terça-feira, 24 de maio de 2016

2.ª Arma: a Confissão - 2.ª Parte

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)
PELO
PE. J. HOORNAERT, S.J.


* * *
O demônio detestando (e tem razão) a confissão, levanta contra ela muitas objeções.

1.ª “É coisa incômoda”

— Pois não. Não acredito que haja um homem no mundo que se confesse, por mera diversão.
Mas bem vês, é forçoso escolher um destes dois incômodos. Ou acusarás esse teu pecado ao confessor e Deus sela-lhe os lábios com um segredo, que é o mais estrito e tremendo de todos os segredos profissionais, sendo o confessor um homem mas um homem que representa a Deus e que é, por assim dizer, Jesus sensível, a tal ponto que tu lhe dizes, com verdade: “a vós meu Pai, que fazeis as vezes de Jesus Cristo”, ou então aquele pecado que não revelaste, em confissão, será publicado no Juízo Final, diante de todos e do mesmo confessor a quem o ocultaste. Que vergonha, e desta vez estéril e não mais redentora!
Tais são os dois incômodos. Coteja-os, e escolhe um dos dois.

2.ª “O confessor se espantará”

— Ora essa! estou certo que, eu mesmo, de antemão faria, a tua confissão.
E tu não terias mais que dizer: “sim… tantas vezes”.


3.ª “Que juízo fará de mim o confessor?”

— Provavelmente nenhum. Cada um julga que o seu romance é o mais interessante de todos.
Mas o pobre sacerdote que está condenado a ouvi-los a todos…
O que lhe narra um anônimo fica confundido com tantas outras narrativas.

4.ª “O confessor há de desprezar-me”

— Há de felicitar-te! Não, por certo, das tuas culpas mas desta tua generosidade, em livrar-te delas.
Não se há de supor que estejam, os confessores tão mal aparelhados, nesta matéria profissional, a tal ponto de ignorarem que é necessário muita coragem e, por vezes, heroísmo para a manifestação de certas fraquezas.
Sabem perfeitamente que o homem preferiria qualquer outra penitência, de ordem exterior, a praticar este ato de humildade que, tão intimamente, vai ferir a vontade que se rebelou.
“Perdão!… Pratiquei o mal”. Julga-se, com isto, abater-se na estimação do Sacerdote, quando pelo contrário se engrandece e muito se enobrece.
Meu irmão, que fostes fraco mas que agora és tão generoso, como desprezar-te? Não mil vezes não!
Não há dúvida, será mister lembrar-te o dever. Mas é isto mesmo o que esperas do teu confessor. É exatamente para isto que vieste procurar um sacerdote, meu pobre amigo, para que ele te salve, embora contrariando-te. Se ele te não lembrasse a lei, atraiçoaria seu santo ministério e tu mesmo te escandalizarias por isto.
Mas desprezar-te! O confessor representa fielmente a Cristo infinitamente misericordioso. Jovem tentado, bem sabe o sacerdote que nestes tempos, te achas rodeado de mil seduções e que, em ti, e em redor de ti, há fogo. E sobretudo vê e apalpa, melhor do que ninguém, quão grande seja a miséria e a fraqueza de todos.
O último sentimento que, porventura, lhe aparecesse seria o de desprezo para contigo, que tens sofrido tanto e cuja angústia advinha, meu amigo, meu irmão, meu filho; tu a quem ele ama, não obstante tuas fraquezas e exatamente em razão de tuas mesmas fraquezas, meu caro rapaz. Coragem, pois.
Lembra-te daquele tocante diálogo, narrado por L. Veuillot, no seu livro, A Mulher honrada.
— “Seguir-vos-ei! mas dai-me, por piedade, a mão! não me abandoneis! não vos espanteis! não vos enfadeis! Causo-vos compaixão”.
— “Não temais. Vossa sinceridade agrada a Deus. Ele perdoa todos os dias e bem outras maiores fraquezas!…” Oh volta!
Perguntas: quando serei recebido? em que dia, poderei apresentar-me?
— Respondo: não há dia marcado para o filho pródigo.

* * *
Os antigos poetas falaram muito da fonte da Juvência. Cantaram eles: os velhos, quando lá descem, deixam as rugas, os achaques; dela saem rejuvenescidos, ornados com o diadema de seus vinte anos.
Inútil é dizer-se, com que ardor os homens envelhecidos e sobretudo as mulheres, já decrépitas, suspirassem pela fonte da Juvência!
O médico que descobrisse o elixir capaz de fazer rejuvenescer ou de impedir maior velhice, ganharia certamente milhares e milhares de contos! teria muitos clientes! e sobretudo inúmeras clientes!
Mas este médico não é possível encontrar-se! a fonte da Juvência só existe na fantasia dos poetas.
Digo mal! este médico existe! esta fonte perene existe. Só se encontra, porém, na religião.
Deus instituiu o banho salutar da confissão, banho de seu próprio sangue. É a positiva afirmação de S. João, na sua primeira Epístola (Jo. 1-7): “O sangue de Jesus Cristo purifica-nos de todo o pecado”. E no Apocalipse (1-9): “Lavou-nos de nossos pecados em seu sangue”.
Assim a alma, já envelhecida na culpa, pode encontrar novamente a beleza, a candura de sua juventude.
Verifica-se, perfeitamente, o dourado sonho da humanidade: rejuvenescer!

* * *
O Evangelho fala-nos daquela fonte de Betsaida a cujas águas, o Espírito descia em certas ocasiões. Os que mergulhassem então nela, recobravam a saúde.
Não é necessário esperar para estas ocasiões, quando se trata do Sacramento da Penitência.
Todo aquele que, a qualquer hora, tomar este banho ficará curado.

* * *
Em pleno século vinte, há um lugar no mundo onde o milagre, segundo a expressão do Dr. Vergez, acha-se “estabelecido de um modo permanente”, a ponto de se ter tornado uma como instituição: Lourdes.
Betsaida contemporânea!
E, no entanto, a água da piscina não opera sempre o milagre, e não cura (diretamente, ao menos) senão os corpos.
A piscina da graça, que se chama confissão, é mais maravilhosa, porque cura as almas, e se o doente estiver convenientemente disposto cura-o infalivelmente: “Ex opere operato”, como dizem os teólogos.

* * *
No seu livro Cruel enigma, exclamava outrora P. Bourget: “Meu Deus! Se houvesse uma água salutar onde se purificasse o sangue, e se afogassem todas as recordações e de febres más!”
Mas continua ele tristemente, esta água não existe…
Sim, sim, ela existe. E agora que P. Bourget se converteu, bem a conhece ele esta “água salutar, onde se purifica o sangue e se afoga a lembrança dessas febres más”. Ele conhece esta fonte de rejuvenescimento e de cura que, grandemente se avantaja às três fontes, a de Juvência, a de Betsaida e a de Lourdes.