segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

CAPÍTULO IX — A revelação do momento presente é uma fonte perene de santidade

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

O ABANDONO À DIVINA PROVIDÊNCIA
pelo
P.J.P de Caussade, S.J


CAPÍTULO IX
A revelação do momento presente é uma fonte perene de santidade

            Oh, almas que vos abrasais em sede de santidade, sabei que não precisais de ir muito longe buscar a fonte das águas vivais, pois ela brota mesmo junto de vós, no momento presente; apressai-vos em correr para ela. Tendo tão perto a fonte, porque haveis de cansar-vos em correr para os regatos? Estes aumentam ainda mais a sede, não vos dando a água senão com medida; só a fonte é inesgo­tável. Se quereis pensar, escrever e viver como os profetas, os apóstolos, os san­tos, abandonai-vos como eles à inspira­ção divina.
            Oh, amor desconhecido! parece que as vossas maravilhas já se acabaram e que não resta senão copiar às vossas antigas obras e citar os vossos discursos passados. E não se repara que a vossa ação inesgotável é fonte infinita de no­vos pensamentos, de novas realizações, de novos patriarcas, de novos profetas, de novos apóstolos, de novos santos, que não precisam de copiar nem a vida nem os escritos uns dos outros, mas de viver em perpétuo abandono às vossas se­cretas operações.
            Ouve-se falar a cada passo, dos pri­meiros séculos como do tempo dos san­tos. Estranho modo de falar! Como se todos os tempos não fossem a su­cessão dos efeitos da ação divina, que vai decorrendo por sobre todos os ins­tantes, enchendo-os, santificando-os, sobrenaturalizando-os todos. Por ventura houve jamais um modo antigo de se abandonar a esta operação divina, que não seja de completa atualidade? Ou tiveram os santos dos primeiros tem­pos, outros segredos que não fossem os de se tornarem, em cada momento, o que esta ação divina pretendia reali­zar neles? E esta ação deixará de es­palhar até ao fim do mundo a sua graça sobre as almas que se abandonarem a ela sem reserva?
            Oh sim, ó adorável e eterno amor, perenemente fecundo e sempre maravi­lhoso. Oh, ação do meu Deus, vós sois o meu livro, a minha doutrina, a minha ciência; em vós estão os meus pensa­mentos, as minhas palavras, as minhas ações, a minha cruz. Não é consul­tando as outras obras vossas, que eu serei o que vós desejais fazer de mim, mas recebendo-Vos em todas as coisas por este caminho real único e antigo, o caminho dos nossos pais. Como eles, portanto, pensarei, como eles serei es­clarecido, como eles falarei; nisto os quero imitar a todos, citar a todos, co­piar a todos.
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