terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Incredulidade e os jovens


Se durante muito tempo não movermos uma pedra, ela se cobrirá de musgo; se deixarmos de fazer exercícios físicos, os membros ficam flácidos. O mesmo vale da fé: quem não pratica a religião, é envolvido primeiramente pelo musgo da indiferença; em seguida vêm as dúvidas; e o fim qual será? ... Fé tíbia, e talvez descrença completa.

Não deves, portanto, apenas salvaguardar tua fé; deves vivê-la. Exercita-a na oração. Reza, todas as manhãs o "Credo", lenta e devotamente. Rende graças a Deus, porque te fez nascer na verdadeira fé católica. Principalmente, porém, pratica-a por uma vida ideal que busca na religião suas forças. Como causa primordial dos desvios fundamentais da alma de muitos e muitos jovens, podemos indicar o fato de manifestarem em sua vida, um espírito de fé deploravelmente mesquinho.

A religião teórica, que se não manifesta em prática, vale tanto como um carro sem eixo.

Por essa razão compreenderás, embora te pareça curioso à primeira vista, o conselho que uma vez dei a um moço, ele se queixava: "Quisera crer, mas não posso".

- "Meu caro, faça violência à sua vontade! A fé é graça divina, mas supõe a vontade humana. Sim. Deus concede a graça; depende porém do homem querer colaborar com ela ou não. Não pode crer? Pouco importa! Repita o clamor dos apóstolos: 'Senhor, robustecei nossa fé!' (Luc. 17,5). Ou diga como o pai da criança doente: "Creio Senhor, mas aumentai a minha fé!" (Marc. 9,23). Você murmura que a oração o deixa frio, que não acha atrativo na Santa Missa, que a vida religiosa lhe é enfandonha. Ainda uma vez, pouco importa! Apesar de tudo procure seguir as orações da Missa, do princípio ao fim".

... Quando pois te atormentarem dúvidas contra a fé, embora o faças a contra-gosto, não deixes de rezar com regularidade e freqüentar os Sacramentos da Confissão e Comunhão. O jovem que reza, confessa e participa do Banquete Sagrado não perderá a fé, muito embora o assaltem as mais terríveis tentações.

Repete a miúdo esta oração:

"Senhor, não posso crer! Ou, pelo menos, parece-me que o não posso. O ceú se tolda, sobre a minha cabeça ... mas, quero crer em Vós, senhor! Quero, sim, quero crer! Ajudai-me contra a incredulidade!"

(A Religião e a Juventude - Mons Tihamer Toth)
PS: Grifos meus

Higiene Moral


Mas que o corpo, a alma precisa respirar uma atmosfera pura e nutrir-se de alimentos sãos, pois as conseqüências das moléstias da alma não se comparam com as do corpo. Além de tudo, a saúde da alma é das mais delicadas; um nada pode prejudicá-la, e para sempre.

E, no entanto, quantos rapazes passam uma boa parte do dia principalmente das noites, numa atmosfera moral irrespirável, pesada, com todos os miasmas do ceticismo e da sensualidade!

Freqüentam todos os lugares, em particular aqueles onde se aceitam os princípios da vida fácil; uma grande parte da sua força (da alma) dissipa-se em festas, salões e espetáculos. Não quer dizer que desejam o mal pelo mal: a maioria dirá, nos momentos de sinceridade, que essa existência lhes pesa, que as convicções se ressentem, que têm o coração apertado e a alma sufocada. Mas seria preciso um esforço para libertar-se dos compromissos sociais, sacudir-se um pouco e romper de face com os hábitos inveterados de moleza.

Não têm essa coragem.

... Em vez de procurar um remédio para o vazio do coração, nas afeições legítimas e nobres, e preparar-se, por um longo trabalho de purificação moral, para o futuro papel de esposo e pai, preferem alimentar toda sorte de sonhos, multiplicar relações superficiais, gastar ao acaso a provisão de sentimentos elevados e delicados adquiridos no lar.

Isso porque custa muito lutar contra paixões que despertam, reagir contra seus gostos, preservar-se, cercar-se de precauções minuciosas, em uma palavra, viver com regime, no modo de nutrir a inteligência com a verdade e o coração com sentimento viris. Alguns há, bem sei que deixam para mais tarde uma conversão brilhante. Então, sob a pressão dos acontecimentos, em face de necessidades, entrarão no bom caminho, como dizem: farão marcha à ré e abismarão a sociedade pela honestidade dos costumes e pela força das convicções.

Que perigosa utopia!

Dá-se o mesmo com a saúde da alma e com a saúde do corpo. Quando se passou a mocidade minando-a, vivendo em ambientes deletérios, intoxicando-se cada dia como por prazer; quando se rompeu de todos os modos, por abusos atrozes, o equilíbrio das funções essenciais da vida, não é de um dia para outro que será possível refazer-se, restabelecer o equilíbrio comprometido.

(A educação do caráter – Pe. Gillet)
PS: Grifos meus

Os filhos medrosos


Há medos instintivos: como a galinha foge ao ver pela primeira vez a raposa, o homem recua diante do que lhe representa perigo. Quando o perigo é determinado e conhecido, o medo revigora o homem para a luta ou para a fuga. Quando, porém, a pessoa teme sem saber ao certo o que nem porque, não tendo para onde fugir, toma o tormentoso caminho da angústia.

É instintivamente que as crianças de dois meses estremecem com ruídos súbitos ou com uma luz mais viva que de repente se acende. E mais tarde choram em face de um desconhecido, correm de animais, recuam ante o fogo, gritam quando as suspendem bruscamente ou as giram, etc.

Medo ao desconhecido

Tudo o que é súbito, intenso ou desconhecido produz medo à criança. É por isso que seus terrores são tanto mais numerosos quanto maior é sua ignorância das coisas. Vejam como se apavora facilmente um pequenino de dois a quatro anos. À medida que ele for tomando conhecimento da vida, vai perdendo muitos medos, a menos que uma errada educação os agrave e multiplique.

Ensina-se o medo

A criança é extremamente sugestionável: aprende com facilidade o que vê e escuta.
Se vê a mãe subir à cadeira por causa de uma barata, o pai espavorido com o número 13, as irmãs apavoradas com o trovão, etc., é natural que tome as mesmas ridículas atitudes. Assim se explicam os idiotas pavores de escuro, máscaras, cor preta, soldado, velho mendigo, sangue, etc.
Do ambiente doméstico lhe vêm outros medos: lobisomem, fantasmas, almas de outro mundo, cadáveres, doenças, micróbios, tabus alimentares, supertições mil, personagens imaginários e até reais, mas que antes devem infundir simpatia – soldado, padre, médico, dentista, mendigo...

Há medos cultivados pelos adultos. Pais, incapazes de se fazerem obedecer, apelam para intimidações; empregadas, para acalmarem as crianças, ou as fazerem comer, dormir, etc., ameaçam-nas com a guarda ou bicho-papão! Mães os sugerem a ponto de deformar a criança.

As sugestões provêm também de histórias macabras, filmes impressionantes (entre estes citamos os “infantis” “Branca de Neve” e “Chapeuzinho Vermelho”), certas revistas de quadrinhos, que vão povoando a imaginação das crianças de cenas de violências e sangue, de personagens agressivos e medonhos, e de perigos que ameaçaram outras crianças.

Recomendações excessivas

- "Não subam nas árvores, para não caírem"
- "Não joguem bola, para não se feriem"
- "Não corram na bicicleta, para não quebrarem a espinha"
- "Não se debrucem na janela, que é muito perigoso"
- "Não tomem chuviscos, para não ficarem tuberculosos"

São lições de poltroneria, de falta de iniciativa, de caráter varonil! O que vale é que, em sua maioria, as crianças as desprezam... E se as não desprezam prejudicam-se!

Vida doméstica

Calma e tranqüila, a vida da família espalha nas crianças confiança e bem-estar. Agitada e procelosa, infunde-lhes desassossego e insegurança, levando-as ao medo difuso, gerador de angústias. Se a família é agitada por brigas do casal, por cenas de alcoolismo ou perturbação mental, não admira sejam os filhos agitados por sobressaltos ao menor ruído ou alteração de vozes...

Evitemos o medo

Não pretendemos extirpar da criança todos os medos. Não creio que seja isto possível aos adultos normais. Por mais fortes que sejamos, temos sempre algum medo, embora não o confessemos com facilidade, pois não é lá muito honroso... Procuremos, contudo, evitá-lo nas crianças.

Dar segurança

Um ambiente de segurança, em que os adultos não falem de medos e não os tenham desnecessariamente, é condição essencial. Medo gera medo; segurança estabelece segurança. Amadas, felizes, sentir-se-ão em garantia as crianças. Mesmo em face de perigos, portem-se os pais com moderação e tranqüilidade, sem espantos, porque espanto produz medo.

Ambiente normal

Dê-se aos pequeninos um ambiente normal, habituando-os aos rumores comuns da casa (sem exagerados silêncios para dormirem), à meia luz do quarto para repouso diurno, à escuridão para a noite (e assim se elimina o medo à escuridão).



A criança forte

É necessário dar à criança confiança em si : sono suficiente, alimento, exercício físico, jogos de bola, corrida, exercícios de bicicleta... Isso lhe dá segurança. Arranhou? Mercúrio-cromo... Quebrou? Engessa... Se os companheiros fazem isto tudo, e ela não o faz, por medo, sentir-se-á inferiorizada. O essencial é educar uma criança sadia de corpo e espírito.

ão meter medo

Vigiar para não se falar do que mete medo às crianças; nem a família, nem as empregadas. E quando elas o ouvirem de estranhos, reduzir as coisas a suas verdadeiras dimensões, apontando o ridículo dos que temem o inofensivo.

Não ridicularizar

Quando a criança tem medo (é impossível não o ter), evite-se ridicularizá-la. Mesmo que não haja motivo real, há o subjetivo: ela vê o perigo, porque crê nele! Ridicularizar outros medrosos está certo; a própria criança não, porque isso a inibe e a inferioriza.

Confiança em Deus

Nós, que não compreendemos a educação sem o fator religioso, devemos valorizar, com a criança, a confiança em Deus: Ele nos protege. Pense a criança em Deus, invoque-O, e fique tranqüila.

Temores benéficos

Sempre que haja um perigo real, a criança deve saber temê-lo, a fim de evitá-lo. O melhor será saber com evitá-lo... A boa educação requer que não apenas se conheçam os perigos, mas se saiba evitá-los – preparando a criança para isto.

O temor de Deus

O grande temor de que o educador deve impregnar seus pupilos é aquele a que o Espírito Santo chama “o princípio da sabedoria” (Prov. 1,7). Quem tem na alma, firme e profundo, o temor de Deus, está em condições de resistir a todos os perigos e vencer todos os temores.

Teme-se o pecado, porque é ofensa ao Pai, muito mais do que pela conseqüência de levar ao inferno. Teme-se o perigo de pecar, porque as fragilidades da natureza não precisam mais de experiências para prová-las. Teme-se as más companhias, porque são elementos de perdição mais perniciosos que o próprio demônio.

Educar para o temor de Deus é educar para a sabedoria, porque o “temor do Senhor é a própria sabedoria” (Jo 28,28). É educar para o horror ao mal e o amor ao bem. É educar para a coragem, a fortaleza, a energia, a coerência – virtudes que estão faltando assustadoramente a nossos contemporâneos. É preparar homens que, em face do dever, saberão cumpri-lo sem olhar conveniências subalternas, porque desconhecem o medo da opinião alheia e não se apavoram dos instáveis julgamentos humanos.

É para esta educação que nos devemos orientar.

(Corrija o seu filho – Mons. Álvaro Negromonte)
PS: Grifos meus

Hipocrisia


Supõe-se geralmente que a melhor maneira de um indivíduo se tornar popular é dizer coisas que não sente, ou colocar um véu entre o pensamento e os lábios, ou ainda divorciar os pensamentos das ações. Os lábios pronunciam palavras doces, embora as mãos empunhem estiletes; as palavras são para os ouvidos e os estiletes para as costas do semelhante.

Psicologicamente, aqueles que são manifestamente fingidos, conhecem-se através de três processos: primeiro, apertam-nos as mãos quase até os cotovelos e chegam o seu rosto ao nosso, com um sorriso que parece dizer: "Veja como eu sou simpático!". Ou então, gritam a saudação num tom calculado, de maneira a substituir a sinceridade pela força da expressão. As crianças não têm esta duplicidade, porque são naturais, e a duplicidade é adquirida. Se a mãe recomendar ao menino que diga ao estranho que bate à porta "a mãe não está em casa", ele dirá pela certa: "a mãe manda dizer que não está em casa".

... O desenrolar do filme da hipocrisia implica a perda da simplicidade que conquista o céu. Há circunstâncias em que é realmente muito difícil exprimir um ponto de vista com sinceridade, sem se correr o risco de ser grosseiro ou desagradável. Isto sucede, por exemplo, ao marido a quem se pergunta se gosta do chapéu novo da sua mulher, ou se lhe agrada o penteado italiano que ela usa agora, e que a ele se lhe afigura macarrão emaranhado. As mulheres, ao verem qualquer coisa do que não gostam, mostram-se extasiadas e encobrem com elogios aquilo que realmente pensam.

Em idênticas circunstâncias, os homens exprimem-se geralmente por monossílabos, ou limitam-se a soltar uma espécie de grunhido, aliás expressivo.

... A lisonja é uma variante da hipocrisia e manifesta-se sob dois aspectos: adulação e intrujice. A primeira é a verdade envernizada , a segunda é a mentira sem polimento.

A adulação é a lisonja leve que agrada; a intrujice é a lisonja tão pesada que chega a tornar-se odiosa... A porção da lisonja que alguém possa empregar perante outrem, depende da exaltação que pretende conquistar para si próprio, ou da proporção em que deseja aquele que o escuta.

Raros são, porém, os indivíduos que conseguem revestir a lisonja de tal sobriedade que logren iludir e levar o lisonjeado a pedir: "Diga isso outra vez...".

... A falta de sinceridade menos grave é aquela que nos leva a prometer constantemente coisas que não tencionamos cumprir. Exemplifiquemos com este convite: "Venha jantar conosco qualquer dia". A resposta igualmente amável e falha de sinceridade, é esta: "Sim, irei qualquer dia". A falta de franqueza está na expressão indefinida "qualquer dia", e que realmente significa:"esperamos que não aceite".  Por sua vez, a resposta também quer dizer: "nem eu faço tenção de ir".

No extremo oposto destar formas de hipocrisia estão aquelas que implicam insulto, grosseria, desprezo, desdém, enormidades que se soltam pela boca foram, à conta de franqueza, candura e honestidade.
Estas gabam-se de que não receiam a opinião pública, nem tão pouco temem o que os outros possam pensar. Afirmam que procedem assim "para nosso bem", e são tão sinceros que não se importam de dizer aquilo que os nossos melhores amigos escondem.

Mal sabem eles que a sua prontidão para criticar não passa de uma máscara com que procuram encobrir a sua personalidade; receosos de que os outros apontem a sua fraqueza, mantêm-nos à distância., desencadeando o seu ataque venenoso.

Sinceros são aqueles que possuem um conjunto de virtudes igualmente honestas quando falam e quando escutam; que têm silêncio tão valioso como as palavras; que não são opacos como as cortinas, mas sim transparentes como vidros bem polidos. Estes falam, sabendo que algum dia hão-de ser julgados por Deus e obrigados a dar contas de todas as palavras vãs. Este conhecimento fá-los amar a Verdade e, porque a amam, são sempre amáveis e caritativos.

(Paz e espírito - Arcebispo Fulton J. Sheen)
PS: Grifos meus.

domingo, 15 de novembro de 2009

Pela integridade do "lírio" !



Jovem, sê ufano e intrépido! A todo o pecado, a toda a baixeza, responde: Ad maiora natus sum. Não toleres que a juventude pátria viva no pecado, na idade de quinze anos; que esteja envelhecida aos dezoito anos, e paralisada aos vinte e um. Pois, se assim for, a bandeira da pátria será desonrada.

... Acima das leis da estética, há as leis da moral; tudo que favorece a força moral do homem é ato patriótico; tudo o que o ataca é infame traição. O sexto mandamento é um broquel para as forças da nação. Também para nós se verifica o que Salviano disse do Império Romano: "Seus inimigos não puderam vencê-lo; só o pecado o pode. Perdemos muito sangue na guerra; porém o envenenamento do sangue é cem vezes pior..."

Meus filhos, hoje a pátria sois vós. A pátria não é uma carta geográfica, não é uma montanha, uma planície. A semente do futuro da pátria pulsa no vosso sangue, educa-se para a vida, torna-se realmente viva, ou então vai à ruína, ao lado das vossas forças desperdiçadas. A integridade da pátria só será conquistada pela beleza de sua alma, pela integridade do lírio.

O futuro da nação só pode ser construído pela mocidade que não procura na lama a sua alegria, e que não prodigaliza a sua força em bacanais noturnas; por essa juventude forte e rigorosa para consigo mesmo; por essa mocidade de olhos brilhantes, de firme ideal; por essa mocidade que não dobra covardemente a cerviz ante a tentação, e que pode enfrentar os botes da luxúria com semblante audaz e firmeza de caráter, mantendo sempre a sua integridade moral.

(O brilho da mocidade - Dom Tihamer Toth)

PS: Grifos meus

Difundir bons livros - Dom Bosco


Turim, 19 de março de 1885,
Festa de São José.

Caríssimos filhos em Jesus Cristo,

Deus é que sabe quão grande é o meu desejo de vê-los, estar com vocês, falar das nossas coisas, desfrutar a confiança que nos une os corações. Infelizmente, caríssimos filhos, minhas poucas forças, as seqüelas de velhas doenças, negócios urgentes que me chamam à França, impedem-me de secundar, ao menos por ora, os impulsos do afeto que tenho por vocês.

Não podendo, então, visita-los pessoalmente, faço-o por carta, certo de que apreciarão a lembrança constante que guardo de vocês, que são minha esperança, minha glória e arrimo. Por isso, desejando vê-los crescer cada dia mais em zelo e merecimentos diante de Deus, não deixarei de sugerir-lhes, de quando em quando, os meios que julgo melhores para que o ministério de cada um se torne sempre mais frutuoso.

Um deles, que pretendo recomendar-lhes vivamente, para a glória de Deus e a salvação das almas, é a difusão dos bons livros. Não receio chamar divino a este meio. O mesmo Deus se valeu dele para regenerar o homem. Foram os livros inspirados que levaram ao mundo a verdadeira doutrina. Quis ele em que em todas as cidades e aldeias da Palestina houvesse suficiente quantidade de exemplares, e que fossem lidos todos os sábados nas assembléias religiosas.

Eram, a principio, patrimônio exclusivo do povo judeu. Quando, porém, as tribos foram levadas em cativeiro à Assíria e à Caldeia, a Sagrada Escritura foi traduzida em língua sírio-caldaica, desta maneira toda a Ásia Central pôde tê-la na própria língua. Ao prevalecer o poderio grego, os judeus plantaram colônias em todos os recantos da terra. Com elas, multiplicaram-se ao infinito os Livros Santos. Com sua versão os Setenta enriqueceram as bibliotecas dos povos pagãos. Desta maneira, oradores, poetas, filósofos da época colheram na Bíblia muitas verdades. Deus ia preparando o mundo para a vinda do Salvador, principalmente com seus livros inspirados.


Cabe a nós imitar a obra do Pai Celeste. Os livros bons, espalhados entre o povo, são um dos meios apropriados para manter o reino do Salvador em muitos corações. Os pensamentos, os princípios, a moral de um livro católico são substância extraída dos livros divinos e da tradição apostólica. São tanto mais necessário na medida em que a impiedade e a imoralidade se servem dessa arma para destruir o rebanho de Cristo, para levar e arrastar à perdição os incautos e os desobedientes.

Necessário se faz, pois, opor arma a arma. Acresce ainda que se o livro não tem a força viva da palavra, oferece, entretanto, em determinadas circunstâncias, vantagens ainda maiores. Entra nas casas onde não pode entrar o sacerdote. Toleram-no os maus, como lembrança ou presente.  Ao apresentar-se não enrubesce. Posto de lado, não inquieta. Lido, ensina com calma a verdade.

Desprezado, não se lamuria, mas semeia o remorso, que pode despertar o desejo de conhecer a verdade, sempre pronto a ensinar. Por vezes deixa-se ficar empoeirado numa mesa ou biblioteca, sem que ninguém se interesse por ele. Mas, ao sobreviver a hora da solidão, da tristeza, da dor, do tédio, da necessidade de lazer ou da preocupação para o futuro, este amigo fiel sacode o pó, abre as páginas, e se renovam as admiráveis conversões de Santo Agostinho, do Beato Columbano e de Santo Inácio.

Compreensivo com os inibidos pelo respeito humano, entretém-se com eles sem que ninguém perceba; para os bons é de casa, disposto sempre a dialogar; acompanha-os em qualquer momento ou lugar. Quantas pessoas foram salvas pelos livros bons, quantas preservadas do erro, encorajadas ao bem. Quem dá um livro bom, outro mérito não tivesse que o de despertar um bom pensamento, já muito mereceria diante de Deus. Entretanto, resultados ainda maiores se colhem. Se numa família o livro não for lido por aquele ao qual é destinado ou doado, sê-lo-á pelo filho ou pela filha, pelo amigo ou pelo vizinho. Um livro passa, às vezes, por dezenas de mãos.

Só Deus conhece o bem que faz um bom livro em certos ambientes, numa biblioteca circulante, numa sociedade operária, num hospital, quando oferecido com prova de amizade. Não devemos recear que um livro não seja aceito só pelo fato de ser bom. Pelo contrário. Um nosso irmão de Congregação, sempre que ia ao porto de Marselha, levava provisão de bons livros para dá-los aos carregadores, aos estivadores, aos marinheiros. Pos bem, todos recebiam com alegria e gratidão esses livros, que algumas vezes eram logo lidos com viva curiosidade.

Postas estas observações, e deixando de lado muitas outras que vocês já conhecem, vou apontar-lhes os motivos pelos quais se devem empenhar com todas as forças e meios na difusão dos bons livros. Não só como católicos, mas especialmente como salesianos.

1. Foi este um dos principais empreendimentos que a Divina Providência me confiou. Todos sabem como nele me empenhei com incansável vigor, não obstante tantas outras ocupações. O ódio raivoso dos inimigos do bem, a perseguição contra minha pessoa provam que o erro vê nos bons livros um temível adversário, uma iniciativa de Deus.

2. A admirável difusão desses livros é, com efeito, um argumento para provar a assistência especial de Deus. Em menos de trinta anos, montam a cerca de vinte milhões de fascículos ou volumes que difundimos entre o povo. Se algum livro foi posto de lado, outros terão tido uma centena de leitores cada um, e assim, o número de pessoas às quais nossos livros fizeram bem pode ser avaliado com certeza muito maior que o de volumes publicados.

3. A difusão dos bons livros e um dos fins principais da nossa Congregação. O artigo 7 do parágrafo primeiro das nossas Regras diz que os salesianos “se empenharão em difundir bons livros entre o povo, usando todos os meios que a caridade cristã inspirar. Procurarão, com palavras e escritos, erguer um dique contra a impiedade e a heresia que de tantas maneiras tenta insinuar-se entre os rudes e ignorantes. Para tal fim devem orientar-se as pregações que de tanto em tanto se fazem ao povo, os tríduos, as novenas e a difusão dos bons livros.”

4. Entre os livros por divulgar, proponho escolher os que são tidos como bons, morais e religiosos, dando-se preferência às obras que saem das nossas tipografias, quer porque a vantagem material que se obtém transforma-se em caridade com a manutenção dos nossos meninos pobres, quer porque as nossas publicações tendem a formar um sistema ordenado, que abraça em vasta escala todas as classes da sociedade. Não me detenho neste ponto.

Destaco, porém, com verdadeira complacência, uma classe apenas, a dos meninos, à qual procurei sempre fazer o bem, com a palavra viva e com a imprensa. Mediante as Leituras Católicas, além de instruir o povo, visava entrar nas casas, tornar conhecido o espírito reinante em nossos colégios e atrair os meninos à virtude, especialmente com as biografias de Sávio, Besucco e outros.

Com o Jovem Instruído, queria levá-los à Igreja, instilar-lhes o espírito de piedade atrai-los à freqüência aos sacramentos. Pela coleção dos clássicos italianos e latinos expurgados, a História da Itália e outros livros históricos ou literários, desejei sentar-me ao lado deles na aula e preservá-los de tantos erros e paixões que lhes seriam fatais no tempo e na eternidade.

Desejava, com o tempo, ser-lher companheiro nas horas de recreio; planejei, então, uma série de livros amenos, que espero não tardem avir à luz. Com o Boletim Salesiano, finalmente, entre as muitas finalidades, tive também esta: manter vivo nos meninos que voltavam às suas famílias o amor ao espírito de S. Francisco de Sales e às suas máximas, e fazer deles próprios os salvadores de outros meninos. Não afirmo haver atingido perfeitamente meu ideal; digo-lhes, sim, que toca a vocês coordená-lo de modo que se complete em todas as suas partes.

Peço-lhes e esconjuro-os, pois, que não descuidem esta parte importantíssima da nossa missão. Comecem-na não só entre os meninos que a Providência nos confiou, mas, com a palavra e com o exemplo, façam deles outros tantos apóstolos da difusão dos bons livros.

No princípio do ano, os alunos, os novos sobretudo, se entusiasmam com a proposta de nossas assinaturas, tanto mais quanto vêem que se trata de quantia bem diminuta. Procurem, porém, que elas sejam espontâneas, de maneira alguma impostas.

Com exortações convincentes, levam os jovens a serem assinantes, não só em vista do bem que os livros lhes farão, mas também com relação ao bem que podem fazer aos outros mandando-os para casa, ao pai, à mãe, aos irmãos, aos benfeitores, à medida que vão sendo publicados. Também os parentes pouco praticantes da religião se comovem à lembrança de um filho, de um irmão distante.

Procurem, porém, que essas remessas não tomem nunca a aparência de sermão ou de lição aos parentes, mas sempre e somente de um carinhoso presente e de afetuosa lembrança. Quando em casa, presenteando-os aos amigos, emprestando-os aos parentes, dando-os com retribuição de um serviço, cedendo-os ao pároco para que os distribua, procurando novos assinantes, estarão aumentando o mérito das boas obras.


Convençam-se, meus filhos queridos, de que tais iniciativas haverão de atrair sobre vocês e nossos meninos as mais escolhidas bênçãos de Deus.

Vou terminar. Tirem vocês mesmos a conclusão desta carta, procurando que nossos jovens venham haurir os princípios morais e cristãos principalmente em nossas publicações, evitando desprezar os livres dos outros. Devo, porém, dizer-lhes que meu coração ficou magoado quando soube que em algumas das nossas Casas eram desconhecidas algumas vezes ou tidas em nenhuma conta as obras que editamos justamente para a juventude. Não amem nem façam com que outros amem aquela ciência que no dizer do Apóstolo inflat (incha).

Lembrem que santos Agostinho, já bispo, conquanto mestre exímio em letras e orador eloqüente, preferia as impropriedades de linguagem e a pouca elegância de estilo ao risco de não ser compreendido pelo povo.

A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja sempre com vocês.
Rezem por mim. Muito afeiçoado em Jesus Cristo

João Bosco

(Publicado em - "Boletim Salesiano" - Edição Brasileira nº 3 – Maio/Junho 1989)
PS: Grifos meus

Educar para a vida real


A educação deve aparelhar a criança para a vida ... para a vida real, para a vida como é com qualquer homem neste mundo... Ora, sabemos por experiência que viver é lutar, que nosso peregrinar é tecido de óbices, de "urzes e espinhos", como se expressaria a Escritura.

"Cada qual deve carregar sua cruz; cruzes deparam-se em qualquer lugar; em se fugindo de uma, outra se há de fatalmente encontrar", assevera a Imitação.

É preciso, pois, ensinar-se ao jovem a suportar o peso da vida, a trilhar "o caminho real da santa cruz". Acostumemo-lo a oferecer a Deus os contratempos leves ou fortes de todo dia. O calor é muito ou o frio, está nevando ou chovendo, tem-se fome ou sede... Deve-se habituá-lo a agüentar tudo isso sem resmungos.

(Pais e mestres- Irmão Leão)

Das relações entre esposos cristãos - Parte Final


Algumas passagens da Sagrada Escritura : Sobre a importância da submissão da mulher

1- “A mulher casada está legalmente ligada ao marido enquanto ele vive. Se morre o marido, fica livre da autoridade do marido.” (Rm. 7,2)

2- “Mulheres, submetei-vos aos maridos, como pede o Senhor. Marido amai vossas mulheres e não as irriteis.” (Col. 3, 18-19)

3- “Da mesma forma, as mulheres vistam-se decentemente, se enfeitem com modéstia e sobriedade: não com tranças com ouro e pérolas, com vestes luxuosas, mas com boas obras, como convém a mulheres que se professam religiosas. A mulher deve aprender em silêncio e submissa. Não admito que a mulher dê lições ou ordens ao homem. Esteja calada, pois Adão foi criado primeiro e Eva depois. Adão não foi seduzido; a mulher foi seduzida e cometeu a transgressão. Mas se salvará pela maternidade, se conservar com modéstia a fé, o amor e a consagração.” (I Tim. 2, 9-15)

4- “Como em todas as assembléias de consagrados, as mulheres devem calar na assembléia, pois não lhes é permitido falar, mas devem submeter-se como prescreve a lei: se querem aprender algo, perguntem a seus maridos em casa. É vergonhoso que uma mulher fale na assembléia.” (I Cor. 14, 33b-35)

5- “Recordo tua fé sincera, que estava presente antes de tudo em tua avó Loide, depois em tua mãe Eunice, e agora tenho certeza de que está presente em ti”.(II Tim. 1,5) [catecismo na família]

6- “Da mesma forma, as anciãs tenham postura digna da religiosidade; não sejam escravas da maledicência nem da bebida; sejam boas mestras [fazer paralelo com a passagem anterior II Tim. 1,5], capazes de ensinar as jovens a amar os maridos e os filhos, a ser moderadas, castas, laboriosas, bondosas, submissas ao marido; de modo que a palavra de Deus não fique desprestigiada. Exorta também os jovens a serem moderados. Em tudo apresenta-te como modelo de conduta: íntegro e grave no ensinamento, propondo uma mensagem sã e irreprovável, de modo que o adversário fique confundido por não encontrar nada de que nos acusar.” (Tito 2, 3-9)

7- "As mulheres sejam sujeitas a seus maridos, como ao Senhor: porque o marido é a cabeça da mulher, assim como Cristo é a cabeça da Igreja, seu corpo, de que Ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres o estejam em tudo a seus maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, depois de a haver purificado na água batismal, com a palavra, para a fazer aparecer diante de si, essa Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem outro algum defeito semelhante, mas santa e imaculada. É assim que também os maridos devem amar as suas mulheres, como seus próprios corpos...; e a mulher reverencie a seu marido" ( Ef. 5,22-33)

8- "Sejam as mulheres submissas a seus maridos, de sorte que, se alguns deles não acreditam na palavra, sejam ganhos pelo procedimento de suas mulheres, sem o auxílio da palavra, quando consideram a vossa vida santa, cheia de temor de Deus. Seu adorno não consista exteriormente em toucados, em adereços de ouro, em requintes no trajar; mas antes [ornai] a índole humana que se oculta dentro do coração, com a pureza de sentimentos pacíficos e modestos, que são preciosos aos olhos de Deus. Desta forma se ornavam, antigamente, as mulheres santas que em Deus punham sua esperança, e viviam submissas a seus maridos, assim como Sara obedecia a Abraão , a quem chamava de seu senhor" (I Pr 3, 1ss)

9- “Mulher laboriosa é coroa do marido, a da má fama é cárie nos ossos” (Prov 12,4)

10 - “Não tropeces pela beleza de uma mulher nem te deixes caçar por suas riquezas: é uma infâmia e uma vergonha que a mulher sustente o marido.”(Eclesiástico 25, 21-22)

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Oração rezada na Missa de Casamento

"Oremos: Ó Deus, que por vosso poder soberano criastes do nada todas as coisas e que, após ter estabelecido a ordem universal, criastes o homem à vossa imagem e lhe destes a companhia inseparável da mulher, cujo corpo teve como princípio a carne do próprio homem, para assim nos ensinardes que jamais se pode separar o que vós criastes na unidade; Deus que por meio de tão grande mistério consagrastes a união conjugal, símbolo sagrado de união íntima que existe entre Cristo e a Igreja; vós por quem a mulher une-se ao homem formando uma sociedade constituída de maneira que possa merecer aquelas bênçãos do Céu que não retirastes da humanidade não obstante a culpa original e o castigo do dilúvio: olhai benignamente sobre esta vossa serva que, no momento que abraça o matrimônio, implora vossa proteção.

Fazei que este jugo seja de amor e de paz! Que ela se despose em Cristo com fidelidade e castidade, e seja imitadora das santas mulheres. Seja amável a seu esposo, como Raquel; prudente como Rebeca; viva longamente e na fidelidade, como Sara. Que o autor do mal não consiga nela vitória alguma; que ela permaneça fiel e observe os mandamentos; observe a fidelidade fugindo de contatos ilícitos; robusteça sua fraqueza com a força da disciplina; seja modesta, amante do pudor, instruída na sã doutrina: tenha numerosa prole e se conserve virtuosa e inocente; alcance o repouso dos bem-aventurados e o reino celestial; ambos possam ver os filhos de seus filhos até a terceira e a quarta geração, chegando a uma velhice abençoada. Pelo menos Nosso Senhor.
 R. Amém."

(Missal Romano Quotidiano; Latim-Português; Edições Paulinas, 1959; Missa Pro Sponso et Sponsa, págs. 1299-1300)

PS: Grifos meus e as palavras entre [ ] são minhas.

Ver também:

sábado, 14 de novembro de 2009

Das relações entre esposos cristãos - III Parte de IV


- A ordem no amor

25. Com este mesmo amor se devem conciliar tanto os outros direitos como os outros deveres do matrimônio, de modo que sirva não só como lei de justiça mas também como norma de caridade aquela palavra do Apóstolo: “O marido dê à mulher aquilo que lhe é devido; igualmente a mulher ao marido” (1 Cor 7, 3).

26. Ligada, enfim, com o vínculo desta caridade a sociedade doméstica, florescerá necessariamente aquilo que Santo Agostinho chama a ordem do amor. Essa ordem implica de um lado a superioridade do marido sobre a mulher e os filhos, e de outro a pronta sujeição e obediência da mulher, não pela violência, mas como a recomenda o Apóstolo com estas palavras: “Sujeitem-se as mulheres aos seus maridos como ao Senhor; porque o homem é cabeça da mulher, como Cristo é cabeça da Igreja”. (Ef 5, 22-23).

27. Tal sujeição não nega nem tira à mulher a liberdade a que tem pleno direito, quer pela nobreza da personalidade humana, quer pela missão nobilíssima de esposa, mãe e companheira, nem a obriga a condescender com todos os caprichos do homem, quando não conformes à própria razão ou à dignidade da esposa, nem exige enfim que a mulher se equipare às pessoas que se chamam em direito “menores”, às quais, por falta de maior madureza de juízo ou por inexperiência das coisas humanas, não se costuma conceder o livre exercício dos seus direitos; mas proíbe essa licença exagerada que despreza o bem da família, proíbe que no corpo desta família se separe o coração da cabeça, com grande detrimento de todo o corpo e perigo próximo de ruína. Se efetivamente o homem é a cabeça, a mulher é o coração; e, se ele tem o primado do governo, também a ela pode e deve atribuir-se como coisa sua o primado do amor.

- Hierarquia doméstica

28. O grau e o modo desta sujeição da mulher ao marido pode variar segundo a variedade das pessoas, dos lugares a dos tempos; e até, se o homem menosprezar o seu dever, compete à mulher supri-lo na direção da família. Mas em nenhum tempo e lugar é lícito subverter ou prejudicar a estrutura essencial da própria família e a sua lei firmemente estabelecida por Deus.

29. Da observância desta ordem entre o marido e a mulher já falou com muita sabedoria o nosso predecessor Leão XIII, de feliz memória, na Encíclica que já recordamos acerca do Matrimônio Cristão:
O marido é o chefe da família e a cabeça da mulher; e esta, portanto, porque é carne da sua carne e osso dos seus ossos, não deve sujeitar-se a obedecer ao marido como escrava, mas como companheira, isto é, de tal modo que a sujeição que lhe presta não seja destituída de decoro nem de dignidade. Naquele que governa e naquela que obedece, reproduzindo nele a imagem de Cristo e nela a da Igreja, seja, pois, a caridade divina a perpétua reguladora dos seus deveres” (Enc. Arcanum, 10 de fev. de 1880).

30. São estas, portanto, as virtudes que se compreendem no bem da fidelidade: unidade, castidade, caridade, nobre e digna obediência; palavras que querem dizer outras tantas vantagens dos cônjuges e do seu casamento, enquanto asseguram ou promovem a paz, a dignidade e a felicidade do matrimônio. Não admira, pois, que esta fidelidade seja sempre considerada entre os insignes benefícios próprios do matrimônio.

- A emancipação da mulher

75. Os mesmos mestres do erro, que por escritos e por palavras ofuscam a pureza da fé e da castidade conjugal, facilmente destroem a fiel e honesta sujeição da mulher ao marido. Ainda mais audazmente, muitos deles afirmam com leviandade ser ela uma indigna escravidão de um cônjuge ao outro; visto os direitos entre os cônjuges serem iguais, para que não sejam violados pela escravidão de uma parte, defendem com arrogância certa emancipação da mulher, já alcançada ou por alcançar.

Estabelecem, mais, que esta emancipação deve ser tríplice: no governo da sociedade doméstica, na administração dos bens da família e na exclusão e supressão da prole, isto é, social, econômica e fisiológica. Fisiológica por quererem que a mulher, de acordo com sua vontade, seja ou deva ser livre dos encargos de esposa, quer conjugais, quer maternos (esta mais do que de emancipação deve apodar-se de nefanda perversidade, como já suficientemente demonstramos). Emancipação econômica por força de que a mulher, ainda que sem conhecimento e contra a vontade do marido, possa livremente ter, gerir e administrar seus negócios privados, desprezando os filhos, o marido e toda a família. Emancipação social, enfim, por se afastarem da mulher os cuidados domésticos tanto dos filhos como da família, para que, desprezados estes, possa entregar-se até às funções e negócios públicos.

- Caminho da corrupção

76. Todavia, esta emancipação da mulher não é verdadeira nem é a razoável e digna liberdade que convém à cristã e nobre missão de mulher e esposa; é antes a corrupção da índole feminina e da dignidade materna e a perversão de toda a família, porquanto o marido fica privado de sua mulher, os filhos de sua mãe, a casa e toda a família de sua sempre vigilante guarda. Pelo contrário, essa falsa liberdade e essa inatural igualdade com o homem redundam em prejuízo da própria mulher; porque, se a mulher desce daquele trono real a que dentro do lar doméstico foi elevada pelo Evangelho, depressa cairá na antiga escravidão (se não aparente, certamente de fato), tornando-se, como no paganismo, mero instrumento do homem.

- Justa igualdade

77. Esta igualdade de direitos, porém, que tanto se exagera e se enaltece, deve reconhecer-se em tudo o que é próprio da pessoa e dignidade humana, e que resulta do pacto nupcial e está na essência do matrimônio; nestas coisas certamente ambos os cônjuges gozam inteiramente do mesmo direito e estão ligados pelo mesmo dever; quanto ao resto, deve existir certa desigualdade e moderação, que o próprio interesse da família e a necessária unidade e firmeza da ordem e da sociedade doméstica requerem.

(Partes da Encíclica Casti Connubii - Sobre o Matrimônio Cristão - Papa Pio XI)
PS: grifos meus

Das relações entre esposos cristãos! - Parte II


Noção do Matrimônio:
1. Nome

Chama-se "Matrimônio", porque o fim principal que a mulher deve propor-se, quando casa, é tornar-se mãe. Noutros termos: porque a função própria de uma mãe é conceber, dar à luz, e criar a sua prole. Chama-se também "conjúgio", do étimo latino "conjungere", porque a legítima esposa e o marido ficam, por assim dizer, ligados um ao outro, por meio de um jugo comum.

Dá-se-lhe, afinal, o nome de "núpcias" (do latim: núbere = velar, cobrir com um véu), porque no dizer de Santo Ambrósio as donzelas costumam cobrir-se com um véu, em sinal de recato; ao mesmo tempo, davam assim a entender que deviam obediência e submissão a seus maridos. (Ambros. de Abraham 1,9)

VII. Deveres dos conjugês:
1. do marido

É, pois, dever do marido tratar sua mulher com bondade e consideração. Importa-lhe recordar que Adão chamou Eva de companheira, quando dizia: "A mulher que me destes por companheira". (Gn3,12)
Por esse motivo, como ensinaram alguns dos Santos Padres, ela não foi formada dos pés, mas da ilharga do homem; da mesma forma, não foi tirada da cabeça, para reconhecer que não era senhora do marido, mas antes sua subordinada.

Depois, é preciso que o marido tenha sempre alguma boa ocupação, não só para prover o necessário ao sustento da família, mas também para não amolecer na ociosidade, fonte de quase todos os vícios. Finalmente, deve o marido governar bem a sua família, corrigir as faltas de todos os seus membros, e manter cada qual no cumprimento de suas obrigações.

2. da mulher

De outro lado, as obrigações da mulher são aquelas que o Príncipe dos Apóstolos enumerou na seguinte passagem: "Sejam as mulheres submissas a seus maridos, de sorte que, se alguns deles não acreditam na palavra, sejam ganhos pelo procedimento de suas mulheres, sem o auxílio da palavra, quando consideram a vossa vida santa, cheia de temor de Deus. Seu adorno não consista exteriormente em toucados, em adereços de ouro, em requintes no trajar; mas antes [ornai] a índole humana que se oculta dentro do coração, com a pureza de sentimentos pacíficos e modestos, que são preciosos aos olhos de Deus. Desta forma se ornavam, antigamente, as mulheres santas que em Deus punham sua esperança, e viviam submissas a seus maridos, assim como Sara obedecia a Abraão (Gn 2, 13; 18, 6-12), a quem chamava de seu senhor" (I Pr 3, 1ss)

Outro dever principal, para elas, seja também educar os filhos na prática da Religião, e cuidar zelosamente das obrigações domésticas.

*De boa vontade vivam dentro de casa. não saiam senão por necessidade, e nunca se atrevam a fazê-lo, sem a permissão do marido* (Levem-se conta certas transformações sociais, do século XVI a esta parte, sem cair nas tendências paganizantes e anticristãs de hoje)

... Ao fim, como requisito essencial para a boa união entre casados, estejam sempre lembradas de que, abaixo de Deus, a ninguém devem mais amor e estima do que a seus maridos; aos quais devem também atender e obedecer, com suma alegria, em todas as coisas que não forem contrárias à virtude cristã.

(Catecismo Romano - Capítulo Oitavo, II; VII)
PS: Os escritos que estão dentro dos ( ) são do rodapé do catecismo, e os grifos são meus.

* É possível comprar esse Catecismo aqui: Site Permanência

Das relações entre esposos cristãos!


590. Assistindo às bodas de Caná e elevando o matrimônio cristão à dignidade de sacramento, mostrou Nosso Senhor Jesus Cristo aos esposos que a sua união pode ser santificada, e mereceu-lhes para isso a graça.

591. B) A graça do sacramento, unindo os corações por um laço indissolúvel, acrisolará e purificará esse amor. Terão sem cessar diante dos olhos as palavras de São Paulo, a lembrar-lhes que a sua união é imagem daquela união misteriosa que existe entre Cristo e a sua Igreja:

"As mulheres sejam sujeitas a seus maridos, como ao Senhor: porque o marido é a cabeça da mulher, assim como Cristo é a cabeça da Igreja, seu corpo, de que Ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres o estejam em tudo a seus maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, depois de a haver purificado na água batismal, com a palavra, para a fazer aparecer diante de si, essa Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem outro algum defeito semelhante, mas santa e imaculada. É assim que também os maridos devem amar as suas mulheres, como seus próprios corpos ... Enfim, cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie a seu marido" (São Francisco de Sales, Vie dévote, III p., ch. XXXVIII, XXXIX)

Assim pois, respeito e amor mútuo, aproximando-se o mais possível do amor de Cristo à Igreja; obediência da mulher ao marido, em tudo quanto é legítimo: dedicação e proteção, do marido para com a sua mulher: tais são os deveres que o Apóstolo traça aos esposos cristãos.

(A vida espiritual explicada e comentada - Adolph Tanquerey - Capitulo V, págs., 320 e 321)
PS: Grifos meus

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"dedinhos queimados"


São Francisco de Sales saiu-se com tal expressão, ao responder às lamúrias de certa pessoa vítima de uma injustiça. Achou que ela não devia fazer tanto barulho, tanta gritaria, a exemplo das crianças que só se aquietam quando mamãe assopra o "dedinho queimado".

Muitas senhoritas parece que têm dedinhos queimados. Só vendo-as com os ares de vítimas com os sembrantes de quem espera a tortura! Mostram-se inconsoláveis, repetem seus sofrimentos, declama-nos em prosa e verso. É o berreiro da criança que queimou o dedinho. Estão elas à espera de alguém que se desmanche em compaixão, em reparações, em reconhecimento da dor. Só então cessa o pranto.

O pior é que por qualquer coisa tais criaturas se queimam. O simples olhar mais severo do pai ou da mãe já lhes é brasa no dedo. A mera palavra quente de impaciência ou de ligeira irritação, pronunciada por alguma pessoa de casa ou de amizade, é chama incendiária. Ora, não fica bem a uma cristã, "confirmada" para sofrer e se encontrar com a cruz, ter ares de delicada, de inconsolável sofredora... Deveria trazer um outro nome, em vez do que traz como discípula do Crucificado.

Além disso, a leitora não ignora uma importantíssima circunstância no caso. Os tais dedinhos queimados - sofrimentos pequenos e freqüentes - servem-lhe muitíssimo para o seu apostolado. Acreditam-na no céu junto ao tesouro das graças, purificam-lhe a intenção, expiam-lhe as faltas e oferecem energias para a alma que se vê trabalhada para se converter.

Tenho até receio que as páginas deste livro hajam queimado algum dedo que por elas passou. Mas então reconheça a vítima que sua pele é por demais sensível e muito a impedirá na ascensão do Calvário da vida, sem o qual não amanhece o dia da gloriosa ressurreição.

(Audi Filia - Pe. Geraldo Pires de Souza)
PS: Grifos meus