sábado, 15 de agosto de 2009

Festa da Assunção - Alegremo-nos!

Festa da Assunção - Alegremo-nos!


Parecia justo que a Santa Igreja, neste dia da Assunção de Maria ao céu, antes nos convidasse a chorar que nos alegrar. Pois a nossa doce Mãe abandona a terra e deixa-nos privados da sua cara presença, como diz São Bernardo.

Entretanto, não; a Santa Igreja convida-nos para o júbilo com as palavras: Alegremo-nos no Senhor, agora que celebramos o dia festivo da Santíssima Virgem Maria! E com razão assim exclama. Pois, se temos amor a esta Nossa Mãe, devemos cuidar antes de sua glória que de nossa consolação. Qual filho não se alegra, posto que se separe de sua mãe, se sabe que ela vai tomar posse de um reino? Maria vai hoje ser coroada Rainha do céu. E não deveríamos celebrar festivamente esse dia, se em verdade a amamos? Sim, alegremo-nos, mas nos alegremos todos de coração.

... Quando entra um monarca para tomar posse de um reino, não passa pelas portas da cidade, como as demais pessoas. Tiram-se então completamente as portas e ele entra triunfante. Por isso à entrada de Cristo no céu cantaram os anjos: Suspendei as vossas portas, ó príncipes; levantai-vos, portas eternas; o Rei da glória entrará (Sl 23,7). Repetem eles a exclamação, agora que Maria vai tomar posse do reino dos céus. Os anjos da comitiva gritam aos outros, que estão dentro:

Príncipes do céu, depressa, levantai, tirai as portas, porque deve entrar a Rainha da glória!

Já entra na celeste pátria. Mas, à sua entrada, vêem-na aqueles espíritos celestes tão bela e tão gloriosa, que perguntam aos anjos que chegaram de fora, como contempla Vulgato Orígenes: Quem é esta que sobe do deserto inundando delícias e firmada sobre o seu amado? (Ct 8,5).

E quem é esta criatura tão formosa que vem do deserto da terra, lugar de espinhos e abrolhos? Vem tão pura e rica de virtudes, com o seu amado Senhor, que se digna Ele mesmo acompanhá-la com tanta honra? Quem é? Respondem os anjos que a acompanham: esta é a Mãe do nosso Rei; é a bendita entre as mulheres, a cheia de graça, a Santa dos santos, a amada de Deus, a Imaculada, a mais formosa de todas as criaturas.

E rompem imediatamente todos aqueles espíritos celestes em hinos de louvor e de júbilo, bendizendo-a com mais razão que os hebreus a Judite: Tu és a glória de Jerusalém, a alegria de nosso paraíso, a alegria de nossa pátria, a honra de todos nós! Eis o vosso reino, eis-nos todos aqui, vossos vassalos, prontos a obedecer-vos!

Maria diante do trono de Deus

Depois de joelhos, a humilde e santa Virgem adora a majestade divina e abisma-se no conhecimento do seu nada. Agradece a Deus todas as graças que por mera bondade lhe havia concedido, especialmente de a ter feito Mãe do Verbo Eterno. Imagine e compreenda agora, quem o puder, com que amor a Santíssima Trindade a abençoou! Quem nos descreverá o afável e afetuoso acolhimento que fez o Pai Eterno à sua Filha, o Filho à sua Mãe, o Espírito Santo à sua Esposa!

O Pai a coroa, participando-lhe o seu poder, o Filho a sabedoria, o Espírito santo o amor. As três Pessoas divinas, colocando-lhe o trono à direita de Jesus, a declaram Rainha universal do céu e da terra. Aos anjos também ordenam, e a todas as criaturas, que a reconheçam por sua Rainha e como tal a sirvam e lhe obedeçam.

(Glórias de Maria - Santo Afonso de Maria Ligório - págs. 341,344 e 347)

"Flagelo do luxo"

Pronunciamento do Papa Pio IX,
 citado no livro Formação da Donzela,
 tratando sobre o "flagelo do luxo".
(pág. 212-213)


Justamente espantado com as proporções inauditas que o luxo assumira de meio século para então, o Papa Pio IX elevou-se com todas as suas forças contra esse flagelo que, depois, não fez senão aumentar as suas devastações. Em termos tão expressivos assinalou ele a eminência do perigo e a ineclinável necessidade de conjurá-lo, que as suas palavras são as mais sugestivas que possam ser oferecidas às mulheres e às donzelas cristãs.

Eis como ele se exprimiu:

"Entre todos os males do nosso tempo, o luxo das mulheres ocupa certamente um dos primeiros lugares. O luxo é que, pelos cuidados prodigalizados ao corpo, absorve o tempo que se deveria consagrar às obras de piedade e de caridade, aos deveres da família; é ele que provoca ás reuniões brilhantes, aos passeios públicos e aos espetáculos; é ele que ensina a correr de casa em casa, a pretexto de deveres a cumprir, e a entregar-se à ociosidade, à curiosidade, às conversas indiscretas.


É ele que serve de alimento aos maus desejos, ele que consome os recursos que se deveriam reervar para os filhos, e tira à indigência os socorros que lhe viriam tão a propósito. É ele que desune os esposos e que, mais frequentemente ainda, impede a conclusão dos casamentos. Com efeito, será fácil achar um homem que consista em arcar com tão enorme despesa? Como dizia Tertuliano:


"Ostenta-se num pequeno escrínio um imenso patrimônio. Põe-se num colar o valor de um fortuna. Uma cabeça frágil e delicada traz sozinha o preço de grandes florestas e de vastas moradas."

O mal vai tão longe que se sacrifica ao luxo a educação dos filhos; por ele se abandona o cuidado dos interesses domésticos; não há mais ordem na casa; esta fica transtornada. Destarte, incorre-se a reprovação do Apóstolo, quando diz: "Se alguém não cuida dos seus, e sobretudo dos de sua casa, renega a fé e é pior do que um infiel". Mas como a cidade se compõe de famílias, uma província de cidades, um reino de províncias, a família assim estragada, corrompida, envenena com seu contágio a sociedade inteira e prepara-lhe essas calamidades que hoje em dia nos afligem de todas as partes.

Faça o céu que grande número de mulheres se unam para desviar de si mesmas, dos seus próximos e da pátria a causa de tantos males, e que, pelo seu exemplo, ensinem as outras a relegar para longe de si tudo o que excede o cuidado de um enfeite honesto e licito!

Principalmente faz-se mister lembrar ás mulheres que se não convém à sua reserva procurar, em qualquer lugar que seja, atrair olhares alheios pela pompa das modas ou pela extravagância dos vestuários - já que o fausto e o desejo de agradar aos homens estão em abominação diante do Senhor, - no templo santo isso se torna uma injúria ao Deus que nele reside em pessoa para receber as adorações e as preces do fiéis."

Sim, o luxo das "toilettes", ao ponto a que chegou nos nossos dias, constitui uma verdadeira e ridícula loucura. E a loucura não é o oposto da sabedoria?

Uma grande cristã escrevia:

"Esquecemo-nos de que os anos passam. Hoje somos jovens, o mundo nos chama e nos anima; mas esse frescor, essa beleza que é tudo para nós, breve terá fenecido e desaparecerá. E dessas profusões extragavantes, dessas despesas loucas de vestuário nada mais restara!"

(Excertos do livro, A formação da donzela, do Pe. J. Baeteman)

PS: Grifos meus.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Observações sobre o Santo Rosário


(Extraídas do livro: O Segredo do Rosário - São Luís Maria Grignion de Montfort)

"O Rosário é mais valioso que os salmos, pois: Assim como a realidade é mais importante que a prefiguração, e o corpo mais importante do que a sombra, da mesma forma o Rosário é mais grandioso que o Saltério de Davi que nada mais fez que prefigurá-lo." (São Luís de Maria G. de Montfort)

Oração vocal e mental

- O Rosário consiste em duas realidades: a oração mental e a vocal, sendo a primeira caracterizada pela meditação dos mistérios de vida, morte e glória de Nosso Senhor e de Sua Mãe Santíssima, e a segunda consiste em rezar as quinze dezenas de Ave-Marias precedidas pelo Pai-Nosso.
Enfim, o Rosário torna-se uma mistura bendita de oração vocal e oração mental.

Meditação dos mistérios

- São Domingos fez essa divisão dos mistérios no Rosário.

"O cristão que não medita sobre os mistérios do Rosário é muito ingrato a Nosso Senhor e mostra o quão pouco ele se preocupa por tudo que o Salvador Divino sofreu para salvar o Mundo." (São Luís de Maria G. de Montfort)

Os cristãos devem ter sempre em vista a vida de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, e tê-las como exemplo, e para nos ajudar nessa tarefa, foi que ela ordenou a São Domingos que ensinasse ao fiel a meditar nos mistérios sagrados.

“Devemos lutar, como se fosse num campo de batalha, para a aquisição de todas as virtudes que o Santo Rosário nos incita a imitar”. (São Tomás de Aquino)

Cuidado com o orgulho no progresso espiritual

“Se, pela graça de Deus, você já alcançou um alto nível de oração, mantenha a prática de rezar o Santo Rosário. Pois nunca ninguém que reza o Rosário diariamente se tornou um herege formal ou foi enganado pelo demônio. Esta é uma declaração que eu alegremente assino com meu sangue.” (São Luís de Maria G. de Montfort)

Como rezar o Santo Rosário

- estar em estado de graça, ou pelo menos com esse propósito.
- Com atenção, evitar as distrações voluntárias.
- Controlar a imaginação, para não ser dominado pelas distrações involuntárias.
- Recusar as insinuações do demônio, que trabalha fortemente para que acreditemos que será inútil rezar o Rosário, pelo fato de ser orações repetitivas, colocando argumentos como:
“Faça uma meditação de 30 minutos, é melhor...”; então jamais pare de rezar um Rosário, mesmo que você não tenha nenhuma devoção sensível.

Defeitos ao se rezar o Rosário

- Nunca pedir alguma graça.
-Querer chegar ao fim, o quanto antes.

“É lamentável ver como a maioria das pessoas rezam o Santo Rosário, extremamente rápido e murmurando, fazendo com que as palavras não sejam pronunciadas claramente.” (São Luís de Maria G. de Montfort).

Segue método com pausas(locais com †)retiradas do próprio livro:


Pai Nosso, que estais no Céu, † santificado seja o Vosso nome, † venha a nós o Vosso Reino, † seja feita a Vossa vontade, † assim na Terra como no Céu. † O pão nosso de cada dia † nos dai hoje; † e perdoai as nossas dividas, † assim como nós perdoamos os nossos devedores; † e não nos deixeis cair em tentação, † mas livrai-nos do mal. Amém

Ave Maria, cheia de graça, † o Senhor é convosco, † bendita sois vós entre as mulheres † e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, † rogai por nós pecadores, † agora e na hora de nossa morte. Amém

- rezá-lo sem reverência, é necessário tomar cuidado com nossa posição corporal, quando possível rezar ajoelhado, mas podendo também ser rezado no trabalho ou nos afazeres do lar, porque o trabalho das mãos não é de forma alguma obstáculo à oração vocal.

Reza em grupo

- Há várias formas de rezar o Santo Rosário, mas a que o diabo mais teme, é a de rezar ou cantá-lo publicamente em dois grupos.
- Normalmente nossas mentes ficam mais atentas quando estamos em grupos.
- A oração de cada um pertence a todos, e estas se juntam em uma oração ainda maior, sendo que na mesma reunião a oração do que está mais forte sustenta a do que está fraco.
- Se você reza com mais 30 pessoas, obtêm-se os méritos de 30 rosários.

“A oração pública é muito mais poderosa que a oração individual para apaziguar a ira de Deus e obter Sua Misericórdia”. (São Luís de Maria G. de Montfort)

Indulgências

- Os fiéis quando recitarem a terça parte do Rosário (terço) com devoção podem lucrar: Uma indulgência de 5 anos (Bula "Ea quae ex fidelium", Sixto IV).
- Se rezarem a terça parte do Rosário em companhia de outros, uma indulgência de 10 anos, uma vez ao dia.
- Aqueles que piamente recitarem a terça parte do Rosário na presença do Santíssimo Sacramento, uma indulgência plenária, sob condição de confissão e Comunhão.
- Os fiéis que durante o mês de Outubro recitarem no mínimo a terça parte do Rosário, publica ou privadamente, podem lucrar: uma indulgência de 7 anos por dia.
- Uma indulgência de 500 dias pode ser lucrada uma vez ao dia pelos fiéis que, beijando o Santo Rosário que carregam consigo ao mesmo tempo recitarem a primeira parte da Ave Maria até “Jesus”. (Sagrada Congregação da Penitenciária Apostólica. 30 de março de 1953).

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Oração das gestantes


(composta por São Francisco de Sales)

Ó Deus eterno, Pai de infinita bondade, que instituístes o casamento para propagar o gênero humano e povoar o Céu, e destinastes principalmente o nosso estado para essa tarefa, querendo que nossa fecundidade fosse uma das marcas de vossa bênção sobre nós, eu me prosterno, suplicante, diante de Vossa Majestade, que adoro.

Eu Vos dou graças pela criança que levo, à qual Vós destes o ser. Senhor, estendei a Vossa mão e completai a obra que Vós começastes: que Vossa Providência leve comigo, por meio de uma contínua assistência, a frágil criatura que Vós me confiastes, até a hora de sua chegada ao mundo. Nesse momento, ó Deus de minha vida, assisti-me e sustentai minha fraqueza com Vossa mão poderosa. Recebei então Vós mesmo meu filho(a), e guardai-o(a) até que ele(ela) tenha entrado(a), pelo batismo, no seio da Igreja Vossa Esposa, a fim de que ele(a) Vos pertença pelo duplo título da Criação e da Redenção.

Ó Salvador de minha alma, que durante Vossa vida mortal tanto amastes as crianças e tantas vezes as tomastes nos braços, tomai também a minha, a fim de que tendo a Vós por Pai, e Vos chamando seu Pai, ela santifique o Vosso nome e participe de Vosso Reino. Eu Vo-la consagro de todo o meu coração, ó meu Salvador, e a entrego a Vosso amor.

Vossa justiça submeteu Eva e todas as mulheres que nascem dela a grandes dores; eu aceito, Senhor, todos os sofrimentos que Vós me destinais nesta ocasião, e Vos suplico humildemente, pela santa e feliz concepção de Vossa Mãe Imaculada, que me sejais benigno no momento de dar à luz ao meu filho, abençoando a mim e a essa criança que Vós me dareis, bem como me concedendo o Vosso amor e uma inteira confiança em Vossa bondade.

E Vós, bem-aventurada Virgem, Santíssima Mãe de nosso Salvador, honra e glória entre as mulheres, intercedei junto a Vosso Divino Filho a fim de que ele atenda, em sua misericórdia, à minha humilde oração.

Eu Vo-lo peço, ó mais amável das criaturas, pelo amor virginal que tivestes por São José, vosso santo esposo, e pelos méritos infinitos do nascimento de vosso Divino Filho.

Ó Santos Anjos que sois encarregados de velar por mim e por meu filho(a), protegei-nos e conduzi-nos a fim de que, pela vossa assistência, possamos um dia chegar à glória de que vós já gozais, e louvar convosco nosso Senhor ,que vive e reina por todos os séculos dos séculos. Amém.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O Santo Calvário nos cobra posições


" Ora, enfim, a morte e a paixão de Nosso Senhor é o motivo mais doce e mais violento que possa animar os nossos corações nesta vida mortal... Nosso Senhor feito em postas e dilacerado sobre o monte Calvário; e os filhos da cruz glorificam- No no seu admirável enigma que o mundo não entende: da morte que devora tudo saiu a comida da nossa consolação; e da morte mais forte que tudo saiu a doçura do mel do nosso amor. Ó Jesus meu Salvador! como a vossa morte é amável, já que é o soberano efeito do vosso amor!

Viva Jesus cuja morte mostrou quanto o amor é forte!

Calvário é o monte dos amantes. Todo amor que não tira sua origem da paixão do Salvador é frívolo e perigoso. Infeliz é a morte sem o Salvador: infeliz é o amor sem a morte do Salvador.
O amor e a morte estão tão misturados na paixão do Salvador, que se não pode ter no coração um sem o outro. No Calvário, não se pode ter a vida sem o amor, nem o amor sem a morte do Redentor. Mas fora de lá tudo é ou morte eterna ou amor eterno; e toda a sabedoria cristã consiste em escolher bem, a ordem do grande Deus não deixa aí meio termo.

(Tratado do amor de Deus - Capítulo XIII, pág 658 - São Francisco de Sales)

Dever dos filhos

Pela natureza somos levados a amar nossos pais, e isso constitui a felicidade de nossa vida. A Fé no-los apresenta como representantes do Poder e da Bondade de Deus e no-los fez amar com amor sobrenatural. Assim o amor cristão possui toda a força da natureza e da Graça. Para ser verdadeiro, o amor filial revestirá três qualidades. Será respeitoso, submisso, dedicado.

Amor respeitoso - O respeito é a primeira prova do amor filial. Um amor despido de respeito não passa de amor-próprio, vizinho do desprezo. O respeito é o guarda fiel do amor, é-lhe a coroa de honra e de glória. Em presença dos pais, o filho evitará rigorosamente toda palavra menos respeitosa, ou trivial, que não ousaria dizer diante dum chefe probo; bem como todo ato grosseiro ou menos polido, que não faria diante de uma pessoa digna. O filho dedicado terá sempre a peito honrar seus pais perante o mundo. Sua honra pessoal lho impõe como dever, e Deus, como preveito absoluto.

Amor submisso - A santidade de Jesus, até os trinta anos de idade, foi um longo ato de obediência, cuja perfeição o Evangelho nos revela por esta simples palavra: " Era-lhes submisso" ( Lc 2,51). A obediência era sua vida.
Feliz do jovem que souber obedecer como Jesus! Seus atos terão grande mérito; seu coração gozará das delícias da paz; sua vida será abençoada por Deus.

Amor dedicado - O filho carinhoso evitará todo divertimento, de que seus pais não puderem participar; recusar toda amizade estranha, que divida seu tempo e seu afeto em detrimento do amor filial. Sua felicidade está em viver sob o teto paterno; seu prazer, em progalizar aos pais cuidados ternos e carinhosos, e ser-lhes, na hora do sofrimento e da provação, consolação e força.
Feliz do jovem que põe a glória de sua vida em servir aos pais, sem outra recompensa senão o amor do dever cumprido, sem outro desejo senão fazer-lhes o bem, sem outra esperança senão a de Deus. Procendendo assim, nada terá de perder, pois o prazer mais puro é o da família, a maior fortuna a da honra, a mais perfeita virtude a da dedicação.

(São Pedro Julião Eymard - Divina Eucaristia - Vol V - pág 144 à 145)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Sois cristã?

Sois Cristã: Tendes, pois, uma fé que deve irradiar


Esplêndido é o vosso papel, com a condição, todavia, de não figurardes entre as "flores artificiais" , mas sim entre as verdadeiras florinhas de Deus. As flores artificiais apenas encantam os olhos, não têm nenhum perfume; não vivem, são inertes. Vós, sede flores bem vivas e espalhai em torno de vós o bom odor de Jesus Cristo.

Isso, aliás, é fácil para quem tem uma fé viva e compreende as obrigações que ela impõe. O título de cristã acrescenta à donzela o que a luz do dia acrescenta à flor: fá-la resplandecer. Tirai Deus do coração da donzela, e ela ainda será bela, mas de uma beleza toda profana; não terá essa candura, esse brilho particular, essa virtude que emana dela e que desarma o vício e a impiedade, clamando-lhe: Alto lá! Jesus está aqui! Em vez de levar ao bem, será ela singularmente pertubadora! Não tendo a Deus no coração, não pode comunicá-Lo! E no entanto, diz um grande orador, "a mulher deve dar a Deus a todos os que dela se aproximam".
***

... E vós, "Filha de Deus", haveriéis de cer que nada podeis fazer, e que não tendes de defender essa Religião que tão bem vos defendeu? Se ainda hoje o catolicismo precisa de vós, vós precisais dele!
O vosso papel não é ensinar, não é elevar vossa voz no meio do século, não! mas é fazer passar a verdade ao coração convertendo-a em amor.

Como diz Mons. Gerbet:

"A missão inspiradora atribuída à mulher é uma missão privada. Cumpre-se no santuário da sociedade doméstica, nas confidências, na efusão das almas, no seio da família, na amizade, no próprio infortúnio que provoca consolações, secretas como seus queixumes. A pregação da mulher será menos retumbante. A grande voz que anuncia a verdade através dos séculos compõe-se de duas vozes: a do homem, à qual pertencem os tons estridentes e maiores, a da mulher, que se exala em tons menores, velados, untuosos, cujo silêncio não deixaria à outra voz senão a rudeza da força."

Deveis, pois, ser fiel a esse primeiro dever, de pregar a verdade fazendo-a amar. Mas deveis também defendê-la, pois sabeis como a atacam em toda a parte.

Dia virá, talvez, em que tereis de protegê-la não tanto em vós mesma como na alma dos entes caros que Deus enviar ao vosso lar. Mulher, eposa, mãe, então é que devereis velar, é que devereis agir, falar, convencer.

Preparai-vos para essa nobre tarefa. Para isto a educação dos tempos de paz já não basta; hoje em dia a luta está em toda a parte; menos do que nunca vos pdoeria convir ficar neutra!

(Excertos do livro: A formação da donzela, do Pe. J. Baeteman)

PS: Grifos meus

"Feminista ou feminina?"

A pergunta acima estava na primeira página da edição março-junho de 2000 do jornal "Fazendo Gênero" do Grupo Transas do Corpo (um grupo feminista apoiado pela Fundação Mc Arthur e Fundação Ford). A autora da matéria lamentava que "apesar do feminismo estar presente, há longas décadas (...), a velha expressão 'sou feminina, não feminista' ainda ecoa forte nas falas de muitas mulheres".

As mulheres têm razão de não quererem ser consideradas feministas, assim como os homens tem razão de não quererem ser considerados machistas. O natural da mulher é ser feminina, assim como o natural do homem é ser masculino. O feminismo é uma deformação da feminilidade, assim como o machismo é uma deformação da masculinidade.
A beleza do "ser mulher" está justamente em ser diferente do homem e complementar a ele. Ao compreender o papel insubstituível que ela desempenha no lar junto aos filhos, a mulher não se sente mal ao dizer que é dona de casa. Ao compreender a beleza da maternidade, não se horroriza ao pensar numa gravidez, nem abomina a família numerosa.

O feminismo, tal como se apresenta nos nossos dias, é um movimento de autodesvalorização da mulher. Tal ideologia, ao pregar a "competição com o homem", esquece-se que homem e mulher não são inimigos natos, mas são complementares. Um foi feito para o outro, não para competir com o outro.
Por dever de ofício (e não apenas por opção) o homem tem que sair para trabalhar e sustentar a família. Se, porém, todas as mulheres resolverem (como pregam as feministas) sair de casa para obter "realização profissional", pergunto: com quem ficarão as crianças? Quando ambos - pai e mãe - passam o dia fora de casa, os filhos são órfãos de pais vivos...

...Como seria bom se todas as mulheres compreendessem que são alicerce (que sustenta mas não aparece) e não se enganassem procurando freneticamente ser fachada (que aparece, mas não sustenta).
No âmago do feminismo está uma depreciação da feminilidade e um desejo de masculinizar a mulher.

(Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz)
PS: grifos meus

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Aos devotos de São Dimas

" Senhor, lembra-te de mim quando estiveres no teu reino".

Uma hora talvez, se passou...Os gritos agudos e as blasfêmias dos dois ladrões torturados reduziram-se a gemidos, e os gemidos ao silêncio da exaustão; e, no silêncio, a Graça de Deus e os hábitos do passado estiveram em obra juntos. Um dos ladrões ainda está absorto na sua própria dor, olhando-a, confrontando-a, volvendo-a para cá e para lá, procurando acomodá-la; e o outro começa a compreender que há algo no universo afora a sua própria dor; que a sua dor não é o princípio e o fim de todas as coisas. Algumas vezes, quando a sua cabeça se torcia para este lado ou para aquele, através do sangue e das lágrimas que o cegavam, através da névoa de poeira levantada pela multidão marulhosa, ele colhera impressões rápidas do Outro que está suspenso no meio. O seu companheiro de sorte também O viu, mas na paciência d'Ele viu apenas uma exprobração ao seu próprio tormento...
" Se és o Cristo, salvea-te a ti e a nós" ( Lc 23,39). Sem embargo, aquele outro vê naquilo mais do que fracasso e uma tragédia; ouviu, talvez, aquela primeira Palavra gemida quando os pregos eram enfiados; e, por esta minúncia e por aquela e por aquela outra, o seu espírito entenebrecido - o espírito de uma criança selvagem - tem estado dolorosamente em obra.

E, na sua operação misteriosa, a Graça também tem estado trabalhando sobre aquele espírito corrompido e bronco, como a luz do sol num beco infecto...Com toda a nossa teologia, nós quase nada sabemos deste processo divino; sabemos um pouco das suas condições, uma parcela dos seus efeitos; classificamos algumas leis secundárias da sua ação; e nada mais. Contudo, uma coisa sabemos: que o homem a quem a Graça veio não era totalmente egoísta; que ainda havia nele receptividade bastante para a Graça poder entrar.

Assim, pouco a pouco, a verdade (não ousamos dizer a verdade integral e explícita) começou a infiltrar-se nele. Aquele espírito entenebrecido começou a colher vislumbres, que vinham e iam e voltavam, do Fato supremo que os fariseus cultivados desdenhavam...começou a perceber que o "Criminoso" do meio não era um criminoso, que aquela coroa de espinhos não era totalmente uma zombaria, que o título colocado por cima da Cruz era mais do que um sacarmo...

Sabemos, pelo menos, que o ladrão finalmente falou - milagre maior do que o da mula de Balaão! - sabemos que um assassino reconheceu o Senhor da Vida, que um mentiroso falou a verdade que um proscrito se submeteu ao Rei. " Senhor, lembra-te de mim quando estiveres no teu reino".

Pede ele, portanto, o mínimo que podia pedir: que um Rei que algum dia entrará num certo reino não se esqueça de que existe uma criatura como Dimas, que um dia sofreu ao lado d'Ele. Já não exprime uma dúvida - " Se és o Cristo" - mas Lhe chama logo "Senhor". Já não pede livramento - "salva-te a ti e a nós" - mas pede apenas uma lembrança futura. Um dia, seja quando for, lembra-te...

E, ato contínuo, produz-se o milagre que se produz sempre quando uma alma, envergonhada, começa a tomar o lugar mais baixo. Mal aprendemos a ser servos, recebemos o lugar e o nome de amigos.

" Amigos, vem cá mais para cima" (Lc 17,10)..." Não vos chamarei servos...mas amigos" (Jo 15,15). Porque Ele é o Único cui service regnare est; cujo serviço é perfeita liberdade..." Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso" ( Lc 23,43).

Aqui reside, pois, uma das leis mais profundas da vida espiritual, e uma das mais difíceis de aprender, porquanto, como todas as leis fundamentais tanto da graça como da natureza, ela se apresenta como um paradoxo. " Se quiserdes subir, deveis procurar descer"..." O que se humilha será exaltado" ( Lc 14,11)

Oh! esta amizade de Jesus ao penitente!

Ainda há pouco havia três dos íntimos de Cristo em torno à sua Cruz - de um lado, Maria Imaculada e o discípulo casto a quem Jesus amava; e do outro a purificada e chorosa Madalena. Agora completa-se o quaternário dos seus amantes, porque a estes se juntou o Ladrão arrependido - ele que desejava servir por isto mereceu reinar...E ele, também, já pende no Paraíso.

(A amizade de Cristo - Mons Robert Hugh Benson - pág 145 - ano de 1950)

domingo, 9 de agosto de 2009

Exemplo de boa família!

Coroação de espinhos


“E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lhe sobre a cabeça”. Bem reflete o devoto Landspérgio que este tomento de espinhos foi excessivamente doloroso, porque transpassaram toda a sagrada cabeça do Senhor, parte sensibilíssima, já que da cabeça partem todos os nervos e sensações do corpo. Além disso, foi o tormento mais prolongado da paixão, pois Jesus suportou até à morte esses espinhos, tendo-os enterrados em sua cabeça."

 (A Paixão de Nosso Senhor Volume II - pág 26)



- Os espinhos

A planta utilizada na confecção da coroa de espinhos tem sido objeto de muito debate. Os mais renomados experts em botânica da Terra Santa, porém, restrigiram as espécies ao espinheiro-de-cristo sírio ou espinho-de-cristo. As duas plantas são membros da família de plantas espinhosas ( Rhamnaceae) e muito parecidas entre si, cresce abundantemente das planícies da Síria e do Líbano até Palestina, Arábia, Petraea e Sinai, pode também ser achada na fronteira sul de Israel, chegando até a Samaria, mas não é encontrada hoje em Jerusalém e cercanias.

São caracterizados por espinhos rentes e afiados. O espinheiro-de-cristo sírio é um arbusto cujo tamanho varia entre 3 e 5 metros, já o espinho-de-cristo é um arbusto que atinge 1 e 3 metros de altura. Contém um par de espinhos estipulares desiguais, duros e afiados, um deles mais curvados que o outro.

- A coroação

É importante notar que a coroa foi feita com o entrelaçamento dos espinhos na forma de um boné. Isso permitiu o contato de uma quantidade enorme de espinhos com o topo da cabeça, a fronte, a parte traseira e as laterais.

“Impuseram-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos, que era á maneira de pileus (= carapuça, gorro) por sorte que todos os lados lhe cobria e tocava a cabeça”
(São Vicente de Lérins - Sermo in Parasceve), e acrescenta que produzira essa carapuça 70 ferimentos. O "pileus" era, entre os romanos, uma espécie de gorro semi-oval, de feltro, que envolvia a cabeça e servia principalmente para o trabalho. O couro cabeludo sangra com muita facilidade; como esse gorro foi enterrado a pauladas (para não ferir as mãos dos soldados), os ferimentos produzidos devem ter feito correr bastante sangue.

- Neuralgia do trigêmeo

Os golpes na cabeça irritavam os nervos e ativaram zonas nos lábios, do lado do nariz, ou no rosto, causando dor imensa, similar a uma queimadura ou choque elétrico. A dor era lancinante, atingindo as laterais do rosto e penetrando nos ouvidos. O sangramento decorria da penetração dos espinhos nos vasos sanguíneos. A dor podia cessar abruptamente, mas era reiniciada com o menor movimento nas mandíbulas ou golpe de ar. O choque traumático do açoitamento brutal deve ter realçado as dores paroxísmicas no rosto. Exacerbações ou retrações nos surtos de dor podem ter ocorrido no caminho do Calvário (mais ou menos 8 quilômetros) e durante a crucificação, ativados pelos movimentos de andar, cair ou pela pressão dos espinhos na coroa, além dos muitos golpes e empurrões dos soldados.

A inervação que permite a percepção de dor na cabeça é feita por ramos de dois nervos principais: o nervo trigêmeo, que supre essencialmente a parte frontal da cabeça, e o grande ramo occipital, que abastece a pate de trás, os ramos se dividem de forma infinitesimal pela pele. Para apreciar essa distribuição, pegue um alfinete e tente achar uma parte do seu couro cabeludo que seja isento de dor. Você vai descobrir que a tarefa é praticamente impossível. Estímulo ou irritação de ramos desses dois nervos principais causam dor. De acordo com o dr. Robert Nugent, professor e presidente do Departamento de Neurologia da escola Medicina de West Virginia, " a neuralgia do trigêmeo é considerada a pior dor que um ser humano pode sofrer".

- Evidências no Sudário

Considerando a grande quantidade de vasos sangüíneos existentes na cabeça e os efeitos da coroação de espinhos, é óbvio que o sangue iria escorrer livremente pela face de Jesus, Isso é evidenciado de forma dramática no Sudário, cujas imagens revelam "riachos" e marcas de algo jorrando, saturando o cabelo e escorrendo pela testa. A imagem frontal sugere acentuada saturação do cabelo com sangue seco, fazendo com que ele permanecesse nos dois lados do rosto. Marcas estão presentes na testa e na nuca (a nuca foi muito ferida devido as quedas onde a cruz - patibulum -pressionava a coroa e também quando Cristo estava na cruz). Além dos ferimentos com a coroa de espinhos, os vários golpes que Ele recebeu no rosto são evidentes no Sudário, particularmente na região da testa, lado superior direito do lábio, mandíbula e nariz. O padrão tridimensional nas imagens realçadas por computador revelam mais claramente uma separação na cartilagem nasal- mas não uma fratura- e confirmam os ferimentos já citados.

* Informações retiradas da obra de dr.Frederick T.Zugibe e dr. Pierre Barbet

sábado, 8 de agosto de 2009

Um digno apostolado feminino


Educar no senso religioso

Uma mãe cristã se preocupa com a alma do seu filho muito antes que ela nasça. Durante esse período único, a mãe pode, por seu espírito de oração e de oblação, exercer uma influência invisível sobre a alma do ser querido e capitalizar para ele as bençãos divinas.

No instante do nascimento, as mãe e pais cristãos não deixem de consagrar ao Senhor o serzinho querido que Deus lhe deu, ou melhor, lhes confiou.

O que será esse filho mais tarde? de qualquer modo, não se destina a se tornar eleito? E a missão mais importante dos pais não é a de ajudá-lo a realizar a sua vocação sobrenatural de filho ou de filha de Deus?
É aos pais que cabem a honra e a alegria da primeira educação religiosa dos filhos. Mas é preciso tudo prever. O padrinho e a madrinha recebem da Igreja a missão de "suplemento" . É nesse espiríto que cumpre escolhê-los, e não tendo únicamente em conta convenções mundanas ou susceptibilidade familiares.

É nos primeiros meses que a criança - que registra muito mais do que se pensa - pode receber a feliz influência da mamãe rezando ao pé do seu berço. A criança, olhando apenas, imitará por si mesma os gestos da mãe e aprenderá assim, pouco a pouco, a juntar as mãos e a enviar um beijo à imagem de Jesus e de Maria, cujos nomes, juntamente com os do pai e da mãe, serão os primeiros que balbuciará.

Logo que a criança começa a falar, a mamãe pode fazê-la repetir algumas curtas invocações...Muito depressa, aliás ela se mostrará capaz de falar espontâneamente ao Bom Deus, por menor que seja o estímulo materno.

Desenvolver o espírito de fé na criança é habituá-la a ver Deus e a levá-Lo em conta na vida cotidiana. Compete à mãe impregnar da Divina Presença os dias do filho. Cumpre evitar que as relações com Deus sejam relegadas unicamente ao começo e ao fim do dia, mas aproveitar as circunstâncias, bem como as disposições do filho, para elevar-lhe a alma naturalmente a Deus...

De parte, não se deve tratar o Bom Deus como um "coleguinha" , o que levaria muito depressa à falta de respeito e à abolição do senso do sagrado. De outra parte, nunca se deve apresentar Deus como um Ser remoto, inacessível, espião das fraquezas humanas, sempre pronto a surpreender as delinqüências, pequenas ou grandes. Isto seria uma caricatura, uma verdadeira traição. Quando mal pode ser feito por meios de frases como a que assimila Deus a uma "Papão" ou a um " Papai-de-chicote" : Desobedecestes e por isso te machucastes; é bem feito, o Bom Deus te castigou!".

Assim que a criança puder, ensinar-lhe as principais orações da Igreja: o Padre Nosso, a Ave-Maria. Explicar-lhe o sentido dessas orações, mas cuidar de que sejam recitadas corretamente, sem atropelos. Ainda aí, prestemos atenção ao sendo do sagrado e façamos rezar "em beleza": pelo sinal da cruz, genuflexão bem feita, oração bem dita, com todo o coração.

Convém orientar a criança no sentido de uma grande confiança a Santa Virgem, por quem nos foi dada por Jesus, e em quem sempre encontramos o caminho que a Ele conduz. Com as crianças as precauções nunca são bastantes. Porque não lhe souberam contar toda a história de Jesus, inclusive Sua ressurreição, há crianças que permanecem quer no estágio do presépio, quer na fase da cruz. Para as primeiras, Jesus é uma criança como elas, que nunca cresceu; para as segundas, é um Deus morto.

Advertir a criança de quem não se espante se vir sombras, contradições, horas difíceis na história da Igreja. A Barca de São Pedro é freqüentemente assaltada pelas tempestades. Perseguições e abandonos foram, aliás, preditos. Mas o Cristo é o eterno Vencedor, é ele que terá a última palavra.

(A arte de educar as crianças de hoje- Padre G.Courtois -1959)

PS: grifos meus.
PS2: Segue excelente Catecismo ilustrado