sábado, 27 de fevereiro de 2016

12 — Lições de sublime santidade dadas pelo Santo Anjo da Guarda

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


12 — Lições de sublime santidade
dadas pelo Santo Anjo da Guarda
 

Estas lições de santidade são a continuação das que lemos no capítulo precedente. São, portanto, também, extraídas da vida da santa penitente, Margarida de Cortona.
“Mostra-me, disse um dia ela ao seu Anjo da Guarda, mostra-me com que sinais podemos conhecer os virtuosos e perfeitos amigos de Deus.” — Respondeu-lhe o Anjo: “Os perfeitos amigos de Deus são os que têm o coração inteiramente desapegado das coisas criadas e o têm unido unicamente a Deus, suspirando por Ele, dia e noite, com todo o ímpeto do seu coração.”
— E quais são, ajuntou a santa, as virtudes que lhe são próprias?

“A primeira, replicou o anjo, é uma profunda humildade, à imitação e por amor daquele que se humilhou até à morte na Cruz. A segunda é uma perfeitíssima caridade. Isto posto, amigo de Deus é aquele em que se cumpre a divina palavra, beati mundo corde, bem-aventurados os puros de coração.
É amigo de Deus, continua ainda o Anjo, aquele que nega a si mesmo, ou melhor, que se mata a si mesmo por amor de Cristo, não, porém, com punhais ou semelhantes instrumentos, mas sim por meio da mortificação da própria vontade, e que está pronto a sofrer qualquer pena e a mesma morte, pelo nome de Cristo, se tal coisa fosse necessária em defesa da fé católica. Mata-se, por outro lado, por amor de Cristo, aquele que com a penitência mortifica os seus sentidos.
É amigo de Deus aquele que tem verdadeiramente compaixão e se apiada dos pobres e desvalidos, aquele que sempre fala a verdade, aquele cuja pureza de vida transparece na honestidade absoluta dos seus costumes.
É amigo de Deus quem procura por amor de Jesus Cristo ajudar os seus irmãos em seus trabalhos e sofrimentos, tomando-os a si, preferindo que ele mesmo e não o seu próximo sofra penúria de víveres, de vestes e habitação.
É enfim amigo de Deus aquele que se entristece e se aflige com a desgraça alheia, seja embora o desgraçado seu próprio inimigo; e que, sem sombra de inveja, se alegra de coração com a sua prosperidade.”
Belas palavras, sublime lição. Mas não passa, quanto havemos referido, de um estreito resumo das provas de bondade do Anjo de santa Margarida para com ela. Tão frequentes eram as suas aparições, tão benignas as suas palavras, que chegou a duvidar a santa da autenticidade de tais aparições. Não seria, pensava ela, o próprio espírito das trevas transformado em Anjo de luz?… A mais, pecadora como se julgava, não lhe parecia possível que Jesus, sua Mãe Santíssima e os seus Anjos pudessem comunicar-se com ela tão intimamente.
Incumbiu-se Jesus Cristo de lhe tirar esta dúvida, que era como um espinho, que se lhe atravessava no coração; “Como poderia o demônio, disse-lhe Jesus, infundir-te no coração tão pura alegria, ele, que dela e para sempre está privado? Não tendo em si essa alegria que tu experimentas, tudo faz ele para ta poder roubar.”[1]
Ah, que a muitos, entretanto, principalmente jovens inexperientes, rouba o demônio, a paz e alegria do coração! E como amarga então o ter-se afastado alguém do serviço de Deus!… Queira a sua divina Majestade conceder, a todos aqueles que em tal estado se encontram, a graça de se dobrarem humildemente ao peso de tal sofrer e de voltarem ao caminho que leva ao céu.

[1]     Da vida da santa, escrita por Fr. Giunta Bevagnaste, seu confessor, e citada pelos Bolandistas.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...