sexta-feira, 4 de março de 2016

18 — Amor de Deus e dos seus Anjos pela oração/ 19 — Os devotos da Virgem especialmente amados dos Anjos

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


18 — Amor de Deus e dos seus Anjos pela oração 

O exemplo que segue é tirado da vida de S. Isidro, que foi um pobre agricultor das cercanias de Madri. Mas era tão pobre que nem terras tinha para cultivar. Por isto, para sustento seu e de sua filha, teve que trabalhar nas terras de um cidadão de Madri, chamado Juan de Vergas.
Ora, Isidro se habituara a não pegar dos seus instrumentos de trabalho sem primeiro dirigir a Deus as suas orações. Para isso, levantava-se bem cedo, e dirigia-se à igreja, principalmente à de N. Senhora de Arocha, para ouvir a santa Missa e praticar as suas devoções.
E chegada a hora do trabalho, ia-se pontualmente para o campo.
Não faltou, entretanto, quem o acusasse de faltar com o seu dever empregando-se a rezar em vez de trabalhar. “É um rezador, disseram ao patrão de Isidro, e passa a manhã a visitar igrejas…”

O patrão, cheio de zelo, resolveu ir ao próprio local do trabalho bem cedinho. Pensava que assim não o encontraria, e teria bastas razões para castigá-lo com o merecido castigo. Levantou-se, pois, bem cedinho, e foi ao campo. Mas lá chegando já lá estava Isidro com os seus bois a dirigir o arado. Ficou admirado… — Mas quem seriam os outros dois jovens dos outros arados? — Dirigiu-se depressa ao encontro dos três, mas só encontrou Isidro. Os outros dois haviam desaparecido. Interrogou-o sobre os seus companheiros de trabalho, mas Isidro lhe respondeu: “Nunca chamei ninguém para me ajudar em meu serviço, a não ser o meu Deus, que sempre invoco, e que sempre prontamente me socorre.”
Maravilhado e compungido voltou Juan para casa, contou o que vira aos seus, e não duvidou em afirmar-lhes que o seu empregado era um santo, e que os Anjos, em prêmio de sua fé e sua piedade, o vinham ajudar no fatigante trabalho do campo.[1] 

19 — Os devotos da Virgem especialmente amados dos Anjos 

Raimundo Nonato, santo que floresceu no século treze, assinalou-se, ao par de outras virtudes, por uma terna devoção para com a Rainha do Céu. Amaram-no por isto especialmente os Anjos, e lhe dispensaram extraordinários favores.
Entretanto a piedade de Raimundo fez desconfiar ao pai que o filho pensava em fazer-se religioso. Para demovê-lo de tal propósito, resolveu retirá-lo dos estudos que fazia e mandá-lo para uma sua herdade a cuidar de um pequeno rebanho que lá possuía.
Ora, nas proximidades dos pastoreios em que passava os seus dias, havia uma igreja dedicada a S. Nicolau bispo de Mira, e nessa igreja era venerada uma célebre imagem da Augusta Mãe de Deus. Era a consolação de Raimundo. Para lá se dirigia e com a Mãe celeste se desafogava de suas penas.
Um dia em que com maior fervor ele Lhe dirigia as suas orações, ouviu da Virgem Santíssima as seguintes palavras: “Não temas, Raimundo. Trar-te-ei, doravante, debaixo da minha particular proteção. E quero que a mim, como à tua Mãe celeste, recorras confiante sempre que te vires aflito.”
Depois de ouvir tais palavras não tinha ânimo Raimundo de ser apartar de perto de sua boa Mãezinha. Mas, e o rebanho? Quem o haveria de guardar?… Disso se incumbiu o santo Anjo da Guarda de Raimundo. E, por que? Para que Raimundo pudesse prestar à Virgem o obséquio de suas orações, e entreter-se com Ela em filiais colóquios.
Com efeito, já não podendo um dia reprimir o afeto que o levava para perto de sua Mãe do Céu, resolveu fazer-se de caminho para a igreja — de certo inspirado já pelo mesmo santo Anjo que, assim, como que se oferecia a substituí-lo no pastoreio. Viu, pois, de súbito, ao seu lado, o santo Anjo da Guarda. Era amável e todo resplendente de luz.
Reconheceu-o Raimundo e lhe rendeu vivas ações de graça por tão assinalado favor.
Um favor que se recebe com reconhecimento provoca a outro favor. Assim, ainda muitas outras vezes pôde Raimundo satisfazer a sua devoção para com Maria Santíssima, graças aos caritativos préstimos do seu Anjo da Guarda.
Tal prodígio tantas vezes repetido não podia passar despercebido. Muitos o testemunharam, inclusive o pai de Raimundo. E diante de tal não houve quem duvidasse de que Deus destinava àquele jovem pastor a grandes coisas. O pai de Raimundo foi o primeiro a cooperar com a obra de Deus. Tirou-o da guarda dos rebanhos e consentiu que realizasse o que ele dizia ser o seu ardente voto: “consagrar-se inteiramente a Nossa Senhora”, para ser para sempre dela.
Para tal recebeu o hábito de Nossa Senhora das Mercês, e logo foi enviado para as distantes terras da Costa da Barberia.
Sabe Deus que sofreu aí o seu servo pela sua santa fé. Todo empregou-se no resgate dos cristãos prisioneiros e na conversão dos infiéis daquelas paragens. Não havia então, como agora, tantos meios de difundir notícias. Mas foram tais as obras do grande santo que, chegando aos ouvidos de S. S. o papa Gregório IX, quis este honrar a púrpura cardinalícia revestindo dela o santo homem. Fê-lo, pois, cardeal da S. Igreja, com o título de S. Eustáquio.
Não podem deixar de nos escapar à percepção todos os atos da vida sobrenatural deste grande homem. Entretanto, um fato se deu nos últimos tempos da sua vida, que foi conhecido de muitos como mais um sinal de predileção por parte dos santos Anjos. Foi a sua miraculosa comunhão, recebida por mãos dos Anjos, por não haver quem lha pudesse administrar. A veracidade deste fato, é atestada pelos padres Bolandistas nas suas vidas dos Santos, no dia 31 de agosto.

[1]     Este fato é narrado no Breviário, no dia 5 de maio, com estas palavras: Dominus binos Angelos candida veste, duplici boum jugo arantes, mediumque inter illos Isidorum conspexit. Encontra-se mais pormenorizado na vida de S. Isidro escrita por João o diácono, e que os Bolandistas transcrevem no mesmo dia.
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