domingo, 8 de novembro de 2015

Alegria do Santo Anjo quando correspondemos ao seu amor

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


3 Alegria do Santo Anjo quando
correspondemos ao seu amor
 

Nada há que nos cause tanta tristeza como ver-nos mal correspondidos em nossa dedicação por alguém, e nada que mais puramente nos alegre do que ver que a nossa dedicação provoca reconhecimento e o nosso afeto correspondência.
Exemplo frisante é a alegria de um pai e de uma mãe que veem os próprios filhos a crescer dóceis a seus desejos e mandados, morigerados e estudiosos; e o do mestre que vê crescer cada dia mais em saber os discípulos pelos quais se dedica.
Bem sabem, os que o experimentam, como é doce colher os frutos da própria fadiga e indústria.

Quanto à alegria dos Anjos em se verem correspondidos, fala a teologia católica por boca de S. Tomás de Aquino, um dos seus mais autorizados porta-voz. “A alegria dos Anjos, diz ele, pode aumentar por motivo da salvação dos que se salvam por seu angélico ministério… Mas esta alegria pertence ao prêmio acidental, e como tal pode aumentar até o dia do juízo.”[1] Logo, alegram-se os Santos Anjos de Deus com o nosso bem espiritual.
Por outra parte, diz N. S. J. Cristo, no Evangelho: “alegria haverá no céu, entre os Anjos de Deus, pela penitência e arrependimento de um pecador que seja.”
De duas espécies de bem-aventurança, portanto, gozam os Anjos de Deus no céu: uma essencial, consiste na visão e no amor de Deus, e outra acidental, é resultado do conhecimento que podem ter acerca de outras coisas fora de Deus. Tal é a alegria pela conversão de um pecador, tal a alegria de se verem correspondidos em seu zelo junto de nós.
A tua vida, portanto, leitor amigo, pode ser causa dessa felicidade acidental dos Santos Anjos. E por certo que já é uma grande felicidade ser a outrem causa de felicidade! Que felicidade, a de saber que os nossos pais, os nossos mestres, os nossos superiores, são felizes porque somos o que eles esperavam de nós! Pois bem, estejamos certos que, se formos bons, também os Anjos serão felizes, e isso por nossa causa. Que motivo de alegria para nós!
Há ainda uma outra coisa sobre que deves refletir. O mestre que vê os seus esforços correspondidos, mais ainda se anima a levar o seu discípulo sempre a maiores conhecimentos, e a lhe desvendar os segredos da ciência que ao comum dos seus alunos ele não revela. De modo igual procede todo aquele que tem por ofício o dirigir, o guiar, o educar, seja nas ciências, seja nas artes, seja na vida em geral. O educando que corresponde aos cuidados do seu educador, merece os cuidados especiais de que é alvo ulteriormente.
Podes, portanto, merecer especiais cuidados do teu Anjo da Guarda, e podes não merecê-los.
No primeiro caso, podes contar com um muito especial auxílio nos perigos do nosso longo caminhar sobre a face da terra.
No segundo, ainda que de certo estará pronto o bom Anjo a socorrer-te quando o invocares, contudo, já não merecerás esse auxílio todo especial de que porventura necessitarás.
Enfim, pensa no seguinte.
O Anjo da Guarda tem direito a essa alegria de se ver correspondido, do mesmo modo que quem trabalha tem direito à remuneração correspondente ao seu trabalho. Se não fores bom, portanto, e não corresponderes aos cuidados do teu bom Anjo, priva-lo-ás de uma coisa a que ele tem direito.
E os males a que te exporás então? As boas árvores dão bons frutos, e as más, maus. Quer isto dizer que o mal acarreta o mal; e o bem o bem. Isto é natural. Das tuas ações más, só se poderá seguir o mal, a infelicidade de ser morto sobrenaturalmente, a desgraça de te perderes, talvez, eternamente.
E das tuas ações boas se seguirá o bem, toda sorte de bem para tua alma, — e é em tua alma que reside a tua verdadeira felicidade, e não no teu corpo.
Como foram felizes os santos, e como os cercaram os Anjos de cuidados! De certo que já admiraste, em suas vidas, este sinal do agrado do seu Anjo da Guarda. Pois bem, podes tornar-te digno de iguais favores. A não ser que queiras ser inimigo de tua alma — hostes animae mostrae, dizia o Arcanjo S. Rafael — e então não há que atribuir a culpa da tua miséria espiritual senão a ti mesmo.

[1]      I. p. q. LXII, a q. ad 3.

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