segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O amor paciente e benigno com que nos tolerou o Santo Anjo da Guarda

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


2 O amor paciente e benigno com
que nos tolerou o Santo Anjo da Guarda
 

“Pequei e muito pequei, e não recebi o que merecia em castigo: et ut eram dignus non recepi.” Nem sequer nos faltou, depois de tantas faltas, a amizade do Anjo da Guarda. No entanto, uma injúria somente basta para separar velhos amigos, e converter em ódio a antiga amizade.
E isto por que? Porque a amizade humana em motivos humanos se fundamenta, e estes são instáveis. Não assim a amizade que nos têm os Anjos. Fundamenta-se em motivos espirituais, tais como o amor de Deus, de quem somos filhos de adoção, o preço de nossa alma, que foi o Sangue de Cristo — e, estes motivos são constantes, imutáveis. Constante é, portanto, a amizade que nos têm os Anjos, apesar das nossas culpas. Não há dúvida que estas enfraquecem a sua amizade para conosco, tanto mais quanto maior for a nossa culpabilidade, e menores as atenuantes da falta.

Entretanto é sempre verdade o que diz S. Pedro Damião: “Todos os dias é de muitas maneiras que ofendemos aos nossos Anjos da Guarda, e à ofensa acrescentamos muitas vezes a negligência em arrepender-nos. Eles, porém, ainda que frequentemente sofram de nós tantas injúrias, toleram-nos, não obstante, e de nós se compadecem.”[1]
Bem sabe o médico paciente tolerar as injúrias do frenético que não se quer deixar tratar, e a ele volta muitas vezes, apesar das afrontas, até vê-lo de todo curado. Assim procede para conosco o santo Anjo da Guarda: assiste-nos, exorta-nos, move-nos interiormente, e jamais se aparta do nosso lado, agenciando diante de Deus a nossa salvação. — “Oh prodígio de caridade, exclama o mesmo S. Pedro Damião, prodígio de todo inaudito entre os homens!…”
A caridade, diz o Apóstolo, é paciente, é benigna: caritas patiens est, benigna est. Ora, tal é na verdade a caridade do santo Anjo para conosco, caridade paciente, caridade benigna: patiens est, benigna est: Tudo sofre, tudo suporta: omnia suffert, omnia sustinet.

[1]     Serm. I de Exaltat. Crucis.
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