sábado, 19 de março de 2016

ATAQUE - Parte XII

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)
PELO
PE. J. HOORNAERT, S.J.


9.ª Cilada: os maus companheiros[1]

Deveríamos isolá-los.
É o que fazemos com os “apestados”.
Estão infeccionados: não devem contaminar os demais!
Nos hospitais, os contagiosos vivem apartados.
Na idade média, fundaram-se as “gafarias”. Quando os leprosos delas saíam, tocavam uma pequena sineta, para darem tempo de fugirem deles!…
Mais depressa se houvera de fugir das más companhias!… propagam a impureza.
São uma verdadeira lepra, a das almas.
Um morfético pode afinal ter uma bela alma.

Aquele jovem pode pelo contrário chamar a atenção dos salões;… aquela jovem pode ser fascinadora…
Deus, porém, que vê o íntimo das almas, dirá como Juiz: “É um leproso! é uma leprosa!”
Encantos no rosto, sânie no coração!
Atrativos no corpo, hediondez na alma!
Sentimos um nojo instintivo para um animal em putrefacção. E por vezes nos enojamos tão pouco com a gangrena moral da alma, causada pelo pecado mortal!

* * *
De que modo ocasionam os maus companheiros as desastradas quedas?
No começo, operam com dissimulação…
“Caim disse ao irmão: “Egrediamur foras”. Saiamos ao campo.
Começa-se pelo menosprezo da vontade dos pais e mestres.
As confidências inconvenientes realizam-se longe de suas vistas.
Um encontro aprazado à saída do colégio, do patronato ou das oficinas, um colóquio, a sós, num grupelho que, num canto retirado, se furta aos ouvidos do vigilante, conversas amorosas, correspondência clandestina…
Saiamos!… o corruptor não é só um malvado, é um covarde”.[2]
Abel acompanhou o irmão: e foi então que Caim, precipitando-se sobre ele o matou.

* * *
“Não temais somente os que podem dar a morte ao corpo”.
Bem tinha compreendido esta admoestação do divino Mestre, aquele jovem senhor a quem os seus pajens moviam a praticar o mal. Em resposta só lhes disse: “trazei-me uma vela” Trouxeram-lh’a eles, admirados.
“Acendei-a”, secundou ele.
Acenderam-na, cada vez mais espantados.
Chegou ele o dedo à chama e depois de meio minuto, vencido pela dor, retirou a mão gravemente queimada.
E voltando-se então para os tentadores, lhes observou: “Bem vedes! se eu não pude conservar a ponta de um dedo, um só minuto, na chama de uma pequena vela, como poderei eu então estar no inferno, com todo o corpo, sepultado em ardores eternos?”
Quem assim falava entrou depois para a Trapa, onde se tornou celebre: foi o abade de Rancé.
Meu amigo, se fores tentado por maus companheiros, traz à mente o caso do abade de Rancé e, como ele, diz contigo: “Se não posso suportar o meu dedo mínimo exposto, durante um minuto, à pequena chama duma pequena vela, como poderei então suportar os ardores da morada eterna?”



[1]             Eu vos escrevi para que não tenhais relações com os impudicos… Quis vos avisar para que não tenhais trato com aquele que, chamando-se vosso irmão é impudico… Afastai o culpável da vossa sociedade. (1.ª Cor. 5-9).
[2]             Mons. Baunard. Le Collège chrétien.
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