terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Válido conforto do Anjo da Guarda no grande conflito

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

 

2 — Válido conforto do Anjo da Guarda
no grande conflito
 

Não sem razão chamamos de grande conflito a hora da morte. Grande pelo ardor que nele se luta, grande pelos adversários que nele se empenham, grande pelas consequências que dele dependem.
É de todo natural e lógico que o demônio não queira perder essa última batalha. Todas as vitórias conseguidas em vida, ele trocaria de bom grado por esta única vitória. Ora, numa batalha decisiva como esta, empregam-se todas as forças à disposição.
Há, pois, uma batalha a travar na hora da morte. A Igreja a previne solicitamente com as orações de agonia. E santos houve que a sustentaram sobremodo duras e terríficas.

Na verdade são aí adversários, de um lado, o Anjo de Deus, a alma remida por Cristo, e o próprio Cristo e seus santos, e do outro o espírito das trevas, amigo de todo mal, causa de toda nossa ruína.
As consequências desta luta são tais que dela depende o mesmo valor da própria existência, ou, em termos vulgares, dela depende o ter, ou não, valido a pena existir.
Perigo algum, portanto, de nossa existência, se pode comparar aos perigos da hora da morte. Inútil e até dispensável fora a ajuda do Anjo da Guarda nos perigos da vida, se ele na hora da morte não nos pudesse valer.
Admira-nos o zelo dos santos ao socorrer os moribundos, e o quanto se empenham para lhes obter uma santa morte. E por que? Porque os santos conheciam o valor da alma, amavam-na caridosissimamente, não queriam ver a sua eterna ruína. Ora, os Anjos são ainda mais santos e caridosos que os próprios santos. Que não farão, pela salvação de um seu devoto!
Conforto, resignação, consolo pela brevidade da agonia e eternidade do gozo, coragem a exemplo dos mártires, a exemplo de Maria Santíssima Dolorosa, a exemplo de Jesus Cristo — eis os sentimentos que infundem os santos nos seus moribundos, muitas vezes gente desconhecida — eis os sentimentos que com muita maior razão infundem os santos Anjos em devotos e amigos seus de toda uma existência.
Não faltará ao devoto do santo Anjo arrependimento dos pecados: ele lho inspirará, assim como uma grande confiança nas chagas do Salvador Crucificado. Ele lhe trará um sacerdote e a este inspira os sentimentos e palavras a sugerir ao enfermo. Fará com que receba os últimos sacramentos e com que, com pias jaculatórias nos lábios, espire suavemente no ósculo do Senhor. Será uma preciosa morte na presença de Deus! pretiosa in conspectu Domini (Ps. CXV, 5).
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