sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A Mentira- Parte II


“Sem falsidade, nem embuste”. Seja esta a tua divisa.

1º Não mintas – a mentira é abominável a Deus

Com efeito, Deus é Verdade, a mais pura e a mais límpida, e absolutamente, não pode mentir. Eis porque detesta, em nós, a mentira; esta lhe contraria a essência e se opõe ao escopo que Ele teve em mira ao dar-nos ao dom da palavra. Esta faculdade preciosa, certamente, não nos foi concebida, para camuflar a realidade com a aparência e o engano. A mentira é, portanto, uma subversão da ordem divina, uma revolta contra Deus. Satanás, o primeiro que se insurgiu contra Deus, foi por isso mesmo o primeiro mentiroso, “o pai da mentira”, como denominou o Divino Salvador.

Visto, opor-se a mentira à essência divina e à sua santa ordem, Deus a aborrece, e assim se exprime séria e severamente na Sagrada Escritura: “Os lábios mentirosos são abominação para o Senhor”. (Prov., 12,22)

2º Não mintas – a mentira é também, desdouro na perspectiva humana

Detestemos a mentira, que é contrária à natureza humana. O homem é, inclinado à verdade, repugnam-lhe a mentira e a falsidade. A criança, ainda não corrompida, diz só o que pensa, seus olhos brilhantes são o espelho fiel de sua alma pura e franca. A primeira que profere, revolta-se a natureza íntima da criança e manifesta-se pelo rubor da face que denuncia a confusão. Detestemos a mentira, porque solapa o fundamento da sociedade humana, que são a veracidade e a confiança, mútuas.

Não desfaleceria toda a confiança mútua; não cessaria a certeza e segurança nas relações diárias a certeza e segurança nas relações diárias, não se tornaria impossível uma vida digna e meritória, se o espírito da mentira dominasse e em todas as circunstância se fizesse valer?

Que efeitos fatais não sofreria o corpo, se os seus membros mutuamente se induzissem ao erro? Se, por exemplo, os olhos enganassem aos pés, levando o corpo num pântano, tido por um prado firme? Algo semelhante aconteceria se os membros da sociedade humana tomassem por regra a mentira e a dissimulação.

Destruir-se-ia assim o organismo social.

Detestemos, finalmente, a mentira, porque nela se encerra covardia. Admiremos a coragem e a firmeza; desprezemos, porém, a pusilanimidade e a perfídia. Na conscienciosa afirmação diária da verdade, existe muitas vezes, mais coragem e intrepidez, do que no desprezo da morte, que só raro se dá e por causalidade.

Diz, com a razão, o conhecido educador, Forster:

“Penso que a veracidade é sempre a melhor prova de valor, e, portanto, qualquer homem, embora jamais tenha visto um fuzil, encontra diariamente, ocasião de exercitar a coragem, por meio da afirmação sincera e corajosa da verdade, nas coisas mais insignificantes. É, de fato, muito mais fácil, impelido pelo entusiasmo, sacrificar uma vez à própria vida, do que permanecer constantemente invariável, quando surge a tentação de fugir a uma cena desagradável ou à desonra ou ao castigo. Cedo se vê se alguém é, realmente forte contra o medo e o pavor; ou se é um salteador, que se oculta quando prevê o momento do ataque”.

Sim, grande coragem manifesta-se no constante amor à verdade, ao passo que, com a mentira, patenteia-se uma lamentável covardia – portanto, detestemo-la.

3º Não mintas – a mentira corrompe o caráter

Certo que uma única mentira não será agravo ao caráter, mas mentiras freqüentes, que procedem de uma natureza falsa, tornam de todo impossível, a formação de um bom caráter. Três são as propriedades que constituem o ornato de um caráter nobre, a saber: firmeza, doçura, desinteresse ou desapego de si mesmo.

Como pode, porém, formar-se a firmeza de um caráter, se, em qualquer ocorrência e por motivo fútil se deixa o homem subornar, para se desviar da verdade, iludir a outrem, e levá-lo ao erro? Daí resultará, com o tempo, uma vacilação insegura.

Ademais, como pode o mentiroso manifestar a seus semelhantes amável doçura, quando, em geral o verdadeiro amor lhe é impossível, por não possuir nenhuma elevada estima dos demais? Com efeito, se estimo e venero alguém, procuro captar-lhe confiança, e não enganá-lo ou induzi-lo ao erro.

Na verdade, como pode um homem mostrar-se tão altruísta que se esqueça de si próprio e de bom grado, generosamente sacrifique-se pelos outros se para lograr pequena vantagem ou desviar um pequeno embaraço, deliberadamente, profere a mentira? Tal coisa é de todo inconcebível. Assim, quem tem o vício da mentira, pouco a pouco, corrompe o caráter e por vezes o arruína...


4º Não mintas – a mentira é aliada de muitos outros pecados

- Não se serve o orgulhoso da mentira, quando falsamente se ufana de suas prerrogativas e de suas ações, enquanto, por outro lado oculta seus vícios e fraquezas?
- Os pecados contra a caridade e os pecados da vingança, não exageram e aumentam malignamente as faltas das pessoas odiadas, atribuindo-lhes muitas vezes faltas que não cometeram, ou defeitos que não possuem?
- A infâmia e a injustiça não crescem junto com a mentira, de tal modo, que se possa dizer à guiza de provérbio: Wer liegt, der stiehlt – “quem mente rouba?”
- Não é coisa mui sabida que o pecado de impureza, mais do que qualquer outro, torna o homem mentiroso? As jovens que se entregam a este pecado, já não encaram os pais, com olhar franco e límpido, têm alguma coisa que lhes encobrem e os enganam de caso pensado.

Em resumo: Não podem muitos pecados medrar ou ter longa duração, se os não favorecer a mentira. O pecado teme a verdade. A virtude da lealdade é como um sol interno, cujos raios brilhantes afugentam as trevas do vício e das paixões.

Ama, portanto, a verdade e foge da mentira.
Prefere suportar um pequeno dissabor, uma repreensão, uma correção, a te libertares de uma dificuldade a custa da mentira.

Sobretudo, nunca profiras, deliberadamente, mentira alguma, nem mesmo por brincadeira; porque se facilmente, por gracejo, mentires, depois o farás seriamente...Acostuma-te também, a manter sempre, a palavra dada. Há jovens que prometem facilmente e, até, sob palavra, mas depois, não fazem nenhum caso do seu compromisso. Merece isto decidida repulsa. Ohne Falsch und Trug – “Sem falsidade, nem embuste”. Seja esta a tua divisa.

(Donzela cristã- Pe. Matias de Bremscheid )
PS: Grifos meus

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Maus companheiros!


"Eu vos escrevi para que não tenhais relações com os impudicos ... Quiz vos avisar para que não tenhais trato com aquele que, chamando-se vosso irmão é impudico ... Afastai o culpável da vossa sociedade." (ICor. 5.9)

Deveriámos isolá-los.
É o que fazemos com os "apestados". Estão infeccionados: não devem contaminar os demais! Nos hospitais, os contagiosos vivem apartados ... Mais depressa se houvera de fugir das más companhias! ... propagam a impureza. São uma verdadeira lepra, a das almas. Um morfético pode afinal ter uma bela alma. Aquele jovem pode pelo contrário chamar a atenção dos salões; ... aquela jovem pode ser fascinadora ...

Deus porém, que vê o íntimo das almas, dirá como Juiz: "É um leproso! é uma leprosa"!
Encantos no rosto, sanie no coração!
Atrativos no corpo, hediondez na alma!
Sentimos um nojo instintivo para um animal em putrefação. E por vezes nos enojamos tão pouco com a gangrena moral da alma, causada pelo pecao mortal.

De que modo ocasionam os maus companheiros as desastrosas quedas?

No começo operam com dissimulação ...Cain disse ao irmão: "Egrediamur foras". Saiamos ao campo.
Começa-se pelo menosprezo da vontade dos pais e mestres. As confidências incovenientes realizam-se longe de suas vistas...

"Saiamos! ... o corruptor não é só um malvado, é um covarde".(Mons. Baunard)

Abel acompanhou o irmão: e foi então que Cain, precipitando-se sobre ele o matou.

"Não temais somente os que podem dar a morte ao corpo".

Bem tinha compreendido esta admoestação do Divino Mestre, aquele jovem senhor a quem os seus pajens moviam a praticar o mal. Em resposta só lhes disse: "trazei-me uma vela". Trouxeram-lh'a eles, admirados. "Acendei-a", secundou ele. Acenderam-na, cada vez mais espantados. Chegou ele o dedo á chama e depois de meio minuto, vencido pela dor, retirou a mão gravemente queimada. E voltando-se então para os tentadores, lhes observou:

"Bem vedes! se eu não pude conservar a ponta de um dedo, um só minuto, na chama de uma pequena vela, como poderei eu então estar no inferno, com todo o corpo, sepultado em ardores eternos?"

Quem assim falava entrou depois para a Trappa, onde se tornou celébre: foi o abade de Rancé.

Meu amigo, se fores tentado por maus companheitos, traz a mente o caso do abade de Rancé e, como ele, diz contigo: "Se não posso suportar o meu dedo mínimo exposto, durante um minuto, a pequena chama duma pequena vela, como poderei então suportar os ardores da morada eterna?"

(Retirado do livro: A grande guerra - Pe. Hoornaert)

Educação da sinceridade

EDUCAÇÃO DA SINCERIDADE

Podemos considerar a sinceridade:
- Nas nossas relações conosco: é a sinceridade propriamente dita, a sinceridade ou a retidão pessoal;
- Nas relações com outrem: é a franqueza.

As vantagens da sinceridade

"Em educação, como nas muitas outras coisas, a melhor maneira de ser hábil é ser reto"
(F.Kiefer- A autoridade, p.103)

As vantagens:
- A sinceridade embeleza a criança, enobrece o jovem, glorifica o homem maduro.
- A sinceridade constitui a maior honra e o maior prazer dos pais.
- A sinceridade facilita o trabalho da educação. Em certos casos, ela está intimamente ligada à confiança, que é absolutamente necessária aos pais para educarem os seus filhos na pratica da virtude.
- A sinceridade é a pedra de toque das verdadeiras amizades.
A sinceridade obriga a fazer boas confissões, e assegura, por conseqüência, a salvação e a saúde da alma.

Os meios de desenvolver a sinceridade

Que se deve fazer para desenvolver a sinceridade nas crianças?
- Dar o exemplo da sinceridade.
- Inspirar uma profunda estima pela sinceridade.
- Animar todo ato de sinceridade.

Que fará o educador para dar o exemplo da sinceridade?
Seguirá as duas regras seguintes:

- Nunca se deve enganar a criança.
- Nunca se deve mentir diante dela.

É tal a importância de não enganar a criança, que se o educador a não observar, torna-se praticamente professor de mentira. Com efeito, as promessas não efetuadas, as ameaças sem execução, as palavras irrefletidas, por pouco que se repitam, ensinam à criança, desde a mais tenra idade, que as palavras diferem sensivelmente dos atos. A criança a quem se fez tomar algum medicamento, um emético, por exemplo, garantindo-lhe que é excelente, nunca o há de esquecer. E, por seu turno, quando a mentira lhe for útil, quer para chegar aos seus fins, quer para evitar algum castigo, será levada a dissimular.

... Tudo o que é inexistente dever ser suprimido ou explicado: por exemplo, sinos da Páscoa que vêm trazer os ovos...o diabo que aparece no espelho das meninas vaidosas, etc... Nunca se deve enganar as crianças. De mais, há a temer que a criança, piedosamente enganada, quando chegar o dia em que conheça enfim a verdade, não envolva na mesma derrocada das suas ilusões ingênuas os mistérios mais graves da nossa fé. Segunda regra - Para dar bom exemplo: nunca mentir diante das crianças.

Como incutir uma alta estima pela sinceridade?
- Falando-lhes dela sempre com elogio e admiração.
- Censurando-lhes severamente toda a palavra e todo o ato mentiroso.
- Afirmando bem que terão orgulho de seus filhos, se praticarem sempre esta generosa virtude.

Como se pode fortalecer a sinceridade das crianças?
- Pela fé.
Pela lembrança e convicção das grandes verdades. Deus vê tudo; sabe sempre a verdade; a mentira é um pecado; o demônio é o pai dos mentirosos, etc.

- Pela discrição.
Se os pais são discretos nunca mortejarão dos escrúolos e da ingenuidade dos filhos. E, com mais razão, nunca os descobrirão; uma só confidência traída pode fechar o coração para sempre.

- Pela atenuação do castigo ou pelo perdão.
A criança deve sempre notar uma diferença sensível entre a maneira como se trata uma falta confessada, e a maneira como se estabelece o castigo duma falta encoberta. Sem o reconhecimento desta prática, a criança julgará que a sua ingenuidade é a causa do seu desgosto, e nunca mais renovará as sua confidências.

Que se há de fazer, se apesar de todas estas precauções, a criança se deixa arrastar a dizer alguma mentira?
Manifestar-se-á uma surpresa contristada por ser tratar com um pequeno mentiroso.

Uma mãe, tendo surpreendido uma mentira nos lábios da sua filhinha de quatro anos de idade, tomou o ar mais consternado, e pronunciou com um gravidade penetrante:
"A minha filhinha mentiu! É a primeira vez que se mente em minha casa! Também a minha filhinha não jantará hoje, por que merece ser castigada, e a mamãe não comerá por causa deste desgosto." (autêntico)

Que se deve fazer se há reincidência?
Ser-se-á mais severo: poder-se-á, por exemplo, tratar o culpado com desdém durante um certo tempo e não ter com ele mais que as relações necessárias; não acreditar já o que diz. Em seguida, faz-se-lhe-á ver quanto é feia a mentira e como Deus a puniu: os Livros Santos fornecem-nos exemplos fáceis de comentar: a história de Ananias e Safira, por exemplo.

(Excertos do livro: Catecismo da educação - Abade René Bethléem)
PS: grifos meus

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Comer como cristão - Ensine seu filho(a)


A preocupação aqui é formar hábitos que correspondam à finalidade de alimentação e à dignidade humana. Qualidade, quantidade, horário, modo, tranqüilidade, são essenciais.

... Crianças e adolescentes em pleno desenvolvimento, têm melhor apetite que os adultos. Como, em geral, têm "os olhos maiores que o estômago", e mais facilmente se deixam levar pelo gosto que pelas necessidades, devem ser educados para não se excederem. O hábito de comer o que está á mesa não é apenas das boas maneiras: supõe domínio de si e é indício de espírito cristão, pois é recomendação do Senhor aos seus discípulos: "Comei o que vos servirem" (Lc, 10.8)

Crianças que comem a todo instante, em vez de o fazerem só às refeições, mais prejudicam à fortaleza moral, ao domínio de si, à boa digestão e à robustez corporal.

As boas maneiras ao comer são específicas da espécie-humana, muito mais que simples exigência de bom-tom. Quem, ao alimentar-se, pela voracidade, pela patente satisfação, pela ausência de correção, se assemelhasse aos animais, estaria caindo da dignidade de homem, além da má impressão que de si deixaria.

À mesa, como em poucas oportunidades, se conhece um homem educado. É pena que o estejam esquecendo tanto as nossas famílias, com as maneiras "americanas", desgraçadamente introduzidas entre nós. Seja a refeição um momento tranqüilo, de amável convivência doméstica. Todos à mesa em seus lugares certos ou previamente indicados pela mamãe, sem pressa, falando de assuntos agradáveis, em tom oderado, aguardando o momento de ser servidos, se disporão a todas as vantagens da alimentação.

Corpo e espírito

Aqui está oportunidade excelente para o exercício da temperança, um dos esteios da vida moral. Alimentar o corpo para servir ao espirito! Para isto, o espirito deve comandar a alimentação, refrescando os excessos, ditando as abstenções necessárias à saúde, a sobriedade tão digna do homem, e a mortificação, controladora dos desregramentos do paladar, como de todos os instinstos. Aqui está a raiz de muita virtude ou de muita desordem... o cristão, que santifica tudo, não pode deixar de santificar esta função fundamental. Ela subirá assim do mero plano animal para o sobrenatural, próprio do cristão, que tudo faz para a glória de Deus, ainda que seja comer e beber (Cfr. I Cor. 10.31).

A família cristã reza antes de depois das refeições. Ainda melhor: que o faça em comum.

(O que fazer de seu filho - Pe. Álvaro Negromonte)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Contra a torrente


O jovem que sabe ficar fiel às suas convicções, sem se preocupar com a algazarra e com as zombarias dos seus amigos, é esse de caráter. Contra a torrente! Aquele que, ao contrário, vive no medo contínio do "que hão de dizer?", ainda não está liberto; é escravo dos seus próprios temores.

O profeta Daniel, feito prisioneiro de Nabucodonosor na idade de quatorze anos, foi trazido à corte deste príncipe. Podes imaginar a quantas tentações esteve ele exposto no meio daquela pompa incaceitável? Ora, sabes o que dizia ele cada manhã?

"Ficarei fiel ao meu Deus, e não provarei das comidas proibidas".

A tentação durou três anos, e Daniel não faltou uma só vez à sua promessa. Todos os engodos que o cercavam, naquele palácio de mármore, não puderam desviá-lo. Que caráter, não é?

... Durante a Comuna, na Hungria, era proibido rezar em aula, antes das lições. Um dia, numa das escolas da capital, o "cidadão-mestre" entrou e ordenou aos meninos que se sentassem. Mas eles ficaram de pé.

"Como? Que é isso? Sentem-se!" repetiu-lhes.
E os alunos lhe responderam em coro:
"Ainda não rezamos! Queremos rezar".
"Porém vocês bem sabem que a reza está proibida!" bradou o cidadão, olhos faiscantes de cólera.
"Ainda não rezamos!" repetiu o coro. E não houve remédio.
"Pois bem, rezem!" gritou o professor.

Essa classe compunha-se de jovens heróis.

Um homem de vontade firme abre caminho por toda parte, qual uma queda d'agua por entre os rochedos; e as almas corajosas, os caracteres independentes erguem-se como pirâmides no deserto da imoralidade e das insconstâncias modernas. Nem todos têm ocasião de praticar um ato de heroismo. Tu mesmo também não oterás, provavelmente. Porém a tua vida toda pode tornar-se um exemplo de heroísmo, se cumprires todos os teus pequenos deveres quotidianos, com zelo e fidelidade sem trégua.

Sobretudo, não te deixes intimidar pelos belos pairadores! Se defenderes corajosamente os teus princípios, verás muitas vezes o inimigo bater retirada, apavorado.

... Uma juventude profundamente religiosa! Quer dizer que ela não deve ser cristã só nos registros, porém na vida de todos os dias, que deve assinalar no menor dos seus gestos, em todos os seus pensamentos, palavras e ações, as conseqüências deste pensamento sublime:
"Somos jovens cristãos" ...Sim, meu filho, se pertences a essa juventude, cumpre que tua vida dê testemunho disso - desde agora, durante os teus anos de estudo, e mais tarde no caminho da tua profissão! Sempre e em tudo, cumpre que sejas fies às tuas convicções religiosas!

(O moço de caráter - Mons. Tihamer Toth)

Ps: grifos meus

Aos educadores - Visão clara

De quando em quando é bom parar alguns instantes e, seguindo o conselho do divino Mestre, imitar o homem prudente, que, antes de construir uma torre, assentado, põe-se a refletir para ver claro seus compromissos, determinar seu fim, comparar seus meios.

De tanto ser acometido e importunado de mil modos por preocupações imediatas, não acaba alguém por tomar o acessório pelo essencial, os meios pelos fins, o secundário pelo principal? Constitui grande perigo para muitos educadores esquecer praticamnete o fim supremo de sua atividade no fogo da ação. Cansam-se e obnubilam-se os olhos pela leitura, se, de quando, os não tiramos do texto para descansá-los ao longe.

Queremos, pois, guardar a visão clara e são das coisas? Olhemo-nas não do nosso modo de ver senão do aspecto de Deus e do eterno. Se, em momento de agitação e de fadiga, o fim se confunde com um longínquo brumoso, devemos deter-nos imediatamente, retornar à calma, colocar-nos na presença das seguintes questões:

- Porque estou aqui?
- Que procura Deus de mim?
- Que tenho buscado? A de Deus ou a minha glória? Meu êxito ou o de Deus, nas almas a mim confiadas?

(Educar com êxito - Pe. G. Courtois)

Donzela cristã e suas armas na grande guerra contra a impureza!


A castidade das jovens é de capital importância para a conservação dos bons costumes na sociedade. Se as moças guardarem, rigorosamente no trajar e em todo o proceder, decoro e modéstia, será este o melhor impulso para a moralidade. Sendo, portanto a pureza de coração do sexo feminino de tamanha importância para a moralização da sociedade, deverás gravar bem, no espírito e no coração, e seguir fielmente as normas expostas neste capítulo.

Tem sempre, em alta estima e grande amor, a castidade; pois ela comunicará à tua alma, antes de tudo, particular beleza e graça. “É, sem dúvida a castidade – como diz São Cipriano – a mais formosa flor no jardim da Igreja, o ornamento da beleza, o encanto da graça e a característica da virgem cristã. É por ela que se produzem, na Igreja, os mais deliciosos frutos, e quanto maior for o número das donzelas puras, tanto mais crescerá a alegria desta mãe espiritual”.

São Francisco de Sales escreve: “A castidade é o lírio entre as virtudes; torna os homens semelhantes aos anjos. Nada há belo que não seja puro, e a beleza do homem é a castidade”.

... Muito bela e formosa é a alma juvenil que se apresenta pura aos olhos perscrutadores de Deus, não profanada pelo sopro do pecado, espargindo os fúlgidos raios da graça santificante. É tão bela, que os anjos do céu, com grande prazer, a contemplam, e o próprio Deus que com sua bondade onipotente, criou tudo o que há de belo, no céu e na terra, como que encantado com sua magnificência, exclama: “Oh! Quão formosa é a geração casta com seu brilho! Oh! Quão formosa é a geração casta com seu brilho! Imortal é a sua memória e é louvada diante de Deus e diante dos homens” (Sab, 4.1).

O pecado, pelo contrário, que se opões a esta virtude celestial, rouba à alma juvenil, a beleza sobrenatural e torna-a feia aos olhos de Deus. Com razão pois, diz São Boaventura: “Assim como a podridão faz a maça perder a beleza, a cor, o aroma e o sabor, assim também este pecado priva a alma da beleza do merecimento da graça e de toda a sua excelência”.

Sim, jovem cristã, ama a pureza do teu coração e guarda-a como a pupila dos teus olhos. Ela te infundirá grande paz interior... se fores casta e pura, possuirás seguramente a boa, a melhor vontade. De fato: tua vontade está à vontade infinitamente santa e bem aventurada de Deus. Á voz da tua consciência dás livre e espontânea atenção e pela graça de Deus cooperas fielmente com ela. Como recompensa receberás a paz prometida.

A impureza, pelo contrário introduz na alma desassossego e a inquietação, a confusão e a revolta. Quantos corações dolorosamente agitados, e açulados por causa da sensualidade. Assemelham-se ao mar revolto pela tempestade, cujas ondas parecem fantasmas enfurecidos. Ama, ainda mais que todos os tesouros da terra, a pureza do teu coração e procura conserva-la com o máximo cuidado. Alcançarás assim uma feliz inclinação para todo o bem. Se teu coração for puro e candido, será também moralmente, suscetível a todos os movimentos e inclinações nobres. Teu espírito não será obscurecido pelas paixões.

Compreenderás melhor o encanto da graça e mais facilmente e com maior prazer entusiasmar-te-ás pelas coisas elevadas, pela beleza moral. Possuirás também mais coragem e mais força para praticar o bem e sacrificar-te por ele.

Com efeito, a castidade é uma força superior e celestial, que levanta o coração acima das próprias fraquezas, unindo-o a Deus; que é a pureza e a força infinitas. Desta união eflui, sobre o coração casto uma energia cada vez mais nova.

Ao invés não mostra a experiência que a impureza quebra, por assim dizer, as asas à alma juvenil e rouba-lhe todas as forças para os arrancos elevados? Que todo o entusiasmo para o bem para o nobre desfalece no coração envenenado por este vício? Quantas vezes podemos verificar que tais jovens só têm vontade e compreensão para as frivolidades e futilidade, para o gozo e o prazer, para o que é baixo e vil! Quantos pais, professores e educadores não podem, com lágrimas, testificá-los?

Ama principalmente, a virtude da santa pureza. Guarda-a como teu tesouro mais precioso. Por meio dela conservarás, um terno amor a teus pais, a teus irmãos e terás uma vida serena e feliz.


A uma filha, a uma moça, que se mantém pura, será fácil amar os pais e corresponder, fielmente, aos seus deveres para com eles... Ama a inocência e a pureza do coração e conserva-as com santo zelo, como jóias preciosas, assim poderás contar com um futuro feliz. Para chegares a esses resultados, tem como certo, antes de tudo, que os belos anos de tua mocidade passarão mui rapidamente. Que te aproveitará, então, o haver-te distinguido durante alguns dia e meses, o teres ouvido insípidos louvores; e tomado parte em inúmeras festas e divertimentos, se depois, decorridos, talvez trinta ou quarenta anos, com severa censura de tua consciência, com um olhar retrospectivo ao teu passado sentires a angústia do remorso?

Pensa, portanto, em preparar-te um bom futuro, lançando agora, sólidos alicerces; passa a tua juventude virtuosamente e, sobretudo, conserva-te casta e pura. Assim merecerás os favores de Deus; Ele te conduzirá, te esclarecerá, a fim de com seriedade e recato, atenderes às obrigações do teu estado e não te deixares seduzir por uma paixão cega e alucinante; Ele te abençoará, como o fez ao casto José do Egito.

E, ainda mesmo que não tenha derramado com abundância os bens terrenos sobre a estrada de tua vida, te concederá as suas graças com tanta largueza, que viverás uma vida feliz e um dia com toda a confiança poderás encarar a morte. Se quiseres permanecer casta e pura, deves combater pronta, firme, resolutamente, todos os maus pensamentos e tentações, que sobrevierem contra esta virtude.

Apesar de seres boa e virtuosa, teres recebido uma aprimorada educação de teus ótimos pais, possuíres a melhor vontade de passar cristãmente o precioso tempo da tua mocidade, não obstante poderás ser assaltada pelas piores e mais vigorosas tentações.

Consola-te: a tentação nunca e de nenhum modo é pecado, se não consentires nela. Até os maiores santos foram tentados muitas vezes e com violência... Assim como o foi para eles, a tentação também será para ti, uma fonte de merecimentos e fortalecerá o teu progresso na virtude, se, como eles a combateres, decididamente.

Recorre à oração, sobretudo formula no teu interior pequenas, mas vivas e afetuosas jaculatórias, e porfia em passar a outros pensamentos por meio de trabalhos que te distraiam. Assim se afastará a tentação, sem consentires nela, principalmente se permaneceres sempre vigilante sobre a tua vista e, constantemente, em cada ocasião, tomares uma santa e honesta precaução contra ti mesma.

Abstém-te, outrossim, da convivência com certas pessoas, que no seu proceder e conversas são extravagantes e dissolutas. Evita a companhia de moços libertinos... São Francisco de Sales diz: "Os vidros, que, demasiado se aproximam uns dos outros, quebram-se facilmente, e contaminam-se os frutos delicados, quando em contato uns com outros. Nunca permitas a ninguém tocar-te, contra as regras da decência, nem por brincadeira, nem por afagos”.

... Acredita, apenas, no teu catecismo e na voz da tua consciência. Nunca passeies sozinha à noite com um moço, nem permitas excessivas familiaridades com pessoa de outro sexo. Muito, embora, aquela camaradagem possa parecer inocente, no começo, contudo a pureza do coração corre sempre grande perigo. Não te esqueças de que a serpente, que fere mortalmente, gosta de se esconder sob a relva macia e entre as variegadas flores.

Não fomentes, portanto, amizade alguma, demasiado prematura e sem vigilância.

... Familiaridade só haja quando a séria intenção e perspectiva de casamento próximo a justifique, e ainda neste caso, não deve faltar a conscienciosa vigilância dos pais ou de outros bons parentes cristãos, para prevenir, o mais possível, qualquer perigo e ocasião de pecado.

Ah! Quantas donzelas no dia de suas núpcias, censuram-se amargamente, ao pensar como se preparam tão mal para o casamento, por terem permitido namoros tão leviano e demasiado livre!

Quantas há que dão este passo de extrema importância, sem Deus e sem a sua santa benção, fundam uma família, em que não reina paz, nem virtude, nem verdadeira felicidade!


... Finalmente, donzela cristã, nunca leias livro, jornal ou revista, que contenha coisas lúbricas ou pensamentos e versos ambíguos, de dúbio sentido que se prestem a uma interpretação pouco decente. Muito embora seja magnífica a linguagem ou estilo, não te deixes, todavia aliciar e corromper. O veneno é sempre veneno, ainda que esteja num artístico frasco dourado. Extremamente pernicioso para a moralidade são tais romances, sobretudo os romances de amor livre.

Quantas donzelas não depravaram o próprio coração com essas leituras e encheram a cabeça de idéias extravagantes e falsos conceitos da vida! Eis porque admoesta Santo Afonso com grande energia: Proibi, pais de família, aos vossos filhos, com máximo rigor, que leiam romances, os quais deixam, na infeliz mocidade, torpes impressões que lhes roubam a piedade e a excitam ao pecado”.

... Sê precavida, evita, com toda a atenção, os perigos. Freqüenta a sagrada Comunhão. Cultiva amor filial e devoção à Santíssima Virgem Maria, assim transcorrerá, pura e feliz, tua mocidade, e conservarás intacta a inocência até o dia do casamento ou até a hora da morte, se não quiseres contrair matrimônio.

(Donzela cristã- Pe. Matias de Bremscheid )
PS; Grifos meus

sábado, 7 de novembro de 2009

Paciência - A virtude dos heróis


A paciência é uma virtude heróica. A Escritura diz que é melhor o homem paciente do que o guerreiro conquistador de cidades e que mais vale o homem paciente do que o forte. Os teólogos classificam as virtudes e as dividem em grupos caracterizados pelas virtudes cardiais. A paciência deveria estar no grupo das virtudes da Temperança. E não está. Foi classificada como Fortaleza e como parte desta virtude. De fato, o homem paciente é o verdadeiro forte. A paciência é uma virtude oculta, silenciosa, sem brilho.

Há virtudes brilhantes e virtudes da obscuridade. Há virtudes que todos vêem e admiram, aclamam, recompensam, e virtudes ignoradas como a violeta e que só se percebem pelo suave e divino perfume que exalam. As grandes virtudes, as que aparecem aos olhos humanos, são mais fáceis e atraentes.

As virtudes ocultas, porém, são tão difíceis e pesadas!
Sofrer sem que ninguém o saiba, ter um sorriso na adversidade, um olhar de doçura para o inimigo ou para quem nos maltrata e persegue, procurar, em tudo, o mais perfeito e com mais sacrifício.

Oh! meu Deus, só uma fonte inesgotável de paciência!
Também chamam a isso longanimidade. Realmente, só uma grande alma pode resistir e perseverar nessa luta. E eis porque a paciência é a virtude dos heróis!

(O breviário da confiança - Mons. Ascânio Brandão)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O Deus aniquilado


A ferida mais profunda que nos fez o pecado original é incontestavelmente o orgulho. Antes de Cristo, ele de tal forma fazia parte do patrimônio humano, que os homens se gloriavam dele; o próprio estoicismo, por maior que possa ter parecido, não passava de um orgulho disfarçado, de uma espécie de cólera recolhida.

Fez-se mister o exemplo estuperfaciente de um Deus humilde, para ensinar aos homens a beleza da  humildade sincera. Mas, como a lição era difícil de aprender e o exemplo difícil de seguir, o Mestre não se contentou com humilhar-se, quis "aniquilar-se tomando a forma de escravo". Foi tão longe nos seus abaixamentos, que os gigantes da humildade nunca lhe tirarão o primeiro lugar. É que, aqui, a luta é gigantesca e de todos os instantes; passa-se sobre terrenos movediços, onde as ondas não cessam de voltar à carga. É relativamente fácil bater no peito; mas quantos lábios orgulhosos não repetem, cada manhã, as palavras do Centuroão: "Senhor, não sou digno"!

... Todavia, mais esclarecidos do que nós pelas luzes do alto, os Santos apreendem uma parte daquilo que nós não vemos; daí as manifestações da sua humilde que, à primeira vista, podem parecer excessivas. "É preciso ir até o horror quando a gente se conhece", escrevia Bossuet ao Marechal de Bellefonds, Mauricac, depois de duvidar da sinceridade das almas humildes, acaba por compreender. Escreve ele: "A medida que os santos avançam no duplo conhecimento de Deus e do seu próprio coração, têm uma visão tão aguda da sua indignidade, que se abaixam e se aniquilam pelo movimento mais natural. Não é o bastante dizer que eles acreditam ser uns miseráveis, são-no com efeito, e é a sua santidade que lhe lhes dá a clara visão disso. Eles vêem, na luz de Deus, o que é realmente o homem, mesmo santificado, e têm-lhe horror".

Depois de havermos estudado estes princípios que aclaram muita coisa, caiamos de joelhos e sigamos Jesus pelas sendas da sua humildade, dos seus abaixamentos, do seu aniquilamento.
Vem, pois ó alma orgulhosa - (e quem é que o não é mais ou menos?) - vem, exorna-te de todos os predicados físicos e morais de que tanto te ufanas; faze-te bela, grande; enfeita-te de todos esses ouropéis que te ajudam a cobrir a nudez do teu orgulho; esmaga com a tua soberba aqueles que te cercam; amontoa, pois, todas essa vãs bugigangas de que te orgulgas ... e olha!

- Olha essa jovem de quinze anos. Chama-se Maria. Um anjo acaba de deixá-la, portador de uma mensagem celeste. Ela concebeu o Salvador, Ele, a quem os céus não podem conter, lá está, encerrado, pequenino, quase um nada, naquele seio virginal. Quantos raios de glória não teve Ele de apagar para descer até aí! ... Sem dúvida, Maria era Imaculada, mas não passava de uma criaturinha! Compreendes então por que é que é que a Igreja canta, no seu "Te Deum": "Não te horrorizaste do seio da Virgem"?

- Olha para aquele estábulo, no meio do campo: uma manjedoura, um boi, um burro, um molho de palha. Sobre essa palha, um recém-nascido que chora. É Ele. É o Eterno! Uns anjos deram os sinais Dele: "Achareis um menino envolto em panos e depositado num presépio". Sim, um menino, como um débil cordeiro no seu ninho de palha. Um menino! Ás vezes sucede-te dizer: "Seja como for, eu já não sou nenhuma criança!" e te entrajas na tua dignidade melindrada. Jesus fez-se criança. Ao nosso orgulho, é dali que um Deus prega.

- Olha: quarenta dias depois, Maria leva-o ao templo. Simeão acolhe-O, toma-o nos braços, pronuncia algumas palavras magníficas e pertubadoras, e planta um gládio no coração da jovem Mãe: depois, acabou-se. O véu da humildade torna a cerrar-se.

- Escuta. É noite. Uma voz clama a José: "Toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito". Alguns instantes após, os três viajores embrenham-se no deserto, Um Deus que foge de um homem!

- Eis Nazaré, onde a Sagrada Família se instá-la. Junto de José, Jesus trabalha; até os trinta anos. Passará a sua vida a construir charruas e a aplainar tábuas. Ele que, com uma palavra, lançara no espaço o arcabouço dos mundos, faz-se carpinteiro de aldeias, ignorado pelos que O utilizam e pelos que O cercam.

- Jesus tem trinta anos. José morreu. O Salvador inicia a sua vida pública. Colhe, à beira do lago de Tiberíades, alguns pescadores ignorantes e grosseios, e parte com eles a pregar o Evangelho. Ele é pobre. Não tem uma pedra onde repousar a cabeça... e, quando a multidão, entusiasmada pelos seus prodígios, procura-O para O fazer rei, Ele foge para as montanhas, onde passará a orar.

... Tu pecas e, por esse mesmo fato, expulsas de ti o teu Deus. Ele vai-se embora. O arrependimento germina no teu coração, e então, Lhe fazes sinal para que volte. Ele volta, como um servo que a gente torna a chamar. Veio para "servir"!

- Tu pecas ainda, e O expulsas de novo. Ele se vai. Tornas a chamá-lo. Ele volta ainda. E isso dez, cem, mil vezes talvez. Não é tratá-Lo como um escravo? Ele veio para "servir"!

- Um pecador vai morrer. Já lá vão sessenta anos que ele vive longe de Deus. A sua consciência está negra de crimes. Passa um sacerdote. Naquele coração quase gelado, acaba por surdir uma lágrima ... A absolvição apaga um pesado passado de culpas, e Jesus, então contenta-se com os restos poluídos de um coração que talvez nunca haja pulsado por Ele. Ele veio para "servir"!

... - Servir? Olha para a Hóstia. Ele ali está como uma coisa inerte, deixando-se dar, levar, trancar, à mercê dos padres, à mercê dos ladrões e dos profanadotes. Veio para "servir"!


- É a noite da Ceia. Olha Jesus: de rins cingidos, com uma toalha no braço, com uma bacia na mão, ei-Lo de joelhos diante seus Apóstolos e lavando-lhes os pés. No Oriente, quando um escravo ou o criado acaba de lavar os pés do amo, beija-os ... É o costume. Vés Jesus lavando e beijando os pés de Judas? Ele veio para "servir"!

- A Paixão principia. Ele é amarrado, troçado, insultado, maltratado, flagelado; esbofeteiam-No, escarram-Lhe no rosto, e, por irrisão, enterram-Lhe uma coroa de espinhos na fronte. Põem-Lhe nos ombros uma pesada cruz, como um escravo, como um salteador, como um ladrão, como um maldito! Ele veio para "servir"!

- Finalmente. pois seria mister citar quase todo o Evangelho, vem comigo a uma igreja. É noite. Tudo ali é calmo e silencioso. Só uma pequena lâmpada lucila diante de ti, dizendo-te, na sua mística linguagem: "Jesus está ali"! Sim, ali está Ele quis tornar-Se para nós "algo que se come"! Para chegar a isso, teve se forçar todas as leis da natureza e de multiplicar os milagres; tudo isso por nós, por ti! Ele veio para "servir".

Quando o padre dá a Hóstia ao comungante, vê-se alguma coisa que se parece com pão. Ms não há ali senão aparências; a substância do pão desapareceu, para dar lugar a Deus. Que é que vês na realidade? Aparências, é só. Um degrau mais abaixo, e seria o nada.

... Ó meu Jesus, sabeis que o orgulho é o grande mal da humanidade e a sua tendência mais desgraçada; para nos arrastardes pela trilha da humildade ... Ó Jesus, vós que sois o caminho, a verdade e a vida, tende piedade deste insuportável orgulho que me atormenta e que me transvia. Gravai na minha mente, e sobretudo no meu coração, esta lição que me quereis dar, porque ela me é salutar.

Mas, ai! quando eu tiver virado esta página, todas essas emoções que começaram a convencer-me dissipar-se-ão como um sonho noturno de que já se não guarda mais que uma lembrança vaga e fluida.É como que uma fórmula que eu me disse a mim mesmo, mas na qual não creio praticamente. Assim todo rui quando a ocasião se apresenta; diante das humilhações verdadeiras, torno a achar-me com esse veneno que o orgulho incorrigível depositou em mim.

Tende piedade, Jesus, tende piedade!

Bem sei que a humilhação não pode vir de mim; deve ser enxertada por uma força divina na minha natureza viciada. Ó Mestre, de joelhos aos vossos pés, sincero e calmo, decidido a vos seguir, só posso é dizer-Vos: "Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao Vosso!"

(Mais perto de Ti, meu Cristo! - Pe. José Baeteman)
PS: Grifos meus

Paciência e confiança


Filho meu, quando te aproximares para servir o Senhor,
prepara-te para a prova;
mantém o coração firme, sê valente,
não te assustes quando te sobrevier uma desgraça;
apega-te a Ele, não O soltes,
e ao final serás enaltecido.


Aceita tudo o que te sobrevier,
agüenta doença e pobreza,
porque o ouro se acrisola no fogo,
e os eleitos, no forno da pobreza.
Confia no Senhor, pois Ele te ajudará;
espera Nele, e te aplainará o caminho.


Vós que respeitais o Senhor, esperai em Sua misericórdia,
e não vos afasteis para não cair;
vós que respeitais o Senhor, confiai Nele,
pois não reterá vosso salário até amanhã;
vós que respeitais o Senhor, esperai bens,
alegria perpétua e misericórdia.


Repassai a história e vereis:
Quem confiou no Senhor e ficou frustrado?
Quem esperou Nele e ficou abandonado?
Quem gritou a Ele e não foi ouvido?
Porque o Senhor é clemente e misericordioso,
perdoa o pecado e salva do perigo.

Ai do coração covarde, das mãos desfalecidas!
Ai do pecador que vai por dois caminhos!
Ai do coração desfalecido que não confia,
porque não alcançará proteção!
Ai de vós, que perdestes a paciência!
O que fareis quando o Senhor vier pedir conta?


Os que respeitam o Senhor não desobedecem a suas palavras,
os que O amam seguem seus caminhos;
os que respeitam o Senhor procuram agradar-Lhe,
os que o amam cumprem a Lei;
os que respeitam o Senhor dispõem o coração
e se humilham diante Dele.


Caiamos nas mãos de Deus e não nas mãos do homem,
pois, como é Sua grandeza, assim é Sua misericórdia.


(Eclesiástico 2)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Escolha do(a) pretendente - Religião


"O teu Deus é o meu Deus" (Ruth, 1.16)

O casamento deve ser muito mais a união das almas que a os corpos. Ligação estreita e profunda, com toda a vida definitivamente empenhada, o matrimônio há de embeber raízes no mais intimo das almas. Do contrário, cedo perecem as melhores intenções, baldas de alimentos, mercê de superficialidades. A identificação será tanto maior, quanto mais perfeita a igualdade dos sentimentos. Ora, é o sentimento religioso o mais íntimo, elevado, envolvente e vital de todos os sentimentos humanos.

Se duas almas não afinam por ele, geralmente não é possível a harmonia. Se não são uníssonas nesta matéria, a felicidade  doméstica está, de antemão, comprometida. Em muitos casais aparecem depois as causas da desunião que infelicita o lar; neste, porém, que não se ligou pela mais poderosa força espiritual, os cônjuges já levam consigo a separação das almas.

O pretedente

O moço ou moça - é católico. Tem fé; cumpre os deveres religiosos; está convencido da necessidade do Cristianismo para a felicidade pessoal e doméstica, e não admite sequer a possibilidade de um educação sem religião. Por sua formação, seus hábitos e sentimentos, é a religião o ponto capital de sua vida. Feri-lo é ferir-lhe a própria alma, menosprezá-lo é ofender ao que mais ama; ser-lhe indiferente é querer que ele viva sem o coração; combatê-lo é chamar a campo um adversário que não cederá ante a própria morte.

Não há meio termo!

Ou a outra parte pensa igualmente, ou levam para a vida comum um germe terrível de desentendimentos.

É um herege: temos a luta aberta.
É um ímpio: temos a desinteligência.
É um indiferente: temos o desgosto - e já é uma desgraça no lar.

São divergências essenciais no modo de pensar, de agir, de sentir os problemas da vida.... Para um o matrimônio é um sacramento, coisa sagrada, que se recebe com os olhos fitos em Deus; para o outro, é um ato procurando por necessidade pessoal, para satisfação própria ou por motivo social.

... Casaram-se. A vida começou. O cônjuge católico faz as suas orações pela manhã e à noite, tem seus livros religiosos, imagens, objetos e práticas de piedade. São pessoas educadas e que se estimam. As atitudes são, pois, de respeito e tolerância para com tudo isto. Convenhamos, porém, que é pouco para quem deseja uma perfeita identidade na vida. No domingo, à Missa, que é obrigação grave, vai o católico por dever; o outro acompanha por complacência, como iria a uma visita desinteressante. Isto será assim, no começo. Depois as atitudes mudarão.


... Nasce o primeiro filho. Ao cônjuge católico cabe tratar de batizá-lo quanto antes - oito a dez dias.  O outro não quer. E não faltam pretextos ... Cresce a criança. Importa educá-la catolicamente. Formar-lhe o sentimento religioso, de que é rica a criança: contar-lhes as primeiras orações; mandá-la ao Catecismo; levá-la à Missa. Pobre criança, se for a mãe irreligiosa ou indiferente! E se for o pai o irreligioso, falta um grande fator educacional. Ainda que ele não intervenha positivamente para destruir a obra materna, sua atitude negativa é corrosiva da boa formação. Onde falta o concurso do pai, a educação é sempre defeituosa.

... Não há dúvidar: o pretendente tem de ser também católico. E não bastará que o seja de nome, mas de fato. Bons cristãos ambos, que se unam na solidez de seus princípios religiosos, nas práticas beatíficas do serviço de Deus, no modo de encarar a resolver os problemas da vida, que entendam as delicadezas de almas tementes ao Senhor, que cantem juntos os louvores do Altíssimo, que sintam no Coração amantíssimo de Jesus as dores ou consolações da vida conjugal.

Se ainda para estes a vida em comum pode ser difícil, que havemos de dizer dos outros?

O que, porém, mais importa aos que não querem jogar levianamente com o futuro é cercar de todas as garantias o lar que fundam, assentando-lhe tão firmes os alicerces quanto o puderem, para que resista ás tempestades com que não conta o amor apaixonado dos noivos, mas raro faltam na inexorável realidade da vida.

(Noivos e esposos - Padre Álvaro Negromonte)

PS: Grifos meus

A amizade


Amizade
Noção

Bossuet define a amizade:
"Aliança entre duas almas que se associam para a prática do bem".

Caracteres

1) Deduzimos desta definição que a amizade é possível apenas entre pessoas virtuosas e desinteressadas. Unindo-se para conseguir prazer, são companheiros; os que se agrupam para promover seus interesses materiais chamam-se cúmplices; somente os homens de bem tem amigos. Assim é que a virtude aparece como condição primordial de toda amizade verdadeira.
2) Há uma segunda condição: é a reciprocidade. "entre amigos, afima Aristóteles, tudo há de ser partilhado: mágoas e alegrias, opulência e penúria"...
3) A amizade é sentimento ativo e desinteressado, que definha, quando não é alimentado. Implica trabalhos em comum, sacrifícios recíprocos, vontade firme e constante de tratar do bem da pessoa querida. Tudo se traduz em atos: quanto mais vivo é o amor, mais eficiente é a dedicação. "Meu propósito, ao escolher um amigo, diz Sêneca, é ter alguém por quem possa morrer".
4) Enfim, a amizade exige conhecimento mútuo, certa vida em comum. Não se estabelecem vínculos com desconhecimento; logo, deve haver freqüentação prévia. Amigos longe de vista já não se carteiam, já não se prestam obséquios; tornam-se indiferentes em vez de amigos.

Este conhecimento gera a confiança, o desfogo, a sinceridade, a fidelidade. Nasce a estima e nasce o amor, porque sabemos que podemos contar um com o outro, quer na prosperidade quer na adversidade. Aptidões, talentos, disposições de fundo, tudo está posto em acervo único e desta união de dois valores, surge como um essência nova que duplica os haveres primitivos.

Amizade boa

Em si, a amizade é excelente; promove a virtude, incute coragem nos apuros, sustenta a força moral nas lutas diárias. É preciso, portanto favorecê-la; isto, porém, oportunamente. Deve-se premunir o adolescente contra as falsas amizades, sensuais e interesseiras; cumpre ensinar-lhe a discriminar o amigo verdadeiro do fingido.
O critério infalível da boa amizade é o progresso na virtude daqueles que estão unidos por seus laços. Desde que um é para o outro fator de decadência, a ruptura se impõe: vem a ser aliança forte do mal, não do bem.

Aqui, mais do que alhures, pelos frutos é que se afere a árvore. E tais frutos distinguem-se com facilidade: é a união na prece, é a fraternia advertência dos defeitos, é a incitação mútua a suportar o sofrimento, por amor de Deus, é a impulsão para um trabalho sempre mais intenso ... em resumo, é a virtude sob todas as suas modalidades, de contínuo mais amada e mais bem praticada.

Ilusões

Há de se concordar em que a verdadeira amizade é coisa rara e é extremamente comum alimentarem-se ilusões quanto às afeições que se cultivam. O adolescente deverá ser posto de sobreaviso com tanto mais empenho quanto maior for sua repugnância em admitir que os amigos por ele escolhidos sejam capazes de levá-lo para caminhos funestos... Cabe aos educadores andar alertados, enxergar claro em vez dos pupilos e arredar estes, em tempo, de amigos de perdição.

(Pais e Mestres - Irmão Leão)

PS: Grifos meus