quinta-feira, 31 de março de 2016

CAPÍTULO VI - O amor divino dá-se a nós por meio de todas as criaturas, as quais o comunicam, mas o ocultem, parecendo-se assim às espécies eucarísticas

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

O ABANDONO À DIVINA PROVIDÊNCIA
pelo
P.J.P de Caussade, S.J


CAPÍTULO VI
O amor divino dá-se a nós por meio de todas as criaturas, as quais o comunicam, mas o ocultem, parecendo-se assim às espécies eucarísticas       

Quantas verdades tão grandes, se en­contram escondidas, ainda mesmo aos olhos dos cristãos que se julgam mais ilustrados! Quão poucos, entre eles, compreendem que toda a cruz, toda a ação, toda a inclinação da ordem de Deus, nos dá a Deus de um modo que não pode explicar-se melhor senão comparando-o com o mais augusto mistério. E contudo, nada há mais certo. Tanto a razão como a fé, não nos revelam a presença real do amor divino em todas as criaturas e em todos os acontecimentos da vida, tão certo como a palavra de Jesus Cristo e da Igreja nos ensinam a presença da carne sagrada do Salvador sob as espécies eucarísticas?

Porventura não sabemos que, por meio de todas essas criaturas e de to­dos esses acontecimentos, deseja unir-se a nós o divino amor; e que não dispôs, ou ordenou e permitiu tudo o que nos rodeia e nos acontece senão em vista desta união, fim único de todos os seus desígnios; que para atingir este fim, se serve das criaturas tanto das piores como das melhores, e dos acontecimentos quer dos mais agradáveis quer dos mais desa­gradáveis; e que por isso mesmo a nossa união com ele é tanto mais meritória quanto os meios que nos servem para a conservar, mais repugnam à nossa na­tureza.

Mas se tudo isto é verdade, donde vem que cada um dos momentos da nossa vida seja uma espécie de comu­nhão com o divino amor, e que esta co­munhão de todos os instantes, produza nos nossos atos tantos frutos como aquela em que recebemos o corpo e o sangue do Filho de Deus? Esta é certo que tem uma eficácia sacramental que a primeira não possui; mas por outra parte, aquela pode ser renovada muito mais frequentemente, e o seu mérito pode acrescentar-se peia perfeição das disposições com que é realizada!

Ó como a vida de fé se ilumina e sublima desta maneira, na sua simpli­cidade e na sua baixeza aparente. Ó festim, ó banquete perpétuo! Um Deus sempre dado e sempre recebido, não no esplendor sublime e luminoso, mas em tudo o que na terra há de fraqueza, de loucura, de nada!

Deus escolhe o que o espírito natural reprova e tudo o que a prudência hu­mana rejeita, realizando assim mistérios e sacramentos de amor; e pelo que pa­rece mais deveria prejudicar as almas, dá-se á elas tanto quanto elas crêem aí encontrá-Lo.
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