segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Judas - No fundo da lista


Entretanto, que aconteceu a Judas?

Só ele sabia onde se encontrava o Mestre depois do anoitecer. Os soldados ignoravam-no e por isso precisavam dum sinal. Cristo foi entregue nas mãos dos inimigos por um familiar. Os grandes males nem sempre vêm dos inimigos, mas daqueles que foram amamentados nas assossiações sagradas. O fracasso dos que estão dentro é que dá oportunidade aos adversários que se encontram ainda de fora. Os inimigos seriam os executores da obra sanguinária da Crucifixão, mas aqueles que tiveram fé e a perderam e procuram ansiosamente salvar as suas consciências destruindo a raiz da moralidade é que cometem o maior mal.

O ódio de Judas contra o Senhor nasceu do contraste entre o seu pecado e a virtude do Divino Mestre. Iago diz de Cassio: "Ele tem uma beleza diária na sua vida que me torna feio a mim". Judas descarregava a repugnância de si mesmo sobre Aquele cuja Bondade o tornava inquieto. O ódio contra a Divindade nem sempre é efeito da descrença, mas na maioria dos casos é efeito da anticrença. A consciência, Cristo e o dom da fé são as causas da inquietação dos maus nos seus pecados. Imaginam que se conseguissem eliminar Cristo da terra, libertar-se-iam das "inibições morais"; e esquecem que é a própria natureza e a consciência que os levam a pensar desse modo. Não podendo expulsar a Deus dos céus, querem expulsar os seus embaixadores da terra. Numa esfera inferior, é esta a razão  por que muitos homens desdenham da virtude - por não deixar o vício sossegado. Um rosto casto é um juíz. Judas nunca se mostrou tão zeloso pela causa de Nosso Senhor, como pela dos seus inimigos. Quando os homens deixam a Cristo, procuram salvar a sua reputação indo aos extremos.

A traição consumou-se num beijo. Sempre que a perversidade destrói a virtude e que o homem crucifica o Filho de Deus, sente a necessidade de prefaciar as más ações com um sinal de afeto. Judas cumprimentaria e negaria a Divindade com os mesmos lábios. Uma única palavra foi pronunciada em resposta ao beijo: "Amigo". Foi a última vez que Nosso Senhor falou a Judas. De momento, ele não era o traidor, mas um amigo. Tinha o direito ao vileto mais gordo, mas rejeitou-o.

Então Judas, que fora o traidor,
vendo que Jesus fora condenado,
tocado de arrependimento,
tornou a levar as trinta moedas de prata,
aos príncipes dos sacerdotes e anciãos, dizendo:
Pequei entregando o sangue dum inocente. (Mateus 27,3)

Ainda que em português usemos do mesmo termo "arrependimento" com referência a Pedro e a Judas, no original Grego trata-se de palavras diferentes num e noutro caso. A palavra empregada em relação a Judas significa apenas uma mudança de sentimento, um pesar em vista das conseqüências, um desejo de desfazer o que estava feito. Esta espécie de arrependimento não busca o perdão, pois até os demônios no inferno se arrependeram das conseqüências do seu pecado e orgulho. A razão que levou a atraiçoar a Cristo aparecia-lhe agora como totalmente má e vil; o Messias político que esperava parecia-lhe agora como coisa indigna até de ser pensada. Antes do pecado, o demônio apresenta-o como coisa leve: depois do pecado, o demônio transforma-se em acusador incitando o culpado ao desespero e a maiores crimes. evidentemente o demônio "deixou-o por algum tempo", o que deu ocasião a Judas a repudiar a sua ação e a devolver o dinheiro. Mas voltou depois para excitá-lo ao desespero.

A condenação de Nosso Senhor produziu duplo efeito: um em Judas, outro nos príncipes dos sacerdotes. Em Judas, produziu a escravidão à culpa por meio da agonia da sua consciência. As trinta moedas de prata na bolsa acabrunhavam-no; correu ao templo, tirou os ciclos do saco do dinheiro e atirou-os escarninho sobre o pavimento do Lugar Santo. Ao desembaraçar-se do lucro da traição, verificou que não era mais rico com o que tinha ganho, e infinitamente mais pobre por causa do modo como o ganhou.


Ninguém renegou jamais de Cristo ou o vendeu por um prazer transitório ou recompensa temporária que não viesse finalmente a verificar estar essa troca fora de toda a proporção com o seu devido valor... Os frutos do pecado nunca compensam a perda da graça. O dinheiro já não servia para mais nada senão para comprar um campo de sangue.

... Judas estava arrependido para consigo, mas não para com o Senhor. Sentia-se desgostoso com os efeitos do pecado, mas não com o pecado em si. Tudo pode ser perdoado, exceto a recusa em buscar o perdão, como a vida pode perdoar tudo, aexeto a aceitação da morteO seu remorso não passava do ódio de si e o ódio de si é suicida. Odiar-se a si é o começo do morticínio. Só se torna salutar quando unido ao amor de Deus. Arrepender-se para consigo mesmo, não basta. A consciência fala em voz baixa quando devia falar em voz alta. É uma lâmpada que por vezes se extingue em trevas.

Quando um homem se odeia por aquilo que fez sem se arrepender perante Deus, baterá, talvez, no peito como que para obliterar o pecado. Há uma enorme diferença entre bater no peito com desgosto de si mesmo e bater com a mea culpa, na qual se pede perdão. Este ódio de si pode tornar-se por vezes tão intenso que chega a matar a própria vida humana, e conduzir assim ao suicídio....

Existe uma consciência preventiva e uma consciência roedora; a primeira admoestou Judas antes do pecado; a outra veio depois e atormentou-o de tal maneira que ele não a aguentou. Ei-lo descendo o vale do Cedron - esse vale cheio de evocações macabras. No meio daquelas rochas escarpadas e daquelas árvores enfezadas e retorcidas sentil tal nojo de si que resolveu eliminar o seu eu de si mesmo. Tudo à sua volta parecia falar-lhe do seu destino e do seu fim. Nada parecia tão repugnante a seus olhos como os tetos dourados do templo que lhe recordavam o Templo de Deus que vendera; cada árvore surgia-lhe como um patíbulo ao qual tinha condenado o sangue inocente; cada ramo, um dedo acusador; o próprio outeiro onde se encontrava dominava o Calvário no alto do qual, aquele que ele sentenciara à morte uniria o céu e a terra; mas ele separá-los-ia agora tanto quanto o seu poder lho consentisse.

Lançando uma corda à pernada duma árvore, enforcou-se enquanto as suas entranhas arrebentavam aos pedaços. Deus pode ser vendido, mas não pode ser comprado. Judas vendeu-O, mas os seus perversos colaboradores não o puderam comprar, porque Ele estava de novo presente, em renascida glória na Páscoa.


Podemos traçar um interessante paralelo entre Pedro e Judas. Existem algumas semelhanças, mas também tremendas diferenças. Primeiramente, Nosso Senhor chamou a ambos de "demônios". Chamou a Pedro "Satanás" quando este repreendeu o Mestre por afirmar que havia de ser crucificado; chamou a Judas demônio quando promete o Pão da Vida. Em segundo lugar, avisou a ambos da queda que os esperava. Pedro respondeu que ainda que todos os demais negassem o Mestre ele nunca o negaria. Ao que foi respondido que naquela mesma noite, antes que o galo cantasse, o negaria três vezes. Judas por sua vez, foi avisado também, em resposta à sua pergunta  que ele era o traidor. Em terceiro lugar, ambos negaram a Nosso Senhor: Pedro, diante duma criada na noite do julgamento; Judas, no Horto, quando entregou o Mestre aos soldados. Em quarto lugar, Nosso Senhor procurou salvá-los a ambos; a Pedro com um olhar, a Judas tratando-o por "Amigo". Em quinto lugar, ambos se areependeram: Pedro saindo e chorando amargamente; Judas devolvendo as trinta moedas de prata e afirmando a inocência do Mestre.

Porque, pois, está um à cabeça da lista e outro ao fundo?

Porque Pedro se arrependeu para com o Senhor e Judas para consigo mesmo. A diferença era tão vasta como a referência a Deus e a referência a si; tão vasta como a diferença entre uma Cruz e uma poltrona de psicanálise. Judas disse que tinha "entregado o sangue do justo", mas não quis banhar-se nele. Pedro conheceu que tinha pecado e buscou a redenção; Judas conheceu o erro cometido e procurou fugir - o primeiro dum longo exército de fugidiços da Cruz. O perdão Divino pressupõe, mas nunca destrói, a liberdade humana. Teria Judas, ao parar debaixo da árvore que lhe daria a morte, olhado à roda para a Árvore que lhe podia trazer a vida?

A diferença entre o arrependimento para com o Senhor e o arrependimento para consigo mesmo que tiveram Pedro e Judas respectivamente, foi mais tarde comentado por São Paulo com estas palavras:

O remorso que é segundo Deus
produz para a salvação uma penitência estável,
e o remorso do mundo produz a morte
                                                (II Coríntios 7,10)

A tragédia da vida de Judas está em que ele podia ter sido São Judas.

(Vida de Cristo - Arcebispo Fulton J.Sheen)

PS: grifos meus

Viva Nossa Senhora !!!



Ó incomparável Senhora da Conceição Aparecida,
Mãe de Deus, Rainha dos Anjos,
Advogada dos pecadores,
refúgio e consolação dos aflitos e atribulados.

Virgem Santíssima,
cheia de poder e de bondade,
lançai sobre nós um olhar favorável,
para que sejamos socorridos por vós,
em todas as necessidades em que nos acharmos.

Lembrai-vos, ó clementíssima Santa Mãe Aparecida,
que nunca se ouviu dizer
que algum daqueles que têm a vós recorrido,
invocado Vosso Santíssimo Nome
e implorado a vossa singular proteção,
fosse por vós abandonado.

Animados com esta confiança,
a vós recorremos.
Tomamo-vos para sempre por nossa Mãe,
nossa protetora, consolação e guia,
esperança e luz na hora da morte.

Livrai-nos de tudo o que possa ofender-vos
e ao vosso Santíssimo Filho, Jesus.
Preservai-nos de todos os perigos
da alma e do corpo;
dirigi-nos em todos os assuntos espirituais e temporais.

Livrai-nos da tentação do demônio,
para que, trilhando o caminho da virtude,
possamos um dia ver-vos e amar-vos
na eterna glória, por todos os séculos dos séculos.

Amém.

Vanglória e a desastrosa dança do Pavão


Diz-se que um certo passarinho, por nome tataranho, tem uma virtude secreta, no seu grito e nos seus olhos, de afugentar as aves de rapina e crê-se ser esta a razão da simpatia que as pompas lhe dedicam. Assim os também podemos dizer que a humildade é o terror de Satanás, o rei do orgulho, que ela conserva em nós a presença do Espírito Santo e de seus dons e que por isso foi tão apreciada dos santos e santas e tão querida dos Corações de Jesus e de sua Mãe.

Muitos se comprazem duma maneira vã em si próprios, por ter belos cabelos, belos dentes ou belas mãos, ou certa habilidade no jogo, uma boa voz para cantar, uma certa elegância para dançar. Mas que baixeza de espírito ir procurar a sua honra em coisas tão frívolas. Muitos outros encantam-se com sua pretensa beleza; outros, cheios de si por um pouco de ciência, unida a muita vaidade, tanto se ridicularizam, aos olhos daqueles por quem se querem fazer respeitar, que o nome de pedante é todo o louvor que recebem. Na verdade Filotéia, é destas coisas que procede a vanglória.

Queres, pois, saber se certa pessoa é sábia, prudente, nobre e generosa? Examina se estas qualidades são acompanhadas da humildade, da modéstia e da submissão para com seus superiores; se assim for, são verdadeiros bens; mas, se descobrires nela afetação de fazer aparecer o que tem por bem, julga que essa pessoa é superficial e que esses bens são tanto mais fúteis quanto mais os quer ostentar.

As pérolas formadas numa estação de ventos tempestuosos e trovões só têm de pérolas uma casca sem a substância; assim, todas as virtudes e as mais excelentes qualidades de um homem, que delas se ensoberbece, só têm uma aparência do bem, sem nenhuma solidez.

Com razão compara-se a honra ao açafrão que se torna mais forte e mais abundante quando calcado aos pés. Uma pessoa que tem vaidade de sua beleza perde-lhe a glória; e outra que pouco se dá disso aumenta-lhe o brilho. A ciência que nos enche de nós mesmos desonra e degenera numa ridícula pedanteria. Quando o pavão quer ter o prazer de contemplar a sua bela plumagem, eriça todo o corpo, mostrando o que tem de mais disforme e feio.

Se desejamos sempre o primeiro lugar, a precedência e títulos, além de expormos as nossas qualidades ao exame e ao pesar de vê-las contestadas, fazemo-nos vis e desprezíveis; pois, assim como nada há de mais belo que o louvor espontâneo, também nada é mais feio que o que se exige, como um direito; é como uma linda flor, que não devemos tocar nem apanhar, se não queremos que murche.

O amor e o desejo da virtude começam a nos fazer virtuosos; mas a paixão e a cobiça da glória começam a nos fazer desprezados. As almas grandes não se entretêm com essas bagatelas de primazia, distinções e cumprimentos; disto só se ocupam os espíritos mesquinhos e ociosos, aquelas empregam o seu tempo em coisas mais nobres.

O verdadeiro humilde não quer parecer que o é e nunca fala de si mesmo... Fica aqui o meu conselho Filotéia, ou nunca falemos de nós com termos de humildade, ou conformemos com eles os nossos pensamentos, pelo sentimento interior duma verdadeira humildade. Nunca abaixemos os olhos, sem humilharmos o coração; nunca procuremos o último lugar, sem que de bom grado e sinceramente o queiramos tomar. Esta regra é tão geral que não se pode abrir exceção alguma.

O homem verdadeiramente humilde gostará mais que os outros digam dele que é um miserável, que nada é e nada vale, do que de o dizer por si mesmo; ao menos, se sabe que falam assim dele, sofre com paciência e, como está persuadido que é verdade o que dizem, facilmente se conforma com esses juízos, aliás, iguais aos seus ... A humildade esconde as virtudes e as boas qualidades e só as mostra pela caridade, que, não sendo uma virtude humana e mortal, mas celeste e divina e o sol das virtudes, deve sempre dominar sobre todas; de sorte que, se a humildade prejudica a caridade em alguma coisa, é, sem dúvida, uma humildade falsa.

(Filotéia - São Francisco de Sales)

PS:Grifos meus

domingo, 11 de outubro de 2009

O valor do silêncio


- Ó quão poucas são as palavras que os homens falam retamente! Todo o dia falamos e tudo são linhas erradas que não vão parar ao ponto que deviam, nem conduzem para honrar a Deus, nem para amar o próximo, nem para a caridade bem ordenada de si próprio. Tantas novas, tantas fábulas, tanto gracejo, tanto cumprimento, tanta lisonja, como se encaminha isso para o ponto da honra de Deus? Tanta jactância e louvor próprio, tanto mexerico e revelar de segredos, tantos piques e asperezas no trato do próximo, tanto clamor e enfados no governo da família, tanto ruído e murmurinhos quando assistimos na Igreja. De que serve isto para o ponto do amor do próximo, ou da caridade própria bem ordenada? Se o escrever se parece com o falar em muitas coisas, em verdade que muitos homens provectos ainda  agora escrevem como meninos: tudo riscos, descompassados e torcidos.

- Primeiramente, a matéria das nossas palavras há de ser plana, onde não ache tropeços a consciência, e limpa, onde não haja sombras e manchas contra a pureza do coração.Ó grande engano o nosso! Nós não queremos falar coisas boas, e queremos falar bem?
A matéria das nossas práticas ordinariamente são coisas vãs, e queremos que as palavras sejam santas e virtuosas? Não pode ser. Que onde se não fala senão coisas vãs, ainda que seja um santo quem fala, há de encher-se de pecados e perder as virtudes.

- É tão danoso o falar, que, uma vez que estamos entre pessoas faladoras, não é bom senão calar; e se se há de falar, melhor será com os que calam.

- O pouco falar costuma andar junto com o obrar muito.

- Coisa é por certo digna, ou de riso, ou de lástima, que um religioso tenha tão pontual cuidado em fechar a cela, e tão pouco em fechar a boca; e que trazendo consigo continuamente a chave, por que lhe não entre alguém na cela, perca a cada passo o silêncio, não curando de que os pecados lhe entrem na alma.

- Se o silêncio importa muito, também não custa pouco.

- Quem quiser rezar há de pôr a boca no pó da terra, calando-se: Ponet in pulvere os suum, e não o pó da terra na boca, falando em vaidades.

- A porta ora se fecha, ora se cerra somente, ora se abre, e isto ou de todo ou em parte, conforme é necessário ou conveniente. Assim também a língua ora há de estar fechada com a chave do silêncio, quando é obrigação calar. Ora há de estar só cerrada, quando é escusado falar. Ora há de estar aberta pouco ou muito, quando é conveniente falar mais ou menos. Por isso, pois, diz o sábio: Ori tuo facito ostia et seras.

- As balanças servem de examinar o peso das coisas primeiro que as entreguemos. Assim as nossas palavras primeiro que a língua as entregue, o entendimento há de ponderá-las. E porque hão de ser balanças de ouro e prata? Porque estas servem  para pesos mais miúdos e pequenos, e para coisas mais preciosas. E quis dar-nos a entender que as palavras havemos de examinar com muita miudeza e atenção.

- Quem fala pouco com os homens fala muito com Deus e com o seu coração. E quem fala muito com Deus e com o seu coração, quando chega a falar com os homens, fala bem: Loquebatur recte. Enfim, que o silêncio santo e discreto é a cura dos males da nossa língua, assim nesta vida como na outra.

- Quem não sabe refrear a sua língua não será perfeito, nem terá virtude, nem dará nunca bom exemplo.

(As mais belas páginas de Pe. Manuel Bernardes - Editora Melhoramentos)

PS: Grifos meus

sábado, 10 de outubro de 2009

A educação da ordem


Ter ordem não é coisa insignificante. É uma das virtudes mais preciosas para o perfeito equilíbrio da vida individual e para a boa harmonia na vida em comum.

Nossas filhas sentirão, durante toda a vida, grande necessidade de ter ordem, sobretudo quando forem donas de casa, esposas ou mamães. Mas é na idade em que se formam os hábitos que cumpre desenvolver essa disciplina. A ordem é igualmente necessária aos meninos, porque não há profissão na qual quem tiver ordem não ultrapasse a quem não a tiver. Existem mesmo algumas em que a desordem incorrigível constitue autêntica contra-indicação.

A ordem é um meio de desenvolver nas crianças o auto-domínio, e num certo sentido o espírito de sacrifício, obrigando-as a lutar contra a negligência. Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar; um tempo para cada coisa e coisa a seu tempo. Duas fórmulas que é preciso repetir sem cessar, e sobretudo viver.

É uma realidade da experiência que a ordem exterior torna a vida mais agradável: alivia a memória, permitindo encontrar sem esforço as coisas em seus lugares.
- Facilita a calma, suprimindo as causas de fadiga suplementares, provocadas pela desordem.
- Faz ganhar tempo, permitindo agir com segurança no sentido de encontrar o que se precisa.
- Facilita o respeito ao bem comum e o senso social, porque nada prejudica mais o bom entendimento e a ajuda mútua do que não colocar nos lugares objetos e utensílios pertencentes à comunidade familiar.
- A ordem também assegura a exatidão, que é uma das formas mais preciosas da polidez.

Para estimular nas crianças o amor à ordem é preciso acentuar, sempre que se apresentar oportunidade, quão agradável e prático é encontrar as coisas com os olhos fechados; (Pode-se mesmo fazer disso um jogo improvisado) por exemplo, mostrar-lhes todas as pequenas vantagens de ter em ordem os objetos de uso pessoal, no armário, na carteira, na pasta ou nos bolsos. Alertar as crianças contra uma ordem que seria apenas hipócrita: por exemplo a mesa bem arrumada e as gavetas em polvorosa.

Mme. Montessori notou que mais ou menos aos três anos de idade há um "período sensível", isto é, uma época particularmente favorável à aquisição da ordem. O fato é verdadeiro, e numerosos são os pais que o verificaram. Esperar muito tempo para estimular na criança o hábito da ordem é arriscar-se a esperar sempre.

Aos nove ou dez anos, o hábito da ordem deve confirmar-se pelo hábito da exatidão. É a idade em que é preciso ensinar à criança a organizar o seu trabalho e o seu tempo, prever mesmo a sucessão de suas ocupações por um par de horas, e em seguida por seis horas.

Ao voltar das aulas, cada criança deveria estabelecer um horário: deveres a fazer, lições a aprender, livros a ler, etc ..., indicar para cada operação lapso de tempo favorável e especificar a ordem da execução. De certo, não se trata de mecanizar a criança, mas de ajudá-la a obter a produtividade máxima das horas que dispõe.

(A arte de educar as crianças de hoje - Padre G. Courtois)

PS: Grifos meus

Ladainha de Santa Filomena


Ladainha de Santa Filomena
Composta pelo Santo Cura d'Ars, São João Batista Vianney

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho de Deus, Redentor do Mundo, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Trindade Santa, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, Rainha das Virgens, rogai por nós.

Santa Filomena, cheia de abundantes graças desde o berço, rogai por nós.
Santa Filomena, fiel imitadora de Maria, rogai por nós.
Santa Filomena, modelo das Virgens, rogai por nós.
Santa Filomena, templo da mais perfeita humildade, rogai por nós.
Santa Filomena, abrasada no zelo da glória de Deus, rogai por nós.

Santa Filomena, vítima do amor de Jesus, rogai por nós.
Santa Filomena, exemplo de força e de perseverança, rogai por nós.
Santa Filomena, atleta invencível da castidade, rogai por nós.
Santa Filomena, espelho das mais heróicas virtudes, rogai por nós.
Santa Filomena, firme e intrépida em face dos tormentos, rogai por nós.

Santa Filomena, flagelada como o vosso Divino Esposo, rogai por nós.
Santa Filomena, transpassada por uma saraivada de dardos, rogai por nós.
Santa Filomena, consolada pela Mãe de Deus, quando agrilhoada, rogai por nós.
Santa Filomena, milagrosamente curada na prisão, rogai por nós.
Santa Filomena, amaparada pelos Anjos no meio dos tormentos, rogai por nós.

Santa Filomena, que preferistes as humilhações da morte aos esplendores do trono, rogai por nós.
Santa Filomena, que convertestes as testemunhas do vosso martírio, rogai por nós.
Santa Filomena, que cansastes o furor dos algozes, rogai por nós.
Santa Filomena, protetora dos inocentes, rogai por nós.
Santa Filomena, padroeira da juventude, rogai por nós.

Santa Filomena, asilo dos desgraçados, rogai por nós.
Santa Filomena, saúde dos doentes e enfermos, rogai por nós.
Santa Filomena, nova luz da Igreja militante, rogai por nós.
Santa Filomena, que confundia a impiedade do século, rogai por nós.
Santa Filomena, cujo nome é glorioso no Céu e formidável para o inferno, rogai por nós.

Santa Filomena, ilustre pelos mais esplêndidos milagres, rogai por nós.
Santa Filomena, poderosa junto de Deus, rogai por nós.
Santa Filomena, que reinais na glória, rogai por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.

Rogai por nós, Santa Filomena, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oração:

Nós Vos suplicamos, Senhor, que nos concedais o perdão dos nossos pecados, pela interecessão de Santa Filomena, Virgem Mártir, que foi sempre agradável aos vossos olhos pela sua eminente castidade e exercício de todas as virtudes. Rogai por nós.

* estas orações servem admiravelmente para fazer uma novena que se pode concluir com a Sagrada Comunhão. (300 dias de indulgência para cada dia de novena)

(Santa Filomena a Grande Milagrosa - E.D.M)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Extratos do Relatório Kissinger

Por algum tempo os processos utilizados para reduzir os nascimentos tais como a esterilização em massa de mulheres, o uso indiscriminado de contraceptivos, a propaganda para legalização do aborto e as propostas para a institucionalização da educação sexual nas escolas de Primeiro e Segundo Graus, não tiveram uma explicação.

Para entendermos a política de controle de população e indispensável o conhecimento do documento “confidencial” IMPLICAÇÕES DO CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO MUNDIAL PARA A SEGURANÇA E OS INTERESSES EXTERNOS DOS ESTADOS UNIDOS, classificado sob o código NSSM 200. Esse documento confidencial produzido pela equipe do Sr. Henri Kissinger em 1974, desclassificado pela Casa Branca em 1989, estabelece as políticas e estratégias a serem implementadas pelo Governo Americano, para a redução da população dos países em desenvolvimento.

O documento expõe a preocupação com o crescimento da população mundial e propõe medidas de controle utilizando como eufemismo “Serviços de Planejamento Familiar”.

A importância dos objetivos propostos explica a extraordinária soma de recursos empregados nos projetos de controle populacional no mundo e, particularmente no Brasil, um dos 13 “países chaves” mencionados naquele documento. E oportuno observar a importância que o relatório dá ao papel da mulher no controle da população. O uso da mulher para os objetivos a serem alcançados parece excluir a participação do homem no planejamento familiar na medida em que os programas de planejamento familiar são parte integrante dos programas de saúde voltados para a assistência a mulher: programa de assistência integral a saúde da mulher; programa de assistência materno-infantil, etc.

 Por outro lado, as constantes recomendações no sentido de incutir nas mulheres a igualdade com os homens na participação política, no mercado de trabalho, nos salários na educação etc; tem por objetivo não a libertação da mulher no sentido cristão da palavra mas o uso da mulher para o controle de nascimentos. 

“A condição e a utilização das mulheres nas sociedades dos países subdesenvolvidos são particularmente importantes na redução do tamanho da família... As pesquisas mostram que a redução da fertilidade esta relacionada com o trabalho da mulher fora do lar.” (NSSM 200, pag. 151).

Para melhor visão do conteúdo do NSSM 200 traduzimos alguns trechos de interesse para nosso estudo.Com essa publicação, a Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família Pró-Vida - PROVIDAFAMÍLIA acredita contribuir para a explicação dos inúmeros projetos de população e recursos da ordem de milhões de dólares publicados pelo Fundo de População das Nações Unidas (FNUAP) em seu “Inventory of Population Projects in Developing Countries Around the World”.

Brasilia 15 de agosto de 1997
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Trechos do Relatório Kissinger - NSSM 200
I - Introdução

O Plano Mundial de População, adotado na Conferência Mundial sobre População, recomenda que os países que estão trabalhando para modificar os níveis de fertilidade devem dar prioridade aos programas de desenvolvimento e aos planos de educação e saúde que tem efeito decisivo na fertilidade. A cooperação internacional deve ter como prioridade dar assistência a esses programas nacionais ..."
(Página 8, parágrafo 16)

"Para que o Plano Mundial de População funcione, os países interessados, os órgãos da ONU e outros grupos internacionais deverão agir vigorosamente. E essencial que os EUA assumam a liderança. O plano deve incluir os seguintes elementos de ação:

a) Concentração nos países chaves

A assistência para o controle populacional deve ser empregada principalmente nos países em desenvolvimento de maior e mais rápido crescimento onde os EUA tem interesses políticos e estratégicos especiais. Esses países são Índia, Bangladesh, Paquistão, Nigéria, México, Indonésia, Brasil, Filipinas, Tailandia, Egito, Turquia, Etiópia e Colômbia.”
(Páginas 14/15, parágrafo 30)

b) Integrar os programas e questões populacionais no planejamento do desenvolvimento de cada pais
Conforme exorta o Plano Mundial de População os países em desenvolvimento e os países que lhes prestam assistência devem especificamente tomar as questões populacionais no planejamento nacional e incluir programas populacionais nesses planos.

c) Mais assistência para os serviços, informações e técnicas de planejamento familiar

Esse e um aspecto vital de todo o programa populacional no mundo. As informações e as modernas técnicas de planejamento familiar devem ser totalmente colocadas, tão logo quanto for possível, a disposição dos 85% das populações nos principais países em desenvolvimento que ainda não foram alcançados, principalmente as populações rurais pobres que possuem a mais elevada fertilidade. Deve-se aumentar as pesquisas com o objetivo de desenvolver métodos de controle da natalidade simples, baratos, eficientes, seguros, duradouros e aceitáveis. Todos os órgãos federais devem colaborar para que haja um aumento de 60 milhões de dólares anualmente para as pesquisas biomédicas nesse campo.

d) Criar condições que levem ao declínio da fertilidade

Em obediência as recomendações do Plano Mundial de População, o programa geral de assistência deve se concentrar em seletivos planos de desenvolvimento em áreas que ofereçam mais incentivos para que as pessoas tenham famílias menos numerosas. Em muitos casos será preciso realizar pesquisas e programas experimentais que orientem subseqüentes campanhas em maior escala. As áreas preferenciais incluem:

Dar mínimos níveis de educação, especialmente para as mulheres;
- Aumentar as oportunidades de trabalho, principalmente para as mulheres;
- Educar as novas gerações a desejarem famílias menos numerosas.”
(Páginas 16 e 17)

"Todos os casais e indivíduos tem o direito humano básico de decidir com liberdade e responsabilidade o numero e o espaçamento de seus filhos e direito de terem informações, educação e meios para realizar isso.”

(Página 88)

As mulheres tem o direito a completa participação no processo de desenvolvimento, particularmente por meio de participação imparcial na vida educacional, social, econômica, cultural e política. Alem disso, deve-se aplicar as medidas necessárias para facilitar essa participação mostrando que as responsabilidades da família devem ser assumidas igualmente tanto pelo homem como pela mulher.”
(Página 89)

"Os países devem ser estimulados a incentivar a educação apropriada com relação a paternidade responsável e a dar informações e meios para as pessoas que os desejarem."
(Página 107)

"ter como prioridade educar e ensinar sistematicamente a próxima geração a desejar famílias menos numerosas.” (Página 111)

(http://providafamilia.org/doc.php?doc=doc17753)

PS: Grifos meus

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mulher fora do lar (o engodo feminista...)


Certa vez uma professora, em data próxima ao dia das mães, resolveu passar para os alunos a tarefa de fazer uma redação com o tema "Mãe, só tem uma".

Um deles, órfão de mãe, escreveu ter sido educado pelo pai e pela madrasta. Esta, apesar de ser boa, não se comparava à falecida mãe. E isso porque "mãe, só tem uma".

Outro aluno contou o quanto sua mãe se esforçava por competir com os homens no mercado de trabalho. Amontoava os empregos fora de casa e quase não tinha tempo de dar atenção aos filhos. É verdade que ela havia contratado uma empregada para ficar no seu lugar, mas não era a mesma coisa. E isso porque "mãe, só tem uma".

Um terceiro aluno, com pouca inspiração, contou que sua mãe, ao receber visita na sala, mandou que ele fosse até à cozinha buscar duas garrafas de guaraná. Ao abrir a geladeira, o menino voltou correndo e disse: "Mãe, só tem uma!".

A anedota acima mostra o papel insubstituível que a mulher desempenha no lar, e o prejuízo que a família sofre quando os filhos se vêem educados por dois pais, e não por um pai e uma mãe. Ao buscar desesperadamente por uma "realização profissional" fora de casa, a mulher está desvalorizando sua função única de mãe e rainha do lar.

Ao sair de casa para "competir" com o marido (ao invés de ficar para "cooperar" com ele), a mãe de família está, sem o saber, atendendo a um dos anseios do Relatório Kissinger, a cartilha do imperialismo contraceptivo dos Estados Unidos. Vejamos o que diz esse documento na página 151:


"A condição e a utilização das mulheres nas sociedades dos países subdesenvolvidos são de extrema importância na redução do tamanho da família. Para as mulheres, o emprego fora do lar oferece uma alternativa para o casamento e maternidade precoces, e incentiva a mulher a ter menos filhos após o casamento... As pesquisas mostram que a redução da fertilidade está relacionada com o trabalho da mulher fora do lar..."

Em resumo: mulheres trabalhando fora de casa significa menor número de filhos. Assim, o Brasil fica com menos brasileiros. E oferece menor ameaça para a segurança e os interesses externos do Tio Sam.

Anápolis, 23 de setembro de 2001
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis

PS: grifos meus

A abertura do Lado


Mal Nosso Salvador deu o último suspiro, foram quebrados os ossos aos ladrões para lhe apressar a morte. A Lei ordenava que o corpo dos crucificados, e por conseguinte malditos de Deus, não permanecessem na cruz durante a noite. Além disso, aproximando-se o Sábado da semana Pascal, os sequazes da Lei deram-se pressa em matar os ladrões e enterrar todos os sacrificados. Mas restava ainda uma profecia por cumprir referente ao Messias. A realização dela deu-se quando,

Um soldado lhe abriu o lado com uma lança;
E imediatamente jorrou sangue e água. (João 19,34)

O Divino Desgraçado tinha amealhado algumas gotas preciosas de seu Sangue para derramar depois de entregue o espírito, mostrando assim que o seu amor era mais forte do que a morte. Saiu Sangue e água; Sangue, preço da Redenção e símbolo da Eucaristia; água, símbolo da regeneração pelo batismo. São João testemunha da cena em que o soldado trespassou o Coração de Cristo, escreveu mais tarde a esse propósito:

Este é Jesus Cristo cuja vinda
nos foi tornada conhecida pela água e sangue;
Não pelo água somente, mas pela água e sangue. (I João 5,6)

Não se tratava apenas dum fenômeno natural, tanto mais que João lhe deu um significado misterioso e sacramental. A água aparece no começo do magistério do Senhor, quando foi batizado, e o Sangue no encerramento dele, quando se ofertou como oblação pura. Ambos se tornaram o fundamento da fé, pois no Batismo, o Pai declarou-o seu Filho, e na Ressurreição deu de novo testemunho da sua Divindade.


... Ainda que o poupassem de brutalidade arbitrárias, como a de lhe partirem as pernas, havia, contudo, uma intenção Divina misteriosa no rasgar do Coração Sagrado de Deus. João, que se reclinou sobre o peito do Senhor durante a Última Ceia, recordou muito a propósito a abertura do Coração. Quando do Dilúvio, Noé abriu uma porta do lado da arca, pela qual entravam os animais para escaparem à inundação; agora, é aberta uma nova porta no Coração de Deus, entrando pela qual os homens podem escapar do dilúvio do pecado. Quando Adão adormeceu, foi Eva formada do seu lado e chamada mãe de todos os viventes. Agora, quando o novo Adão inclinou a cabeça e adormeceu na Cruz saiu do seu lado a esposa, a Igreja, sob a figura do Sangue e água. No coração aberto estão cumpridas as suas palavras:

Eu sou a porta; se alguém entrar por mim,
Será salvo. (João 10,9)

Santo Agostinho e outros escritores Cristãos primitivos dizem que Longino, o soldado que abriu os tesouros do Sagrado Coração, ficou curado duma infecção de cegueira; e que mais tarde morreu como bispo e mártir da Igreja, celebrando-se a sua festa a quinze de Março. Ao ver aquela ação, João recordou-se de Zacarias, seis séculos antes:

Eles contemplarão aquele a quem trespassaram. (João 19,37)

Não há dor antes de se olhar para a Cruz; ao contrário, a dor dos pecados brota da visão da Cruz. Nenhuma desculpa pode ser aceita quando a vileza do pecado se revela em toda a sua profundidade. mas a seta do pecado, que fere e crucifica, traz o bálsamo do perdão que cura.

Pedro viu o Mestre e saiu logo para chorar amargamente. Todos os que olharam para a serpente de bronze ficaram curados da mordedura envenenada; agora a figura torna-se realidade e todos os que olham para Aquele que tinha semelhança do pecador, mas sem o ser, ficam curados do pecado.

Todos são obrigados a olhar, quer lhes agrade quer não. Cristo transpassado levanta-se blasonado nas encruzilhadas do mundo. Alguns olham e sentem-se movidos à penitência; outros olham e seguem pesarosos mas não arrependidos, como sucede à multidão no Calvário "que voltou para casa batendo no peito". Aqui, o bater no peito era sinal de impenitência e de recusa de olharem para aquele a quem transpassaram. O bater no peito que salva é o mea culpa.

Ainda que os algozes lhe atravessaram o lado, não lhe quebraram, contudo, osso algum, como estava profetizado. Diz-se no Êxodo que o Cordeiro Pascal não devia ter osso algum do corpo partido. Este cordeiro era apenas o protótipo do que se verificaria literalmente no Cordeiro de Deus:

Isto sucedeu para que se cumprisse o que estava escrito:
Não lhe quebrareis nenhum dos seus ossos. (João 19,36)

A profecia cumprida a despeito dos inimigos que reclamavam o contrário. Assim, o Corpo físico de Cristo, apesar das chagas, pisaduras e cicatrizes eternas, conservava intacta a estrutura interna. Isto parece um prenúncio do que sucederia com o seu Corpo Místico, a Igreja, a qual, apesar das chagas morais e das cicatrizes dos escândalos que havia de sofrer, nem um osso sequer do seu corpo seria, contudo, jamais quebrado.

(A vida de Cristo - Fulton J. Sheen)
PS: grifos meus

Em quatro décadas, família brasileira encolheu e já é chefiada por mulher


A família brasileira diminuiu, enriqueceu, tornou-se mais igualitária e se diversificou, numa revolução que mudou as relações familiares nos últimos 40 anos. A entrada maciça da mulher no mercado de trabalho nos anos 80 foi uma das principais causas dessa mudança, na opinião de quem acompanha os indicadores sociais brasileiros.

Em 1985, só 33% das mulheres em idade de trabalhar disputavam com os homens uma ocupação. Essa parcela subiu para 52% e permanece em expansão. Assim, aquela mulher que tinha em média 5,8 filhos nos anos 70 passa a ter menos de dois filhos, 40 anos depois.

- Mudaram as relações sociais e familiares. A mulher passou a dividir a provisão da família. O tamanho do respeito dentro de casa passou pelo tamanho do contracheque - diz Ana Saboia, chefe da Divisão de Indicadores Sociais.

Mais de 80% dos lares têm acesso a água e luz

A socióloga Elisabete Dória Bilac, pesquisadora do Núcleo de Estudos Populacionais da Unicamp, cita como base dessa revolução o ingresso da mulher no mercado de trabalho.
- Não temos absolutamente equidade de gênero, mas avançamos muito - afirma.

Os casamentos, praticamente indissolúveis, foram se desfazendo, e a proporção de mulheres casadas caiu de 60% em 1970 para 45% em 2000. Hoje, o fenômeno novo captado nas pesquisas domiciliares é a reconstituição dessas famílias.
- O recente aumento no número de casamentos está relacionado ao recasamento. A independência financeira permitiu à mulher abandonar arranjos em que não havia mais satisfação afetiva - diz Elisabete.

A mulher assumiu a chefia da família - eram 18% em 1991 e, em 2007, eram 33%. E ultrapassou os homens no número de anos de estudo. Hoje, são nove para mulher e oito para os homens, nas áreas urbanas.
Houve ainda um "controle de natalidade" não oficial, com a liberação da ligadura de trompas e a pílula anticoncepcional. Mas a situação ainda está longe do ideal. A mulher conquistou o trabalho, mas não conseguiu dividir as tarefas domésticas nem o cuidado com os filhos. E os salários ainda estão perto de 70% do que ganham os homens. Há ainda o desafio de se inibir a violência contra a mulher.

É inegável, porém, que as condições de vida melhoraram. O indicador mais evidente é o de expectativa de vida dos brasileiros, que passou de 52 para 72 anos. A água chega hoje a 83% dos lares, e a luz, a mais de 90%. A dívida é o saneamento, que só passou a barreira dos 50% dos domicílios em 2007.

(Fonte: O Globo - matéria enviada por e-mail, grifos meus)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Solenidade do Rosário de Nossa Senhora - 07 de Outubro


A cadeia do Rosário

Pregando em Carcassona, cidade de França, o glorioso São Domingos e pregando, como sempre costumava, a devoção do Rosário, trouxeram-lhe um endemoniado furiosíssimo, o qual se despedaçava a si mesmo; e, posto que vinha atado com cadeias de ferro, não havia quem o pudesse domar, nem ter mão. Mas o santo tinha outra cadeia mais forte e mais poderosa, que era o Rosário.

Lançou o seu Rosário ao pescoço do miserável homem, e o demônio, com grandes repugnâncias e visagens, em que mostrava a nova força de que se sentia oprimir, ficou domado. Agora entenderam os doutos uma boa interpretação daquele anjo do Apocalipse, sobre que os expositores antigos se dividem em tantas opiniões. Diz São João que viu descer do céu um anjo, o qual trazia na mão uma grande cadeia e que com ela prendeu e atou aquela antiga serpente que enganou o gênero humano, o que por um nome se chama Demônio, e por outro Satanás: Vidi angelum descendentem de caelo habentem... catenam magnam in manu sua, et aprehendit Draconem, serpentem antiquum, qui est Diabolus, et Satanás, et ligavit eum. (Apoc. 20, 1-2).

As outras palavras que acrescenta o texto pode ser que nos sirvam, e as expliquemos depois; o que só digo de presente é que este anjo descido do céu é o apóstolo da Virgem Maria, São Domingos, varão por todas as virtudes angélicas, e que a grande cadeia, que do mesmo céu trouxe na mão e com que prendeu a serpente e atou o Demônio, é o Rosário. Das mesmas Crônicas de São Domingos, que em semelhantes casos são os melhores expositores, o povo.

Em um povoado da Ilha de Evisa exorcizava um filho do mesmo Santo uma mulher endemoniada, e era o Demônio tão protervo, tão rebelde e tão obstinado, que a nenhumas orações e esconjuros se rendia: rendeu-se, porém, finalmente à convicção do Santíssimo Nome de Maria e aos poderes insuperáveis do seu Rosário. Mas, com uma circunstância muito notável, a qual eu só pondero em prova do que digo. Quando lançaram o Rosário ao pescoço da aflita mulher, começou a gritar o Demônio: “Tirem-me essa cadeia, que me abrasa! Tirem-me essa cadeia, que abrasa!”

Já temos que o Rosário é cadeia que ata o Demônio. Mas que seja cadeia que o abrasa, como pode ser? Assim como os anjos, quando estão na terra, trazem consigo a sua glória, assim os demônios trazem também consigo o seu inferno. Os anjos trazem consigo sua glória, porque em qualquer parte estão vendo a Deus; e os demônios trazem consigo o seu inferno, porque em qualquer parte estão ardendo naqueles incêndios eternos. Pois, se este Demônio estava ardendo em fogo, qual é o inferno, como diz que o abrasava a cadeia do Rosário?

Pode haver fogo mais penetrante, mais forte e mais abrasador que o do inferno? Sim. E estas novas chamas e labaredas são para os demônios as orações dos cristãos. Assim o confessaram já antigamente os mesmos demônios, e o refere Minúcio Félix naquela sua famosa Antologia contra os Gentios: Haec omnia sciunt plerique vestrum, ipsos daemones de semetipsis confiteri, quoties a nobis, et meritis verborum, et orationem incendiis e corporibus exiguntur.

De sorte que mais queimam e mais abrasam aos demônios as orações do Rosário que o mesmo fogo do inferno.

Estes são pois os fuzis de maior e mais penetrante fogo, de que se forma a cadeia do Rosário: e esta é a cadeia que São Domingos trouxe do céu, e esta a com que domou o Demônio que lhe apresentaram, que rompia e desfazia todas as outras.

(Sermões VI, 1668, págs. 9-11- Padre Antônio Vieira)

PS: Grifos meus

Ver também: Nossa Senhora - pavor dos demônios

Humildade de São Pio X

Foi em 1888, Ano Jubilar do Santo Padre Papa Leão XIII. Num dos altares da Basílica de São Pedro encontravam-se dois sacerdotes: um era prelado romano e cônego da Basílica Vaticana; o outro era o bispo duma diocese italiana, vindo a Roma para assistir às festas jubilares.
O prelado romano, que se dispunha para celebrar a missa, olhava inquieto ao redor, porque seu ajudante não aparecia. O Bispo, que estava ajoelhado ali perto, aproxima-se com grande simplicidade e diz:

- Permita-me, Monsenhor, que seja eu o ajudante de sua Missa?
- Não, Excelência, não o permitirei: não convém a um Bispo fazer de coroinha.
- Por que não? garanto-lhe que darei conta.
- Disso não duvido, Excelência; mas seria muita humilhação. Não, não o permitirei.
- Fique tranqüilo, meu amigo. Depressa ao altar; comece: Introíbo...

Dito isto, o Bispo ajoelha-se e o prelado teve que ceder. Assistido por seu novo ajudante, o prelado romano prosseguia a sua Missa, o celebrante se desfez em agradecimentos perante o Bispo.
Aquele pio e humilde ajudante, vinte anos mais velho que o prelado romano, era a glória da diocese de Mântua, D. José Sarto, o futuro Papa Pio X. (PS: hoje São Pio X)

(Tesouro de Exemplos, Ed. Vozes, 1953.P. Francisco Alves, C. SS. R.)