terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Os Anjos, guardas da inocência/ Os Anjos nos salvam dos perigos do corpo

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


4 — Os Anjos, guardas da inocência 

S. Policarpo nasceu cerca do ano 70 da nossa era, foi discípulo do apóstolo S. João, e por ele foi sagrado bispo de Esmirna.
Ainda bem criancinha faltaram-lhe seus pais, e assim se viu a pobre criança sem quem tomasse a seu cargo a sua educação.
Ora bem, sabia-o o seu santo Anjo da Guarda em tal conjuntura e, com o prodígio que vamos narrar, lhe deu o de que necessitava.
Morava na cidade de Esmirna uma piedosa senhora, de nome Calista. Foi ela a escolhida pelo santo Anjo. Apareceu-lhe e lhe disse: “levanta-te e vai à porta chamada de Éfeso, onde verás entrar uma criancinha em companhia de dois homens. Perguntar-lhes-ás se querem vender o rapazito, e eles te dirão que sim. Desembolsarás, então a soma pedida, conduzirás à tua casa o menino, e adotando-o por filho, o educarás com maternal amor na piedade e santo temor de Deus.
Mais que depressa se dirigiu a boa matrona à dita porta e, encontrando a Policarpo, levou-o para casa e tratou de educá-lo. Por sua parte correspondeu Policarpo a seus maternais cuidados, e com o andar dos anos se tornou eminente em sapiência e virtude.
Ora, um dia — Policarpo já era então um mocinho — teve Calista que ausentar-se por algum tempo de Esmirna. Ao partir chamou o filho adotivo e lhe confiou a guarda de toda a sua casa: tanto ela o estimava e tanto nele confiava!
O bom rapazinho, que prestara atentos ouvidos a quanto lhe ensinara a sua protetora sobre a caridade para com os pobres, apenas viu em suas mãos tão numerosos bens, começou a distribuir pelos pobres tantas esmolas que em breve acabaram-se o trigo e vinho e óleo, e quanto havia em casa para o sustento da família.
Ora os criados da casa viam tanta generosidade com maus olhos. Por isto, apenas de volta Calista, foram-no acusar perante ela de pródigo e esbanjador dos bens da casa. “Esse moço, disseram-lhe eles, a que deixaste no governo da casa de preferência aos teus velhos servidores, acabou, de tolo que é, com tudo o que havia!”
Ouvindo isto, Calista chamou Policarpo. Em seguida, com ar carrancudo dirigiu-se à dispensa, e ordenou que lhe abrisse a porta. Queria, por assim dizer, convencer ao delinquente do seu erro no próprio local do delito.
O pobre Policarpo não proferiu palavra. Desceu depressa à dispensa e ai prostrando-se por terra, fez a Deus esta bela oração: “Ó Pai celeste, que por virtude do teu profeta Elias enchestes o vaso de farinha e o odre de óleo da viúva de Sarepta, mandai que o vosso anjo renove em meu favor o mesmo milagre! Peço-o em nome do vosso diletíssimo Filho Jesus Cristo.”
Foi ouvida esta oração. Agradou a Deus tanta fé e simplicidade. Em um instante encheram-se os vasos de óleo e de vinho, e os sacos se encheram de trigo.
Ora, sobreveio Calista, e viu que quanto lhe haviam contado os seus criados tudo era falso. Indignada ameaçou-os com severos castigos, mas interveio Policarpo: “não te irrites, disse-lhe ele, e nem castigues aos teus servos. Não foi por mal que o fiz, mas a verdade é que tudo eu havia dado aos pobrezinhos que me batiam à porta. Deus, portanto, Pai do bendito Senhor Jesus Cristo, serviu-se de mim para saciar os famintos, e ao mesmo tempo tudo te restituiu por ministério do seu santo Anjo, para que possas continuar no teu santo costume de dar esmolas.”
A tais palavras a piedosa Calista mal reprimia as lágrimas, maravilhada pelo que via, e toda possuída de emoção, pois abrigava em sua casa um verdadeiro santo de Deus (Bolandistas, 26 de Jan.). 

5 — Os Anjos nos salvam dos perigos do corpo 

O exemplo que segue é também tirado da vida de S. Policarpo, não já em sua adolescência, mas em sua plena virilidade, quando já eleito à sede episcopal de Esmirna.
Foi em uma de suas viagens apostólicas. Viajava por um deserto lugar, e vindo a noite teve que se acolher ao primeiro albergue que encontrou. Lá por alta madrugada, dormia o Santo despreocupadamente quando ouve que alguém o chama: “Policarpo, Policarpo.” — E o santo bispo: “Quem me quer?…” — E a voz prosseguiu: “Levanta-te e foge depressa, pois dentro em pouco desabará este albergue.”
Logo se pôs de pé o santo, despertou o companheiro, que era um moço chamado Camério, e o convidou a levantar-se incontinente. Mas o pobre Camério, cansado e dominado pelo sono lhe disse: “Mas meu santo pai, para que tanta pressa?… Mal entramos no primeiro sono! Se quereis ler as escrituras e meditá-las como costumais, está bem, meditai-as embora, mas deixai-me dormir a mim…”
 Calou-se Policarpo e voltou para o quarto. Mas apenas entrou nele, a mesma voz se fez ouvir, igualmente intimando a que se retirasse o mais depressa possível. Desta vez foi o santo com mais resolução a Camério, e ordenou que se levantasse. Ainda assim disse este, não sem espírito: “enquanto Policarpo estiver dentro desta casa, tenho plena confiança em Deus que ela não cairá.”
“Sim, respondeu o santo, é Deus precisamente que quer que nós nos salvemos. Para isto enviou-me um anjo que nos diz que partamos já daqui.” Não tinha ainda acabado de falar quando lhes aparece o santo anjo e pela terceira vez manda a ambos, que deixem o albergue. Assustado, então, Camério, pulou para fora do leito e antes que S. Policarpo chegasse à porta do albergue já ele estava em plena estrada…
Uma vez ambos na estrada, trataram de afastar-se. Poucos passos andados, ouviram o estrondo do albergue que desmoronava. Cheios de reconhecimento ajoelharam-se onde estavam, e Policarpo, levantando os olhos ao céu rendeu graças a Deus com esta devota oração: “Ó Senhor Deus Onipotente, Pai de Jesus Cristo, bendito Filho Vosso, que por meio do grande profeta Jonas predissestes a ruína de Nínive, e concedestes aos seus habitantes de escapar do iminente desastre, com todo o coração vos bendizemos, porque por meio do vosso anjo nos significastes a ruína deste albergue e piedosamente nos salvastes de tão grande perigo.” (Bolandistas, ibid.).
Ajuntemos ao que acabamos de narrar o que vem a seguir, que mostra que, assim como o Anjo da Guarda dos indivíduos os salva de perigos pessoais, assim também os anjos tutelares das comunidades as livram das desgraças que as ameaçam.
Foi no ano de 593. Roma gemia em suprema aflição, pois uma terrível pestilência campeava na cidade. Governava a Igreja o santo pontífice Gregório Magno. Para implorar da Misericórdia de Deus quisesse pôr termo a tão temível flagelo, ordenou uma processional romaria, de clero e povo, até a igreja do glorioso apóstolo S. Pedro.
Passava a procissão pela ponte que conduz à Adriana, quando apareceu um anjo ao pontífice, numa atitude que indicava a cessação do flagelo. Estava precisamente sobre a Adriana, e trazia na mão uma espada que introduzia na sua bainha. Os fatos mostraram que a espada da divina justiça, que se desembainhara sobre o povo, voltara de fato à bainha, pois em breve desapareceu a epidemia.[1]
E em memória desta miraculosa aparição tomaram ponte e castelo o nome de santo anjo. A sua estátua foi aí colocada, por sobre o mausoléu do castelo, naquela atitude em que tinha sido visto pelo dito santo pontífice.


[1]     Conforme antiga e divulgada tradição, que aliás é seguida por Barônio, Annales eccles. a Ch. 590, XVIII.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...