terça-feira, 1 de março de 2016

O ATAQUE - Parte I

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)
PELO
PE. J. HOORNAERT, S.J.


O ATAQUE

Aquele que ama o perigo…

O pecado da impureza é o mais figadal inimigo da nossa alma.
Com o inimigo evita-se não só qualquer aliança, senão também qualquer compromisso.
Durante a guerra (para o belga) não havia galanteios com os alemães.
E com maior razão não há de haver entre a alma e o pecado.
Seria uma necedade ter namoros com Satanás.

* * *

Conheceis perfeitamente ser o pecado da impureza mui tentador.
Por que querer saboreá-lo… um poucochinho?
A criança, a quem se proíbe tocar no leite-creme, teima por vezes em lamber ao menos as bordas do recipiente.
Quantos homens, já entrados em anos, há que sabem ser proibição divina o provar doçuras malsãs, e sem embargo também eles querem provar, lamber as bordas do prato.
Aos cinco anos, passe!…
Mas aos vinte! aos quarenta! ou ainda mais tarde…

* * *
Quem se diverte com uma navalha cortar-se-á. E queimar-se-á quem brincar com fogo.
Lá diz a Escritura: “quem ama o perigo perecerá nele”.
Evidência e experiência aqui vão sempre unidas!…
Haverá uns trinta anos, mais ou menos achava-se um mocinho, empregado de uma tipografia de Liége, a colocar brochuras entre pesados rolos compressores. Não corria ele perigo algum, porquanto segurava a brochura por umas das extremidades e pela outra a apresentava à máquina.
Mas ai! era divertido, parece, o atrativo de experimentar tangencialmente o perigo, e, para ter esta extraordinária sensação, divertia-se o estouvadinho em colocar a — ponta dos dedos entre — os rolos, retirando-os logo no instante, em que ia ser colhido por eles.
Um dia convidou os seus amigos. Ides ver! é tão divertido! este arrepio…
Não foi tão divertido! Porque desta vez não soube retirar a tempo os dedos da máquina. Foi tomado entre os dois grossos rolos compressores, e ficou todo numa lâmina: músculos, nervos, ossos…
Ouviu-se um grande grito da pobre criança, mas a máquina cega continuava o seu trabalho, e quando o mecânico acudiu e conseguiu parar os rolos, viu com horror que cada um deles, estava revestido de uma larga lâmina, sangrenta, em que se tornara o corpo da criança.
“É tão divertido!… este arrepiozinho!…”
“Horrível desgraça, direis, mas foi um castigo merecido. Que louco atrevimento de criança!”
De acordo. E, contudo, quantos jovens não procedem do mesmo modo! Também eles gostam de brincar com o perigo. É tão divertido… este pequeno arrepio!…”
Oh! estão decididos a só meter a ponta do dedo na engrenagem! Mas a máquina brutal lá os apanha inteiros. Queriam brincar. Ela, porém, a máquina assassina, a comedora de almas, não brinca, mas devora.
Sim, a Escritura tem muita razão: “O que ama o perigo perecerá nele”.[1]
Mas quais são estes perigos, estas ocasiões de pecar contra a pureza?
Vamos dividi-las em duas classes: Ocasiões individuais e ocasiões gerais.


[1]             Ecli. III-24.
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