quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O Anjo da Guarda nos protege contra os perigos da alma/Indústria do Santo Anjo da Guarda para conduzir à fé o seu cliente

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


6 — O Anjo da Guarda nos protege contra os perigos da alma 

Mais importante é a alma que o corpo. Mais graves, portanto, são os perigos daquela que os deste. Livrando-nos os anjos dos perigos do corpo, não podem deixar de nos proteger contra os da alma e de deles nos livrar.
Ora, os males da alma, que são os pecados, dependem em geral da nossa vontade. Por isto o trabalho do santo Anjo é todo interior — são moções e inspirações que nos falam no íntimo.
Há casos, entretanto, em que sem culpa nossa nos vemos de súbito no perigo. Então ou o santo anjo nos infunde a coragem e a força necessárias para sairmos ilesos, ou então procura afastar-nos dele de modo mais ou menos manifesto.
Na vida do Cardeal Carlos de Principi Odescalchi encontramos um belo exemplo disto. Carlos Odescalchi nasceu em Roma a 5 de março de 1785, e morreu religioso jesuíta, aí pela metade do século passado, na cidade de Módena. Foi um homem de eminente virtude. De todo desapegado dos bens deste mundo, renunciou primeiramente às riquezas de sua principesca família para fazer-se eclesiástico, e depois ao esplendor da púrpura cardinalícia, e à alta dignidade de Vigário Pontifício, para fazer-se pobre e escondido religioso de S. Inácio de Loiola. O exemplo a que nos referimos é o seguinte.
Dezessete anos apenas, era a idade que então tinha Carlos, e se achava em Viena, de visita aos principais e célebres monumentos dessa então imperial cidade. Percorria, pois, museus e pinacotecas à cata de instrução e das elevadas emoções que nos proporcionam as obras de arte. Foi precisamente numa dessas pinacotecas que se deu o que vamos narrando.
Estava para passar de um compartimento do edifício a outro, quando se lhe apresenta um belíssimo jovem e o detém, indicando-lhe a que tome outra direção. Em seguida desapareceu, tal como se se tivesse diluído no ar.
Deteve-se Carlos e tornou atrás, impressionado com o que acabava de acontecer. Encontrou-se, então, com um dos guardas da pinacoteca e lhe perguntou se sabia que é que se expunha em tal sala que se achava em tal parte do edifício… O guarda respondeu que sim. As obras que ali se achavam eram grandemente obscenas.
Mais tarde contou aos seus íntimos o horror que então sentira pelo perigo que correra e como se lhe enchera o ânimo de reconhecimento pelo santo Anjo da Guarda, que sob forma daquele jovem, dizia ele, lhe havia aparecido.
Cresceu-lhe ainda mais, de então em diante, a devoção para com o seu celeste protetor. Mais frequentemente, de então em diante, implorava a sua ajuda, e sobretudo nas viagens lhe rogava quisesse protegê-lo e livrá-lo de todo perigo de alma e do corpo. 

7 — Indústria do Santo Anjo da Guarda
para conduzir à fé o seu cliente
 

Dentre os santos mais ilustres do terceiro século deve-se merecidamente reconhecer a Gregório dito o Taumaturgo, ou seja, operador de prodígios, primeiro bispo de Neo-Cesareia, no Ponto.
Nascido de pais pagãos, foi instruído na fé por Orígenes, juntamente com seu irmão Atenodoro. E foi precisamente em reconhecimento pela instrução recebida que o santo recitou a seu mestre a conhecida e bela oração panegírica in Originem oratio Prosphon, et panegyr. Nesta, largamente fala do Santo Anjo de Deus destinado à sua guarda, a cuja indústria e cuidado atribui a sua vinda a Cesareia na Palestina, o ter aí encontrado Orígenes, o ter sido por ele instruído na fé e, finalmente, o tê-la fervorosamente abraçado. Eis, traduzidos do grego, os passos que mais dizem ao nosso intento:
“Remetendo ao divino Verbo o agradecer dignamente ao celeste Pai por sua inefável providência”, diz ele que do agradecimento a Orígenes, ele próprio, Gregório, se incumbia. E ainda não pago com isto, “levantando-se àqueles sublimes espíritos que, invisíveis, têm cuidado dos homens”, volta-se ao mesmo tempo ainda “a aquele que em força de um soberano decreto tomou-me para reger e educar desde criança; a aquele sagrado anjo que, como diz o dileto servo de Deus, me apascenta desde a minha juventude, qui pascit me ab adolescentia mea.
E, “quanto a nós (prossegue S. Gregório), além do comum Senhor e Governador de todos, que é magni consilii Angelus Anjo do Grande conselho, bem conhecemos e preconizamos ainda este outro especial pedagogo nosso, quem quer que seja ele a respeito de quem somos nós verdadeiramente crianças e pequeninos. Este, sim, que sempre e em tudo se me tem mostrado como meu bom nutrício e tutor; título que de certo nem a mim para comigo mesmo, nem a nenhum dos meus parentes ou amigos pode competir, pois todos somos cegos, nós outros, ainda em coisas as mais óbvias e cotidianas, para escolher o que a nós nos importa; mas compete, sim, àquele sobre-humano ministro, que quanto redunda em vantagem de nossa alma sabe prover. Ora, como tal, até tem ele vindo nutrindo-me, educando, e como que conduzindo pela mão. Mas o que vem cumular os seus favores é de certo o ter-me trazido a travar relações e a tratar com tão digno personagem (Orígenes)…; coisa que, como penso, teve ele em mira desde o começo da minha vida e da minha educação. Mas, longo seria relembrar o como pôde ele trazer-me a estes termos” (Num. 4).
E aqui, indicando vicissitudes várias de sua vida, detém-se Gregório a narrar como, por desejo de sua mãe viúva, se aplicara ao estudo da retórica. “Senão que (continua o santo) aquele meu vigilantíssimo e divino pedagogo e meu verdadeiro tutor, sem que nisso pensassem os meus, e nem mesmo eu desejasse, oportunamente interveio.”
E como? Inspirando a um seu mestre de língua latina, o grande conhecedor, também do direito, que induzisse o seu aluno a aprender dele as leis romanas: já que uma tal disciplina dizia ele, lhe seria de grande ajuda na carreira do foro ou em outra semelhante. Palavras que, ditas pelo seu mestre com intenção bem diversa, se tornaram, como o nota S. Gregório, um verdadeiro vaticínio. Com efeito, a cultura de tais leis pôs a Gregório e a seu irmão Atenodoro na necessidade de se encaminharem à cidade de Berito, em que florescia uma célebre universidade romana de tais estudos.
Ora, Berito pouco dista de Cesareia de Palestina, onde S. Gregório escreveu estas coisas, e para onde outros cuidados haviam trazido a Orígenes de Alexandria, Egito, levando-os assim a Providência um ao encontro do outro.
Assim dispostas as coisas para a viagem a Berito, apareceu-lhe um soldado com público transporte para Cesareia, pois um cunhado de Gregório havia sido escolhido para ministro no governo da província e mandara buscar a esposa, irmã de Gregório. Desta forma foi que Gregório e Atenodoro, desviando-se de Berito, fora ter a Cesareia.
Tantas circunstâncias providenciais levaram Gregório a reconhecer em tudo isso a mão do santo Anjo. “A esta complicada história, prossegue S. Gregório, se ajunta uma outra não complicada, mas mais digna de estima: tratar com este homem (Orígenes), receber dele o verdadeiro conhecimento e fé do Divino Verbo, tratar da própria salvação, eis o destino a que nos levava, a nós, cegos e ignorantes, a nossa viagem a Cesareia. Não foi portanto o soldado que aqui nos trouxe, mas foi esse cortês e divino companheiro, esse bom guia e guarda, que durante toda a nossa vida, como que em longa viagem, nos assiste e guarda de todo perigo.
Foi ele que, guardando-nos de tantos transvios e da própria Berito, a que parecia que nos devíamos dirigir, para cá nos trouxe e aqui nos veio deixar. Não descansou o bom anjo enquanto não nos pôs em mãos daquele que para nós foi autor e fonte de tantos bens.”
Mais não podia fazer o bom Anjo de Deus. “A tal homem me confiando, diz o santo doutor, já nada lhe restava a fazer: tinha cumprido com todas as providências e cuidados possíveis.”
E assim, tendo sempre em mente tão insigne favor, torna Gregório ao seu Anjo da GuaRda, sauda-o no final do seu discurso, e com sumo afeto o invoca “bondoso guia e fiel companheiro.”
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