quinta-feira, 3 de março de 2016

17 — Quanto amam os Santos Anjos a esmola e as boas obras em geral

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


17 — Quanto amam os Santos Anjos
a esmola e as boas obras em geral
 

A confirmar quanto já dissemos sobre o valor, diante de Deus e seus Anjos, das obras de misericórdia, vem o seguinte exemplo, escolhido entre muitos outros semelhantes das vidas dos santos.
Passara um dia o grande apóstolo de Roma, S. Felipe Néri, pelas ruas dessa cidade, quando se lhe apresentou um mendigo, que se lhe prostrou diante, no ato de lhe pedir esmola.
Caridoso como era, não lhe negou o santo as poucas moedas que consigo trazia. Mas o mendigo, em vez de lhas tomar das mãos, recusou-se, e lhe disse sorrindo: “eu queria ver que é que farias…” E, tais palavras ditas, desapareceu.

Compreendeu então o santo quem fora que se ocultara sob a aparência daquele mendigo, e qual o significado da celeste aparição. Como mais tarde ele próprio o contou a dois sacerdotes, íntimos amigos seus, era aquele mendigo, nem mais nem menos, o seu próprio Anjo da Guarda, que lhe quisera fazer compreender quanto a Deus e seus Anjos é agradável a esmola.
Com isto cresceu de tal forma em S. Felipe a compaixão para com os pobres, que quase se pode dizer que não deixou necessitado em Roma sem o seu socorro. Mas não eram só os pobres envergonhados que mereciam a sua atenção. Muitos jovens pobres dele recebiam dinheiro, roupa e livros. E até aos cárceres chegavam os efeitos de sua caridade.
Em troca, protegiam-no os Anjos com solícita caridade.
Um exemplo que o comprova:
Uma tarde, saindo a procura de pão para uma pobre família, caiu, ao atravessar a via dell’Orso, em uma profunda cova, aí aberta para a construção de um novo edifício. Como de costume, apenas se viu vivo dentro daquela cova, chamou pelo seu Anjo da Guarda.
E sentiu-se levar para fora da fossa, são e salvo, seguiu o seu caminho e foi cumprir com a bela obra de caridade que o fizera sair de casa.[1]
Também S. João de Deus punha ao serviço dos necessitados as suas forças e haveres. Por isto era, como S. Felipe Néri, grandemente favorecido dos Anjos.
Um dia, saindo de casa em busca de água para o seu hospital, — pois é ele o fundador de uma congregação religiosa para o serviço dos enfermos — aproveitaram os anjos a sua ausência para lhe poupar um grande trabalho. Varreram as salas dos enfermos, arrumaram as camas, lavaram a louça.
Grandemente surpreso ao voltar, perguntou S. João aos doentes quem fora a boa alma que tão perfeitamente lhe poupara tanto trabalho. Ainda mais admirados, disseram que nenhum deles havia visto vivalma a trabalho no hospital, a não ser… o próprio João! Dir-se-ia estarem porfiando por causar cada qual maior espanto: João nos doentes, e os doentes em João.
Bem sabia S. João que a fonte onde fora era longe, e tinha consciência de não ter arrumado o que quer que fosse. Insistindo, entretanto, os doentes, em sua afirmação, concluiu que tudo isso fora obra do Santo Anjo da Guarda que, disfarçando-se em sua própria pessoa, havia feito com suas santas mãos todo aquele trabalho. Assim falou então: “Na verdade, irmãos meus, tem Deus um grande amor para com os pobres, pois envia os seus próprios Anjos a servi-los.”
Causou este fato grande admiração na cidade de Granada, que foi onde ele se deu, e muitos por esse motivo se foram oferecer ao santo para o serviço daqueles mesmos pobres que haviam sido servidos pelos Anjos.
De outra feita foi o pão que faltou para os pobres. Grandemente penalizado, já não sabia que fazer o santo, quando lhe apareceu o Anjo de Deus com uma grande cesta cheia de pães e lhe disse: “Toma, irmão meu, e leva para os teus pobres. Trago-to dos mesmos armazéns da divina Providência.” E desapareceu. João e quantos presenciaram o prodígio ficaram pasmados diante de tanta dignação de caridade e foram inundados de consolação.[2]
De certo admiras-te, jovem leitor. Lembra-te que com isto Deus e seus Anjos te querem inculcar o amor dos pobres. Ama-os, pois representam a pessoa do próprio Cristo. E, na medida do possível, ajuda-os, dedica-te a eles, como fazia o Santo Tobias, e como aconselhava ao filho: “Faze esmola daquilo que tens, e jamais voltes as costas a pobre algum; assim, também jamais a face do Senhor se volverá de nós.”

[1]     Gallonio, Vida de S. Felipe, cap. XV e seg.
[2]     Vida do Santo, escrita por Francisco de Castro, sacerdote e reitor do hospital de Granada, l. 2, c. 3.
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