terça-feira, 15 de março de 2016

ATAQUE - Parte VIII

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)
PELO
PE. J. HOORNAERT, S.J.


5.ª Cilada: o baile

“Bidue saltavit
Et placuit”.
Dois dias dançou
E agradou.
(Epitáfio de um jovem romano da decadência).

Há o baile e bailes: o baile honesto, em família, e o de que são excluídos os pais (admirável!…), porque, segundo a expressão, não de um logrador, mas de uma jovem da alta sociedade: “se os pais estão presentes, a gente não está à vontade”.
Há dança e danças: pavana doutrora, tango de hoje: o minuete, em que se saltitava com graça, e o saracoteio moderno, cujos movimentos são, cafrealmente, executados: e os tais balanços são como de pinguins.
Quereis que vos dê o meu parecer sobre danças: mas de qual delas se há de falar?
Não basta, para se julgar da moralidade de um baile, conhecer a dança, porque a mesma dança pode ser executada correta ou incorretamente.

Deixam, por ventura, as manifestações passionais de serem repreensíveis só porque se dão durante um baile? Posso muito bem repetir aqui o dito de uma senhora do mundo, citado por Mons. Deschamps: “Como nós insurgiríamos indignadas, se presenciássemos as nossas filhas, de tal modo, nos braços dos jovens… sem a música!”…
Mas o mal, suponho eu, nunca poderá tornar-se um bem, pelo simples fato de ter o acompanhamento de música.
Quando ouvem alguém censurar as danças, logo o imaginam um caturra, que não compreende patavina da juventude moderna.
Eu, porém, antes quisera ser tido por ignorante da “Juventude moderna” do que passar por ignorante do velho Evangelho!
Ora o Evangelho diz claramente: “Quem desejar uma mulher em seu coração…”, e dificilmente me entrará na cabeça que um moço a não deseje, em seu coração, quando tão fortemente a aperta contra o peito.
Ateia além disto o galante dançador a mesma chama na sua dama; de modo que é, ao mesmo tempo, fascinado e fascinador, inflamável e incendiário.
Ocasião propícia à ruína!… quando as mais belas ponderações de honra se volatilizam, qual gota d’água caída sobre uma chapa de ferro em brasa.
Mas haja entre aquele jovem e a sua damazinha um escândalo qualquer, logo contra eles explode, uma grita farisaica.
Lógica do mundo!… Iteram-se os incitamentos do mal, e, quando o jovem pratica esse mal, quando o realiza, então manda o convencionalismo que haja espanto e geral gritaria. Atiram de bom grado tições ardentes sobre palha seca, mas proíbem que se ateie o fogo!…
A mãe inconsciente, que levou seu filho gentil ao “flirting-box”, ao namorico, e ativou por tal arte, as causas do incêndio, fica espantada e quase desmaiada, porque se declarou o incêndio, e diz, suspirando para a sua amiga: “Ah! minha querida! Já não há juventude: aonde iremos nós parar? Esta criança vai acabar comigo”.

* * *
Muito se tem dito sobre o baile.
E assim limitar-me-ei a propor-te apenas, caro amigo, estas duas questões a que tu, com toda a lealdade do teu coração, me hás de responder.
Desejarias tu que, mais tarde, teu filho tomasse parte naquelas danças e dançasse como tu agora fazes?
Serás homem honrado e bom cristão, se adotares esta regra: Não farei nunca o que, mais tarde, hei de proibir a meu filho.
Segunda questão: passada a embriaguez do baile, ficas tu com a tua consciência tranquila? É tão difícil enganar a consciência! Por mais que o mundo multiplique os seus sofismas, por mais que os amigos inventem desculpas, não podes deixar de ouvir, no silencioso recôndito da tua alma, uma voz, que te diz, e com verdade: um pecado mortal!… uma desonra!…

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