quarta-feira, 2 de março de 2016

ATAQUE - Parte II

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)
PELO
PE. J. HOORNAERT, S.J.


Perigos pessoais 
Quando com atenção examinamos o nosso estado fisiológico, descobrimos haver em cada um de nós um “ponto fraco”. Será segundo os indivíduos, o sistema cardíaco, pulmonar, renal, arterial, etc.
Se prometerdes não rir dar-vos-ei o termo usado pelos médicos: dão-se essas “idiossincrasias”.
Vós me prometestes não rir…
A idiossincrasia é o modo especial como cada individuo reage sob a ação dos germens patogênicos e de quaisquer agentes ou, segundo Littrê, é: “a disposição própria a cada individuo, em virtude da qual as mesmas causas produzem, nos diversos indivíduos, efeitos diferentes”.
“Não existem doenças, mas só doentes”: afirmam os médicos. Quer isto dizer que os caracteres da doença se diversificam com a variedade dos organismos por ela atacados.

Mas, se assim é, que juízo se há de fazer dos que vão procurar nos anúncios de jornais o remédio para seus males? Esquecem-se de que a doença não é uma entidade absoluta e invariável mas relativa, variando infinitamente, segundo variam os temperamentos.
Ora se isto é verdade para a saúde corporal, não deixa de o ser também para a moral. Cada qual tem seu temperamento especial, o seu lado falho, que quase nada se assemelha ao do vizinho.
Todos são tentados no que toca à pureza, como desde o princípio dissemos, mas a tentação não é igual para todos.
Um será solicitado pelo lado do coração, para outro a dificuldade não virá do coração mas da fantasia ou da memória, para outros as ocasiões perigosas não serão as enumeradas mas as leituras ou olhares ou as relações sociais.[1]
Algumas vezes as tendências distinguem-se nitidamente e acabam por se concentrar num ponto único, em circunstâncias muito determinadas.[2]
Como explicar a maneira pela qual a tentação assim se particulariza?
O fenômeno pode ser muito complexo e provir do temperamento, etc.
O hábito é uma tendência ou facilitação para a repetição de uma mesma ação. Uma ação não se extingue por completo, pois sempre deixa em nós vestígios, e conservamos, feita por ela na alma, uma dobra, um como sulco, profundo e duradouro.
O jovem ao pecar deu origem em sua alma a uma “associação de imagens”[3] entre aquela ocasião e aquela culpa.
As duas fantasias estão como soldadas, uma à outra.[4]




[1]             Em geral, uma propensão não exclui inteiramente outras; o que faz é dominá-las.
[2]             Para conhecer as suas tendências pessoais, ou melhor, a sua mentalidade sexual, bastará observar atentamente o gênero de desejos e de imagens a que andam ordinariamente associadas as tentações contra a pureza.
[3]             O medianismo da “associação de imagens” oferece uma dupla explicação: uma fisiológica e outra psicológica.

I — EXPLICAÇÃO FISIOLÓGICA

         “Admitindo-se que qualquer estado de consciência, embora pouco caracterizado, deixa de si um esboço nos centros nérveos, facilmente se pode imaginar como gerando-se muitas imagens simultaneamente ou sucessivamente, se formam entre os elementos novos correspondentes, certos traços que os constituem em grupos simpáticos, aptos para agirem de acordo.
         Desde que um desses elementos é despertado por uma imagem, devido aos traços que os metem em comunicação uns e outros, todo o grupo se despertará e fará reviver as imagens que o compõem. Daqui veio a lei formulada por Höffding: todo o ato de consciência que se reproduz, tende a se restaurar o estado total do qual ele faz parte. (Pe. Lahr. Psychol.).

II — EXPLICAÇÃO PSICOLÓGICA

         a) Geralmente falando, uma associação de imagens é tanto mais persistente quanto mais viva foi a impressão sob a qual ela se formou.
         E assim por exemplo, dá-se um grave acidente sob minha vista: a emoção que em mim produz este espetáculo é bastante para associar e fixar tão solidamente as diversas circunstâncias que o acompanharam, que não mais posso pensar numa sem evocar as demais.
         b) A tenacidade das associações depende também do maior ou menor grau de atenção.
         c) Terceira lei: a repetição. A associação fortifica-se tanto mais quanto o mesmo grupo se apresentou mais frequentemente, em idênticas circunstâncias.
         Numa palavra, a associação não é tanto uma função especial quando um caso particular do hábito, isto é, da tendência que temos a automaticamente refazer e repensar o que de antemão já tínhamos feito e pensado. Tanto uma como outra são governadas pelas mesmas leis: uma associação liga-se e um hábito contrai-se, tanto mais facilmente quanto a ideia ou ação hajam produzido em nós maior impressão, ou se deram com maior frequência ou enfim nelas empregamos mais viva atenção. (Pe. Lahr. Psych.).
[4]             Se for necessário e possível empreendei uma viagem para assim sairdes dum meio onde tudo vos provoca a pecar. Quebrai os velhos quadros em que vossa lembrança está encerrada toda: abandonai aqueles lugares, aqueles objetos, que em vós acendem o fogo da concupiscência, e ide longe, bem longe, refazer nessa situação nova, uma alma nova.
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