quinta-feira, 26 de novembro de 2015

AOS JOVENS DE VINTE ANOS!

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)

PELO
PE. J. HOORNAERT, S.J.



AOS JOVENS DE VINTE ANOS! 
Para vós é que eu escrevo este livro!
Possuís o precioso dom da juventude: sois por isso incomparavelmente ricos, e praza aos céus que possais dar o devido valor a tão grande tesouro!
Vossos corações batem acelerada e fortemente. Vossos olhos faíscam, e por tal forma cintilam, que muito é de admirar não hajam ainda queimado os que os têm, pois irradiam tão vivo e ardente calor. Vossas almas juvenis agitam-se em busca de ideais.
Sois tão generosos!…
Sois tão fracos!
Vossas almas são de um cristal fragilíssimo!
Muito belo é o cristal irisado e sonoro! mas é mister preservá-lo dos choques!

* * *

Há muitos anos que eu sinto o suave trato convosco, jovens de Poesia, de Retórica, de Academias, podendo assim colher vossas confidências, estudar atentamente esta coisa atraente sobre as demais: “o coração de um moço”.
Assim como os vedores descobrem um veio d’água subterrâneo de que outros, por vezes, nem sequer têm suspeitas, assim me bastará sondar, por alguns instantes, vossas almas de vinte anos, para encontrar essa fonte que brota, borbulhando, vivo entusiasmo e sentimentos fidalgos.
Creio de vos ter compreendido.
Fui testemunha de vossas lutas interiores, presenciei vossas noites de vertigens, vossas manhãs de vitórias; chorei por vossas quedas e gozei pelo vosso ressurgir.
É sempre possível ressurgir!
A par dos imaculados, estão os arrependidos e as arrependidas. Admiramos S. João e, não menos, S. Agostinho; encanta-nos Santa Ângela, mas igual estima temos por Santa Maria Madalena — a pecadora de Madala, de quem Cristo expulsou sete demônios[1] e se tornou a filha predileta do divino Mestre, a grande Santa do Novo Testamento.
Há pois duas sortes de inocências: as que nunca murcharam, e são as mais belas! — e as que se reconquistaram.[2] Estas são ainda talvez mais tocantes, porque mais humildes. Ao lado de um jovem que repete, com santa alegria: “Não caí”, encontra-se, muita vez, outro que primeiro atira-se consternado, roído pelos remorsos, ao genuflexório para se confessar, e depois, lança-se aos braços do confessor clamando: “Salvai-me! Venho de longe! Se soubésseis!… Meu Deus! Como são humilhantes estas quedas! Como isto é vil e baixo! Mas agora já sei! Nunca mais! Reparai bem: nunca mais!”
Caro e pobre amigo! O Salvador misericordioso de nossas almas, Aquele que conhece a miserável argila de que se acha constituída a nossa pobre natureza,[3] nunca recusa, há já vinte séculos, o perdão aos filhos pródigos, que voltam das terras da escravidão, onde se morre à fome, e tornam para a morada onde encontram o festim de alegria, a túnica branca, o anel da reconciliação, onde lhes é dado abraçarem, estreitarem contra o seu o coração magnânimo de um pai, que tudo esquece!
Maior é a sua indulgência do que toda a vossa fraqueza!
Desgarrado e perdido, sentias fatalmente a tristeza! Volta.
Generoso, hás de forçosamente viver feliz. Persevera.
Triunfa de teus baixos apetites. Serás recompensado pela altivez de sentir teu coração bater livremente e altaneiro em teu peito.
Irás monologando: É terrível esta luta travada consigo mesmo, sem testemunhas do que se passa no recôndito do coração! Nem mesmo uma voz de alento, nem um prêmio qualquer.
Puro engano! tens uma plêiade de invisíveis testemunhas: teu Deus; teu Anjo da Guarda, teus caros finados e os eleitos te fazem linda coroa.
Não dás por eles; mas eles te veem e te admiram. Comparadas com tais testemunhas o que são as que, há algum tempo, em Jersey-City, contemplavam a mundial luta de Carpentier-Dempsey? O que era esse espetáculo de grandes murros comparado com o muito nobre duelo que tu sustentas contra o vício, que tenta roubar-te o coração?

* * *
Que Deus e que a Virgem Puríssima nos auxiliem para te falarmos clara e delicadamente. Abençoem eles estas páginas.
“Oh! exclamas, ainda mais um livro acerca da pureza! A matéria tem sido ventilada em todos os sentidos, sob todos os aspectos!”
É verdade! Mas um assunto (sobretudo este) pode ser encarado sob vários aspectos, do mesmo modo que um diamante pode ser estudado sob qualquer das suas facetas. E além disso é necessário para mais e mais a inculcar, voltar frequentemente à ideia do dever. E, como nossos adversários não se dão tréguas em achar novos inventos e incentivos do vício, não cessemos nós também de apresentar novos estímulos à virtude. E, como eles, sem cessar, exploram as mesmas teses ímpias ou imorais, repitamos, nós também sem cessar o programa ideal do Mestre: “Bem-aventurados os puros de coração!”
Os céus e a terra passarão, mas esta divina afirmação não passará! Continuará sempre de pé, no perpétuo desafio da sua eternidade. E, como a alta e forte pirâmide, assente nos areais detém a mobilidade caprichosa das areias, assim a imutável doutrina do Senhor, será sempre um princípio de fixidez inabalável em meio das teorias inconstantes e das flutuações humanas.



[1]             “Depois de ressuscitar… apareceu Jesus a Maria Madalena da qual expulsara sete demônios”. (Mat. 16-9).
[2]             Estas duas espécies diversas de inocência achavam-se presentes ao pé da Cruz de Jesus: S. João representando a virgindade e Santa Maria Madalena representando o arrependimento.
[3]             “Cognovit figmentum nostrum”. Conhece a nossa argila. (Ps. 102).
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...