quinta-feira, 19 de maio de 2016

As desculpas dos derrotistas - Parte III

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)
PELO
PE. J. HOORNAERT, S.J.


14.º Pretexto:
O que será do nosso direito, à felicidade?

— Revindico-o para ti, a despeito de ti mesmo.
Imediatamente, após a culpa, se sucede a pena, porquanto o pecado e a tristeza vivem associados.
Difícil é dizer-se qual seja no pecado de impureza o que domina: se a violência da ação, se a reação; se o gosto que precede ou o desgosto subsequente.
E este desgosto é tão pronunciado que naqueles momentos, a recaída nos parece, impossível.

Que cruel ironia apelidar “prazer” o que certamente se há de deplorar em seguida, o que é eminentemente prejudicial.
Mas afinal, tudo isto já o estudamos no capítulo: “O vício é triste”.
O rapaz vítima da concupiscência, poderia exclamar como Jônatas condenado a pena capital, por ter saboreado o mel, não obstante a proibição do Rei Saul, seu pai: “Provei algumas gotas de mel e eis que vou morrer!”. “Gustans gustavi… paululum mellis, et ecce nunc morior”.
Um lambisco de doçura proibida… e depois a morte!…

15.º Pretexto:
A castidade!… Impossível!

— Se ficas sozinho, temo muito! e eis porque deves implorar o socorro de Deus, de joelhos, como uma criança.
Levantar-te-ás fortificado e alentado, dizendo com S. Paulo:
“Tudo posso n’Aquele que me fortalece”.
Impossível! Mas refletiste bem, meu amiguinho, que esta objeção, se é bem consciente, seria uma verdadeira blasfêmia?
Como! Cometeria Deus a clamorosa injustiça de exigir, rigorosamente, um dever que é superior às nossas forças? Não, não! “Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados acima de nossas forças, mas para a tentação vos procurará uma feliz saída, dando-vos auxílios para a vencerdes”. (1 Cor. 10-13).
“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição ou o perigo?… Nestas provas, seremos mais que vencedores com o auxílio d’Aquele que nos amou. Porque tenho certeza de que nem a morte, nem a vida, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem as potestades, nem a altura, nem o profundo, nem criatura alguma poderá nos separar do amor de Deus em Jesus Cristo Nosso Senhor”. (Rom. 8-35 e seg.).
Impossível! Olha ao redor de ti: não conheces em tua mesma família, em tua camaradagem, jovens puros e moças de olhar inocente e cândido? “Quod isti et istae…” O que eles, jovens e donzelas delicadas, puderam não poderás tu também?
Impossível! E os Santos?
Com prazer citamos uma bela página de P. Bureau: “Nossa covardia imagina que os remédios que não incomodam, os paliativos que se adaptam à natureza, bastam para curar os nossos males. A observação imparcial, porém, contradiz estas esperanças interessadas, e, em toda a sociedade, as ações, que julgamos exigirem apenas uma dose comum de moralidade e de dedicação não são praticadas pela grande maioria dos indivíduos, senão quando eles têm diante de si impulsores e guias capazes de levarem até ao heroísmo a perfeita observância do princípio integral. Ora os que voluntariamente guardam a castidade perpétua desempenham este papel magnífico de campeões e de chefes, e por isso mesmo são também eles, como os pais de uma numerosa prole, credores do belo título de: pais da pátria.
Quando os seus serviços e as suas virtudes chegam a seu ponto culminante, não são simplesmente pais da pátria, mas os pais da humanidade inteira, que, pelo correr dos anos, vive de seus exemplos, de suas sublimes lições.
É verdadeiramente estranho como nossos contemporâneos, que não regateiam encômios, quando se trata de celebrar os grandes sábios, os grandes artistas, liguem tão pouca importância aos serviços, muitos mais relevantes, prestados por esses admiráveis batalhadores da vida moral, a que chamamos os santos.
E contudo é a energia e força desses heróis que amparam nossa fraqueza, e que destarte nos fazem participantes da abundância da vida espiritual que deles transborda.
Seus exemplos nos mostram, a par do nosso dever, a extensão do nosso poder e, após esses campeões, esses conquistadores da liberdade espiritual, caminha a imensa multidão dos homens, aliás não tão libertados e completamente forros como eles, mas ainda assim, não tão servis e menos escravos do egoísmo desses maus apetites.
Acautelemo-nos de, levianamente, taxar de excentricidade e de exageração essas práticas e atitudes que não são senão uma bela reação vigorosa e necessária contra os excessos, mui nocivos, de uma sensualidade grosseira, para com a qual, contudo, somos pródigos dos tesouros da nossa indulgência.
Esses homens combateram tão duramente contra as exigências, aparentemente, mui legítimas do corpo e do espírito, porque sabiam que nós lutamos tão pouco e tão mal contra os piores excessos; e assim, graças a eles, nos é dado, a nós, beneficiados por essa vigilância, evitar os escolhos que se ocultam nas proximidades de nossas tendências normais”. (P. Bureau: “A indisciplina dos costumes”).
Oh! já adivinho a tua exclamação:
“Os santos são homens acima do comum”.
— Acima do comum, quanto à sua coragem? Sim.
Acima do comum, por estarem livres de tentações? Não.
Ouve S. Ambrósio: “Saibamos todos que eles não foram de uma essência superior, mas de uma generosidade superior; não ignoraram os vícios, mas domaram-nos.[1]
Embora os covardes digam o contrário, eles foram talhados do estofo comum do molde humano.
Os santos são homens esplendidamente coroados, porque fortemente combateram. Está escrito: “Não será coroado senão o que, varonilmente combater”.
Um vencedor é a prova peremptória de que o triunfo é possível.
Impossível! Mas eis o que, palavra por palavra, o jornal “O povo” publicava em seu número de 18 de novembro de 1919, com a assinatura Eusébio: “A Igreja!… Não há dúvida, o seu melhor remédio é a castidade.
A castidade é possível, não nos cansemos de o repetir”.
A revista Sporting na seção Higiene e desporto, publicou um artigo intitulado Sede castos. Era um questionário sobre a utilidade da castidade para os jovens dados aos desportos. O Dr. G. Deschamps concluía com o veredicto, sobre a possibilidade da pureza juvenil, apelando para a autoridade de Roosevelt e de Elliot, presidente da Universidade de Havard, decididos partidários da continência perfeita, até ao matrimônio.
Podes verificar. É o número do Sporting de 1.º de maio de 1918 e mais números precedentes.
Todavia não temos necessidades de ouvir os pareceres do Sporting ou do Peuple. Há já vinte séculos que o Evangelho não cessa de proclamar bem alto esta verdade!

16.º Pretexto:
Está bem!… Mais tarde cuidaremos disso!…

Compreendo! Praticarás a virtude, quando já não puderes fazer doutra sorte: amarás a Deus, quando estiveres alquebrado, velho e achacado.
Portanto, sacrificarás ao vício a bela flor da tua juventude, e a Jesus Cristo, teu Salvador, o que se pode chamar “os frutos podres da última quadra da vida?” Tu, que tens vinte anos, tu nessa idade, em que o entusiasmo vibra e palpita em teu peito, és tu que assim discorres?
Que pensarias se mais tarde o teu filho entrasse a dialogar contigo do mesmo modo: “Meu pai, compreendo perfeitamente quanto vos sou devedor! E sendo assim, hei de amar-vos… mais tarde. Por agora, quero divertir-me, e quando estiver cansado, anquilosado, arruinado no físico e no moral, então serei todo para vós”.
Ou então, que responderias ao filho que te dissesse: “Eu vos obedecerei… porém, mais tarde!”
E tu ousas dizer: “obedecerei ao decálogo… quando isto já me não custar mais!”

17.º Pretexto:
A continência é, além disso, desastrosa à saúde.

— Atenção! entramos aqui numa questão de ordem médica! Está bem! Vou pois citar, aqui, testemunhos preciosos de médicos e homens competentes e que, do ponto de vista médico, estudaram este problema da continência masculina.
O Dr. Xav. Francotte, no suplemento dos anais da Sociedade científica, (sessão de 10 de abril de 1907), escreve: “A continência é possível, e a lei divina ao preceituá-la, antes do casamento, coisa alguma estabeleceu em contradição com as leis fisiológicas”,[2] e cita o Dr. sifilígrafo Fournier, da Academia de medicina: “Tem-se falado, sem critério e levianamente dos perigos da continência para os jovens. Confesso-vos que, se estes perigos existem, me não foi possível conhecê-los; e que eu médico não pude ainda, até hoje, constatá-los, embora me não hajam faltado casos de observação onde poderia facilmente verificar”.
“Não será nunca demasiado repetir que a abstinência e a mais perfeita pureza são perfeitamente compatíveis com as leis fisiológicas e morais, e que o contrário, não se justifica pela fisiologia, quer pela psicologia e muito menos pela moral e religião”. (Dr. Sir Beale, professor no real Colégio de Londres. Our morality and the moral question).
“A virgindade dos moços é ao mesmo tempo uma salvaguarda física, moral e intelectual e é necessário empregar todos os meios para conservá-la… Observa-se que tanto nas leis de higiene humana como em zootecnia, a continência é um requisito para a prosperidade nutritiva”. (Dr. Perrier).
“Até hoje, ainda não conheci pessoa alguma que caísse doente por causa da continência”, atesta o Dr. Fourel de Zurich.
“A castidade não prejudica nem o corpo nem a alma: sua disciplina é excelente… (Sir James Paget, médico de corte da Inglaterra).
E Guibert, que traz este testemunho acrescenta: “Desejais observações pessoais? A vossa castidade terá arruinado, alguma vez, a vossa saúde ou dificultado o vosso trabalho? Na roda de vossos conhecimentos, tereis observado pessoas cuja boa conduta estando acima de qualquer dúvida, houve porventura alguma cujo vigor vital viesse, por motivo de castidade, a sofrer? Não tendes ouvido atribuir à pureza a força e a longevidade dos monges? Olhai para uma categoria inferior, para os animais domésticos aos quais o homem impõe-lhes a continência: tornam-se eles por isso menos robustos ou menos úteis?” (Idem pág. 143).
Parecer semelhante é o do Dr. Féré que, aliás, não é crente: “Na discussão que teve lugar na Sociedade médica de Leão, a propósito do livro de Dufieux fazendo a apologia do celibato religioso, seus adversários não encontraram objeção alguma sobre ter ele negado existir qualquer enfermidade, motivada pela continência”.
Mantegazza[3] que se não pode contar entre os propugnadores da continência, contudo “não reconhece inconveniente algum na sua fiel observância”.
Encontram os fisiologistas, pelo contrário, muitas vantagens na prática da castidade.
“A continência acumula grande reserva de forças. É geralmente favorável tanto à atividade psíquica como à atividade… (de sorte que) favorece a longevidade e as diferentes formas da atividade intelectual.
A impotência não é o resultado da continência, mas sim e quase sempre, do vício contrário. Não é necessário apoiar-se as religiões para se porem em evidência os méritos morais da castidade fora do casamento.
Basta-nos tomar em consideração exclusivamente a moral utilitária…
Sob esse ponto de vista pode-se afirmar sem hesitação, que a falta de castidade é imoral”. (Dr. Féré. Inst. sex. pg. 116).
Leiam-se ainda as páginas 25, 26, 27, 28, 317 e 318.
A Conferência internacional do congresso de Profilaxia sanitária, reunido em 1902, em Bruxelas: composta de 102 sumidades médicas de todo o mundo, adotou, por unanimidade, esta conclusão: “É preciso ensinar à mocidade masculina que a castidade e a continência não são, de nenhum modo danosas, mas sim que tais virtudes são as mais recomendáveis, até mesmo, sob o ponto de vista médico”.
Confrontai esta declaração com outra da faculdade médica da Universidade de Christiania: “A asserção feita recentemente por diversas pessoas e reproduzida em jornais de que uma vida moral e uma continência perfeita são danosas à saúde, é totalmente errônea dando disto testemunho a nossa longa experiência, que é, neste particular, unanimemente seguida. Não conhecemos caso algum de debilidade proveniente de uma conduta perfeitamente pura e moral”.
O Dr. Bourgeois consagra, para provar esta tese, um capítulo especial do seu livro, As paixões (2.ª parte, cap. 4.º).
“A guarda rigorosa da castidade, é compatível com o bem-estar perfeito da alma e do corpo”. (P. Goy. A pureza racional).
“Os males da incontinência são demasiadamente conhecidos, incontestáveis: os atribuídos à continência são hipotéticos ou fantásticos.
Um número extraordinário de obras, e volumosas, foram consagradas aos primeiros, e para os segundos se está ainda à espera do seu historiador. Não há a este respeito senão vagas asserções, que se dissimulam vergonhosamente em conversações, mas que não suportam a mais leve crítica racional”. (Dr. Surbled).
“Condenamos energicamente como doutrina perniciosa posta ao serviço do mal e para estimular a pior forma do vício, a teoria que propugna que de um celibato, castamente conservado, possa resultar um dano qualquer”. (Dr. G. H. Naphez. A transmissão da vida).
“Tenho, muita vez, em razão da minha profissão, relações com missionários e sacerdotes, e pude convencer-me de que a observância absoluta do voto de castidade não traz inconveniente algum. Desafio-vos encontrar, em toda a história da medicina, em qualquer povo, uma enfermidade, uma só, ouvi bem, ocasionada pela continência. Percorrei as bibliotecas, consultai todos os médicos, dignos desse nome, em ambos os hemisférios, e se me apresentardes um testemunho assinado por um homem abonado, uma página de um livro sério, com autoridade na matéria, que faça menção de uma única enfermidade, motivada pela continência, eu, no mesmo instante, queimarei estas páginas… Não é sem motivo que digo: livros sérios e médicos dignos de tal nome.
Uma literatura pseudomédica, explora a curiosidade mórbida de certos jovens e repete aforismos mais ou menos equivalentes ao preconceito vulgar: “É mister deixar passar a mocidade”, tudo isso para lisonjear as secretas paixões dos leitores, para aumentar o número das edições de seus livros. É uma pornografia médica, nunca, porém, merecerá o título honrado de servidor ou glória da ciência”. (Dr. Good. Hyg. et Mor.).
“Os numerosos exemplos de homens votados a trabalhos físicos e intelectuais esfalfantes, ou também dominados por ideias religiosas que se conservaram castos, durante a vida toda, sem perturbação alguma fisiológica, são fatos altamente demonstrativos”. (Dr. Toulouse. Como formar um espírito).
Julio Payot, reitor da Acadêmia de Chambery, escreve em seu livro a Educação da vontade: “Proclamam que a castidade seja nociva à saúde… Pelo contrário, a continência dá ao organismo um vigor e uma energia admiráveis”.
“O moço… deve esforçar-se para guardar a continência. Saiba que será grandemente recompensado este seu sacrifício voluntário, gozando sempre de uma saúde invejável”. (Oesterlen, professor da Univers. de Tubingen).
“A continência não causa mal algum: Não só não impede o desenvolvimento do homem, senão que lhe aumenta as energias”. (Sir Andrew Clarke).
O Dr. Dubois, ilustre professor de neuropatologia, em Berne, afirma que: “maior é o número dos neurastênicos nos que soltam as rédeas à sensualidade do que entre os que se libertam do jugo desta paixão animal”. (As psiconevroses).
Consulte-se também o Dr. Barbet; (Preparação do jovem para o matrimônio, por meio da castidade).[4]
Em 1922 o Dr. L. Delatré, inspetor de higiene, escreveu estas linhas em seu relatório: “Longe de ser contraria à conservação da saúde, a continência constitui uma das mais reais garantias da sã e viril atividade… Um rapaz pode estar certo de encontrar na castidade, uma reserva de grande energia vital, o que ele não teria podido lograr na incontinência. Estes fatos, garantidos pela medicina e pela experiência, devem ser afirmados com toda a franqueza e convicção”. (Relatório sobre um plano de educação moral e higiênico da vida sexual).
Haveis pois de confessar que superabundam as provas. “A castidade e a continência, de per si, afirma o Pe. Vermeersch, de nenhum modo são nocivos à saúde”.
São tantos os médicos e fisiologistas, de grande autoridade, que o atestam que o número dos opositores, aliás raro, se pode ter como uma minoria desprezível. “Aqueles que, a pretexto da saúde do corpo, censuram a continência ou (o que acontece muitas vezes) dão conselhos imorais, devem ser condenados, exatamente em nome da verdadeira ciência”. (Pe. Vermeersch. De Cast.).



[1]             “Cognoscamus illos non naturæ præstantiores fuisse, sed observantiores, nec vitia nescisse sed emendasse”.
[2]             Ler as páginas 7 a 26.
[3]             Eis as palavras do professor: Não observei doença alguma causada pela castidade.
[4]           A conclusão do referido médico é esta: “Podemos concluir sem hesitar: a castidade nunca produziu enfermidade alguma”.
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