendo celebrado em datas diferentes, de acordo com o calendário de lutas de cada país.

Em 1914, ele foi comemorado pela primeira vez em 8 de março, na Alemanha. Mas é a ação das operárias russas no dia 8 de março de 1917, precipitando o início das ações da Revolução Russa, a razão mais provável para a fixação desta data como o Dia Internacional da Mulher.

Documentos de 1921 da Conferência Internacional das Mulheres Comunistas revelam a proposta de uma feminista búlgara do 8 de março como data oficial. A partir de 1922, a celebração internacional é oficializada neste dia.

Essa história se perdeu nos grandes registros históricos, mas faz parte do passado político das mulheres e do movimento feminista de origem socialista no começo do século.

Numa era de grandes transformações sociais, o Dia Internacional da Mulher transformou-se no símbolo da participação ativa das mulheres para transformarem a sua condição e a sociedade como um todo.

(http://psolsp.org.br/) Partido Socialismo e Liberdade

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Alguns trechos dos escritos de Clara Zetkin


«Devemos criar necessariamente um poderoso movimento feminino internacional, fundado sobre uma base teórica clara e precisa» — começou ele, depois de haver-me saudado. «É claro que não pode haver uma boa prática sem teoria marxista. Nós, comunistas, devemos manter sobre tal questão nossos princípios, em toda sua pureza. Devemos distinguir-nos claramente de todos os outros partidos.

Infelizmente, nosso II Congresso Internacional não teve tempo de tomar posição sobre esse ponto, embora a questão feminina tivesse sido ali levantada. A culpa é da comissão, que faz com que as coisas se arrastem. Ela deve elaborar uma resolução, teses, uma linha precisa. Mas até agora seus trabalhos não avançaram muito. Deveis ajudá-la

Dizia Lênin:

"Devemos educar as mulheres que ganharmos para nessa causa e torná-las capazes de participar da luta de classe do proletariado, sob a direção do Partido Comunista. Não me refiro apenas às mulheres proletárias, que trabalham na fábrica ou em casa. Também as camponesas pobres, as pequeno-burguesas, são vítimas do capitalismo e o são ainda mais em caso de guerra.

A mentalidade antipolítica, anti-social e atrasada dessas mulheres, o isolamento a que as obriga sua atividade, todo o seu modo de vida; eis fatos que seria absurdo, completamente absurdo, subestimar. Necessitamos de organismos apropriados para realizar o trabalho entre as mulheres. Isso não é feminismo: é o caminho prático, revolucionário...

Temos o direito de estar orgulhosos de possuir no Partido e na Internacional a fina flor das mulheres revolucionárias. Mas isso não basta. Devemos atrair para o nosso campo milhões de mulheres trabalhadoras das cidades e do campo. Devemos atrai-las para o nosso lado a fim de que contribuam em nossa luta e particularmente na transformação comunista da sociedade. Sem as mulheres não pode existir um verdadeiro movimento de massas...

Pode haver prova mais condenável do que a calma aceitação dos homens diante do fato de as mulheres se consumirem no trabalho humilhante, monótono, da casa, gastando e desperdiçando energia e tempo e adquirindo uma mentalidade mesquinha e estreita, perdendo toda sensibilidade, toda vontade?...

Naturalmente, não me refiro às mulheres da burguesia, que descarregam sobre as empregadas a responsabilidade de todo o trabalho doméstico, inclusive a amamentação dos filhos. Refiro-me à esmagadora maioria das mulheres, às mulheres dos trabalhadores e àquelas que passam o dia numa oficina. Pouquíssimos homens — mesmo entre os proletários — se apercebem da fadiga e da dor que poupariam à mulher se dessem uma mão 'ao trabalho da mulher'.

Mas não, isto vai de encontro aos 'direitos e à dignidade do homem': este quer paz e comodidade. A vida doméstica de uma mulher constitui um sacrifício diário, feito por mil ninharias. A velha supremacia do homem sobrevive em segredo. A alegria do homem e sua tenacidade na luta diminuem, diante do atraso da mulher, diante de sua incompreensão dos ideais revolucionários: atraso e incompreensão que, como cupim, secretamente, lentamente mas sem salvação, roem e corroem...

Um congresso não é uma sala de visitas, onde as mulheres brilham com seus encantos, como dizem os romances. É a arena onde começamos a agir como revolucionários. Demonstrai que sabeis lutar. Antes de tudo, contra o inimigo, naturalmente, mas, se é preciso, mesmo no seio do Partido. Teremos o que fazer, com milhões de mulheres. Nosso Partido russo será favorável a todas as propostas e medidas que contribuam para atraídas para nossa movimento. Se não estão conosco, a contra-revolução poderá conduzi-las contra nós. Devemos sempre pensar nisto. Devemos conquistar as massas femininas, quaisquer que sejam as dificuldades."

(Grifos meus)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Infancia y juventud de José

INFANCIA Y JUVENTUD DE JOSÉ



"Es indudable que José fue un lirio candidísimo de pureza."

Al cumplirse el octavo día del nacimiento del glorioso Patriarca, celebrado por sus parientes y deudos con las expansiones de júbilo con que cielos y tierra saludaron a tan excelso bienaventurado, fue sometido éste al acto cruento de la circuncisión, exigido por la antigua Ley, y le fue puesto el nombre de José, que significa aumento, sin duda por inspiración de Dios, porque en el santo Patriarca el crecimiento de la virtud fue constante, y porque ese nombre le era conveniente para corresponder a la figura que le había precedido en el antiguo testamento, aquel otro José, hijo también de un Jacob, cuya vida tantas analogías tuvo con las del padre adoptivo del Hijo de Dios.

En su calidad de primogénito debía el santo Patriarca ser presentado al templo de Jerusalén y redimido por el precio que la ley establecía; y a los cuarenta días de su nacimiento, Jacob y su esposa se trasladaron a la ciudad santa sin pompa alguna, porque estando sometida la Judea por Antípatro, padre de Herodes, los descendientes de David tenían hartos motivos para temer las iras de los nuevos dominadores.

En el templo cumplieron con las prescripciones de la ley, y vueltos a su casa, se dedicaron, con el desvelo propio de tan buenos padres, a la educación de aquel predestinado a tan altos fines.

Creció José en años y en virtud bajo la cariñosa vigilancia de los autores de sus días, y al cumplir el sexto año de su edad un triste suceso vino a turbar la calma en que sus días se deslizaban. Antígono, hijo de Aristóbulo, había sido nombrado por los romanos Procurador de Judea, en sustitución de Antípatro, y Herodes, hijo de éste, influyó tanto en el ánimo de Antonio, que logró ser nombrado Tetrarca.

No satisfecho con esto, y a fuerza de intrigar en el Senado de Roma, se hizo nombrar rey de Judea, y era tanta y tan justificada la fama de su crueldad, que todo Israel se llenó de consternación y espanto al anuncio de que íban a quedar sometidos a la ferocidad de aquel tírano.

Pronto los hechos justificaron este temor, pues Herodes, así que se vio en el trono, reunió un poderoso ejército, con el que arrojó de Jerusalén a Antígono y asoló la Galilea y la Judea, ensañándose muy especialmente con los que permanecían fieles a la casa de David y anhelaban restaurarla en el trono de sus mayores.

En medio de tantos estragos, la familia de San José se puso en salvo, cumpliéndose lo que el Señor anunció por boca de Zacarías cuando dijo: “Salvaré la casa de Jesé”; pero los trabajos y tribulaciones que en aquel período azaroso de su infancia padeció el Santo Patriarca fueron muchas y extraordinarias, si bien sirvieron para acrisolar su virtud haciéndole más digno del alto ministerio a que estaba destinado.

Para sustraerse mejor a toda pesquisa de los partidarios de Herodes le llevó su familia a Belén, y allí permaneció hasta la edad de doce años, en que volvió a Jerusalén para aprender de los sacerdotes del templo la ciencia y la sabiduría propias de su esclarecido linaje.

En aquellos tiempos no había escuelas públicas para la instrucción literaria de la juventud: dicha instrucción se recibía en la casa paterna.

Había, sin embargo, en cada ciudad, una escuela pública de religión, denominada sinagoga, en la cual se leía y explicaba la Sagrada Escritura.

José, por lo tanto, cuando fue capaz de aprender, recibió de sus padres la instrucción literaria de aquellos tiempos; y en los días festivos, o sea en los sábados, frecuentaba la sinagoga de su ciudad, en la que aprendió las verdades de la religión.

Al perder a su madre, el sacerdote Zacarías, que con su esposa Santa Isabel habían tomado gran parte en su aflicción, procuraron templar la de San José con dulces consuelos. Fue en una de las conversaciones íntimas que el Santo Patriarca tuvo con Zacarías cuando le descubrió su propósito de dedicarse a la vida solitaria y contemplativa, consagrándose por entero al servicio de Dios, observando perpetua virginidad.

Admiró Zacarías el fervor del castísimo joven, y no atreviéndose a disuadirle de tan santo propósito por considerarlo inspirado de Dios, le aconsejó que hiciera el voto que deseaba, pero no absoluto, sino subordinado a la voluntad divina, si así fuese del agrado del Señor.

Algunos escritores sagrados dicen que San José hizo el voto de perpetua virginidad a los doce años de edad; pero otros opinan que a esa edad concibió él propósito de hacerlo, y que después de madura meditación, lo pronunció a los diecisiete años.

Fue verdaderamente providencial que San José decidiera consagrar su virginidad a Dios en un tiempo en que todos los hebreos aspiraban a la gloria de ser progenitores del Mesías, ignorando los medios de que el Señor se serviría para consumar el misterio de la redención del linaje humano.

Pero San José fue el primer amante de estar virtud tan amada por el Salvador del mundo, sin pensar tampoco que precisamente conservándola es como llegaría a la altísima dignidad de padre legal de Jesucristo, que tanto deseaban conseguir por vías meramente humanas todos sus compatriotas.

Mientras tanto, como era costumbre entre los hebreos que cada joven aprendiera un oficio, cualquiera fuese su condición y fortuna; y con mayor razón porque para José el trabajo era una necesidad, apenas llegó a la juventud entró como aprendiz en el taller de un carpintero, donde se hizo hábil en esta humilde profesión, que ejerció después durante toda su vida.

Muchos escritores dicen que estaba dotado de gran ingenio, era rico en ciencia religiosa, y muy experto en el ejercicio de su arte.

Su figura era noble y atrayente; su porte, digno y dulce a un tiempo, y su rostro, hermosísimo, según Gersón, semejante al de Jesús, cuya hermosura nadie igualó jamás entre los hijos de los hombres.

Es indudable que José fue un lirio candidísimo de pureza.

Y al respecto conviene recordar que el pecado original, aunque borrado por el santo Bautismo, deja en el hombre el germen del pecado; es decir, la inclinación a él, y especialmente a la impureza. La historia, empero, nos asegura que Dios no permitió que algunos de sus predilectos sintieran tal inclinación.

Así, por ejemplo, de Santo Tomás de Aquino sabemos que después de una victoria extraordinaria, reportada contra la impureza, ciñeron los ángeles su cuerpo de tal modo, que en adelante no volvió a sentir en su carne tentación alguna.

De San Luís Gonzaga se cree comúnmente que haya sido preservado de esta clase de peligros.
Y lo mismo se asegura de otros muchos Santos.

Pues, si Dios concedió este favor a muchos Santos, con mayor razón se lo habrá otorgado a José, que había sido santificado antes de nacer, y estaba destinado a ser el esposo de la Reina de las Vírgenes y el custodio de Jesús, Cordero sin mancha que se deleita en apacentarse entre los lirios.

Tal opinan Gersón y muchos otros respetabilísimos escritores de las glorias de San José.

A este divino privilegio de no estar sujeto en el alma ni en el cuerpo a tentaciones impuras, correspondió José, de su parte, entregándose todo a Dios desde su primera juventud.

Le consagró los pensamientos, los afectos, el alma, el cuerpo, todo su ser; le prometió vivir casto toda su vida, y, según hemos vito, hizo voto de perpetua virginidad, voto hasta entonces desconocido, y que constituye la gloria de su juventud.

Como no se conocía entonces el precio de la virginidad, los otros Santos del Antiguo Testamento, o no fueron vírgenes, o si hubo alguno fuera de José, no lo fue en virtud del voto que consagrara a Dios su virginidad.

No menciona este voto el Evangelio; mas no faltan razones de alta conveniencia, basadas en la Tradición, que confirman tal aseveración.

Santo Tomás de Aquino dice que si Jesucristo eligió un virgen —esto es, a San Juan Evangelista— para confiarle desde la Cruz el cuidado de su Madre; no pudo dejar de elegir también un virgen para que fuese su castísimo esposo.

José guardó exactamente este su voto de perpetua virginidad, y la virtud de la pureza.

En la niñez, en la juventud y en la virilidad, fue tan reservado en las miradas, en las palabras, en el trato, en los pensamientos, en las imaginaciones, en los afectos, en los deseos; fue tan casto de mente, de corazón y de cuerpo, que San Agustín no titubeó en comparar su candor virginal con el de María Santísima, diciéndolo igual.

José —afirma el Santo Doctor— tiene la misma virginidad que María”.

Cornelio a Lapide lo llamó más ángel que hombre; y San Francisco de Sales llegó a escribir de él estas palabras: San José, en cuanto a pureza, ha sobrepujado a los Ángeles de la más alta jerarquía”.

Con semejantes expresiones, estos Santos quieren significar que están convencidos de que José llevó una vida, no sólo alejada de los desórdenes de la impureza, sino también de que jamás alimentó en su mente ningún pensamiento, ni en el corazón ningún afecto menos puro, menos casto, y de que, en suma, guardó el voto de virginidad y la virtud de la pureza con la mayor perfección.

Pero, además de esto, se vio el Santo Patriarca adornado de todas las otras virtudes.
El Evangelio nos dice que José, cuando se desposó con María, era justo.

Al explicar San Jerónimo esta palabra justo, afirma que José era llamado así, porque poseía en grado perfecto todas las virtudes.

De suerte que, a la edad de treinta y tres años —esto es, cuando se desposó con María— era ya un gran santo.

Y no se debe pensar que se hiciera santo entonces, sino que desde niño practicó todas las virtudes, conforme a la opinión común entre los doctores católicos de que José había sido confirmado en la gracia.

Además, si Dios lo escogió para ser esposo de María, debemos decir que fue el joven más santo entre todos, como María fue la más santa entre todas las doncellas.

Del mismo modo que si hubiera habido una doncella más santa que María, aquélla y no ésta habría sido elegida para ser la Madre de Jesús; así también, si hubiera habido un joven más santo, más perfecto que José, aquél y no José habría sido elegido para esposo de María.

Así, pues, José pasó su juventud caminando siempre por la senda de la perfección, y, como dice San Pedro Damián, fue en santidad muy semejante a María.

Estaba, además, destinado a ser el custodio del Hijo de Dios, que es la misma santidad.

Al respecto dice San Bernardino de Siena: “Cuando Dios destina una persona a un oficio determinado, le da también los dones especiales, necesarios para cumplir los deberes inherentes”.

Si, pues, Dios confió a José una misión tan sublime, cual es la de ser el Padre adoptivo del Redentor; fácil es argumentar la multiplicidad, la excelencia, la sublimidad de los dones sobrenaturales con que lo enriqueció.

De aquí deducimos que José, antes de desposarse con María, era modelo de la juventud.

Con su docilidad, obediencia y respeto a los padres, era su consuelo; con el retiro, con el silencio, con la circunspección en las palabras y en la mirada, edificaba a sus relaciones.

Trabajaba para ganarse el sustento; pero con el trabajo trataba de glorificar a Dios, y en medio del trabajo, a Él elevaba la mente y el corazón, de modo que su vida era un continuo entrelazarse de las acciones, palabras, afectos y pensamientos más santos; era un acopio de todas las virtudes.

(Retirado do blogue: Signum Magnum)
PS: Grifos meus