domingo, 20 de dezembro de 2015

O Anjo da Guarda acompanha o seu devoto na grande passagem

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


3 — O Anjo da Guarda acompanha o seu
devoto na grande passagem
 

No momento mesmo em que a alma se separa do corpo, termina para nós o estado de via (estado dos que estão em provação), e com ele termina também, para falar com acerto, a guarda dos santos Anjos.
Isto não necessita de esclarecimentos quando se trata de uma alma que parte deste mundo merecedora de condenação eterna. No lado em que cair a árvore, como diz o Eclesiastes (II, 5), aí permanecerá eternamente. Nada mais tem a fazer com tais almas o santo Anjo da Guarda. De todo estão abandonadas, pela própria culpa.

Quanto às almas que morrem em estado de graça, estão salvas. Já não se faz necessário o auxílio do santo Anjo.
Entretanto ainda alguns caritativos encargos tomam a si os Anjos com respeito às almas daqueles que protegeram em vida.[1]
Antes de mais nada as acompanham ao tribunal de Cristo. Como não perturbar-se profundamente, pergunta S. Bernardo, se se vê só e desamparada do seu fiel guia, ao sair do corpo? “Quomodo enim non vehementissime turbaretur, si sola hinc egrederetur?”
Na parábola do rico glutão e de Lázaro, o mendigo, diz Nosso Senhor: aconteceu que veio a morrer o mendigo e foi transportado pelos Anjos ao seio de Abraão. (Luc. XVI, 22).
É isto, precisamente, o que faz o Anjo da Guarda e ainda outros Anjos quando a alma deixa o tribunal de Cristo isenta de culpa.
E se ainda tiver culpas que expiar no Purgatório, até lá a acompanham os santos Anjos, aí a visitam e consolam, e, para seu alívio e libertação faz com que se façam preces, na terra, por elas.
“Não deixam os Anjos de auxiliar os eleitos, diz São Beda, enquanto os não introduzem na pátria celeste.” (De templo Salomonis, cap. XIII). — Oh, que alegria a do santo Anjo, ao introduzir no céu aquele que protegera por toda a vida! Enfim, eis coroados de pleno êxito os seus esforços e solicitude! E que alegria a do devoto do santo Anjo! Também ele não cessará de bendizer a suave e sólida devoção que o levara ao paraíso.
Bem se pode imaginar, então, os agradecimentos da alma ao Anjo da Guarda, e as congratulações e amplexos deste.
De tudo isto, e de tudo quanto havemos exposto, devemos concluir com S. Bernardo: “Não, não nos é lícito ser ingratos para com os santos Anjos, que, obedecendo tão caritativamente à ordem de Deus, nos são de ajuda em tão grandes necessidades. Sejamos pois devotos dos Santos Anjos, sejamos gratos a estes nossos celestes protetores. Paguemo-lhes amor com amor, honremo-los tanto quanto podemos, tanto quanto devemos… Nutramos bem vivo afeto para com os Anjos do Senhor, como para com aqueles que um dia nos terão como co-herdeiros seus no céu, e que por ora são junto de nós tutores e mentores a nós dados pelo Pai do Céu, a fim de que nos defendam e governem.”

[1]     Ver Suarez, op. cit. l. V, c. XIX n. 9.
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