sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Os santos Anjos, ajuda e conforto dos Mártires

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


9 Os santos Anjos, ajuda e conforto dos Mártires 

São ilustres testemunhos, as atas dos santos Mártires, de quanto sejam eles poderosos e de quanto se empenhem em nos valer com sua poderosa ajuda.
Eram os santos Anjos da Guarda que davam aos santos Mártires aquela valentia com que enfrentavam os tiranos e superavam os tormentos inventados para fazê-los fraquear.
Citemos, entre muitos, o exemplo de S. Vicente, mártir do século IV, grandemente celebrado por Prudêncio, célebre poeta sacro, assim como por santo Agostinho.
Foi, primeiramente, teatro do seu martírio, a cidade de Saragoça, na Espanha, e em seguida a de Valença, cidade também espanhola.

Os tormentos que teve que enfrentar foram muitos e de rara fábrica. Foi estirado no ecúleo, descarnado com unhas de ferro, deitado sobre um leito de ferro em brasa e sobre grelhas ardentes. Finalmente, ainda não conseguindo vencer-lhe a constância, mandou Daciano, Governador da província, que lhe metessem os pés naquele desumano instrumento que se chamava nervo e que assim, cruelmente atado, fosse lançado em um escuro cárcere. E não foi tudo. Mandou ainda que se semeasse no chão do cárcere agudos sacos, para que suas pontas sem cessar ferissem os pés e o corpo, já chagado, do santo, para onde quer que ele se voltasse.
Pois bem, em tal leito, qual se fosse um leito de rosas, adormeceu placidamente o invicto mártir.
Mas de súbito um clarão vindo do céu encheu aquela masmorra. Docemente despertado, viu Vicente um esquadrão da milícia celeste, não porém armado de lanças ou envergando pesada armadura, e sim composto todo de amabilíssimos Anjos do Senhor.
E com a sua presença tudo se mudou: despedaçaram-se-lhe as cadeias e em flores se lhe transformaram os agudos cacos que atapetavam o chão.
E começaram a falar: “Reconhece, ó Vicente, a bondade daquele Senhor, por cujo nome tão esforçadamente estás combatendo. Sê, pois, de bom ânimo, pois dentro em breve deporás esse corpo de morte e te virás ajuntar aos nossos esquadrões.” — E entoou um de seus suavíssimos cânticos. E Vicente, como se já pertencesse aos coros Angélicos se lhes associou para cantar, antegozando o céu, os louvores de Deus.
Naturalmente que nada disso passou despercebido aos soldados que formavam a guarda do cárcere. Puseram-se a espreitar pelas grades, e tudo assistiram: viram a luz que enchia aquela escura prisão, e ouviram os cânticos dos Anjos. Sobretudo pasmaram diante de Vicente que passeava, embevecido e alheado em Deus, sobre o chão coberto de frescas e cheirosas flores. E quando Vicente, mais tarde, lhes falou cheio de zelo do Senhor a que servia, abraçaram prontamente a fé.
Entretanto obstinava-se Daciano no seu satânico propósito de tentar por todos os meios e com todos os tormentos a apostasia do heroico cristão.
Mandou, pois, que fosse tirado para fora do cárcere e que lhe dessem um leito de brandas penas. Aplicaram-lhe, a mais, remédios sobre as chagas e procuraram restituir-lhes as forças.
Souberam disto os cristãos e de todas as partes acorreram a beijar aquelas chagas, e a recolher em paninhos aquele sangue que dera testemunho de Cristo.
Mas o santo Mártir, a que os tormentos não haviam dado a morte, apenas colocado sobre aquele macio leito, exalou o espírito e foi pelos anjos levado para o céu.
O seu corpo, que por ordem de Daciano havia sido lançado às feras dos campos, foi igualmente objeto de cuidado por parte dos Anjos. Enquanto não lhe deram os cristãos honrosa sepultura, ficou sob a guarda dos esquadrões angélicos, que ainda o honraram com seus cânticos e hinos.[1]
Duas lições a colher daqui: a da honra que se deve prestar às relíquias dos santos, e a da guarda que os anjos têm não só das nossas almas mas também dos nossos corpos.


[1]     Ruinart, Acta Martyrum.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...