segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Feminismo socialista - destruidor das famílias

Discurso no Primeiro Congresso Pan-Russo das Operárias (V.I.Lênin, 19 de Novembro de 1918)

Companheiras!

O congresso do setor feminino do exército proletário assume, de um certo ponto de vista, importância particularmente grande, porque para as mulheres, em todos os países, tem sido mais difícil vir ao movimento. Não é possível uma revolução socialista sem a participação de imensa parte das mulheres trabalhadoras.

Em todos os países civilizados, mesmo nos mais avançados, é tal a situação das mulheres que, com razão, são consideradas escravas domésticas. Em nenhum dos estados capitalistas, nem mesmo na mais livre das repúblicas, as mulheres gozam de plena igualdade de direitos.

A República dos Sovietes tem a tarefa de abolir, antes de tudo, qualquer limitação dos direitos femininos. Para obter o divórcio, já não se exige um processo judiciário: essa vergonha burguesa, fonte de aviltamento e de humilhação, foi completamente abolida pelo poder soviético.
Há quase um ano a lei reconhece a plena liberdade de divórcio. Promulgamos um decreto que elimina não só a diferença entre filhos legítimos e ilegítimos, mas também todas as limitações políticas que daí derivam. Em nenhuma parte do mundo a igualdade e a liberdade das mulheres trabalhadoras lograram realização tão completa.

Sabemos que todo o peso dos vínculos tradicionais cai sobre a mulher que pertence à classe operária.

Pela primeira vez na história, nossa lei cancelou tudo aquilo que fez da mulher um ser sem direitos. Mas não se trata da lei. Entre nós, a lei sobre a plena igualdade do casamento está conquistando terreno nas cidades e nas concentrações industriais, mas no campo ainda permanece letra morta. Até hoje ainda predomina ali o casamento religioso. Isso se deve à influência dos padres e esse é um mal que se combate com mais dificuldade que a antiga legislação. Os preconceitos religiosos devem ser combatidos com extrema prudência; aqueles que, no curso dessa luta, ofendem os sentimentos religiosos, acarretam muitos danos. É preciso lutar mediante trabalho de propaganda e de esclarecimento. Conduzindo uma luta mais áspera, poderemos irritar as massas; uma luta desse tipo aprofunda a divisão das massas por motivos religiosos, enquanto a nossa força reside na unidade. A origem mais profunda dos preconceitos religiosos está na miséria e na ignorância; esses são os males que temos o dever de combater.

Até hoje, devemos reconhecê-lo, a situação da mulher tem sido a de uma escrava; a mulher, escravizada pelo trabalho doméstico, só pode encontrar a própria libertação no socialismo, quando passarmos da pequena exploração camponesa para a fazenda coletiva e para o cultivo em comum da terra.

Somente então serão completas a libertação, a emancipação da mulher. É uma tarefa difícil; mas já se estão criando comitês de camponeses pobres e se aproxima o momento em que a revolução adquirirá nova força.

Apenas hoje se organiza a parte mais pobre da população das aldeias e precisamente nessas organizações de pobres o socialismo vai adquirindo base sólida.
No passado, acontecia muitas vezes que a cidade se tornava revolucionária e o campo custava a pôr-se em movimento.

A revolução atual se apóia no campo e nisso está sua importância e sua força. A experiência de todos os movimentos de libertação atesta que o êxito de uma revolução depende do grau em que dela participam as mulheres. O poder soviético faz tudo para que a mulher possa cumprir seu trabalho proletário e socialista com independência completa.

Até hoje, nenhuma república pôde libertar a mulher. O poder soviético lhe dá sua ajuda. Nossa causa é invencível porque invencível, em todos os países, se ergue a classe operária. Esse movimento assinala a marcha da irresistível revolução socialista.

(O Socialismo e a Emancipação da Mulher - Editorial Vitória, 1956)
PS: grifos meus

domingo, 16 de agosto de 2009

Primeira Virtude de um jovem - Obediência

A Primeira Virtude de um jovem é a obediência aos seus pais e superiores

Assim como uma plantinha, embora colocada em bom terreno, num jardim, contudo toma forma defeituosa e vai definhando se não for cultivada e, de algum modo, guiada até certa altura, assim vós, meus caros filhos, vos inclinareis fatalmente para o mal, se não vos deixardes guiar por quem está encarregado da vossa educação e do bem da vossa alma. Essa guia vós atendes nos vossos pais e nos que fazem suas vezes; a eles deveis obedecer com docilidade. “Honra teu pai e tua mãe e terás vida longa na terra”, diz o Senhor.

Mas em que consiste essa honra? Consiste em obedecer-lhes, respeitá-los e prestar-lhes assistência. Obedecer-lhes e por isso, quando vos mandam alguma coisa, fazei-a prontamente, sem resistir, e guardai-vos de proceder como alguns que resmungam, encolhem os ombros, sacodem a cabeça e, o que é pior, respondem mal. Esses fazem grande injúria aos seus pais e também a Deus, pois que nas ordens dos pais se manifesta a vontade de Deus. Nosso Salvador, apesar de ser onipotente, para ensinar-nos a obedecer, foi submisso em tudo a Santíssima Virgem e a São José, na humilde ocupação de artífice: Et erat súbditus illis. Para obedecer a seu Pai celeste ofereceu-Se á morte dolorosíssima da cruz: Factus obédiens usque ad mortem; mortem autem crucis.

Deveis também ter grande respeito a vosso pai e a vossa mãe e não empreender coisa nenhuma sem sua licença, nem dar a conhecer seus defeitos. São Luis Gonzaga não fazia coisa nenhuma sem licença e, na falta de outrem, a pedia aos mesmos criados. O jovem Luis Comolo foi obrigado um dia a estar longe de seus pais por mais tempo do que lhes tinham permitido. Mas ao chegar em casa, todo choroso pediu logo humildemente perdão daquela desobediência involuntária.

Finalmente, deveis prestar aos pais assistência em suas necessidades com o serviços domésticos de que fordes capazes especialmente entregando-lhes todo o dinheiro ou qualquer coisa que vos venha as mãos, usando de tudo conforme suas indicações. É também estrito dever de um jovem rezar de manhã e à noite pelos seus pais, para que Deus lhes conceda todos os bens espirituais temporais.

Tudo o que vos disse a cerca da obediência e do respeito aos pais, deveis também praticar em relação a qualquer outro superior, eclesiástico ou secular, e por isso também em relação aos vossos professores, dos quais igualmente recebereis de boa vontade, com humildade e respeito os ensinamentos, os conselhos as correções, certos de que tudo o que eles fazem é para a vossa maior vantagem e que a obediência prestada aos superiores é como se fora prestada ao mesmo Jesus Cristo e a Nossa Senhora.

Duas coisas vos recomendo com maior empenho. A primeira é que sejais sinceros com os superiores, não encobrindo nunca as vossas faltas com fingimentos, muito menos negando-as. Dizei sempre a verdade com franqueza. As mentiras, além de ofenderem a Deus, vos tornam filhos do demônio, que é o príncipe da mentira, e, vindo-se depois a saber a verdade, passareis por mentirosos, com grande desdouro perante os superiores e os companheiros. Em segundo lugar, vos recomendo que aceiteis os conselhos e as advertências dos superiores como norma de vossa vida e do vosso modo de agir. Felizes vós, se assim fizerdes; os vossos dias serão venturosos, todas as vossas ações serão bem ordenadas e servirão de edificação aos outros. Por isso, concluo dizendo-vos: O menino obediente tornar-se-á santo; pelo contrário, o desobediente segue um caminho que o levará a perdição.

(Dom Bosco - Jovem instruído - capítulo IV)

PS: grifos meus

Os deveres do pai

OS DEVERES DO PAI

Os deveres do pai para com os filhos são grandes, e visam fazer desses bons cristãos, cidadãos úteis ao país, eleitos para o Céu.

Educação – O corpo é feito para a alma, e a alma para Deus, que deve esclarecer com as Verdades da Fé e orná-la com sua santidade. Á mãe cabe começar essa educação religiosa, ao pai completá-la e firmá-la.

Sua palavra contém a graça suplementar da autoridade e da força. O exemplo da mãe convence, o do pai arrasta. O pai deve, portanto procurar antes de tudo dar a seus filhos uma educação cristã, como base sólida e indispensável de todo estado honesto e dum futuro risonho. Deve velar com especial cuidado no que diz respeito as escolas e casas de educação, às quais quer confiar a inocência e a fraqueza dos filhos. A inocência de vida e a pureza da fé valem mais que todas as riquezas do século; são preferíveis a todas as dignidades, a todas as ciências isentas destes dois tesouros iniciais.

Correção – O dever da correção consiste em corrigir os defeitos da criança; em precavê-la contra o escândalo; em zelar suas amizades.

A criança tem inúmeros defeitos. Os vícios se vão desenvolvendo com a idade. O importante é surpreendê-los de início, e observá-los com constância. A correção duma criança deve ser:

- Calma, para ser justa. A correção infligida no impulso da indignação ou cólera é antes prejudicial que útil.

- Razoável, isto é, proporcionada à culpa. É melhor moderá-la a torná-la severa demais. Assim procede a Misericórdia de Deus para conosco. O essencial na correção é fazer ver ao menino a razão, o pesar e o mal de sua culpa, a fim de formar o seu espírito ao ódio do mal, e à estima e ao amor do bem.

- Cordial. O coração do pai se fará sempre sentir, até nos castigos mais severos, para facilitar a volta humilde e contrita da criança, e para que o culpado perceba o amor do pai, obrigado, por dever, a repreendê-lo e puni-lo, para o seu próprio bem.

- Digna. O pai é chefe e deve honrar e fazer honrar em si a autoridade divina. Se, por um lado, convém evitar a excessiva severidade, que abate e desanima, por outro lado há de precaver-se ainda contra a fraqueza, que gera o desprezo. Seja o pai digno em suas palavras, nobre na espera paciente da conversão, bom na graça do perdão.

O pai deve defender seus filhos contra o escândalo, que desperta na criança a idéia adormecida do mal. É-lhe, pois, dever imperioso preservar o menino das feridas mortais, pois a ignorância curiosa, a fraqueza, o amor-próprio de imitação, tornam-no rapidamente culpado.

O pai será rigoroso na proibição de livros perigosos, pois deixam uma impressão indelével. Será categórico em se tratando de más companhias, pois a mais sólida virtude não resiste por largo tempo a tão funesto escolho.

Feliz da criança a quem uma mão firme e boa guia durante o despertar das paixões, sustentando-a nos primeiros combates. Há de bendizer para sempre o coração que a salvou, preservando sua virtude dum naufrágio triste e infeliz. Tal bem é mais precioso que a própria vida.

(São Pedro Julião Eymard - A Divina Eucaristia - Vol V - págs. 126 a 128)

sábado, 15 de agosto de 2009

O pé da soberba - desgraça do cristão

A certo monge apareceu o demônio, transfigurado em São Gabriel, para o tentar de vanglória, reputando-se por santo. Porém ele, conhecendo o tentador, fechou os olhos e lhe disse, com irrisão: Olha que erraste a embaixada. Não te enviaram a mim, que eu não sou santo. O espírito de fraudulência, vendo descoberta a sua emboscada, desapareceu.

Advertência

Fundem-se bem em verdadeira humildade os que tratam de oração e santos exercícios, pedindo a nosso Senhor continuamente que lhes não venha o pé da soberba: Non veniat mihi pes superbiae. (Salm.XXXV,12)Porque sobre este assenta o seu inimigo invisível, e edifica ilusões, mentiras, erros heréticos e pecados, persuadindo que são revelações, aparições do Céu, colóquios Divinos e profecias infalíveis, e em nenhuma destas coisas, ainda que fossem verdadeiras, consiste a perfeição cristã, sendo na caridade Divina, a qual tanto cresce quanto se diminue em nós o amor próprio (ainda de coisas espirituais) e abraçamos a cruz de Cristo.

... Não há coisa tão segura como a humildade, nem mais arriscada que a soberba. S.Macário, egípcio, dizia: o humilde não cai, porque onde há-de cair, se está debaixo de todos? Nunquam humilis labitur, nam unde labi posset, qui sub omnibus est? (Hom. 19, apud Bibliot. Patrum) E S.Nino Abade: Humilitate gaude, altitudo enim ejus firma est nec ruere potest: Alegra-te com a humildade, porque as suas eminências são seguras e não podem padecer ruína.(Paraenesi 71, apud Bibliot. Patrum). La humildad (diz o discreto e piíssimo, varão D.João Palafox) es medicina de todas los males, la fiadora de todos los riesgos, la curacion de todas as feridas, el remedio de todos los daños, y quien la tiene, vive seguro, y quien le falta, camina perdido. Pelo contrário, sem a defesa da humildade tudo está exposto a perigos e desgraças: Omnia sine humilitate (disse Kempis - Serm. XXX ad Novitios) et firma ejus custodia, periculis patent, et ruinis.

(Pe. Manuel Bernardes - Nova Floresta, vol. V, título IV)

Festa da Assunção - Alegremo-nos!

Festa da Assunção - Alegremo-nos!


Parecia justo que a Santa Igreja, neste dia da Assunção de Maria ao céu, antes nos convidasse a chorar que nos alegrar. Pois a nossa doce Mãe abandona a terra e deixa-nos privados da sua cara presença, como diz São Bernardo.

Entretanto, não; a Santa Igreja convida-nos para o júbilo com as palavras: Alegremo-nos no Senhor, agora que celebramos o dia festivo da Santíssima Virgem Maria! E com razão assim exclama. Pois, se temos amor a esta Nossa Mãe, devemos cuidar antes de sua glória que de nossa consolação. Qual filho não se alegra, posto que se separe de sua mãe, se sabe que ela vai tomar posse de um reino? Maria vai hoje ser coroada Rainha do céu. E não deveríamos celebrar festivamente esse dia, se em verdade a amamos? Sim, alegremo-nos, mas nos alegremos todos de coração.

... Quando entra um monarca para tomar posse de um reino, não passa pelas portas da cidade, como as demais pessoas. Tiram-se então completamente as portas e ele entra triunfante. Por isso à entrada de Cristo no céu cantaram os anjos: Suspendei as vossas portas, ó príncipes; levantai-vos, portas eternas; o Rei da glória entrará (Sl 23,7). Repetem eles a exclamação, agora que Maria vai tomar posse do reino dos céus. Os anjos da comitiva gritam aos outros, que estão dentro:

Príncipes do céu, depressa, levantai, tirai as portas, porque deve entrar a Rainha da glória!

Já entra na celeste pátria. Mas, à sua entrada, vêem-na aqueles espíritos celestes tão bela e tão gloriosa, que perguntam aos anjos que chegaram de fora, como contempla Vulgato Orígenes: Quem é esta que sobe do deserto inundando delícias e firmada sobre o seu amado? (Ct 8,5).

E quem é esta criatura tão formosa que vem do deserto da terra, lugar de espinhos e abrolhos? Vem tão pura e rica de virtudes, com o seu amado Senhor, que se digna Ele mesmo acompanhá-la com tanta honra? Quem é? Respondem os anjos que a acompanham: esta é a Mãe do nosso Rei; é a bendita entre as mulheres, a cheia de graça, a Santa dos santos, a amada de Deus, a Imaculada, a mais formosa de todas as criaturas.

E rompem imediatamente todos aqueles espíritos celestes em hinos de louvor e de júbilo, bendizendo-a com mais razão que os hebreus a Judite: Tu és a glória de Jerusalém, a alegria de nosso paraíso, a alegria de nossa pátria, a honra de todos nós! Eis o vosso reino, eis-nos todos aqui, vossos vassalos, prontos a obedecer-vos!

Maria diante do trono de Deus

Depois de joelhos, a humilde e santa Virgem adora a majestade divina e abisma-se no conhecimento do seu nada. Agradece a Deus todas as graças que por mera bondade lhe havia concedido, especialmente de a ter feito Mãe do Verbo Eterno. Imagine e compreenda agora, quem o puder, com que amor a Santíssima Trindade a abençoou! Quem nos descreverá o afável e afetuoso acolhimento que fez o Pai Eterno à sua Filha, o Filho à sua Mãe, o Espírito Santo à sua Esposa!

O Pai a coroa, participando-lhe o seu poder, o Filho a sabedoria, o Espírito santo o amor. As três Pessoas divinas, colocando-lhe o trono à direita de Jesus, a declaram Rainha universal do céu e da terra. Aos anjos também ordenam, e a todas as criaturas, que a reconheçam por sua Rainha e como tal a sirvam e lhe obedeçam.

(Glórias de Maria - Santo Afonso de Maria Ligório - págs. 341,344 e 347)

"Flagelo do luxo"

Pronunciamento do Papa Pio IX,
 citado no livro Formação da Donzela,
 tratando sobre o "flagelo do luxo".
(pág. 212-213)


Justamente espantado com as proporções inauditas que o luxo assumira de meio século para então, o Papa Pio IX elevou-se com todas as suas forças contra esse flagelo que, depois, não fez senão aumentar as suas devastações. Em termos tão expressivos assinalou ele a eminência do perigo e a ineclinável necessidade de conjurá-lo, que as suas palavras são as mais sugestivas que possam ser oferecidas às mulheres e às donzelas cristãs.

Eis como ele se exprimiu:

"Entre todos os males do nosso tempo, o luxo das mulheres ocupa certamente um dos primeiros lugares. O luxo é que, pelos cuidados prodigalizados ao corpo, absorve o tempo que se deveria consagrar às obras de piedade e de caridade, aos deveres da família; é ele que provoca ás reuniões brilhantes, aos passeios públicos e aos espetáculos; é ele que ensina a correr de casa em casa, a pretexto de deveres a cumprir, e a entregar-se à ociosidade, à curiosidade, às conversas indiscretas.


É ele que serve de alimento aos maus desejos, ele que consome os recursos que se deveriam reervar para os filhos, e tira à indigência os socorros que lhe viriam tão a propósito. É ele que desune os esposos e que, mais frequentemente ainda, impede a conclusão dos casamentos. Com efeito, será fácil achar um homem que consista em arcar com tão enorme despesa? Como dizia Tertuliano:


"Ostenta-se num pequeno escrínio um imenso patrimônio. Põe-se num colar o valor de um fortuna. Uma cabeça frágil e delicada traz sozinha o preço de grandes florestas e de vastas moradas."

O mal vai tão longe que se sacrifica ao luxo a educação dos filhos; por ele se abandona o cuidado dos interesses domésticos; não há mais ordem na casa; esta fica transtornada. Destarte, incorre-se a reprovação do Apóstolo, quando diz: "Se alguém não cuida dos seus, e sobretudo dos de sua casa, renega a fé e é pior do que um infiel". Mas como a cidade se compõe de famílias, uma província de cidades, um reino de províncias, a família assim estragada, corrompida, envenena com seu contágio a sociedade inteira e prepara-lhe essas calamidades que hoje em dia nos afligem de todas as partes.

Faça o céu que grande número de mulheres se unam para desviar de si mesmas, dos seus próximos e da pátria a causa de tantos males, e que, pelo seu exemplo, ensinem as outras a relegar para longe de si tudo o que excede o cuidado de um enfeite honesto e licito!

Principalmente faz-se mister lembrar ás mulheres que se não convém à sua reserva procurar, em qualquer lugar que seja, atrair olhares alheios pela pompa das modas ou pela extravagância dos vestuários - já que o fausto e o desejo de agradar aos homens estão em abominação diante do Senhor, - no templo santo isso se torna uma injúria ao Deus que nele reside em pessoa para receber as adorações e as preces do fiéis."

Sim, o luxo das "toilettes", ao ponto a que chegou nos nossos dias, constitui uma verdadeira e ridícula loucura. E a loucura não é o oposto da sabedoria?

Uma grande cristã escrevia:

"Esquecemo-nos de que os anos passam. Hoje somos jovens, o mundo nos chama e nos anima; mas esse frescor, essa beleza que é tudo para nós, breve terá fenecido e desaparecerá. E dessas profusões extragavantes, dessas despesas loucas de vestuário nada mais restara!"

(Excertos do livro, A formação da donzela, do Pe. J. Baeteman)

PS: Grifos meus.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Observações sobre o Santo Rosário


(Extraídas do livro: O Segredo do Rosário - São Luís Maria Grignion de Montfort)

"O Rosário é mais valioso que os salmos, pois: Assim como a realidade é mais importante que a prefiguração, e o corpo mais importante do que a sombra, da mesma forma o Rosário é mais grandioso que o Saltério de Davi que nada mais fez que prefigurá-lo." (São Luís de Maria G. de Montfort)

Oração vocal e mental

- O Rosário consiste em duas realidades: a oração mental e a vocal, sendo a primeira caracterizada pela meditação dos mistérios de vida, morte e glória de Nosso Senhor e de Sua Mãe Santíssima, e a segunda consiste em rezar as quinze dezenas de Ave-Marias precedidas pelo Pai-Nosso.
Enfim, o Rosário torna-se uma mistura bendita de oração vocal e oração mental.

Meditação dos mistérios

- São Domingos fez essa divisão dos mistérios no Rosário.

"O cristão que não medita sobre os mistérios do Rosário é muito ingrato a Nosso Senhor e mostra o quão pouco ele se preocupa por tudo que o Salvador Divino sofreu para salvar o Mundo." (São Luís de Maria G. de Montfort)

Os cristãos devem ter sempre em vista a vida de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, e tê-las como exemplo, e para nos ajudar nessa tarefa, foi que ela ordenou a São Domingos que ensinasse ao fiel a meditar nos mistérios sagrados.

“Devemos lutar, como se fosse num campo de batalha, para a aquisição de todas as virtudes que o Santo Rosário nos incita a imitar”. (São Tomás de Aquino)

Cuidado com o orgulho no progresso espiritual

“Se, pela graça de Deus, você já alcançou um alto nível de oração, mantenha a prática de rezar o Santo Rosário. Pois nunca ninguém que reza o Rosário diariamente se tornou um herege formal ou foi enganado pelo demônio. Esta é uma declaração que eu alegremente assino com meu sangue.” (São Luís de Maria G. de Montfort)

Como rezar o Santo Rosário

- estar em estado de graça, ou pelo menos com esse propósito.
- Com atenção, evitar as distrações voluntárias.
- Controlar a imaginação, para não ser dominado pelas distrações involuntárias.
- Recusar as insinuações do demônio, que trabalha fortemente para que acreditemos que será inútil rezar o Rosário, pelo fato de ser orações repetitivas, colocando argumentos como:
“Faça uma meditação de 30 minutos, é melhor...”; então jamais pare de rezar um Rosário, mesmo que você não tenha nenhuma devoção sensível.

Defeitos ao se rezar o Rosário

- Nunca pedir alguma graça.
-Querer chegar ao fim, o quanto antes.

“É lamentável ver como a maioria das pessoas rezam o Santo Rosário, extremamente rápido e murmurando, fazendo com que as palavras não sejam pronunciadas claramente.” (São Luís de Maria G. de Montfort).

Segue método com pausas(locais com †)retiradas do próprio livro:


Pai Nosso, que estais no Céu, † santificado seja o Vosso nome, † venha a nós o Vosso Reino, † seja feita a Vossa vontade, † assim na Terra como no Céu. † O pão nosso de cada dia † nos dai hoje; † e perdoai as nossas dividas, † assim como nós perdoamos os nossos devedores; † e não nos deixeis cair em tentação, † mas livrai-nos do mal. Amém

Ave Maria, cheia de graça, † o Senhor é convosco, † bendita sois vós entre as mulheres † e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, † rogai por nós pecadores, † agora e na hora de nossa morte. Amém

- rezá-lo sem reverência, é necessário tomar cuidado com nossa posição corporal, quando possível rezar ajoelhado, mas podendo também ser rezado no trabalho ou nos afazeres do lar, porque o trabalho das mãos não é de forma alguma obstáculo à oração vocal.

Reza em grupo

- Há várias formas de rezar o Santo Rosário, mas a que o diabo mais teme, é a de rezar ou cantá-lo publicamente em dois grupos.
- Normalmente nossas mentes ficam mais atentas quando estamos em grupos.
- A oração de cada um pertence a todos, e estas se juntam em uma oração ainda maior, sendo que na mesma reunião a oração do que está mais forte sustenta a do que está fraco.
- Se você reza com mais 30 pessoas, obtêm-se os méritos de 30 rosários.

“A oração pública é muito mais poderosa que a oração individual para apaziguar a ira de Deus e obter Sua Misericórdia”. (São Luís de Maria G. de Montfort)

Indulgências

- Os fiéis quando recitarem a terça parte do Rosário (terço) com devoção podem lucrar: Uma indulgência de 5 anos (Bula "Ea quae ex fidelium", Sixto IV).
- Se rezarem a terça parte do Rosário em companhia de outros, uma indulgência de 10 anos, uma vez ao dia.
- Aqueles que piamente recitarem a terça parte do Rosário na presença do Santíssimo Sacramento, uma indulgência plenária, sob condição de confissão e Comunhão.
- Os fiéis que durante o mês de Outubro recitarem no mínimo a terça parte do Rosário, publica ou privadamente, podem lucrar: uma indulgência de 7 anos por dia.
- Uma indulgência de 500 dias pode ser lucrada uma vez ao dia pelos fiéis que, beijando o Santo Rosário que carregam consigo ao mesmo tempo recitarem a primeira parte da Ave Maria até “Jesus”. (Sagrada Congregação da Penitenciária Apostólica. 30 de março de 1953).

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Oração das gestantes


(composta por São Francisco de Sales)

Ó Deus eterno, Pai de infinita bondade, que instituístes o casamento para propagar o gênero humano e povoar o Céu, e destinastes principalmente o nosso estado para essa tarefa, querendo que nossa fecundidade fosse uma das marcas de vossa bênção sobre nós, eu me prosterno, suplicante, diante de Vossa Majestade, que adoro.

Eu Vos dou graças pela criança que levo, à qual Vós destes o ser. Senhor, estendei a Vossa mão e completai a obra que Vós começastes: que Vossa Providência leve comigo, por meio de uma contínua assistência, a frágil criatura que Vós me confiastes, até a hora de sua chegada ao mundo. Nesse momento, ó Deus de minha vida, assisti-me e sustentai minha fraqueza com Vossa mão poderosa. Recebei então Vós mesmo meu filho(a), e guardai-o(a) até que ele(ela) tenha entrado(a), pelo batismo, no seio da Igreja Vossa Esposa, a fim de que ele(a) Vos pertença pelo duplo título da Criação e da Redenção.

Ó Salvador de minha alma, que durante Vossa vida mortal tanto amastes as crianças e tantas vezes as tomastes nos braços, tomai também a minha, a fim de que tendo a Vós por Pai, e Vos chamando seu Pai, ela santifique o Vosso nome e participe de Vosso Reino. Eu Vo-la consagro de todo o meu coração, ó meu Salvador, e a entrego a Vosso amor.

Vossa justiça submeteu Eva e todas as mulheres que nascem dela a grandes dores; eu aceito, Senhor, todos os sofrimentos que Vós me destinais nesta ocasião, e Vos suplico humildemente, pela santa e feliz concepção de Vossa Mãe Imaculada, que me sejais benigno no momento de dar à luz ao meu filho, abençoando a mim e a essa criança que Vós me dareis, bem como me concedendo o Vosso amor e uma inteira confiança em Vossa bondade.

E Vós, bem-aventurada Virgem, Santíssima Mãe de nosso Salvador, honra e glória entre as mulheres, intercedei junto a Vosso Divino Filho a fim de que ele atenda, em sua misericórdia, à minha humilde oração.

Eu Vo-lo peço, ó mais amável das criaturas, pelo amor virginal que tivestes por São José, vosso santo esposo, e pelos méritos infinitos do nascimento de vosso Divino Filho.

Ó Santos Anjos que sois encarregados de velar por mim e por meu filho(a), protegei-nos e conduzi-nos a fim de que, pela vossa assistência, possamos um dia chegar à glória de que vós já gozais, e louvar convosco nosso Senhor ,que vive e reina por todos os séculos dos séculos. Amém.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O Santo Calvário nos cobra posições


" Ora, enfim, a morte e a paixão de Nosso Senhor é o motivo mais doce e mais violento que possa animar os nossos corações nesta vida mortal... Nosso Senhor feito em postas e dilacerado sobre o monte Calvário; e os filhos da cruz glorificam- No no seu admirável enigma que o mundo não entende: da morte que devora tudo saiu a comida da nossa consolação; e da morte mais forte que tudo saiu a doçura do mel do nosso amor. Ó Jesus meu Salvador! como a vossa morte é amável, já que é o soberano efeito do vosso amor!

Viva Jesus cuja morte mostrou quanto o amor é forte!

Calvário é o monte dos amantes. Todo amor que não tira sua origem da paixão do Salvador é frívolo e perigoso. Infeliz é a morte sem o Salvador: infeliz é o amor sem a morte do Salvador.
O amor e a morte estão tão misturados na paixão do Salvador, que se não pode ter no coração um sem o outro. No Calvário, não se pode ter a vida sem o amor, nem o amor sem a morte do Redentor. Mas fora de lá tudo é ou morte eterna ou amor eterno; e toda a sabedoria cristã consiste em escolher bem, a ordem do grande Deus não deixa aí meio termo.

(Tratado do amor de Deus - Capítulo XIII, pág 658 - São Francisco de Sales)

Dever dos filhos

Pela natureza somos levados a amar nossos pais, e isso constitui a felicidade de nossa vida. A Fé no-los apresenta como representantes do Poder e da Bondade de Deus e no-los fez amar com amor sobrenatural. Assim o amor cristão possui toda a força da natureza e da Graça. Para ser verdadeiro, o amor filial revestirá três qualidades. Será respeitoso, submisso, dedicado.

Amor respeitoso - O respeito é a primeira prova do amor filial. Um amor despido de respeito não passa de amor-próprio, vizinho do desprezo. O respeito é o guarda fiel do amor, é-lhe a coroa de honra e de glória. Em presença dos pais, o filho evitará rigorosamente toda palavra menos respeitosa, ou trivial, que não ousaria dizer diante dum chefe probo; bem como todo ato grosseiro ou menos polido, que não faria diante de uma pessoa digna. O filho dedicado terá sempre a peito honrar seus pais perante o mundo. Sua honra pessoal lho impõe como dever, e Deus, como preveito absoluto.

Amor submisso - A santidade de Jesus, até os trinta anos de idade, foi um longo ato de obediência, cuja perfeição o Evangelho nos revela por esta simples palavra: " Era-lhes submisso" ( Lc 2,51). A obediência era sua vida.
Feliz do jovem que souber obedecer como Jesus! Seus atos terão grande mérito; seu coração gozará das delícias da paz; sua vida será abençoada por Deus.

Amor dedicado - O filho carinhoso evitará todo divertimento, de que seus pais não puderem participar; recusar toda amizade estranha, que divida seu tempo e seu afeto em detrimento do amor filial. Sua felicidade está em viver sob o teto paterno; seu prazer, em progalizar aos pais cuidados ternos e carinhosos, e ser-lhes, na hora do sofrimento e da provação, consolação e força.
Feliz do jovem que põe a glória de sua vida em servir aos pais, sem outra recompensa senão o amor do dever cumprido, sem outro desejo senão fazer-lhes o bem, sem outra esperança senão a de Deus. Procendendo assim, nada terá de perder, pois o prazer mais puro é o da família, a maior fortuna a da honra, a mais perfeita virtude a da dedicação.

(São Pedro Julião Eymard - Divina Eucaristia - Vol V - pág 144 à 145)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Sois cristã?

Sois Cristã: Tendes, pois, uma fé que deve irradiar


Esplêndido é o vosso papel, com a condição, todavia, de não figurardes entre as "flores artificiais" , mas sim entre as verdadeiras florinhas de Deus. As flores artificiais apenas encantam os olhos, não têm nenhum perfume; não vivem, são inertes. Vós, sede flores bem vivas e espalhai em torno de vós o bom odor de Jesus Cristo.

Isso, aliás, é fácil para quem tem uma fé viva e compreende as obrigações que ela impõe. O título de cristã acrescenta à donzela o que a luz do dia acrescenta à flor: fá-la resplandecer. Tirai Deus do coração da donzela, e ela ainda será bela, mas de uma beleza toda profana; não terá essa candura, esse brilho particular, essa virtude que emana dela e que desarma o vício e a impiedade, clamando-lhe: Alto lá! Jesus está aqui! Em vez de levar ao bem, será ela singularmente pertubadora! Não tendo a Deus no coração, não pode comunicá-Lo! E no entanto, diz um grande orador, "a mulher deve dar a Deus a todos os que dela se aproximam".
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... E vós, "Filha de Deus", haveriéis de cer que nada podeis fazer, e que não tendes de defender essa Religião que tão bem vos defendeu? Se ainda hoje o catolicismo precisa de vós, vós precisais dele!
O vosso papel não é ensinar, não é elevar vossa voz no meio do século, não! mas é fazer passar a verdade ao coração convertendo-a em amor.

Como diz Mons. Gerbet:

"A missão inspiradora atribuída à mulher é uma missão privada. Cumpre-se no santuário da sociedade doméstica, nas confidências, na efusão das almas, no seio da família, na amizade, no próprio infortúnio que provoca consolações, secretas como seus queixumes. A pregação da mulher será menos retumbante. A grande voz que anuncia a verdade através dos séculos compõe-se de duas vozes: a do homem, à qual pertencem os tons estridentes e maiores, a da mulher, que se exala em tons menores, velados, untuosos, cujo silêncio não deixaria à outra voz senão a rudeza da força."

Deveis, pois, ser fiel a esse primeiro dever, de pregar a verdade fazendo-a amar. Mas deveis também defendê-la, pois sabeis como a atacam em toda a parte.

Dia virá, talvez, em que tereis de protegê-la não tanto em vós mesma como na alma dos entes caros que Deus enviar ao vosso lar. Mulher, eposa, mãe, então é que devereis velar, é que devereis agir, falar, convencer.

Preparai-vos para essa nobre tarefa. Para isto a educação dos tempos de paz já não basta; hoje em dia a luta está em toda a parte; menos do que nunca vos pdoeria convir ficar neutra!

(Excertos do livro: A formação da donzela, do Pe. J. Baeteman)

PS: Grifos meus

"Feminista ou feminina?"

A pergunta acima estava na primeira página da edição março-junho de 2000 do jornal "Fazendo Gênero" do Grupo Transas do Corpo (um grupo feminista apoiado pela Fundação Mc Arthur e Fundação Ford). A autora da matéria lamentava que "apesar do feminismo estar presente, há longas décadas (...), a velha expressão 'sou feminina, não feminista' ainda ecoa forte nas falas de muitas mulheres".

As mulheres têm razão de não quererem ser consideradas feministas, assim como os homens tem razão de não quererem ser considerados machistas. O natural da mulher é ser feminina, assim como o natural do homem é ser masculino. O feminismo é uma deformação da feminilidade, assim como o machismo é uma deformação da masculinidade.
A beleza do "ser mulher" está justamente em ser diferente do homem e complementar a ele. Ao compreender o papel insubstituível que ela desempenha no lar junto aos filhos, a mulher não se sente mal ao dizer que é dona de casa. Ao compreender a beleza da maternidade, não se horroriza ao pensar numa gravidez, nem abomina a família numerosa.

O feminismo, tal como se apresenta nos nossos dias, é um movimento de autodesvalorização da mulher. Tal ideologia, ao pregar a "competição com o homem", esquece-se que homem e mulher não são inimigos natos, mas são complementares. Um foi feito para o outro, não para competir com o outro.
Por dever de ofício (e não apenas por opção) o homem tem que sair para trabalhar e sustentar a família. Se, porém, todas as mulheres resolverem (como pregam as feministas) sair de casa para obter "realização profissional", pergunto: com quem ficarão as crianças? Quando ambos - pai e mãe - passam o dia fora de casa, os filhos são órfãos de pais vivos...

...Como seria bom se todas as mulheres compreendessem que são alicerce (que sustenta mas não aparece) e não se enganassem procurando freneticamente ser fachada (que aparece, mas não sustenta).
No âmago do feminismo está uma depreciação da feminilidade e um desejo de masculinizar a mulher.

(Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz)
PS: grifos meus