sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Os Anjos e os Santos Apóstolos

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


8 — Os Anjos e os Santos Apóstolos[1] 

a) A bela história de Cornélio, centurião romano.
Havia, na cidade de Cesareia, na Palestina, um gentio chamado Cornélio, e que era o centurião, ou seja comandante de uma centúria.
Era Cornélio homem sumamente piedoso, assíduo na oração como nas obras de caridade. E toda a sua família lhe seguia o exemplo.
Ora, um dia, aí pela nona hora, lhe aconteceu uma coisa extraordinária. Viu que um Anjo de Deus vinha para ele, e o chamava pelo nome: Cornélio!
Atônito com tão inesperada aparição, respondeu: “Senhor que é que quereis significar com isto?”

Mas o Anjo continuou: “As tuas orações e as tuas esmolas subiram até a presença de Deus. É, pois, mister, que envies alguém a Jope, a chamar Simão, cognominado Pedro, que mora com um certo curtidor Simão na vizinhança do mar. Ele te dirá o que deves fazer” — E o Anjo desapareceu.
Cornélio, portanto, mais que depressa chama a dois dos seus servos, tudo lhes conta, e os manda com um soldado de sua coorte a Jope.
Ora, enquanto estes caminhavam S. Pedro, em Jope, estava em oração, e teve também ele uma maravilhosa visão.
Viu que pendia do céu, sobre a terra um grande lençol, suspenso pelas quatro pontas. E este lençol estava cheio de animais, de toda casta: mesmo daqueles cuja carne os judeus são proibidos de comer.
E ao mesmo tempo S. Pedro ouviu uma voz, que dizia: “levanta-te, Pedro, mata-os e come-os.” Ora, S. Pedro, julgava que não podia comer assim todos os animais, indistintamente, pois a lei judaica não o permitia. Por isto respondeu: “Longe de mim tal coisa! Pois nunca comi animal imundo (que a lei considerava imundo).”
Mas a mesma voz de novo falou: “não chames de imundo o que Deus purificou.”
Aconteceu isto por três vezes. Depois se recolheu ao céu o lençol.
Impressionado, quedou-se S. Pedro pensativo, procurando interpretar tão estranha revelação. Mas os fatos lha vieram explicar.
A esse tempo, exatamente enquanto pensava S. Pedro, à sua porta batiam os três enviados do Centurião romano e perguntavam se não era ali que morava um tal Simão, cognominado Pedro.
Falou então, o Espírito Santo a S. Pedro: “estão aí três homens que te procuram. Levanta-te, portanto, e desce, e deixa-te levar, pois fui Eu quem os enviou.”
Enquanto isto, estava em sua casa ansioso Cornélio, esperando com toda a família reunida, pela volta dos seus.
Estes ficaram aquela noite com S. Pedro, e só partiram no dia seguinte. E S. Pedro levou também consigo alguns discípulos.
Chegado que foi à Cesareia, deitou-se-lhe Cornélio aos pés, como para adorá-lo. Mas S. Pedro o levantou, dizendo: “levanta-te, que também eu sou homem mortal.”
Em seguida, fê-lo Cornélio entrar em sua casa. Entrou pois, S. Pedro, e vendo ali reunidos tantos gentios, disse: “bem sabeis quanto abominam os judeus comunicar-se ou aproximar-se dos gentios. Mas Deus me mostrou em uma visão que a ninguém me é permitido chamar de imundo (e indigno das relações de um judeu).”
Depois perguntou como fora que tivera Cornélio a ideia de o chamar. E lhe disse Cornélio, que devido a aparição de um Anjo.
Por ministério de um Anjo se convertia assim, ao cristianismo, um pagão, primícias da conversão de todo o mundo pagão — de que também nós, em nossos antepassados, fazíamos parte.
Mas, tal como a contam os Atos dos Apóstolos, é bela por demais esta história para deixá-la inacabada em todos os pormenores.
Ouvindo, pois, S. Pedro, a narração de Cornélio acerca da aparição que tivera, exclamou: “Na verdade, acabo de compreender que para Deus não existe acepção de pessoas. Quem quer que o tema, seja ele quem for, e que pratique as obras da justiça, lhe é aceito.”
E em seguida falou-lhe de Jesus Cristo: de como havia pregado por toda a Judeia a paz do reino de Deus, havia sido batizado por João Batista, passara a sua vida semeando o bem, curando os doentes, libertando os possessos dos maus espíritos — e que, não obstante, havia sido crucificado pelos judeus. Falou-lhes também de sua ressurreição e de como ele, Pedro, e os demais apóstolos, haviam até comido e bebido com Jesus depois de ressuscitado; de como Jesus os mandara a pregar ao povo, e, enfim, que tudo estava predito pelos profetas, conforme se lê nos livros santos.
“Ainda Pedro falava — diz S. Lucas nos Atos dos Apóstolos — quando desceu o Espírito Santo sobre todos os que o ouviam.
E ficaram admirados os fiéis circuncisos (judeus) que haviam vindo com Pedro. Pois viam que também nos gentios se derramava a graça do Espírito Santo, pois os ouviam falando línguas e exaltando a bondade de Deus.”
E S. Pedro, tendo-os batizado, ainda ficou alguns dias com eles, para lhes satisfazer a devoção.
b) Um Anjo liberta a S. Pedro do cárcere de Herodes Agripa, quebrando-lhes as correntes.
Há sete anos reinava na Judeia Herodes Agripa, quando resolveu perseguir os cristãos. Para isto, mandou degolar S. Tiago, irmão de S. João Evangelista, e vendo que tal ato agrava aos judeus, passou adiante: prendeu também a S. Pedro.
Era nas vésperas da Páscoa. Herodes pretendia apresentar o seu novo preso ao povo depois dessa grande festa. Por isso mandou que o guardassem quatro piquetes, cada um de quatro soldados.
Mas enquanto S. Pedro estava no cárcere, estavam os cristãos rezando por ele sem cessar.
Ora, na mesma noite em que Herodes o ia apresentar ao povo, dormia S. Pedro entre dois soldados, atado com correntes duplas. E os guardas, à porta, vigiavam o cárcere.
E eis que veio um Anjo do Senhor, e uma luz resplandeceu na prisão. E tocando em S. Pedro, despertou-o o Anjo e disse: “levanta-te depressa.” E caíram as correntes das mãos de S. Pedro.
Disse-lhe o Anjo: “põe o cíngulo e calça as sandálias.” E assim fez.
E depois: “põe a tua capa, e segue-me.”
E saindo, Pedro o seguia sem compreender que era realidade o que se fazia por intervenção de um Anjo, pois julgava ter uma visão.
Passando a primeira e segunda guarda chegaram à porta de ferro que conduz à cidade, a qual se lhes abriu por si mesma.
E saindo, passaram um quarteirão, e aí se apartou o Anjo de S. Pedro.
Então S. Pedro, tornando a si, disse: “Agora sei verdadeiramente que o Senhor enviou o seu Anjo e me livrou das mãos de Herodes e de toda a expectação do povo dos judeus.”
Assim dizendo, dirigiu-se S. Pedro para a casa de Maria, mãe de João, de sobrenome Marcos, onde muitos fiéis se haviam reunido para rezar.
Batendo, pois, S. Pedro, à porta dessa casa, Rodes, mocinha que lá estava, foi ver quem era.
Ficou fora de si de alegria, ao ouvir a voz de S. Pedro. E em vez de abrir a porta, ansiosa por dar a nova, foi dizê-lo aos fiéis. Mas estes disseram: “estás doida?…” E ela insistia e afirmava que só podia ser ele. E os fiéis: “não, não é ele, mas o Anjo dele.”
Enfim, continuando S. Pedro a bater, foram à porta e deram com o Santo Apóstolo! Ficaram admirados.
Fez-lhes S. Pedro sinal que calassem, e contou-lhes como fora livrado pelo Anjo.
Pouco depois, Herodes, que se retirara para Cesareia, como dizem os Atos, foi ferido pelo Anjo do Senhor, porque não dera honra a Deus — e morreu devorado pelos vermes.
Vem a propósito uma observação de Orígenes a respeito da palavra dos fiéis “Não é ele, mas o seu Anjo.” “Portanto, diz Orígenes, deduz-se que um é o Anjo de Paulo, o outro o de Pedro, outro o de cada um dos demais apóstolos, e assim por diante a respeito dos outros homens (Homil. 2 in Numer.).” E igualmente daí se conclui que a fé dos primitivos cristãos no Anjo da Guarda, estava longe de ser o que é hoje em dia a grande maioria dos fiéis — uma fé lânguida e quase que morta na vida prática.
Angelus ejus est: é o Anjo dele!” o Anjo de Pedro, que nos vem trazer alguma mensagem do apóstolo. Não podia ser mais espontânea a confissão de sua fé nos nossos Santos Anjos! Era isso resultado da firme persuasão em que viam da certeza desse fato e desse grande e fecundo dogma.
Jovem que me lês, é bem possível que muitas vezes tenhas ouvido a voz do teu Anjo da Guarda e que a não tenhas reconhecido.
Aprende, com os cristãos dos tempos apostólicos, a reconhecer a voz do teu Anjo: “Angelus meus est”, dize então, e presta ouvido a essa voz: “audi vocem ejus.” Assim fazendo terás a fé dos primitivos cristãos, e viverás de uma vida inatingível aos sentidos do corpo, mas que é a verdadeira vida.
E não perecerás afogado no lodo deste mundo.

[1]     Jesus é Nosso Rei e Senhor, como também dos Anjos. Por este motivo, os Anjos nos consideram conservos seus, com relação a Jesus Cristo: “sou servo como tu, disse um Anjo a S. João, como tu e como teus irmãos, que dão testemunho de Jesus”. (Apoc. XIX, 10).
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