quinta-feira, 21 de abril de 2016

Esponsais

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)
PELO
PE. J. HOORNAERT, S.J.


Esponsais

Referimo-nos à mulher perversa.
Graças a Deus, há também jovens boas e santas.
Estudamos o pseudo-amor.
Graças a Deus, há também verdadeiro amor.
É primaveril e puro.
Meu caro amigo, no teu vigésimo abril da vida, quando brotam esses rebentos pujantes de seiva e enquanto desabrocham as primeiras flores, também tu sentiste a rosa do amor a perfumar-te a alma.
Teu coração pulsou, fortemente, ao passar, ante teus olhos, aquela jovem.
E tu disseste contigo “É bela. É boa”.
“A Deus então prometeste: associarei a minha vida a sua”.
E teu coração cantou a canção do amor!…
Doravante tu te guardarás para ela.
Uma tal afeição será a tua salvaguarda.
O amor preservar-te-á dos amores.
“Cifra tua alegria na mulher da tua juventude:
Que os seus encantos te encantem durante todos os teus dias!
Sê por todo sempre tomado de seu amor.
Por que hás de tu ir atrás de uma estranha?” (Pr. 5-18 e seg.).
Luís de Baviera era noivo de Isabel, a meiga Santa do milagre das rosas. Um lorpa barão alemão teve o gosto detestável de preparar para o jovem duque, não só mesa e pousada, mas também ocasião de prazeres fáceis em que sossobraria a fidelidade das promessas feitas.
“Barão, exclamou Luís, ainda que o próprio Deus m’o permitisse, não m’o permitiria meu amor por Isabel!”
Pensa na graciosa e pura donzela que, amanhã, há de ser tua companheira. Como te hás de ufanar e haver-te por bem compensado das tuas lutas, se fitando-a meigamente, lhe puderes jurar que só para ela estão reservadas as primícias do teu coração.[1] Se, pelo contrário, a tua juventude passou por casos, então terás que representar a triste comédia de ocultar uma parte da tua vida, a quem nada se oculta e com quem compartilharás a existência;[2] terás de ocultar o mistério daquele grande segredo, com receio de te trair ou pelo terror de que, vindo a desvendar-se o passado, não venha o amor da tua esposa a sossobrar com tão horrível revelação.
Lacordaire, para animar os jovens à generosidade, lembrava-lhes esta tocante trindade feminina: a mãe, a irmã e a noiva.
“Há no mundo entre tua mãe e tua irmã, entre teus avós e tua posteridade, uma delicada e meiga criatura, que Deus para ti destinou.
Ah! reserva para ela o teu coração como ela reserva para ti o seu: não lhe vás ofertar ruínas em troca da mocidade que ela te ofertará”.
“Amigo! filho querido de tua mãe e irmão de tua irmã, filho querido de tua mãe que te deu a luz na continência sagrada do casamento, irmão de tua irmã de quem tu guardas e de quem sentes a virtude, ah! não desonres, em ti mesmo, tão grande bem.
Sê casto, meu amigo! conserva em tua frágil carne e honra de tua alma… Sê casto para amares muito tempo e seres sempre amado”.[3]


[1]             Mozart, na idade de vinte e cinco anos, escrevia a um seu amigo: “a natureza atua em mim tão fortemente como em qualquer outro e, quiçá, mais fortemente do que em algum vilão bronco e grosseiro. No entanto é-me impossível regular a minha conduta pela de tantos jovens da minha idade. Por um lado tenho o espírito muito sinceramente religioso, e além disso prezo tanto minha honra e tenho tanto amor ao meu próximo que me preservam de enganar a qualquer criatura inocente. E por outro lado, a minha saúde me é tão cara que não vou arriscá-la em algum trato mal-aventurado. E assim é que posso diante de Deus jurar, que minha consciência me não acusa de qualquer fraqueza.
         Esta carta de Mozart daria assunto para uma dissertação sobre a continência dos jovens, por muito bem resumir os principais motivos para se guardar a castidade (religião… respeito a outrem… temor de enfermidades…).
[2]             No romance de Claude Farrère, Les Civilisés, se conta como o infame Fierce se encontrou com uma jovem ingênua e inocente. Pede-a em casamento. Mas tem consciência de enganar sua noiva de maneira indigna e vil, se, como estroina que era, lhe ocultasse todo o seu passado de torpezas.
         Quisera ele ser franco e dizer-lhe: “Não sou quem pensais! Nada tenho no coração nem no pensamento, que mereça o vosso amor, e se pudesseis ler o interior de minha alma, ficaríeis horrorizada! Sou um descarado, um cético. A força de entregar-me a tudo, tornei-me vaso aberto a tudo… Não há nada de comum entre vós e mim…”
[3]             No decurso do meu ministério, aliás já longo, ainda não conheci um único jovem que mantendo a sua palavra não tenha encontrado, ao recordar-se de sua noiva, a força necessária para guardar a castidade. (Fonssagrives. Éducation de la pureté).
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