sexta-feira, 10 de junho de 2016

13.ª Arma: a nobreza d’alma

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)
PELO
PE. J. HOORNAERT, S.J.



13.ª Arma: a nobreza d’alma

Esta nobreza não passará, talvez, de uma qualidade meramente humana, nada tendo de virtude, porquanto entre um dom natural e uma virtude sobrenatural, não há somente uma diferença de nível, mas distinção essencial.
Todavia esta nobreza, será para a alma uma preparação (remota ou negativa) à virtude. Ela nos impedirá de ir dar nos parcéis do descaramento.
De que modo?
O que é plebeu está exposto a seguir a chateza, seja qual for, por exemplo: a do vício.
Nós não fomos criados como comportas estanques. Todo o seu moral é solidário. Estudaste as leis da transmissão dos sons e das vibrações moleculares. Dá-se o mesmo com o coração humano: o menor ruído tende propagar-se e os movimentos ondulatórios alcançam, pouco a pouco, todo o conjunto.

Destarte a vulgaridade, necessariamente, tende difundir-se. E vice-versa, também a nobreza é difusiva, e todo aquele que a conserva, será levado a cultivá-la, sob todas as formas, inclusive a da virtude.
Assim como Michelangelo, trabalhando nos frescos do Vaticano, contraíra tal hábito de levantar os olhos que, dizem, lhe não era mais possível voltá-los para o chão, assim o jovem, habituado a olhar para as coisas nobres e elevadas, será menos tentado a baixá-los para as torpezas do vício.
Poderá enganar-se, mas serão seus passos dados, em falso, pelas elevações ou por largas estradas, nunca, porém, serão quedas nos pântanos do pecado.
Acostumou-se a esta vida de grandes e ao proceder cavalheiroso.
Tomou a divisa de Santo Inácio: “Insignis”, sê insigne!
Numa palavra, compreendeu que a vida, sem a virtude, é falha, mutilada, maneta, que o homem não é, está claro, um puro espírito mas que tem afinal um espírito nobre e não é uma simples coleção de vísceras reunidas numa caixa torácica, ou num abdômen cheio!

* * *
Nada tanto se opõe ao ideal como a impureza.
O ideal é a tendência para o alto.
O vício é a tendência para o baixo, é sempre rasteiro.
O primeiro é o cume.
O segundo, o atoleiro.
“A vida está em subir e não em descer”. Ser impuro é descer!
O vício, já o definimos tantas vezes, primeiro é uma grande chateza, depois grande laxidão. E nada mais é.
O ideal se extingue com a impudicícia, tal qual um facho atirado à lama.
Há duas espécies de chamas que correspondem a duas espécies de jovens: os puros… e os outros!
A chama dos segundos é a chama baixa e fumegante das concupiscências; só se alimenta de matérias pútridas.
A chama dos primeiros é brilhante e elevada, tão alta que se alteia até as estrelas.
Somente o puro é entusiasta, e a virgindade secunda, admiravelmente, os impulsos do belo e do bem.
Blondel escreve, em sua biografia a respeito de Ollé-Laprune: “Nunca perdeu a virgindade do coração. E assim, todo de candor e chama, associava a pureza que concentra a vida, a caridade que a difunde, e ao entusiasmo uma paz inalterável”.
Procura ter um coração magnânimo e elevado e não um pobre e mesquinho coração, todo encarquilhado pelo egoísmo e pela vulgaridade.
Torna-te, no melhor sentido da expressão, uma “alma-princesa”. Não queiras avilanar-te com o vulgacho, já que podes viver com a aristocracia dos sentimentos generosos e da virtude.
S. Paulo disse nobremente: “Procurai as coisas do alto; amai as coisas do alto e não as coisas da terra”. (Cor. 3-2).
Sê nobre: nobre nos teus gostos, nas tuas leituras, nas tuas fadigas intelectuais, nos teus misteres de arte, na escolha dos teus amigos, e digo mais, até no teu falar, no trajar, nos ornatos do quarto, pois o homem depende muito do ambiente em que vive.
Tu estás na idade em que é forçoso tomar partido e concretizar o teu modo de vida.
Alguns concretizam-na em coisas vis. Tu deves orientá-la para o que é belo e nobre, para o Nobre soberano, que é Deus.

* * *
Não receies ter um ideal demasiado elevado.
Meu Deus! e tal há de ser necessariamente para que possa elevar-se esta pesada matéria humana!
Não vás também cuidar que o ideal seja uma palavra vã, uma bela fantasia de poeta, que esquece o mundo real para voar pelas regiões etéreas, de modo que, em vez de pés, se sirva de asas. Zola, o verista, ria-se dos “trambolhões no azul”.
Atento: o ideal é mais verdadeiro do que a realidade, pois é a realidade desembaraçada de tudo o que a avilta.
É o ser sem as deficiências do ser, o ser inteiramente belo, porque é todo completo.
O Pe. Antonino Eymieu explica admiravelmente este aparente paradoxo: “O ideal é essencialmente verdadeiro. Não apresenta contradição alguma: tomastes todos os seus elementos de realidade, combinaste-os, respeitando todas as relações essenciais, todas as leis, suprimindo tudo quanto poderia alterá-los e dando-lhes o que poderia engrandecê-los. E quando vos encontrares ante um ser, de carne e osso, que se aproxima desse ideal, embora não possa igualá-lo, exclamais: “Eis um homem! aquele, sim, é verdadeiramente um homem!” Os outros também, os que realizam uma ideia específica, são homens, mas tendes razão ao dizerdes que, aquele que se aproxima do ideal, é um homem mais verdadeiro. Assim é que há: um ideal do jovem, da donzela, do pai de família, da mãe, do magistrado, do político, do general, etc.; e mais os seres concretos se aproximam desse ideal, mais são verdadeiros magistrados, verdadeiros pais, etc., pela simplicíssima razão que, a verdade de um ser está na sua mais perfeita conformidade com o seu modelo.

O ideal não é simplesmente a verdade, mas é a verdade na sua plenitude, a verdade-limite para o qual tende um ser, em seu completo desenvolvimento”. (Estudos: 5 de jan. de 1906).
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