segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Os Anjos guardas dos templos/ Os Anjos, guardas das comunidades

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


2 — Os Anjos guardas dos templos 

S. Nilo, o Grande, escritor dos feitos de S. João Crisóstomo e contemporâneo seu, refere o seguinte o fato, que transcrevemos quase que na íntegra.
O admirável e santo bispo João Crisóstomo, luminar da Igreja bizantina, ou melhor, da Igreja Universal, tinha, por tal forma aguçados os olhos do espírito, que via com frequência e em diversas horas, cheia a sua igreja de anjos do céu, ocupados em guardá-la, principalmente durante o incruento sacrifício da Missa. Maravilhado diante de tão consolador espetáculo, narrou-o refleto de alegria, a alguns de seus amigos íntimos.
“Apenas começa o sacerdote o sacrossanto rito, dizia ele, logo baixam das alturas multidões de espíritos bem-aventurados. Vestem candidíssima roupagem e trazem os pés descalços. Junto do altar eles se dispõem em círculo, e com grande veneração, sossego e silêncio, assistem de fronte inclinada ao tremendo mistério. Chegado o momento da comunhão, cercam reverentes o bispo, os sacerdotes, os diáconos que distribuem aos fiéis o precioso Corpo e Sangue do Salvador.”
Quis escrever estas coisas, ajunta S. Nilo, para que se veja com que modéstia e com que grande reverência devemos estar nas igrejas, principalmente quando sobre os altares se oferece ao Altíssimo a Hóstia pacífica de propiciação — (Lib. II in epist. CCXCIV. ad Anastasium episc.).
Outro escritor da vida do mesmo santo, Paládio, conta que, condenado o santo doutor ao exílio, não quis partir sem primeiro despedir-se do anjo de sua igreja. “Ao partir de sua diocese, diz ele, disse aos bispos que o acompanhavam: vinde, rezemos, e despeçamo-nos do anjo que preside a igreja.” E ajunta que com o seu bispo partiu o anjo daquela igreja, mal sofrendo a solidão e o abandono da mesma: una cum eo egressus est Angelus Ecclesiae, solitudinem Ecclesiae non ferens. (Bolandistas, 14 de IX). 

3 — Os Anjos, guardas das comunidades 

Os anjos, já o dissemos na 1.ª parte, conforme doutrinam os santos Padres, fundados na Escritura, estão encarregados não somente da guarda dos indivíduos mas também das cidades, dos reinos e das demais comunidades outras que tais.
Por outra parte os santos, sempre obedientes às inspirações de Deus, nutriam em geral especial devoção, primeiramente ao seu Anjo da Guarda particular, e em segundo lugar ao anjo da comunidade a que pertenciam.
Ilustraremos o que afirmamos, em primeiro lugar, com o exemplo do B. Pedro Fabro, da Companhia de Jesus, zeloso missionário em vários países da Europa. Como se vê, grande era o campo que se lhe abria diante dos olhos. Mas não desanimava o santo, confiado na proteção dos Anjos, invocando-os constantemente, para que tornassem eficazes as suas palavras e frutuosas as suas fadigas.
Certa feita, de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, chegou, depois de atravessar a França, nas fronteiras da Espanha. Que grande campo para o seu zelo, mas que incapacidade a sua para promover a glória divina! Tomado, então, de fervor, pôs-se de joelhos e implorou aos anjos tutelares daquele lugar que lhe fossem propícios. O resultado não se fez esperar. Narra-o Boero na vida desse primeiro e definitivo companheiro de S. Inácio.
Também S. Francisco de Sales, exortando a Filoteia, refere com as seguintes palavras a mesma coisa: “fazei com que vos sejam bem familiares os santos anjos, lembrai-vos com frequência de sua presença e, de modo especial, amai e obsequiai os anjos da diocese em que morais, o das pessoas com que viveis e mais que a todos honrais o vosso Anjo da Guarda. Dirigi-vos a ele com frequência, invocai-o de quando em quando, e procurai merecer-lhe a ajuda e o socorro em todos os vossos misteres quer espirituais quer temporais.” E aduz o exemplo do B. Pedro Fabro:
“O grande Pedro Fabro, assim escreve ele, primeiro pregador, primeiro lente de Teologia da santa Companhia do Nome de Jesus, e primeiro companheiro do B. Inácio, seu fundador, voltando da Alemanha, onde levara a cabo grandes empresas para a glória de Nosso Senhor, e passando por esta Diocese, lugar de seu nascimento, contava, que ao percorrer muitos dos países dominados pela heresia, havia recebido grandes favores e consolações, por haver saudado em todas as paróquias, logo que a elas chegava, os seus anjos tutelares. Estes, como sensivelmente conhecera, lhe haviam sido propícios já defendendo-o do ódio dos hereges, já lhe conduzindo muitas almas e as tornando dóceis aos ensinamentos da eterna salvação. E isto ele narrava com tanta energia que uma nobre matrona, ainda jovem nessa época, o referia com grandíssimo sentimento ainda há quatro anos atrás, ou seja, mais de sessenta anos após o fato.” (Introd. à vida dev. p. II, cap. 16).
Igual era a devoção de S. Francisco Xavier para com os santos anjos em suas empresas apostólicas. S. Francisco, tal como o B. Pedro Fabro, foi dos primeiros companheiros de S. Inácio, e habitou com Fabro um mesmo quarto, quando ambos estudantes em Paris. Teve a seu cargo, por uma admirável disposição da Divina Providência, que não vem ao caso mencionar, a evangelização do extremo Oriente. Nesse trabalho, eram os anjos os seus grandes auxiliares, como consta da carta de seu próprio punho, que escreveu aos seus irmãos de Goa, e de que transcrevemos o trecho que segue:
“Vivo em grande esperança de que Deus me conceda a graça da conversão destes países, porém, em tudo desconfiado de mim mesmo, toda a minha confiança está em Jesus Cristo, na S.S. Virgem sua Mãe, e em todos os nove coros dos anjos, dentre os quais escolhi como protetor o príncipe e campeão da Igreja militante, S. Miguel: e não pouco espero nesse arcanjo, a cuja particular solicitude está entregue este grande reino Japão. Todos os dias me recomendo especialmente a eles, assim como a todos os outros Anjos da Guarda dos japoneses, que têm como ofício rogar a Deus pela sua salvação.” (Bartoli, Dell’Asia, l. III).
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