sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A alma amante imola-se com Jesus



A alma amante imola-se com Jesus

Mortui sumus cum Christo (Rom., 6,8)
Mortos somos com Cristo.

... O Cristianismo ... é a religião por excelência do sacrifício. Tudo converge para o altar. Todos os benefícios descem da cruz. A Santa Igreja mesma com seus canais de graça, os sacramentos, nasce do Coração transpassado de Jesus.

Todas as cerimônias começam e terminam pela cruz, todas as consagrações, todas as bênçãos se fazem com o sinal da cruz, todas as grandes solenidades, quer religiosas, quer profanas, são marcadas com o sinal da cruz. E quanto mais se penetra nesse pórtico da Igreja, na sua vida íntima, na alma que a move, tanto mais se percebe o sacrifício.

Milhares de mártires fecundam-se com seu sangue em todas as partes do mundo, e esta imolação, que não cessou em nossos dias, abrange todas as idades e todas as condições.

Perseguições intermítentes, lutas internas, cismas, heresias, apostasias, conservam sempre aberta, no seio da Igreja, a chaga que lhe fizeram os tiranos dos primeiros séculos.... Não há ninguém no mundo que possa escapar à dor. O sofrimento, seja físico, ou moral, espreita todas as criaturas sem distinção. Deus quer, na sua justiça e misericórdiosa bondade, que todos, bons e maus, tenham sua parte na medida e proporção prevista por sua infinita sabedoria.

Sobre a cruz, o bom e o mau ladrão sofriam o mesmo suplício. Um representava a humanidade impenitente, descrente e proferindo blasfêmias; o outro, a humanidade reconquistada por Jesus e arrependida de suas faltas.

Mas Jesus quer continuar, de um modo particular nas almas que lhe pertencem, sua vida e sua paixão. Quanto mais a alma O ama, mais Jesus a ama e por sua vez, a atrai, identifica-Se com ela e manifesta nela Sua vida divina. Quanto mais a alma se abandona a Jesus e aceita o cálice do Mestre, tanto mais ela se deliciará com o desejo de sofrer ainda mais e de ser co-redentora.

Enfim, quanto mais veemente é esse desejo, mais também Jesus salva por elas as almas e lhe dá influência sobre a marcha da humanidade e sobre os acontecimentos da história.

O sacrifício, amorosamente aceito em união com Jesus Imolado, é a essência da vida espiritual de cada alma, como é o ponto central da Igreja, como é o resumo da vida de Jesus.

Se assim é, minha alma, podes recusar amar a cruz e entregar-te a Jesus?

Um dia, Santa Lutgarda pedia a Jesus que a deixasse morrer, para que ela pudesse unir-se-Lhe depressa no Céu. Apareceu-lhe, porém, Jesus coberto de chagas e sangue e disse-lhe: Lutgarda, ajuda-me, pois a salvar os pecadores.

Nós temos a eternidade para gozar de Deus, mas não temos senão alguns anos para sofrer e imolar-nos.

Não te assustes diante dessa perspectiva de uma vida de imolação. Ser vítima com Jesus não é positivamente estar sujeito a grandes tribulações ou suportar angústias extraordinárias. Não! é estar sempre pronto a aceitar, de Sua mão, o doce e o amargo, as coisas agradáveis como as penosas, a saúde como as moléstias, a consolação como as dores interiores.

Ser vítima, é prestar-se por amor a todas as exigências de Jesus: a colher, de antemão, não importa que gênero de sofrimentos, que espécie de tribulação interior ou vexames exteriores, que doença ou gênero de morte, e nem o momento.

Ser vítima, enfim, é imolar-se todos os dias, em mil circunstâncias, acontecimentos, contratempos, diversidades de temperamento ou de caracteres, diferenças de vistas ou de opiniões. É estar sempre contente com tudo, sempre meigo e paciente, sempre sorridente, por amor da Grande Vítima, que, enquanto A maltratavam, enquanto A imolavam, nem sequer abriu os lábios.

Toda alma amante pode e deve ser assim vítima de amor, prolongamento de Jesus e co-redentora.

Ó alma vítima! tua vida na sua simplicidade é sublime. Passaste inteiramente ao serviço de Jesus. Sem sofrer mais do que outros, és contantemente imolada pelo amor. Sem interrupção, celebras com o Sacerdote Eterno o Sacrifício do Calvário. Tua vida é uma Missa contínua e tua morte será o último golpe que imolará a vítima.

Então virá o triunfo. De teu túmulo brotará para milhares de pecadores a vida, a ressurreição, e tu mesma, purificada em teu próprio sacrifício, irás aumentar o número desses bem-aventurados que São João viu no Céu, revestidos de vestes brancas e trazendo palmas nas mãos (Apoc., 7,9)

(Excertos do livro: O Divino Amigo - Pe. Schrijvers)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Poesia de Santa Teresa de Jesus



(Para una profesion)

Todos los que militáis
Debajo desta bandera,
Ya no durmáis, ya no durmáis,
Pues que no hay paz en la tierra.


Si como capitán fuerte
Quiso nuestro Dios morir,
Comencémosle a seguir
Pues que le dimos la muerte,
Oh qué venturosa suerte
Se le siguió desta guerra;
Ya no durmáis, ya no durmáis,
Pues Dios falta de la tierra.


Con grande contentamiento
Se ofrece a morir en cruz,
Por darnos a todos luz
Con su grande sufrimiento.
¡Oh, glorioso vencimiento!
¡Oh, dichosa aquestra guerra!
Ya no durmáis, ya no durmáis,
Pues Dios falta de la tierra.


No haya ningún cobarde,
Aventuremos la vida,
Pues no hay quien mejor la guarde
Que el que la da por perdida.
Pues Jesús es nuestra guía,
Y el premio de aquesta guerra;
Ya no durmáis, ya no durmáis,
Porque no hay paz en la tierra.


Ofrezcámonos de veras
A morir por Cristo todas
Y en las celestiales bodas,
Estaremos placenteras;
Sigamos estas banderas,
Pues Cristo va en delatera,
No hay que temer, no durmáis,
Pues que no hay paz en la tierra.

(Retirada das Obras Completas de Sta.Teresa de Jesus)
PS: Ver também: O diálogo das carmelitas (vídeo)

A nobreza da alma



A nobreza da alma

Esta nobreza não passará, talvez de uma qualidade meramente humana, nada tendo de virtude, porquanto entre um dom natural e uma virtude sobrenatural, não há somente uma diferença de nível, mas distinçao essencial.

Todavia esta nobreza, será para a alma uma preparação (remota ou negativa) á virtude. Ela nos impedirá de ir dar nos parceis do descaramento.

De que modo?

O que é plebeu está exposto a seguir a chateza, seja qual for, por exemplo: a do vício. Nós não fomos criados como comportas estanques... Estudastes as leis da transmissão dos sons e vibrações moleculares. Dá-se o mesmo com o coração humano: o menor ruído tende propagar-se e os movimentos ondulatórios alcançam, pouco a pouco, todo o conjunto.

Destarte a vulgaridade, necessariamente, tende difundir-se. E vice-versa, também a nobreza é difusiva, e todo aquele que a conserva, será levado a cultivá-la, sob todas as formas, inclusive a da virtude.

... Assim o jovem, habituado a olhar para as coisas nobres e elevadas, será menos tentado a baixá-los para as torpezas do vício. Poderá enganar-se, mas serão seus passos dados, em falso, pelas elevações ou por largas estradas, nunca, porém, serão quedas nos pantanos do pecado.

Acostumou-se a esta vida de grandes e ao proceder cavalheiroso.
Tomou a divisa de Santo Inácio: "Insignis", sê insigne!

Numa palavra, compreendeu que a vida, sem a virtude, é falha, mutilada, maneta, que o homem não é, está claro, um puro espírito mas que tem afinal um espírito nobre e não é uma simples coleção de vísceras reunidas numa caixa toráxica, ou num abdomem cheio!

Nada tanto se opõe ao ideal como a impureza.
O ideal é a tendência para o alto.
O vício é a tendência para o baixo, é sempre rasteiro.
O primeiro é o cume.
O segundo, o atoleiro.

"A vida está em subir e não em descer".

O vício, já o definimos tantas vezes, primeiro é uma grande chateza, depois grande laxidão. E nada mais é.
O ideal se extingue com a impudicícia, tal qual um facho atirado á lama. Há duas espécies de chamas que correspondem a duas espécies de jovens: os puros... e os outros!

A chama dos segundos é a chama baixa e fumegante das concupiscências; só se alimenta de matérias pútridas. A chama dos primeiros é brilhante e elevada, tão alta que se ateia até as estrelas.

Somente o puro é entusiasta, e a virgindade secunda, admiravelmente, os impulsos do belo e do bem.

... Procura ter um coração magnânimo e elevado e não um pobre e mesquinho coração, todo encarquilhado pelo egoísmo e pela vulgaridade. Torna-te, no melhor sentido da expressão, uma "alma-princesa". Não queiras avilanar-te com o vulgacho, já que podes viver com a aristocracia dos sentimentos generosos e da virtude.

São Paulo disse nobremente:

"Procurai as coisas do alto; amai as coisas do alto e não as coisas da terra".
(Cor 3,2).

Sê nobre: nobre nos teus gostos, nas tuas leituras, nas tuas fadigas intelectuais, nos teus misteres de arte, na escolha dos teus amigos, e digo mais, até no teu falar, no trajar, nos ornatos do quarto, pois o homem depende muito do ambiente em que vive.

Tu estás na idade em que é forçoso tomar partido e concretizar o teu modo de vida. Alguns concretizam-na em coisas vis. Tu deves orientá-la para o que é belo e nobre, para o Nobre soberano, que é Deus.

Não receies ter um ideal demasiado elevado.
Meu Deus! e tal há de ser necessariamente para que possa elevar-se esta pesada matéria humana!

Não vás também cuidar que o ideal seja uma palavra vã, uma bela fantasia de poeta, que esquece o mundo real para voar pelas regiões etéreas, de modo que, em vez de pés, se sirva de asas.

Atento: o ideal é mais verdadeiro do que a realidade, pois é a realidade desembaraçada de tudo o que a avilta. É o ser sem as deficiências do ser, o ser inteiramente belo, porque é todo completo.

O Pe. Antonino Eymieu explica admiravelmente este aparente paradoxo:

"O ideal é essencialmente verdadeiro. Não apresenta contradição alguma: tomastes todos os seus elementos de realidade, combinastê-los, respeitando todas as relações essenciais, todas as leis, suprimindo tudo quanto poderia alterá-los e dando-lhes o que poderia engrandecê-los. e quando vos encontrares ante um ser, de carne e osso, que se aproxima desse ideal, embora não possa igualá-lo, exclamais: 'Eis um homem! aquele, sim, é verdadeiramente um homem'!

Os outros também , os que realizam uma idéia específica, são homens, mas tendes razão ao dizerdes que, aquele que se aproxima do ideal, é um homem mais verdadeiro. Assim é que há: um ideal do jovem, da donzela, do pai de família, da mãe, do magistrado, do político, do general, etc.; e mais o seres concretos se aproximam desse ideal, mais são verdadeiros magistrados, verdadeiros pais, etc., pela simplícissima razão que, a verdade de um ser está na sua mais perfeita conformidade com o seu modelo.

O ideal não é simplesmente a verdade, mas é a verdade na sua plenitude, a verdade-limite para o qual tende um ser, em seu completo desenvolvimento".

(A Grande Guerra - Pe. Hoornaert)
PS: Grifos meus

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

As tentações contra a pureza



As tentações contra a pureza

Se esta virtude é bela, é também particularmente atacada. O mundo e o demônio se aliam, mobilizando contra ela todas as suas potências e todas as suas seduções.

... Vós jovem cristã, agarrai-vos à Cruz de Jesus e, quando vier a tentação, haurireis na Cruz a força para resistir e a coragem para a vencer. Porque tereis de lutar! a tentação ai está que vos espreita e vos espera. Sobre esse assunto tão delicado, universalmente prático e ao mesmo tempo tão grave, precisais de idéias bem claras.

Nessas horas críticas produz-se, geralmente, um emaranhado de pensamentos, de desejos, de lutas, de êxitos, de desfalecimentos, em que os sentidos, a imaginação, o coração, a vontade intervêm alternativamente; nesse labirinto aparentemente inextricável de atividades interiores convergentes ou opostas, muitos não sabem como se orientar, como se julgar, como conservar ou retomar a serenidade interior.

Em lendo estas linhas, e mais tarde quando a tentação vier agitar-vos, pairai pois acima desse campo de batalha íntimo; vereis melhor o papel que nele desempenha a vontade, e o que deve ser posto à conta da consciência nesses múltiplos assaltos.

a) Não vos admireis das tentações.

Raras são as almas que escapam a essa humilhante tortura; é como que uma inexóral necessidade. Coisa curiosa; temos vergonha de confessar essas misérias; imaginamos que os outros nunca tiveram de sentir essas dentadas dolorosas, e que basta sermos assaltado por uma tentação para ficarmos manchado!

... Escutai São Paulo:
"Infeliz homem que sou, quem me livrará deste corpo de morte? Com medo de que a grandeza das minhas revelações não me ensoberbecesse, foi-me dado o estímulo da carne, o anjo de Satã esbofeteou-me!"

E Santo Agostinho:
"Ó volúpia infernal, de ti vêm quase todos os males que enchem o mundo!"
Falando das lutas que teve de sustentar no momento da sua conversão, diz ainda ele:
"Minhas velhas paixões comprimiram-se em volta de mim, pegavam-me pela minha veste de carne, e procuravam arrastar-me ao mal!..."

Ah! Quem é então que não tem a sua veste de carne, esse manto de chumbo, essa túnica de fogo?

E São Jerônimo, que se condenara a viver nos desertos, é aí perseguido pelas imagens voluptuosas da cidade de Roma; vê-as protejar-se nas paredes da gruta onde, no ardor da luta, ele se mortificava batendo no peito com uma pedra!

Como então vos admirardes de que a tentação vos aflija também? Não! as pobres misérias ambulantes deste mundo farão bem em evitar esta loucura de um amor-próprio ferido.

b) Não vos pertubeis nas tentações.

Ficai calma! Quando o demônio pode lançar a perturbação num coração, aproveita-se disso para rebodrar seus assaltos. Mons. de Ségur escrevia a uma alma atormentada:

"Despreza essas imaginações más que tomas falsamente por pensamentos culpados; o pecado dos maus pensamentos não consiste em ter na mente o pensamento do mal, mas em se representar voluntariamente ações más como as fazendo e tomando nelas um prazer voluntário. Todas essas faíscas que o demônio te espalha diante dos olhos são simples fogos fátuos com que não te deves incomodar."

E, depois, que é que prova a sanha do demônio senão que o vosso adversário ainda não ganhou nada?
Não se assedia uma cidade tomada! não se ataca um inimigo que se rende! toda derrota põe fim à luta, e a paz, uma triste paz, é adquirida pelos vencidos!

Demais, não esqueçais que não só a vós que o demônio ataca; é é o próprio Jesus Cristo que ele persegue em vós! Tal como sois, só desprezo podeis inspirar a esse gênio infernal; não se vê porque razão lhe podereis inspirar ódio!

Sim, é a Deus que ele ataca em vós! Deus Padre, de quem sois a imagem e filha; Jesus, que é e se diz vosso irmão; o Espírito Santo, de quem sois o templo! Eis o que lhe provoca a inveja, a cólera e o ódio. Assim sendo, acreditais que Deus possa desinteressar-se de uma causa que se tornou a sua? Pode Ele ficar impassível, indiferente a uma luta que sustentais por Ele?

Ah! se este pensamento vos estivesse bem presente na hora da tentação, nunca seríeis vencida nem ficariéis perturbada! "Há muito mais gente conosco do que com eles", dizia Eliseu ao seu servo espantado de ver um exército inteiro em perseguição do seu amo. E o discípulo do profeta viu então, a montanha coberta de cavaleiros celestes e de carros de fogo.

Durante a tentação, o céu inteiro está convosco, invisível mas real! Que força então! porque,
"Se Deus está conosco, quem estará contra nós?".

c) Não vos queixeis nas tentações.

A calmaria podre deixa brotrar virtudes franzinhas, magras, delicadas, que a menor borrasca carrega. Os grandes choques e as grandes lutas robustecem a alma e forjam o caráter. As almas que não têm às vezes sobressaltos não são, comumente, grandes almas. Na Escritura há sobre isto palavras bem consoladoras:
"O Senhor vos tenta para saber se o amais de todo o coração!"
 (Deut. 13,3).
 E estoutra:
"Porque eras agradável a Deus, necessário se fazia que a tentação viesse experimentar-te!"
(Tob 12,13).

Depois disso, como nos queixarmos? Aliás, se o demônio se encarniça contra vós, é bom sinal, não se ataca um morto!

d) Muitas vezes a tentação é um grande bem.

- Torna-voa aguerrida;
- Dá-vos ensejo de provar a Deus o vosso amor;
- Leva-vos a fazer sacrifícios;
- Torna-vos, enfim, mais humildes e fortalece-vos na virtude.

É como um pé de vento que fez cair os galhos mortos e arraiga ainda mais a árvore vigorosa. Demais, toda resistência é um ato de vontade, de fé, de esperança e de amor.

e) Sentir não é consentir.

Diz São Francisco de Sales:

"É preciso ter grande coragem nas tentações, e não se julgar vencido enquanto elas desagradarem; porque sentir não é consentir, e pode a gente senti-las embora elas desagradem."

f) Nosso coração é como um espelho, diz São Francisco de Sales.

O vidro do espelho representa ingenuamente a coisa que a ele está oposta, mas essa coisa não está no espelho. O mesmo se dá com o nosso coração. É um espelho onde o diabo pode representar tudo o que há de mais infame, mas só a nossa vontade é que pode abrir a porta e bele fazer entrar essas execrações. Faça, pois, o diabo tantas caretas quanto quiser, forme diante de vosso coração as imagens mais horrendas , tudo isso não vos torna culpado.

g) Mas a minha tentação durou muito tempo, direi vós!

Que importa! devesse ela durar a nossa vida toda, nem por isso seria um pecado. Há santos que foram tentados até à morte sem trégüa e sem repouso.

h) Receio ter consentido.

"O consentimento, diz São Francisco de Sales, presume uma aquiescência da alma tão plena e uma determinação tão absoluta, que eu não quisera pôr o pecado capital senão numa aceitação da vontade que não deixa após si dúvida alguma. Enquanto a tentação vos desagradar, nada há a temer; porquanto, porque é que ela vos desagrada, senão porque não a quereis?"

i) Quando é que há pecado mortal?

Quanto a saber e a decidir por vós mesma, na dúvida, se pecastes gravemente ou não, isso às vezes pode-vos ser impossível, e a investigação inquieta a este respeito nunca é oportuna.

Para uma alma que não é escrupulosa, uma dúvida verdadeira supõe ter havido uma negligência bastante notável, de que é preciso pedir perdão a Deus, sem repisar mais nisso. Para uma alma habitualmente piedosa, a dúvida exclui o consentimento formal e deliberado, e portanto também o pecado mortal; porquanto, nessa alma, o consentimento que produzisse o pecado mortal não passaria despercebido.

"Em muitos casos, diz Santo Agostinho, é dificílimo, e mesmo perigoso, procurar esse discernimento."

São Tomás e Santo Afonso Maria de Ligório usam da mesma linguagem.
Aí ainda, escutemos São Francisco de Sales:

"Quando não sabemos discernir se somos culpados, devemos-nos humilhar, pedir mais luz para outra vez, e esquecer inteiramente o que se passou; porque uma curiosa e solícita investigação vem do amor-próprio. Demais, à força de querermos investigar se, como e até onde havemos consentido, tornamos a tentação ainda mais perigosa, alimentando-a quando não mais deveríamos pensar nela."

(Formação da Donzela - Pe. José Baeteman)

PS: Grifos meus
PS2: Continua com o post: Remédios para as tentações

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Vida reta e não belas palavras



Vida reta e não belas palavras

Alexandre Magno tinha um soldado covarde que, por acaso, também se chamava Alexandre. O imperador o chamou e lhe disse: "Amigo, ou mudas de conduta ou mudas de nome". O mesmo se poderia dizer de muitos jovens que se dizem cristãos, mas que, por suas vidas, conduta e leviandade, envergonham o nome de "cristão".

Que vale uma fé a que não corresponde uma vida condigna? Terá valor gabar-se alguém do seu cristianismo, se seu modo de pensar, suas palavras, atos, sua vida enfim, desmentem a religião cristã?

Belas palavras, mas vida indigna! De que valem então as belas frases? Neste particular tem a sociedade muito a pesar-lhe na consciência.

... Muitos jovens, infelizmente, não chegam a tanto (vida reta por conhecer a religião). Por isso há tão grande número deles com fraca vontade e fé escassa; esqueceram de tirar, do estudo da religião, desprendimentos, vida de sacrifício, vida religiosa.

Além disso, o nome "cristão" está ligado a sérias obrigações. Obriga-nos a uma vida sobrenatural, a que a alma aspire a coisas mais elevadas. "Sede santos, pois eu sou santo!" (Lev. 11,44) ordena o Senhor. "Sede perfeitos, como vosso Pai no céu é perfeito" (Mat. 5,48), diz o Salvador.

Atenção, meu filho, não comprometas o cristianismo! Não envergonhes a Jesus Cristo; não desonre tua alma! Muita gente é hoje de tal modo absorvida pelos cuidados cotidianos que não tem tempo para mais nada. Também para sua alma falta o tempo. Pobre alma que é como um inseto preso ao visgo; assim ela está presa aos interesses terrenos, ao dinheiro, ao passo que Deus quisera tivesse ela o vôo altaneiro duma águia!

Que escolhes?

A serviço de quem queres colocar tua força juvenil e animosa?
... De um lado está todo o mundo, o material, os homens sem Deus, mirando fins que a Igreja deve condenar, ou que querem gozar tudo o que uma super-civilização lhes oferece. Aí estão os homens do industrialismo insaciável, que operam com as forças brutais da economia, como se os atingidos por elas não fossem homens.

Há porém igualmente, uma multidão de instintos vandálicos, que se inebria com frases demagógicas, pois quer inverter toda a ordem do universo. No outro campo se reunem...os defensores do trabalho espiritual... o símbolo da Cruz.

Lá, contra Deus; aqui com Deus.
A que partido te filias?
Que pergunta!Não é?

"Com Deus! Com a Cruz! Com o catolicismo!"

Hoje, infelizmente, há muitos "batizados" apenas, mas pouco cristãmente católicos, isto é, que não levam vida realmente religiosa.

... Meu ideal é um jovem que, no caminho da vida, olha sempre as estrelas, sem contudo cair no valado; um jovem que sabe que toda cultura exige primeiro a cultura da alma. Meu ideal é o adulto em cuja vida a religião não é apenas um sentimento de domingo um acontecimento espiritual, um quadro sem moldura, um termo de festa, e sim a mais profunda potência que sustenta toda a sua vida, a embebe e a norteia.

Não é verdade, meu filho, quando fores adulto, também serás um homem que ama sua religião, observa seus mandamentos e é um católico consciente?

E se topasses com a incompreensão ao redor de ti?
E se, em teu círculo, não encontrasses um único exemplo de religião que te transmitisse tua convicção religiosa?

Ainda assim!
Sozinho? Não! Deus e eu, isso representa o maior poder. E se minha religião for atacada, defende-la-ei tanto mais animosamente!

Senhor, quero ser a cítara, que haveis de tanger!
Senhor, quero ser o fogo, e Vosso amor  arderá em mim!
Senhor, quero ser o vaso de cristal, que Vossa graça replene!
Senhor, quero ser o espelho, que retrate a Vossa beleza!
Senhor, quero ser o roble, sustentado pelo Vosso vigor!
Senhor, quero ser o oceano, cheio de Vossa imensidade!

Quando um sorriso de alegria expandir meu rosto, meus lábios exultantes falarão de Vós; se a dor inundar de lágrimas os meus olhos, cada gota há de cair em vossas mãos!

Permiti, Senhor, que eu seja sempre e em tudo um Vosso filho puro, obediente e feliz!
Dai, Senhor, que eu aprenda, viva e pratique a verdadeira Religião em minha juventude!

(A Religião e a Juventude - Mons.Tihamér Tóth)
PS: Grifos meus

A Pureza - Beleza desta virtude



A Pureza

Beleza desta virtude

A) "Bem-aventurados os corações puros!"

A gente se sente imediatamente empolgado por esta palavra. Só um Deus podia usar semelhante linguagem. Ouvindo estas palavras divinas, a alma delicada sente em si a necessidade de realizar essa bem-aventurança. Ver a Deus! sim, ver a Deus de algum modo, mesmo desde este mundo! e é essa a recompensa prometida aos que são puros!

"Bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus." Como dizer a beleza dessa virtude celestial, semelhante ao lírio branco, embalsama os que a possuem e espalha em volta deles  um perfume indefinível.

Ela é bela! porque dá à fisionomia um não sei quê que cativa, que atrai, que subjuga, que faz nascer uma simpatia respeitosa.
É bela! O Próprio Deus sente-lhe o encanto. Ele chama a alma pura sua "Amiga": "Sois toda bela, ó minha bem-amada, e em vós não há mancha!" Chama-a "sua esposa": "Vem, minha Esposa, vem, serás coroada!"

É bela! Jesus quis achá-la na terra. Aparecendo na terra, enveredou por uma trilha de humilhação e de opróbrios; mas, do começo ao fim, arrogou-se, como uma compensação, a pureza que sempre o cercou.

Assim, para se encarnar, Ele prepara para si um tabernáculo; Maria lá está! Ele não a deixa antes da idade de trinta anos ... e ainda assim será só para encontrar outra alma pura: São João! E essas duas almas virgens segui-Lo-ão até ao pé da Cruz. Quando Ele quiser morrer, quando tudo Lhe faltar, até mesmo a consolação de se sentir objeto das complacências de seu Pai, nos seus derradeiros instantes, a pureza estará e ficará perto Dele!

É bela! É a virtude trazida por Jesus! Só Ele podia fazê-la florescer nos lodos humanos. Semeou-a na terra e, depois, legiões de virgens vieram embalsamar o nosso exilio.

É bela! No Céu tem ela um lugar à parte. As almas virgens, diz o Apocalipse, "seguem o Cordeiro aonde quer que Ele vá!" E São João contempla a legião delas triunfante, cantando um cântico novo que ninguém mais pode aprender.

É bela! A própria impiedade não pode deixar de aplaudi-la. Quantos remorsos, quantas tristezas a vida da pureza não lança no coração das vítimas do prazer! E, enquanto o mundo repele com desprezo aquelas a quem polui, olha com olhos de inveja as nobres almas que atravessam a lama sem se macularem.

B) É a virtude mais bem recompensada! E isso não somente no céu, mas já na terra.

Ela dá ao semblante uma modéstia serena que tem qualquer coisa de angélico.
Dá ao olhar uma limpidez encantadora.
Dá a fisionomia um esplender que irradia, põe o mais belo brilho numa fronte jovem; supre assim os esquecimentos da natureza, e reveste a pessoa de uma beleza especial que faz pensar no céu.
Dá ao coração uma ternura, uma chama sagrada que só ela pode alimentar. Que dedicação, que sensibilidade num coração puro!
Dá à vontade um poder notável pela luta contínua que exige. Quando conseguimos vencer-nos a nós mesmo, são fáceis as outras vitórias.
Dá à vontade um poder tanto maior quanto, vivendo numa luta contínua, ela haure aí uma energia viril só conhecida dos que souberam vencr-se a si mesmos.
Dá à inteligência esses remígios, esses olhares de águia que confundem. "Bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus."
Dá ao próprio corpo, cujas energias conserva, esse vigor especial cuja causa Ricardo Coração de leão assim explicava aos Sarreacenos admirados: "Sou forte porque sou puro."

Enfim, dá a liberdade e a alegria.

A liberdade, porque um coração mordido pelo vício carrega grilhões; esses grilhões podem ser floridos, mas nem por isso deixam de fazer um escravo.
A alegria também, porque, quando se cede à paixão má, acaba-se por ficar triste, tremer e desanimar.

A pureza, que não se adquire senão por uma série de lutas vitoriosas, dilata o coração e dá-lhe um alegre surto. O vício quebra as asas; a virtude fá-las abrir-se, trazendo arrojo e confiança.

Conservai, pois, filha, a todo custo, apesar de tudo, apesar das lutas e quiçá das agonias do coração, essa virtude tão preciosa, esse "encanto desconhecido de que ninguém se defende".

Na Idade Média dizia-se: "Deus só fez duas coisas perfeitas neste mundo: a rosa quando é fresca, e a donzela quando é pura!"

Não percais esse encanto único, ele não se torna a achar mais! Se o corpo se torna o senhor, ainda que só um instante, é a subversão da ordem moral. A todo custo evitai situar-vos entre os seres descoroados!

C) É uma virtude angélica.

Com esta diferença, entretanto, que aquilo que os anjos são por natureza, a alma pura o é por virtude. Os anjos não têm lutas a sustentar, ao passo que vós vos conservais pura com  a condição de serdes vitoriosa no combate.

D) É um triunfo.

Triunfo da Fé; porquanto a luta nas obscuridades da terra só é sustentada pela esperança das recompensas futuras. Triunfo do amor. Do amor de Deus primeiro, do qual as almas puras são as "jóias"; do amor humano também, pois só os corações puros sabem amar. O amor repousa-lhes no fundo da alma como uma gota de orvalho do cálice de uma flor; a alma tem o brilho, o perfume e a preciosa virtude dessa gota de orvalho.

(A formação da Donzela - Pe. José Baeteman)

PS: Continua...com o post : As tentações contra a pureza.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Donzela cristã e a obediência


“E foi com eles (os pais) para Nazaré e era-lhes submisso” (Lucas 2,51).

Não podem desenvolver-se boas qualidades morais uma moça, que perde seu tempo com vaidades fúteis multiplicando consultas ao espelho. Há, todavia um espelho, no qual as moças deveriam contemplar-se sem perigo de descambar em devaneios fúteis, antes, encontrando na imagem refletida o ideal da virtude.

É o sublime espelho de virtudes do Divino Salvador, de quem está escrito:

“E foi com eles (os pais) para Nazaré e era-lhes submisso” (Lucas 2,51).

Eis aqui um bom espelho, um elevado modelo para ti. Ensina-te a obediência. Se isto aprenderes profundamente, grande vantagem terás logrado para a tua vida futura; poder-se-á dizer que ficarás livre de noventa por cento das penas e aflições a que estão sujeitas as filhas de Eva.

1º A obediência tem uma grande significação

Significação universal e geral: Não pode o universo físico perdurar sem a obediência: estabelecer-se-ia uma confusão brutal e devastação monstruosa; não desapareceria a harmonia maravilhosa se os astros não observassem as leis e não seguissem com precisão órbita que lhes traçou o Criador?

Não pode o mundo doméstico subsistir sem a obediência. De fato, que será de uma família, se a mulher não obedece ao marido, se os filhos não obedecem aos pais, se os criados não obedecem aos patrões?! Isto causará, sem dúvida, um desajuste, uma completa desorganização da família.

O mundo político e social tampouco pode subsistir sem a obediência. No dia em que os cidadãos recusarem obediência aos seus superiores e os funcionários aos seus chefes, estalará a revolução e tudo entrará em confusão e desordem.

... Disto decorre que toda salvação e prosperidade da ordem física, moral, social e religiosa repousam sobre a obediência; sem esta não pode subsistir nenhuma sociedade. Mas a obediência tem também, e, sobretudo, grande significação para ti mesma, jovem cristã. Ela te proporciona primeiro a exata compreensão da vida e dos deveres.

De ordinário, que sabe a jovem a respeito da vida e das suas obrigações? Que sabe das emboscadas do mundo perverso, dos perigos que lhe ameaçam a inocência? Que sabe das enganadoras falsidades dos elogios e da ignomínia do vício?

Transcorre, por assim dizer, de olhos fechados, os anos da sua mocidade e dificilmente percebe as pedras que lhe embaraçam o caminho, e os profundos abismos que se alongam à margem. Mister se faz ter um guia sábio que ela transponha, com felicidade, os perigos!

Não será a obediência e a confiança nos pais e superiores que lhe facilitará a verdadeira compreensão e a protegerá eficazmente contra os numerosos perigos?

A obediência, além disso, educa e robustece a tua vontade.

A hera é uma planta delicada; incapaz de manter-se ereta; se lhe falta apoio, cairá por terra. Quando se arrima, porém, ao vigoroso carvalho, participa da agigantada força deste e com ele desafia as mais violentas tempestades.

Dá-se também o mesmo com a jovem, cuja vontade é ainda fraca e inexperiente. Quando pretende apoiar-se em si mesma, então se quebrará como frágil caniço; mas, se ela se arrima sobre a obediência aos pais ou aos superiores participará da robusta vontade da força que eles adquiriram no combate da vida.

Os pais ou superiores serão para ela como o médico fortalecendo-lhe a fraqueza por meio de um medicamento eficiente, e que, lançarão mão de todos os meios para despertar-lhe as forças adormecidas, como a águia perita que instrui os filhotes para vôos arrojados. Assim, pouco a pouco se robustece à vontade no bem e torna-se apta para resistir à atração do pecado e à tempestade das paixões.

A obediência te ajudará a quebrar o capricho.

O inimigo que com maior obstinação arma ciladas ao homem, que mais o excita ao pecado e lhe enche o coração de descontentamento e desgostos, é o capricho. Ora, a obediência combate-o do modo mais eficiente. Persegue-o por toda parte, não lhe dá tréguas, enquanto não consegue subjugá-lo.
Diz Hamon, com acerto:

“A obediência corrige muito bem o desregramento do capricho. Este é falso e enganador; tudo considera sob o prisma da paixão e do interesse, que ofuscam a visão. É inconstante e leviano: o que hoje deseja, amanhã desprezará; é irresoluto e indeciso: não sabe que posição tomar; é extravagante, age sem motivo razoável e sensato; é obstinado, não quer ceder; a cada contradição mais teimoso se torna; é imperioso e arrogante e não quer concordar com ninguém, mas dominar a todos; é rude e precipitado, torna-se impaciente, queixa-se e se enfurece, quando se lhe não satisfaz imediatamente a vontade”.

Ora, a obediência remedia todas estas faltas. Ao alucinado ela fornece o verdadeiro conhecimento; firmeza, ao indeciso; determinação ao irresoluto; abate o arrogante; acalma o violento; faz retroceder o perverso ou leva-o a melhor caminho.

O obediente lança por terra o inimigo capital, o porta-bandeira e triunfa em toda a linha.
“O homem obediente cantará vitórias”. (Prov., 21,28).

A obediência é uma fonte de alegrias e felicidade.


Se fores obediente, saberás pôr-te de acordo com Deus e teus superiores...em qualquer hipótese, portanto, poderás ficar tranqüila e satisfeita, e esta alegre disposição contribuirá, de modo favorável, para o teu trabalho e adiantamento.

2º Como deverá ser a obediência, para atingir a perfeição?

Há de ser, antes de tudo, sobrenatural; deves como Cristo, exercitar a tua obediência por um movimento sobrenatural; obedecerás por amor de Deus. Cumpre que não obedeças com o fim de granjear a benevolência dos teus superiores, ou por te proporcionar outras vantagens; mas simplesmente para satisfazer a vontade de Deus: é por amor de Deus que deverás ser obediente.

Esta obediência sobrenatural é de grande valia aos olhos de Deus, e alcança-te grande benemerência. Se a possuíres, não te deixarás jamais induzir a executar uma ordem que se oponha os mandamentos de Deus. Obrarás, então, sempre de acordo com aquela palavra:

“É preciso antes obedecer a Deus que aos homens”. (Atos 5,29)

Em segundo lugar, há de ser alegre e pronta.

A alegria aumenta o mérito da obediência, torna-a mais suave e mais agradável a Deus e aos homens. A isto se aplica também as palavras do grande Apóstolo: “Deus ama a quem dá com alegria”. (II Cor., 9,7)

Um presente, que nos fazem de má vontade e com rabugem, causa-nos pouco prazer. Assim também, não agrada um ato de obediência, que se pratica de má catadura.

Obedece, pois, sempre de coração e com prazer; não sejas como a criança mal habituada, que só atende à vontade e a ordem dos pais quando estes lhe acenam com uma remuneração, um prazer ou algum presente. Já não é isto obediência, e sim desprezível satisfação do tresloucado amor próprio.

A obediência servil opõe-se ao espírito cristão. Obedece sempre com ânimo alegre e sereno, de modo que se possa reconhecer que, não constrangida, antes por amor de Deus, presta obediência.
Nem tampouco obedeças de mau humor, como um escravo; que só por violência e temor do castigo, executa, externamente, a ordem do senhor, mas no seu íntimo murmura e enfada-se, e, percebendo que não é vigiado, tudo despreza e faz apenas o que bem lhe apraz.

Obedece, também, com singeleza e pontualidade, ainda quando longe das vistas de teus pais e superiores: não sejas bajuladora.

Se for alegre tua obediência, será conseqüentemente pronta. Sim, obedece à primeira palavra, até ao mais leve aceno. Quando te ordenarem alguma coisa, reflete: é vontade de Deus que eu obedeça, é como se Deus me chamasse; mas, quando Deus chama, não se deve contemporizar.

Tua obediência há de ser, em terceiro lugar, geral.

Presta obediência em todas as coisas que não sejam pecaminosas, mesmo naquelas que não se adaptam ao teu temperamento, ou que te parecem difíceis e árduas. Já jovens que obedecem pontualmente, quando lhe ordenam algo de que gostam, porque sentem por aquilo certa predileção; mostram-s, porém contrariadas e só obedecem murmurando, ou desobedecem, quando se lhes ordena o eu lhes não convém, ou não condiz com o seu temperamento.

Cumprir alegremente ordens agradáveis não é coisa extraordinária, não denota grande virtude: até o pagão pode fazê-lo. Pelo contrário, nos encargos e ordens desagradáveis, combater com valor a repugnância interna e obedecer com diligência é coisa perfeita, sinal de verdadeira virtude.

Seja, enfim, tua obediência constante e duradoura.

Há jovens que obedecem conforme o seu capricho. Quando alegres e bem dispostas, não opõem a menor dificuldade em matéria de obediência; se, porém, no seu interior não reinar bom tempo, se estiverem agastadas e melancólicas, não permitem uma só palavra contra o seu capricho; fazem, pelo contrário o que bem entendem.

Outras há que, até aos quinze ou dezesseis anos, ainda aceitam alguma observação, mas, depois querem ter plena autonomia. E, no entanto, é justamente nestes anos que começa aquela quadra da vida em que a direção se lhes torna, sobremodo, salutar e necessária; fase, em que abandonadas a si mesmas, poderão cometer os mais graves deslizes e ser vítimas funestos enganos.

O barquinho da vida de muitas jovens precisamente nesta fase é destroçado, por desgraça, em ásperos rochedos. Por isso, no tempo da tua mocidade, enquanto estiveres sob o domínio de teus pais ou de outros superiores, mostra-te sempre obediente e aceita de bom grado os conselhos que te derem.

Nesta fase da vida uma boa orientação te seria benéfica. Ofereceu-te o Divino Salvador um magnífico exemplo. Foi obediente não até aos quinze ou dezesseis anos, mas durante a sua mocidade toda, até o começo do seu ministério público. A todos estes anos se aplica o texto de são Lucas:

“Foi com eles a Nazaré, e era-lhes submisso”. (Lc., 2,51)

Segue este modelo divino e atrairás sobre ti a prosperidade e as bênçãos de Deus.

(Donzela cristã - Pe. Matias de Bremscheid )
PS: Grifos meus

sábado, 2 de janeiro de 2010

Terceira Ferida – Dores de Nossa Senhora



Terceira Ferida – Perda e o reencontro do Menino Jesus

Os três dias de ausência do Divino Menino foram a terceira ferida de Maria. Um dos gumes da Espada feriu a alma de Jesus, quando Ele se escondia de Sua Mãe e de Seu pai adotivo para Lhes lembrar, como Ele disse, que se devia ocupar das coisas de Seu Pai.

Mas se é certo que o Céu também pode jogar às escondidas, o outro gume da espada era, para Maria, a dor de ter perdido Seu Filho e procura-lo. Era Seu – e por isso que Ela O procurava. Ele ocupava-Se da Redenção, e é por isso que Ele A deixava, e ia ao Templo. Não ia nisso apenas uma perda física, mas também uma provação espiritual.

Ficou o Menino Jesus em Jerusalém sem que Seus Pais O advertissem (São Lucas 2,43)

Nosso Senhor disse: Para que me buscáveis? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de meu Pai? E eles não entenderam o que lhes disse” (São Lucas 2, 49-50).

Mas tarde um outro período de três dias se devia registrar, durante o qual o Corpo de Jesus repousaria num túmulo. Esta primeira perda era um prelúdio da segunda, como que a sombra dos três anos de separação que foram a Sua vida pública – em relação à Virgem.

Alguma coisa era agora oculta a Maria, no sentido de que a não compreendia. Não se tratava de uma simples ignorância negativa, mas de uma privação, um propósito deliberado de Seu Filho em Lhe ocultar a plenitude dos Seus desejos. No Egito, teve Ela “a sombria noite” do corpo; era preciso que tivesse a “sombria noite” da alma, em Jerusalém. A noite espiritual e a desolação da alma andaram sempre juntas nas provações enviadas por Deus aos místicos.

A princípio, é o Seu corpo e o Seu sangue que são ocultos a Maria; agora é a Luz e a Verdade. Se a segunda ferida faz d’Ela a companheira de todos os refugiados errando pelas entradas do Mundo, esta terceira ferida iria levantá-La À companhia dos santos. A sombra da Cruz começava a projetar-se na Sua alma! Não é apenas o Seu Corpo virginal que devia pagar caro o privilégio da Sua Imaculada Conceição; também a Sua alma sofreria para vir a ser a “Sede da Sabedoria”.

A espada de dois gumes atinge as duas almas, no doce bater de um mesmo ritmo. Certo dia, no Gólgota, chamando Cristo a Si os pecados dos homens, sentirá o pessimismo do ateu, o desespero do pecador, a solidão do egoísta, e reunirá todas as dores do isolamento, num grande grito: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” Também Maria deve experimentar essa solidão e abandono – não apenas na perda física de Cristo, mas ainda na obnubilação de todas as consolações.

Assim como, na Cruz, Ele privará a Sua natureza humana de toda a alegria que Lhe podia vir da Sua divindade, assim também privará Sua Mãe de todas as alegrias relativas às coisas de Seu Pai. Se o gume da espada, reservado a Cristo, era o abandono, o d’Ela era a noite.

Diz o Evangelho que caiu a noite sobre a Terra, quando Ele, na Cruz, ergueu às alturas o Seu grito supremo; agora, é a noite que invade o espírito de Maria, porque o Seu Próprio Filho quis esse eclipse do Sol.

É quase uma pergunta que Ele Lhe faz, ao dizer-Lhe: “Por que me buscáveis?” (São Lucas, 2,49). Suspenso, mais tarde, na Cruz, entre a Terra e o Céu, devia Jesus sentir-Se abandonado por Deus e repelido pelos homens. Assim, Maria, por uma só palavra da Divina Espada, é abandonada por Aquele que é, ao mesmo tempo, Deus e Homem.

A sombria noite dos santos não é igual à noite dos pecadores. Nos primeiros, não há luz, mas há amor. É muito provável que essa noite mística, que a espada fazia então entrar na alma de Maria, desse lugar, n’Ela, a atos de tal modo heróicos de amor que eles A elevaram a novos tabores, nunca anteriormente entrevistos.

Pode a luz ser, por vezes, tão brilhante que nos cegue. A incompreensão de Maria, ouvindo a palavra de Jesus, era menos devida a uma falta de clareza do que a um excesso de luz.

A razão humana, chegada a certo ponto, nem sempre pode descrever o que se passa no coração. O próprio amor humano, nos seus mais altos momentos de êxtase, não se pode exprimir com palavras. A razão pode compreender palavras, mas não o Verbo.

Ora, diz-nos o Evangelho que aquilo que Maria não compreendia era o que dizia o Verbo. Como é difícil de compreender a palavra, quando ela se divide em palavras! Maria não compreendia porque é que o Verbo A elevava acima do abismo da razão e A arrastava por sobre esse outro abismo incomensurável que é o Espírito de Deus.

A uma tal distância, a Sabedoria Divina, na sua expressão humana, pode dizer o Seu segredo, do mesmo modo que São Paulo não podia contar a sua visão do terceiro Céu. As palavras eram incapazes de exprimir inteiramente, por si, a significação do Verbo.

Para provar que essa noite não era de ignorância, acrescenta o Evangelho:

“E Sua Mãe conservava todas estas coisas no Seu coração” (São Lucas, 2, 51).

A Sua alma guardaria a Palavra, e o Seu coração as palavras. Ele que, por Suas palavras, parecia renegá-La, une-A, agora, a Si Próprio, não apenas por ter depositado o mel da Sua mensagem na colméia do Coração d’Ela, mas também porque volta a Nazaré com Ela, submetendo-se-Lhe.

Cristo não se serve de instrumentos humanos, como Simeão ou Herodes, para brandir a Espada Divina sobre Sua Mãe. Aos doze anos, tem força bastante para a utilizar Ele mesmo. Nessa dor, ambas as Naturezas d’Ele se fixam sobre Ela para fazer d’Ela a co-Redentora: a Sua natureza humana na perda física, a Sua natureza divina na noite sombria da alma.

Na Anunciação, Ela perguntara ao Anjo: Como pode isso ser, se não conheço varão?” Hoje, dirige-Se ao Próprio Homem-Deus, chamando-Lhe “Filho” e pedindo-Lhe que Se explique, que justifique o que fez. Maria tem consciência de ser Mãe de Deus. Onde quer que haja santidade há familiaridade com Deus. E essa familiaridade é maior ainda na dor do que na alegria.

Certos, santos, favorecidos com revelações de Nosso Senhor, declaravam que essa dor de Maria custou a Jesus extraordinários sofrimentos. Ali, como sempre, trespassou Ele, o Seu Próprio coração, antes de trespassar o de Sua Mãe, como o propósito de ser o primeiro a conhecer essa provação. A dor, que mais tarde iria sofrer, de abandonar Sua Mãe, depois das três horas de agonia na Cruz, era então antecipada por esses três dias de separação.

Aqueles que pecam sem fé não podem sentir a angústia dos que pecam com fé. Possuir a Deus, ocultar-Se daqueles que estavam no propósito de jamais abandona-Lo, tal foi a ferida de Jesus, causada pela mesma espada. Ambos sentiram os efeitos do pecado, de maneira diferente, mas em igual noite de alma: ela por O ter perdido; Ele por se ter perdido. Se a dor de Maria foi um inferno, a agonia de Lha infligir era a dor de Jesus.

A Santíssima Virgem tornou-se o Refúgio dos pecadores por ter aprendido o que é perder Deus e tornar a encontrá-Lo. Cristo tornou-se o Redentor dos pecadores por ter conhecido a malícia, a vontade deliberada daqueles que ferem os seres a quem amam! Sentiu o que pode sentir a criatura, ao perder a criatura. Maria perdeu Jesus na noite mística da alma, e não na noite moral de um mau coração. A Sua perda era a ocultação da face d’Ele.

Ela não Lhe fugia. Mas mostra-nos Ela que, quando perdemos a Deus, não devemos limitar-nos a esperar que Ele volte. Devemos ir procura-Lo, e é Ela que, para alegria da nossa alma, sabe onde O podemos encontrar!

(O Primeiro amor do Mundo – Arcebispo Fulton J.Sheen)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Alma ou corpo? (Eduque o seu filho de forma cristã)



Antes de tudo, leitora e mãe, é teu filho uma alma. Hoje acentua-se demais o corpo e se deixa esquecida a alma da criança. Os pedagogos escandalizam-se com descuidos que prejudicam a saúde e o desenvolvimento do corpo. E bem pouco se impressionam com os erros que prejudicam os interesses e os destinos da alma. Paganismo moderno, leitora!

A pedagogia que vai da alma ao corpo, do espiritual para o material, do pensamento para o prazer, é também uma pedagogia que traz vantagens aos interesses do corpo. A mulherzinha do povo que segue a pedagogia da alma é uma educadora, ao passo que o mestre que segue a do corpo jamais será um educador. É apenas um cunhador de moedas falsas. Para respeitar esta ordem mais se necessita de coragem do que de ciência.

Por isso, leitora, convence teu filho do seguinte: Um esforço intelectual, a descoberta de uma verdade, um ato de vontade, o domínio de um apetite, valem todos os facéis prazeres do corpo. Porque? Porque o menor progresso da alma é infinitamente superior aos mais vastos proveitos materiais.

Essa alma, mais nobre do que o corpo, está vivificada por uma vida sobrenatural. Teu filho é também, pelo batismo, filho de Deus. De ti recebeu a vida do corpo. Dele recebeu a vida divina da graça. Há, portanto, em teu filho duas vidas, distintas nas suas qualidades, mas tão unidas que a primeira (recebida de ti) sem a segunda (vinda de Deus) não passa de uma grande nódoa, de uma grande chaga, perdendo-se no abismo de condenação.

... Digna de todo o respeito torna-se a criança que, com a graça do batismo, é herdeira divina. Teu filho não nasceu ainda, leitora, e já deves preparar-lhe esta vida. Durante os nove meses de vida comum, que poderosa irradiação propaga no corpo e na alma da criança a presença eucarística de Jesus Cristo no coração da mãe, que é piedosa na assiduídade à Comunhão!

... A graça há de existir e também crescer na alma do teus. Ela não pode ser unicamente objeto de um culto. Há de reinar sobre as paixões e impor-lhes ordem e harmonia. Como na orquestra cada instrumento concorre para o colorido da sinfonia, assim, sob a regência da graça, os impulsos da natureza hão de se unir e ordenar harmoniosamente. Mônica, a santa progenitora de Agostinho, acreditava que quase nada diria o nome de mãe, se não desse aos filhos, juntamente com a mísera vida do tempo, a vida infinitamente bela e preciosa da eternidade.

Por causa desse parto sofria dores mais vivas e longas do que pelo primeiro, com o qual pôs no mundo uma vida mortal. Aludindo a isto, afirmava Agostinho ser ele "o filho de torrentes de lágrimas".

Não podem acertar na educação de um cristão os pais que não sabem preferir para os filhos a vida sobrenatural à vida natural. Só educa que, sabe respeitar a escala de valores nas várias culturas. Se os hábitos adquiridos não elevam o espírito; se a inteligência e a vontade não reinam sobre os apetites; se as faculdades espirituais não são governadas pela graça - a educação é mutilada. Tão gravemente é tal, que, provavelmente, a vida será um fracasso.

O futuro de uma criança é coisa viva, animada, ameaçada por mil quedas e que, sobretudo, depende da altura da alma. Antes de tomar uma resolução, leitora e mãe, antes de regular os hábitos mais caseiros, perguntarás a ti mesma:

"Tendes minha palavra, meu ato, a respeitar a hierárquia dos valores? A formação que vou dando aos meus, neste ou naquele caso, prefere os bens do espírito aos bens do corpo, os sonbrenaturais aos bens do espírito, a verdade infinita aos reflexos dela, Deus às criaturas?"

Exercitarás teu filho não somente a sentir, mas a bem sentir; não somente a pensar, mas a bem pensar; não somente a pensar acertadamente, mas também a julgar acertadamente, não tomando as criaturas pelo que não são. Toda idolatria é um erro de juízo prático sobre o valor dos seres. Sobretudo ensinarás os teus a analisar tudo sob clarões da fé e da eternidade, sob a aprovação ou reprovação de Deus.

Finalmente, depois de ensiná-los a sentir, pensar, julgar com acerto, trabalharás para que amem acertadamente, dominando as paixões pelo amor a Deus e ao próximo.

Assim sendo, a criança é um meio de santificação para a mãe. Pois é impossível apontar e dirigir para o ideal, sem com o tempo a mãe tornar-se uma apaixonada pelo ideal. O guia dos Alpes sobe cada vez mais, à medida que faz subir os guiados...

(Excertos do livro: As três chamas do lar - Pe. Geraldo Pires de Sousa)
PS: Grifos meus

El Modelo de Nazaret (Pio XII e a família)


El Modelo de Nazaret (Pio XII e a família)
10 de Abril de 1940

Al acogeros junto a Nos, queridos recién casados, ¿cómo podría nuestro pensamiento no dirigirse hacia San José, castísimo esposo de la Virgen María, patrono de la Iglesia universal, cuya solemnidad celebra hoy la sagrada liturgia?

Si todos los cristianos tienen motivo para confiar en la protección de este glorioso patriarca, vosotros tenéis ciertamente un título especial para tal gracia.

Todos los cristianos son hijos de la Iglesia. Esta santa y dulcísima Madre, da a las almas, con el Bautismo, aquella misteriosa participación en la naturaleza divina, que se llama la gracia, y después de haberlos de este modo engendrado a la vida sobrenatural, no les abandona, sino que les procura, mediante los sacramentos, el alimento que mantendrá y desarrollará su vida.

Así se la puede comparar con María, Nuestra Señora, de la cual tomó el Verbo la naturaleza humana, y que luego sostuvo y alimentó la vida de éste con sus cuidados maternos.

Ahora bien, en cada uno de los hijos de la Iglesia debe estar formado Cristo, y todos deben tender a crecer “in virum perfectum, in mensuram ætatis plenitudinis Christi”, hasta ser hombres perfectos, a la medida de la edad plena de Cristo.

Mas ¿quién velará sobre esta Madre y sobre este Jesús? Ya lo habéis comprendido; aquel que hace veinte siglos fue llamado a ser el Esposo de María, el Padre legal de Jesús, el Jefe de la Sagrada Familia.

¡Y qué solicitud puso en cumplir una misión tan sublime!

Bien quisiéramos saber sus más menudas circunstancias; pero este predilecto de la confianza divina, que debía servir como de velo al doble misterio de la Encarnación del Verbo y de la Maternidad virginal de María, parece quedar en su vida terrena como envuelto en una sombra.

Sin embargo, los raros y breves pasajes en los que el Evangelio habla de él, bastan para mostrar qué cabeza de familia fue San José, qué modelo y qué patrono especial es, por lo tanto, para vosotros, jóvenes esposos.

Custodio fidelísimo del precioso depósito confiado a él por Dios, María y su Divino Hijo, él velaba, ante todo, sobre, su vida material. Cuando, para obedecer al edicto de Augusto, partió para hacerse inscribir sobre el registro del censo en la ciudad de David llamada Belén, no quiso dejar sola en Nazaret a su esposa Virgen, a punto de ser madre de Dios.

A falta de más particularidades en los textos evangélicos, las almas piadosas gustan de imaginarse más íntimamente los cuidados que entonces le prodigó a Ella y después al Niño recién nacido. Le ven levantar la pesada puerta del albergue ya lleno; dirigirse después en vano a parientes y amigos; y en fin, rechazado de todos, esforzarse por poner al menos un poco de orden y de limpieza en la cueva. Ya lo tenemos sosteniendo entre sus manos viriles las manecitas, temblorosas de frío, del pequeño Jesús, para calentarlo.

Un poco más tarde, habiendo oído del ángel que su tesoro estaba amenazado, “tomó de noche al Niño y a su Madre”, y por arenosos caminos, apartando del sendero zarzas y peñascos, los condujo a Egipto. Allí trabajó duramente para alimentarlos.

Siguiendo una nueva orden del cielo, probablemente dos años después, los volvió a conducir, a costa de las mismas fatigas, a Galilea, a la ciudad de Nazaret. Aquí enseñaba a Jesús, divino aprendiz, el manejo de la sierra y el cepillo, salía al trabajo fuera del techo familiar y volvía a él por la tarde para ver de nuevo a los dos seres queridos que le esperaban en el umbral con una sonrisa, y con los cuales se sentaba en torno a la pequeña mesa para la frugal comida.

Asegurar a la esposa y a los hijos el pan cotidiano, es el cuidado más urgente del padre de familia. ¡Oh, qué tristeza ver perecer a aquellos a quienes se ama, por que no hay nada en la alacena, nada en el bolsillo!

Pero la Providencia que condujo de la mano al antiguo José cuando, entregado y vendido por sus hermanos, fue primero esclavo para venir a ser luego el superintendente y señor de toda la tierra de Egipto y nutricio de su familia; la Providencia que guió al segundo José en aquel mismo país a donde llegó privado de todo, sin conocer ni los habitantes, ni las costumbres, ni la lengua, y de donde, no obstante todo esto, retornó sano y salvo con María, siempre activa, y Jesús que crecía en sabiduría, en edad y en gracia; la Providencia, ¿no tendrá hoy la misma compasiva bondad, el mismo ilimitado poder?

Ah, tememos muchas veces que los hombres olviden las palabras de Nuestro Señor en el Evangelio: “Buscad en primer lugar el reino de Dios y su justicia, y todo lo demás se os dará por añadidura”, dad a Dios animosa y lealmente lo que Él tiene derecho a esperar de vosotros: todo el esfuerzo personal posible, la obediencia que se le debe como a Señor supremo, la confianza hacia Él como hacia el mejor de los padres. Entonces podréis contar con lo que esperáis de Él, y que Él prometió cuando dijo: “mirad los pájaros del cielo, mirad los lirios del campo; y no tengáis cuidado por el día de mañana”.

Saber pedir a Dios lo que se necesita, es el secreto de la oración y de su poder, y es también una enseñanza que os da San José. El Evangelio, es verdad, no nos dice expresamente cuáles eran las plegarias que se hacían en la casa de Nazaret.

Pero la fidelidad de la Sagrada Familia a la observancia de las prácticas religiosas, nos ha sido explícitamente atestiguada, aunque no había ninguna necesidad de ello, cuando por ejemplo San Lucas nos cuenta que Jesús iba con María y José al templo de Jerusalén por la Pascua, según la costumbre de aquella fiesta.

Es, pues, fácil y dulce representarnos esta Sagrada Familia en Nazaret, a la hora de la acostumbrada oración. En el alba dorada o el violáceo crepúsculo de Palestina, sobre la pequeña terraza de su casita blanca, vueltos hacia Jerusalén, Jesús, María y José, están de rodillas; José, como cabeza de familia, recita la oración; pero es Jesús quien la inspira, y María une su dulce voz a la grave del santo patriarca.

¡Futuros cabezas de familia! Meditad e imitad este ejemplo, que muchos hombres de hoy olvidan. En el recurso confiado a Dios encontraréis no solamente las bendiciones sobrenaturales, sino la mejor seguridad de aquel “pan cotidiano”, tan ansiosamente, tan laboriosamente, y a veces tan vanamente buscado.

Como delegados y representantes del Padre que está en los Cielos y “de quien toda familia en el cielo y en la tierra toma nombre”, pedidle que, como os ha dado algo de su ternura, os dé también algo de su poder, para llevar el grato, pero muchas veces grave peso de los cuidados familiares.

(Retirado do blog: Signum Magnum)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Hora Santa de Janeiro – Padre Mateo Crawley-Boevey



Hora Santa de Janeiro – Padre Mateo Crawley-Boevey
Janeiro - Ano Novo

(Esta Hora Santa poderia servir especialmente para começar o Ano Novo, segundo o verdadeiro espírito do Sagrado Coração de Jesus, e para consagrá-lo à sua glória. Este mesmo método poderia também ser muito útil em determinadas ocasiões, em certas horas decisivas e solenes “do ano ou da vida”, como, por exemplo, nas vésperas de um casamento ou como preparação imediata para ingressar no convento, ao abraçar a vida religiosa. Poderia, assim mesmo, ser de grande proveito “durante os exercícios de um retiro”, para iniciar neles uma etapa de vida espiritual nova e mais intensa).

Eis que se levanta com a aurora do Ano Novo o verdadeiro Sol de paz, de esperança e de amor: o Coração Divino de Jesus, Sol de uma nova vida para sua glória e nossa felicidade... Glória a Ele nas alturas, glória a Ele e só a Ele aqui na terra!...Adveniat, adveniat, adveniat regnum tuum! Venha a nós teu reino de paz, de amor e de justiça!”.

É preciso que o ano que começa marque uma nova etapa de triunfo no avanço vitorioso, social e íntimo do Coração de Jesus... E agora, ponhamo-nos em Sua presença soberana mediante um ato de fé e de profunda adoração... A dois passos de nós está o Mestre muito amado... Seu Coração nos chama, nos aguarda... quer nos falar com santa intimidade... Escutemos aquela voz cujas harmonias deliciosas inundam de júbilo a eternidade do céu.

(Que se tenha grande recolhimento, pois o Senhor não fala a corações dissipados, distraídos).

Jesus.

“Pax vobis!” Que minha paz seja com todos vós, filhinhos meus! Vo-la trago grande e formosa para vossas almas que sofrem, que lutam, para todos os de boa vontade...

“Pax vobis!”. Sim, vo-la trago Eu mesmo para vossos lares de luto pela dor, feridos pelas desgraças, patrimônio obrigatório deste vale de lágrimas...

“Pax vobis!...”. Vo-la trago para a sociedade doente em cujo seio viveis, pois bem sei Eu quanta necessidade tem de se renovar no espírito de meu Evangelho, de ser em espírito e em obras a herança de meu Coração sacrossanto... Vo-la trago para vossa pátria. Oh! Pedi-me que ela chegue a ser para Mim a Jerusalém de meus amores, a Jerusalém do Domingo de Ramos...

“Pax vobis!...”. Trago-vos minha paz profunda, celestial e vitoriosa, para a Igreja sempre combatida... Rogai por Ela, pedi, filhinhos meus, que encha os celeiros de meu Pai celestial com uma colheita rica e escolhida de almas, de famílias... Vinde, amigos da alma, aproximai-vos; não temais como os apóstolos: aproximai-vos mais, bem mais...: Procurai a ditosa intimidade do Coração de vosso Rei, de vosso Irmão, de vosso Amigo...: Não temais... Eu sou vosso Jesus. Sim, aproximai-vos com tal intimidade que toqueis as chagas de meus pés e de minhas mãos...; aproximai-vos e penetrai na chaga do meu lado.

Oh! Ponde nela com confiança a mão querida, e mais: entrai profundamente nela com a alma e ficai aí; abismai-vos para sempre nesta ferida, morada vossa no tempo e na eternidade... Eu não mudei, filhinhos meus, não: sou o mesmo doce Jesus, bom, misericordioso, nascido da Virgem Maria, vossa Mãe... Sou realmente filho seu...; Somos, pois, irmãos muito queridos: não me temais.

E agora, sem receios e com um coração aberto, dócil, agradecido, aceitai na alvorada deste Ano Novo, como obséquio e garantia de meu amor, como lição de minha sabedoria, um pensamento sério, uma reflexão austera e doce ao mesmo tempo e que vos peço coloqueis como fundamento sobrenatural do caminho que se inicia hoje... Para recolher com fruto, consoladores meus, este ensino que condensa todo meu Evangelho, para que seja realmente proveitosa para este ano e para a vida, esvaziai, antes de qualquer coisa, o coração, aliviai a alma de tudo o que for terreno e saboreai, em seguida, a lição que quero dar-vos, num grande recolhimento de espírito... Ouvi-me:

Almas amadíssimas, filhos de meu Sagrado Coração, meditai esta palavra, vo-la propõe vosso Deus: “Um ano transcorrido quer dizer um ano menos na vida do tempo, e um ano mais próximo do abismo de vossa eternidade...”. Oh! Meditai durante esta Hora Santa na vaidade de tudo, absolutamente de tudo o que não seja a permanente realidade que sou Eu, Jesus!...

(Muito lento e entrecortado)

Tudo passa e morre, menos Eu.
Caducidade da juventude, flor que vive um dia e... morre.
Caducidade da ambição, fumaça que se esfuma e... passa.
Caducidade da alegria humana, fulgor que brilha e desaparece como um relâmpago.
Caducidade da fortuna dourada e versátil que nos escapa.
Caducidade de uma situação brilhante, que muda de improviso e que se quebra.
Caducidade dos prazeres, embriaguez que mata, desassossega e foge.
Caducidade de toda harmonia terrena, de toda beleza criada, que engana e perece.
Caducidade do amor humano, que muda, fere e depois esquece.
Caducidade da sabedoria do século, que falsifica tudo e se converte em trevas.
Vaidade das vaidades, tudo é vaidade, exceto a realidade, que sou Eu, vosso Jesus.

E se duvidais, ponde, filhos meus, um ouvido atencioso àquela voz misteriosa dos séculos que jazem sepultados em sua história de glórias e mentiras... Onde estão?... Foram só ontem, e já não são!... Sua voz eloquentíssima não é senão o eco da minha...

Com eles, Eu vos digo: Vaidade das vaidades tudo o que é terreno... Tudo o que não seja a realidade verdadeira, que sou Eu, vosso Jesus. Milhares e milhões de homens jovens, valentes, arrebatados vertiginosamente do palco da vida pela tempestade de fogo de mil guerras fratricidas, gritam-vos e previnem, com a eloqüência de suas cinzas aventadas, que não sejais fiéis a terra...

Nela tudo é vaidade... Sim, tudo o que não é a divina Realidade, que sou Eu, vosso Jesus. E como esses exércitos de soldados, aquele outro exército mais numeroso ainda dos feridos na alma; aqueles tronchos do coração, que são as viúvas e os órfãos, os desamparados e os sepultados vivos sob os entulhos de suas esperanças e ideais... A caravana imensa das almas, dos corações náufragos do lar e da sociedade... Todos... Oh! Todos eles, com um gemido dilacerador e que não engana, gritam-vos com insistência: Vaidade das vaidades, tudo caduca e é terreno, tudo o que não é a divina Realidade, que sou Eu, vosso Jesus!...

(Breve pausa)

Contudo, não quero ver-vos amargurados em excesso, filhos meus, e menos ainda não quereria, oh, não! Ver-vos desanimados... Porque se é verdade que o mundo não é senão vaidade, sabei-o, meditai-o: Eu venci ao mundo com a suprema e ditosa Realidade de minha Pessoa e de meu Amor. Coragem, pois, e adiante, adoradores meus, levantai muito ao alto os corações e o pensamento, pois aqui mesmo, no meio deste aglomerado de ruínas, Eu sou, para vós todos, a Realidade eterna das almas que me adoram e me  amam. Sim, a única Realidade imutável, divina, imortal, sou Eu... E Eu quis que esta Realidade suprisse tudo... Que Deus vos baste!

Crede-o assim, amigos de meu Sagrado Coração, convencei-vos disso nesta Hora Santa... O mundo, por desgraça, não raciocina assim: Eu não lhe basto. Daí que sendo Rei e Senhor, se me pretere... Quão rara vez sou Eu o Amor, o primeiro no coração e no lar...!

Não vós, filhinhos meus... E já que para vós sou a Realidade, que enche tudo e que supre tudo, quero que me o digais aqui, ante meu altar, com palavras da alma.

Amigos fidelíssimos do Coração de Vosso Salvador, meditai constantemente na vaidade efêmera da juventude, primavera que dura mal uma manhã de sol, e que em seguida morre... Mas como compensação divina, imensa, que esperais, o que me pedis?...

(Todos)

- A realidade suprema que sois Vós, Jesus.

Consoladores de meu Divino Coração, meditai constantemente na vaidade da ambição falaz e traiçoeira que embriaga, fere e desaparece depois... Mas como compensação divina, imensa, que esperais e o que me pedis?...

- A realidade suprema que sois Vós, Jesus.

Apóstolos de meu adorável Coração, meditai constantemente na vaidade dos gozos terrenos, que, como o relâmpago de luz ou como o orvalho, duram um instante e se desvanecem... Mas como compensação divina, imensa, que esperais e o que me pedis?

- A realidade suprema que sois Vós, Jesus.

Confidentes de meu Divino Coração, meditai constantemente na vaidade da sorte que perverte tantas almas e que se escapa para não voltar... Mas como compensação divina, imensa, que esperais e o que me pedis?

- A realidade suprema que sois Vós, Jesus.

Discípulos muito amados de meu Sagrado Coração, meditai constantemente na vaidade dos prazeres sensíveis que afagam um instante, que produzem embriaguez de morte e perdem cedo sua doçura... Mas como compensação divina, imensa, que esperais e o que me pedis?

- A realidade suprema que sois Vós, Jesus.

Adoradores fervorosos de meu amante Coração, meditai constantemente na vaidade da beleza criada e transitória que apaixona tão facilmente como desaparece e morre... Mas em compensação divina, imensa, que esperais e o que me pedis?

- A realidade suprema que sois Vós, Jesus.

Reparadores de meu entristecido Coração, meditai constantemente na vaidade tão funesta do amor terreno, que, sendo por natureza inconstante, fere como uma rajada e foge como a brisa... Mas como compensação divina, imensa, que esperais e o que me pedis?...

- A realidade suprema que sois Vós, Jesus.

Filhos prediletos de meu Divino Coração, meditai constantemente na vaidade da sabedoria humana, que com toques de luz fictícia semeia tantos erros, luz sinistra que estoura freqüentemente em furacão... Mas em compensação divina, imensa, que esperais e o que me pedis?...

- A realidade suprema que sois Vós, Jesus.

Oh, sim, Vós, Senhor e somente Vós, a ditosa, a imutável e eterna Realidade!...

Com ela, isto é, convosco, a vida, já de por si tão vazia de toda paz, tão pobre de verdadeira beleza, nos será suportável, não obstante as tumbas, as ruínas e os joios semeados ao longo do caminho...

Ah, mas sempre convosco, Senhor Jesus! Este ano que começa não nos inquieta, Mestre, apesar das mil vicissitudes azaradas que traz consigo; mas... Temos a nosso lado a Vós, Jesus!

Bem sabemos, Senhor, que não podemos pretender viver num paraíso terreno, murcho, perdido para sempre... Mas que importa, nem nos faz falta, já que em Vosso Coração, Amor dos amores, recuperamo-lo com usura!... Oh, sim, Vosso Coração o vivifica, o ilumina, dignifica-o todo, Senhor, e isto para a eternidade!...

(Peçamos com fervor e humildade de coração a luz que nos faça compreender e apreciar a graça que o céu nos outorga com o novo ano. Mas peçamos, sobretudo, a graça de sabê-lo aproveitar devidamente para glória do Divino Coração e pelos interesses eternos da alma).

(Pausa)



As almas.

A Hora Santa, Jesus adorável, Vós mesmo a pedistes, como a hora das divinas confidências com Vosso Coração adorável... Deixai-nos, pois, em conseqüência, abrir-Vos a alma; deixai-nos contar-Vos tudo, Senhor, pois sentimos a necessidade imperiosa de esvaziar nossas almas na Vossa, aqui, a Vossos pés, ante o Sacrário!...

Bem podem, Jesus, os vaidosos, os sensuais, os mundanos e os frívolos seguir sonhando sobre as ruínas lamentáveis de suas quimeras insensatas... Entretanto, nós, pobrezinhos e ao mesmo tempo mais ricos do que eles, porque mais favorecidos por Vossa graça, tão gratuita como esplêndida, queremos protestar-Vos que, deixando o mundo de lado, apenas Vós nos satisfazeis e nos bastais...

E alentados pelo dom de Vosso Coração adorável, propomo-nos determinadamente começar uma vida nova com este Ano Novo, vivendo mais e mais desenganados e desprendidos dos falsos bens e dos prazeres enganosos da terra... Por isso, Jesus, desde esta alvorada, ao iniciar um ano que nos aproxima à vossa eternidade, arrojamo-nos entre Vossos braços e, com fé da alma, protestamo-Vos que, daqui em diante, não queremos outro bem que Vós mesmo Jesus...

Oh, vem visitar-nos, Mestre, com a aurora deste Ano Novo, e ao receber-Vos Vos prometemos que, na doença ou na saúde, aceitaremos Vosso Coração, Senhor Jesus!

(Todos)

Aceitamos Vosso Coração, Senhor Jesus.
Oh, vem visitar-nos, Mestre, com a aurora deste Ano Novo, e ao receber-Vos prometemo-Vos que, na pobreza ou na abundância, louvaremos somente Vosso Coração.

Senhor Jesus louvaremos só Vosso Coração, Senhor Jesus.
Oh, vem visitar-nos, Mestre, com a aurora deste Ano Novo, e ao receber-Vos Vos prometemos que, na tristeza ou na alegria, procuraremos só Vosso Coração, Senhor Jesus!

Encontraremos só Vosso Coração, Senhor Jesus.
Oh, vem visitar-nos, Mestre, com a aurora deste Ano Novo, e ao receber-Vos prometemo-Vos que, na prosperidade como na Cruz, adoraremos só Vosso Coração, Senhor Jesus!

Adoraremos só Vosso Coração, Senhor Jesus.
Oh, vem visitar-nos, Mestre, com a aurora deste Ano Novo, e ao receber-Vos prometemo-Vos que, na vida como na morte, aclamaremos só Vosso Coração, Senhor Jesus!

(Três vezes)

Aclamaremos só Vosso Coração, Senhor Jesus.

Jamais se vai em vão Àquele que é a Bondade incriada... Vede, a dois passos já está Jesus... Chamamo-Lo, e está aqui almejando extravasar a vida de Seu Coração adorável nos nossos... Recolhamos com santa avidez suas palavras!

(Que se tenha um grande silêncio: o silêncio das almas...)

Jesus. Com que poderei pagar-vos, amigos muito amados, fidelíssimos, o bálsamo que vosso amor soube pôr em minhas feridas?... Obrigado! Meu coração vos abençoa!

Sabeis apreciar esta palavra?... Sabeis quem é Aquele que vo-la dirige?...

Ah, sou Eu mesmo; Eu, vosso Deus e vosso Rei, vosso Pai e vosso Amigo; sou Eu, Jesus, que vos fala!...

Vede como me acerco a vós!... Sim, meu coração adorável é o sol de ventura que para vós se levanta sobre a colina deste altar, trazendo-vos suas luzes e seus ardores como presente de Ano Novo!...

Vede, chego-me a vós, esbanjando graças; venho em procura vossa para cumular-vos, para enriquecer-vos, se possível fosse, até empobrecer. Eu mesmo, depositando em vós todos meus tesouros... Aproximo-me a vossas almas, como uma nuvem carregada com um dilúvio de graças que quisesse derramar a profusão e sem medida sobre vós e vossos lares, a fim de que este ano que começa seja um ano de bênçãos e de graça...

Mas para isso espero uma palavra ainda de vossa parte... Abri... Abri de par em par o Tabernáculo de meu Sagrado Coração e pedi sem temor de importunar, pedi confiantes! Que graça solicita que Eu vos conceda, que favor esperais do tesouro de minhas misericórdias infinitas?

(Todos)

Para nós, Vosso adorável Coração.
Para Vós, Jesus, imensa glória.

Não duvido, filhinhos, da sinceridade do coração; mas esta generosidade vo-la dita talvez o entusiasmo que vos infunde meu Sacrário... Mas quando vos afasteis daqui, uma vez à distância e em plena luta contra o mundo frívolo, me dirão então outro tanto?... Ah, sobretudo para essa hora de refrigério, que força divina de vitória reclamais?... Falai-me todos!

Para nós, Vosso adorável Coração.
Para Vós, Jesus, imensa glória.

Mas se o mundo se empenha em afastar-vos de meu peito, em arrebatar-vos de meus braços... E se em sua tirania ousasse exigir-vos que escolhais definitivamente entre seus prazeres vãos e minha Lei, dizei-me, amigos, que tesouro escolheríeis?

Para nós, Vosso adorável Coração.
Para Vós, Jesus, imensa glória.

Mas suponde que o mundo não desista, que a luta recrudesça e que por causa de vossa fidelidade tenhais que sofrer cruzes e açoites... Com que grito da alma chamaríeis então em socorro vosso?...

Para nós, Vosso adorável Coração.
Para Vós, Jesus, imensa glória.

Oh, que formosura cristã, que nobreza divina a vossa!... Mas dizei-me com toda intimidade: esses sentimentos animam também aos vossos?... Em seu lar querido, pensam e falam todos assim?... Se assim não for, reclamai para eles minha graça: que pedis para eles em depoimento de meu amor?

Para nós, Vosso adorável Coração.
Para Vós, Jesus, imensa glória.

Por que essa tristeza, filhinhos meus? Talvez tendes no lar algum enfermo da alma a quem amais muito, mas que não ama a Mim?... Pobrezinho! Eu quero salvá-lo, ele não pede, mas vós pedis por ele. Que desejo quereis para o lar?

Para nós, Vosso adorável Coração.
Para Vós, Jesus, imensa glória.

Acreditai em meu amor e Eu os salvarei em recompensa a vossa fé e à prece desta Hora Santa, deliciosa...

Ah... Mas pensai também em vós: dia chegará, e talvez muito cedo, em que a morte baterá a vossas portas... Para essa hora suprema de justiça, que galardão esperais de minha sentença?... Reclamai-o agora mesmo: que esperais de minha misericórdia?...

Para nós, Vosso adorável Coração.
Para Vós, Jesus, imensa glória.

(Aqui pode entoar-se um cântico ao Sagrado Coração).

(Mesmo que os Príncipes da Corte celestial ofereçam ao Rei dos Reis presentes dignos do Paraíso, Jesus, apaixonado pelos humanos, pensando em seus pequeninos, toma o caminho da Terra e sai a nosso encontro, suas mãos divinas acumuladas com presentes de Céu... Traz-nos, especialmente, três imensos e riquíssimos tesouros, oferenda valiosa de seu amável Coração. Quereríeis meditar uns instantes no valor inestimável desses tesouros?... Façamo-lo considerando brevemente três quadros, três cenas do Evangelho. Oremos meditando! Meditemos amando!).

I. Dom de Luz.

Recordais o que dizia o cego? “Senhor, fazei que eu veja!”. Bem mais cego do que este azarado, Nicodemos, cego da alma, cala e teme... Oh, com que fulgor vitorioso deverá brilhar os olhos de Jesus, olhando com doçura a Nicodemos na primeira conversa misteriosa! Imaginais a turvação que a proximidade estreita e as palavras do Mestre divino provocariam na alma tímida desse cego, temeroso de sanar?...

Mas, quão forte, quão irresistível devem ser as atrações do imã, dos olhos e do Coração de Jesus! Cada palavra sua era uma seta de luz que o traspassava, conquistando-o... Com infinita suavidade, o Sol divino avança, penetra nos abismos desta alma reta... Mas apesar de sua retidão, de sua boa vontade, teve certamente um primeiro momento de surpresa, de resistência secreta, de luta... Era tão forte nela o respeito humano!

O Mestre condescende: seu Coração é suavíssimo... Concerta-se uma entrevista...; mas esta será de noite... Já estão face a face, sós, Jesus e Nicodemos. Ao separarem-se, o Salvador deve ter dito a Nicodemos: “Já sabes que te amo...; irei, pois, a tua própria casa!” E numa segunda entrevista, lutaram frente a frente as trevas e a luz... As palavras de Jesus despedem fulgores, sóis de clareza que brotam de seu peito, passando por seus lábios... E pouco a pouco, essas clarezas penetram e depois dissipam as nuvens de trevas... Lenta, mas profundamente, transpassam essa alma do Rabino, derretem seus gelos, incineram a rocha... Vede: o Sol, Jesus, triunfou; Nicodemos, vencido, adora-Lhe! Que ensino!...

Na medida em que o famoso Rabi, Nicodemos, esquece-se e se desprende de seus preconceitos, de suas próprias idéias e paixões...; Na medida em que morre para si mesmo, uma luz, uma imensa luz invade todo seu ser... Quando Nicodemos apaga suas luzes, o Senhor acende a sua.

Essa será também nossa própria história. Não seremos os verdadeiros filhos da luz senão na medida em que saibamos desprender-nos, por uma perfeita imolação de espírito. A luz não chega ao fundo de uma alma senão pela cruz de Jesus. Mas, graças também às nossas próprias cruzes!... Repete-se, pois, com ligeiras variantes, a história de Saulo no caminho de Damasco: a misericórdia do Senhor nos surpreende no caminho de trevas, assalta-nos, joga-nos por terra, obriga-nos a morder o pó... Só então, humilhados e na Cruz, somos capazes de ouvir e de compreender no fundo de nossas almas estas palavras de luz inefável: “Eu sou Jesus de Nazaré!”.

Oh, se entre estes amigos do Senhor tivesse algum que lhe tema demasiado, que por isto vacila em aproximar-se, que aproxime-se sem receios, que procure a proximidade, a intimidade do Mestre!... Ah, sobretudo, que não resista ao apelo amoroso que lhe faz Jesus nesta Hora Santa... Que se tendo as doces exigências de seu Amor, tomasse a fuga, o caminho extraviado de Damasco, o Amor dos amores sairá a seu encontro, o ferirá no coração, e por esta ferida de amor penetrará a luz!

Oh, mil vezes felizes aqueles a quem fustiga e fere Jesus; felizes as almas a quem o Senhor faz chorar! Por estas lágrimas lhes revelará um dia o esplendor de sua Beleza soberana. Eterna e divina história: esta chuva de lágrimas, chuva saudável, purifica e ilumina o céu das almas, arranca a venda de escamas que, embaçando os olhos, impedia-nos de ver às claras a Jesus...

Então, sim, a alma que chorou se encontrará frente a frente com Jesus, e este lhe dirá: “Olha-me, sou Eu a luz!... Segue-me e não andarás em trevas!...”.

(Breve silêncio)
(Todos Três vezes)
Senhor, fazei que eu veja!

(Três vezes)
Senhor Deus de luz, fazei que Vos veja!

(Três vezes)
Em minha cruz e por minhas penas quero Vos ver, Jesus...

II. Dom de Misericórdia.

Para melhor apreciar este dom, o de mais aplicação prática à nossa vida, façamos algumas anotações sobre a belíssima parábola do Bom Samaritano, aplicando-a a economia do Coração de Jesus com relação às almas... Esta história é tão realmente a nossa!...

(Com unção)

Num pedaço do caminho jaz por terra, ferido, despojado, um pobrezinho... Viajantes sem entranhas vão e vêm; mas todos passam indiferentes, desditosos, a seu lado: justificam-se de tal indiferença declarando-se a si mesmos irresponsáveis da desgraça desse homem... Olham-no sem deter-se... E continuam sem alterar-se, calmos, seus caminhos... Já que o desgraçado jaz por terra e está ferido, culpa sua deve ser, parecem dizer-se interiormente todos, à medida que desfilam... E se é culpado, que deve sê-lo, pois que expie seu pecado!... Tal é a justiça que pretende fazer o mundo!

Mas tenho aqui que por fim alguém se detém: Quem será?... Uma luz suavíssima parece irradiar dele, e lhe precede... Vede: já está junto ao ferido... Que beleza de majestade dulcíssima, conquistadora, envolve toda sua pessoa!... Oh, que compaixão tão funda revela seu olhar e daí bondade indizível, arrombadora, relampagueia em seu rosto, de formosura mais do que humana!...

Ao ver-lhe se diria que é um homem que vai estourar em soluços... Oh, se diria melhor um Deus de uma ternura, mais do que imensa, infinita!... Quem pode ser senão... Jesus!... Oh, sim, é Ele!... Chama-se a Si mesmo o Homem-Deus de todas as dores, e nós lhe chamamos o Homem-Deus de todas as misericórdias... Aparece como Senhor da majestade no caminho de seus anjos..., E se apresenta como o Senhor de todas as ternuras no caminho dos mortais, dos homens, seus irmãos... Contemplai-O; inclina-se para o ferido...; Ajoelha-se a seu lado mesmo... Vede; dá-lhe a beber como refrigério suas preciosas lágrimas, e o envolve nas dobras de sua própria túnica... Ah, esse Senhor não é bom, não; Ele é a Bondade encarnada!...

Observai-O ainda; tomou-o entre seus braços; estreita-o com ternura, e, rico e ditoso com o tesouro do azarado ferido, corre..., Voa... Mas, entretanto, abraçando-o, começa a reanimá-lo, a dar-lhe nova vida ao calor de seu amante Coração!...E daí o que fará em seguida?... Conduzi-lo talvez a uma hospedaria?... Ah, não!... Leva-o a sua própria casa: dá-lhe seu lar...

Uma vez nela, não chama a gente mercenária que o cuide, nem se atreve, em seu imenso amor, a confiá-lo a seus próprios anjos... Chama a Maria, a Rainha, e o deposita suavemente entre seus braços maternais, pedindo-lhe, rogando-lhe que cuide ao filho ferido, como lhe cuidou a Ele mesmo no berço de Belém... E no cume do Calvário!... Mas ao entregá-lo assim a sua Divina Mãe, Jesus não se afasta; fica inspirando desvelos e ternuras ao lado da Rainha do Amor Formoso; não dá trégua a seu Coração de Salvador, que desvela noite e dia sobre o ditoso azarado...

Observai com que misericórdia, ajudando à celestial Enfermeira, venda Ele mesmo com suas mãos criadoras as feridas: vede como põe nelas o vinho e o azeite de seu sangue e o bálsamo extraordinário de seus beijos!... Vede como o lava e purifica na piscina de seu adorável Coração!... E uma vez convalescente, dá-lhe roupagem de príncipe! E quando são, retém-no em seu palácio, senta-o em sua mesa... Mais, bem mais ainda; trata-o como amigo íntimo, como filho amado, e um dia o declara e constitui seu herdeiro!... Não é verdade que esta é vossa história?...

Oh, quão verdadeiro é que não há senão um só Jesus, um só; mas Ele nos basta! Por isto, cedendo ao impulso de nossa imensa gratidão, cantemos e aclamemos a compaixão e a misericórdia infinita do Coração do Salvador...

(Ponde a alma inteira em cada palavra...)

As almas.

Oh, Jesus adorável, Rei, Irmão e Amigo, cremos, oh, sim. Que Vós baixastes do céu para trazer-nos a vida e para no-la dar superabundante... Cremos que viestes em procura dos enfermos gravíssimos e sem remédio, daqueles que já pareciam como náufragos abandonados...

Sim, viestes para eles, sobretudo, para saná-los, e, uma vez curados e embelezados por Vossa graça, para devolvê-los ao Pai que Vos confiou. Ai, com sentimentos de humildade e de arrependimento devemos e queremos reconhecer, Mestre adorável, que fomos nós as ovelhas extraviadas, o filho pródigo, a dracma perdida, a cana rachada, o estopim fumegante, o credor rebelde, o servidor culpado e a rocha empedernida que recusou a semente, regada com Vosso sangue!...

De joelhos, pois, e chorando nossas culpas, Vos dizemos: Perdão, Jesus, Salvador!... Perdão, Jesus, oh, Bom Pastor! Perdão, oh, Pai de misericórdia infinita pelo inúmero de infidelidades de nossa vida passada!... Perdão! Pecamos, Senhor, abusando do tesouro inesgotável de Vossa paciência e bondade... Perdão!... E para pagar agora mesmo a compaixão e caridade com que nos tratastes sem merecê-lo, quereríamos arrebatar-Vos essa mesma misericórdia, fazendo violência a Vosso doce Coração em favor de tantos outros que não Vos conhecem e Vos ultrajam... Lembrai-Vos, Jesus, que Vós mesmo no-lo destes como irmãos nossos!...

Olhai-os compassivo, Mestre, em luta desesperada e sem fruto, entre os espinhos do mundo e seus pecados... Escutai-nos, pois, benigno, oh, amável Salvador!...

Tende piedade, Senhor, daqueles meninos pequeninos ainda, mas cuja inocência pereceu já, agastada num lar sem fé e de desventura!... Pela Rainha do Belo Amor, tende piedade de todos eles!... Coração de Cristo-Rei: sede Jesus para eles todos!

(Todos)

Sede Jesus para eles todos.

Tende piedade, Senhor, de tantos jovens que, em plena luxúria, são já ramos separados, mortos da árvore da vida de teu Divino Coração!... Olhai compassivo a tantos que se revolvem no lodaçal de sensualismo e do pecado, sem jamais voltar a Vós um olhar suplicante!... Pela Rainha do Belo Amor, tende piedade de todos eles!... Coração de Cristo-Irmão: sede Jesus para eles todos!

Sede Jesus para eles todos.

Tende piedade, Senhor, de tantos lares infelizes que lutam, cantam e choram, sem as luzes nem os consolos da fé, sem a graça e fortaleza de teu santo amor!... Pela Rainha do Belo Amor, tende piedade de todos eles!... Coração de Cristo-Amigo: sede Jesus para eles todos!

Sede Jesus para eles todos.

Tende piedade, Senhor, da caravana incontável de cegos voluntários... E também de tantos outros que jamais tiveram, nem no lar, nem na escola, a graça inestimável de ouvir-Vos, de conhecer-Vos... Não esqueçais a tantos que Vos conhecem mal de nome..., A grande distância, e que não sabem, pobrezinhos, quão doce e bom sois sempre Vós... Pela Rainha do Belo Amor, tende piedade de todos eles!... Coração de Cristo-Salvador: sede Jesus para eles todos!

Sede Jesus para eles todos.

Tende piedade, Senhor, dos agonizantes, e muito especialmente daqueles que não foram perversos, senão débeis e ignorantes... Inclinai-Vos, em particular, para aqueles que tiveram caridade com os pobres e os doentes; oh. Fazei-lhes Vós mesmo caridade... Pela Rainha do Belo Amor, tende piedade de todos eles! Coração de Cristo agonizante: sede Jesus para eles todos!

Sede Jesus para eles todos.

(Pedi pela conversão de vossos entes queridos).


III. O Dom do Sagrado Coração.

Como se os inapreciáveis dons de luz e de misericórdia não bastassem para provar-nos Vossa liberalidade, eis que Jesus se propõe resumir todas sua generosidade no dom inefável, sublime de Seu Sagrado Coração.

Para explicar-nos tanta beleza, vamos uma vez mais ao Evangelho, já que a sabedoria como a eloqüência humana fica curta e em extremo pobre para dar-nos uma lição extensa. Contemplemos aquela cena cuja soberana formosura comoveu aos anjos testemunhas dela, na última Ceiar.

Jesus acaba de instituir a divina Eucaristia... Uma sombra de infinita tristeza... quase de agonia, nubla sua fisionomia adorável...: É que vê aí a Judas; o ingrato tem já em seu poder a soma que recebeu para entregar a seu Senhor. Dirias que João, o predileto, adivinhou-o tudo, lendo já esta história de perfídia nos olhos de seu Amigo Divino... E como quem se oferece para pagar com acréscimo, para consertar essa infâmia, vede como se aproxima, como se estreita a Jesus...

E mais; com uma confiança espontânea e singela descansou amorosamente sua cabeça sobre o Coração de Jesus... Ah, e certamente Jesus, comprazido e consolado, recompensou essa intimidade reclinando seu adorável Coração no de João, seu apóstolo... E seu amigo!... Nesse momento de glória se lhe confiou, sem dúvida, se lhe deu por inteiro...

E desde então, Jesus e João se uniram com vínculo eterno... Além da vida e além da morte!... Credes que João tinha direito a tanto privilégio?... Verdade é que era puro e casto de espírito e de coração, mas... Mal se então tinha começado a amar. Não tinha tido ainda, por verdadeiro, nem tempo nem oportunidade de provar a seu Mestre com obras de martírio quanto lhe amava... Ah, mas Jesus, dono de seu próprio Coração, tem o direito soberano de adiantar-se, de amar Ele primeiro... De dar gratuitamente mais amor!...

Em realidade, este é um mistério tal que nos abisma e confunde... É preciso ser Jesus para amar desta sorte, para oferecer gratuitamente um dom semelhante... E que só Ele nos pode fazer!... Mas, se desalentados vos dissésseis que tanto favor foi a recompensa à inocência de João, que as almas de lírio, como a do apóstolo predileto, são contadas...

E que não podendo apresentar nem sua pureza, nem sua generosidade, devêsseis renunciar ao dom do Coração de Jesus...; Oh. Retrata este pensamento e ponde os olhos jubilosos e assombrados em outro quadro, que completa o primeiro, que o realça... Jesus agoniza no Calvário!... A seus pés, acercado de João... Mais próximo ainda da Rainha Imaculada, está... Madalena!... A um lado, a inocência conservada, e do outro, a inocência recobrada!... E ambos, João e Madalena, por testemunha a Rainha Imaculada, recebem igualmente, em testamento supremo, o Coração de Jesus!

Quem dos dois recebeu a melhor, a ótima parte?... Quem?... Ninguém o sabe, ninguém o saberá cá abaixo senão Jesus... E por que não seriam ambos iguais em fortuna?... Por quê?... Em todo caso, esse silêncio eloquentíssimo não é senão o apelo constante, reiterado que, com ligeiras variantes, com tonalidades diferentes, chama a uns e a outros, a inocentes e a penitentes, e os urge para que em caravana imensa, incontável, avancem resolvidas e confiadamente pelo caminho do Calvário, para o Tabor de glória eterna!...

Oh!. Terminemos por isso a Hora Santa dando rédea solta a nosso júbilo, a nossa confiança e gratidão... Que nossa última prece tenha a cadência de um verdadeiro hino, cântico de louvor, de ação de graças e de amor, ao Coração de Jesus Sacramentado! Abençoastes-nos, Jesus amado, como não abençoastes jamais a Vosso passo as flores dos campos e os lírios dos vales de Vossa Pátria, e em pagamento fomos nós os espinhos de Vossa coroa! Mas não te canseis de nós; lembrar-te que sois Jesus para estes pobres desterrados.

Abençoastes-nos, Jesus amado, como não abençoastes jamais as mesas, as vinhas e os jardins de Samaria e Galileia, e nós Vos pagamos sendo tantas vezes a discórdia culpada de Vossa Igreja; mas... Não Vos canseis de nós: lembrai-Vos que Sois Jesus para estes desterrados! Oh, Jesus amado, Vosso Coração nos abençoou como não abençoastes jamais as aves do céu nem os rebanhos de Belém e Nazaré... E nós Vos pagamos fugindo de Vosso redil e temendo a brandura de Vosso cajado amorosíssimo... ; mas...

Não Vos canseis de nós; lembrai-Vos que sois Jesus para estes pobres desterrados! Oh. Neste dia venturoso, deixai-nos porque fomos ingratos contigo, Jesus Sacramentado, deixai-nos oferecer-Vos um hino de louvor no tom inspirado do Profeta-Rei; em sua lira Vos cantamos com a Mãe do Belo Amor. Espíritos angélicos e santos da Corte celestial louvem ao Senhor na misericórdia infinita com que nos cumulou. Hosana ao Criador, convertido em criatura e Hóstia por amor!

(Todos)

Hosana ao Divino Prisioneiro do amor!

Sol, lua e estrelas despregai vosso manto de luz sobre este Tabernáculo, mil vezes mais santo que o de Jerusalém, cheio da majestade de sua doçura... Louvai ao Senhor na misericórdia infinita com que nos cumulou. Hosana ao Criador, convertido em criatura e Hóstia por amor!

Hosana ao Divino Prisioneiro do amor!

Fulgor da alvorada, orvalho da manhã, luzes do crepúsculo, glorificai a majestade do silêncio do Rei e do Sacrário... Louvai ao Senhor na misericórdia infinita com que nos cumulou Hosana ao Criador, convertido em criatura e Hóstia por amor!

Hosana ao Divino Prisioneiro do amor!

Oceano aprazível, oceano em tempestade; profundidades viventes do abismo proclamai a onipotência do Cativo deste altar; louvai ao Senhor na misericórdia infinita com que nos cumulou. Hosana ao Criador, convertido em criatura e Hóstia por amor!

Hosana ao Divino Prisioneiro do amor!

Brisas perfumadas, tempestades devastadoras, flores, torrentes e cascatas cantai a formosura soberana de Jesus Sacramentado. Hosana ao Criador, convertido em criatura e Hóstia por amor!

Hosana ao Divino Prisioneiro do amor!

Neves eternas, selvas, vulcões, colinas e vales, engrandecei a magnificência do Deus aniquilado do altar...; Louvai ao Senhor na misericórdia infinita com que nos cumulou. Hosana ao Criador, convertido em criatura e Hóstia por amor!

Hosana ao Divino Prisioneiro do amor!

Criação toda inteira, vinde pressurosa em nosso auxílio; vinde a suprir nossa impotência; os humanos não sabem cantar, louvar, nem agradecer; vindee com cantares de natureza afoga o grito de blasfêmia, conserta o sopro, a indiferença do homem ingrato com a misericórdia infinita de Jesus Eucaristia. Hosana ao Criador convertido em criatura e Hóstia por amor!

Hosana ao Divino Prisioneiro do amor!

Em reparação de tantos que Lhe esquecem, amemos mais, amemos com amor mais forte do que a morte!...
Coração Divino de Jesus, venha a nós teu reino!
Uma Salve Rainha invocando a Rainha do Belo Amor.

Pai Nosso e Ave Maria pelas intenções particulares dos presentes.
Pai Nosso e Ave Maria pelos agonizantes e pecadores.
Pai Nosso e Ave Maria pedindo o reinado do Sagrado Coração mediante a Comunhão freqüente e diária, a Hora Santa e a Cruzada da Entronização do Rei Divino em lares, sociedades e nações.

(Cinco vezes)

Coração Divino de Jesus, venha a nós o Vosso reino!

Fórmula de consagração individual ao Sagrado Coração de Jesus, composta por Santa Margarida Maria
 
Eu N. vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte de meu ser senão para vos honrar, amar e glorificar. É esta minha vontade irrevogável: ser todo vosso e tudo fazer por vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto vos possa desagradar.
 
Tomo-vos, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto de meu amor, protetor de minha vida, segurança de minha salvação, remédio de minha fragilidade e de minha inconstância, reparador de todas as imperfeições de minha vida e meu asilo seguro na hora da morte. Sede, ó coração de bondade, minha justificação diante de Deus, vosso Pai, para que desvie de mim sua justa cólera.
 
Ó coração de amor!
 
Deposito toda a minha confiança em Vós, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de vossa bondade! Extingui em mim tudo o que possa desagradar-vos, ou se oponha à vossa vontade. Seja o vosso puro amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu esquecer-vos, nem separar-me de Vós. Suplico, por vosso infinito amor, que meu nome seja escrito em vosso coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como vosso escravo. Amém.