terça-feira, 15 de dezembro de 2015

ALERTA! - Parte I

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)

PELO
PE. J. HOORNAERT, S.J.
 

ALERTA! 
É a voz de comando dada ao soldado…!
É a recomendação do Senhor a seus discípulos: “Vigiai! Vigiai!”
Alerta!
Os mais valentes são tão fracos!
Não somos mais santos do que Davi…! e Davi caiu em pecado sensual. Não somos tão sábios como Salomão…! e Salomão caiu no pecado da carne.
Não praticamos os rigores de penitência como um Jerônimo, no deserto. E se S. Jerônimo não caiu na culpa da impureza, lembremo-nos contudo de que sua memória era assaltada pelas lembranças das danças romanas.

Não somos mais eloquentes do que Lutero…! e Lutero caiu no pecado sensual. Estava certa noite o firmamento belo e esplêndido, e ele com Catarina de Bora, por ele seduzida, contemplava esse céu imenso, matizado por miríades de estrelas… Foi então que ele, arrancando do peito um suspiro, exclamou: “Estás vendo o que não é para nós! Nós não iremos, ambos, para aquele lado”.
Toma pois cuidado, meu jovem! Quem ama o perigo, perecerá nele.
Foge do que pode atear a chama da concupiscência.
A lenda nos conta que as salamandras vivem intactas no fogo. Mas o teu caso é exatamente o contrário do das salamandras: és um ser eminentemente inflamável. Sendo-se isca deve-se ter o maior cuidado com a centelha, nem se passa com fogo junto dos paióis de pólvora.

* * *
Sê prudente

“Não é a saúde que é contagiosa, mas a enfermidade”. (J. de Maistre).
Vives com três concupiscências no teu coração!
O ar do ambiente é que determina o bom ou mau estado dos nossos pulmões e do nosso sangue. Ora há uma atmosfera moral assim como há uma atmosfera física.
Hoje em dia, não respiramos bem. O ar está povoado de uma multidão de miasmas deletérios.
Visitava eu, há pouco, um Instituto de bacteriologia. Mostraram-me os caldos de culturas, os tubos povoados de micróbios: de bacilos e dicocos, de estreptococos e estafilococos, de sárcinas e espirilos.
Fácil coisa seria infestar cidades e cidades com estes agentes ativíssimos do cólera, do tétano, da tuberculose!…
E tudo isto formigava, aos milhões, naqueles balões, naqueles tubos, que tínhamos nas mãos. Mas estavam hermeticamente fechados.
Infelizmente, para outros germens os balões não estão fechados…
Estão inteiramente à vontade para difundir sistematicamente o contágio.
Certos quiosques, certas livrarias, o que são eles senão outros tantos laboratórios, donde livremente derivam todos os germens da decomposição moral, familiar e social?
Alguns jornais noticiaram que os alemães tinham, de propósito, contaminado as nossas fontes, lançando nelas micróbios de febre tifoide.
Em quanto não tenhamos provas formais do fato, não nos é lícito dar-lhes crédito!
Mas o que os alemães parece não fizeram contra os inimigos, estão-no cada dia praticando os corruptores para com os seus compatriotas: envenenam não as fontes onde os lábios vão beber, mas onde vão beber as nossas almas.
E pouco nos precatamos contra esses germens, porque são tão sutis!
Alguém seria tentado a dizer: “Existem eles realmente? Eu ao menos não os vejo!”
Também se não veem os insidiosos micróbios, os treponemas, os gonococos e micrococos, ao menos, a olhos nus.
Até aqui ainda nenhum aparelho de microscopia, por aperfeiçoado que seja, nos permitiu ver os micróbios do sarampo, da escarlatina, da varíola. Estão espalhados, estamos infelizmente certos disto, por todas as partes…
Precatemo-nos contra os infinitamente pequenos.

* * *
O taredo, da família dos testáceos, é um inseto quase imperceptível, e no entanto, por muitas vezes, pôs em perigo a Holanda: perfura como a carcoma os seus diques, os mais resistentes do mundo, e, por essas fendas aliás minúsculas a princípio, passa a água que vai inundar as terras. Uma coisa semelhante passa com as fendas na vida moral: alargando-se dia a dia, vêm a arruinar tudo.
Devemos dizer dos pequenos perigos, o que Stahl dizia dos pequenos defeitos: “Os pequenos males, que se repetem, e de que não desconfiamos, a pretexto de que não são mortais, são inimigos muito mais perigosos do que as doenças graves contra as quais, logo desde o começo, se tomam todas as precauções”.
Só por estes pequenos males, desprezados, é que ordinariamente nos vêm os grandes. Os pequenos males deparam-se-nos todos os dias. Os grandes males são como os aerólitos que chegam à terra só a longos intervalos.
Um ponto escuro num dente não é nada. Se o não mostrardes logo ao dentista, em breve todo o dente estará estragado: se o não fizerdes arrancar, o mal passará aos próximos e destes aos demais.
O que constitui o extremo perigo dos pequenos males é a sua mesma pequenez, é exatamente o parecerem inofensivos!

* * *
É necessário prudência!
Ora verdadeiramente prudente é só aquele que sabe prevenir a enfermidade.
Não se procura só o não ser “candidato” à artrite, à diabetes ou o evitar as disposições à flebite ou à bronquite, mas procura-se, a todo o custo, arredar este cortejo de males importunos.
“Principiis obsta! Sero medicina paratur
Cum mala per longas invaluere moras”.
Estudaste tão bem, durante o curso de humanidades latinas, estes dois versos de Ovídio que me dás direito a dispensar-me de dar-te a tradução deles…
Tratando-se da saúde corporal bem compreendes a verdade deste princípio: é mais prudente cuidar da saúde do que da enfermidade! É melhor prevenir do que curar.
Assim pois: a higiene é preferível às pílulas.
Sabes o que se avantaja a uma boa obturação? Um dente perfeito.
Pergunta aos mutilados da guerra, se a mais perfeita perna artificial equivale uma perna natural, e se um crânio bem trepanado ou concertado com placas de prata vale tanto quanto um bom crânio intacto!

* * *
Sê intransigente

Disse eu já o bastante recomendando o ser “prudente”?
Melhor seria, para empregar o termo adequado e a adjetivação apropriada, aconselhar-te a intransigência.
A matéria que tratamos é “lúbrica”: esta palavra muito significativa é a tradução latina “lubricus”, que quer dizer: “escorregadio”! Lembras-te, recordando os entretenimentos juvenis daqueles “resvaladouros” ou pistas geladas sobre as quais, tu, criança alegre, deslisavas com prazer! Não era mais fácil não se atirar a corrida do que parar na descida?
O vício é um “escorregadouro”.
Grava no espírito, com pontas de diamante, estas verdades muito claras embora tenhas bem poucos anos de vida. É mais prudente não provar absolutamente nada de certos frutos e de certos filtros do que provar um pouco. É mais natural não dar começo à obra do que deixá-la em meio.
É mais prudente não tomar pelo caminho da fugida do que dizer: no meio da debandada ainda é tempo de fazer frente ao inimigo e de recomeçar o combate.

* * *
Sto. Inácio recomendava muito instantemente, na luta contra o demônio, o ser-se categórico ou, como dissemos, intransigentes.
O nosso inimigo parece-se com uma mulher: é fraca, mas obstinada. É próprio da mulher, ao altercar com o homem, perder a coragem e fugir apenas ele se lhe opõe com ânimo forte e fronte erguida; se o homem, porém, começar a acovardar-se e a temer, então a cólera, a vingança e o furor da mulher crescem, e não têm medida.
O inimigo procede do mesmo modo, perde a coragem e põe-se em fuga com as suas tentações, quando a pessoa, que se exercita nas coisas espirituais, lhe mostra firmeza e faz inteiramente o contrário do que ele sugere. Se, porém, o homem, que é tentado, começa a temer e a resistir ao ataque com pouca coragem, não há na terra animal cuja ferocidade possa comparar-se com a malícia infernal (Regra do disc. dos espíritos).
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