segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

14 — Uma bela vitória sobre as tentações é premiada pelos Santos Anjos

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


14 — Uma bela vitória sobre as tentações
é premiada pelos Santos Anjos
 

É S. Tomás de Aquino, sem dúvida, um dos maiores doutores da Igreja. A sua inteligência clara e penetrante, assim como a heroica integridade da virtude da pureza, que lhe perfuma a personalidade, lhe valeram o cognome de Angélico.
A sua mente, desde a mais tenra idade preocupou-se com os problemas da vida sobrenatural. “Mamãe, perguntava ele ainda criancinha, que é Deus?…” — Mais tarde, compreendendo que Deus é o autor da vida, e que só a vida divina é a vida verdadeira, resolveu viver somente para esta vida divina, que nos é dada no batismo, e que nos faz filhos de Deus. Por isto, pensava em fazer-se religioso e em entrar na ordem do glorioso patriarca S. Domingos. Mas assim não pensavam os pais. Tomás era uma inteligência brilhante, e podia ser, no mundo, a grande glória da casa dos Aquinos.

Para dissuadir de uma vez seus pais, escapou, certo dia, da vigilância dos seus, e vestiu o hábito dos dominicanos.
Entretanto, foi malograda a fuga. Seguiram-no os parentes, tiraram-no da paz do convento dominicano e o encerraram no castelo do monte S. Giovanni. Deu-se aqui o fato de que nos ocupamos neste exemplo. Para tentá-lo, e fazê-lo cair em pecado, foi introduzida no castelo uma mulher má, pelos próprios irmãos do santo. São assim os maus: julgam que os bons são bons porque não provam o prazer envenenado do pecado. Infelizes! Incapazes de se deixarem atrair pelos prazeres do espírito, julgam que todo o prazer da vida consiste nas sensualidades da carne!
Mas Tomás de Aquino viu o perigo e recomendou-se fervorosamente ao céu. Ainda afogueado da oração levanta-se de súbito, toma de um tição em brasa e põe em fuga a impudente mulher. Em seguida traçou com o tição uma cruz na parede e diante dela se prostrou em oração. Duas coisas pediu: uma, que Deus houvesse por bem receber os seus agradecimentos pela força que recebera na tentação, e a segunda que lhe concedesse uma pureza angélica, com que jamais houvesse que temer de lutas futuras.
Diz-se que em sonhos, ou talvez em êxtase, foi ouvida esta segunda parte de sua oração. Fosse em sonhos ou em êxtase, o fato é que se soube, do seu confessor, depois da morte do santo, que dois anjos lhe apareceram e lhe disseram que eram mandados de Deus para lhe outorgarem o dom da perfeita virgindade, “de que, disseram, Deus te faz agora graça irrevogável.”
Depois de assim falarem tomaram os Anjos de um grosso cordão que consigo traziam e com ele cingiram o santo tão fortemente, na altura dos rins, que este recobrou o uso dos sentidos. E de então em diante, diz o mesmo confessor de Tomás, que jamais o santo sentiu em sua carne obstáculo algum para prática da virtude.[1]
Ajuntamos, para utilidade dos nossos jovens leitores, que há uma irmandade, ou sodalício, instituído na Igreja, em memória desse singular privilégio outorgado a S. Tomás.
Chama-se esse sodalício Milícia Angélica e tem por fim ajudar os fiéis a conservar ou recuperar o precioso dom da castidade: “quo confratres castitatis donum, Deo dante, felictus tueatur, aut consequantur amissum.”[2]
Assim fazendo, isto é, procurando conservar-se puros de coração, conseguirão os nossos jovens leitores um certo triunfo em seus estudos. Sobretudo os que desejam maiores conhecimentos das coisas espirituais têm na prática da virtude angélica um penhor de consegui-lo, pois é esta aquela ciência de que fala S. Tiago “descendens a Patre luminum”, isto é, o Pai das luzes o concede aos puros de coração. À perfeita observância da castidade é que em parte deve, sem dúvida, o nosso santo, aquela agudeza intelectual com que penetrava e resolvia as mais intrincadas questões teologais.


[1]     Touron, Vida de S. Tomás de Aquino, l. I, cap. XIV.
[2]     Benedictus XIII in bulla Pretiosus, § III.
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