quarta-feira, 22 de junho de 2016

15.ª Arma: o recurso ao médico / 16.ª Arma: o temor do contágio

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)
PELO
PE. J. HOORNAERT, S.J.

 

15.ª Arma: o recurso ao médico

Nas tentações impuras, não se hão de considerar só os fenômenos psicológicos mas é forçoso estudar também os fenômenos fisiológicos.
Em se tratando da alma, é o sacerdote que se há de acudir.
Quando se trata, porém, do corpo, é ao médico que é mister recorrer.
O médico, diz o Pe. Vermeersch, insistindo neste ponto, poderá, segundo os casos, tentar diversos remédios e processos: o emprego da cânfora, do bromuro, a hidroterapia, a lavagem local com água fria ou avinagrada, os meios adaptados para acalmar os nervos, compressas, cauterização, sugestão, etc.
Algumas vezes (dizemos algumas vezes…) poderá o médico recorrer, com proveito, ao hipnotismo.[1] Enfim ele indicará como convém tratar certas doenças características.
O que importa é consultar um médico consciencioso, que saiba aliar aos princípios, fundamentalmente religiosos, os requisitos para uma cura fisiológico-psicológica.[2]

16.ª Arma: o temor do contágio

Já o dissemos não se morre por se ter sido continente.
Por milhares, porém, se contam as vítimas da incontinência.
“Esta devassidão da mocidade é um imenso perigo para os rapazes que a ela se entregam”. (Dr. Perrier).
“Que de tristes histórias não ouvistes daqueles seres embrutecidos, daquelas heroínas arruinadas que, há pouco, corriam como vós, de festa em festa. Em que estado estão agora!” (Dr. Bourgeois. As paixões).
“De todas as coisas que, mais poderosamente, concorrem para abreviar a vida, não conheço outra cuja ação seja mais deletéria (a impureza) eque reúna em si, no mais alto grau, as propriedades antivitais”. (Hufeland).

“Nenhum outro excesso (o da impureza) tanto enerva o poder vital, nenhum outro debilita tanto os órgãos e favorece, mais eficazmente, a consumpção deles”. (Sir James Page).
“Não tendes já encontrado homens que, na flor dos anos, apenas honrados com os sinais da virilidade, já trazem em si, profundamente gravadas, as ruínas do tempo… A fronte carregada de rugas precoces? Quem ousou desfigurar aquele menino? Quem roubou o frescor dos seus anos?… É o sentido depravado”. (Lacordaire).
Todas estas citações não são mais do que o comentário das palavras de S. Paulo: “O remate destas coisas será a morte”. (Rom. 6-16).

* * *
A impudicícia compromete a saúde, primeiro indiretamente, atuando fortemente sobre o moral.
Traz consigo muitos “inconvenientes psíquicos”.[3]
Quais são eles? O hábito impuro “apresenta-se como uma ruína da vontade.”
“Deprime, produz um estado de desânimo, que fomenta e agrava as recaídas”. Estas palavras são do Dr. Francotte (An. Soc. Scient.).
O Pe. Vermeersch assinala os mesmos fenômenos. Os efeitos psicológicos que sempre acompanham ou se seguem de semelhante vício são: a melancolia, o isolamento e principalmente a neurastenia. O que muito contribui para produzir estas consequências, é a consciência da fraqueza da vontade, a nota de ignomínia infligida pela dignidade humana, ao consuetudinário, o remorso, o tédio religioso… O Pe. Gemelli descreve admiravelmente este rebaixamento moral do rapaz a seus próprios olhos. Pensa este que a sua culpa seja notória a todos, julga que seu pai e sua mãe, ao abraçarem-no, como de costume, hão de notar nele algo de anormal e ler, por assim dizer, a verdade impressa em sua fronte”. (De Cast.).

* * *
Pode-se ir mais longe e, peremptoriamente, afirmar que a impureza arruína a saúde?
Nisto, como em tudo o mais, é mister que sejamos muito leais e sinceros.
Dignos de censura seriam os que inventassem perigos inexistentes ou pelo menos exagerassem certos dados positivos para,     pelo temor, mais eficazmente, manter alguém no caminho do dever.
Seria coisa indigna.
Nunca o erro há de servir à nobre causa da verdade.
O fim não justifica os meios.
Respondamos, com sinceridade a questão: o vício compromete a saúde?
Os seus desastrosos efeitos, ao que parece foram exagerados. São desta opinião os três citados autores: Dr. Dejérine, (Psiconevroses, pg. 87); o Dr. Francotte, (log. cit); o Pe. Vermeersch, (De Cast. n.º 44).
Poder-se-ia também citar, neste sentido, o Pe. Génicot.
Estes quatro autores exprimem-se, nesta questão, grandemente intricada, com a máxima circunspecção. E assim é que o Dr. Francotte, depois de omitir sua opinião, acrescenta imediatamente: “Esta minha opinião formulo-a com formais restrições. Não me é possível, com efeito, crer que homens de grande autoridade e de grande experiência como Krafft-Ebing, Freud, Löwenfeld, levianamente atribuam (ao vício) parte considerável, na origem das nevropatias e das vesânias.
Além disto, todos estes autores supõem sempre que a vítima não se entregue ao vício: a) nem muito cedo; b) nem muito tarde; c) nem com excessos; d) nem com perigo de contágio.
As doenças originárias do vício da impureza são terríveis e contagiosas e sobre tal questão todos os médicos acham-se de pleno acordo… Deixamos, porém, de expor neste livro dedicado não a profissionais, o parecer dos médicos sobre tão repugnantes enfermidades; acrescentamos, porém, que o temor de tão temíveis contágios pode ser um meio sério para nos conservar indenes, contudo não é senão subsidiário; o principal será sempre o dever moral.
Não havemos nunca de confundir uma tão séria questão moral com uma precaução de simples higiene.
Saúde não é sinônimo de virtude.
Embora estivéssemos plenamente assegurados de não sofrer qualquer contágio e de uma pronta cura, ficaria sempre de pé a lei natural e divina, e a terrível sanção de Deus contra o violador da ordem moral.
Jamais será possível substituir o temor do inferno pelo temor de um hospital, nem o melhor remédio de farmácia pelo santo Evangelho.


[1]             “Nec in hac re, prudens hypnotismi usus damnandus est”. (P. Vermeersch. De Cast.).
[2]             Escrevendo o nosso autor para a mocidade da Bélgica, apresenta-lhes uma lista de várias notabilidades médicas daquele país, aconselhando-lhes no caso de ser preciso, a recorrerem a eles, com grande proveito: o Dr. Francotte, o Dr. Delfosse, e o Dr. Van der Vloet, etc.
         Numerosa é a plêiade de verdadeiros cultores da ciência médica e pioneiros da moral que, felizmente, também se encontram no Brasil. São os verdadeiros apóstolos do bem e da ciência. A esses homens de consciência religiosa, de moral e de ciência, podeis recorrer. (Nota do trad.).
[3]             Dr. Dejérine. Psychonevroses.
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