terça-feira, 1 de março de 2016

15 — Grandemente despraz, ao Santo Anjo da Guarda, ainda a mínima ofensa a Deus

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


15 — Grandemente despraz, ao Santo Anjo da Guarda,
ainda a mínima ofensa a Deus
 

Houve uma santa que, segundo se lê em sua vida, era assistida não somente de um anjo, como o comum dos mortais, mas também de um arcanjo.
Via-o, a mais, santa Francisca Romana (assim se chama essa santa), a seu lado, resplandecente como o sol e trajando uma veste branca como a neve.
E ao seu Anjo da Guarda ela o via não somente quando estava sozinha ou em oração, mas mesmo em suas ocupações ou quando em companhia de outros.[1]

Ora, acontecia que em sua presença cometiam pequenas faltas os que com ela conviviam. Via então a santa que esse celeste espírito, como que se corava por tal falta, e voltava o rosto para a outra parte.
E lhe aconteceu, pois “sete vezes cai o justo”, que a mesma santa caísse em algumas dessas faltazinhas. Ora, tão pequeninas faltas, cometidas antes por fragilidade que por malícia, eram bastantes para que o Santo Anjo se lhe ocultasse da vista. Por vezes nem a mesma Francisca advertia no momento que havia caído em falta. Mas, deixando o seu Anjo de lhe ser visível, caía em si, e examinando a consciência, detestava a sua falta com vivas lágrimas de compunção. E então mostrara-se-lhe novamente o santo Anjo. Aprendamos daqui a servir a Deus com perfeição, e que nenhuma falta merece desprezo.[2]
Uma outra santa, de que se lê exemplo semelhante, é santa Margarida Maria Alacoque. De maior interesse é o seu exemplo por um duplo motivo; primeiramente porque é mais dos nossos dias, e em segundo lugar porque ela o conta, com suas próprias palavras, na autobiografia que, por ordem do confessor, teve que redigir.
Assim diz:
Em meio a tantas tentações — “era eu frequentemente confortada pela presença visível do meu fiel Anjo da Guarda, e por ele era muitas vezes repreendida e corrigida. Certa vez, achei que devia falar do matrimônio de uma parente minha. Fez-me então ver o Anjo da Guarda — que isso era indigno de uma alma religiosa e, repreendendo-me severamente, chegou até a dizer que se esconderia dos meus olhos se eu me metesse ainda em tais intrigas… Não sofria nem ainda a mínima falta de modéstia ou de respeito diante do meu senhor soberano, na presença de quem eu o via prostrado por terra, querendo que eu fizesse outro tanto. O que, o mais frequentemente que podia, também eu fazia.”
Ah, que diante de tais exemplos, devíamos chorar amargamente os grandes pecados cometidos na presença do Santo Anjo, e propor firmemente, com a ajuda de Deus, evitá-los para o futuro.


[1]     Deus, qui beatam Franciscam famulam tuam, inter cac terra gratiae tuae dona, familiari Angeli consuetudine decorasti etc. Assim o Oremus da santa.
[2]     Da vida de S. Francisca Romana escrita por D. Giovanni Mattioti, que foi Padre Espiritual da santa. Esta vida, de que fazem menção os Bolandistas, foi ultimamente tirada de um códice inédito dos arquivos da Santa Sé, e publicada sob os cuidados do prof. Mariano Armellini.
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